Artigo 1.º#
Natureza jurídica
O Instituto de Línguas Nacionais, abreviadamente designado por «ILN», é uma pessoa colectiva de direito público que assume a característica de estabelecimento público, dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
Artigo 2.º#
Objecto
O ILN tem como objecto estudar cientificamente as línguas nacionais, contribuir para a sua normalização e ampla utilização em todos os sectores da vida nacional e desenvolver estudos sobre a tradição oral.
Artigo 3.º#
Sede e âmbito
O ILN é um Instituto Público de âmbito nacional e tem a sua sede em Luanda.
Artigo 4.º#
Legislação aplicável
O ILN rege-se pelo presente Estatuto Orgânico, pelas regras de criação, estruturação e funcionamento dos Institutos Públicos e demais legislação em vigor.
Artigo 5.º#
Superintendência
O ILN está sujeito à superintendência do Departamento Ministerial responsável pelo Sector da Cultura.
Artigo 6.º#
Atribuições
O ILN tem as seguintes atribuições:
Estudar todas as línguas nacionais, suas variantes e dialectos;
Estimular a preservação das línguas nacionais, a sua promoção e consequente valorização;
Promover a recuperação e expansão do uso das línguas nacionais;
Promover a recolha e estudos de tradições orais;
Contribuir para o esclarecimento da opinião pública quanto à importância e utilidade da investigação no domínio das línguas nacionais;
Criar a infra-estrutura necessária, em colaboração com outros organismos, dentro e fora do País, a fim de proceder, a longo prazo, às investigações que contribuam para o conhecimento da realidade linguística na República de Angola;
Colaborar com os organismos afins, cujas actividades intervenham no domínio das línguas nacionais;
Cooperar com os organismos estrangeiros e organizações internacionais, na permuta de informações e experiências e na realização de estudos e trabalhos científicos do seu interesse;
Acompanhar, do ponto de vista científico, a exactidão dos dados linguísticos, ao nível da difusão;
Colaborar no processo de qualificação dos professores e de formulação dos conteúdos dos programas curriculares, visando o ensino das línguas nacionais, em todos os níveis, do Sistema Nacional de Educação e de Formação Profissional;
Desenvolver ou promover actividades sobre as línguas nacionais fora do Sistema de Ensino, no âmbito das suas atribuições de promoção das línguas nacionais para a sua ampla utilização;
Emitir declarações a pessoas singulares ou colectivas sobre a exactidão de antropónimos, topónimos, glossónimos e afins;
Exercer as demais atribuições estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
Artigo 7.º#
Órgãos e serviços
O Instituto de Línguas Nacionais compreende os seguintes órgãos e serviços:
Órgãos de Gestão:
Conselho Directivo;
Director Geral.
Órgão de Fiscalização:
Conselho Fiscal.
Serviços de Apoio Agrupados:
Departamento de Apoio ao Director Geral;
Departamento de Administração e Serviços Gerais;
Departamento de Comunicação, Inovação Tecnológica e Modernização dos Serviços.
Serviço Executivos:
Departamento de Linguística Descritiva e Aplicada;
Departamento de Documentação e Estatística;
Departamento de Tradição Oral.
Serviços Locais:
Serviços Provinciais.
Artigo 8.º#
Conselho Directivo
O Conselho Directivo é o órgão colegial que delibera sobre aspectos da gestão permanente do ILN.
O Conselho Directivo tem a seguinte composição:
Director Geral, que preside;
Director Geral-Adjunto.
O Conselho Directivo tem as seguintes competências:
Elaborar, aprovar e executar os planos de actividades anuais e plurianuais;
Elaborar os instrumentos de gestão previsional e os documentos de prestação de contas do ILN;
Aprovar os regulamentos internos, incluindo o fundo social;
Deliberar sobre a criação de fundo social;
Aceitar doações, heranças e legados;
Proceder ao acompanhamento sistemático da actividade do ILN, tomando as providências que as circunstâncias exigirem;
Aprovar a organização técnica e administrativa, bem como os regulamentos internos do ILN;
Aprovar o relatório anual do ILN;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Director Geral pode convidar quaisquer entidades, cujo parecer entenda necessário para a tomada de decisões relativas às matérias a serem tratadas pelo Conselho Directivo.
O Conselho Directivo reúne-se ordinariamente de quinze em quinze dias e, extraordinariamente, sempre que for necessário, por convocação do seu Presidente ou a pedido dos seus membros.
Artigo 9.º#
Director Geral
O Director Geral é o órgão que assegura a gestão e coordenação permanente da actividade do ILN.
O Director Geral tem as seguintes competências:
Dirigir os serviços internos do ILN;
Exercer os poderes gerais de gestão administrativa, patrimonial e financeira;
Propor os instrumentos de gestão previsional e os regulamentos internos que se mostrem necessários ao funcionamento dos serviços e submeter à aprovação do Conselho Directivo;
Remeter os instrumentos de gestão ao Órgão de Superintendência e às instituições de controlo interno e externo, nos termos da lei, após parecer do Conselho Fiscal;
Exarar ordens de serviços e instruções necessárias ao bom funcionamento do ILN;
Elaborar o relatório de actividades e as contas, respeitantes ao ano anterior, submetendo-os à aprovação do Conselho Directivo;
Submeter ao Órgão de Superintendência, ao Tribunal de Contas e a outras entidades competentes o relatório e as contas anuais devidamente instruídos com o parecer do Conselho Fiscal;
Propor ao Titular do Departamento Ministerial responsável pelo Sector da Cultura a nomeação dos responsáveis do ILN;
Exercer os poderes gerais de gestão financeira e patrimonial;
Criar bancos de dados;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Director Geral é coadjuvado por 1 (um) Director Geral-Adjunto, nomeado pelo Titular do Departamento Ministerial responsável pela Cultura.
Nas suas ausências e impedimentos, o Director Geral é substituído pelo Director Geral-Adjunto.
O Director Geral-Adjunto exerce as competências técnicas que lhe forem delegadas pelo Director Geral, bem como as especificadas em Regulamento Interno.
Artigo 10.º#
Conselho Fiscal
O Conselho Fiscal é o órgão de controlo e fiscalização interna, ao qual cabe analisar e emitir parecer sobre todas as matérias de natureza financeira e patrimonial relacionada com a actividade do ILN.
O Conselho Fiscal é composto por 1 (um) Presidente indicado pelo Órgão Responsável pelo Sector das Finanças Públicas e por 2 (dois) Vogais, indicados pelo Titular do Departamento Ministerial responsável pelo Sector da Cultura, devendo o Presidente ser especialista em contabilidade pública.
O Conselho Fiscal reúne-se trimestralmente e, extraordinariamente, por solicitação fundamentada de qualquer um dos Vogais.
O Conselho Fiscal tem as seguintes competências:
Emitir, na data legalmente estabelecida, parecer sobre as contas anuais, relatório de actividades e a proposta de orçamento;
Emanar parecer sobre o cumprimento das normas reguladoras de actividades;
Proceder à fiscalização regular dos fundos existentes e fiscalizar a escrituração da contabilidade;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
Nas votações do Conselho Fiscal não há abstenções, devendo a acta registar o sentido discordante da declaração de voto de algum membro.
As actas devem ser assinadas por todos os seus membros.
O Conselho Fiscal é nomeado por Despacho Conjunto dos Titulares dos Departamentos Ministeriais responsáveis pelos Sectores das Finanças Públicas e da actividade do ILN, para um mandato de 3 (três) anos, renovável por igual período.
Artigo 11.º#
Departamento de Apoio ao Director Geral
O Departamento de Apoio ao Director Geral é o serviço encarregue das funções de apoio nas Áreas do Secretariado de Direcção, Assessoria Jurídica, Intercâmbio, Documentação e Informação.
O Departamento de Apoio ao Director Geral tem as seguintes competências:
Elaborar estudos e projectos, pareceres e informações de natureza jurídica;
Assegurar o planeamento, assessoria, organização da rotina diária e mensal, do Director Geral, providenciando o cumprimento dos compromissos agendados;
Providenciar e secretariar as reuniões do Conselho Directivo e demais reuniões presididas pelo Director Geral, assegurando todo o tratamento e encaminhamento das deliberações tomadas;
Assegurar as funções de protocolo e actos oficiais promovidos pela Instituição;
Processar, assegurar e gerir a informação e documentação técnica necessária ao corrente funcionamento do ILN;
Gerir os dados estatísticos do ILN;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Apoio ao Director Geral é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 12.º#
Departamento de Administração e Serviços Gerais
O Departamento de Administração e Serviços Gerais é o serviço de apoio que assegura as funções de gestão orçamental, financeira, patrimonial, de transportes, relações públicas e protocolo do ILN.
O Departamento de Administração e Serviços Gerais tem as seguintes competências:
Assegurar as funções da Secretaria Geral decorrentes do funcionamento integral do ILN e respectivos órgãos nas suas actividades correntes;
Promover a elaboração dos planos financeiros anuais e o respectivo mapa de gestão;
Promover a realização de despesas nos limites previstos pelo Orçamento Geral do Estado;
Assegurar os procedimentos administrativos de gestão de pessoal da ILN, no que diz respeito ao provimento, transferência, exoneração, avaliação de desempenho, licença, aposentação entre outros;
Elaborar e manter actualizado todo o cadastro do pessoal, produzir, controlar os mapas de efectividade do pessoal e garantir o processamento das folhas de salário e de outras remunerações;
Proceder à avaliação das necessidades dos recursos humanos, em colaboração com as diversas áreas e assegurar a sua provisão de acordo com o quadro de pessoal aprovado;
Realizar o balanço anual e avaliar a coerência do quadro de pessoal e das necessidades do ILN;
Propor o plano de formação de técnicos especializados para todas as áreas executivas de apoio do ILN;
Administrar as potencialidades de processo da organização e gerenciar as pessoas de forma a integrá-las nas áreas da Instituição;
Propor, superiormente, a autorização de actos de administração relativos ao património do ILN;
Elaborar balancetes mensais e manter a contabilidade devidamente organizada;
Organizar e apresentar os relatórios trimestrais de prestação de contas;
Organizar e remeter anualmente a conta de gerência às entidades competentes;
Assegurar o funcionamento, manutenção e apetrechamento do parque automóvel e de todos os equipamentos;
Garantir a limpeza e segurança das instalações;
Assegurar a execução das acções relativas aos serviços de relações públicas do ILN;
Assegurar as condições logísticas para a realização de reuniões, seminários, workshops e outros eventos promovidos pela Instituição;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Administração e Serviços Gerais é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 13.º#
Departamento de Comunicação, Inovação Tecnológica e Modernização dos Serviços
O Departamento de Comunicação, Inovação Tecnológica e Modernização dos Serviços é o serviço encarregue de garantir o bom funcionamento dos serviços relativos à tecnologia de informação, modernizar e inovar os serviços, fazendo recurso a tecnologias, e garantir o tratamento e armazenamento de informação de forma segura e moderna.
O Departamento de Comunicação, Inovação Tecnológica e Modernização dos Serviços tem as seguintes competências:
Gerir e garantir o armazenamento seguro de informações do ILN;
Garantir o bom funcionamento de todo o equipamento informático e tecnológico do ILN;
Propor a definição de padrões de equipamentos informáticos e softwares a adquirir pelo ILN;
Zelar pela manutenção de todo o equipamento informático e tecnológico do ILN;
Realizar e promover actividades que visem a modernização e inovação dos serviços;
Coordenar a instalação, expansão e manutenção da rede que suporta os sistemas de informação, estabelecendo padrões viáveis;
Promover a pesquisa e troca de informação e experiência sobre a utilização de novas tecnologias de comunicação e informação;
Garantir a segurança e privacidade da documentação, arquivo, informação e do sistema informático do Instituto;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Comunicação, Inovação Tecnológica e Modernização dos Serviços é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 14.º#
Departamento de Linguística Descritiva e Aplicada
O Departamento de Linguística Descritiva e Aplicada é o serviço encarregue de proceder a estudos descritivos técnicos e sistemáticos e oferecer soluções aos problemas da vida real relacionados com as línguas nacionais nos mais variados domínios, nomeadamente no ensino, desenvolvimento de léxicos.
O Departamento de Linguística Descritiva e Aplicada tem as seguintes competências:
Dirigir, orientar e coordenar as acções ligadas à linguística descritiva no domínio científico;
Proceder ao estudo e à descrição científica das línguas nacionais, em todos os níveis;
Elaborar e pôr em prática projectos de pesquisas descritivas, contrastivas e sociolinguísticas das línguas nacionais, bem como das suas variantes;
Identificar as diferentes comunidades linguísticas que habitam no País, bem como descrever as suas línguas e variantes;
Proceder à normalização das línguas nacionais, produzindo materiais linguístico-técnicos e digitais que possam servir de base para a elaboração de materiais didáctico-pedagógicos entre outros;
Apoiar, sempre que lhe for solicitado, os cidadãos e organismos ligados às áreas de ensino, informação ou outros, no controlo de exactidão de dados linguísticos e na formação e informação no domínio das línguas nacionais;
Desenvolver actividades visando contribuir para a expansão, promoção e ampla divulgação das línguas nacionais;
Desenvolver actividades de formação no domínio das línguas nacionais;
Apoiar e orientar as actividades lectivas das línguas nacionais desenvolvidas por outras instituições;
Elaborar e implementar projectos de pesquisa de linguística aplicada, a curto e longo prazos, que visam a realização dos objectivos fundamentais do ILN;
Traduzir ou interpretar textos, discursos ou outros de e para as línguas nacionais, sempre que solicitados;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Linguística Descritiva e Aplicada é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 15.º#
Departamento de Documentação e Estatística
O Departamento de Documentação e Estatística é o departamento que assegura a gestão do banco de dados, a conservação de documentos e a gestão da biblioteca do ILN.
O Departamento de Documentação e Estatística tem as seguintes competências:
Realizar a inventariação dos trabalhos científicos realizados pelo ILN;
Organizar e arquivar dados estatísticos sobre a situação linguística das localidades que forem estudadas em particular, e do País em geral;
Gerir um banco de dados de obras em línguas nacionais;
Gerir a biblioteca do ILN;
Gerir um banco de dados de autores, artistas, entidades e instituições que sejam potenciais colaboradores do ILN e que desenvolvam trabalhos, obras literárias, estudos e outros que se relacionam com as atribuições do ILN;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Documentação e Estatística é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 16.º#
Departamento de Tradição Oral
O Departamento de Tradição Oral é o serviço do ILN que se encarrega em investigar, divulgar e documentar a tradição oral, visando a conservação dos valores culturais para as gerações subsequentes.
O Departamento de Tradição Oral tem as seguintes competências:
Inventariar, recolher, estudar e divulgar a tradição oral dos diferentes grupos etnolinguísticos que habitam o território nacional;
Formar colectores e auxiliares de investigação sobre o domínio da tradição oral;
Criar condições para o estudo da tradição oral nas localidades;
Disponibilizar às novas gerações, o contacto e conhecimento das tradições culturais protegidas ou de relevância no domínio das línguas nacionais;
Exercer as demais competências estabelecidas por lei ou determinadas superiormente.
O Departamento de Tradição Oral é dirigido por um Chefe de Departamento.
Artigo 17.º#
Serviços Provinciais
O ILN pode propor a criação de Serviços Provinciais ao abrigo do disposto no artigo 35.º do Decreto Legislativo Presidencial n.° 2/20, de 19 de Fevereiro.
Artigo 18.º#
Receitas
O ILN possui como receitas:
As dotações do Orçamento Geral do Estado;
Subsídios e comparticipações provenientes de entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras;
Doações, heranças ou legados;
O produto de edições, de réplicas e reproduções;
Outras provenientes da sua actividade que por lei, contrato ou outro título que lhe sejam atribuídas.
A receita arrecadada dá entrada na Conta Única do Tesouro (CUT), mediante a utilização da Referência Única de Pagamento ao Estado (RUPE).
O valor da receita arrecadada é revertido da seguinte forma:
40% a favor do Tesouro Nacional;
60% a favor do ILN.
Artigo 19.º#
Despesas
Constituem despesas do ILN os encargos com o seu funcionamento, com os diferentes serviços nomeadamente para assegurar a aquisição, manutenção, restauração e conservação dos bens, equipamentos e serviços, bem como os encargos de carácter administrativo e outros, relacionados com o pessoal.
Artigo 20.º#
Património
Constitui património do ILN os bens, doações, direitos e obrigações que este adquira ou contraia no exercício das suas funções.
Artigo 21.º#
Instrumentos de gestão financeira
Constituem instrumentos de gestão do ILN:
Plano de actividade anual e/ou plurianual;
Contrato-programa;
Orçamento anual;
Relatórios de actividades semestrais e anuais;
Balanço e demonstração da origem e aplicação de fundos.
Artigo 22.º#
Quadro de pessoal e organigrama
O quadro de pessoal e o organigrama do ILN são os constantes dos Anexos I e II do presente Diploma, do qual são partes integrantes.
Artigo 23.º#
Regulamento interno
A organização e funcionamento dos órgãos internos do ILN são estabelecidos por regulamento interno próprio aprovado em Conselho Directivo, e submetido ao Órgão de Superintendência.
