Artigo 1.º#
Objecto e âmbito
O presente Diploma cria o Fundo Nacional de Emprego de Angola, abreviadamente designado por FUNEA, que visa garantir recursos financeiros para promover a inserção dos recém-formados e desempregados no mercado de trabalho.
Artigo 2.º#
Natureza jurídica
O FUNEA consiste num conjunto de activos financeiros, essencialmente depósitos a prazo e à ordem, destinados a criar e apoiar projectos e iniciativas públicas e privadas geradoras de emprego.
Artigo 3.º#
Gestão profissional
A gestão do FUNEA compete a uma Entidade Gestora profissional e especializada em conformidade com as regras do mercado, mediante um acordo de gestão.
O acordo de gestão referido no número anterior é assinado pelos Titulares dos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas e do Trabalho.
O modelo, os termos e condições do acordo gestão, administração e aplicação dos recursos do FUNEA são estabelecidos por Decreto Executivo Conjunto.
O acordo referido nos números anteriores deve clarificar a posição jurídica do Estado na qualidade de titular do interesse público e responsável pelo fornecimento dos fundos públicos.
As alterações impostas pela necessidade de adaptação das normas de gestão às novas circunstâncias e factos supervenientes é feita pela forma prevista no n.º 3 do presente Artigo.
Artigo 4.º#
Remuneração
A estrutura da remuneração, a indexação e as quantias devidas à Entidade Gestora do FUNEA são fixadas no acordo de gestão referido no Artigo anterior.
Artigo 5.º#
Capitalização
O FUNEA é integralmente capitalizado pelo Tesouro Nacional e pelas receitas previstas no Artigo 9.º do presente Decreto Presidencial.
A capitalização inicial do FUNEA deve atingir, pelo menos, Kz: 589 924 177 777,78 (quinhentos e oitenta e nove mil milhões, novecentos e vinte e quatro milhões, cento e setenta e sete mil, setecentos e setenta e sete Kwanzas e setenta e oito cêntimos).
Para o exercício económico referente ao ano da institucionalização do FUNEA, ficam disponíveis Kz: 25 000 000 000,00 (vinte e cinco mil milhões de Kwanzas), a serem deduzidos do valor referido no número anterior.
Artigo 6.º#
Regime financeiro e instrumentos de gestão
A actividade financeira do FUNEA rege-se por um orçamento próprio e dispõe de contabilidade própria em conformidade com a lei e regras internacionalmente aceites.
São instrumentos de gestão do FUNEA:
Contrato-programa;
Plano de actividades anual e plurianual;
Orçamento anual;
Relatório anual de gestão;
Relatório de contas;
Sistema de relato e prestação de contas.
Artigo 7.º#
Receitas
Constituem receitas do FUNEA as seguintes:
Rendimentos provenientes da actividade operacional do FUNEA, nomeadamente juros, rendas e lucros;
Recursos de apoio e incentivo às políticas activas de emprego;
Recursos actualmente consignados a formação profissional de quadros angolanos;
Custódia de recursos dos Serviços Públicos Específicos;
Fontes de financiamento do sector privado;
Financiamento directo e indirecto de instituições financeiras nacionais ou internacionais;
Doações e subsídios de organizações internacionais;
Outros recursos que legalmente lhe venham a ser atribuídos.
Sem prejuízo do disposto no número anterior, as receitas do FUNEA são anualmente inscritas no Orçamento Geral do Estado até o limite da capitalização prevista no n.º 2 do Artigo 5.º do presente Diploma, em conformidade com a programação financeira do Executivo.
Artigo 8.º#
Despesas
Constituem despesas do FUNEA as seguintes:
Os custos de aquisição de serviços especializados a utilizar;
Os custos de aquisição de patentes e outras imobilizações incorpóreas;
Os custos de aquisição, manutenção e conservação de bens a utilizar;
Empréstimos e incentivos a Fundo Perdido aos jovens que frequentam cursos ou acções formativas profissionais;
Financiamento de projectos de entidades do Sistema Nacional de Formação Profissional;
Financiamentos reembolsáveis às micro e pequenas empresas, apoio ao emprego e auto-emprego através de linhas de crédito junto de instituições financeiras;
Financiamento de iniciativas com objectivo de dotar os jovens com competências específicas direccionadas à sua colocação imediata no mercado de trabalho através de entidades de formação em parcerias com empresas do Sector Produtivo;
Outras medidas relevantes para a materialização da Política Nacional de Emprego.
Artigo 9.º#
Auditoria e controlo
O FUNEA está sujeito a auditorias regulares anuais.
A Entidade Gestora do FUNEA deve submeter aos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas, da Economia e do Trabalho os relatórios trimestrais contendo informações que permitam a avaliação da gestão dos recursos financeiros disponibilizados, nos termos do acordo de gestão.
Sem prejuízo do estabelecido nos n.º 1 e 2, o FUNEA está sujeita ao Controlo da Inspecção Geral da Administração do Estado.
Artigo 10.º#
Governo
O Governo do FUNEA integra os seguintes órgãos:
Entidade Gestora;
Comité Estratégico;
Conselho de Supervisão.
Artigo 11.º#
Entidade Gestora
A Entidade Gestora tem competências e poderes de gestão e assume a responsabilidade pela gestão e condução das operações do FUNEA, nos termos do presente Decreto Presidencial.
A Entidade Gestora constitui, para todos os efeitos, um representante que exerça nela funções a tempo integral e o represente perante o Estado e terceiros, enquanto vigorar o acordo de gestão.
A Entidade Gestora pode envolver consultores especializados nacionais ou internacionais, em conformidade com as necessidades operacionais do FUNEA.
Artigo 12.º#
Deveres da Entidade Gestora
Sem prejuízo do disposto no acordo de gestão, os membros dos órgãos da Entidade Gestora e todos os seus colaboradores estão sujeitos aos seguintes deveres:
Respeitar e fazer cumprir as normas e princípios relativos ao fomento da empregabilidade;
Guardar sigilo profissional dos dados e informações sobre as contas, negócios e demais elementos dos beneficiários do FUNEA;
Gerir a aplicação do capital segundo critérios legais e de rentabilidade estabelecidos no presente Diploma e seu regulamento;
Garantir a observância do contrato de gestão.
Artigo 13.º#
Comité Estratégico
O Comité Estratégico é o órgão de controlo responsável pela condução dos actos de gestão e pela definição das prioridades do FUNEA, revisão e validação das decisões de investimento.
Os membros do Comité Estratégico são nomeados por Despacho Conjunto dos Titulares dos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas, da Economia e do Trabalho, sendo composto por:
1 (um) representante de cada um dos Departamentos Ministeriais referidos no Artigo 3.º do presente Diploma, dentre os quais o Presidente;
1 (um) representante da Comissão de Mercado de Capitais;
4 (quatro) peritos de reconhecido mérito em matérias de mercado financeiro;
1 (um) representante do Entidade Gestora.
O Comité Estratégico é ainda responsável pela revisão e aprovação dos planos de gestão activa do FUNEA.
A organização e o funcionamento do Comité Estratégico são estabelecidos por regimento próprio, aprovado por Decreto Executivo Conjunto dos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas e do Trabalho.
Artigo 14.º#
Conselho de Supervisão
O Conselho de Supervisão é o órgão de acompanhamento e monitorização das actividades do FUNEA, composto pelos seguintes membros, nomeados por Despacho Conjunto dos Titulares dos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas, Economia e Trabalho:
1 (um) representante da Entidade Gestora;
2 (dois) representantes dos parceiros sociais, dentre os quais 1 (um) indicado pelas organizações representativas dos trabalhadores e 1 (um) pelas organizações empresariais;
1 (um) representante indicado pelos Departamentos Ministeriais referidos no Artigo 3.º do presente Diploma.
O Conselho de Supervisão reúne-se ordinariamente uma vez por semestre e extraordinariamente sempre que convocado pelo seu Presidente por iniciativa própria ou por iniciativa de um dos seus membros.
A organização e o funcionamento do Conselho de Supervisão são estabelecidos por regimento próprio, aprovado pelo referido Conselho sob parecer dos demais órgãos de governo do FUNEA.
Artigo 15.º#
Dever de informação
Sem prejuízo do dever de prestação de contas, os Departamentos Ministeriais referidos no Artigo 3.º devem informar semestralmente o Titular do Poder Executivo sobre a utilização das receitas do FUNEA e o respectivo impacto social.
Artigo 16.º#
Dúvidas e omissões
As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação do presente Diploma são resolvidas pelo Presidente da República.
Artigo 17.º#
Entrada em vigor
O presente Diploma entra em vigor no dia seguinte a data da sua publicação.
Apreciado pela Comissão Económica do Conselho de Ministros, em Luanda, aos 30 de Maio de 2023.
Publique-se.
Luanda, a 1 de Junho de 2023.
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.
