Preâmbulo
Atendendo à necessidade de se conformar a actividade das Direcções e Departamentos Centrais às normas jurídicas constantes do Regulamento Orgânico do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 185/17, de 11 de Agosto;
Convindo dotar as Direcções e Departamentos Centrais de um diploma legal ajustado ao seu estádio de desenvolvimento, até aqui alcançado pela corporação, tendo em conta a actual situação política, económica e social do País;
Em conformidade com os poderes delegados pelo Presidente da República, nos termos do Artigo 137.º da Constituição da República de Angola, e de acordo com o disposto no n.º 1 do Artigo 7.º do Estatuto Orgânico do Ministério do Interior, aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 32/18, de 7 de Fevereiro, o Ministro do Interior decreta o seguinte:
Artigo 1.º#
Objecto
O presente Regulamento estabelece o regime jurídico da organização e o funcionamento da Direcção de Redução de Riscos de Desastres do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
Artigo 2.º#
Natureza
A Direcção de Redução de Risco de Desastres do SPCB, abreviadamente designada por «DRRD», é o serviço de apoio técnico ao qual compete promover estudos de riscos naturais, avaliar capacidades de redução de riscos a todos os níveis, fornecer informações ao público sobre as acções e opções de redução de riscos, bem como a monitorização permanente da situação operacional nacional em casos de acidentes graves, catástrofes ou calamidades.
Artigo 3.º#
Atribuições
A Direcção de Redução Riscos e Desastres tem as seguintes atribuições:
Elaborar e promover estudos de riscos naturais, tecnológicos e da vida corrente, de forma a identificar e prever, quando possível, a sua ocorrência, prevenir e avaliar as suas consequências;
Acompanhar os programas nacionais e internacionais de investigação e desenvolvimento no domínio da prevenção de riscos;
Elaborar projectos de regulamentação de prevenção e segurança;
Solicitar serviços de consultoria quer nacional, quer internacional, para o desempenho das tarefas que exijam conhecimentos especializados, designadamente para a elaboração de estudos específicos sobre riscos naturais, tecnológicos e da vida corrente;
Avaliar as capacidades de recursos humanos existentes para a redução de desastres a todos os níveis, elaborar planos e programas de capacitação para fazer face aos riscos actuais e futuros;
Promover a divulgação da informação perceptível sobre os riscos de desastres e opções de protecção dirigidos especialmente aos cidadãos em áreas de alto risco para motivar e possibilitar as pessoas a tomarem medidas para a redução de riscos e criar mecanismos de resistência, tendo em atenção ao diferente grupo-alvo e aos factores culturais e sociais;
Desenvolver, actualizar e disseminar, periodicamente, mapas de riscos e informações relevantes aos decisores públicos e comunidades em risco;
Promover e aperfeiçoar o diálogo e a cooperação entre a comunidade científica e os principais actores, incluindo aqueles que trabalham nas dimensões socioeconómicas de redução de riscos e desastres;
Persuadir as instituições que lidam com o desenvolvimento urbano a fornecer informações ao público sobre as opções de redução de riscos, antes da edificação das residências, compra ou venda de terras;
Criar sistemas de aviso prévio perceptíveis pelas pessoas em situação de risco que tenham em conta as características geográficas, demográficas e o modo de vida do grupo-alvo;
Assegurar a monitorização permanente da situação nacional, bem como a actualização de toda a informação relativa a acidentes graves, catástrofes ou calamidades, garantindo o seu registo cronológico;
Proceder e monitorar aos planos operacionais e de asseguramento estratégico;
Organizar as telecomunicações impostas pelas necessárias ligações entre comandos e assegurar o seu funcionamento;
Apoiar o comando operacional nacional na preparação dos dados necessários à tomada de decisões;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
Artigo 4.º#
Estrutura orgânica
A Direcção de Redução de Riscos de Desastres tem a seguinte estrutura orgânica:
Órgão de Direcção:
Director.
Órgão de Apoio Consultivo:
Conselho Consultivo.
Órgão de Apoio Técnico:
Secção Administrativa.
Órgãos Executivos:
Departamento de Avaliação de Riscos;
Departamento de Acções Comunitárias;
Departamento de Gestão de Emergências e Aprovisionamento Técnico e Material.
Órgãos Locais:
Direcções Provinciais de Redução de Riscos de Desastres.
Artigo 5.º#
Director
A DRRD é dirigida por um Director, a quem compete:
Orientar, coordenar e fiscalizar a actividade dos distintos departamentos subordinados à DRRD;
Velar pelo cumprimento das leis, regulamentos, instruções, despachos, directivas e demais normas que regem a actividade da Direcção de Redução de Riscos de Desastres;
Elaborar os relatórios das actividades da Direcção;
Propor a mobilidade, a promoção e a exoneração do pessoal a seu cargo;
Zelar pela manutenção da ordem, da hierarquia e da disciplina na Direcção;
Garantir a utilização racional do capital humano, recursos materiais e financeiros postos à disposição da Direcção;
Exercer poder disciplinar sobre o seu pessoal da Direcção;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Director é substituído por um dos Chefes de Departamento nas suas ausências ou impedimentos.
Artigo 6.º#
Conselho Consultivo
O Conselho Consultivo é o órgão de consulta do Director, ao qual compete pronunciar-se sobre os assuntos submetidos à sua apreciação.
O Conselho Consultivo pode ser:
Normal;
Alargado.
O Conselho Consultivo é objecto de regulamentação própria a aprovar pelo Comandante do SPCB.
Artigo 7.º#
Secção Administrativa
A Secção Administrativa tem as seguintes atribuições:
Assegurar os serviços administrativos, financeiros e técnico-materiais da Direcção;
Elaborar e difundir normas sobre a organização dos serviços administrativos;
Assegurar a manutenção, conservação e controlo do património;
Providenciar o apoio em matéria de consumo corrente necessário para o bom funcionamento do Órgão;
Proceder à recepção, expedição e arquivo de documentação;
Proceder à gestão e fiscalização do cumprimento das normas referentes à gestão de matérias classificadas;
Proceder à manutenção periódica dos arquivos, contendo documentos classificados, e avaliação da conveniência ou necessidade de os reclassificar ou desclassificar, tendo em conta os procedimentos normativos estabelecidos para o efeito;
Assegurar a inventariação periódica de todos os documentos classificados;
Proceder à avaliação das necessidades em equipamentos tecnológicos para o trabalho de operações e informações operacionais;
Proceder à gestão dos recursos humanos;
Organizar e manter ordenado o ficheiro de pessoal;
Proceder ao controlo da efectividade e actualizar os dados estatísticos do pessoal;
Organizar os processos de propostas de promoção, nomeação e exoneração dos efectivos, bem como a atribuição de louvores e medalhas de mérito por actos reconhecida bravura em prol das missões de Bombeiros e de Protecção Civil;
Avaliar, propor e promover acções de formação e superação técnico-profissional;
Garantir a fluidez no tratamento das reclamações e processamentos de salários do efectivo ao seu cargo, bem como os direitos e benefícios sociais;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção Administrativa é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Departamento.
Artigo 8.º#
Departamento de Avaliação de Riscos
O Departamento de Avaliação de Riscos tem as seguintes atribuições:
Promover estudos de riscos de desastres de origem natural, tecnológico ou sócio-natural, capazes de produzir danos e perdas às comunidades e propor medidas de redução de risco de desastres;
Criar sistemas de aviso prévio perceptíveis pelas pessoas em situação de risco que tenham em conta as características geográficas, demográficas e o modo de vida do grupo-alvo;
Assegurar a monitorização permanente da situação nacional, bem como a actualização de toda a informação relativa a acidentes graves, catástrofes ou calamidades, garantindo o seu registo cronológico, avaliar as capacidades de recursos humanos existentes para a redução de desastres a todos os níveis, elaborar planos e programas de capacitação para fazer face aos riscos actuais e futuros;
Avaliar as capacidades de recursos humanos existentes para a redução de desastres a todos os níveis, elaborar planos e programas de capacitação para fazer face aos riscos actuais e futuros;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Avaliação de Riscos é chefiado por um responsável com a categoria de Chefe de Departamento, e compreende a seguinte estrutura:
Secção de Estudos e Análise de Ameaças Naturais;
Secção de Análise de Ameaças Tecnológicas;
Secção de Cartografia e Sistema de Informação Geográfica.
Artigo 9.º#
Secção de Estudos e Análise de Ameaças Naturais
A Secção de Estudos e Análise de Ameaças Naturais tem as seguintes atribuições:
Promover estudos de ameaças de origem natural;
Identificar zonas de risco de desastre;
Levantar dados para a elaboração de cartas de risco;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Estudos e Análise de Ameaças Naturais é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 10.º#
Secção de Análise de Ameaças Tecnológicas
A Secção de Análise de Ameaças Tecnológicas tem as seguintes atribuições:
Promover estudos de riscos de origem antrópica, nomeadamente acidentes (rodoviários, ferroviários, aviação), explosões, colapsos de edifícios e outras estruturas;
Acompanhar as políticas nacionais de tratamento de matérias perigosas;
Elaborar projectos de regulamentação de prevenção e segurança;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Análise de Ameaças Tecnológicas é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 11.º#
Secção de Cartografia e Sistema de Informação Geográfica
A Secção de Cartografia e Sistema de Informação Geográfica tem as seguintes atribuições:
Elaborar mapas temáticos e zonificação de ameaças e vulnerabilidades específicas;
Gerir toda a informação espacial dos principais objectivos económicos e estratégicos;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Cartografia e Sistema de Informação Geográfica é chefiada por um Chefe de Secção.
Artigo 12.º#
Departamento de Acções Comunitárias
O Departamento de Acções Comunitárias tem as seguintes atribuições:
Estabelecer a interligação do SPCB com as comunidades;
Elaborar e programar medidas preventivas a serem desencadeadas junto das comunidades, sendo nas províncias, município, comunas e aldeia, promovendo o controlo das diversas atribuições dos representantes da protecção civil a nível municipal;
Incentivar a criação de núcleos de protecção civil em bairros, escola e empresas;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Acções Comunitárias é chefiado por um responsável com a categoria de Chefe de Departamento, e compreende a seguinte estrutura:
Secção de Apoio às Comunidades;
Secção de Educação Comunitária;
Secção de Assistência e Parcerias.
Artigo 13.º#
Secção de Apoio às Comunidades
A Secção de Apoio às Comunidades tem as seguintes atribuições:
Apoiar as comunidades vulneráveis em acções do ponto de vista psicológica e psicos-social;
Incutir, no seio da comunidade, informações sobre os riscos identificados e a matéria de auto-protecção;
Colaborar com as autoridades locais;
Exercer as demais contribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Apoio às Comunidades é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 14.º#
Secção de Educação Comunitária
A Secção de Educação Comunitária tem as seguintes atribuições:
Criar programas de capacitação junto das comunidades;
Avaliar as percepções de risco dos diferentes grupos sociais e criar mecanismos de resistência;
Propor projectos e iniciativas de participação da comunidade nas actividades de redução do risco de desastre;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Educação Comunitária é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 15.º#
Secção de Assistência e Parcerias
A Secção de Assistência e Parcerias tem as seguintes atribuições:
Estabelecer parcerias e coordenação com todas as Secções Municipais de Saúde e ONG, de assistências comunitárias para a gestão e triagem de doenças, solução de locais para a criação de abrigos temporários;
Viabilizar convénio na busca de recursos para dar suporte aos núcleos comunitários e aos Programas de Acção Comunitárias;
Criar e coordenar núcleos comunitários, a fim de proporcionar a assistência global a camada mais vulnerável, com particular atenção para as crianças, grávidas e idosos;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Assistência e Parcerias é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 16.º#
Departamento de Gestão de Emergências e Aprovisionamento Técnico e Material
O Departamento de Gestão de Emergências e Aprovisionamento Técnico e Material tem as seguintes atribuições:
Planear e coordenar as actividades de Redução do Risco de Desastres antes e durante a ocorrência de desastres;
Assegurar a utilização adequada de toda a componente logística de protecção civil;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Gestão de Emergências e Aprovisionamento Técnico e Material é chefiado por um responsável com a categoria de Chefe de Departamento, e compreende a seguinte estrutura:
Secção de Planeamento e Estatística;
Secção de Preparação e Resposta;
Secção de Controlo Técnico.
Artigo 17.º#
Secção de Planeamento e Estatística
A Secção de Planeamento e Estatística tem as seguintes atribuições:
Avaliar danos e perdas antes e pós desastres;
Assegurar a monitorização permanente da situação nacional, bem como a actualização de toda a informação relativa a acidentes graves, catástrofes ou calamidades, garantindo o seu registo cronológico;
Tratar de todos os expedientes administrativos da Direcção;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Planeamento e Estatística é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 18.º#
Secção de Preparação e Resposta
A Secção de Preparação e Resposta tem as seguintes atribuições:
Criar sistemas de aviso prévio perceptíveis pelas pessoas que se encontram em situação de risco, tendo em conta as características geográficas, demográficas e o modo de vida do grupo-alvo;
Planear e coordenar as acções de resposta a emergências ou desastres;
Proceder e monitorar aos planos operacionais e de asseguramento estratégico;
Organizar as telecomunicações impostas pelas necessárias ligações entre comandos e assegurar o seu funcionamento;
Apoiar o comando operacional nacional na preparação dos dados necessários à tomada de decisões;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Preparação e Resposta é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 19.º#
Secção de Controlo Técnico
A Secção de Controlo Técnico tem as seguintes atribuições:
Velar pela manutenção e controlo dos equipamentos e infra-estruturas de uso em casos de emergência;
Propor planos de necessidade de aquisição de novos equipamentos;
Seleccionar e propor fornecedores;
Gerir o material em stock para casos de emergência;
Acompanhar os processos de recepção e entrega de material às populações;
Propor planos de necessidade de aquisição de novos materiais;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
A Secção de Controlo Técnico é chefiada por um responsável com a categoria de Chefe de Secção.
Artigo 20.º#
Direcções Provinciais de Redução de Riscos de Desastres
Nos Comandos Provinciais do SPCB funcionam Direcções Provinciais de Redução de Risco de Desastres, cuja composição é a que consta do Regulamento dos Comandos Provinciais, aos quais compete executar, na respectiva área de jurisdição, as orientações estruturais, técnicas e metodológicas emanadas pelo Director de Redução de Riscos de Desastre SPCB.
As Direcções Provinciais têm, a nível de cada província, as atribuições que, genericamente, são imputadas à Direcção de Risco de Desastre do SPCB.
Artigo 21.º#
Quadro de pessoal e organigrama
O quadro de pessoal e o organigrama da Direcção de Redução de Riscos de Desastres são as constantes dos Anexos I e II do presente Regulamento do qual são parte integrante.
