Preâmbulo
Decreto Presidencial n.º 201/11
de 20 de Julho
A Constituição da República de Angola consagra vários
pressupostos que visam promover a formação científica do
cidadão à excelência, à qualidade, à inovação, ao desenvolvimento científico e tecnológico e estimular o exercício da
investigação científica;
O estabelecimento de uma sociedade de conhecimento,
através da inserção da ciência, da tecnologia e da inovação
na estratégia de desenvolvimento do País é um factor determinante na edificação de uma sociedade moderna, economicamente competitiva que permite o desenvolvimento
sustentável, o combate à pobreza e a melhoria da qualidade
de vida do cidadão:
Havendo a necessidade de formular regras para se
implementar, de forma coerente, abrangente e efectiva, os
pressupostos científicos e tecnológicos capazes de suportar
o desenvolvimento nacional sustentável:
O Presidente da República decreta, nos termos da
alínea d) do artigo 120.º e do n.º 1 do artigo 125.º, ambos
da Constituição da República de Angola, o seguinte:
ho de 2011 I Série — N.º 137
Preço deste número — Kz: 250,00
URAS O preço de cada linha publicada nos Diários
Ano | da República 1º e 2º séries é de Kz: 75,00 e para a
.. Kz: 44037500] 3º série Kz: 95,00, acrescido do respectivo
.. Kz:260250,00| imposto do selo, dependendo a publicação da
.. Kz:13585000| 3ºsériede depósito prévio a efectuar na Tesouraria
.. —Kz:105700,00| dalImprensa Nacional — E.P.
Artigo 1.º#
É aprovada a Política Nacional de Ciência,
Tecnologia e Inovação, anexa ao presente Decreto Presidencial e que dele é parte integrante.
Artigo 2.º#
É revogada toda a legislação que contraria
o disposto no presente Decreto Presidencial.
Artigo 3.º#
As dúvidas e omissões que suscitarem da
interpretação e aplicação do presente diploma são resolvidas
pelo Presidente da República.
Artigo 4.º#
O presente Decreto Presidencial entra em
vigor na data da sua publicação.
Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda, a 1 de
Junho de 2011.
Publique-se.
Luanda, aos 7 de Julho de 2011.
O Presidente da República, José EDUARDO DOS SANTOS.
Introdução:
A ciência e a tecnologia influenciam crescentemente a
sociedade e a vida humana. A Investigação e Desenvolvimento (I&D) alargam os horizontes do conhecimento e as
fronteiras da ciência, contribuindo para a evolução tecnológica. A tecnologia permite proteger o meio ambiente, construir casas mais seguras, melhorar sistemas de transporte e
poupar energia. O conhecimento científico ajuda a salvar
vidas e a melhorar os padrões de saúde em todo o mundo.
As tecnologias da informação e comunicação contribuem
para o reforço da produtividade e o acesso dos cidadãos ao
conhecimento e à informação.
Para garantir que a ciência e a tecnologia forneçam as
respostas de que a sociedade e o desenvolvimento económico
necessitam, é necessário incentivar a I&D, promover a interacção entre universidades, instituições de investigação,
empresas e organizações da sociedade civil, fomentar a
inovação e disseminar o conhecimento. As políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) visam criar as condições
para que aqueles desenvolvimentos se transformem em
realidade. Sabendo que os avanços científicos não são sem
riscos, estas políticas têm igualmente como objectivo a
minimização destes e a utilização sustentável dos recursos
naturais.
A inexistência de uma política de Ciência, Tecnologia e
Inovação, a falta de articulação entre os diversos agentes
de investigação e produção científica, do desenvolvimento
tecnológico e da inovação, assim como a dispersão de iniciativas e esforços, têm inviabilizado a institucionalização
do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(SNCTD),, impedindo a implementação e desenvolvimento
de boas práticas, e a consequente obtenção de melhores
resultados, que se têm caracterizado, sobretudo, por objectivos pontuais, imediatos e não suficientemente integrados
em acções que visem o desenvolvimento sustentável do País.
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(PNCTI) é de importância transversal e estratégica, por
constituir uma ferramenta fundamental para promover o
desenvolvimento sócio-económico sustentável e um factor
de união, promoção da paz social e aproximação entre povos
e de reforço da cooperação regional e internacional.
Em termos globais, a PNCTI, através da inserção da
Ciência, Tecnologia e Inovação na Estratégia de Desenvolvimento do País, propõe-se estabelecer linhas orientadoras,
visando a edificação de uma sociedade de conhecimento, o
combate à pobreza e a melhoria da qualidade de vida do
cidadão. A prossecução destas finalidades passa pelo desenvolvimento sustentável através da construção de uma economia moderna e competitiva, em harmonia com os princípios
éticos, a equidade social e o respeito pela saúde da população,
a protecção do ambiente e o uso responsável dos recursos
naturais.
O presente documento contém ainda os seguintes capítulos:
Capítulo 2. Situação actual da Ciência, Tecnologia e Inovação em Angola, no qual se dá conta da
situação económica geral, da educação e dos
sectores relevantes para a CTI;
Capítulo 3. Política Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação, onde se apresentam a visão e a
missão desta política, assim como os seus
objectivos gerais e específicos;
Capítulo 4. Instrumentos e gestão da PNCTI, no qual se
formula o quadro geral de implementação da
política;
Capítulo 5. A PNCTI e os novos desafios, que perspectiva
o desenvolvimento da PNCTI.
A PNCTI, objecto deste documento, é complementada
com a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(ENCTI) e o Mecanismo de Coordenação que, no seu
conjunto, visam dar coerência e sustentar a implementação
do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(SNCTI).
Situação Actual da Ciência, Tecnologia e Inovação
em Angola
A revisão constitucional, efectuada em 1992, define a
República de Angola como um Estado democrático e de
direito. A antiga Lei Constitucional, (Lei n.º 12/91), estabelecia entre os seus princípios e direitos fundamentais, o
desenvolvimento económico nacional e a satisfação das
necessidades dos cidadãos, o respeito e a garantia dos direitos humanos fundamentais e consagrava a construção de
uma sociedade de conhecimento. Neste sentido, consubstanciam-se princípios, de que emanam direitos como a igualdade, o respeito, a protecção e a defesa dos cidadãos, assim
como o respeito pela dignidade da pessoa humana.
A Constituição de Angola consagra, nos seus artigos 21.º,
º, 79.º, 80º e 138º, vários pressupostos que visam
promover a formação do ser humano, a excelência, a qualidade, a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico, e estimula o exercício da actividade docente e científica
por parte dos governantes ou detentores de cargos públicos.
1. Situação Económica Geral
Os anos que se seguiram à proclamação da independencia em 1975 foram de defesa desta e da integridade territorial
do País. Angola viveu uma guerra civil que durou 27 anos e,
como tal, não se destruiu apenas grande parte do tecido
industrial e de apoio ao mesmo, como se perdeu um precioso
período para o desenvolvimento sócio-económico do País.
No período que se seguiu à efectivação da paz em 2002,
Angola registou, alimentado principalmente pelas suas
exportações de petróleo e minerais (diamantes), um desempenho macroeconómico muito dinâmico e acima da média
regional e mundial, tendo sido um dos países que mais cresceu nestes 8 anos.
Este crescimento é essencialmente sustentado pelo sector petrolífero, mas é importante assinalar que se observou
uma taxa de crescimento superior para o sector não petrolífero, a partir de 2007 (ver Tabela 1.1). Esta relação tem-se
mantido e, de alguma forma, constitui um indicativo da
aposta na diversificação da economia feita, anteriormente,
pelo Governo Angolano.
Tabela 1.1. Crescimento Global da Economia
Angolana (%)
Taxa de 1.º sem.
crescimento (9%) 2010
EEXICN EE ES EGEDEOES
[emeno | fe en [oe
Fonte: Ministério do Planeamento, Plano Nacional 2011-2012.
Os primeiros números estimados para 2010 apontam no
sentido de uma reversão no cenário do PIB Petrolífero, que
passa de uma taxa de crescimento negativa de 5,1% em 2009
para uma taxa positiva esperada de 7,1% em 2010. Enquanto
1sso, a projecção é que o PIB não petrolífero reduz o seu
ritmo de expansão de 8,31% em 2009, para 2,0% em 2010,
sobretudo pela contracção nos sectores da construção, das
pescas e dos diamantes.
Neste momento, Angola encontra-se num processo de
reconstrução massiva das suas infra-estruturas físicas e do
seu capital humano. Embora este crescimento não tenha sido
uniforme para todos os sectores da vida nacional, tudo indica
que o crescimento observado na indústria extractiva (petróleo e minerais) pode ajudar a criar condições para impulsionar o crescimento nos sectores mais atrasados.
O Produto Interno Bruto tem continuado a crescer, apesar
da flutuação dos preços do petróleo e da recessão económica
global observada, com particular ênfase, em 2009,
A produção petrolífera representa mais de 50% do PIB
(ver Tabela 1.2), constituindo 90 % das receitas das exportações do País.
Tabela 1.2. Taxas de Crescimento do PIB e Participações Sectoriais (%)
Sectores cimento (%) (médias)
eso EsDEes
Agricultura, pecuária e florestas| 1,9 290 7,54 10,21
Construção e obras públicas 25.6 23,8 4,64 6,43
Energia 6 ABUA 1. conse | 26 21,3 0,09 o,11
Serviços não mercantis ... ... 1,9 3 FITA 6,95
Indústria transformadora =... | 11,0 53 5,07 5,57
Petróleo e refinados ......... 123 5,1 55,76 S1,74
Petróleo é gás 1. — — — —
Geologia e minas (diamantes) -8.6 46 2,05 0,99
Pescas 11 cn rara eo -24 -8,7 0,29 0,23
Serviços mercantis ......... | 269 -1,5 16,84 19,57
EAUCAÇÃO 4 ençãs onsSS ESSES 6,3 16 — —-—
SABOO! suscncn aeee [2282 04 — —
Fonte: Ministério do Planeamento, Plano Nacional 2011-2012.* Indicadores específicos: Educação, efectivos escolares e Saúde, unidades sanitárias.
Devido à instabilidade do mercado petrolífero internacional, o Governo fez da aposta na diversificação da economia
uma prioridade estratégica. Outros importantes componentes
do PIB têm sido obtidos de sectores como o bancário, a agricultura, a exploração florestal e as pescas.
A vulnerabilidade dos mercados petrolíferos é uma preocupação constante para o Governo, dada a extrema dependência do País em relação ao petróleo. Por outro lado, há
preocupações com o impacto ambiental da exploração petrolífera e das actividades de extracção, particularmente o efeito
das actividades costeiras na indústria de pescas.
A aposta na ciência, tecnologia e inovação é fundamental para apoiar o crescimento e desempenha um papel chave
na promoção do desenvolvimento sustentável deste imenso
País. Este apoio deve incidir acima de tudo nas áreas descritas mais abaixo como fundamentais para a dinamização
da economia, no que diz respeito ao ambiente, à gestão e à
utilização responsável dos recursos naturais.
Áreas como a Educação e Formação Profissional, Ensino
Superior, Inovação Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Agricultura e Pescas, Telecomunicações e Tecnologias
de Informação, Petróleo, Gás e Recursos Minerais, Saúde,
Recursos Hídricos, Energia e Ambiente foram apontadas por
especialistas nacionais e das Nações Unidas como de grande
importância para a economia nacional e nelas deve incidir,
em primeira instância, a implementação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
2. Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, Orga-
nização da CTI em Angola
O Ministério do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia (MESCT), instituído em Fevereiro de 2010 como resultado da fusão do então Ministério da Ciência e Tecnologia
(MINCIT) e da Secretaria de Estado do Ensino Superior
(SEES), é o órgão do Executivo que, em interacção com os
diferentes órgãos da vida nacional, tem por missão a preparação, a condução, a execução e o controlo da política do
Executivo nos domínios do Ensino Superior e da Ciência,
Tecnologia e Inovação (Decreto Presidencial n.º 70/10,
de 19 de Maio).
Com a criação, em 1997, de um órgão que rege a política
de CTI no País (o então Ministério da Ciência e Tecnologia),
o Executivo de Angola reforçou a sua aposta na criação de
condições para colocar Angola na senda do desenvolvimento
científico e tecnológico.
Ao longo dos anos subsequentes foram realizadas actividades como a preparação da legislação de base de C&T, a
criação de Centros Comunitários Provinciais (Internet),
do Portal do Conhecimento e do Investigador Científico, da
Carreira do Investigador, a recolha de subsídios para apoiar
a actividade do Governo, o cadastramento de criadores e o
apoio à actividade inovadora. Tudo isto tem contribuído para
um aumento assinalável da consciência nacional sobre a
importância da CTI para o desenvolvimento do País e edificação de uma sociedade de conhecimento.
Actualmente, assiste-se à fragmentação do Sistema
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), o que
redunda numa débil articulação entre os seus intervenientes
e numa fraca rentabilização dos recursos disponíveis,
não obstante iniciativas colectivas e isoladas na procura do
aumento da produção científica, inovação tecnológica e
consequente integração do conhecimento e da transferência
das tecnologias no sector produtivo, assim como o aumento
significativo da interacção entre os actores do SNCTI e entre
estes e a sociedade em geral.
A actual organização da Ciência, Tecnologia e Inovação,
incluindo o financiamento das actividades de investigação,
associada à falta de documentos essenciais que estabeleçam
linhas orientadoras, princípios, regras de funcionamento e
procedimentos de avaliação, não tem permitido harmonizar
OS programas sectoriais, as iniciativas colectivas ou isoladas
e o acompanhamento das actividades de investigação.
Até aqui têm-se observado níveis de orçamento da CTI
muito aquém dos recomendados na SADC (1% do PIB) e não
tem sido possível monitorizar a aplicação dos fundos destinados à investigação científica e desenvolvimento tecnológico, nem tão pouco obter-se, da esmagadora maioria dos
integrantes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação, dados para a elaboração dos indicadores de CTI.
Em suma, tudo isso tem resultado na não optimização da
utilização dos recursos e meios disponibilizados e na avaliação pouco objectiva sobre o impacto dos investimentos e
do desempenho das instituições de I&D e seus profissionais.
Educação, Cultura e Formação Profissional
No que concerne ao progresso verificado, importa sublinhar o impacto positivo da paz alcançada em 2002, Em 2009,
a nível da educação geral, duplicou o número de crianças que
tiveram acesso à escola, fruto do aumento significativo do
número de escolas nas cidades, nas zonas periurbanas e no
meio rural. Isto, por si só, significa que o Estado fez um
grande investimento em infra-estruturas e formação de
recursos humanos.
O impulso para promover a educação técnico-profissional, iniciado em meados da década de 2000, começou a dar
frutos. Para além de novos institutos de formação e educação agrária, técnica, de administração e gestão, também
se observaram progressos nos curricula escolares. Outras
iniciativas incluem o reconhecimento oficial do papel
importante da educação no desenvolvimento nacional e da
necessidade de uma mais forte componente técnico-científica no sistema educativo.
A cultura é considerada um complexo que inclui o
conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes
e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem
como membro da sociedade. É também usualmente associada
a altas formas de manifestação artística e/ou técnica da
humanidade que são estudadas pelas ciências sociais e
humanas.
Apesar do enorme potencial da cultura, como fonte de
incentivo para o turismo e como matéria-prima para a indústria criativa, para a divulgação da arte e cultura angolana no
exterior, e de poder contribuir para a unidade nacional, este
sector é caracterizado pela escassez de quadros e de infra-
-estruturas para a pesquisa e divulgação cultural.
Ensino Superior
No passado, o ensino universitário em Angola foi institucionalizado com a criação dos Estudos Gerais Universitários
de Angola, integrados na Universidade Portuguesa, a 21 de
Agosto de 1962 (Decreto-Lei n.º 44 530). Em 23 de Dezembro de 1968 foi determinada a transformação dos Estudos
Gerais Universitários de Angola, em Universidade de Luanda
(Decreto-Lei n.º 48 790), sendo, em 1976, logo após a proclamação da Independência de Angola, transformada em
Universidade de Angola, através da Portaria n.º 77A/76, de
28 de Setembro. Em 1985, a Universidade de Angola passou
a chamar-se Universidade Agostinho Neto (UAN), em
memória do primeiro Presidente de Angola e primeiro Reitor
da Universidade de Angola (Decreto-Lei n.º 85, de 24 de
Janeiro, DR n.º 9,1 Série, de 28 de Janeiro de 1985).
Segundo dados publicados pela UAN em 2008, esta universidade havia formado somente três angolanos até 1975 e
cerca de cinco mil de 1975 a 2002, altura em que se alcançou
a paz efectiva.
Em seis anos de paz, entre 2002 e 2008, o número de
licenciados duplicou. Também foi notória a melhoria da qualidade do corpo docente, embora ainda não seja satisfatória a
qualidade da composição do mesmo nesta Universidade.
A percentagem de docentes com o grau científico ou académico de mestre (M Sc.) e doutor (Ph.D.) passou de cerca de
10% em 2001 para 20% em 2008.
À questão da composição do quadro docente é ainda mais
preocupante com o advento do ensino superior privado, dado
que a maioria destas instituições não tem corpo docente próprio significativo. Sem embargo do contributo que as instituições privadas têm dado para a diminuição da pressão
social sobre o acesso ao ensino superior e a formação de técnicos superiores, o recurso ao corpo docente das instituições
públicas para leccionar os seus cursos, cria um problema
adicional. Aos docentes que se dispersam por actividades
lectivas em mais de uma instituição, não resta tempo para se
dedicarem à investigação e desenvolvimento, seja nas instituições públicas ou nas privadas.
A criação, em 2009, pelo Conselho de Ministros, de novas
instituições de ensino superior distribuídas em sete regiões
académicas, veio criar novas oportunidades de formação
e desenvolvimento sustentável em Angola. Dados de 2009
indicam que as 7 universidades públicas e as 10 privadas
existentes comportavam cerca de 80 mil estudantes, dos quais
quase 52 mil estavam matriculados em instituições públicas
do ensino superior.
O surgimento em Angola de várias instituições de ensino
superior também contribuiu para diminuir a pressão para a
formação no exterior. Em 2009 o Governo de Angola suportava a formação superior de 1500 estudantes angolanos no
exterior do País.
Contudo, espera-se que o crescimento da oferta de
ensino superior se faça acompanhar de melhorias significativas em termos de qualidade de ensino, tanto nos níveis de
bacharelato e licenciatura, como nos cursos de pós-graduação. Por isso, é importante que o ensino superior em Angola
esteja cada vez mais associado à investigação científica,
que é a propulsora da qualidade de ensino e baluarte do
desenvolvimento sustentável de qualquer país.
Apesar destes desenvolvimentos, existe ainda uma acentuada falta de quadros altamente qualificados (com nível de
doutoramento), com incidência para as áreas de ciências
básicas (Matemática, Física, Química, Biologia e Português,
Medicina, Engenharia, Agronomia, Veterinária) e outras.
A existência de quadros com diferenciação científica é
uma condição fundamental para uma formação de qualidade.
Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico
As diversas e urgentes necessidades de reconstrução
exigem uma definição de prioridades em termos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, financiados
com fundos públicos e para apoiar a implementação do Programa do Executivo.
A inexistência de prioridades claras resulta fundamentalmente da falta de uma PNCTI e respectivos instrumentos de
gestão e/ou implementação, de forma a responder satisfatoriamente às prioridades no domínio da ciência, tecnologia e
inovação que conformam o Programa do Executivo a curto e
médio prazos.
O estado actual da investigação científica em Angola,
segundo o diagnóstico sobre a CTI em Angola, publicado em
2008 pela UNCTAD, assim como os indicadores referentes
a 2008/2009, elaborados pelo MESCT em 2010, apresenta
uma carência de quadros científicos com altos níveis de
formação.
Do número total que se dedica a actividades de investigação (enquadrados e não enquadrados na Carreira de
Investigador Científico, CIC) somente cerca de 5% têm o
grau académico de doutoramento, sendo os restantes, 17%
mestres, 5% pós-graduados, 57% licenciados e 16% bacharéis.
Há, portanto, neste momento, uma carência substancial
de quadros científicos altamente qualificados, contrariamente
ao que, por exemplo, se observou na Universidade Agostinho Neto, relativamente às outras instituições de investigação
que não fizeram uma aposta significativa na elevação dos
níveis de formação do seu quadro de pessoal.
Por definição, considera-se «investigador» quem faz ciência e se encontra enquadrado na CIC, todavia, é elevado o
número de indivíduos licenciados, mestres e doutores que se
dedicam integralmente à investigação mas que, por razões de
vária ordem, não estão enquadrados na CIC, o que tem colocado problemas de ordem motivacional. Somente 28% do
total de licenciados, mestres e doutores que fazem I&D em
tempo integral, estão enquadrados na CIC, enquanto a esmagadora maioria (72%) aguarda pelo respectivo enquadramento.
No geral, observa-se um excesso de trabalhadores da área
administrativa nas instituições de investigação e desenvolvimento tecnológico, já que constituem cerca de 74%, distribuindo-se os restantes 26% entre investigadores e pessoal de
apoio à investigação.
Os dados obtidos para o período 2008/2009 mostram
que a população de investigadores é dominada por homens
(83%), as mulheres cientistas constituem apenas 17%, apesar
de existirem instituições, como o Instituto Nacional de
Investigação Pesqueira, o Instituto Nacional de Saúde
Pública e o Herbário de Luanda, que são constituídos maioritariamente por mulheres.
A questão da produção científica e tecnológica, bem
como a da motivação dos investigadores, está na ordem do
dia. Em 2001 foram introduzidas algumas medidas para atrair
e reter cientistas em instituições públicas de investigação
(Decreto nº 4/01 e 40/01). Estas provisões, que incluíram
escalões especiais de remuneração e bônus salariais para
publicações, precisam de ser significativamente melhoradas
para serem efectivamente atractivas e produzirem os resultados esperados.
O actual sistema de financiamento da I&D, associado ao
reduzido nível orçamental observado no sector da Ciência e
Tecnologia (por exemplo, 0.004% PIB em 2008 e 2009 e
0,2% em 2010), torna ineficiente a gestão e utilização direccionada dos recursos disponíveis, o que tem provocado
um estrangulamento na realização de actividades de investigação nas instituições de ensino superior, investigação e
desenvolvimento tecnológico. Estes factores estão entre as
razões que mais contribuem para o pouco sucesso observado
no domínio da produção científica e tecnológica.
A fraca disponibilização de meios financeiros e a inexistência de um sistema de financiamento público constituem o
primeiro constrangimento na abordagem das necessidades
essenciais de optimização da utilização dos fundos destinados
à investigação científica.
Um outro aspecto está ligado à falta de acompanhamento
diferenciado e de um sistema de avaliação próprio ou específico das instituições que realizam actividades de investigação e desenvolvimento tecnológico, bem como dos respectivos quadros científicos, de forma a aumentarem a eficácia e eficiência na utilização dos recursos colocados à
disposição e promoverem a produção científica e tecnológica.
Constata-se, também, a existência de um modelo de
gestão e uma estrutura das instituições de investigação e
desenvolvimento tecnológico que, na prática, em nada difere
dos institutos públicos gerais, o que por si só limita a dinamização de actividades com as características das de I&D.
Empreendedorismo e Inovação
A criatividade é um dos aspectos importantes a ter em
conta para impulsionar o empreendedorismo, a inovação
tecnológica e a oferta de novos produtos e serviços de qualidade, de que carece a sociedade angolana. Até recentemente,
a inovação estava adstrita exclusivamente à política industrial (UNCTAD, 2007), observando-se, desde 1975, um
registo de atribuição de patentes nada animador (dados do
Instituto Angolano da Propriedade Industrial — IAPI), o que,
em parte, pode ser justificado pela falta de uma indústria
dinâmica.
Contudo, o cenário de diversificação da economia e de
aumento de produtos e serviços cria-se num ambiente favorável ao empreendedorismo, à inovação e consequente
desenvolvimento humano, organizacional e tecnológico. Esta
pode ser a razão pela qual é notória, desde 2009, uma maior
mobilização da sociedade angolana em torno da criatividade
e da inovação.
Actualmente, observa-se uma maior união de esforços
dos vários actores sociais e o desdobramento de iniciativas
em prol da promoção da actividade de inovação e de protecção da propriedade intelectual, o que lança as premissas para
a criação de uma base nacional de empreendedorismo e transferência de tecnologias apropriadas para suportar o crescimento sustentado da produção nacional.
Para assegurar a sustentabilidade da inovação em Angola
urge optimizar os benefícios da formação do homem, complementando-a com o acesso e a apropriação de novas tecnologias.
Direitos de Propriedade Industrial e de Autor
Em Angola existem dois regimes legislativos que cobrem
os Direitos de Propriedade Intelectual (DPI): a Lei da Propriedade Industrial de 1992, que cobre patentes, marcas
comerciais, modelos industriais e utilitários, apelações de origem (indicações geográficas) e concorrência desleal, e a Lei
dos Direitos de Autor de 1990.
A implementação destas leis está sob a alçada, respectivamente, do Instituto Angolano da Propriedade Industrial,
uma agência sob a tutela do Ministério da Geologia, Minas e
Indústria, e do Instituto Nacional das Indústrias Culturais/Direcção Nacional de Espectáculos e Direitos de Autor,
no Ministério da Cultura. A protecção da Propriedade Intelectual para variedades de plantas ainda não foi promulgada,
embora, de acordo com um relatório de 2005, um projecto
de Lei dos Direitos dos Criadores de Plantas tenha sido elaborado.
Ambas as leis da propriedade intelectual precedem a adesão de Angola à OMC em 1996 que implica o cumprimento
das disposições do Acordo sobre os Direitos de Propriedade
Intelectual Relativos ao Comércio (TRIPS). O prazo de cumprimento destas normas para os países subdesenvolvidos é
de 2013 a 2016, no caso de fármacos e processos afins.
Embora as leis existentes devam ser revistas, não é evidente que esta condição iniba a inovação ou a aquisição de
tecnologia patenteada do estrangeiro. Neste último caso, pode
ser a falta de capacidade que esteja a impedir a sua apropriação. No entanto, na medida em que a capacidade tecnológica
é um processo em incrementação — por exemplo em TIC e
desenvolvimento de software — a protecção DPI pode
necessitar de ser fortalecida, a seu tempo, em áreas específicas. Estas questões devem ser consideradas no aperfeiçoamento da legislação existente para a adequar aos requisitos
TRIPS.
Por outro lado, uma reforma dos DPI deve ter em conta
que regimes mais fortes de DPI se podem tornar uma barreira à aquisição e desenvolvimento de tecnologias patenteadas e deste modo impedir a formação de capacidades.
Medidas devem ser tomadas para garantir que as flexibilidades do acordo TRIPS — em especial no que respeita ao
licenciamento obrigatório — podem ser plenamente utilizadas sempre que apropriado.
Mesmo na ausência de conflitos de interesse, a capacidade de negociar acordos de licenciamento de tecnologia é
ainda essencial a fim de assegurar o acesso das empresas
locais a tecnologias estrangeiras em condições favoráveis.
Por último, deve-se notar que as leis actuais de propriedade intelectual ainda distinguem entre propriedade industrial e regimes de direitos de autor, distinção que já não é tão
claramente marcada noutros países. Os direitos de autor, por
exemplo, expandiram-se para além das criações artísticas
para incluírem conhecimento aplicável à indústria.
Nesta base, e tendo em conta a carência de pessoal qualificado e com experiência para a revisão e implementação
das leis de DPI, justifica-se a unificação de todos os regimes
de DPI sob um único mandato e/ou Gabinete da Propriedade
Intelectual.
3. Outros Sectores da Agricultura e Pescas
Em termos estratégicos, a política actual no domínio da
agricultura tem como orientação privilegiar a elevação do
capital humano, ampliar as áreas de cultura sob irrigação,
melhorar o acesso ao mercado, desenvolver capacidades de
investigação e experimentação e reforçar a difusão das tecnologias.
Contudo, apenas existem pequenas bolsas de capacidade
de CTI no sector agrícola e não existe nenhum mecanismo
para a acumulação sistemática da aprendizagem e difusão do
conhecimento. A escalada dos benefícios da aprendizagem é
constrangida pela falta de recursos humanos e pelo financiamento inadequado.
A política actual reflecte uma visão do desenvolvimento
agrícola a longo prazo, baseada em três níveis de produção:
familiar, comercial em pequena escala e empresa industrial.
A estrutura do sistema de produção, dominada pela agricultura de subsistência, carece de maior apoio e de uma
melhor estruturação. Apesar de se estar a observar algum
crescimento no sector agro-pecuário, a produção do tipo
familiar carece de um maior apoio, particularmente no que se
refere ao fornecimento de sementes melhoradas, conservação e escoamento das colheitas e informações sobre a previsão de chuvas e seca.
As actividades em matéria de CTI na agricultura estão
concentradas, de momento, na redução dos problemas de
segurança alimentar, através da introdução de factores que
aumentem a produtividade. Actualmente não há nenhum
plano de acção específico que faça a ponte entre a presente
campanha de suficiência alimentar e uma produção alimentar industrial.
Infra-estruturas melhoradas são especialmente benéficas
para o crescimento da indústria e do comércio de base agrícola e, em consequência, para a diminuição da pobreza rural.
São a chave para uma agricultura melhorada, as tecnologias
relativas a colheitas, processamento de alimentos ou manufacturas, a vendas por grosso e a retalho. E podem levar à
produção de importantes produtos agrícolas não alimentares
como biodiesel, produtos farmacêuticos e químicos.
Os resultados obtidos em matéria de produção científica
e tecnológica são bastante escassos, tal como o sistema de
extensão de tecnologias para o campo, tendo como recurso a
colaboração com ONG na disseminação para o campo de
sementes melhoradas e de informação. Por isso, o contributo
das ONG para o desenvolvimento rural, oficialmente reconhecido como crucial, deve continuar a desempenhar um
papel activo a curto e médio prazos.
Os pontos fracos na indústria pesqueira incluem a falta
de infra-estruturas portuárias e de equipamentos de descarga
para as capturas chegadas à terra, a fraca capacidade para a
construção e manutenção do equipamento pesqueiro e o
insuficiente conhecimento de gestão comercial. Há, ainda,
preocupação quanto aos níveis das reservas pesqueiras no
futuro, devido ao excesso de exploração dos recursos, à
degradação ambiental causada por extensivas actividades
petrolíferas e de gás, e às alterações climáticas.
Angola está, neste momento, a caminhar para a implementação do princípio da sustentabilidade dos recursos
naturais no mar, ilhas e respectivas zonas costeiras. Este tipo
de actividade carece de uma maior divulgação para que sejam
envolvidas mais forças e sinergias da sociedade.
Telecomunicações e Tecnologias de Informação
Muito já foi alcançado nesta área. À concorrência dentro
do sector fez expandir a rede, conduziu ao uso de novas tecnologias e serviços melhorados. O sector está orientado para
as empresas e tem aumentado rapidamente a sua capacidade
de absorção. Beneficia de massivos investimentos governamentais em infra-estruturas físicas e de investigação e formação vocacional.
De modo a sustentar este crescimento, esforços paralelos
devem ser feitos para edificar uma capacidade que vai desde
serviços de engenharia para manutenção e reparação dos instrumentos, serviços de aconselhamento e formação, desenvolvimento de software e fornecimento de serviços de
Internet.
Estas áreas oferecem boas oportunidades para o desenvolvimento de empresas, em particular para engenheiros e
diplomados em tecnologia. Duas áreas de oportunidade de
negócios e de emprego, a serem assinaladas neste sector: a
acumulação de conhecimento e experiência no licenciamento
tecnológico: e o potencial para desenvolver capacidade
manufactureira em produtos relacionados com as telecomunicações.
Eventuais barreiras ao progresso podem, contudo, surgir
durante a implementação e nas intervenções, tal como foi
identificado nos vários documentos do Executivo. Relacionados com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento de
Angola. Dificuldades de progresso, como inadequados
recursos de capital humano e fomecimento não fiável de electricidade, são problemas de longo prazo que têm de ser
resolvidos e que, provavelmente, impedirão o sucesso de
outros objectivos de curto prazo.
Indústria, Petróleo, Gás e Recursos Minerais
Depois da independência o sector petrolífero e o mineiro
foram os que mais contribuíram para o PIB. Nos últimos
cinco anos, outros sectores da indústria nacional vêm conhecendo um significativo crescimento. Comparado com os
primeiros anos do presente século, actualmente o sector da
indústria vem aumentando significativamente a sua participação no PIB nacional. Contudo, ainda não foram alcançados
os níveis desejados, tendo em conta o papel reservado à
indústria no desenvolvimento do País.
O maior peso do investimento estrangeiro em Angola está
concentrado no sector petrolífero, caracterizado por enclaves
geograficamente isolados e de limitada expansão ou interligação com a indústria local. Devido às fracas ligações com
empresas nacionais, baixa proporção de joint ventures e
relativamente lento movimento de trabalho, o seu impacto na
transferência de tecnologia e aprendizagem tecnológica tem
sido limitado.
Angola é rica em minerais, com destaque para a produção
de diamantes brutos, sendo que, com os seus 6% do total de
exportações, constitui a segunda maior receita depois do
petróleo. No entanto, a crise económica global, registada em
2009, provocou uma forte queda na extracção de diamantes
e na actividade de outros sectores mineiros.
A exploração de petróleo e diamantes é susceptível de
causar danos ambientais no mar e nos ecossistemas fluviais
e terrestres associados, o que coloca em causa o desenvolvimento limpo que se pretende, apesar de se observarem
iniciativas ambientais na exploração petrolífera, mais do que
na produção diamantífera e na extracção de outros minérios.
Saúde
O estado de saúde da população angolana é caracterizado
pela baixa esperança de vida, altas taxas de mortalidade
materna e infantil, elevado fardo de doenças transmissíveis e
crescentes doenças crónicas e degenerativas, bem como de
mortalidade prematura, no geral.
A resposta à demanda dos cuidados de saúde é caracterizada pela reduzida cobertura e deficiente acesso a serviços
de qualidade.
Para satisfazer esta enorme demanda, o país, através do
sector da saúde, evidenciou esforços consideráveis durante
as duas últimas décadas, de tal modo que se observa um
importante crescimento de recursos físicos de saúde, de equipamentos e de recursos humanos.
O sector da saúde é um dos que mais absorve tecnologias
do exterior do país, o que poderia estar na origem da melhoria no diagnóstico e tratamento de doenças. Contudo, seria
melhor se fosse reforçada a componente de formação dos
recursos humanos e houvesse uma maior coordenação de
actividades dos mais variados projectos e programas.
Como consequência da fraca colaboração interinstitucional pode-se estar a desperdiçar uma óptima oportunidade
para se aproveitarem os benefícios de aprendizagem resultantes do trabalho em equipa.
Um dos pontos fracos do Sistema Nacional de Saúde é a
falta de uniformização na recolha de dados epidemiológicos
e meios de vigilância necessários para monitorizar e enfrentar a propagação das doenças existentes, bem como a ressurgência das controladas. Os resultados do levantamento
demográfico e de saúde de 2006 podem ser a chave para um
efectivo planeamento de saúde pública e para uma adequada
resposta dos serviços.
Na maior parte dos casos, observa-se uma falta de aproveitamento científico da imensidão de dados produzidos no
dia-a-dia na rede sanitária a todos os níveis, e que é susceptível de gerar conhecimento. A falta de sistematização dos
dados coarcta a possibilidade de recolha, consolidação e posterior realização e publicação de trabalhos científicos de elevado significado.
O planeamento a longo prazo das necessidades da CTI
(em particular depois de 2015, altura em que devem abrandar
a contribuição actual dos doadores e a importação de tecnologias da saúde), não parece constituir uma prioridade.
A contribuição da C&T seria de grande importância nas
áreas dos sistemas de informação, epidemiologia, diagnóstico laboratorial e tratamento de doenças.
Recursos Hídricos
Apesar de se considerar que Angola é possuidora de vastos recursos hídricos, não se conhece ao certo o potencial
hídrico, por falta de estudos para o efeito. A falta destes estudos
também limita a obtenção de dados fiáveis sobre a qualidade
da água nos diversos constituintes deste valioso recurso.
Em termos objectivos, pode afirmar-se que uma das condicionantes para a realização de estudos desta natureza é a
disponibilidade de profissionais desta área. Angola possui
poucos profissionais com formação específica para a avaliação e gestão de recursos hídricos.
Um outro aspecto que desperta atenção tem a ver com o
ordenamento da orla dos rios de Angola. As populações
vivem ao longo dos rios, dada a necessidade de retirar
vantagens dessa proximidade, o que tem acarretado a contaminação permanente da água e a erosão dos leitos.
A questão da gestão dos cursos de água é alarmante nas
áreas de exploração diamantífera. Um levantamento realizado em 2007 por profissionais do ambiente constatou uma
débil aplicação das leis ambientais e de planos de gestão
ambiental que contribuíssem para mitigar os efeitos da
degradação que a actividade acarreta. Em alguns casos foram
reportadas situações de assoreamento dos rios, provocando
danos expressivos à qualidade de água, à biodiversidade e à
populações a jusante.
Energia
A política no subsector da energia está actualmente centrada no melhoramento de infra-estruturas, transporte e distribuição de electricidade de origem hidroeléctrica. Contudo,
também está em curso a implementação de planos de desenvolvimento e integração de outras fontes de energia, como é
o caso da eólica e de outras renováveis. As oportunidades
de aprendizagem acumulada a partir dos investimentos
públicos em larga escala nestas áreas perderam-se, em grande
parte devido à fraca capacidade de a absorver.
O sector de energia eléctrica é regulado pelo Instituto
Regulador do Sector Eléctrico (IRSE) que calcula que apenas
30% da população tenha acesso à electricidade. A política
actual exige tanto a reabilitação e expansão da rede, como a
promoção e o aproveitamento de fontes de energia renováveis
e altermativas que sejam de pequena escala e independentes.
Uma dificuldade maior no que respeita ao planeamento,
tanto no caso da concepção de tarifas, como na promoção de
investimentos no sector, resulta da falta de estatísticas sobre
a produção, a oferta e a procura de energia.
Ambiente
Durante os últimos cinco anos aumentou significativamente o número de cientistas e organizações que lidam com
a biodiversidade para realizar estudos especializados, o que
tem contribuído para a criação de capacidades locais em
termos de inventariação e avaliação do real valor dos serviços que um dado ecossistema pode fornecer.
Actualmente decorrem actividades ou estudos que devem
contribuir para o redimensionamento ou revitalização dos
parques nacionais e estabelecimento de áreas sensíveis, particularmente no que respeita às áreas costeiras, estuários e
rios. Contudo, são ainda incipientes os estudos de monitorização ambiental, particularmente os tendentes a estabelecer
o real impacto das alterações climáticas.
Apesar do órgão reitor da política ambiental estar a priorizar o trabalho com as organizações ambientais e de se ter
incluído matérias ambientais nos curricula escolares, ainda
não se faz sentir a alteração do comportamento no dia-a-dia
da população em geral, quer no tratamento do lixo, quer das
áreas de lazer.
Este aspecto é crítico nas áreas urbanas e agudiza-se em
lugares como os bairros periféricos de Luanda, onde o pobre
saneamento básico (despejo do lixo nas valas de drenagem,
a falta de redes para a recolha da água resultante do uso
doméstico, etc .) pode estar a contribuir para a degradação da
saúde pública.
E notória a ausência de dados estatísticos neste domínio
e está por regulamentar e fiscalizar a implementação, com
maior afinco, das leis ambientais existentes.
Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação é
o conjunto de objectivos que conformam o Programa do
Governo na área da CTI, servindo de instrumento regulador
para a sua implementação.
Atendendo ao enquadramento feito para a PNCTI está-se
agora em condições de definir claramente três aspectos
fundamentais para a sua aplicação: A Visão, a Missão e os
Objectivos.
1. Visão da PNCTI
A visão para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia
e Inovação em Angola consiste na inserção da ciência, tec-
nologia e inovação, na Estratégia de Desenvolvimento do
País para que a longo prazo se edifique uma sociedade de
conhecimento, cujos atributos sirvam de factores determinantes para o combate à pobreza e melhoria da condição de
vida do cidadão em harmonia com a natureza.
2. Missão da PNCTI
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(PNCTI) é o instrumento central para, de uma forma sustentada, e em consonância com os interesses fundamentais da
população, do Estado e das organizações, contribuir para a
implementação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação Angolano para que seja uma referência no Continente Africano, convergindo para as melhores práticas internacionais e reconhecido pela qualidade dos resultados
produzidos e pelo impacto que os processos de transferência
de tecnologia e conhecimento associados alavanquem o
desenvolvimento económico e social do País, a resolução de
problemas estruturais de economia, a gestão e uso eficiente
dos recursos naturais e a manutenção da segurança e soberania do Estado Angolano.
3. Objectivos da PNCTI
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(PNCTTI) traça linhas orientadoras para que a ciência, tecnologia e inovação tenham uma maior incidência nos pilares
fundamentais da economia nacional e contribuam efectivamente para o desenvolvimento humano (dos angolanos), o
reforço da soberania nacional e a afirmação de Angola no
contexto regional e internacional.
A PNCTI estabelece objectivos de acordo com a visão e
a missão para a edificação de uma sociedade de conhecimento, onde a ciência e a tecnologia e inovação são factores
determinantes para o combate à pobreza e para a melhoria da
qualidade de vida do cidadão em harmonia com a natureza,
rumo ao desenvolvimento sócio-económico sustentável.
Os objectivos da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação estão organizados segundo três eixos essenciais:
* Organização e Desenvolvimento do Sistema
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação;
* Contribuição da Ciência, Tecnologia e Inovação para
o Desenvolvimento Sustentado de Angola;
* Financiamento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
3.1. Objectivos Gerais
Organização e Desenvolvimento do Sistema Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação
O desenvolvimento do SNCTI baseia-se em quatro componentes essenciais: recursos humanos altamente qualificados: instituições com os meios e condições adequados ao
exercício da investigação, desenvolvimento e inovação: redes
e processos de intercâmbio, nacionais, regionais e internacionais, que potenciem o acesso ao conhecimento e um quadro legal e organizacional que favoreça a obtenção de
resultados.
A PNCTI rege-se pelo princípio da excelência e qualidade, de importância estratégica, visto que se repercute
directamente no impacto dos investimentos feitos na I&D e
na premissa de se ir ao encontro dos problemas da sociedade.
À atitude positiva perante o conhecimento é uma das premissas mais importantes para o sucesso e concomitantemente de todos integrantes do SNCTI, pelo que é essencial o
zelo com que essa atitude é assumida, no sentido do estabelecimento de capacidade científica estável e de alto nível.
Capacitação dos Recursos Humanos
A promoção da formação dos recursos humanos visa
assegurar o desenvolvimento integral do homem, fundamento para a edificação de uma sociedade de conhecimento,
base para o desenvolvimento sócio-económico nacional sustentável, de forma a corresponder aos desafios colocados à
ciência para satisfazer as actuais necessidades da sociedade
e corresponder aos anseios e aspirações das gerações vindouras.
O reforço e a capacitação de recursos humanos, capazes
de suportar a edificação de uma sociedade de conhecimento,
deve passar pela aposta na formação técnica, tecnológica e
avançada (especialização, mestrado, doutoramento e
pós-doutoramento), de forma a reforçarem-se as instituições
de ensino superior, investigação e desenvolvimento tecnológico, com ênfase para as principais áreas de incidência da
Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Criação e Reforço da Base Material
A criação e o reforço da capacidade das Instituições de
Ensino Superior e Investigação realizam-se através de edificação de infra-estruturas, criação de bibliotecas, aquisição de
equipamentos e acervo bibliográfico a nível nacional e local,
assim como o acesso a bibliotecas on line.
O reforço da base material é importante para se estabelecer uma rede e melhorar o desempenho de equipas de investigação e a consequente produção de conhecimento. Esta
aposta deve ser feita para todas as áreas, com ênfase para as
de maior incidência da PNCTI.
A recuperação, manutenção e conservação do património
científico e tecnológico (acervo bibliográfico, material de
investigação, bibliotecas e instalações físicas) herdado do sistema colonial, assim como todo aquele que foi adquirido após
a conquista da independência nacional, deve incluir acções
que permitam fazer um amplo levantamento mundial do
património científico e tecnológico angolano, a transferência
do mesmo, sua catalogação e divulgação.
Cooperação Científica e Tecnológica
Para se assegurar o intercâmbio e cooperação entre instituições nacionais de investigação científica e desenvolvi-
mento tecnológico bem como com as suas congêneres de âmbito regional e internacional, é preponderante que se estimule
a adesão a redes de investigação, ou a sua criação, bem como
o estabelecimento de acordos bilaterais e multilaterais.
O SNCTI deve habilitar-se a acompanhar o desenvolvimento científico e tecnológico mundial nas áreas científicas,
tecnológicas e inovação de ponta. Para se alcançar este
objectivo, torna-se premente o estabelecimento, no nosso
País, de capacidade científica estável e de alto nível, a formação de jovens cientistas dentro das suas próprias realidades sociais, a criação de um sistema de divulgação e
apropriação de conhecimento e tecnologias de ponta.
Quadro Legal e Institucionalização do SNCTI
A institucionalização, consolidação e aperfeiçoamento do
Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação têm
como finalidade alcançar uma melhor coordenação, articulação e complementaridade de sinergias e esforços de todos os
seus actores e demais elementos da sociedade.
Este pressuposto deve contribuir substancialmente para
o aumento e optimização da utilização dos recursos humanos, meios financeiros, infra-estruturas e equipamentos em
todas as instituições de ensino superior e investigação,
incluindo os utilizados na divulgação dos êxitos científicos e
tecnológicos e na massificação das tecnologias de informação.
A protecção da propriedade intelectual, incluindo a tradicional, deve ser vista como uma premissa, dada a riqueza de
que dispõe o nosso País. As iniciativas devem incluir acções
que estimulem a sistematização e passagem do conhecimento
tradicional de geração em geração, o desenvolvimento das
técnicas e a sua valorização.
Contribuição da Ciência, Tecnologia e Inovação para
o desenvolvimento sustentado de Angola
O SNCTI tem como finalidade dar respostas à sociedade
angolana e às suas necessidades para um desenvolvimento
sustentado, no que se refere a CTI. Estas respostas situam-
-se em quatro domínios ou áreas de intervenção: a elevação
do nível da cultura científica da população angolana; o contributo que a CTI é capaz de dar para responder às questões
sociais, culturais e ambientais que se colocam a Angola; a
incorporação do conhecimento científico e tecnológico, bem
como a capacidade de inovação, no apoio ao desenvolvimento económico e empresarial; o recurso à ciência, tecnologia e inovação para suportar a governação do país.
Promoção da Cultura Científica
Promover e assegurar a divulgação científica e tecnológica tem como meta popularizar o conhecimento científico e
tecnológico, com a finalidade de se elevar a cultura científica, tecnológica e de inovação da população em geral, acelerando-se, desta forma, a integração de Angola no contexto
regional e internacional.
O reforço da consciência nacional sobre a prioridade das
actividades de investigação e inovação tecnológica e o fortalecimento da confiança e apoio à ciência por parte do público,
devem contribuir para convencer os centros decisórios e as
empresas públicas e privadas a aumentarem consideravelmente os seus investimentos na I&D e recorrerem de forma
sistemática aos achados científicos e tecnológicos para
implementarem de forma sustentada os seus programas e/ou
acções.
Respostas às questões de Defesa, de Segurança,
Sociais, Culturais e Ambientais
À CTI é reservado um lugar especial nas políticas de
Estado, tanto em países desenvolvidos como emergentes,
devido ao seu papel decisivo no desenvolvimento socioeconómico e por ser considerada uma questão de soberania e
independência. À aposta na CTI visa acelerar e contribuir
para o desenvolvimento sustentável e consequente fortalecimento da soberania e Independência de Angola.
Para o efeito, é necessário dotar o País de recursos
humanos, infra-estruturas, equipamentos adequados à autosuficiência alimentar e de capacidade de resposta ou intervenção em caso de calamidades naturais e de endemias,
assim como prevenção dos efeitos das alterações climáticas.
A PNCTI deve basear-se no compromisso social, para que
a produção de conhecimentos científicos e tecnológicos vá
de encontro aos problemas da sociedade, tal como defende a
Declaração de 1999 sobre a ciência e o uso do conhecimento
científico saída do 1.º Fórum Mundial da Ciência, realizado
em Budapeste. Este mesmo documento defende que a ciência deve promover a «solidariedade moral e intelectual da
humanidade», o que é a base para uma cultura de paz. De igual
modo, a comunidade científica e os responsáveis pelo processo decisório devem buscar o fortalecimento da confiança
e de apoio à ciência por parte do público, já que este constitui o baluarte para o estabelecimento de alicerces sólidos para
a materialização da PNCTI.
Os decisores e demais membros da sociedade devem
fazer uso sistemático do conhecimento técnico-científico para
promover a conservação e utilização sustentável dos recursos
naturais e protecção do ambiente em prol do equilíbrio da
biosfera e bem-estar das populações.
A promoção da participação da mulher nas actividades de
ciência, tecnologia e inovação deve incluir várias acções
como a criação de incentivos ou prémios que visem distinguir
e estimular as mulheres cientistas que se destaquem na sua
actividade.
Para se valorizar e assegurar a continuidade do conhecimento tradicional dos povos de Angola, deve usar-se a ciência e tecnologia para a sistematização do mesmo. Para o
efeito, devem ser realizados estudos que permitam aprofundar o conhecimento sobre a nossa flora, fauna, com ênfase
para as plantas medicinais. Deve-se também proceder à criação de órgãos especializados que se ocupem da protecção,
do cadastramenro de técnicas e da divulgação desta área de
conhecimento.
A cultura angolana deve ser objecto de pesquisa e divulgação, bem como de formação de quadros qualificados. Através do seu desenvolvimento e consolidação se contribui para
a identidade e unidade nacional e se criarão condições para
a promoção do nível cultural da população em geral.
Desenvolvimento Económico e Empresarial
A materialização das acções, unida aos efeitos positivos
de outras medidas que se impõem no sector industrial em
geral, vai permitir o aumento gradual do investimento tanto
nacional como estrangeiro em segmentos da indústria não
petrolífera, já que o maior peso do investimento estrangeiro
em Angola está concentrado no sector petrolífero que é
caracterizado por enclaves geograficamente isolados e de
limitada expansão ou interligação com a indústria local.
A transferência de tecnologia constitui uma via de aceleração do desenvolvimento industrial, económico e social do
País e, como tal, deve receber apoio à mobilidade dos profissionais através de redes de investigadores e parcerias com
o sector produtivo ou empresarial.
A promoção de inovação tecnológica e de novos produtos, assim como a transferência de tecnologias apropriadas e
ambientais, incluindo as energias limpas, e a incorporação
dos resultados da investigação científica e inovação tecnológica no sector produtivo angolano são um objectivo essencial da PNCTI. A consolidação deste desenvolvimento requer
a implementação do licenciamento tecnológico.
Acção da CTI na Governação
A promoção de uma governação assente em princípios
científicos, tecnológicos e de inovação, passa pelo reforço da
inserção do conhecimento técnico-científico nas políticas
sectoriais e estratégias de desenvolvimento das áreas chaves
de incidência da PNCTI, com destaque para o Ensino, Saúde,
Agricultura, Pesca e Aquacultura, Recursos Hídricos, Petróleo, Recursos Minerais, Energia, Defesa e Segurança e
outros, com vista à erradicação da fome, redução da pobreza,
aumento da segurança alimentar e nutricional e saúde
pública, de acordo com o Programa do Governo e os objectivos do milénio.
Financiamento do Sistema Nacional de Ciência,
Tecnologia e Inovação
Financiamento
O financiamento constitui o aspecto fundamental para
impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico
com impacto no desenvolvimento socioeconómico do país.
Por isso, é imprescindível que se aposte decisivamente no
aumento significativo e captação adicional de meios financeiros público-privados para a CTI com a criação de um instrumento financeiro, para que se assegure o financiamento e
a gestão adequada das actividades de investigação científica
e inovação tecnológica.
E objectivo que os investimentos a serem feitos se
venham a repercutir de forma positiva na resolução dos problemas sociais e nos desafios colocados pela preservação
de recursos naturais e pelas alterações climáticas.
3.2. Objectivos Específicos
Organização e Desenvolvimento do Sistema Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação
Capacitação dos Recursos Humanos
Formação Avançada
A implementação de programas de formação de especialistas, mestres, doutores e pós-doutorados, em conjugação
com outras acções específicas, deverá reforçar a capacidade
das instituições científicas e de outros sectores da vida
nacional em recursos humanos, tanto a nível nacional e local,
por via da especialização das instituições de investigação e do
reforço da liberdade académica nas instituições do ensino
superior.
Atracção de Quadros do Exterior do País
Hoje os países desenvolvem-se com base nos recursos
internos e externos. O actual nível de desenvolvimento de
Angola exige a captação de quadros do exterior do país para
cumprir com o desiderato do desenvolvimento. Para o efeito,
é premente que se criem condições para atrair quadros angolanos e cérebros estrangeiros.
Motivação dos Recursos Humanos
A motivação dos recursos humanos constitui a chave para
a eficácia e eficiência do funcionamento e sustentabilidade das instituições. Assim, é necessário motivar permanentemente os recursos humanos e valorizar a actividade
científica e de inovação tecnológica, nomeadamente a harmonização das Carreiras de Docente Universitário e de
Investigador Científico Nacionais, de forma a impulsionar o
intercâmbio com académicos e investigadores de carreiras
similares na região e a nível internacional.
Mobilidade e Fixação de Académicos e Investigadores
Nos últimos anos, observa-se uma tendência de fixação
de quadros em áreas mais desenvolvidas, o que provoca uma
escassez de quadros noutros pontos do país. A PNCTI tem
como objectivo a fixação de docentes qualificados nas instituições de ensino superior das diferentes regiões, de forma a
viabilizar a qualidade do seu funcionamento.
As oportunidades de formação avançada e de mobilidade
devem promover a criação de redes e quebrar o isolamento
científico.
É importante que sejam criadas condições para estimular
a mobilidade de quadros, assim como promover a participação de académicos e investigadores nacionais em eventos
científicos nacionais, regionais e internacionais.
Identificação, Selecção e Motivação de Talentos
A PNCTI tem como objectivo a identificação daqueles
que podem vir a dar o seu contributo para o desenvolvimento
da CTI em Angola. Para tal, para além da própria procura
de talentos, é também necessário adequar os perfis dos
currícula de ensino da ciência e torná-los coerentes para os
Jovens, motivando-os para as carreiras científicas e tecnológicas.
Promoção e Criação de Centros de Excelência
A PNCTI visa a constituição de equipas com as massas
críticas indispensáveis à qualidade da produção de conhecimento, desenvolvimento científico e tecnológico e inovação,
sem as quais não é possível ter resultados de qualidade e contribuir significativamente para o desenvolvimento nacional.
No entanto, é necessário encontrar um equilíbrio entre a
necessidade de concentração de recursos para a qualidade dos
resultados e a capacitação das instituições de ensino superior
que servem as populações das diferentes regiões.
Estas instituições devem ter capacidade para formar quadros altamente preparados, tendo em conta aos desafios da
sociedade e do desenvolvimento de Angola.
Criação e Reforço da Base Material
Capacitação das Instituições Científicas
O SNCTI requer a criação de novas infra-estruturas e
recuperação das existentes, dotando as instituições científicas
de equipamentos e materiais, bem como assegurando a
sua manutenção, com ênfase para as das áreas de incidência.
A PNCTI visa, assim, o apoio à capacitação das instituições científicas com infra-estruturas, criação de bibliotecas,
aquisição de equipamentos e acervo bibliográfico, a nível
nacional e local para todas as áreas de conhecimento, com
ênfase para as de incidência da PNCTI. O reforço das infra-
-estruturas e da base material deve ser feita através de parcerias ou acordos de cooperação.
Acesso ao Conhecimento Produzido a nível Mun-
dial através do Acesso a Bibliotecas On line (b-on)
As instituições científicas recorrem cada vez mais ao uso
de tecnologias de informação e comunicação para acompanhamento em tempo real (on line) do conhecimento científico
e tecnológico. Uma forma de acompanhar a evolução do
conhecimento é através do acesso on line a revistas científicas internacionais e actualizadas com elevado reconhecimento científico.
Criação de Bibliotecas Físicas
Independentemente do acesso a publicações on line, é
necessário promover a aquisição de acervo bibliográfico e
criação de bibliotecas que sirvam às necessidades de consulta
de bibliografia destinada à divulgação da ciência e da tecno-
logia e as necessidades de apoio à formação, designadamente
nas instituições de ensino superior.
Recuperação e Conservação do Património Cien-
tífico e Tecnológico Angolano
A PNCTI visa a recuperação ou restabelecimento do
acervo bibliográfico de reconhecida importância existente no
país, levado de Angola ou publicado no exterior. Do mesmo
modo, tem como objectivo a conservação do património
recuperado e do que venha a ser produzido no futuro.
Promoção e Criação de Parques Tecnológicos e
Incubadoras de Empresas
Esta actividade deve ser levada a cabo de forma equilibrada pelas diversas regiões do país, tendo como objectivos:
a criação de parques tecnológicos que promovam uma cultura
de inovação e da competitividade nas empresas e instituições
baseadas no conhecimento que lhes estão associadas; e
fomentar a criação de incubadoras que permitam apoiar a
transformação de idéias em projectos concretos que venham
a contribuir para o desenvolvimento de empresas de base
tecnológica.
Cooperação Científica e Tecnológica
Cooperação Científica e Tecnológica a Nível
Nacional
A PNCTI fomenta a criação e articulação de redes e de
centros de excelência, de forma a compatibilizar a capacidade de produção de conhecimento avançado com a capacidade de oferta regional de ensino superior. Visa, igualmente,
a promoção da participação das empresas, tendo em vista a
transferência de tecnologia para o sector produtivo.
Assim, é objectivo promover a assinatura de acordos de
cooperação científica e tecnológica interinstitucional e
incentivar a criação e adesão a redes nacionais que facilitem
a cooperação científica e tecnológica entre investigadores e
técnicos.
Intercâmbio e Cooperação Regional e Internacional
No quadro regional e internacional, a PNCTI promove o
estabelecimento de parcerias e a participação em redes e projectos relevantes para o desenvolvimento de Angola, assim
como a criação de oportunidades de intercâmbio regional e
internacional de docentes e investigadores.
Este objectivo requer a identificação de actividades científicas comuns com os países da região e da comunidade
internacional, assim como a assinatura de acordos de cooperação científica com instituições da região e da comunidade
internacional.
Neste contexto, é incentivada a adesão de instituições
nacionais a clusters regionais e internacionais de forma a
aumentar a troca de experiências com cientistas e técnicos
de países da região e da comunidade internacional.
Quadro Legal e Institucionalização do SNCTI
Institucionalização do SNCTI
A institucionalização do SNCTI tem como finalidade
promover, implementar, aperfeiçoar e salvaguardar o
funcionamento das instituições de investigação científica e
desenvolvimento tecnológico e dos seus actores, assim como
clarificar a sua articulação.
Formulação de um Mecanismo de Coordenação
do SNCTI
A formulação de um mecanismo de coordenação deve
contribuir para melhorar a coordenação e articulação dos
intervenientes do SNCTI, optimizando a utilização dos
recursos humanos e materiais colocados à disposição da CTI.
Divulgação dos Indicadores de CTI e outros dados
que resultem da Avaliação dos Integrantes do
SNCTI
A divulgação destes parâmetros é de capital importância
para se aferir sobre o impacto do investimento na I&D, a
integração dos resultados da investigação na vida nacional e
consequente desempenho do SNCTI.
Realização de actividades que promovam o
Registo e Protecção da Propriedade Intelectual
A protecção dos direitos de propriedade intelectual deve
ser considerada como fundamental, ao mesmo tempo que
devem ser criadas condições para se assegurar o princípio de
direito ao acesso à informação e partilha de conhecimento.
Este pressuposto é de vital importância para o progresso científico e tecnológico.
Registo e Protecção dos Direitos de Autor sobre
Obras Académicas e Científicas, incluindo sobre o
Conhecimento Tradicional
O registo e a protecção dos direitos de autor sobre obras
académicas e científicas, incluindo sobre o conhecimento tradicional, é uma componente essencial ao funcionamento do
SNCTI.
Contribuição da Ciência, Tecnologia e Inovação para
o Desenvolvimento Sustentado de Angola
Promoção da Cultura Científica
Para se atingirem resultados que efectivamente possam
popularizar o conhecimento, aumentar substancialmente a
cultura científica, tecnológica e de inovação da população em
geral e ao mesmo tempo elevar a consciência sobre a impor-
tância da CTI devem ser alcançados os seguintes objectivos
específicos:
Promoção e Garantia da Divulgação Científica
A divulgação científica visa alcançar a meta da partilha do
conhecimento científico e tecnológico e manter a sociedade
informada sobre as actividades de investigação e, também,
para elevar o nível de cultura científica da população, designadamente através dos meios de comunicação de massa e
incluindo o recurso as línguas nacionais.
Implementação da Ciência Interactiva
A ciência interactiva é o processo mais poderoso para ele-
var a consciência pública sobre a prioridade da CTI e facilitar o acesso ao conhecimento em tempo real.
Comunicação Directa e Sistematizada entre a
Comunidade Académica e Científica e a Sociedade em Geral
E importante estabelecer esta comunicação para que os
académicos e investigadores vão ao encontro dos reais problemas ou preocupações da sociedade e para que esta perceba melhor a actividade desenvolvida pela comunidade
científica.
Massificação do Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação
A massificação do uso das TIC e a promoção do acesso à
Internet tendem a acelerar a integração da população, rumo
à edificação de uma sociedade de conhecimento e viabilizam
O acesso ao ensino à distância.
Ensino das Ciências Básicas
É premente que se reforce o ensino das ciências básicas
(matemática, física, química, biologia e: tecnologias de informação), desde o ensino de base ao superior, como forma de
motivar os jovens para a ciência e à tecnologia, como ponto
de partida para a formação de quadros que possam efectivamente constituir a base para impulsionar o desenvolvimento
científico, tecnológico, industrial e humano de toda a população.
Resposta a Questões de Defesa, de Segurança,
Sociais, Culturais e Ambientais
Contribuição para o Reforço da Soberania,
Defesa, Segurança Nacional e Protecção Civil
A PNCTI visa o fomento da autonomia da vida nacional,
incluindo as áreas especializadas como defesa e segurança
nacionais, através da incorporação dos avanços da CTI nos
núcleos especializados do Exército Nacional e da Polícia
Nacional, dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Serviços de Migração e Fronteira e Serviços Prisionais.
Assim, é objectivo a capacitação científica e tecnológica
das instituições para o cumprimento da constituição e a
contribuição científica para apoiar o Estado e a sociedade em
geral para acudir a situações de emergência como catástrofes
naturais.
As situações de emergência podem ser prevenidas, desde
que as estruturas vocacionadas para tal façam recurso a
várias fontes de monitorização e recolha de dados, particularmente de base científica.
Promoção e Garantia da Responsabilidade Social
da CTI
A responsabilidade social da CTI passa pela promoção de
princípios e atitudes, designadamente: a promoção da ética,
bioética, biossegurança e responsabilidade social, a promoção do princípio da valorização das potencialidades do País;
a promoção da equidade, pluralidade e inclusão social; o uso
da CTI para fins pacíficos.
A responsabilidade social traduz-se, ainda, por assegurar
o direito à informação da sociedade em geral sobre as actividades científicas, tecnológicas e de inovação e a criação de
condições para que o acesso a esta informação seja efectivo,
correspondendo às expectativas dos cidadãos.
Educação da População para a Conservação e
Utilização Sustentável da Biodiversidade e de
outros Recursos Naturais
A conservação e utilização sustentável dos recursos
naturais requerem a alteração de atitudes e, consequentemente, a educação da população para esse fim. Os membros
da sociedade devem fazer uso sistemático do conhecimento
técnico-científico para promover a conservação e utilização
sustentável dos recursos naturais, protecção do ambiente
em prol do equilíbrio da biosfera e bem-estar das populações.
Promoção das Respostas às Situações de Emergência e aos Efeitos das Alterações Climáticas
As situações de emergência requerem o recurso ao
conhecimento técnico-científico e a sua sistematização para
ser utilizado quando necessário. Por seu lado, os efeitos das
alterações climáticas devem ser objecto de investigação e
ser antecipados, tendo em vista a resposta adequada, visando
preservar o bem-estar das populações.
Promoção e Garantia da Participação da Mulher
nas Actividades de Ciência, Tecnologia e Inovação
É necessário desenvolver estratégias e políticas que facilitem o acesso das mulheres aos conhecimentos de CTI e a
participação simultânea das mesmas, de forma plena e equitativa, em todos os campos da actividade científica, nomeadamente através da criação de prémios ou incentivos para
promover a excelência e dedicação da mulher cientista.
Promoção da Valorização do Conhecimento
Tradicional e Cultura dos Povos de Angola
Devem ser levadas a cabo acções tendentes a assegurar o
aumento do apoio às actividades voltadas para os sistemas e
locais de conhecimento tradicionais, nomeadamente a sua
sistematização, registo e protecção, assim como a promoção
da divulgação e valorização das aplicações do conhecimento
tradicional, incluindo as línguas nacionais.
A cultura angolana deve ser objecto de apoios para a
investigação, de forma a consolidar e reforçar o conhecimento actualmente existente, assim como acções de divulgação.
Desenvolvimento Económico e Empresarial
Incentivo à Inovação Tecnológica e de Novos
Produtos
A transferência de tecnologias deve ser acompanhada de
uma avaliação do seu possível impacto sobre as populações
e sociedades. Simultaneamente, as investigações em busca
de um desenvolvimento limpo, como é o caso de energias
limpas e do uso eficiente da energia, devem receber forte
apoio dos sectores público e privado.
Implementação de Licenciamento Tecnológico e
Defesa do Consumidor
A introdução de tecnologias no mercado nacional deve
ser acompanhada da sua avaliação e licenciamento, legislando-se sobre os processos de licenciamento.
Os produtos e serviços disponíveis no mercado angolano
devem ser objecto de avaliação que permita apoiar a acção
das instituições responsáveis pela defesa do consumidor,
designadamente o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor.
Promover a Integração dos Resultados Alcançados na Investigação Científica e Inovação Tecnológica no Sector Produtivo
Devem ser criadas condições que estimulem e facilitem a
inserção do conhecimento técnico-científico nas políticas
sectoriais e estratégias de desenvolvimento sustentável.
Acção da CTI na Governação
A participação na promoção da democracia e do reforço
da boa governação, caracterizada pela transparência, equidade social e governação participativa, a CTI deve socorrer-
-se da inclusão do conhecimento técnico-científico nas
políticas sectoriais e estratégias de desenvolvimento sustentável. Para tal, há que reforçar a parceria das instituições de
ensino superior e investigação e o empresariado e outras
organizações da sociedade civil.
Promoção de uma Governação Assente em Prin-
cípios Científicos, Tecnológicos e de Inovação
É objectivo da PNCTI disponibilizar informação de base
científica passível de suportar a tomada de decisões do Executivo e de outros organismos da administração do Estado,
assim como incentivar as autoridades locais para uma maior
inserção dos preceitos da CTI nos programas de desenvolvimento comunitário, devendo o Estado, através das organizações da sociedade civil, promover o desenvolvimento e
aplicação de técnicas locais e a transferência de tecnologias
apropriadas no desenvolvimento comunitário.
Aumento da Utilização das TIC na Acção da
Governação
O Estado deve incentivar os mais variados serviços do
sector público e privado a acelerarem a informatização dos
seus serviços em prol do aumento da qualidade dos mesmos,
bem como promover uma maior utilização do portal do Executivo por parte dos actores políticos e dos cidadãos.
A massificação da utilização de facilidades como o portal do Executivo é de importância estratégica, já que manter
a sociedade informada sobre os programas e principais
acções desenvolvidas pelo Executivo, é um direito constitucional e uma acção governativa de proximidade entre governantes e governados.
Financiamento do Sistema Nacional de Ciência,
Tecnologia e Inovação
Financiamento
O financiamento da CTI em países em vias de desenvolvimento como Angola é uma matéria sensível, visto que se
deve apostar fortemente na erradicação da fome e no combate
à pobreza e, ao mesmo tempo, investir em I&D. Todavia, é
cada vez maior o consenso de que a C&T desempenha um
papel preponderante na promoção do desenvolvimento socioeconómico. Como tal, nestas condições, deve aumentar-se
significativamente o financiamento da CTI para se dar resposta às actividades ou acções que visam reforçar o funcionamento do SNCTI e consequente aumento da produção
científica e tecnológica capaz de impulsionar o desenvolvimento socioeconómico nacional sustentável.
Para se responder satisfatoriamente às necessidades de
financiamento do SNCTI e efectivar as actividades de I&XD
devem ser realizados os seguintes objectivos específicos:
Financiamento da Capacitação dos Recursos
Humanos
O objectivo do financiamento é aumentar quantitativa e
qualitativamente os recursos humanos para que seja possível
fazer funcionar, com qualidade, o SNCTI.
Financiamento das Actividades de Investigação
O objectivo é apoiar efectivamente a actividade, segundo
linhas de investigação assentes no Programa do Executivo e
outras prioridades da sociedade angolana.
Financiamento da Divulgação do Conhecimento
É importante promover e assegurar o financiamento
necessário à popularização da ciência para que seja efectiva
a aceleração da edificação de uma sociedade de conhecimento.
Financiamento para a Criação e Reforço da Base
Material
A manutenção e conservação das infra-estruturas e meios
de investigação, são tão importantes como a obtenção dos
mesmos. Por isso, a alocação de fundos para se cumprir
este desiderato deve permitir criar as condições para que os
docentes e investigadores disponham dos meios indispensáveis à produção de conhecimento.
Financiamento da Cooperação
A participação em redes e parcerias regionais e intemacionais, assim como o funcionamento de redes nacionais,
requer a disponibilidade de financiamento para que se efective e produza resultados.
Captação de Fundos para a CTI
O Estado deve fomentar e assegurar o financiamento da
CTI, sendo a principal meta a criação de condições para atrair
financiamentos, extra OGE, de parcerias público-privadas.
Áreas de Incidência da PNCTI
Actualmente, a economia angolana é largamente dependente de indústrias extractivas, sobretudo petróleo e diamantes. O Executivo (o Governo) fez da diversificação da sua
economia uma prioridade.
A diversificação da economia angolana passa pelo
aumento dos níveis de profissionalização dos recursos
humanos envolvidos e pelo reforço da capacidade tecnológica.
O diagnóstico solicitado pelo Executivo da República de
Angola e realizado pelas Nações Unidas, sob a égide da
Comissão das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), recomenda para o desenvolvimento da
ciência, tecnologia e inovação em Angola, as seguintes áreas
prioritárias:
* Educação, Cultura e Formação Profissional;
* Ensino Superior;
* Agricultura e Pescas;
* Telecomunicações e Tecnologias de Informação;
* Indústria, Petróleo, Gás e Recursos Minerais:
* Saúde:
* Recursos Hídricos;
* Energia;
* Ambiente.
Educação, Cultura e Formação Profissional
O ensino da ciência enfrenta problemas similares em
quase todo o mundo. Em grande parte dos países há uma
gritante carência de educadores e entusiastas do ensino
da ciência. Apesar dos esforços observados nos últimos anos, a incorporação de áreas tão importantes do saber
que preocupam o ambiente, a saúde pública, as energias
renováveis, o empreendedorismo e outros aspectos relacionados nos curricula escolares, carece de uma maior atenção.
Angola precisa de dar passos firmes para a popularização
da ciência, envolvendo instituições de ensino geral e universitário, centros de investigação, museus, comunicação social
e ONG, para que as crianças comecem a ganhar, desde cedo,
o gosto pela ciência. Deve adoptar-se uma estratégia que
fomente e apoie o ensino da ciência desde a escola primária
até as instituições de ensino superior.
Deve definir-se, de forma clara, o nível de abordagem ou
entendimento científico que se espera em cada nível ou etapa
de ensino, encorajando-se a incorporação destes aspectos e
respectiva metodologia nos curricula escolares.
Por isso, é actual a necessidade de se apostar cada vez
mais numa formação profissional de qualidade para corresponder às exigências do mercado de trabalho neste domínio.
Uma das estratégias de formação de técnicos básicos
e/ou médios de elevada competência pode ser a aposta
estratégica em alianças com o sector produtivo. O subsistema
de ensino técnico profissional pode tirar inúmeras vantagens
organizando, por exemplo, internatos temporários com
empresas com um grande potencial de know-how, como a
Sonangol e a Endiama, para que técnicos destas companhias
possam fazer a transmissão de conhecimento em tempo real,
participando na educação nacional e nos programas de formação média técnica e de formação profissional básica.
Para se alcançar este desiderato, deve ser desenvolvida
uma abordagem mais colaborativa (mais trans versal) entre o
Ministério da Educação e os demais parceiros da sociedade
envolvidos na formação profissional.
O sector da cultura em Angola tem a principal responsabilidade da preservação e desenvolvimento das manifestações culturais como forma de assegurar a identidade da nação
angolana. Para além disso, o sector deve conceber medidas
globais no quadro da preservação e desenvolvimento da cultura, desenvolver a acção nas áreas do património cultural,
da criação artística e literária da acção cultural da investigação científica no domínio da história das línguas nacionais e
da cultura; valorizar os factores de identidade cultural da
população angolana; promover os valores culturais susceptíveis de favorecer o desenvolvimento económico e social;
coordenar e executar a política de desenvolvimento de instituições e indústrias culturais: conceber e garantir a execução
de políticas culturais; e promover a cooperação cultural com
outros países e instituições congéneres.
Ensino Superior
A formação avançada e a qualificação de recursos humanos da investigação é uma prioridade da PNCTI, que visa
acelerar a convergência das qualificações científicas dos
recursos humanos nacionais para os níveis que se observam
na generalidade dos países da região onde Angola está inserida, em particular no que respeita à formação pós-graduada.
À formação dos recursos humanos através de cursos de pós-
-graduação, deve ser encarada como uma estratégia para
fomentar as actividades de investigação, fortalecer as equipas
de pesquisa existentes e reforçar as capacidades institucionais.
Para que isso se observe de forma natural é premente que
sejam criados incentivos e centros de excelência de conhecimento, o que passa pela implementação de um Sistema de
Avaliação da Qualidade de Ensino e Investigação independente e isento.
Os programas de formação avançada e qualificação de
recursos humanos são objecto de tratamento conjunto entre o
órgão responsável pelo ensino superior e os demais organismos do sector, cuja função concorre para que sejam alcançadas as metas preconizadas, dando particular ênfase à
satisfação das demandas do sector produtivo.
Torna-se premente que as instituições de ensino e investigação elaborem um plano de formação que defina metas
claras que permitam, efectivamente, a elevação dos níveis
científicos (especialização) dos seus quadros, tendo em vista
a integração das actividades de pesquisa, o aumento da produção científica e tecnológica e corresponder, cada vez
melhor, às demandas do sector produtivo e da sociedade em
geral.
Para o efeito, sempre que possível, deve fomentar-se a
formação in situ (em Angola), em relação ao exterior do país.
O sistema de formação dos quadros científicos deve ser
escalonado de forma clara e tendo em conta as necessidades
para cada nível de formação dos candidatos e as reais necessidades das instituições.
É de assinalar que a criação das novas universidades
públicas, para além de desenvolver oportunidades de formação nas províncias do interior, despoletou um processo inédito de levar quadros altamente qualificados às províncias.
Ainda assim, devem ser aproveitadas as vantagens da
implementação do ensino à distância e ao longo da vida, com
vista a uma adaptação ou inserção rápida dos novos conhecimentos nos processos produtivos.
Contudo, sem desprimor para as áreas em questão, a Gestão, a Economia e o Direito parecem ser o campo de estudo
preferido pelos estudantes em detrimento das Ciências e da
Engenharia. Deve envidar-se esforços para que as instituições de ensino superior tenham, pelo menos, uma área de
referência que se identifique com as áreas de incidência da
PNCTI, visando um rápido e equilibrado crescimento científico e tecnológico do País.
A educação e treino profissional dos recursos humanos
constituem uma prioridade no domínio da formação e desenvolvimento integral do homem. A formação de engenheiros,
técnicos em ciências exactas (Matemática, Física, Química,
Tecnologias de Informação, Biologia) é de extrema importância, tendo em vista o reforço das instituições de investigação e desenvolvimento tecnológico, com ênfase para as
principais áreas de incidência da PNCTI.
O objectivo final é que os recursos humanos saídos das
Escolas e Universidades se transformem numa massa crítica
capaz de impulsionar o desenvolvimento e a inovação
tecnológica de que carece o sector produtivo nacional.
Agricultura e Pescas
A diversificação da economia angolana pressupõe, antes
de tudo, o aumento da auto-suficiência alimentar, tanto em
proteína de origem vegetal como animal, sendo este um
requisito fundamental para se responder de forma positiva
aos desafios da erradicação da fome, luta contra à pobreza e
aumento da segurança alimentar e nutricional.
Segundo a Conferência Mundial sobre a Gestão Integrada
de Oceanos, Zonas Costeiras e Ilhas, realizada em Abril de
2008 em Hanoi/Vietname, para se alcançar uma gestão efectiva das áreas em questão, deve adoptar-se o «princípio do
ecossistema» (a nível local, regional e internacional). Para
tal, é necessário o envolvimento de todas as forças e parceiros sociais, em particular das Autoridades Locais. Este princípio é, também, extensivo à gestão de outros ecossistemas
terrestres, das águas continentais e ribeirinhas.
Cumpridos os pressupostos dos objectivos específicos, a
incidência da PNCTI na agricultura e pescas deve contribuir
para se alcançar o seguinte:
* Implementar uma agricultura intensiva, baseada em
tecnologias que propiciem o aumento da produtividade em harmonia com o ambiente:
* Aumentar a segurança alimentar e nutricional;
* Aumentar a produção de alimentos em consonância
com os princípios da bioética;
* Criar infra-estruturas para a produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas;
* Incentivar a prática da agricultura biológica;
* Utilizar tecnologias que permitam tirar maior rendimento da exploração de recursos marinhos, assegurando, ao mesmo tempo, a continuidade das
espécies e a sanidade do meio.
Telecomunicações e Tecnologias de Informação
As TIC facilitam a criação e difusão do conhecimento em
sociedades inovadoras. Um pré-requisito fundamental para
uma Sociedade Angolana de Informação é a modernização
do sector das telecomunicações, actividade iniciada recentemente.
Para além da informatização dos processos produtivos e
órgãos da administração e da integração desta componente
nos processos de ensino e investigação científica, uma atenção especial deve ser dada à massificação do uso das TIC a
nível de toda sociedade. A CTI pode contribuir para o
desenvolvimento da computação, nomeadamente:
* Aumentando significativamente o número de utilizadores e meios informáticos e de comunicação;
* Facilitando o acesso à Internet e serviços afins;
* Integrando a componente das TIC nos processos de
ensino e produção nacional;
* Aumentando o número de utilizadores de telemóveis
e melhorando o serviço prestado ao consumidor;
* Promovendo a criação de condições para a captação
do sinal de rádio e TV em todo território nacional.
A gestão do domínio <«<ao», à semelhança do que acontece em tantos outros países do mundo, recai numa entidade
pública com um forte cariz científico, tal como é o caso da
UAN.
Neste contexto, a gestão normativa do domínio <«<ao»
deriva dos pressupostos da investigação tecnológica e inovação exercida, primordialmente, pelas instituições do
ensino superior, cuja tutela directa e transversal é exercida
pelo órgão reitor da Política Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação no País, o que é corroborado pela história de
desenvolvimento da internet no mundo e em Angola.
Diz-nos a história que o desenvolvimento da internet
ficou a dever-se em grande medida à passagem da gestão da
mesma pelo meio académico, por um lado, e a fraca intervenção do Estado na sua regulação, por outro. Contudo, o
órgão reitor da política de investigação no país deve concertar-se com outros organismos estatais, como é o caso do
órgão responsável pelas Telecomunicações e Tecnologias de
Informação.
Esta coordenação é essencial à adopção das medidas
necessárias à criação e construção das infra-estruturas, bem
como a adopção de todos os actos e medidas de operacionalização, necessários ao funcionamento da internet em Angola.
Para além da dinâmica que se introduz na utilização do
domínio, a manutenção física da gestão do domínio em
território nacional é essencial ao próprio desenvolvimento do
sector das Tecnologias de Informação em Angola, já que a
difusão das Tecnologias de Informação permite uma maior
utilização do domínio em prol da investigação, do conhecimento e da difusão do saber.
Apesar da gestão do domínio <«<ao»» ser de competência
soberania digital do órgão reitor da política de investigação
e a difusão das Tecnologias de Informação para a sua maior
utilização competir ao órgão reitor das telecomunicações e
tecnologias de informação, é da competência do Titular do
Poder Executivo definir a política de gestão do domínio
de topo «<ao»» (Country Code Top Level Domain - ccTLD),
que universalmente é conhecido por DNS (Domain Name
System).
A política de gestão do domínio de topo <<ao» é elaborada
com respeito pela experiência acumulada por Angola e pelas
melhores práticas internacionais sobre esta matéria, sem
descurar a consulta da sociedade civil.
Indústria, Petróleo, Gás e Recursos Minerais
O IDE (Investimento Directo Estrangeiro) em Angola
está fundamentalmente concentrado no sector petrolífero,
caracterizado por enclaves geograficamente isolados devido
às fracas ligações com as empresas nacionais.
Nos dias que correm, pode-se ainda constatar um baixo
índice de joint ventures efectivamente estabelecidas, particularmente no que se refere à transferência de conhecimento
e tecnologias. Estes aspectos e a questão de uma maior ligação à indústria local devem ser melhorados.
Dado o seu domínio na economia nacional, a ligação à
indústria local deve proporcionar oportunidades de obtenção
de vantagens do seu elevado desenvolvimento em CTI.
A implementação dos objectivos emanados pela visão e
missão da PNCTI sobre este sector deve contribuir para se
alcançar o seguinte:
* «Angolanizar» a Indústria Petrolífera, à luz do programa lançado em 1982;
* Investir com meios nacionais para a melhoria efectiva da protecção ambiental, infra-estruturas terrestres e plataformas petrolíferas;
* Reforçar a actividade de fornecedores locais e assegurar o princípio de complementaridade entre as
mesmas;
* Ampliar as iniciativas que privilegiam uma produção petrolífera e de seus derivados cada vez mais
limpa.
Angola é o quarto maior produtor mundial de diamantes
brutos, sendo que no contexto da economia angolana estes
constituem cerca de 6% do total de exportações, ocupando a
segunda posição depois do petróleo.
Angola também é rica em outros minerais que, tal como
os diamantes, precisam de ser explorados de forma racional,
de forma a provocar os menores danos ambientais possíveis,
promovendo um desenvolvimento integrado.
O sector industrial tem de continuar a dar passos significativos de modo a permitir ao País a redução gradual da
dependência do petróleo e dos outros recursos minerais.
Paralelamente, a presença da Ciência, Tecnologia e Inovação
no seu seio deve crescer na mesma proporção. Esta estratégia vai permitir a diversificação, de forma sustentada, das
fontes de receita e criar as bases necessárias para o relançamento ou surgimento de um verdadeiro parque industrial,
apostando-se sobretudo em sectores como a indústria de
transformação, a agro-indústria, a indústria pesqueira, a
indústria energética.
A modernização deste sector tendo em conta os pressupostos da visão e da missão da PNCTI deve visar o seguinte:
* Apostar na investigação científica e tecnológica que
apoie especificamente o sector;
* Promover a criação e funcionamento de laboratórios
de contolo de qualidade nas empresas e, na sua
falta, o surgimento de laboratórios centrais nas
províncias de forma a suprir as necessidades da
indústria local;
* Fomentar a cooperação multifacetada das empresas
industriais com as IES e com as instituições de
I&D:
* Apostar na inovação tecnológica e incentivar a sua
generalização na maioria das empresas industriais;
* Alargar, para todos os integrantes do sector das
indústrias extractivas, a transferência de conhecimento e de tecnologias modernas que permitam a descobertas de novos depósitos e jazidas;
* Integrar a componente ambiental em todas as fases
de prospecção, exploração e abandono das instalações e campos de exploração;
* Usar as receitas diamantíferas para se promover a
formação de quadros e aquisição de tecnologias
apropriadas para impulsionar o desenvolvimento
agro-industrial, com ênfase para as regiões onde
são extraídos os minerais.
Recursos Hídricos
Angola é caracterizada por uma rede hidrográfica que se
expande praticamente por todo território nacional, assumindo-se como uma importante reserva mundial deste
recurso tão precioso quanto estratégico.
A implementação dos pressupostos da visão e missão da
PNCTI deve permitir tirar melhor partido dos imensos
recursos hídricos de que o país dispõe, satisfazendo as
necessidades da população em água potável tão importante
para a melhoria da saúde pública, tanto nas áreas urbanas
como rurais.
Assim, espera-se que a PNCTI contribua para o seguinte:
* Melhorar significativamente os níveis de abastecimento da população em água potável;
* Aproveitar a disponibilidade de recursos hídricos
para impulsionar a produção agrícola:
* Avaliar o potencial hídrico;
* Propor modelos de gestão e de uso racional da água
para uma melhor planificação dos recursos
hídricos;
* Criar reservas estratégicas de água para contrapor ao
aumento da escassez deste recurso:
* Melhorar o ordenamento da orla fluvial e criar condições de habitabilidade para as populações
ribeirinhas, em locais equidistantes, de forma a
evitar a permanente contaminação da qualidade
da água.
Saúde
Para uma melhor prossecução dos objectivos do sector é
relevante que se aposte na prevenção e se reforce a cooperação interinstitucional, a nível interno e com centros ou serviços de referência na região e noutros países da comunidade
internacional.
A estratégia nacional de saúde deve habilitar-se ao reforço
da sua capacidade de cobertura e resposta, investindo seriamente na investigação para que, tanto através de mecanismos
convencionais como de outras soluções inovadoras, sejam
dadas respostas adequadas às mais diversas situações de
saúde pública.
Neste contexto, efectivados os pressupostos científicos,
tecnológicos e de inovação da visão e da missão da PNCTI,
a CTI pode contribuir para que seja alcançado o seguinte:
* Melhorar o funcionamento da rede fixa de cuidados
de saúde, das unidades de saúde móveis e das
acções de base comunitária;
* Introduzir tecnologias de ponta aos mais diversos
níveis de prestação de serviços de saúde e apoio
hospitalar, visando a melhoria substancial do diagnóstico em qualquer fase de desenvolvimento da
enfermidade:
* Desenvolver métodos de trabalho que promovam
equipas médicas interinstitucionais, com o intuito
de reforçar a cooperação inter-hospitalar, optimizar o uso dos equipamentos disponíveis,
melhorar os diagnósticos e aumentar as possibilidades de cura dos pacientes;
* Adequar o sistema de financiamento do sector e a
gestão administrativa hospitalar de forma a assegurar a implementação de políticas do sector da
saúde, assim como permitir avaliar o impacto dos
programas de saúde noutros sectores e na sociedade em geral;
* Criar um sistema de armazenamento de dados epidemiológicos e meios de vigilância necessários
para monitorizar e enfrentar a propagação das
doenças existentes e a ressurgência das controladas;
* Incentivar a investigação em Ciências de Saúde em
geral e dos remédios tradicionais em particular;
* Promover uma maior integração e complementaridade entre a medicina convencional e tradicional.
Energia
Um fornecimento mais fiável e acessível de energia a
uma área geográfica mais vasta poderia sustentar o crescimento da agro-indústria. Vastas oportunidades para a aplicação da CTI e para apropriação de tecnologias podem ser uma
realidade com a expansão da rede eléctrica nacional, a construção de barragens e o aproveitamento de fontes renováveis
de energia.
Os investimentos para o desenvolvimento das energias
alternativas podem ser obtidos a partir dos rendimentos da
indústria extractiva, como o petróleo e os diamantes.
Outro elemento essencial a considerar é o aumento da
consciência pública em relação à necessidade de uma maior
racionalização do consumo de energia, para que o sistema
possa suprir as necessidades energéticas de mais consumidores.
A introdução de normas e regulações de eficiência energética em aparelhos e tecnologias manufactureras deve constituir uma aposta para a rentabilização da rede eléctrica
convencional, sendo que o desenvolvimento das energias
renováveis ou altemativas deve, ao mesmo tempo, ser priorizado.
Assim, a CTI pode contribuir para que seja alcançado o
seguinte:
* Melhoria do transporte e distribuição da energia eléctrica;
* Melhoria da capacidade de gestão do consumo da
energia eléctrica;
* Desenvolvimento hidroeléctrico, incluindo mini-barragens;
* Integração das energias alternativas na rede nacional eléctrica.
Ambiente
A aposta na educação ambiental deve ser intensificada e
os resultados das suas acções devem ser espelhados em
números estatísticos para se aferir, com maior propriedade,
sobre a alteração de comportamentos na sociedade, a melhoria da condição ambiental e impacto na saúde pública.
Esta actividade deve ser acompanhada pela realização de
estudos e acções de monitorização ambiental com vista ao
estabelecimento do nível de contaminação dos efluentes,
da água nos rios e na rede doméstica, das praias e outros
lugares de lazer, enfim , de poluição das áreas de residências.
De igual modo deve dedicar-se uma especial atenção no
estabelecimento de números quantitativos e qualitativos
sobre o impacto das alterações climáticas para se tomarem
medidas referentes à adaptação e mitigação dos seus efeitos.
Assim, a PNCTI deve contribuir para os seguintes objectivos:
* Promover a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos naturais;
* Promover o desenvolvimento limpo (energia renovável, redução das emissões de carbono, etc);
* Avaliar o nível de poluição das áreas de residência e
dos ecossistemas;
* Promover o princípio de gestão do ecossistema para
assegurar a exploração sustentável e a conservação dos recursos naturais nos ecossistemas
terrestres e aquáticos;
* Realizar estudos para o estabelecimento do real
impacto das alterações climáticas.
Instrumentos e Gestão da PNCTI
1 Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação,
definido como o conjunto dos recursos científicos e tecnológicos nacionais — humanos, financeiros e institucionais —
e das actividades envolvendo a criação, a difusão e a aplicação de conhecimento, constitui, reconhecidamente, um
instrumento de vital importância para o desenvolvimento
do País.
O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
tem como função principal integrar todos os elementos que
participam em actividades de investigação Científica e de
Inovação.
São integrantes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) o conjunto de pessoas individuais
e/ou colectivas, suas respectivas tutelas, que se dedicam à
investigação científica, ao desenvolvimento tecnológico e à
inovação, o seu respectivo potencial científico tecnológico e
de inovação, interligados através de mecanismo próprio,
coordenado pelo Departamento Ministerial responsável pela
Política de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Em Angola, com a criação dos então Estudos Gerais e os
Institutos de investigação nos anos sessenta, formaliza-se o
início do funcionamento do sistema.
Este sistema foi-se tornando cada vez mais dinâmico,
contribuindo para a resolução de problemas, através de programas e projectos de investigação concretos, com destaque
para os projectos na área agrícola, por exemplo, o caso do
milho no Planalto Central e o fabrico de vacinas para animais, tendo este último chegado a ser uma importante referência ao nível de África.
Hoje, com os novos desafios de reconstrução nacional e
dinamização da produção nacional, o sistema deve reforçar-
-se e melhorar a sua articulação para atender às necessidades
do País. Este reforço deve ser garantido por uma melhoria
significativa do aumento e optimização dos recursos humanos e financeiros, das infra-estruturas, assim como a coordenação e melhoria da articulação entre os diversos Departamentos
Ministeriais, instituições de ensino, investigação e empresas
públicas e privadas e demais parceiros da sociedade civil.
Fazem parte do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação (SNCTI), as instituições de investigação e inovação tecnológica públicas e privadas, incluindo Universidades, pequenas e médias empresas que desenvolvem actividades
na área de investigação científica e desenvolvimento tecnológico.
Os novos modelos de transferência de conhecimentos
gerados nas universidades, baseados na criação de consórcios universitários que têm como finalidade dinamizar grupos
de jovens empreendedores em incubadoras de empresas,
têm proporcionado excelentes resultados na inovação e competitividade.
O surgimento dos parques tecnológicos que ajustam cada
vez mais a sua filosofia, baseada na interacção com as instituições de ensino superior e investigação é, também um elemento que torna mais amplo e abrangente o SNCTI.
Em Angola, as instituições de ensino superior trabalham
no sentido de incluir nos seus programas de desenvolvimento
os modelos e infra-estruturas descritas nos parágrafos anteriores.
A complexidade que o SNCTI adquire, torna necessária
uma melhor estruturação (aperfeiçoamento) do mesmo, elemento fundamental para o estabelecimento do mecanismo de
coordenação do Sistema.
O aperfeiçoamento do SNCTI é um pressuposto importante, visto que permite fortalecer a autonomia nacional e
superar o atraso tecnológico. Para tal, é necessário mobilizar
a totalidade da capacidade instalada em termos de ensino,
investigação, iniciativas de desenvolvimento tecnológico ou
de transferência de tecnologia e de inovação, é relevante que,
onde se justificar (a nível nacional, sectorial, local, etc),
sejam implementados conselhos ou órgãos locais vocacionados para se debruçarem sobre aspectos de C&T, visando, por
exemplo, a melhoria da vida das populações, o acesso as
novas tecnologias, a incorporação dos avanços da biotecnologia, a monitorização da biossegurança, a bioética e a ética
na pesquisa. Deve-se proceder de igual forma em relação aos
organismos geneticamente modificados, aos medicamentos,
aos produtos químicos e agro-químicos, e aos impactes
ambientais e tecnológicos.
2. Estratégia Nacional de CTI
A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(ENCTI) visa estabelecer a forma e os meios necessários para
que sejam alcançados os objectivos do Executivo (Governo)
a curto e médio prazos, em conformidade com a visão e missão da PNCTI.
A ENCTI é complementar à PNCTI e vai reger-se por um
documento próprio.
3 Mecanismo de Coordenação do SNCTI
De uma forma geral, o Mecanismo de Coordenação
do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
(MCSNCTI) visa reforçar a coordenação e melhorar a articulação entre os diferentes órgãos ou instituições que integram o SNCTI.
O MCSNCTI tem como finalidade aumentar a produtividade e eficiência do SNCTI, tornando-o dinâmico e de qualidade, contribuindo para e reforço da investigação científica
e da inovação tecnológica.
O MCSNCTI deve estabelecer princípios e regras sobre
a tutela científica das instituições de investigação científica e
desenvolvimento tecnológico, o financiamento e asseguramento da gestão dos fundos do OGE atribuídos ao sector
«Ciência e Tecnologia», visando a optimização dos recursos e meios disponíveis e o aumento da eficiência do SNCTI.
A implementação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, é acompanhada e avaliada no âmbito do
Mecanismo de Coordenação do SNCTI, através de órgãos
especializados do MESCT e pelos órgãos de deliberação aos
mais variados níveis (local, sectorial e nacional).
A avaliação anual permite determinar os avanços e dificuldades encontradas na execução da presente política. De
dois em dois anos devem ser publicados os indicadores de
Ciência, Tecnologia e Inovação, como parte do processo de
monitorização e avaliação, o que permite aferir, de forma
objectiva, o impacto global dos investimentos feitos em I&D
na produção científica e inovação tecnológica.
O MCSNCTI vai reger-se por um documento próprio.
4 Indicadores de CTI
A PNCTI estabelece o apuramento dos principais Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTI) de forma a
assegurar o acompanhamento desta actividade pelo Executivo e aferir, de forma objectiva, os resultados da PNCTI e
o impacto do investimento realizado, designadamente no que
se refere à produção científica e tecnológica e à integração
dos resultados desta no sector produtivo e na sociedade em
geral.
Os ICTI constituem, ainda, uma ferramenta incontornável
para situar Angola no ranking de desenvolvimento científico
e tecnológico a nível regional e da comunidade internacional.
A recolha de indicadores de CTI deve reger-se por princípios metodológicos internacionalmente aceites para que
seja possível fazer-se uma comparação em relação a outros
países. Contudo, cada país tem a liberdade de incluir, a título
adicional, aqueles que são específicos para a sua realidade.
Com o intuito de padronizar o processo de elaboração dos
ICTI, Angola aderiu em 2004 à iniciativa do NEPAD que
adoptou os princípios metodológicos instituídos pela
UNESCO.
A recolha dos ICTI deve ser feita de forma periódica e
sistematizada, devendo os princípios de participação (direitos, deveres e obrigações) dos integrantes do SNCTI ser
estabelecidos ou regulados por um documento próprio.
5 Política de Dados de CTI
A elaboração de uma Política de Dados de CTI (PDCTI)
deriva da necessidade de promover, estimular e regular a
troca de dados e informação científica e tecnológica, principalmente nesta fase em que é premente a necessidade de se
incentivar a investigação e cooperação interinstitucional.
A criação de redes de investigação, assente no princípio
de cooperação ou colaboração efectiva, pode estar na base
de integração multidisciplinar e no aumento do sucesso na
implementação dos projectos de investigação.
Angola encontra-se praticamente numa posição privilegiada, visto que a I&D está numa fase embrionária do seu
real desenvolvimento o que, a priori, retira a carga de sobreposição e cruzamento de interesses no estabelecimento de
princípios e regras de gestão e partilha de dados e informação produzida ao logo dos tempos. A Política de Dados de
CTI vai reger-se por um documento próprio.
A PNCTI e os Novos Desafios
É importante que, de forma periódica e sistemática, se
faça uma análise (um diagnóstico) sobre a política de ciência,
tecnologia e inovação, levando em consideração as opiniões
de todos os sectores da sociedade envolvidos, de forma a conformar as estratégias de desenvolvimento socioeconómico
do País, a curto, médio e longo prazos.
Além das actuais preocupações da sociedade, a ciência,
com base no conhecimento acumulado ao longo dos tempos
e aos avanços tecnológicos, deve também habilitar-se a responder satisfatoriamente aos anseios das gerações vindouras
e aos que resultam dos efeitos negativos das alterações climáticas, grandes endemias, desastres naturais e demais preocupações como a protecção do meio, conservação e utilização
sustentável da biodiversidade e outros recursos naturais.
De entre os recursos naturais, especial atenção deve ser
dispensada à questão da água, dada a sua importância estratégica, particularmente para os próximos anos. A população
de ve ser educada a usar racionalmente este valioso recurso e
o Estado é chamado a desenvolver esforços tendentes à sua
gestão integrada e uso racional. Constitui um enorme desafio
actual a realização de tarefas em termos de ordenamento territorial, gestão de bacias hidrográficas e de águas subterrâneas, em nome da preservação e/ou melhoramento da
qualidade deste valioso líquido.
Um outro grande desafio da ciência é o reforço da consciência pública sobre a prioridade das actividades de investigação e convencer o centros decisórios e as empresas
públicas e privadas a aumentarem consideravelmente os seus
investimentos em I&D e a recorrerem, de forma sistemática,
aos achados científicos e tecnológicos para implementarem
de forma sustentada os seus programas.
Devem também ser envidados esforços no sentido de se
vencerem os estereótipos, gerados pela necessidade de
obtenção de resultados imediatos, fazendo com que, em
países em via de desenvolvimento, haja uma tendência para
se apostar mais na investigação aplicada em detrimento da
fundamental.
Dados estatísticos apresentados na 12º Reunião Anual da
CSTD (Comissão Especializada das Nações Unidas da Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento), realizada em 2009
em Genebra/Suíça, e na 1.º Conferência Nacional de Ciência
e Tecnologia de Angola, realizada no mesmo ano em Luanda,
demonstram que, contrariamente ao que se pensa, a maior
quantidade de conhecimento científico e patentes no mundo
provém da investigação fundamental.
Neste contexto, é plausível que a implementação da
PNCTI contribua para a criação de condições que tornem
possível apostar-se tanto na investigação fundamental como
na aplicada, de forma a promover um equilíbrio entre o longo
e o curto prazo, entre a produção de conhecimento e o seu
contributo para a resolução dos problemas concretos.
O 4.º Fórum Mundial realizado em Budapeste, em
Novembro de 2009, e que fez um balanço dos 10 anos de
ciência no mundo, desde a emissão da declaração de 1999,
considerou que o progresso científico depende fortemente da
relação entre a ciência e a sociedade e enfatiza que o reconhecimento da importância da CTI pela sociedade se torna
evidente quando os académicos, cientistas, engenheiros e técnicos são vistos por ela como indivíduos que efectivamente
trabalham para resolver os seus problemas.
A definição de linhas orientadoras em matéria de I&XD
deve ser acompanhada de um eficiente sistema de monitorização e avaliação de todos integrantes (pessoas singulares e
colectivas) do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação. Os órgãos a nível nacional, sectorial e local devem
integrar ou desenvolver capacidades para, de forma coordenada e articulada, participarem na formulação e implementação de políticas efectivas no domínio da CTI.
A questão da promoção e financiamento da ciência,
tecnologia e inovação nos países em desenvolvimento como
Angola é uma matéria bastante sensível, visto que, ao mesmo
tempo que se deve apostar fortemente na I&D, deve-se ter
como objectivo central erradicar a fome e combater a
pobreza. É cada vez maior o consenso de que a C&T
desempenha um papel preponderante na promoção do
desenvolvimento socioeconómico. Daí a aposta em contribuir com soluções científicas e tecnológicas para os esforços
de erradicação da fome e combate à pobreza.
O papel chave no financiamento da ciência em países
como Angola, deve ser assumido pelo Estado, sem que se
perca de vista o envolvimento de outras forças da sociedade.
O apoio da sociedade pode servir de catalisador para que
se promova o aumento significativo e captação adicional de
meios financeiros para a CTI para assegurar o investimento
mínimo de 1% do PIB, recomendado pela SADC, ou níveis
superiores como 2%, recomendados pela 1.º Conferência
Nacional de Ciência e Tecnologia realizada em Luanda
em 2009 pelo MINCIT, de modo a atingir níveis de desenvolvimento mais ambiciosos num período de tempo relativamente curto (10 anos).
A questão da optimização dos parcos recursos financeiros
destinados à I&D científica, assegurando que os mesmos
sejam efectivamente aplicados em programas ou projectos
de investigação científica e tecnológica, constitui um desafio
bastante actual. Os mais variados órgãos devem adoptar um
espírito de cooperação para que a pulverização de competências, recursos, meios e iniciativas seja vencida.
Ao mesmo tempo, urge tomarem-se medidas para suprir
os constrangimentos e elevar a motivação dos investigadores
e técnicos de apoio à investigação para que as políticas e programas de investigação elaborados sejam implementados de
forma mais eficaz. Outras condições devem ser criadas para
que as actividades científicas e de desenvolvimento tecnológico sejam totalmente profícuas, possam repercutir-se na produção nacional e impulsionar o desenvolvimento nacional
sustentável.
Num passado recente, o País praticamente não tinha um
parque industrial. Agora, a indústria cresce todos os anos e,
por isso, a ciência e a tecnologia são chamadas a apoiar o
aumento da produção deste sector. Devem ser envidados
esforços para que as instituições geradoras de conhecimento
(instituições de ensino superior e investigação) ajudem a
estimular a inovação, criatividade e transferência de tecnologias, adaptadas à nossa realidade, para o sector produtivo
nacional.
Este aspecto é fundamental, visto que, com o crescimento
do parque industrial do País, deve crescer o risco de utilização dos recursos naturais (flora, fauna, água, minerais),
aumentando o nível de ameaças à biodiversidade e agudizando a situação ambiental no seu todo.
Por isso, deste ponto de vista, o recurso à investigação é
importante. Os organismos que lidam com matérias ambientais são chamados a recorrer cada vez mais à ciência para um
diagnóstico e procurar soluções mais eficientes sobre o
estado da flora, fauna, recursos hídricos, minerais e outros,
bem como para se produzirem dados quantitativos e qualitativos sobre o real impacto da pressão demográfica e das
alterações climáticas.
A transferência de tecnologias, tanto intermédias como
de ponta, deve merecer uma fase de avaliação, adaptação e
introdução para que se evitem desperdícios e se explorem
cabalmente os equipamentos.
A plataforma de reconstrução nacional poderia ser usada
como base para a transferência de tecnologias e o lançamento
de uma base nacional de inovação tecnológica.
As TIC, como coluna vertebral de um eficiente sistema de
informação, já foram trazidas para o serviço público, mas a
implementação de uma estratégia para as TIC necessitará de
experiência e saber, não menos importante na área da política
de CTI.
A perspectiva diplomática da ciência deve ser incentivada, já que constitui um factor de união, promoção da paz
social e aproximação entre povos. Por essa razão e por ser
unânime considerar-se a CTI um factor determinante para o
desenvolvimento científico e tecnológico a que se candidata
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qualquer sociedade moderna, a C&T deve constituir uma
política de Estado e de reforço da cooperação regional e
internacional.
Conclusão
A PNCTI constitui a base para o funcionamento do Executivo no domínio da CTI,no quadro da Estratégia Nacional
de Desenvolvimento do País. Assim, a sua efectiva implementação deve garantir a produção e difusão do conhecimento, bem como o desenvolvimento tecnológico e a
inovação, com o intuito de dinamizar a produção nacional,
erradicar a fome e combater a pobreza, contribuindo para
eliminar os atrasos estruturais e promover a diversificação
da economia nacional.
A PNCTI visa também promover o reforço da coordenação e articulação global das iniciativas em matéria de ciência,
tecnologia e inovação, estimular a mais ampla e diversificada
participação dos intervenientes a todos os níveis, facilitar o
diálogo e a concertação social, participar na mobilização de
financiamentos e promover sinergias em prol da eficácia
global do desenvolvimento científico e tecnológico.
A PNCTI é um instrumento para criar as condições de
trabalho e de apoio à investigação para que o exercício desta
actividade granjeie o prestígio que nela se reconhece e a ciência seja efectivamente tida como uma área-chave da política
do Estado, tanto em matéria de governação como afirmação
de Angola no contexto das nações.
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação é,
finalmente ,a base sobre a qual assenta a Estratégia Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Mecanismo de Coordenação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, objecto de documentos complementares.
O Presidente da República, José EDUARDO DOS SANTOS.
