Texto integral
No âmbito da revisão legislativa e regulamentar em curso no Sector do Comércio, reflectido no modelo integrado da «Organização do Comércio em Angola» que visa adequar o sistema jurídico às novas práticas comerciais e de prestação de serviços mercantis e também assegurar o licenciamento efectivo das actividades comerciais, foi aprovado uma nova estrutura orgânica do Ministério do Comércio, que obriga a ajustar os princípios e normas estabelecidos para a organização e funcionamento da Direcção Nacional do Comércio Externo.
Em conformidade com os poderes delegados pelo Presidente da República, nos termos do artigo
º da Constituição da República de Angola, e de acordo com o previsto nos artigos 23.º e 24.º do Decreto Legislativo Presidencial n.º 3/13, de 23 de Agosto «que estabelece as regras de criação, estruturação, organização e extinção dos serviços da Administração Central do Estado e demais organismos legalmente equiparados», conjugados com o artigo 22.º do Decreto
Presidencial n.º 26/17, de 21 de Fevereiro, de «que aprova o Estatuto Orgânico do Ministério do Comércio», determino:
#### Artigo 1.º (Aprovação)
É aprovado o Regulamento Interno da Direcção Nacional do Comércio Externo.
#### Artigo 2.º (Revogação)
#### Artigo 3.º (Dúvidas e Omissões)
As dúvidas e omissões que resultarem da interpretação e aplicação do presente Decreto
Executivo são resolvidas por Despacho do Titular do Departamento Ministerial.
#### Artigo 4.º (Entrada em Vigor)
O presente Decreto Executivo entra em vigor no dia seguinte à data da sua publicação.
Publique-se.
Luanda, aos 16 de Agosto de 2017.
O Ministro, Fiel Domingos Constantino.
## REGULAMENTO INTERNO DA DIRECÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO
## EXTERNO
## CAPÍTULO I OBJECTO, NATUREZA E ATRIBUIÇÕES
#### Artigo 1.º (Objecto)
O presente Regulamento estabelece as normas de organização e funcionamento da Direcção
Nacional do Comércio Externo.
#### Artigo 2.º (Natureza)
A Direcção Nacional do Comércio Externo, abreviadamente designado por (DNCE), é o serviço executivo directo do Ministério do Comércio, ao qual incumbe formular propostas de políticas e monitorar a sua execução no domínio do comércio externo, licenciar as operações externas, participar na elaboração da balança comercial da República de Angola, organizar e assegurar o funcionamento do Sistema Integrado do Comércio Externo (SICOEX).
#### Artigo 3.º (Atribuições)
A Direcção Nacional do Comércio Externo prossegue as seguintes atribuições:
Licenciar as operações do comércio externo;
Organizar e assegurar o funcionamento do Sistema Integrado do Comércio Externo
(SICOEX);
Organizar e manter actualizado o Cadastro Nacional de Importadores e Exportadores
(SICCREI);
Dirigir e assegurar que os diferentes intervenientes do Estado no processo de licenciamento das operações de comércio externo não pratiquem medidas contrárias ou prejudiciais ao bom funcionamento dos mercados;
Criar canais de recolha e tratamento de informação para a elaboração dos indicadores fundamentais de gestão de dados do comércio externo;
Participar na elaboração da balança comercial, criando mecanismos de recolha de informações junto aos diferentes intervenientes do comércio externo;
Dirigir e assegurar que os diferentes intervenientes do Estado no processo de licenciamento das operações de comércio externo não pratiquem medidas contrárias ou prejudiciais ao bom funcionamento dos mercados;
Garantir a orientação metodológica dos órgãos responsáveis pelas actividades exercidas no âmbito das operações de Comércio Externo;
Participar e acompanhar, em colaboração com os demais órgãos, a evolução da política comercial e o processo de implementação das medidas de facilitação do comércio;
Propor a adopção de medidas que facilitem o comércio internacional e que removam as barreiras tarifárias e não tarifárias que se afigurem desajustadas à prática do livre comércio;
Propor a implementação de medidas de salvaguarda face às importações que se afigurem prejudiciais à economia nacional e que concorram deslealmente com produtos em que existam vantagens comparativas e competitivas para o País;
Preparar a informação sobre os principais indicadores do comércio externo, tendo em vista a sua divulgação aos demais órgãos do sector público e privado;
Participar na aplicação das medidas sanitárias e fitossanitárias no âmbito da Organização
Mundial do Comércio;
Acompanhar e implementar, em colaboração com o Gabinete de Intercâmbio e outros organismos do Estado, a execução dos acordos estabelecidos no âmbito da Organização
Mundial do Comércio e outras organizações internacionais ligadas ao Sector de que o País seja membro;
Propor, em colaboração com os demais organismos, a participação da classe empresarial em feiras, conferências regionais e internacionais;
Assegurar a existência de mecanismos administrativos de orientação metodológica e que permitam a tramitação de fluxos de informação relativos às actividades das representações comerciais no exterior do País;
Desempenhar as demais funções que lhe sejam atribuídas por lei ou por determinação superior.
## CAPÍTULO II ÓRGÃOS
#### Artigo 4.º (Estrutura Orgânica)
A Direcção Nacional do Comércio Externo tem a seguinte estrutura orgânica:
Director;
Conselho Técnico;
Departamento de Supervisão e Políticas do Comércio Externo;
Departamento de Acompanhamento da Balança Comercial;
Departamento de Operações do Comércio Externo;
#### Artigo 5.º (Competências do Director)
Ao Director compete:
Dirigir e coordenar toda a actividade da Direcção Nacional do Comércio Externo, dando instruções de serviço e orientações julgadas necessárias ao seu bom funcionamento;
Assegurar sob sua responsabilidade o cumprimento das competências e atribuições do respectivo serviço, bem como tomar as decisões necessárias para garantir a execução dos
Representar a Direcção Nacional do Comércio Externo junto de outros serviços, órgãos tutelados e entidades a fins;
Submeter ao Ministro os planos, programas e relatórios de actividades da Direcção Nacional do Comércio Externo;
Reunir os Chefes de Departamento sempre que achar conveniente, para tratar de assuntos específicos da Direcção Nacional do Comercio Externo;
Propor a nomeação, a exoneração e a promoção dos titulares de cargos de chefia, técnicos e outros funcionários da Direcção Nacional do Comércio Externo;
Promover e estimular o desenvolvimento técnico-profissional dos funcionários da Direcção
Nacional do Comércio Externo;
Exercer o poder disciplinar, nos termos da legislação em vigor, sobre todos os funcionários da Direcção Nacional do Comércio Externo;
Desempenhar as demais funções que lhe sejam atribuídas por lei ou por determinação superior.
A DNCE é dirigida por um Director Nacional, nomeado pelo Ministro do Comércio, nas suas ausências e impedimentos, o Director é substituído por um Chefe de Departamento por si indicado.
#### Artigo 6.º (Conselho Técnico)
O Conselho Técnico é o órgão de consulta do Director Nacional do Comércio Externo, a quem compete:
Apreciar as questões técnicas relativas às atribuições da Direcção Nacional do Comércio
Externo;
Apresentar propostas, pareceres ou sugestões sobre as matérias agendadas.
O Conselho Técnico deve pronunciar-se, obrigatoriamente, sobre:
O plano anual de actividades da Direcção, nomeadamente no que se refere à programação das actividades e os respectivos mecanismos de controlo da sua execução;
As propostas de formulação das Políticas e Estratégias do Comércio Externo;
Os projectos legislativos relativos à esfera de actuação da Direcção;
As acções de reestruturação e dinamização da Direcção.
O Conselho Técnico reúne-se trimestralmente, a título ordinário, e, extraordinariamente, sempre que o Director o convocar.
O Conselho Técnico é presidido pelo Director Nacional do Comércio Externo e tem a seguinte composição:
Chefes de Departamento;
Técnicos Superiores.
O Director, sempre que achar conveniente, pode convidar outros funcionários da Direcção
Nacional do Comércio Externo e especialistas pertencentes ou não ao quadro de pessoal do Ministério.
#### Artigo 7.º (Departamento de Supervisão e Políticas do Comércio Externo)
Ao Departamento de Supervisão e Políticas do Comércio Externo compete:
levantamento das medidas que se revelarem desnecessárias;
Estudar e propor, em colaboração com outros órgãos afins, medidas e mecanismos de defesa comercial;
Participar na definição das políticas que concorrem para a facilitação do comércio externo e acompanhar a sua implementação;
Participar na elaboração de ante-projectos de legislação sobre a facilitação do comércio externo;
Participar na elaboração de estudos, bem como analisar e emitir pareceres sobre propostas de criação e/ou desenvolvimento de infra-estruturas que visem a facilitação do comércio externo;
Promover, em articulação com outros órgãos afins, o relacionamento com órgãos e entidades internacionais especializadas em matéria de facilitação do comércio;
Acompanhar e participar nas reuniões da OMC relativas às normas e à aplicação dos Acordos de Defesa Comercial;
Acompanhar e participar na realização de acções que visam o fortalecimento da integração de Angola no comércio regional e internacional;
Participar, em cooperação com outros órgãos afins, na promoção de feiras e outros eventos similares que visam a integração dos exportadores nacionais no comércio regional e internacional;
Estudar e emitir pareceres técnicos sobre os assuntos relacionados com a integração do País no comércio regional e internacional;
Acompanhar e supervisionar as operações de comércio externo, incluindo a acção dos intervenientes que participam no circuito de importação e exportação a nível central e Provincial, desde o licenciamento à entrada de bens e mercadorias de forma a assegurar o bom funcionamento dos mercados;
Colaborar com o Gabinete de Inspecção-Geral do Comércio com o propósito de fornecer informação que facilite o controlo e supervisão do bom funcionamento das actividades de comércio externo;
Desenvolver, propor e executar políticas, estratégias e programas para a promoção e diversificação das exportações;
Identificar, propor e executar medidas de salvaguarda com o propósito de alcançar a substituição de importações de produtos nacionais com vantagens comparativas;
Desempenhar as demais atribuições que lhe sejam atribuídas por lei ou por determinação superior.
O Departamento de Supervisão e Políticas do Comércio Externo é dirigido por um Chefe do Departamento a quem compete:
Orientar e coordenar a actividade do Departamento;
Apresentar ao Director propostas, pareceres, estudos e outros trabalhos relacionados com actividade do Departamento;
Dirigir, coordenar, orientar as tarefas inerentes ao Departamento;
Elaborar propostas de aperfeiçoamento organizativo do Departamento;
Substituir o Director, quando indicado;
Executar outras tarefas que lhe sejam incumbidas superiormente.
#### Artigo 8.º (Departamento de Acompanhamento da Balança Comercial)
Ao Departamento de Acompanhamento da Balança Comercial compete:
Participar na elaboração e actualização da Balança Comercial da República de Angola, criando mecanismos de recolha de informações junto aos diferentes intervenientes do comércio externo;
Aceder, de forma directa ao SICOEX e aos Sistemas de Informação da Administração Geral
Tributária e do Banco Nacional de Angola, de modo a recolher e dar o devido tratamento aos dados sobre as operações de comércio externo;
Proceder à recolha de dados históricos sobre a Balança Comercial da República de Angola, sempre que houver a necessidade de o fazer;
Assegurar a recolha, actualização e tratamento, de informações que permitam coligir e implementar um painel de indicadores fundamentais de gestão e dados de indicadores do Sector do Comércio Externo;
Fornecer aos Gabinetes de Estudo, Planeamento e Estatística, de Intercâmbio e outros órgãos do Ministério do Comércio, as informações que lhe sejam solicitadas;
Prestar as informações tidas necessárias aos demais intervenientes da Cadeia do Comércio
Externo;
Desempenhar as demais funções que lhe sejam atribuídas por lei ou por determinação superior.
O Departamento de Acompanhamento da Balança Comercial é dirigido por um Chefe de Departamento, a quem compete:
Orientar e coordenar a actividade do Departamento;
Apresentar ao Director propostas, pareceres, estudos e outros trabalhos relacionados com actividade do Departamento;
Dirigir, coordenar, orientar as tarefas inerentes ao Departamento;
Elaborar propostas de aperfeiçoamento organizativo do Departamento;
Substituir o Director, quando indicado;
Executar outras tarefas que lhe sejam incumbidas superiormente.
Nas suas ausências ou impedimentos, o Chefe de Departamento é substituído por um Técnico por si designado.
#### Artigo 9.º (Departamento de Operações do Comércio Externo)
Ao Departamento de Operações do Comércio Externo compete:
Licenciar as operações do comércio externas;
Acompanhar as operações de importação, exportação e reexportação de mercadorias, através do Sistema Integrado das Operações do Comércio Externo;
Acompanhar, permanentemente, as informações provenientes do Sistema Integrado das Operações do Comércio Externo, sujeitando os dados a testes constantes de modo a detectar, esclarecer e corrigir incongruências, erros e anomalias;
Promover o relacionamento com o Banco Nacional de Angola, Administração Geral
Tributária e outras instituições, que directa ou indirectamente intervêm na actividade do
Acompanhar a evolução da produção nacional com base nos dados disponibilizados pela
Direcção Nacional de Comércio e Serviços Mercantis, pelo Sector Produtivo e outros órgãos afins, sua capacidade de satisfação do consumo nacional com a dupla finalidade de identificar o potencial de exportação de bens e serviços e avaliar a necessidade de abastecimento do mercado nacional via a importação de bens e serviços, com base nos dados disponibilizados pela
Direcção Nacional de Comércio e Serviços Mercantis, pelo Sector Produtivo e outros órgãos afins;
Acompanhar, controlar e orientar metodologicamente as Direcções Provinciais com responsabilidade no licenciamento de importações e de exportações;
Propor a realização de seminários técnicos regionais, com vista a dotar os operadores económicos de conhecimentos em matéria de comércio externo;
Promover a melhoria contínua das operações de licenciamento do comércio externo tanto ao nível central como a nível provincial com o propósito de diminuir a complexidade dos procedimentos que suportam as trocas comerciais;
Estudar, propor e actualizar as listas de produtos sujeitos ao licenciamento automático e não automático;
Propor, em colaboração com o Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística,
Representações Comerciais e a APIEX, a realização de estudos do mercado externo com vista à optimização de compras e diversificação das exportações;
Propor incentivos à exportação de produtos não tradicionais;
Colaborar com o Instituto Angolano de Normalização e Qualidade, no cumprimento das normas de qualidade exigíveis para as importações, nos termos definidos por lei;
Analisar propostas para a criação de plataformas logísticas de importação ou exportação, armazéns alfandegados, zonas económicas especiais e outras infra-estruturas ligadas ao fomento da actividade de comércio externo;
Desempenhar as demais funções que lhe sejam atribuídas por lei ou determinações superior.
O Departamento de Operações do Comércio Externo é dirigido por um Chefe de Departamento, a quem compete:
Orientar e coordenar a actividade do Departamento;
Apresentar ao Director propostas, pareceres, estudos e outros trabalhos relacionados com actividade do Departamento;
Dirigir, coordenar, orientar as tarefas inerentes ao Departamento;
Elaborar propostas de aperfeiçoamento organizativo do Departamento;
Substituir o Director, quando indicado;
Executar outras tarefas que lhe sejam incumbidas superiormente.
Nas suas ausências ou impedimentos, o Chefe de Departamento é substituído por um Técnico por si designado.
## CAPÍTULO III DISPOSIÇÕES FINAIS
#### Artigo 10.º (Quadro do Pessoal)
O quadro do pessoal da Direcção Nacional do Comércio Externo é o que consta do Anexo I ao presente Regulamento e que dele é parte integrante.
#### Artigo 11.º (Organigrama) presente Regulamento e que dele é parte integrante.
Quadro de Pessoal
Organigrama
O Ministro, Fiel Domingos Constantino.
