Preâmbulo
Decreto Presidencial n.º 196/12
Aprova o Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos Urbanos, abreviadamente designado por PESGRU.
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Resolução n.º 42/12
de 30 de Agosto
Tendo em conta que a Resolução n.º 7/02, de 21 de Maio,
aprovou o Protocolo do Acordo entre a República de Angola
e a República do Congo sobre a Unitização dos Prospectos
14K na República de Angola e A-IMI na República do
Congo;
Considerando que a natureza transfronteiriça da
Unitização pressupõe a implementação de um Regime
gosto de 2012 I Série — N.º 168
Á
AL DA REPUBLICA DE ANGOLA
Preço deste número - Kz: 2020,00
ATURA O preço de cada linha publicada nos Diários
Ano | da República 1.º e 2.º série é de Kz: 75.00 e para
si Kz: 440375.00 | a 3º série Kz: 95.00, acrescido do respectivo
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Kz: 105 700.00 | da Imprensa Nacional - E. P.
Jurídico, Fiscal e Aduaneiro Único que atenda aos interesses
dos dois Estados e das empresas participantes na Unitização;
Considerando que as estreitas relações políticas e diplomáticas existentes entre os dois países possibilitaram a
definição do quadro necessário para a aprovação da decisão
final de investimento e o consequente início de produção da
área de desenvolvimento unitizada;
A Assembleia Nacional aprova, por mandato do povo,
nos termos da alínea k) do Artigo 161.º e da alínea D) do
n.º 2 do Artigo 166.º, ambos da Constituição da República
de Angola, a seguinte resolução:
º — É aprovada a Alteração ao Protocolo do Acordo
entre a República de Angola e a República do Congo, assinado aos 10 de Setembro de 2001, sobre a Unitização
dos Prospectos 14K na República de Angola e A-IMI na
República do Congo, referentes à Área de Desenvolvimento
do Lianzi.
º — A presente Resolução entra em vigor à data da sua
publicação, com efeitos retroactivos a partir do dia 27 de
Julho de 2012.
Vista e aprovada pela Assembleia Nacional, em Luanda,
aos 8 de Agosto de 2012.
Publique-se.
O Presidente da Assembleia Nacional, António Paulo
Kassoma.
Alteração ao Protocolo de Acordo Entre a República
de Angola e a República do Congo de 10 de Setembro de 2001 Sobre a Unitização dos Prospectos J14K
em Angola e A-IMI no Congo (Actualmente a Area
de Desenvolvimento do Lianzi)
Considerando o Protocolo de Acordo entre a República
de Angola e a República do Congo sobre a Unitização dos
Prospectos 14K e A-IMI, de 10 de Setembro de 2001;
Car actéristiques:
- Papier PVC
- Filigrane Acronyme de la PME
- Arriêre-plan: Doré
- Logiciel
- Empreintes Digitales
- Scan du Code-barre
Features:
- PVC Paper
- Watermark: SME 's Acronym
- Background: Golden
- Software
- Fingerprint
- Bar Code Scanning
Características:
- Papel PVC
- Marca de Água: Sigla do SME
- Fundo Doirado
- Software
- Impressão Digital
- Leitura Código de Barra
O Presidente Assembleia Nacional, António Paulo
Kassoma.
au uu——u ua---s-—p—oÓe
PRESIDENTE DA REPUBLICA
Decreto Presidencial n.º 196/12
de 30 de Agosto
Considerando que a gestão dos resíduos constitui um
indicador do nível de desenvolvimento da sociedade, na
medida em que resultam da maioria das suas actividades de
produção e consumo, e reflectem as eficiências do sistema
económico de cada País;
Sendo a gestão efectiva e eficiente dos resíduos um factor
que garante a melhoria da qualidade de vida das populações
e a protecção do meio ambiente;
O presidente da República decreta, nos termos da alínea b) do artigo 120.º e do n.º 1 do artigo 125.º, ambos da
Constituição da República de Angola, o seguinte:
Artigo 1.º#
É aprovado o Plano Estratégico para a
Gestão de Resíduos Urbanos, abreviadamente designado p or
PESGRU, anexo ao presente Decreto Presidencial e que dele
é parte integrante.
Artigo 2.º#
As dúvidas e omissões que resultarem da
interpretação e aplicação do presente Diploma são resolvidas pelo Presidente da República.
Artigo 3.º#
O presente Decreto Presidencial entra em
vigor na data da sua publicação.
Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda, aos
18 de Julho de 2012.
Publique-se.
Luanda, aos 9 de Agosto de 2012.
O Presidente da República, José EDUARDO DOS SANTOS.
PLANO ESTRATÉGICO PARA A GESTÃO
DE RESÍDUOS URBANOS (PESGRU)
Introdução
O presente plano estabelece uma nova filosofia para
a gestão de resíduos em Angola, constituindo um suporte
essencial ao processo de desenvolvimento sustentável que a
sociedade e a economia do país têm vindo a percorrer.
Enquadramento e objectivos do PESGRU.
A importância da gestão de resíduos urbanos no desenvolvimento das nações.
A Cimeira do Rio+20, realizada em Junho de 2012 e que
regressou ao Brasil passados vinte anos da “Conferência das
Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento”,
realizada no Rio de Janeiro em 1992, pretendia um consenso
alargado sobre as medidas globais para a salvaguarda do
futuro do planeta e da qualidade de vida das gerações vindouras. A Cimeira confirmou o compromisso dos Estados para
alcançar um entendimento universal quanto ao modelo de
desenvolvimento, que ultrapasse o horizonte dos Objectivos
de Desenvolvimento do Milénio.
No contexto, a gestão dos resíduos constituem um indicador do nível de desenvolvimento da sociedade, na medida
em que resultam da maioria das suas actividades de produção e consumo, e reflectem as (in)eficiências do sistema
económico de cada país. O sistema económico metaboliza
os recursos naturais e rejeita para o ambiente o que não utiliza, nomeadamente os resíduos.
Os resíduos constituem um dos problemas mais complexos da sociedade moderna, com o seu crescimento, paralelo
ao desenvolvimento económico, e as dificuldades inerentes
à sua gestão a assumirem um grande relevo político e social.
Neste sentido, é essencial dissociar o crescimento económico do consumo de materiais e da produção de resíduos,
mediante a reintrodução de materiais em fim-de-vida no sistema económico, através do aumento da valorização dos
resíduos, enquanto matérias-primas secundárias que substituem recursos naturais.
A dinamização do sector da valorização dos resíduos
contribui, sienificativamente, para a melhoria do bem-estar
da população em geral e promove a criação de empregos no
sector da reciclagem e nas actividades subsidiárias, o que vai
de encontro com os princípios norteadores da “Economia
Verde”.
Enquadramento do PESGRU nos desafios do país.
O estado de desenvolvimento ambiental de Angola ainda
reflecte os efeitos da guerra civil, com infra-estruturas e
serviços de saneamento que, apesar da sua optimização no
passado recente, ainda não respondem às necessidades da
população, com os potenciais riscos que daí advêm tanto
para a qualidade ambiental como para a saúde pública.
Com este quadro, tornava-se imperativa uma mudança
de paradigma. Neste sentido, e uma vez estabelecidas as
prioridades do período pós-guerra, a República de Angola
empenhou-se na prossecução de políticas e medidas alinhadas com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio
(ODM), ratificados durante a Cimeira do Milénio - Setembro
de 2000, com vista à redução da pobreza, melhoria da saúde
e promoção da paz, dos direitos humanos, bem como da
igualdade de género e da sustentabilidade ambiental, no
horizonte 2015 a 2020.
Cumulativamente, o programa “Angola 2025 - um país
de futuro” prevê um conjunto de iniciativas e define objectivos que exigem que exista no país uma adequada gestão
de resíduos.
Neste âmbito, o Governo de Angola está a implementar
um programa de reconstrução, capacitação e alargamento da
cobertura das infra-estruturas fundamentais a todo o território (saneamento ambiental, qualificação dos cidadãos e o
reforço da capacidade institucional).
No entanto, a gestão inadequada dos resíduos continua a
constituir um factor crítico, com impactes negativos para o
ambiente e para a saúde pública. As soluções implementadas deverão ser revistas e objecto de maior articulação entre
si, tendo em vista garantir a abrangência e o nível de serviço
ambicionado pelos decisores políticos e pela população.
Âmbito e objectivos do PESGRU.
Deste modo, o Plano Estratégico de Gestão de Resíduos
Urbanos (PESGRU) é o instrumento de referência a nível
nacional para gestão de resíduos urbanos, definindo um con-
Junto fundamentado de propostas de actuação, suportando
os responsáveis políticos na tomada de decisões, e orientando os principais actores sobre as opções estratégicas.
A implementação do PESGRU p ermitirá conciliar a resolução de um problema ambiental e de saúde pública, com
o reforço institucional e com os interesses e expectativas
dos vários parceiros da sociedade civil - decisores, cidadãos/utentes dos serviços, técnicos, operadores económicos/
prestadores dos serviços, comunicação social e associações
sectoriais.
O PESGRU visa ainda reforçar a responsabilização dos
produtores na melhoria da gestão dos seus resíduos, contribuindo para a minimização dos impactes ambientais e para
a melhoria da saúde pública, e subsidiariamente, para a criação de oportunidades económicas.
Metodologia adoptada no des envolvimento do plano
A elaboração do PESGRU decorreu num âmbito temporal relativamente curto para responder com rapidez à
premência do país em definir uma estratégia para a resolução da problemática da gestão dos resíduos urbanos. Neste
contexto, adoptou-se uma abordagem assente em 4 fontes
fundamentais de informação, permitindo a recolha expedita dos dados de base necessários, sem comprometer a sua
robustez e garantindo assim a qualidade das recomendações
propostas.
Inquéritos.
Um dos mecanismos de recolha de informação consistiu no envio pelo Ministério do
Ambiente de um inquérito sobre a gestão de
resíduos a todos os Governos Provinciais de
Angola que foram encarregues de assegurar o
preenchimento dos inquéritos a nível municipal e de centralizar e atestar a bondade das
respostas para posterior reencaminhamento
à Direcção Nacional do Ambiente. No total
foram obtidas respostas correspondentes a
72% das Províncias, 36% dos Municípios, e
56% da população.
Contributos de empresas do sector
O plano foi ainda enriquecido com informação
cedida por empresas em operação no sector,
tanto no que se refere a práticas utilizadas,
como a custos da actividade. Neste contexto,
importa salientar a colaboração das empresas
Elisal (gestão do sector em Luanda), SEAS
(gestão do Aterro de Mulenvos), AmbiáÁfrica
(operadora de recolha em Benguela), Bashen
(fiscalizadora em Benguela) e Resurb (operadora de recolha no Huambo).
Visitas de campo.
Foram ainda realizadas visitas de campo a
algumas Províncias, permitindo também o
contacto directo com responsáveis chaves
para partilha de experiências e validação
da viabilidade de potenciais iniciativas a
implementar.
Foram seleccionadas para as visitas de campo as
Províncias de Luanda, Benguela e Huambo,
em virtude de serem zonas do país com
capitações e volumes de produção bastante
elevados, com maiores desafios na gestão de
resíduos urbanos, e com práticas avançadas
Já implementadas com potencial de serem
replicadas noutras zonas do país.
No âmbito destas visitas de campo, foi ainda
possível o contacto com a realidade de cidades mais pequenas, como Sumbe, Porto
Amboim, Cubal, Ganda e Caála, bem como
pequenas aldeias e vilas de reduzida densidade populacional.
Informação bibliográfica.
Para além da informação disponibilizada por
entidades públicas e privadas do sector, foi
necessário aceder a outras fontes para complementar a informação recolhida e reunir
elementos adicionais necessários à elaboração do plano.
Para o efeito, foi consultada informação bibliográfica de fontes de referência, tanto nacionais
(nomeadamente, Ministério do Ambiente e
Instituto Nacional de Estatística), como internacionais (por exemplo, Fundo Monetário
Internacional e Nações Unidas).
Em termos de experiências relevantes de outros
Países, analisou-se em pormenor a experiência de Portugal na melhoria da gestão de
resíduos nos últimos vinte anos, e para atestar
a qualidade das projecções e compilar boas
práticas no contexto da gestão de resíduos,
foi consultada informação de países com
características económicas e/ ou demográficas semelhantes a Angola e com experiências
bem-sucedidas neste contexto, desienadamente Brasil e África do Sul.
Estrutura do plano
Contexto geral do país e situação de referência em matéria de gestão de resíduos.
Em termos metodológicos, o PESGRU teve como ponto
de partida o diagnóstico da situação de referência, contemplando a análise de diversos descritores da realidade de
Angola, e a caracterização e análise crítica da realidade do
país em matéria de gestão de resíduos.
Ao nível do contexto de Angola, analisaram-se variáveis
endógenas, como características climáticas e geológicas,
factores socioeconómicos e infra-estruturas. Os elementos
analisados, ainda que nem todos com a mesma relevância,
condicionam a definição da estratégia ao nível, por exemplo,
de tecnologias a implementar para uma adequada gestão dos
resíduos urbanos, e influenciam os custos de investimento e
operação.
No que concerne ao contexto de Angola em matéria de
gestão de resíduos, procedeu-se à quantificação dos resíduos
produzidos e determinação da respectiva composição, bem
como à caracterização das infra-estruturas, práticas adoptadas, legislação aplicável e modelos de gestão adoptados.
Orientações estratégicas do PESGRU.
A nova filosofia de gestão de resíduos preconizada para
Angola consubstancia-se nos sete eixos estratégicos apresentados abaixo.
Figura 1- Eixos estratégicos do PESGRU
Estes eixos estratégicos endereçam todas as matérias
passíveis de impactar a eficácia e eficiência da gestão de
resíduos em Angola, desde a formação de recursos humanos e sensibilização da população, ao enquadramento legal e
financiamento do sistema, passando pela definição de soluções e práticas a adoptar ao longo da cadeia de valor.
Para cada um dos eixos estratégicos do PESGRU, foram
definidos objectivos claros, metas realistas e monitorizáveis,
e iniciativas específicas a implementar, constituindo estes
elementos as bases estratégicas da nova política de gestão
de resíduos.
Esta definição tem em conta os ciclos governativos
bem como os milestones e horizontes temporais do programa “Angola 2025, um país de futuro” (até 2025) e dos
Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (2015 e 2020),
encontrando-se alicerçada na hierarquia dos princípios da
gestão de resíduos (prevenção de resíduos, reutilização de
produtos, reciclagem, valorização e eliminação) e em critérios de protecção ambiental, equidade (abrangência da
generalidade do território), exequibilidade técnica, viabilidade económica, e qualidade e eficiência do serviço.
Programa de implementação do PESGRU: “Angola
Limpa”
No sentido de dotar o PESGRU de uma perspectiva prática e orientada para a sua aplicação no terreno, as directrizes
estratégicas propostas foram consubstanciadas num programa de implementação designado de “Programa Angola
Limpa”.
Este programa estabelece as linhas de orientação em
matéria de calendarização das acções, estima o esforço
financeiro exigido ao país e projecta os impactes positivos
que advirão da implementação da estratégia proposta.
Importa sublinhar que não foi objectivo do processo de
elaboração deste plano efectuar um diagnóstico exaustivo
da situação actual nem estabelecer de forma detalhada as
opções a implementar. O PESGRU é o elemento que orienta,
mas não substitui, os necessários Planos de Acção de âmbito
provincial ou municipal, focando-se em garantir a consistência e articulação destes planos operacionais, bem como o seu
alinhamento com uma filosofia comum.
Em síntese, o PESGRU parte da caracterização da situação de referência de Angola para estabelecer as orientações
estratégicas que deverão nortear as opções de gestão a
adoptar nesta matéria, lançando as bases para a sua implementação através da criação do “Programa Angola Limpa”.
Figura 2 — Estrutura do PESGRU
Figura 2 - Estrutura do PESGRU
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de revidos * Molsebsitdioeis | | | h
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Contexto Nacional
Contexto geral do país e situação de referência em matéria de gestão de resíduos.
1 Contexto Geral
1 Território e organização administrativa
O território angolano tem uma área total de 1.246.700
km”? e encontra-se dividido em 18 Províncias, que se subdividem em Municípios e Comunas.
1.1.Território
O território da República de Angola fica situado na costa
ocidental da África Austral, fazendo fronteira com República
Democrática do Congo, Namíbia, Zâmbia e República do
Congo (Brazaville). Com uma área total de 1.246.700 km”,
Angola é um dos maiores países da África Subsaariana.
O país encontra-se dividido em 18 Províncias e tem a
sua capital na cidade de Luanda, situada na Província de
Luanda que, ocupando uma superfície de aproximadamente
257 km, representa cerca de 0,2% da superfície do território nacional.
Figura 3 - Mapa administrativo de Angola
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1.2 Organização administrativa
Segundo o Decreto-Lei n.º 2/07, os órgãos da
Administração Local são responsáveis por implementar as
orientações políticas do Governo Central para o desenvolvimento social e económico, e promover os interesses da
população local.
A reportar directamente à Administração Central
encontram-se os Governos Provinciais, administrados
pelos Governadores e Vice-Governadores, nomeados pelo
Presidente da República. Aos Governos Provinciais respondem várias Administrações Municipais, 160 no total, e a
estas, por sua vez, 557 Administrações Comunais.
O orçamento provincial e municipal é atribuído pelo
Governo sob proposta dos Ministérios da Administração do
Território e das Finanças, havendo directrizes para que cerca
de 60% do orçamento municipal se destine a despesas com
as infra-estruturas sociais e económicas locais.
De referir que, também existem as autoridades tradicionais, sobas, que representam e defendem os interesses das
comunidades. As autoridades tradicionais são um importante elemento para a governação, apesar de não figurarem
do ponto de vista jurídico no sistema de organização administrativa, os sobas têm um papel importante na interacção
das comunidades e com as Administrações Locais, Governos
Provinciais e do Governo Central.
Figura 4- Níveis da organização administrativa
Níveis de administração Principais responsabilidades
* Nomeara Administração e atribuir orçamento às instituições
Adm. provinciais e municipais
Central * Detfiniras políticas a aplicar pelos órgãos locais
das * A * Executar a política do Governo Central a nível provincial
A UOSIAZAUL . oordenar as agências do Governo Central no território (Direcções e
= Coord ê do G Central no território (D
STA De i Delegações Provinciais)
ge SANA), * Supervisionar as Administrações Municipais e Comunais
ENE SER ço Morta
FF. 1. . OSSO y * Executar as deliberações do Governo da Província e as decisões do
EE lunicípios ; E Governador em seu território
DESERTA * Intervir com maior incidência nas áreas económica e social
praças Sa o. DEE 3 cado)
* Gerira organização e manutenção dos serviços públicos básicos,
como por exemplo a colecta de lixo e manutenção das estradas,
parques e lugares de mercado
* Identificar e propor soluções para os problemas quotidianos da
comunidade
2 Recursos Naturais O solo em Angola apresenta uma componente arenosa
2.1 Clima significativa, cobrindo cerca de 57% do território, e sendo
De uma forma geral, verifica-se em todo o país a existên- —* esta tipologia a mais verificada nas zonas interiores do país.
cia de duas estações distintas, típicas dos climas tropicais: Este tipo de solos apresenta maior porosidade e, portanto,
* À estação seca e fresca, denominada “Cacimbo”, entre maior capacidade de absorção de fluídos.
Junho e Setembro; e Na zona litoral e no nordeste do país (designadamente
* A estação quente “das chuvas”, que decorre de Outubro — em Luanda) verifica-se a presença de terrenos predominana fins de Maio. temente argilosos.
Em determinadas regiões, a estação das chuvas é por 1.2.4 Recursos geológicos
vezes interrompida, entre Dezembro e Fevereiro, por um O território angolano é muito rico em recursos geológicurto período de seca conhecido por “pequeno cacimbo”. cos. Entre os recursos com maior potencial de exploração
A temperatura média anual varia entre o mínimo de — encontram-se: o petróleo, os diamantes, o ferro, o cobre, o
15º-20ºC, na zona planáltica e ao longo do deserto do — ouro, o urânio, o zinco, o chumbo, o volfrâmio e o estanho.
Namibe, e o máximo de 25º-27ºC na região da bacia do A indústria petrolífera e, em menor escala, a indústria de
Congo e no filamento sub-litoral do norte do país. exploração de diamantes contribuem de forma muito signifi-
A precipitação no país é influenciada pelo centro de altas — cativa para a riqueza e o desenvolvimento do país. Contudo,
pressões do Atlântico Sul, pela corrente fria de Benguela e — a restante indústria mineira encontra-se ainda num estágio
pela altitude do território. Assim sendo, a precipitaçãomédia — embrionário devido, em alguns casos, aos efeitos da guerra
anual decresce de Norte para Sul e aumenta coma altitudee — civil.
distância ao mar. 1.2.5 Rede hidrográfica
A precipitação média anual mais elevada é de 1.750 mm A posição geográfica de Angola proporciona uma grande
e regista-se no planalto, sendo a mais baixa de 100 mm na — potencialidade em termos de recursos hídricos. O escoaregião desértica do Namibe. mento superficial é estimado em 140 km por ano, enquanto
2.2 Orografia a disponibilidade potencial de águas subterrâneas é de 58
" ; ão po 3 1
Quanto ao relevo, Angola é constituída, principalmente, km'/ano.
por um maciço de terras altas, limitado por uma faixa de ter- A origem dos grandes recursos hídricos superficiais de
ras baixas cuja altura varia entre os O e os 200 metros. Angola encontra-se nos topos planálticos do Huambo, Bié e
Acima dos 200 metros encontram-se as montanhas e os — Moxico, escoando uma parte para o Oceano Atlântico (tios
planaltos, que vão aumentando gradualmente de altitude até = Zaire, Kwanza e Cunene) e outra para o Oceano Índico (rios
atingir o planalto central, cujas altitudes médias variam entre Zambeze, Kuando e Kubango).
os 1.200 e os 1.600 metros. É exactamente no planalto cen- Os recursos hídricos subterrâneos encontram-se nos
tral onde se situa o ponto mais alto do país, o Morro Môco aquíferos do litoral que têm uma profundidade média entre
com o 6 O nielros demltitude 5 e 30 metros, nos aquíferos da região do planalto central
2.3 Comp osição dos solos ! Ministério do Urbanismo e Ambiente, Relatório do Estado Geral do Ambiente em Angola, 2006
com profundidade média entre 10 e 30 metros, e nos aquiferos das zonas semi-áridas (Cunene) com profundidades da
ordem dos 200 metros ou superior.
3 Demografia
3.1 População
Globalmente, o território angolano apresentava, em
2010, uma densidade populacional de cerca de 15 habitantes
por km?. Esta densidade é baixa quando comparada com a
média, do mesmo ano, na África Subsariana que se estimava
em, aproximadamente, 36 habitantes por km?.
Prevê-se que, até 2025, a população angolana cresça a
uma taxa de crescimento médio anual (TCMA) de 3%, atingindo cerca de 29,1 milhões de habitantes nesse ano, um
aumento de cerca de 41% face aos actuais 20,6 milhões.
Neste cenário, a densidade populacional evoluirá para cerca
de 23 habitantes por km?.
Figura 5 - Evolução populacional
(em milhões de habitantes)
end]
2012 20139E 2014E 2015E 2016E 2017E 2018E 2019E 2020E 2021E 2022F 2023E 2024E 2025E
TCMA = Taxa de crescimento médio anual
E = Estimado
Fonte: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU.
É também expectável que a população mantenha uma
estrutura semelhante à actual, ou seja, mais de 50% dos
habitantes terá idade inferior a 19 anos.
Figura 6 - Estrutura etária da população
Esq e.
o o > 13 MR
El ST dA w * * 3
Fonte: US Cerisus Bureau, www .census.gov
3.2 Concentração da população
Actualmente, existem em Angola cerca de 10 grandes
centros urbanos, nos quais se concentra grande parte da
população, os quais distam entre si cerca de 200 a 600 km.
O principal pólo populacional é indiscutivelmente o
Município de Luanda, onde se estima que estejam concentrados cerca de 2,2 milhões de habitantes, o equivalente a
cerca de 11% da população total e se considerar a Província
de Luanda, a população assume um peso de 29%.
Figura 7 - Distribuição populacional, em 2012
(população do Município em milhares de habitantes)
[
L, An
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Legenda:
[O Mence de 10 hattantes: gorkme MEN Ertre 20 é 100 rebmantes por we
[ED Entre 10 e 20 tebfantes por mé UM Nom de 100 rebtantes por imé
EE pouação mu:
Nota: A área de Luanda tem em consideração a nova estrutura da Província incluindo os
Municipios de Icolo Bengo e Quiçama
Fonte: População: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU ; Densidade: Info-Angola,
www.info-angola.ao; Geo Hive Statistics, www. geohive.com
O conflito militar explica, em parte, a distribuição demográfica no país. Uma grande parte da população foi forçada
a abandonar as suas áreas de origem e a deslocar-se para
as zonas menos afectadas pelo conflito, fundamentalmente
na faixa litoral, onde ainda hoje se mantém. Actualmente, o
dinamismo da economia nas cidades, sobretudo em Luanda,
continua a atrair a população de outras zonas do país.
Este crescimento urbano associado ao êxodo da população rural deu-se, na maior parte dos casos, sem o desejável
planeamento do território. Como consequência, verificou-se
um aumento da pressão sobre as estruturas existentes e o
surgimento de problemas como o congestionamento, a insuficiência de saneamento básico e a poluição. De referir ainda
a proliferação, em algumas cidades, de assentamentos habitacionais precários, denominados musseques.
A reintegração de cerca de 100.000 Angolanos retornados desde 2011 dos países vizinhos como a República
Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia, aonde eram
refugiados de guerra, é também um factor que influencia o
crescimento urbano.
Para dar resposta aos desafios enfrentados pela população no acesso à habitação condigna, o Executivo Angolano
implementa desde 2009 um programa habitacional com a
meta de construção de um milhão de casas que têm resultado no aumento de oferta de habitações, na construção de
novas centralidades como a Nova Cidade Kilamba Kiaxi, e
na urbanização e requalificação dos musseques.
3.3 Taxa de população urbana
Os dados mais recentes estimam que a taxa de população
urbana seja de 58%, com cerca de 13,4 milhões de pessoas a
viverem em zonas urbanas.
É expectável que, até 2025, a taxa de população urbana
atinja os 67%, em consequência do crescimento anual
da população em zonas urbanas na ordem dos 4%, face à
taxa de crescimento estimada para a população rural de
0,6%/ano. Estes valores aproximam-se da taxa de população urbana verificada na África do Sul (62%) e na Tunísia
(67%) em 2010.
Figura 8 - Taxa de população urbana
(estimativa para 2012 em Angola; 2009 para os restantes)
70% se
EN Baba
CEE Angola Mundo África
Fonte: Angola: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU; CEE, Mundo e África
UNICEF, www unicef org
4 Desenvolvimento
4.1 indice de desenvolvimento humano
O índice de desenvolvimento humano (IDH) é uma
medida comparativa entre países, usada para aferir, globalmente, o grau de desenvolvimento de um país. Na base deste
cálculo encontram-se indicadores como a esperança média
de vida, o nível de educação e o PIB.
Em 2011, Angola ocupava o 148.º lugar no ranking
mundial do IDH que compreende 187 países. Apesar deste
posicionamento se ter deteriorado face a anos anteriores
(146.º em 2010 e 143.º em 2009), devido em grande parte
as alterações no sistema de ranking praticado pelo PNUD,
verificou-se uma melhoria consistente no valor do índice
para 0,486 (0,482 em 2010 e 0,481 em 2009), permanecendo
acima da média da África Subsariana.
Figura 9 - Índice de desenvolvimento humano em 2011
0,751 0,682
Europa/Ásia Mundo Angola África
Central Subsariana
Fonte: UNDF, hdrstats.undp. org
4.2 Poder económico
Como já referido anteriormente, o conflito militar teve
repercussões muito graves na sociedade e na economia
angolana e que, aliadas a outros factores políticos, económicos e sociais, contribuem para a problemática da pobreza no
país estima-se que cerca de 37% da população angolana viva
abaixo da linha nacional de pobreza.
Para alterar a situação o Executivo Angolano tem
implementado acções concretas para combater a pobreza
das quais se destacam a revisão em 2005 da Estratégia
de Combate à Pobreza, a aprovação em 2009 do Plano
de Acção de Médio Prazo para reduzir a pobreza no país
e atineir os Objectivos do Milénio, e a implementação de
programas chaves como Programa de Combate a Pobreza
e Desenvolvimento Rural, o Programa Água para Todos, e
Programa de Empreendedorismo na Comunidade.
4.3 Saúde
As infra-estruturas de saúde também foram afectadas
pelo conflito militar e, apesar do esforço de investimento
realizado no sector nos últimos anos, algumas ainda se
encontram degradadas. Verifica-se uma insuficiência ao
nível de equipamentos e medicamentos, e o fornecimento de
energia não é constante.
A escassez de recursos humanos é também uma realidade. Segundo dados de 2009 do Ministério da Saúde,
estima-se que existam 0,17 médicos (incluindo estrangeiros), 1,74 enfermeiros e 0,32 técnicos de saúde por cada
000 habitantes.
Por outro lado, alguns dos problemas de saúde que o
país enfrenta prendem-se com causas provenientes do meio
ambiente. Cerca de 42% da população já tem acesso a água
potável e 60% utiliza infra-estruturas sanitárias adequadas,
mas nas áreas rurais, as proporções decrescem para 23% e
32%, respectivamente. Nas cidades, as populações semiurbanas (em especial nos musseques) ainda enfrentam graves
problemas devido à águas paradas e lixo amontoado que não
é recolhido devido a insuficiências no sistema de recolha de
resíduos.
A esperança de vida à nascença em Angola melhorou nos
últimos anos para 51,1 anos, aproximando-se da média da
África Subsariana de 54,4 anos.
O Executivo Angolano está a implementar vários importantes programas com apoio dos seus parceiros institucionais,
como o Programa de Revitalização dos Serviços de Saúde
Municipais, o Programa de Controle da Malária, o Programa
de Erradicação da Pólio, Programa do Saneamento Total
Liderado pela Comunidade, e outros, que visam melhorar a
situação de saúde e do bem estar da população.
5 Contexto Económico
Nos últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu acentuadamente, apoiado no desenvolvimento
da indústria petrolífera. É expectável que a tendência de
crescimento se mantenha no futuro, mas a um ritmo menos
elevado e mais apoiada no desenvolvimento dos sectores
não petrolíferos.
O desenvolvimento destes sectores é fundamental para
reduzir a dependência das actividades petrolíferas e a vulnerabilidade face a flutuações do preço do petróleo. É também
importante como mecanismo de desenvolvimento económico e diminuição das disparidades a nível regional.
5.1 PIB
No início da última década, Angola desenvolveu um
sistema político estável, demonstrando, desde então, um
acentuado crescimento económico. Entre 2000 e 2010, a
taxa de crescimento médio anual do PIB foi de 25%, o que
representou o terceiro maior crescimento económico a nível
mundial.
Figura 10- Países com maiores taxas de crescimento
médio anual do PIB no período 2000-2010
com emata a]
ptaito
Angola 25%
conto am]
Turquemenistão
Fonte: World Bank, www.data.worldbank.o1g
Após este período de elevado crescimento económico,
espera-se uma desaceleração da economia, fruto da crescente maturidade de alguns sectores de actividade e da
situação económica internacional. Não obstante, estima-se
que até 2016 a economia angolana cresça a uma taxa real
média de 6,1%, que compara com um crescimento mundial
médio esperado de 3%, e um crescimento médio estimado
para a zona da África Subsariana de 5%,
5.2 PNB
De 2007 a 2010, o Produto Nacional Bruto per capita
cresceu, em média, 14% ao ano, evoluindo para um valor
de 3.940 USD em 2010, o qual é ainda inferior ao verificado
na Tunísia (cerca de 4.000 USD) e da África do Sul (cerca
de 6.000 USD). Prevê-se, contudo, a manutenção da taxa de
crescimento e a atenuação das diferenças identificadas.
Figura 11 - PNB per capita 2010
(em USD)
390
090
940 4.160
Angola Tunísia África do Sul Brasil |
Fonte: The World Bank, www.data.worldbank. org, 2010
6 Rede de infra-estruturas
As infra-estruturas do país foram severamente danificadas durante o conflito militar e, apesar do investimento
realizado na reabilitação de alguns sectores, o seu estado de
degradação continua a ser um obstáculo ao desenvolvimento
do país.
A dificuldade em acompanhar o rápido ritmo de crescimento que se tem verificado em Angola também contribui
para o encarecimento dos custos de investimento no país
e poderá afectar também os custos de gestão de resíduos
urbanos.
6.1 Infra-estruturas de transporte rodoviário
Uma grande parte das rodovias que integram a rede
actual de estradas angolana foi construída antes da independência, tendo sido danificada durante o conflito militar e/ ou
alvo de pouca manutenção.
A rede fundamental e complementar de estradas tinha,
em 2001, uma extensão total de cerca de 50.000 km, dos
quais apenas 11% se encontram pavimentados, pelo que, nos
últimos anos, têm sido realizados vários investimentos na
recuperação destas infra-estruturas. Até 2011, foram reabilitados cerca de 6.200 km de estradas, estando planeados,
entre 2011 e 2013, trabalhos em mais 7.500 km.
Das cerca de 1.500 pontes que compõem a rede
fundamental de estradas, cerca de 500 encontravam-se parcialmente ou totalmente destruídas em 2004. Desde então,
cerca de 400 foram construídas ou recuperadas, eliminando-
-se assim uma importante barreira à circulação de pessoas
e bens.
As cidades angolanas têm sofrido um crescimento muito
rápido e, em muitos casos, desorganizado, tendo-se expandido sem a construção das infra-estruturas adequadas e para
áreas de difícil acesso de viaturas (sendo exemplo disso os
musseques em áreas elevadas/ montanhosas).
A falta de pavimentação, aliada à escassez de sistemas
de escoamento de águas, resulta em situações de impossibilidade de circulação em muitas zonas das cidades durante a
época chuvosa. No interior do país, à falta de vias de acesso,
acresce o problema da presença de minas em algumas áreas.
6.2 Infra-estruturas de transporte ferroviário
A rede ferroviária angolana é composta por 3 linhas:
Luanda, Benguela e Moçâmedes. Actualmente, estão em
curso importantes esforços na recuperação dos troços já
existentes e também ao nível do aumento da extensão de
algumas linhas com vista ao desenvolvimento de novos pontos de conexão internacional.
A linha de Luanda, que liga a capital à cidade de Malanje,
estende-se por 479 km, incluindo pequenos ramais. A sua
reconstrução terminou em 2010 e, actualmente, já se verifica o transporte regular de passageiros e carga nesta linha.
A linha de Benguela apresenta uma extensão de 1.336
km, encontrando-se já reabilitados quatro ramais:
Benguela - Lobito, até Negrão;
Huambo - Lobito;
Huambo - Bié;
Huambo - Cubal.
Espera-se que a recuperação desta linha possa ser terminada ainda este ano, altura em que a ligação com a República
Democrática do Congo ficará restabelecida.
A linha de Moçâmedes, com uma extensão de 629 km,
liga o Namibe a Menongue. A reabilitação da linha encontra-
-se quase concluída, faltando apenas terminar os trabalhos
nos troços Matala-Lubango e Lubango-Namibe, na ponte
sobre o rio Giraul e em algumas estações de embarque.
6.3 Infra-estruturas de energia
Em Angola, a capacidade instalada de electroprodução
é assegurada por centrais hidroeléctricas e termoeléctricas
alimentadas a diesel. Estima-se que, em 2009, cerca de 30%
dessa capacidade produtiva se encontrava indisponível.
A rede de transporte é composta por 3 sistemas indep endentes na região litoral (Norte, Centro e Sul) e 10 sistemas
isolados. Apesar dos esforços de reabilitação, estima-se que
aproximadamente 15% do sistema Norte e 55% do sistema
Centro se encontrem actualmente indisponíveis.
A rede de distribuição de energia eléctrica cobre 65
Municípios dos 164 existentes, estimando-se que uma parte
significativa da rede careça de intervenções de recuperação e
modernização. A rede disponibiliza electricidade a cerca de
Figura 12 - Rede de tra
FM |
TS Y
CIÉRSPA
EAFA : fs
Sisterna AF : / ó
| Norte X Y. | k
2 pn do TS = so
/ L À | :
asa ICS
Fonte: BES, Angola Economic Outlook, 2009; A gência Intanacional d
2 Caracterização da situação de referência ao nível da
gestão de resíduos urbanos
Estima-se, em Angola, uma capitação diária na ordem
dos 0,46 kg, equivalente a uma produção anual de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas
1 Produção e caracterização de resíduos urbanos
Para efeitos deste plano estratégico, consideram-se
Resíduos Urbanos (RU) os resíduos provenientes de habitações bem como outros resíduos que, pela sua natureza ou
composição, sejam semelhantes aos resíduos provenientes
de habitações. Por capitação diária entende-se produção de
resíduos por habitante por dia.
40% da população, mas na região rural essa cobertura reduz-
-se para 9%.
A baixa capacidade e a degradação das infra-estruturas,
aliadas ao crescimento rápido da procura, originam falhas de
electricidade frequentes. O recurso à auto-geração tem sido a
solução tanto para o sector industrial como residencial, estimando-se que a auto-produção represente cerca de 20% da
produção total do país.
Não obstante, tem-se assistido a um esforço de investimento na revitalização das infra-estruturas. O objectivo do
Governo é incrementar a produção para 7.000 MW, o que
permitiria aumentar o consumo per capita para 4.000kWh
até 2016, olto vezes superior ao consumo actual.
No que se refere aos derivados de petróleo e ao gás, a
tendência de escassez no mercado tem sido progressivamente contrariada com a expansão da rede de produção e
distribuição, sendo expectável uma melhoria contínua com
a conclusão de projectos em carteira (como por exemplo a
Refinaria do Lobito e a Central de GNL do Soyo).
As energias renováveis não têm ainda expressão no panorama energético do país, prevendo-se, contudo, segundo o
Ministério da Energia, uma aposta progressiva ao longo dos
próximos anos.
nsporte de eletricidade
| a
— Rede de iransporte (sistema interligado)
O Sistemas isolados
e Energia, Angola - Desenvolvimento de uma estratégia para a energia, 200
Uma gestão incorrecta dos RU é passível de ter graves
consequências ambientais e para a saúde humana. Os resíduos acumulados em zonas inapropriadas provocam mau
cheiro e contaminação do ar no local onde são depositados,
são focos de potencial propagação de doenças, e podem contaminar os solos e os recursos hídricos dessa região.
1.1 Produção de resíduos
Nas pequenas cidades a produção de resíduos é ainda
reduzida, verificando-se poucos focos de lixo. Contudo, o
problema atinge proporções muito preocupantes nas zonas
de maior concentração da população. Nas cidades mais
populosas, como é o caso de Luanda, a produção de resíduos
tem crescido de forma rápida, tornando-se um desafio para
as autoridades responsáveis.
Os principais focos de lixo encontram-se nos arredores
dos grandes armazéns de distribuição grossista e retalhista,
e junto a praças ou mercados, onde os comerciantes vendem os seus produtos e confeccionam refeições. Assim, os
resíduos são abandonados e vão-se acumulando por falta
de recolha. Outros locais típicos para acumulação de lixo
são as valas de escoamento, os cursos de água e a linha do
comboio.
Nas áreas residenciais de difícil acesso às viaturas de
recolha de resíduos, seja pela sua localização em zonas
montanhosas ou pelo estado de degradação das estradas,
existe também uma grande acumulação de lixo, sobretudo
na época das chuvas. Esta é uma situação bastante comum,
por exemplo, nos musseques das cidades.
Para além da dificuldade de acesso a certas zonas da
cidade, existem outros factores que agravam a situação de
Figura 13 - Capitação diária de r
(em quilogramas)
085 ns
0,52
0,48
0,44
; FF” 0,41
0,40 0,38
0,35
Luanda Huambo Cabinda Namibe Huíla Benguela Kuanza Cunene Malange
Norte
Fonte: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU.
No caso específico da Província de Luanda, calcula-se que
capita e na cidade de Luanda de aproximadamente 1,00 kg/dia
No que concerne a produção, estima-se que em 2012 a pro:
de toneladas. Na Figura 14, é possível observar a desagregação
399
129 125
É E E "Us
Luanda Huambo — Hutta Benguela Kuanza ó Uia: Bié | Wulaigja: Cuneo |
Sul
Fonte: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU com base na metodologi:
acumulação de resíduos nos centros urbanos e periferias,
sendo de sublinhar as seguintes:
Incremento rápido da população nos grandes centros
urbanos;
Urbanização desordenada e não controlada;
Falta de regulação e fiscalização rigorosa;
Carência de infra-estruturas, meios e empresas de limpeza e recolha de resíduos, em aleumas Províncias;
Lacunas ao nível da formação da população em temas de
educação cívica e em noções básicas de higiene.
A capitação diária para o ano de 2012 foi estimada recorrendo à informação disponível nos inquéritos realizados
no âmbito do PESGRU e a uma projecção que relaciona a
produção de resíduos com a população e respectivo poder
económico. Com base nos cálculos realizados, estima-se que
a taxa de produção de resíduos em Angola ronde os 0,46 kg/
dia per capita, sendo esta capitação superior nas zonas de
maior concentração urbana.
esíduos por Província, em 2012
Média nacional ponderada
pela população
0,46
0,383 0,32 0,31 E
j : : : 025 025 02 02H 02
Kuanza —UVige Zaire Bié Moxico Lunda Lunda ] !
Su Sul Norte Kubango
a taxa média ponderada de produção seja de 0,65 kg/dia per
per capital.
lução total de resíduos seja de aproximadamente 3,5 milhões
) da produção pelas várias Províncias de Angola.
E) 65 55 53 E =. ã 25
E 8 E E E NEN
cabinda maio Namibe er Moxico Zaire Lunda Sul pormalasd Bengo
1 detalhada no Anexo A.5
A Província de Luanda destaca-se com um nível de produção bastante acima da média nacional, representando 40%
da produção total de resíduos de Angola. O des envolvimento
acelerado da Província atraiu as populações, resultando num
aumento da urbanização e da densidade populacional, com
o consequente impacte nos níveis de produção de resíduos.
Destaca-se ainda a produção das Províncias de Benguela,
Huambo e Huíla que contribuem com cerca de 36% para a
produção total.
1 Dados dos ingéritos; Metodologia de projeção
1.2. Composição dos resíduos
No que se refere à composição dos resíduos, uma das
características relevantes do país é a existência de uma
quantidade muito elevada de areia.
Figura 15 - Composição dos RU em Luanda, Cabinda e
Kuanza Norte
we = —
Musa bi 7% %
Têxteis
Plástico e 15% Nes
Papel cartão Es
Matéria Orgâni: E
Luanda ' Cabinda Kuanza Norte
Nota: os valores da composição de RU de Kuanza Norte
são as médias dos valores de composição dos respectivos
Municípios Fonte: Luanda: Elisal; Cabinda e Kuanza Norte:
Dados dos inquéritos
O elevado peso relativo de areia/ terra nos resíduos deve-
-se, entre outros factores, a:
Passeios adjacentes às estradas sem qualquer tipo de
cobertura vegetal;
Falta de jardins nos centros urbanos;
Limpeza das ruas efectuada manualmente, sem rega prévia de estradas e passeios;
Grande percentagem de terrenos nas cidades sem
vegetação e descobertos, permitindo uma elevada evapotranspiração da água armazenada nas partes intersticiais do
solo, principalmente arenoso nas cidades do litoral, o que
facilita o arrastamento superficial das areias.
Nas principais cidades de Angola, para além do reduzido
peso relativo de lixo orgânico na composição dos RU, é visivel o peso de embalagens e sacos de plástico que muitas
vezes são reutilizados até perderem a sua utilidade.
2 Enquadramento Político-Estratégico
O país demonstra uma dinâmica importante a nível
político e tem vindo a desenvolver iniciativas estratégicas
relevantes ao nível da gestão dos resíduos.
Até 2012, Angola não dispunha de uma estratégia
específica para os RU que identificasse de forma clara os
objectivos e metas a atingir. Os principais constrangimen-
tos à elaboração de uma estratégia prendiam-se com a falta
de informação consistente, a dispersão dos dados por várias
entidades e a falta de recursos, entre outros.
Não obstante, já existia um enquadramento político
e estratégico ao nível do sector ambiental, energético e
de saúde pública com orientações e prioridades definidas,
sendo estes instrumentos chaves que permitiram a elaboração do Plano Estratégico para a Gestão de RU.
2.1. Quadro político
O programa do Governo de Angola 2009-2012 assenta
numa estratégia de desenvolvimento sustentado, defendendo
que, no centro do desenvolvimento económico, as questões
do ser humano são primordiais.
No que respeita a área da Saúde, o Governo propõe uma
Política Nacional de Saúde assente em 4 pilares. Um destes
pilares é a “promoção e preservação de um contexto geral e
de um ambiente propício à saúde”. As bases para este pilar
da Política Nacional de Saúde são a melhoria das condições
de saneamento básico incluindo a distribuição de água potável pelo território angolano, a drenagem e tratamento de
águas residuais urbanas e a adequada gestão de RU.
No contexto ambiental, assiste-se a uma crescente preocupação com o facto da reconstrução do país, o crescimento
económico e a exploração dos recursos naturais poderem
resultar em impactes ambientais negativos, com repercussão
na qualidade de vida do povo angolano. No combate a estes
desafios e na prossecução do desenvolvimento sustentável,
o Governo propõe-se a implementar as seguintes medidas:
Criação de uma Comissão Nacional de Desenvolvimento
Sustentável como forma de promover a participação de todas
as forças sociais na prossecução dos objectivos da política
ambiental e do desenvolvimento sustentável;
Criação de um quadro jurídico e legal que permita o estabelecimento de um sistema eficaz de controlo e fiscalização
ambiental.
No que respeita ao sector energético, o Governo aposta
na electrificação de todo o país, incentivando o incremento
da produção de energia com fontes renováveis e promovendo o desenvolvimento de fontes de energia locais,
através, por exemplo, da recuperação e construção de mini
centrais hidroeléctricas e o aproveitamento da biomassa.
A melhoria do bem-estar e das condições de vida da
população é um tema que constitui uma das prioridades do
Executivo para a prossecução do desenvolvimento económico-social de Angola.
1 Programa do Governo de Angola, 2009-2012
2.2. Quadro estratégico
O país comprometeu-se, em 2000, com os Objectivos
de Desenvolvimento do Milénio. Este compromisso diz respeito a um conjunto de 8 objectivos de combate à pobreza e
estímulo do desenvolvimento sustentável, dos quais importa
destacar o objectivo referente à sustentabilidade ambiental,
que propõe melhorar a nível mundial, a vida de pelo menos
100 milhões de moradores de bairros degradados até 2020,
reduzir para metade a população sem acesso a água potável
até 2015 e inverter a actual tendência de perda de recursos
naturais.
Figura 16 - Objectivos do Milénio
Comes JoMeo
* Reduzir para metade, entre 1990 e 2015, a
Ermradicar a po- | percentagem da população com um rendimento
breza extrema e a | inferior a um dólar por dia
fome * Reduzir para metade, entre 1990 e 2015, a percentagem da população que sofre de fome
Alcançar o ensino | + Garantir que todos os rapazes e meninas termiprimário nam o ciclo completo do ensino primário
3 Promover a igual- * Eliminar a desigualdade de género no ensino
dade de género e o aos o , ;
empowerment das primário e secundário se possível até 2005, e em
todos os níveis até 2015
mulheres
Reduzir a mortalidade em crian- | * Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade de
ças com menos de | menores de cinco anos, entre 1990 e 2015
5 anos
Melhorar a saúde | *« Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade
matema materna, entre 1990 e 2015
Combater o VIH | * Deter e começar a reduzir a propagação do VIH/
1 SIDA, até 2015
SIDA, a malária e Aa o: ”
outras doenças * Deter e começar a reduzir a incidência de malária
e outras doenças graves, até 2015
* Integrar os princípios do desenvolvimento
sustentável nas políticas e programas nacionais;
inverter a actual tendência para a perda deterio-
Garantir a sus- | ração de recursos ambientais
tentabilidade ambi- | * Reduzir para metade a percentagem da popuental lação sem acesso a água potável, até 2015
* Melhorar consideravelmente, até 2020, a vida de
pelo menos 100 milhões de moradores de bairros
degradados
* Continuar a desenvolver um sistema comercial e
financeiro aberto, regulamentado, previsível e não
discriminatório
* Responder às necessidades especiais dos Países
menos desenvolvidos
* Responder às necessidades especiais dos Países
sem litoral e de pequenos estados insulares em desenvolvimento
* Negociar de forma abrangente os problemas da
dívida dos Países em desenvolvimento através de
medidas nacionais e internacionais de forma a
Desenvolver uma oe
; tomar a dívida sustentável a longo prazo
parceria global para " ; :
o desenvolvimento | * Em cooperação com os Países em desenvolvimento, formular e implementar estratégias que
proporcionem aos jovens um trabalho digno e
produtivo
* Em cooperação com empresas farmacêuticas,
proporcionar, nos Países em desenvolvimento, o
acesso a medicamentos essenciais a preços acessíveis
* Em cooperação com o sector privado, tomar
acessíveis os benefícios das novas tecnologias,
em particular os das tecnologias de informação e
comunicação
Fonte: Ministério do Planeamento, Relatório sobre os Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio, S$ etembro 2010
Em 2008, foi aprovado o Programa Nacional de Gestão
Ambiental (PNGA). Este programa destaca-se por ser o
primeiro instrumento de política ambiental em Angola, e
tem como objectivos gerais “alcançar, de forma plena, um
desenvolvimento sustentável em todas as vertentes da vida
nacional” tendo em conta os aspectos ambientais no processo de desenvolvimento económico-social e estabelecer
“responsabilidades a todos os órgãos do Governo cujo controlo e/ ou actividade tenha influência no ambiente”.
Em 2011, Angola aderiu ao projecto NAPA (National
Adaptation Programme of Action) sob a alçada da Convenção
para as Alterações Climáticas das Nações Unidas. Este programa ajuda os países em desenvolvimento a identificar
as iniciativas prioritárias a implementar como resposta às
necessidades de adaptação às mudanças climáticas.
Por último, para além das iniciativas referidas anteriormente, investiu-se na implementação do Banco de Dados e
Indicadores Ambientais de Angola, e na elaboração do novo
Relatório de Estado do Ambiente, que sucede ao Relatório
de 2006.
2.3. Aposta na educação e formação ambiental
Uma das principais preocupações e orientações estratégicas do Governo tem sido a consciencialização da população
para as temáticas ambientais e de saúde pública. Em 2006,
foi celebrado um protocolo com o Brasil para a elaboração
do Programa de Educação e Consciencialização Ambiental,
para um período de 5 anos. Este programa pretende promover acções de educação das populações e dinamizar a
revisão dos currículos dos diferentes subsistemas de ensino.
Para além do anterior, está a ser desenvolvido, desde
Novembro de 2009, o Programa de Educação Ambiental.
Este programa está a ser implementado em 18 escolas
do ensino primário da rede pública de Luanda, e prevê a
realização de 80 campanhas de sensibilização que serão
desenvolvidas com o apoio de 70 instrumentos de sensibilização, incluindo uma unidade móvel de sensibilização.
Um outro exemplo é a campanha “Limpemos Angola”,
lançada em 2010 pelo Ministério do Ambiente, com o objectivo de implementar, em todo o país, acções de limpeza das
cidades, palestras e actividades de sensibilização e educação
ambiental.
Adicionalmente, tem sido fomentada a organização e
participação em conferências sobre o saneamento e a gestão
de resíduos, para promover o debate, a troca de experiências
e a disseminação de boas práticas. O seminário ministerial
dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
sobre a gestão de resíduos decorreu em Maio de 2011. Em
Novembro de 2011, realizou-se, em Luanda, a AngolaSan 1,
a primeira Conferência Nacional sobre Saneamento, na qual
os temas abordados foram: a gestão de resíduos como contributo à melhoria do saneamento, a educação e saneamento
escolar, e o saneamento e condição alimentar.
Em Julho de 2012 decorreu no Lobito, uma conferência
sobre a gestão sustentável de resíduos em África, organizada pela ISWA - International Solid Waste Association
- em parceria com a Associação Portuguesa de Estudos para
Saneamento Básico (APESB). Para além destas iniciativas
de âmbito nacional, merecem ainda destaque várias acções
de sensibilização das populações desenvolvidas a nível
municipal, designadamente:
* No Lubango, a realização de debates radiofónicos,
encontros com os moradores de prédios e palestras;
* No Lobito, a organização de sessões de sensibilização
e de limpeza de determinadas zonas da cidade.
* A formação de colaboradores é uma boa prática implementada em vários Municípios, designadamente os da
Província de Luanda e o Município do Huambo.
3 Enquadramento legal
Angola deu passos relevantes ao nível do quadro
legal ambiental, nomeadamente para os RU na aprovação do Regulamento Geral dos Resíduos pelo Conselho de
Ministros em Julho de 2012.
3.1. Legislação angolana
Até 1975, a pouca legislação ambiental existente estava
ligada à conservação da natureza. Por exemplo, o Decreto
n.º 495/73 declara a “proibição, salvo licença especial, do
lançamento ou despejo nas zonas de jurisdição da autoridade
marítima de quaisquer águas residuais e substâncias residuais bem como quais quer outros resíduos que de algum modo
possam poluir as águas, margens ou praias”.
Dereferir também a Lei n.º 5/87 - Regulamento Sanitário,
que recai sobre o sector da saúde pública e a Lei n.º 10/87
sobre Associações de Defesa do Ambiente que define os
direitos de “participação e de intervenção destas associações
Junto da administração central, regional e local com vista à
promoção do direito a um ambiente de vida humano, sadio e
ecologicamente equilibrado”.
Após a independência, e até à Cimeira do Rio em 1992,
o foco dos legisladores centrou-se na integração de temas
ambientais nas políticas sectoriais de actividades como a
mineira, petrolífera e pescas.
Em 1998 foi aprovada a Lei de Bases do Ambiente
(LBA), legislação que veio estabelecer os princípios orientadores em matéria ambiental e comprometer o Estado com
a criação das condições essenciais, em termos de estruturas, organismos especializados e legislação, para atingir
os objectivos de protecção, preservação e conservação do
ambiente e de uso consciente dos recursos naturais. Este
facto imprimiu uma maior dinâmica na actividade legislativa no sector ambiental angolano, despoletando a criação de
uma nova geração de diplomas legislativos e regulamentares
na tutela ambiental.
No que respeita ao sector dos resíduos urbanos, a LBA
estabelece que “o Governo deve fazer publicar e cumprir
legislação de controlo da produção, emissão, depósito,
importação e gestão de poluentes gasosos, líquidos e sólidos”, sendo “ expressamente proibida a importação de
resíduos ou lixos perigosos, salvo o que vier a ser estabelecido em legislação específica, a aprovar pela Assembleia
Nacional.
Em 2004, foi aprovada a Lei n.º 3/04, sobre o
Ordenamento do Território e do Urbanismo, que estipula
que a actividade de ordenamento do território deve criar
“condições para a ocupação e o uso do espaço territorial que
sejam propícias à realização do desenvolvimento económico
e social e à melhoria da qualidade de vida das populações”.
Esta lei também determina que o uso do espaço territorial
deve preservar o ambiente, a qualidade e organização dos
espaços rurais e urbanos e de tudo o que os envolve.
Por sua vez, o Decreto n.º 51/04, também aprovado em
2004, prevê que deve ser realizado um estudo de impacte
ambiental antes do licenciamento de “ qualquer projecto agrícola, florestal, industrial, comercial, habitacional, de turismo
ou de infra-estruturas” que devido “à sua natureza, tamanho
ou localização possam ter implicações no equilíbrio ambiental ou social”. Posteriormente, em 2010, foi aprovado o
Decreto n.º 1/10 que estabelece a “realização de auditorias
ambientais às actividades públicas ou privadas, susceptíveis
de provocar danos significativos no ambiente”. Estas auditorias poderão ser feitas apenas por entidades especializadas,
quer sejam públicas ou privadas.
A Lei n.º 9/04 - Lei das Terras, tanbém de 2004, tem
como objecto estabelecer as “bases gerais do regime jurídico
das terras integradas na propriedade originária do Estado, os
direitos fundiários e o regime geral de transmissão, constituição, exercício e extinção destes direitos”. Esta lei estipula
que a ocupação, uso e fruição das terras deve ter em conta o
respeito “à protecção das paisagens e das espécies da flora e
fauna, à preservação do equilíbrio ecológico e ao direito dos
cidadãos a um ambiente sadio e não poluído”.
Promulgada em Maio de 2011, a Lei do Investimento
Privado “estabelece as bases gerais do investimento na
República de Angola e define os princípios e o regime de
acesso aos incentivos e a outras facilidades a conceder pelo
Estado a este tipo de investimento”. Está previsto na lei que
os investimentos superiores a 10 milhões de dólares têm de
ser aprovados em Conselho de Ministros.
Importa ainda referenciar a lei que exige o desenvolvimento de Planos Directores Municipais (PDM) nos
quais devem constar linhas orientadoras e de acção para
os Municípios em matéria de organização do território, na
medida em que é fundamental a previsão de espaços para a
implantação de infra-estruturas de tratamento.
Por último, e não menos importante, a nova versão
da Constituição da República de Angola foi aprovada em
2010 e eleva à categoria de tarefas fundamentais do Estado
a “criação progressiva das condições necessárias para tornar efectivos os direitos económicos, sociais e culturais dos
cidadãos”; “ a promoção do bem-estar, solidariedade social
e a elevação da qualidade de vida do povo angolano, designadamente dos grupos populacionais mais desfavorecidos”
e“ a promoção do desenvolvimento harmonioso e sustentado em todo o território nacional, protegendo o ambiente
[...]”. Ainda, a Constituição estabelece o direito ao saneamento básico por parte das populações através do “Direito
ao Ambiente” que dita que “todos têm o direito de viver num
ambiente sadio e não poluído, bem como o dever de o defender e preservar”.
3.2. Protocolos internacionais
Para além da legislação anteriormente referida, é necessário reconhecer que a modernização do quadro normativo
ambiental nacional teve um impulso externo muito importante. Angola é Parte Contratante em diversos acordos
multilaterais de ambiente e, no contexto jurídico do país, é
suficiente a publicação dos diplomas de aprovação da ratificação dos acordos e tratados internacionais em Diário da
República para que passem a constituir-se como lei.
Angola tem diversos acordos e tratados internacionais
ratificados, sendo de destacar:
* Convenção para a Protecção do Património Mundial,
Cultural e Natural, ratificada em 1991 e que declara que os
Estados “devem reconhecer a obrigação de assegurar a identificação, protecção, conservação, valorização e transmissão
às gerações futuras do património cultural e natural” situado
no seu território;!
* Convenção de Viena para a Protecção da Camada de
Ozono, ratificada em 2000, promove a cooperação através de observações sistemáticas, investigação e troca de
informação que permitam uma avaliação dos efeitos da actividade humana na camada de ozono, e dos efeitos na saúde
humana e no ambiente resultantes destas alterações;?
* Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Alterações Climáticas, ratificada em 2000, estabelece como
objectivo que a Convenção, ou qualquer instrumento legal
proveniente da mesma, seja adoptado por forma a reduzir a concentração dos gases responsáveis pelo efeito de
estufa. É desta Convenção que resulta o Protocolo de Quioto
de 1997, que “ integra os compromissos assumidos pelos
países industrializados de reduzirem as suas emissões de
determinados gases com efeito de estufa responsáveis pelo
aquecimento global”;;
* Convenção Internacional sobre a Cooperação e
Combate contra a Poluição por Hidrocarbonetos, ratificada
em 2001, pretende criar um conjunto de procedimentos e
medidas a tomar quando um incidente ou comunicação de
incidente com hidrocarbonetos ocorre. Pretende igualmente
criar um sistema para o combate e prevenção da poluição e
incidentes com hidrocarbonetos; 4º
* Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos
Persistentes (POP), ratificado em 2005, que fornece as bases
para a eliminação da produção, utilização, importação e
exportação de 12 POP prioritários, bem como para o seu
manuseamento em segurança e a deposição e eliminação ou
redução das libertações não propositadas de certos POP para
o ambiente.
De salientar que até Julho de 2012 Angola estava em
processo de ratificação da Convenção de Basileia que esta-
! UNESCO, Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural
? Ministério da A gricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, www.apambined Nations, Framework Convention On Climate Change, 1992
* Gabinete de Documentação e Direito Comparado, Convenção Internacional sobre a Cooperação
contra a Poluição por Hidrocarbonetos
belece um conjunto de normativas sobre a transferência de
resíduos perigosos entre fronteiras.
Ainda no contexto extemo, Angola é membro da organização SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África
Austral) estando em processo de ratificação dos Protocolos
sobre Fauna e Florestas.'
Em suma, no que respeita à gestão de resíduos com a
aprovação pelo Conselho de Ministros em Julho de 2012 do
Regulamento Geral dos Resíduos um importante passo foi
dado com a aprovação da lei-quadro.
Com uma forte influência do quadro dos resíduos da
União Europeia, o regulamento tem como objectivo o estabelecimento de normas relativas à produção, deposição no
solo e subsolo, lançamento para a água ou para atmosfera,
tratamento, recolha, armazenamento e transporte de quaisquer resíduos. O estabelecimento destas normas procura
prevenir ou minimizar os impactes negativos sobre a saúde
das pessoas e sobre o ambiente.
Figura 17 - Síntese da legislação e convenções
Iesislaço Angie [|
Decreto n.º 495/73 - Poluição das águas, margens e praias do
selho de Ministros em Julho de 2012
spots [e
e Natural
Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações
Convenção sobre a Cooperação e Combate contra a Poluição
tentes (POP)
Ministério do Ambiente
4 Modelo de gestão de resíduos
4.1. Entidades envolvidas na gestão de resíduos
Ministério do Ambiente
De acordo com o seu estatuto orgânico, o Ministério do
Ambiente (MINAMB) é “o órgão do Governo responsável
pela coordenação, elaboração, execução e fiscalização das
políticas do ambiente, em particular nos domínios da biodiversidade, das tecnologias ambientais, da prevenção e
avaliação de impactes bem como da educação ambiental”.
' Ministério do Ambiente
O papel desempenhado pelo MINAMB visa “a protecção da
saúde pública e o bem-estar das populações e ecossistemas”.
No que concerne às atribuições específicas do MINAMB
na gestão de resíduos, destaca-se o dever de “assegurar, nos
termos da lei, a fiscalização e o controlo permanente da produção e gestão de resíduos, o dever de garantir a aplicação
dos instrumentos legais e a realização dos objectivos, programas e acções de controlo da poluição atmosférica e das
águas”.
Para o desenvolvimento da sua actividade, o MINAMB
conta com quatro direcções nacionais, sendo de referir a
Direcção Nacional de Gestão do Ambiente, que é responsável pela elaboração e execução de políticas, estratégias
e planos nacionais do ambiente (por exemplo, o Plano
Nacional de Gestão do Ambiente). Esta estrutura deve ainda
promover estratégias de educação ambiental dos cidadãos,
elaborar estudos e pareceres sobre os problemas da poluição
do ambiente e propor as respectivas medidas de prevenção,
bem como sugerir os termos da cooperação com entidades
nacionais e estrangeiras. A Direcção Nacional do Ambiente
é constituída por três departamentos: o Departamento de
Qualidade do Ambiente, o Departamento de Gestão de
Resíduos e o Departamento de Educação Ambiental.
Autoridade Nacional Designada
O Ministério do Ambiente promoveu, em Março de
2011, a primeira reunião da Autoridade Nacional Designada
(AND), agência responsável pela aprovação de projectos nacionais elegíveis para o mercado de carbono, que foi
criada pelo Decreto n.º 2/10.
Compete à Autoridade Nacional Designada “aprovar e
validar as actividades dos projectos elegíveis no âmbito de
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), de acordo
com os princípios do Protocolo de Quioto”, “harmonizar os
projectos de MDL, com as diferentes políticas sectoriais na
exploração, protecção, gestão e uso sustentável de recursos
naturais”, “definir internamente critérios adicionais de elegibilidade relativamente ao estabelecido no Protocolo de
Quioto (por exemplo, impacte do projecto na qualidade do
ar, impacte do projecto na criação de emprego, impacte do
projecto na provisão de, ou acesso a, serviços básicos para
a área proposta, entre outros)” e “verificar e certificar as
reduções de emissões de gases com efeito de estufa”, entre
outros.
A avaliação dos projectos de MDL é elaborada por uma
Comissão Técnica de Avaliação, a qual é presidida pelo
Coordenador da AND, que emite a decisão final da aprovação do projecto, e integrada por um vice-coordenador
nomeado pelo Ministro do Ambiente.
Províncias e Municípios
Os Governos Provinciais têm uma intervenção estratégica, na medida em que são as entidades que devem
garantir o alinhamento entre os objectivos estabelecidos
pelo MINAMB e o desenvolvimento da actividade dos
Municípios. No que diz respeito à função de coordenação,
os Governos Provinciais devem, por um lado, gerir a execução das deliberações do Conselho de Ministros e, por
outro lado, assegurar a orientação e a monitorização das
Administrações Municipais e Comunais e dos institutos e
empresas públicos de âmbito local. Os govemos têm ainda
autonomia para desenvolver regulamentos mas estes têm de
ser submetidos à aprovação em Conselho de Ministros. À
nível ambiental, é da sua competência promover medidas de
defesa e preservação do ambiente e atribuir as concessões de
gestão dos RU.
Na estrutura do Governo Provincial, existe um Director
Provincial do Ambiente que é nomeado pelo respectivo
Governo, tendo em conta o parecer do Ministro do órgão
central da especialidade (neste caso o MINAMB;). A sua função é gerir a Direcção Provincial com o objectivo de, neste
caso, representar o Ministério do Ambiente a um nível mais
local, reportando ao Ministério a sua actividade.
As Administrações Municipais, relativamente à gestão
de resíduos, são responsáveis por garantir a recolha, o tratamento do lixo e a conservação da estética dos espaços de
núcleos populacionais. Em alguns casos, as administrações
efectuam a recolha dos resíduos com recurso a meios próprios, como por exemplo os Municípios de Caála, Ukuma
e Longonjo, da Província do Huambo. As Administrações
Municipais reportam a sua actividade aos Governos
Provinciais e supervisionam as Administrações Comunais.
Operadores privados
Em alguns casos, as entidades que estão responsáveis
pela prestação de serviços de saneamento são privadas. À
prestação de serviços pode incluir a recolha e tratamento de
resíduos, a manutenção da rede de drenagem, e a manutenção e expansão da rede de esgotos, entre outros.
De uma amostra de 19 Municípios, apesar de algumas
Administrações Municipais efectuarem parte ou a totalidade
da recolha e/ ou deposição de resíduos, estas actividades são
assumidas, na maioria dos Municípios, por concessionárias
ou empresas subcontratadas.
Figura 18 - Modelo de gestão da recolha e deposição de
RU em Luanda, Huambo e Tombwa
(média ponderada pela população)
Recolha Deposição o
Em LES : Legenda
FA O. ' Meios municipais
..— so IH Meios privados
Fonte: Estimativa da equipa de projecto do PESGRU com base na metodologia
detalhada no Anexo A.5 e nos dados dos inquéritos
Associações de Defesa do Ambiente
As Associações de Defesa do Ambiente (ADA) são
associações sem fins lucrativos cujo objectivo final é a preservação do ambiente. Este tipo de organização pode ter
um âmbito municipal, provincial ou nacional, mediante o
número de associados que a constituem. Consoante o seu
âmbito de actuação, as associações de defesa ambiental
têm o direito de participar e intervir na definição da política
do ambiente e das grandes linhas de orientação legislativa.
Contudo, actualmente, a actividade das Associações de
Defesa do Ambiente (ADA) consiste maioritariamente na
educação e sensibilização ambiental a nível local.
A Rede Ambiental Maiombe foi fundada em 2001 como
um fórum de concentração deste tipo de associações, no qual
se pretende dinamizar o movimento a favor do ambiente,
criando oportunidades de formação, de partilha de informação e de financiamento para projectos das Associações de
Defesa do Ambiente, na vertente de educação ambiental.
Em conclusão, as responsabilidades associadas à gestão de resíduos estão partilhadas entre o MINAMB, as
Províncias, os Municípios e os operadores privados, com a
importante participação das ADA principalmente na educação ambiental.
Figura 19 - Envolvimento das entidades na gestão de
resíduos
Goçec ANN, o : o |
| Repiniação SN & o e |
caio o | '
Melão º º
Operação de recolha o LL) Ss
Educação ambiental o o O Ss
Legenda;
O - Responsávei (O - Envovido É - Partícipa pontualmente
5 Recolha indiferenciada
5.1 Funcionamento geral do modelo de recolha
A concentração de resíduos em lugares impróprios é
um problema que afecta a generalidade do país. Tanto nos
centros urbanos e periferias, como no meio rural, verifica-
-se uma insuficiência de contentores onde a população possa
depositar o lixo doméstico produzido. Os contentores existentes por vezes encontram-se em locais desadequados para
a população (por exemplo, ao longo de estradas com muito
tráfego) e para os transportes de recolha (por exemplo, em
zonas não pavimentadas). Adicionalmente, em alguns pontos do país, os contentores de plástico revelaram ser uma
solução inviável devido ao furto destes equipamentos e,
nestes casos, a alternativa é a sua substituição por barcas,
nas zonas periféricas das cidades (por exemplo, Talatona).
No entanto, como é bastante comum as crianças fazerem a
deposição do lixo e a sua estatura não permite o alcance das
barcas, os resíduos acabam por cair ou ser depositados em
redor das barcas. Igualmente, a deposição do lixo que é recolhido em carrinhos de mão nas barcas torna-se difícil pelo
esforço físico que exige levantar todo o seu peso.
Como já referido anteriormente, a recolha e transporte de resíduos encontra-se sob a responsabilidade das
Administrações Municipais ou operadores privados, e
é realizada com o recurso tanto a meios mecânicos como
manuais. Existem também os “catadores de lixo”, pessoas
que recolhem lixo específico, sobretudo garrafas de plástico
e de vidro, que depois vendem em armazéns especializados ou revendem o “vasilhame” ao público, por vezes com
combustível ou mesmo com bebida. Esta recolha é feita em
condições muito precárias, sem o recurso a equipamento de
protecção apropriado.
5.2 Luanda
Na Província de Luanda, a gestão de RU está concessionada à Elisal E.P. - Empresa de Limpeza e Saneamento
de Luanda. No âmbito das suas funções, a Elisal recorre a
operadores privados, estando encarregue de monitorizar
e fiscalizar estas mesmas. A empresa é titular dos activos públicos relacionados com o serviço de limpeza da
Província de Luanda e conta com um orçamento estimado
em 18 milhões de dólares por mês para o desenvolvimento
da sua actividade.
Para promover a operacionalização da recolha de residuos urbanos em Luanda, a cidade foi dividida em 26 zonas
e a operação diária de recolha decorre durante a noite (das
21h00 às 04h00). Actualmente, existem na cidade mais de
20 operadores privados responsáveis pela recolha de residuos, em áreas urbanas e suburbanas.
Tem-se verificado um incremento nos investimentos por
parte destas, sobretudo na renovação da frota e no aumento
da sua capacidade.'
Em Luanda, está planeada a implementação, por parte da
Elisal, de um novo sistema de recolha de resíduos, que prevê
a transição da recolha de amontoados de lixo para a prestação de serviço porta à porta, mesmo nas zonas de acesso
difícil. Este novo modelo implica um maior envolvimento
das Administrações Municipais, um reforço da consciencialização e da educação ambiental, e um incremento e
adaptação dos contentores aos locais de recolha.?
Também segundo este novo sistema de recolha de resíduos proposto pela Elisal, definiu-se que a recolha de
resíduos nas zonas urbanas deverá ser feita por camiões,
nos musseques por tractores, e nas zonas de acesso difícil
devem ser nomeados agentes comunitários para fazerem a
recolha.”
No Zango, o sistema de recolha consiste na recolha
porta-a-porta, os residentes depositam o lixo em baldes que
são colocados nas portas de suas casas para serem recolhidos por camiões.
Nas Ingombotas, a recolha nocturna decorre diariamente
entre as 21h00 e às 04h00. O sistema de recolha prevê a retirada dos contentores vazios da via pública durante o dia, o
que na realidade não se verifica. Desta forma os contentores servem mais do que a população prevista tornando-se o
número de contentores existentes insuficiente.
No Cazenga, entrou em activo um projecto de recolha
porta-a-porta efectuado por 7 micro empresas, que possuem
' Sapo Angola, saúde.sapo.ao
* Elisal
* Elisal
45 brigadistas. O modelo exige que os munícipes colaborem com as operadoras, depositando o lixo à hora indicada à
entrada das suas residências. Com esta iniciativa, pretende-
-se mitigar a deposição do lixo nas linhas férreas, situação
que ocorria em zonas não abrangidas por camiões de recolha. Ainda que a sua implementação seja recente, já se têm
notado resultados na melhoria de imagem do Município.
Antes da deposição, parte dos resíduos recolhidos em
Luanda passavam por uma das duas estações de transferência, uma no bairro do Cazenga e outra em Camama,
ambas operadas pela Elisal. Actualmente, estas infra-estruturas estão encerradas devido ao seu estado de degradação,
estando, no entanto, prevista a sua recuperação bem como a
construção de uma terceira estação de transferência na zona
Norte de Luanda. A Elisal monitoriza, de resto, todo o processo de recolha e transporte de resíduos, através do sistema
GPS (Global Positioning System) instalado.
De referir ainda, o investimento realizado pela Elisal,
em parceria com a Vista Waste, no Centro de Educação
Ambiental de Luanda, centro operativo do já mencionado
Programa de Educação Ambiental da Província.
5.3. Benguela
Na zona urbana de Benguela, verifica-se, por vezes, a
queima do lixo dentro das barcas para separar metais, sendo
uma situação perigosa para as populações devido à poluição e risco de incêndio associados a esta prática. Nas áreas
às quais não há acesso fácil, foram colocados contentores
à entrada dos bairros e distribuídos sacos de recolha, no
entanto, esta experiência não obteve os resultados esperados.
Nas zonas suburbanas, a ausência de asfalto e o relevo
acentuado do terreno dificultam a eficácia do serviço de
recolha. Os camiões apenas passam por determinados locais
e quando as ruas são menos amplas, opta-se pela utilização
de motas com atrelados e pela recolha manual, através da
contratação de senhoras que recolhem o lixo com carrinhos
de mão. De salientar que, em época de chuva, o processo de
recolha torna-se mais complicado ou até mesmo inviável em
determinadas zonas.
5.4. Huambo
No Huambo, o sistema de recolha é assumido pela
Administração Municipal ou por operadores privados, consoante o Município. Segundo a informação fomecida nos
inquéritos, no Huambo, Bailundo, Chicala- Choloanga,
Ecunha e Cachiungo existem operadores privados que assumem a recolha e nos restantes Municípios (Caála, Longonjo,
Chinjenje, Mungo, Ukuma e Londuibaml1) a responsabilidade é da administração.
Figura 20 - Taxa de população servida por um sistema
de recolha de RU
me o eee]
6 Tratamento, valorização e deposição
Nas zonas não abrangidas pelo sistema de recolha,
sobretudo nas periferias das cidades e nos meios rurais, os
resíduos são eliminados, de forma recorrente, através de
queimadas. Este processo liberta cinzas e gases prejudiciais
não só para o ambiente, mas também para a saúde pública,
para além de incrementar o risco de incêndios.
Quanto ao tratamento dos resíduos que são recolhidos, o
sistema em Luanda encontra-se mais desenvolvido quando
comparado com o resto do país.
6.1 Luanda
No que se refere aos resíduos recolhidos, em Luanda, o
seu destino foi, durante muito tempo, as lixeiras dispersas
pela cidade, mas esta situação alterou-se com a inauguração,
em 2007, do aterro sanitário de Mulenvos. O aterro encontra-se em linha com as boas práticas, estando equipado com
sistemas de tratamento dos gases e águas libertados pelos
resíduos, e ocupa uma zona com um perímetro de vedação
de 7 km, com uma cortina vegetal de quatro mil eucaliptos.
A sua área de serviço é de 525 hectares, dispondo de duas
balanças de grande porte, uma oficina para os meios pesados
e outra para viaturas ligeiras, e um edifício administrativo.
Até Julho de 2012, decorriam estudos sobre a composição
do biogás produzido no aterro, para posterior análise de
soluções para o seu aproveitamento.
Inicialmente, o tempo de vida útil estimado para o aterro
era de 23 anos. No entanto, os volumes depositados no aterro
têm vindo a crescer significativamente acima das previsões,
e caso esta tendência se mantenha, o tempo de vida útil do
aterro poderá ser reduzido para 15 anos.
Uma forma de atenuar este problema seria a valorização
dos resíduos, no entanto esta solução não é ainda possível a uma grande escala devido, por um lado, à ausência
de recolha selectiva, e por outro, à falta de infra-estruturas
de reciclagem/ valorização. Existem alguns casos de utilização de métodos como a reciclagem e reutilização por parte
de privados, mas as taxas de valorização são ainda muito
reduzidas.
Quanto às lixeiras existentes na cidade, o Governo
pretende apostar na sua requalificação, existindo já uma
iniciativa para a conversão da lixeira do Golfe, onde se
encontra acumulado mais de um milhão de toneladas de
lixo, em Parque Botânico.
Existem também, em Luanda, duas incineradoras destinadas especificamente ao tratamento de resíduos hospitalares.
Uma das incineradoras pertence ao Governo Provincial e foi
instalada, em 2009, nas imediações do aterro de Mulenvos.
Esta infra-estrutura tem capacidade para tratar 20 toneladas
de lixo por dia, recebendo resíduos hospitalares de toda a
Província de Luanda e, inclusivamente, de outras Províncias
do país. A outra incineradora pertence a uma entidade privada que recebe e trata resíduos hospitalares.
6.2. Restantes Províncias
Fora de Luanda, a existência de infra-estruturas preparadas para a recepção e tratamento dos resíduos é praticamente
nula. O lixo continua a ser depositado de forma desordenada e em locais impróprios. Em Cabinda e Benguela,
por exemplo, os resíduos são depositados em áreas pantanosas, situação que aumenta o risco de contaminação das
águas superficiais e dos lençóis freáticos. Em determinados
Municípios do Huambo, que têm uma componente populacional mais rural e onde o poder de compra é menor, os
resíduos acabam por ser tratados em ambiente doméstico:
uma parte é enterrada e a outra serve para compostagem
caseira.
Não obstante este enquadramento, existem várias
referências do início de grandes investimentos em infra-
-estruturas de tratamento e valorização de resíduos em várias
Províncias, como Cabinda, Huambo, Lubango, Cunene,
Lunda-Sul, Bié, e Benguela. Apenas após uma análise das
características técnicas destas infra-estruturas planeadas ou
em construção nas referidas Províncias, será possível classificá-las como aterros sanitários ou lixeiras controladas.
No Huambo, está a ser construído um aterro no local de
uma antiga lixeira.
No Lobito, existe uma lixeira qualificada de controlada,
por se tratar de uma vala grande onde são depositados os
resíduos e porque é feito o controlo dos camiões e a sua pesagem à entrada. Nesta lixeira, existem catadores de lixo que
separam os resíduos que possam ser aproveitados para uso
próprio ou comercialização. Os catadores vivem no seio da
lixeira em condições muito precárias, com riscos sérios para
a sua saúde. Em Benguela existe uma lixeira semelhante.
Apesar de o sistema de tratamento de resíduos estar em
desenvolvimento, o esforço de partilha de infra-estruturas
entre Municípios é uma boa prática de adopção crescente
em Angola (por exemplo, o aterro sanitário da Província de
Luanda e o aterro intermunicipal para o Huambo e Caála).
7 Financiamento da actividade
7.1 Orçamento do Estado
Para o ano de 2012, um dos objectivos estratégicos
prioritários do Estado é garantir a sustentabilidade do des envolvimento, através do uso racional dos recursos naturais
e da melhoria da qualidade ambiental. Esta crescente preocupação com o desenvolvimento de um ambiente são em
Angola reflecte-se no aumento das dotações do Estado para
a gestão de resíduos.
As contribuições previstas no orçamento do Estado
para a actividade de gestão de resíduos têm vindo a aumentar nos últimos anos, em particular no ano de 2012 em que
se constatou um aumento de 19,8 mil milhões de kwanzas
(201 milhões de dólares) para 40,1 mil milhões de kwanzas
(406 milhões de dólares), correspondendo a um aumento de
cerca de 100%. Simultaneamente, o aumento para mais do
dobro do peso do orçamento para a gestão de resíduos no
valor total do OGE confirma a crescente preocupação com
a situação de acumulação de resíduos nos centros urbanos e
periferias.
Figura 21 - Orçamento do Estado para a gestão de resíduos e respectivo peso (em mil milhões de AKZ)
(TEMA
o A0%/
40,1
172 19,8 :;
14,7 —
10,5 E DB. [E
loara] ã = | 0.55% & à.
0,48%
2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Ministério das Finanças, www.minfin.aov.ao: Taxa de câmbio: Banco do Fomento de
Angola, nww.bfaao
7.2 Fontes de financiamento das Províncias/ Municípios
As duas principais fontes de financiamento das
Províncias e Municípios para a gestão de RU são o OGE e
as receitas provenientes da aplicação de taxas. Em Angola,
de um modo geral, o orçamento constitui a principal fonte de
financiamento dos Governos Provinciais e Administrações
Municipais. Contudo, como indica o benchmarking, os fundos disponibilizados estão abaixo do que se verifica noutros
países.
Figura 22 - Benchmarking do peso da gestão de resíduos no orçamento total
9,0%
5,0%
4,0%
3,0%
1,9%
11% 1,2% |
0,2% 0,2%
—— 2 ER UND DE E
Cabinda Huambo e Luanda Restantes Belize Belo Deli Nairobi Cidade de
Bailundo Municipios Horizonte Quezon
do
Huambo
== = us ua = 2
Angola Angola Angola Angola Angola Brasil Índia Quênia Filipinas
Nota 1: Os custos dos Municípios do Huambo e Bailundo são assumidos pelo
orçamento da Provincia e os custos dos restantes Municípios do Huambo (Caála,
Chicala-Choalanga, Cachiungo, Ecunha, Ulkuma, Longonjo, Mungo, Londuimbali,
Chinjenje) são assumidos pelo orçamento do Município. Para estes Municípios foi
considerada uma média sunples do peso do custo no orçamento do Município.
Nota 2: Para o caso de Luanda, não tendo sido disponibilizados os orçamentos
municipais, considera-se o orçamento da Província.
Fonte: Estimativa da equipa de projecto do PES GRU com base nos dados dos
inquéritos; Solid Waste Management in the World Cities, United Nations Habitat
Na Província de Luanda, a cobrança de taxas aos estabelecimentos do sector do comércio e serviços, através de
celebração de contratos com a Elisal, constitui uma fonte de
financiamento complementar. Apesar de os contratos serem
obrigatórios, actualmente não há fiscalização da sua celebração. Ainda assim, no caso da Cidade de Luanda as receitas
provenientes da aplicação da taxa permitem arrecadar cerca
de 8,5 milhões de dólares, o que representa 18% do orçamento total da actividade.
Figura 23 - Peso das tarifas e do orçamento na gestão de
RU nos Municípios de Luanda
3% - —— —=- — ,
. ES E7 EM EX 03 PS
97% 92% 92% 91% 91% "
Quiçama “Viana Cazenga lcolo Cacuaco Belas Luanda
Bengo
= Peso do orçamento Peso das tarifas
Fonte: Elisal
Ainda, em Luanda, foi aprovada no início de 2011 a “Lei
das Transgressões Administrativas” que prevê “a punição
de pessoas colectivas e individuais, que pratiquem qualquer
acção que perturbe a ordem pública, segurança de pessoas e
bens, saúde pública” nomeadamente através da cobrança de
multas. As multas a aplicar a pessoas singulares variam entre
um quarto do salário mínimo e cinquenta salários mínimos,
enquanto no caso das pessoas colectivas a multa varia entre
2 salários mínimos e 300 salários mínimos.
7.3 Financiamento externo
A política de investimento no desenvolvimento ambiental tem contado com o apoio financeiro de entidades
intemacionais.
O GEF — Global Environment Fund — atribui verbas do “Fundo aos Países Menos Desenvolvidos” a países
classificados como tal de acordo com três critérios: baixo
rendimento, capital humano deficitário e elevada vulnerabilidade económica. O Fundo atende às necessidades dos
países abrangidos, que são particularmente susceptíveis
aos impactes adversos das alterações climáticas. Em 2011,
o Estado de Angola beneficiou de cerca de 12 milhões de
dólares atribuídos no âmbito deste Fundo.
O Banco Africano de Desenvolvimento (AfBD) financiou o Projecto de Apoio ao Sector do Ambiente, que é
um programa de desenvolvimento do uso de tecnologias
ambientais limpas, no quadro da adaptação às mudanças climáticas, para as Províncias do Huambo, Cabinda, Namibe
e Kuando Kubango. O projecto, com duração de 5 anos,
conta com um financiamento de 19,5 milhões de dólares,
disponibilizados pelo ATBD, e cerca de 2 milhões de dólares
disponibilizados pelo Governo de Angola. Nas Províncias
em causa serão implementadas diferentes actividades, de
acordo com as características de cada região, entre as quais
sistemas de biogás.
Em preparação, por parte do MINAMB, estão 15 projectos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para
poder integrar o “Mercado de Carbono” criado no âmbito do
Protocolo de Quioto. Estes projectos, que permitirão reduzir
as emissões de gases de efeito de estufa, estão relacionados
com a melhoria da qualidade de água, a distribuição de energia eléctrica, entre outros.
Adicionalmente, o Acordo de Copenhaga formalizou
o compromisso dos países desenvolvidos providenciarem
recursos financeiros a países em vias de desenvolvimento.
No âmbito do acordo, Portugal comprometeu-se a contribuir com um valor de 12 milhões de euros por ano, entre
2010 e 2012, com especial enfoque em países parceiros
da cooperação portuguesa. O financiamento enquadra-se
na Iniciativa Portuguesa de Implementação Imediata (Fast
Start) em Matéria de Alterações Climáticas e a sua atribuição é feita com base na avaliação dos projectos submetidos.
Para Angola, está previsto um pacote de 9 milhões de euros
para o período de 2010-2012, estando projectos a serem
desenvolvidos para submissão à aprovação.
Existem ainda outras entidades que têm desempenhado
um papel fundamental no apoio ao desenvolvimento da
política ambiental de Angola, nomeadamente, as agências
especializadas das Nações Unidas, tais como o Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD), o Banco Mundial, aleuns membros da União
Europeia, a SADC, várias ONG internacionais (por exemplo a UNICEF) e diversas empresas petrolíferas.
8 Outros resíduos com interface com a gestão de RU
8.1. Fluxos específicos
Um fluxo de resíduos compreende o trajecto do resíduo
desde a sua recolha, passando pelo seu transporte até à sua
valorização. Uma gestão correcta dos fluxos de resíduos,
nomeadamente dos fluxos específicos tais como, por exemplo, vidro, papel ou resíduos orgânicos, que requerem uma
gestão própria, é essencial à diminuição de desperdícios e ao
aumento da eficiência da valorização dos resíduos.
Apesar de não se encontrarem ainda formalmente estruturados, verificam-se actualmente algumas actividades
de recolha selectiva/ triagem a nível informal. Por exemplo, durante as visitas de campo, foi possível constatar a
presença de catadores em lixeiras. Como foi mencionado
anteriormente, a sua função é separar resíduos que possam
ser reaproveitados e valorizados, para uso próprio, ou para
posterior revenda ao público ou venda a empresas que os utilizem como matéria-prima (por exemplo, plástico, metais,
entre outros).
Um outro caso são empresas que, por conta própria,
fazem a recolha de materiais que posteriormente são utilizados como matéria-prima (por exemplo, a Vidrul que, em
Luanda, faz a recolha de materiais de vidro nos restaurantes
para posterior incorporação no processo de produção de garrafas de vidro).
No contexto das sucatas, verifica-se a emergência de um
sector informal assente na sua recolha e concentração para
posterior valorização. Esta iniciativa permite a redução de
resíduos no destino final e constitui uma fonte de matéria-
-prima mais barata.
É ainda de referir que algumas zonas habitacionais
encontram-se já a ser preparadas para a introdução da recolha selectiva, como é o caso da Nova Centralidade Kilamba
Kiaxi e do Projecto Nova Vida, onde está prevista a colocação de ecopontos.
8.2. Sector petrolífero
O sector petrolífero é dotado de legislação que estabelece as linhas gerais para a gestão dos resíduos resultantes
da actividade, nomeadamente o Decreto Executivo n.º 8/05
que aprova o Regulamento dos Procedimentos sobre a
Gestão, Remoção e Depósito de Desperdícios na actividade
petrolífera.
Este regulamento prevê a existência de um programa para
a manutenção de equipamentos usados no processo de tratamento dos resíduos bem como a elaboração de programas de
monitorização ambiental para estas actividades e redução da
quantidade de desperdícios, pela utilização da reciclagem,
reutilização e devolução aos fornecedores. São ainda estabelecidos os procedimentos de manuseamento, transporte
e armazenamento de resíduos petrolíferos e adequação dos
métodos para a remoção e tratamento dos mesmos.
8.3. Resíduos hospitalares
Como já referido anteriormente, foi instalada em 2009 no
aterro sanitário de Mulenvos em Luanda uma nova incineradora para a eliminação de resíduos hospitalares. Para além
desta infra-estrutura, existem nesta cidade empresas que se
dedicam à recolha e incineração deste tipo de resíduos. No
entanto, em outras Províncias do país, não se encontram
disponíveis este tipo de infra-estruturas, e os resíduos hospitalares continuam a ser depositados em lixeiras.
Apesar de, em 2004, ter sido aprovado o Plano de Gestão
de Resíduos Hospitalares, com o objectivo de criar comunidades mais saudáveis com a consequente melhoria da
qualidade de vida, redução dos custos com cuidados de saúde
e criação de oportunidades de reciclagem através da educação e consciencialização da população e da introdução de
novos diplomas legislativos, verifica-se ainda ser necessário reforçar a regulação do sector com legislação específica
sobre os métodos de triagem, manuseamento, transporte,
depósito, e eliminação dos resíduos hospitalares, e fomentar
a gestão integrada deste tipo de resíduos.
De forma a responder a esta necessidade, estão previstos,
para 2012, avanços significativos no novo Plano Nacional
de Resíduos Hospitalares, que irá permitir um melhor funcionamento das empresas do sector.
8.4. Resíduos perigosos
Como foi referido anteriormente, Angola está em fase de
adesão à Convenção de Basileia, que estabelece um conjunto
de normativas sobre a transferência de resíduos perigosos entre fronteiras. O objectivo da convenção é garantir a
segurança ambiental e a saúde humana em todas as fases da
cadeia, ou seja, no transporte, produção e gestão de resíduos
perigosos.
8.5. Resíduos de construção/ demolição
Na sequência do significativo crescimento urbanístico
e do esforço de requalificação de estradas, ruas e grandes
infra-estruturas públicas, constata-se a grande produção de
resíduos resultantes de demolições e de trabalhos de desa-
terro, bem como, de restos de materiais de construção
diversificados.
Mesmo existindo aleumas situações pontuais de reaproveitanento/ reciclagem destes materiais, é evidente a sua
deposição ao longo das estradas, o que determina a estruturação urgente deste fluxo.
Estratégia
IL.0 Pressupostos base do processo de reflexão estratégica
Estima-se que a produção anual de RU em Angola atinja
8,6 milhões de toneladas em 2025, equivalendo a uma capitação diária de 0,81 kg
Descrição da metodologia de projecção
Nos casos em que foram fornecidos dados de
produção de resíduos os valores considerados
constam nos inquéritos. Na tabela seguinte, é
possível consultar os valores de produção de
RU que foram disponibilizados.
Figura 24 - Dados de produção de RU provenientes do
inquérito do PESGRU (em toneladas)
processados proveniente
dos inquéritos
EXMO
Bailundo 12.000
Caála 7.869
ES E
Cazenga 91.870
Belas 165.276
Icolo Bengo 15.180
Quiçama 6.000
Cacuaco 116.910
Viana 296.760
Bengueta O |
ET EN
Nota: Os valores dos Municípios do Huambo consideram apenas a quantidade de residuos processados efectivamente recolhidos
Fonte: Dados dos inquéritos
No entanto, mediante a insuficiência dos dados, foi
necessário projectar a produção para o resto do país através
de uma metodologia desenvolvida. A projecção da produção de resíduos por Município para o período 2012-2025
foi realizada com base na correlação entre o rendimento per
capita e a capitação de resíduos num conjunto seleccionado
de países, relativamente aos quais há dados de produção de
resíduos disponíveis.
Para alimentar este modelo, foi estimada a evolução dos
rendimentos e da população de cada um dos 160 Municípios
de Angola. De forma a assegurar a robustez da projecção,
diferenciou-se, em cada Município, a realidade urbana da
rural, tanto em termos de população como de rendimento.
A figura abaixo sintetiza a metodologia adoptada.
Figura 25 - Metodologia de suporte à projecção da produção de resíduos e capitação em Angola para o período
2012- 2025
Cálculo da fórmula que
relaciona rendimento com
capitação diária com base em Equação
dados de cerca de 40 países pira
Capitação -
Dados de 2009 Rendimento
Fonte: Banco Mundial e
Nações Unidas
Projecção dos rendimentos Projecção do rendimento anual per capita:
mensais per capita, por quintil * Até 2016, as taxas de crescimento do ElU de 2012 a
da população, em cada 2016 (taxa média cerca de 14%); Rendimento
província, com desagregação * Entre 2017 inclusive e 2025 — taxa de crescimento per capita
em rendimento urbano e rural do WEO para 2017 (5,2%). urbano e rural,
por provincia,
Dados de 2009 Dados de 2012 a 2017 em cada ano
Fonte: Ministério do Fonte: Economist Business Unit e World Economic
Desagregação da população
Aplicação de taxas de
PROSAS Os o por de cada INDO ente rural e : dsrertiadas dá
.)! populações urbanas e rurais urbana e rural,
Dados de 2012 Dados de 2012 : por Município,
Fonte: INE e Segurança Social | | Fonte: Inquérito e Ministério a Periodo 2012-2025 SMA
ias (IBEP) Fonte: Nações Unidas
No caso da evolução do rendimento per capita, entidades que os disponibilizaram (Economist Intelligence
considerou-se: Unit e World Economic Outlook) e de não existirem fontes
Até 2016, as taxas de crescimento do EIU para o perí- - de informação alternativas para o período em questão.
odo de 2012 a 2016 (em média uma taxa de crescimento de b) Resultados do modelo de projecção
cerca de 14%); E ,
: ' ' De acordo com o modelo de projecção, estima-
Entre 2017 inclusive e 2025, a taxa de crescimento pro- 2025 ss. dia Átia
jectada pelo WEO para 2017 (5,2%). -se que, em 7 à Captação media aunja
Não obstante a evidente descontinuidade na taxa de aproximadamente 0,81 kg/dia em Angola
crescimento entre 2016 e 2017, optou-se por utilizar estes (ver Anexo A. 7), face a uma capitação média
pressupostos na projecção em virtude da credibilidade das actual de 0,46 kg/dia.
Figura 26 - Correlação entre o GNI* per capita e a capitação diária de resíduos urbanos
Dinamarca
o
EUA (2005)
2:00 * manda Buiça
Israel > 7 =0,312In60) - 1,794
" Al t Aura Holanda
Es Espanha Reino Úllda— —
Portugal — Gréci; Rowe. Bélgica Noruega
3 asa q O Cansdá 2004) Japão (2003) ? Fintândia à.
Caimarô Chile Coreia do Sul (2004) &
be + ZU Polónia República Checa
ngola 2088. —. "s
e é” Colômbia (2008)
cul Andela actual (2012)
TAS
É oindonésia (2008)
ak o 10,000 20,000 30,000 40.000 50.000 60,000 70.000 80.000 80.000
GNI per capita
Legenda 0 ,
O Angola actual (2012)
% Angola2025
* GNI — Gross National Income
Fonte: World Bank, www data worldbank.org; UN stats, www.unstats.un. ore: FMI, www.imf.ore
Através deste modelo, foi possível estimar a produção anual para cada Província e Município até 2025, ano em que se
estima uma produção total de resíduos de 8.592 mil toneladas.
Figura 27 - Produção anual de resíduos, por Província, até 2025 (em milhares de toneladas)
Moman — [ze [2 [a [as [2 [2 [ans [ans [am [am [am [25 [as [xs |
EE NES E E A NE MEO MESA MICO MN DNC DNC MN O IN CA MO
E ETA TE E MEC TS MEC ANTE IND A INE INCA ISO INCA INES INEO
ES ET O SA INTO MTE MTO NA MSC MSC MSC MCSA INC SA NETO
eme [Te [es Ds Ds Disse os] [os [Os [e]
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EESC ET E E NS O EC IC MTC MTE ST SECA NS CO NE MICO
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ma [Ge] 386] ums 065] sou] sm sem] som] san] 67%] 71] 762 | sos] sem
Fonte: Análise da equipa de projecto do PESGRU
Para efeitos de dimensionamento, e tendo em conta o peso significativo da componente arenosa na composição dos
RU (estimada em cerca de 20% em média), foi necessário estimar valores para a quantidade de resíduos processados.
Actualmente, a quantidade de resíduos processados é de 4.258 mil toneladas, sendo que se prevê o seu aumento para 10.808
mil toneladas em 2025.
Apesar de ser expectável, face ao investimento na pavimentação de vias e na estruturação dos aglomerados populacionais, a diminuição da componente arenosa na composição dos RU, mantém-se a estimativa de 20%, como cenário menos
favorável.
Figura 28 - Quantidade anual de resíduos processados, por Província, até 2025 (em milhares de toneladas)
Proiman — — [202 [205 [201 [2058 [ 20% [| 2057 [ 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 203 |
tendo — [1616] 1785] 1934] 209 2267] 2416] 2578] 2752 2940] 3199] 336 | 3605 386] 41]
ES NTE E E EC Sa MN Mc Mc MC BA NC INC INC O
EO EN NE NEC NETO NEC NES NET REC ECA ET EC ECO SA BO
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ES ET NET NET NE ES EC REC REC ES REC EC EC EC Il CO
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Tao [as][ se] sia [ 565] sin [556 [ 595 [737 [ 7815 [ san [ 575] 535 [557 [ 1nm
Fonte: Análise da equipa de projecto do PESGRU
Até 2025, prevê-se que as quantidades produzidas e processadas de resíduos urbanos aumentem para mais do dobro
do valor actual.
Figura 29 - Evolução das quantidades de resíduos produzidos e processados entre 2012 e 2025
(em milhões de toneladas)
É E) ——
— Total = 10,5
Total =4,3 É
2012 2025
= Produção de RU — » Componente arenosa
Fonte: Análise da equipa de projecto do PESGRU
IL.1 Formação e sensibilização
A preparação de quadros nacionais e a mobilização da
população para a implementação do PESGRU são condições
fundamentais para o seu sucesso
Desafios
Apesar do investimento realizado, nos últimos anos, em
acções de formação e sensibilização no contexto da gestão de
resíduos, verifica-se a necessidade de reforçar o foco nestas
matérias, tendo em vista assegurar o sucesso da implementação deste Plano Estratégico.
Para que a operacionalização das iniciativas dos restantes emxos do Plano seja realizada com êxito e de forma
sustentável, é crucial a disponibilidade de recursos humanos nacionais com preparação e competências para executar
as orientações definidas. A aposta em quadros nacionais
potenciará a eficiência no sector, a qualidade do serviço e
a capacidade de acompanhamento e monitorização dos proegressos atingidos.
Por outro lado, é também necessário garantir a consciencialização da população para os benefícios de uma correcta
gestão de resíduos. Esta sensibilização deverá combater as
assimetrias de informação entre classes sociais e/ ou regiões
do país, bem como endereçar tradições e hábitos culturais
não condicentes com uma correcta gestão de resíduos (por
exemplo, abandonar o lixo no chão).
É também aconselhável a introdução progressiva de
formação sobre os métodos de separação e tratamento de
resíduos. Esta abordagem facilitará a introdução, posteriormente, de sistemas de recolha selectiva, reciclagem e
compostagem, a nível nacional.
Objectivos, metas e iniciativas
1. Garantir a formação e qualificação profissional de
quadros nacionais
Assim sendo, um dos objectivos deste eixo será a formação, em temas específicos do sector, de quadros nacionais
de níveis superior e intermédio. Para atingir este objectivo,
propõe-se a prossecução das seguintes metas:
Até 2015, ter implementado um Programa de Acções de
Formação;
Até 2020, ter implementados cursos de nível superior
(pós-graduação, mestrados, doutoramentos) em matérias
específicas do sector.
Programa de Acções de Formação
O Programa, a ser elaborado pelo Ministério do Ambiente
em articulação com o Ministério da Educação, deverá elencar o conjunto de acções de formação, por tipo de matéria,
a realizar para técnicos do sector. Para cada acção de formação deverão ser definidos, entre outros aspectos, o âmbito,
objectivos, público-alvo, equipa de formadores e plano de
implementação.
Cursos de nível superior em matérias específicas do
sector
Por outro lado, é importante que as instituições governamentais, em especial o Ministério da Educação, apoiem
e incentivem a criação de cursos de nível superior sobre
matérias específicas do sector, como por exemplo a Gestão
Integrada de Resíduos. Estes cursos devem ser leccionados
em Universidades com uma boa reputação de qualidade académica, e em diferentes Províncias do país.
2. Garantir a consciencialização da população da
importância da gestão de RU
Para garantir a indispensável mobilização e participação da população na implementação do PESGRU, deverá
ser assegurada a consciencialização dos munícipes para o
impacte na saúde pública, bem-estar e ambiente da gestão
de resíduos.
Para garantir esta sensibilização, são propostas as seguintes metas:
Até 2015, 50% das escolas implementam no seu currículo escolar programas de sensibilização, passando para
100% até 2020;
Até 2017, 50% dos Municípios implementam, por ano,
pelo menos uma campanha local de sensibilização, incrementando para 100% até 2025.
Programa Nacional de Sensibilização
O cumprimento das metas definidas depende da implementação de um conjunto de iniciativas cujo ponto de partida
é o desenho do Programa Nacional de Sensibilização, no
qual o Ministério do Ambiente deverá definir as mensagens,
público-alvo e meios preferenciais das campanhas a realizar
a nível local. Podem, por exemplo, ser definidas directrizes
ao nível de:
Instruções e informação a disponibilizar em panfletos ou
em acções porta-a-porta;
Colaboração das operadoras para colocação de slogans
nos carros de recolha;
Disponibilização nas rádios de um horário fixo por
semana/ mês para mensagens de sensibilização;
Implementação de uma semana nacional de limpeza
pública.
Campanhas municipais de sensibilização
Posteriormente, estas orientações deverão ser vertidas,
pelas Administrações Municipais, em campanhas locais de
sensibilização. Na implementação dessas campanhas deve
ser amplamente fomentada a parceria com organismos do
sector (por exemplo, operadoras de recolha, ONG, empresas
com interesse em material reciclável) bem como entidades
com elevada visibilidade e influência sobre a população (por
exemplo, sobas, líderes religiosos, figuras públicas).
Para motivar o empenho nesta matéria, o MINAMB
deverá promover um conjunto de concursos para reconhecimento das melhores performances. Para o efeito, poderiam
ser criados, por exemplo, os prémios de “Melhor campanha
de sensibilização” ou a “Cidade mais limpa”, cujos resultados seriam amplamente publicitados.
Currículo escolar
Outra vertente crucial de sensibilização é a comunicação
nas escolas. Um primeiro passo deverá passar pela definição
Figura 30 - Síntese dos objectivos, metas e inici
Esse Implementado Programa de Acções de
1. Garantir a formação e quali- | até 2015
ficação profissional de quadros
nacionais Implementados cursos de nível superio
rias do sector, até 2020
Municípios implementam, por ano, pel
campanha local de sensibilização:
50% até 2017
100% até 2025
2. Garantir a consciencialização
da população para a importância
da gestão de RU Escolas implementam no seu currículo
gramas de sensibilização:
50% até 2015
100% até 2020
2 Recolha indiferenciada
Deverá ser assegurada a abrangência, eficiência e qualidade do serviço de recolha de resíduos, bem como a total
recolha do passivo existente
Desafios
Têm-se verificado melhorias consideráveis nos sistemas de recolha de várias cidades, como Luanda, Huambo
e Benguela. No entanto, o desenvolvimento e optimização
deste processo continua a ser um dos grandes desafios da
gestão de resíduos no país, existindo ainda um significativo
potencial de melhoria da taxa da cobertura e da eficiência
do sistema.
Tendo em conta a dimensão do país e as diferentes realidades existentes em termos de ordenamento territorial, será
e formação dos docentes no conteúdo e programas a incluir
no currículo escolar, bem como a definição do suporte didáctico necessário.
Projectos-piloto em escolas
Adicionalmente, devem ser iniciados programas-piloto
em várias escolas, em diferentes Províncias do país. Em função dos resultados obtidos com estas experiências, deverá ser
incentivada a divulgação dos sucessos obtidos e a replicação
dos programas em outras escolas. Um dos programas-piloto
deveria incidir sobre as técnicas de compostagem em
pequena escala, podendo ser iniciado, por exemplo, numa
zona rural, para potenciar a utilidade do composto. As crianças aprenderiam métodos simples de compostagem, sendo
incentivadas a aplicá-los nas suas casas e a partilhar esse
conhecimento com a sua comunidade.
Um outro programa-piloto poderia incentivar escolas a
comprometerem-se com a responsabilidade de manter limpo
um determinado perímetro em seu redor. Desta forma, as
crianças estariam directamente envolvidas na prática de limpeza da comunidade, ganhando hábitos de deposição de
resíduos nos locais adequados.
ativas para o eixo de Formação e sensibilização
Formação
sobre matérias do sector
zação, em parceria com outras entidades
— "
mensagens sobre gestão de residuos e reciclagem
importante que Angola adeque as práticas às características
das localidades, e aloque os seus recursos de forma eficiente.
1 Assegurar a abrangência do serviço de recolha de
resíduos
Um dos objectivos deste eixo do PESGRU é o incremento da cobertura do serviço de recolha de resíduos no
país, a qual se estima actualmente em cerca de 50% (valor
estimado com base numa amostra reduzida de Municípios
angolanos).
Tendo em consideração as especificidades de diferentes
enquadramentos populacionais, as taxas de recolha deverão
evoluir para:
Cerca de 100% nas zonas urbanas estruturadas, até 2015;
Cerca de 100% nas zonas peri-urbanas, até 2020;
Pelo menos 80% nos aglomerados populacionais das
zonas rurais, até 2022.
Reforço dos meios de recolha
Para atingir as metas propostas terão, necessariamente,
de se realizar investimentos ao nível de:
Meios de acondicionamento;
Meios de transporte, tanto manuais como mecânicos;
Recursos humanos.
Tendo em conta as projecções de produção de resíduos
(ver capítulo de Pressupostos base do processo de reflexão
estratégica) e a informação disponibilizada por algumas
operadoras de recolha, foram estimadas as necessidades de
financiamento para cada Município (ver capítulo de Plano
de Investimento).
Estações de transferência
Complementarmente ao reforço dos meios de recolha, as
entidades provinciais deverão definir, quando e se aplicável,
a rede de estações de transferência a implementar. Na concepção desta rede deverão ser tidos em conta vários factores,
de entre os quais se destacam:
Meios de recolha e acondicionamento existentes, sendo
a utilização de meios de recolha de pequena dimensão e
a dispersão dos meios de acondicionamento factores que
influenciam a necessidade de implementação de estações de
concentração de resíduos;
Distância das infra-estruturas de deposição aos pontos
de produção de resíduos, sendo que os sistemas nos quais
estas distâncias sejam elevadas, terão, tendencialmente,
maior necessidade de serem suportados por estações de
transferência;
Estado das infra-estruturas rodoviárias, tanto nas zonas
de produção, como nos acessos às infra-estruturas de tratamento/ deposição.
Tendo em conta as projecções de produção e a rede de
infra-estruturas de tratamento e deposição preconizada,
poderá fazer sentido equacionar a introdução de estações
de transferência nas Províncias de Benguela, Bié, Huambo,
Huíla e Lunda-Norte.
Estas estações poderão incluir ainda infra-estruturas
de triagem manual, permitindo a separação de resíduos
recicláveis com a consequente criação de postos de trabalho. Nas localidades onde existam, os catadores poderiam
ser alocados a estes postos, capitalizando a sua experiência na selecção de resíduos e fomentando a sua integração
na economia formal e garantindo através de programas de
acompanhamento sanitário, a melhoria das suas condições
de trabalho.
O papel central das populações na recolha de resíduos
Tendo estes meios e infra-estruturas assegurados, o sistema de recolha encontrar-se-á preparado para atingir as
metas definidas. No entanto, será ainda necessário sensibilizar as populações em zonas isoladas e distantes de
contentores para a importância de se responsabilizarem pelo
transporte e entrega dos resíduos no ponto de recepção mais
próximo.
Soluções alternativas de recolha
Adicionalmente, o Ministério do Ambiente deverá dinamizar a implementação de projectos-piloto de práticas de
recolha menos convencionais, tendo por base experiências
bem-sucedidas verificadas noutros países com características socioeconómicas e territoriais semelhantes a Angola.
Neste contexto, deverão ser avaliadas e seleccionadas as
soluções a testar, elaborando-se um plano de implementação
específico para cada projecto-piloto a concretizar.
2 Assegurar a qualidade do serviço de recolha de
resíduos
O terceiro objectivo deste eixo estratégico é a garantia
da qualidade do serviço de recolha, sendo a meta definida
a obtenção, até 2020, de um nível semelhante ao de países
desenvolvidos, para o que devem ser definidos indicadores.
Para tal deverão vir a ser definidos, em função das características de cada zona, indicadores de qualidade de serviço,
de que é exemplo a frequência de recolha, e o rácio de contentores por mil habitantes.
Elaborar regulamentos locais de gestão de resíduos
Os regulamentos locais de gestão de resíduos devem
estabelecer os requisitos que têm de ser verificados pelos
diversos intervenientes no circuito de gestão dos resíduos
urbanos produzidos na área de jurisdição.
Constituem um instrumento relevante, que faz parte
integrante do processo de implementação das estratégias
e medidas plasmadas nos instrumentos de planeamento e
que promove a articulação entre os agentes a uma escala
municipal.
É referencial, com processos e procedimentos apropriados, interdependentes e harmonizados, que consagra a
internalização dos princípios da gestão adequada de resíduos em áreas transversais da actividade local (por exemplo
limpeza urbana, licenciamento do comércio e serviços, espaços públicos, urbanismo, instrumentos de gestão territorial,
entre outros).
A figura seguinte sistematiza uma proposta de estrutura
para os regulamentos municipais de gestão de resíduos:
Figura 31 - Proposta de estrutura dos regu
Descritivo
38 Abrange os resíduos urbanos (RU), produzidos na área
| do Município, limitados em quantidade e em qualidade
-. Abrange os residuos de construção e demolição (RCD)
& * Define os principais conceitos plasmados no articulado
& no regulamento geral de residuos
fa
o Os
e , , , , , o. o ,
És 2 * Sistematiza os principais requisitos aplicáveis ao
- E 7 | conjunto das infra-estruturas, equipamentos, veículos,
- FZ | meios de acondicionamento, recursos humanos, institu-
= Pé = cionais e financeiros, que intervêm no circuito de gestão
=P E | dosresíduos
nn
en
8 28 :
egEBR| Enquadra Normas Técnicas (NT) que
& = & 2 | identifiquem os procedimentos aplicáveis à gestão de
& =, | resíduos
A ES
o
[=
o
CCC
ÚX & 5 - * Contempla o modelo de gestão adequada de residuos
88 & | junto dos órgãos locais
<º Es
FP * Define as tarifas a aplicar pelos serviços prestados aos
É intervenientes no circuito de gestão de resíduos
- * Define o modo de pagamento e a periodicidade
" * Identifica as situações que implicam maiores impactes
Sua para o ambiente, para saúde pública e para a gestão dos
& il serviços do Município
z E * Define os montantes das coimas considerando a
É á gravidade da contra-ordenação, a culpa e a situação
económica do agente
Para alcançar este objectivo ambicioso, o Ministério do
Ambiente poderá começar por preparar um regulamento
genérico que oriente as entidades locais na elaboração e
aprovação dos seus regulamentos específicos.
3 Assegurar a eficiência do serviço de recolha de
resíduos
Outro dos objectivos deste eixo é a optimização da eficiência do sistema de recolha no país, visando garantir que
as metas de recolha estabelecidas são atingidas em 2022 a
custos competitivos, em linha com valores de referência
intemacionais.
Adequação dos meios e soluções de recolha a cada contexto particular
A optimização da eficiência do serviço passará por
garantir, através das entidades locais, a adequação do tipo de
meios às características da zona de recolha. Para esse efeito,
será importante capitalizar os princípios e boas práticas que
vêm sendo comprovadas em várias cidades do país, sendo de
referir as seguintes:
Em malha urbana estruturada, devem ser privilegiados
meios de recolha mecânicos e a colocação, por prédio, de
um contentor de dimensão média (entre 60 e 200 litros) para
uma recolha porta-a-porta;
lamentos municipais de gestão de resíduos
Produção diária menor ou igual a 1.100 litros
Composição similar à dos resíduos produzidos nas habitações
Produção diária de RCD menor ou igual a 1 mº
Os resíduos industriais, hospitalares, radioactivos, entre outros
ficam excluídos
* As definições devem estar em
consonância com a legislação quadro
sobre gestão de residuos
Contempla as actividades de produção, recolha indiferenciada e
selectiva, armazenagem, transferência, valorização e eliminação
Aplica os princípios do poluidor-pagador e da responsabilidade
pela gestão
* Especifica as condições operacionais para cada componente do
SGRM (por exemplo, horários de funcionamento)
As NT devem fazer parte integrante dos projectos urbanísticos sub-
metidos ao Município
* Devem ser verificáveis durante as vistorias e acções de fiscalização
Exemplos:
Espaços reservados a contentores no interior do edifícios.
Determinação da tipologia e quantidade de contentores para um de-
terminado espaço
Exemplo:
* Serviço de Urbanismo - a atribuição de licenças de habitação
deve estar condicionada à evidência de
que os resíduos produzidos durante a construção foram encami-
nhados para destino licenciado
* Recolha de resíduos volumosos nas habitações, recolha de
residuos nas superfícies comerciais, aluguer de contentores, entre
outros
Exemplos:
* Resíduos perigosos nos contentores de resíduos urbanos
* Desvio de contentores,
* Abandono ou queima de resíduos,
* Remoção ou escolha de resíduos nos contentores
Em zonas periféricas não padronizadas, em cidades
como Luanda e Lobito, tem-se verificado que a recolha é
mais efectiva numa lógica de recolha primária porta-a-porta
com meios manuais (por exemplo, carros-de-mão) ou mecãânicos pequenos (por exemplo, motas), sendo os resíduos
recolhidos concentrados em barcas à entrada dos bairros,
para posterior recolha mecânica (por exemplo, com camiões
ou tractores) e transporte para o local de deposição.
A preferência por barcas nas zonas periféricas é explicada pela elevada taxa de roubo de contentores de plástico
verificada nestas localidades. Contudo, a utilização de barcas apresenta também alguns inconvenientes, pois são
demasiado altas para crianças ou adultos com carros-de-mão
colocarem os resíduos. Por este motivo, é aconselhável que,
sempre que economicamente sustentável, seja alocado um
cantoneiro a estes locais para auxiliar na colocação dos resíduos, ou que seja facilitado o acesso às barcas através, por
exemplo, da colocação de rampas ou rebaixamento do solo.
Poderá ainda equacionar-se a implementação de soluções
inovadoras mas às quais estão associados níveis de investimento superior, como contentores subterrâneos.
Melhoria da organização do território e optimização das
infra-estruturas rodoviárias
É ainda fundamental, para a optimização da eficiência Para o efeito, será essencial uma estreita coordenação
do sistema, actuar ao nível do planeamento urbanístico e — entre as entidades locais, devendo os Governos Provinciais,
do território bem como das infra-estruturas de transporte. conjuntamente com as autoridades Municipais e as empre-
Actualmente, e como já referido anteriormente, o estado — sas de recolha, desenhar uma estratégia e elaborar o plano de
das vias e a falta de planeamento urbanístico condicionam — implementação para a remoção do passivo existente.
fortemente o acesso dos meios de recolha a certas zonas e Neste contexto, deverão ser identificados, tipificados,
contribuem para a redução da vida útil dos mesmos. Neste — caracterizados e quantificados os focos de concentração do
contexto, o Ministério do Ambiente, em conjunto com passivo (por exemplo, valas nas zonas peri-urbanas, encosoutras entidades, COInpros Ministérios dos Transportes edo tas perto de musseques, linhas férreas, descampados onde
Urbanismo e Construção, e as várias organizações de âmbito são depositados inadequadamente resíduos de construção/
local, deverá fomentar ofocona melhoria das infra-estruturas demolição) para que sejam identificadas estratégias de recorodoviárias e garantir que nos Planos Directores Municipais Iliatadenuad duisitaoa
- : quadas a cada situação.
(PDM) são consideradas as necessidades de ordenamento de CANNA " A LAO :
é À Após a identificação das estratégias a implementar, deveterritório para a eficiente recolha de resíduos e para a ade-*=--—, : : : : :
Sb - : São: rão ser estimadas as necessidades de meios e investimento
quada localização de estações de transferência. ; ã Se
2,4.Aii6GUISF ua recolha do passivo exe para a recolha do passivo e, em função das caracteristicas
O último objectivo desté eixo refere-se à recolha do pas- de cada localidade, avaliada a necessidade de inclusão, nos
sivo de resíduos existente, para o qual foram definidas as ESnLFOLOS com as operadoras de recolha, da prestação deste
seguintes metas: SEVIÇo,
Até 2015, deverá ser recolhido 100% do passivo em A recolha do passivo tem que ser necessariamente articutodas as capitais de Provincia; lada com a disponibilidade de locais de deposição adequados
Até 2020, deverá ser recolhido 100% do passivo das res- — com a melhoria das condições de recolha e com forte investantes cidades do país. timento na sensibilização das populações.
Figura 32 - Síntese dos objectivos, metas e iniciativas para o eixo de Recolha indiferenciada
A taxa actual de recolha de resíduos de 2.1.1. Reforçar os meios de recolha
aproximadamente 50% (média dos
Municípios do Huambo que
disponibilizaram esta informação no 2.1.2. Desenhar a rede de estações de
inquérito) deverá evoluir para: transferência/ triagem
1. Assegurara = * 100% nas zonas urbanas
aget rosegriodoneliio estruturadas, até 2015 2.1.3. Implementar comunicação sobre
* 100% nas zonas peri-urbanas, até entrega de resíduos, com envolvimento da
2020 população
* Pelo menos 80% nos aglomerados
populacionais das zonas rurais, até 2.1.4. Implementar projectos-piloto de
2022 práticas de recolha não convencionais
O nível de serviço do sistema de recolha 2.2.1. Elaborar regulamentos provinciais/
2. Assegurar a deverá atingir, até 2020, níveis municipais de gestão de resíduos
qualidade do serviço de | semelhantes a países desenvolvidos, rem ve erenmem
recolha de resíduos para o que devem ser definidos 2.2.2. Implementar melhorias aos contratos
indicadores com as empresas de recolha
mm — 2.3.1. Implementar estratégia de adequação
do tipo de meios às características da zona
3. Assegurar a Os custos do serviço de recolha de de recolha
eficiência do serviço de | resíduos deverão atingir, até 2022, um
recolha de resíduos nível de optimização elevado 2.3.2. Promover a melhoria de infraestruturas de base para uma recolha
eficiente
* Até 2015, deverá ser recolhido 100%
ESA " é do passivo nas capitais de Província 2.4.1. Elaborar e implementar uma
delta Sao * Até 2020, deverá ser recolhido 100% estratégia de recolha do passivo
do passivo das restantes cidades
3 Recolha selectiva e reciclagem A recolha selectiva consiste num conjunto de operações
A Recolha selectiva é um dos eixos do Plano fundamen- — aplicadas a resíduos com características específicas e cuja
tal na consolidação de uma política moderna de gestão de — implementação permite estar em linha com a hierarquia de
resíduos, indutora de criação de valor, a nível social, econó- — princípios da gestão de resíduos, isto é, só enviar para depomico e ambiental sição em aterro o que não é possível valorizar.
Desafios Figura 33 - Hierarquia de gestão de resíduos
Em muitos países, e Angola não é excepção, a produção de resíduos tem crescido em função do aumento dos Eicnsicaa
padrões de consumo, da produção e do crescimento económico e populacional. O aumento populacional aliado ao ih res:
crescimento vertiginoso das grandes cidades, e ao consumo Redução 4
crescente de bens de consumo cada vez mais descartáveis, Reutilização
expressa a dimensão do problema e a necessidade de os Reciclagem
Poderes Públicos a nível central e local encontrarem solu- Outrostipos de —
ãs ss. ” Opção menos
ções para uma recolha adequada dos resíduos e para o Paso
reaproveitamento do material recolhido. ——
Outros aspectos devem merecer uma atenção permanente, como a falta de disponibilidade de áreas adequadas Fonte: Sociedade Ponto Verde
para deposição de resíduos bem como o número crescente Por via da recolha selectiva obtêm-se resíduos recide pessoas, inclusive crianças, cuja sobrevivência se apoia — cláveis, os quais têm potencial de valorização através de
em materiais que retiram do lixo. No momento em que os — processos de reciclagem, o que só é possível acontecer caso
governos e a sociedade se esforçam para erradicar o trabalho — o cidadão separe correctamente os resíduos produzidos.
infantil, é urgente encontrar formas para afastar as crianças Os resíduos indiferenciados, isto é, os que não são
desses locais e eliminar definitivamente os depósitos de lixo — separados através da recolha selectiva, são encaminhados
a céu aberto. para valorização orgânica, para valorização energética ou
Neste cenário surge um instrumento valioso para a ges- — para aterro. No âmbito da valorização orgânica, por via de
tão de resíduos, a educação ambiental e a valorização social — tratamentos mecânicos é possível retirar materiais que posdos cidadãos: a Recolha Selectiva dos RU. teriormente podem ser enviados para reciclagem.
Figura 34 - Esquema simplificado das operações de gestão de resíduos urbanos
É — Papel A
| já A CS PAS bh; |
| = carão = 4 |
! gEnTEZATo, |
| Ar ue cas ao À,
| — Resíduos = — Valorização: SN dao SAL |
| ERC | CADA "Ea pci
| Consumidor — do "
| VERAS J
Escórias
metálicas |
|
Resíduos Valorizaçã Escórias não Aplicação em
indiferenciado nergética metálicas construção civil |
A cação, =
S e |
Composto
Valorização
orgânica
= Materiais Aterro
recicláveis sanitário
Fonte: Sociedade Ponto Verde
É através da separação dos materiais recicláveis pres entes nos resíduos urbanos, quer pela acção do cidadão, quer
através de operações subsequentes (recolha e triagem) que é
possível ter os mesmos disponíveis em quantidade e qualidade para serem enviados para reciclagem.
Constituindo o início de todo um processo, a forma
como a recolha selectiva é implementada pode determinar o
sucesso ou insucesso de uma política de gestão de resíduos
focalizada no aproveitamento dos resíduos com aptidão para
serem reciclados.
Os cidadãos podem e devem participar activamente na
correcta separação dos resíduos para posterior reciclagem
como afirmação da sua cidadania, estando assim a contribuir, desta forma, para uma sociedade que se pretende mais
Justa e mais equilibrada do ponto de vista ambiental, social
e económico.
Esta contribuição, com visibilidade para a sociedade,
requer um esforço voluntário na alteração de atitudes e comportamentos, a qual no fundo reflecte as preocupações dos
cidadãos com as gerações futuras. A motivação da população para o seu papel de separador de resíduos é fundamental
e determinante para o sucesso de qualquer programa de
recolha selectiva implementado ou a implementar.
O cidadão não motivado e não participativo interrompe o
ciclo de materiais associados à recolha selectiva, sendo que
mesmo existindo as infra-estruturas necessárias, a comunicação e sensibilização são fundamentais para garantir que
todo o processo se inicie e se complete.
O papel do cidadão na implementação de um programa
de recolha selectiva é dos mais importantes e é aquele que
pode mais facilmente condicionar o seu sucesso. É pois
importante definir criteriosamente o tipo de abordagem e os
meios a utilizar para garantir à partida a sua adesão.
Além da separação do material reciclável, a recolha
selectiva oferece oportunidades, de participação comunitária
e de exercício da cidadania por parte da população, ao prestar apoio à administração municipal. Aos poderes públicos
compete informar, educar e oferecer infra-estruturas para os
cidadãos se mobilizarem num esforço de mudança de hábitos e comportamentos e de união em iniciativas colectivas e
participadas.
Objectivos e metas
1. Implementar progressivamente a recolha selectiva
multimaterial
O cumprimento deste objectivo pressupõe um envolvimento institucional e financeiro por parte dos Governos
central e provincial, dos Municípios e uma atitude participativa de índole voluntária por parte dos cidadãos, aos quais
vai ser feito um apelo à separação na origem, dos diferentes
componentes dos resíduos.
A participação do cidadão afigura-se fundamental, na
medida em que, na grande maioria das situações estarão em
causa, por parte destes, mudanças significativas no que se
refere a atitudes e comportamentos.
A este objectivo estarão associadas as seguintes metas:
Até final de 2013, iniciar programas piloto de recolha
selectiva na cidade de Luanda;
Até 2017, implementar programas de recolha selectiva
em 50% das capitais de Província;
Até 2022, implementar programas de recolha selectiva
em 100% dos Municípios.
Subjacente ao cumprimento destas metas está um con-
Junto de iniciativas a desenvolver ao longo do espaço
temporal do PESGRU:
Incluir nos regulamentos locais directrizes sobre a recolha selectiva;
Dar conhecimento destas directrizes quer aos funcionários locais quer à população em geral;
Implementar comunicação específica de apelo à participação da população e para fornecer instruções básicas de
separação dos materiais;
Implementar comunicação dirigida a grupos específicos
(por exemplo, escolas, grandes produtores de resíduos, entidades da Administração Pública).
Realizar inquérito junto da população para auscultar
eventuais dificuldades existentes e cujo levantamento pode
levar à melhoria do sistema a implantar;
Definir e implementar o modelo de recolha selectiva:
- Tipo de equipamento e locais de instalação,
- Definição de rotas e horários de recolha.
Instalar centros de triagem e outras infra-estruturas
necessárias;
Definir indicadores de monitorização do programa de
recolha selectiva;
Difundir junto da população os resultados alcançados
com o programa de recolha selectiva.
2. Promover a reciclagem de materiais e o desenvolvimento do respectivo sector industrial
Atingir este objectivo decorre necessariamente do nível
de implementação da recolha selectiva, como garante de
fonte de recursos para o sector da reciclagem que se venha
a desenvolver.
Para garantir a fonte de recursos que permita ao sector industrial perspectivar em termos de futuro qual o
quantitativo de matérias-primas secundárias que irá poder
utilizar é fundamental por um lado definir metas quantificadas e por outro lado tomar as iniciativas que levem ao seu
cumprimento.
Para cumprir este objectivo estabelecem-se as seguintes
metas de reciclagem para os materiais recicláveis dos resíduos urbanos, como mínimos a atingir em 2022:
Figura 35- Metas de taxas de reciclagem por material
para 2022
mem Tam |
Papel/ cartão 10%
Plástico 5%
Metal 10%
A taxa de reciclagem é calculada pela seguinte fórmula:
Taxa de Reciclagem (96) = Quantidade do maternal Y enviado para reciclagem (ton)
Potencial do material Y existente nos RU (ton)
A taxa de reciclagem tem como referência a quantidade
potencial de cada um dos materiais existentes nos RU, a qual
é determinada através da estimativa de produção de RU e
da percentagem desse material existente nos mesmos RU,
assumindo os dados de composição disponibilizados pela
Província de Luanda.
As metas de reciclagem acima estabelecidas resultam da
conjugação dos seguintes elementos:
Estimativa de população de Angola para 2012 e 2022;
Estimativa de produção de resíduos para 2012 e 2022;
Caracterização dos resíduos produzidos actualmente,
pressupondo-se que a mesma se mantém até 2022;
Características demográficas;
Nível de consciencialização da população para a recolha
selectiva;
Infra-estruturas e práticas de recolha selectiva existentes
em Angola;
Figura 36 - Síntese dos objectivos, metas e inicia
Metas
1. Implementar pro- Iniciar programas piloto de recolha
gressivamente a recolha selectiva:
selectiva multimaterial! | e — Na cidadede Luanda, até final de 2013
* Em50%das capitais de Provincia, até
* Emlo0%dos Municípios, até 2022
2. Promover a Até 2022, cumprir um minimo de:
reciclagem de materiais | é — 1096 detaxaderecic lagem do vidro
e o desenvolvimento ,
do respectivo sector .º Ú 10% de taxa de reciclagem do papel/
industrial cartão
* S%detaxadereciclagem do plástico
.º 10% de taxa de reciclagem de metais
º 10% de taxa de reciclagem do total de
materiais recicláveis
4 Fluxos específicos
A gestão de fluxos específicos merece uma gestão diferenciada pelos seus impactes para o ambiente e para a saúde
pública
Desafios
A gestão de resíduos representa um sector económico em
crescimento acentuado que promove a criação de emprego
pela utilização intensiva de mão-de-obra (por exemplo,
recolha, triagem e valorização de resíduos de embalagens),
e desempenha um papel essencial na implementação de uma
economia circular, que reintroduz os resíduos em novas apli-
Programas de recolha selectiva em outros países (nomeadamente Portugal, e países da América do Sul e Ásia);
O cumprimento do objectivo anterior.
Tendo como meta em 2022 um taxa de reciclagem total
de 10%, tal corresponde nesse ano a 395 mil toneladas de
materiais recicláveis a enviar para reciclagem, de um total
de aproximadamente 3,95 milhões de toneladas de potencial
de materiais recicláveis.
Para concretizar este potencial será necessário:
Realizar uma estimativa de produção e caracterização
dos RU mais detalhada de acordo com metodologia aplicável a todos ou à maior parte dos Municípios, no horizonte
do PESGRU;
Avaliar o mercado de materiais recicláveis, identificar
potenciais comerciantes/ recicladores e definir as rotas de
escoamento (por exemplo, exportação dos materiais, comercialização interna através do fomento de indústrias a nível
nacional ou armazenamento dos materiais para aproveitamento e valorização a médio/ longo prazo)
tivas para o eixo de Recolha selectiva e reciclagem
população em geral
instruções básicas de separação dos materiais
selectiva
programa de recolha selectiva
detalhada
comerciantes/ recicladores e definir as rotas de escoamento
cações produtivas, como substitutos de matérias-primas e de
energia, com impactes positivos na utilização sustentável
dos recursos naturais.
Neste sentido, o normativo jurídico intemacional aplicável à gestão de resíduos (por exemplo directivas da União
Europeia) estabelece requisitos específicos para os resíduos
resultantes de alguns dos bens de consumo em fim-de-vida,
designadamente:
Resíduos de embalagens;
Pilhas e acumuladores usados;
Veículos em fim-de-vida;
Pneus usados;
Óleos minerais usados;
Resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos;
Resíduos de construção e demolição.
Os fluxos específicos de resíduos, pelos seus impactes
para o ambiente e para a saúde pública, merecem uma estratégia de gestão diferenciada consubstanciada na hierarquia
de gestão de resíduos, que enquadre em primeiro lugar a
prevenção e a redução, seguidas da preparação para reutilização, reciclagem ou outras formas de valorização, em que
a eliminação deve ser a última opção.
É imperativo estabelecer regras de gestão e definir metas
e objectivos de recolha selectiva, de reciclagem e de valorização, diferidos no tempo, para que os operadores económicos
promovam os ajustamentos necessários para internalizarem
os novos requisitos nas respectivas actividades, e participarem na estruturação dos sistemas integrados de gestão.
Os operadores económicos, nomeadamente os produtores dos bens, desempenham um papel fulcral na
prossecução da estratégia de gestão dos fluxos específicos
de resíduos. São eles que através da aplicação do princípio da Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP) ficam
obrigados a assegurar/ financiar a gestão ambiental e economicamente adequada dos seus bens em fim-de-vida.
Complementarmente, a estratégia de gestão de fluxos específicos também deve co-responsabilizar os vários
intervenientes no ciclo-de-vida dos bens (produtores, distribuidores, consumidores e operadores de gestão de resíduos).
Normalmente, os produtores que têm a responsabilidade,
total ou parcial, física ou financeira, pela gestão dos bens em
fim-de-vida, transferem essa competência para as entidades
gestoras de sistemas integrados.
Deste modo, podem direccionar a actividade para o respectivo negócio (core business) e, simultaneamente, garantir
um desempenho ambiental e economicamente adequado ao
nível da gestão dos seus bens quando atingem o fim-de-vida.
Com esta modalidade é garantido o efeito de escala,
inviável a título individual, que tem vantagens para os intervenientes na cadeia de valor, bem como para o Estado, que
licencia e regula a actividade dos sistemas integrados de
gestão.
As entidades gestoras dos sistemas integrados podem
assumir múltiplas naturezas jurídicas e organizacionais (por
exemplo, associações e sociedades anónimas) e são constituídas na sua maioria/ totalidade pelos produtores dos bens
(mais representativos), e, em alguns casos, por representantes da distribuição e dos operadores de gestão de resíduos.
A principal fonte de financiamento das entidades gestoras dos sistemas integrados resulta de prestações financeiras
(ecovalores), que são suportadas pelos fabricantes de bens
e/ ou embaladores/ importadores, em função dos bens colocados no mercado interno. Os “ecovalores” podem ser
repercutidos em toda a cadeia comercial.
As prestações financeiras são estabelecidas pelo Estado,
mediante proposta da entidade gestora, e devem diferenciar
positivamente os produtores que apresentam um desempenho ambiental mais elevado, designadamente na colocação
de bens no mercado que tenham em conta a prevenção da
quantidade e da perigosidade dos resíduos e na promoção da
sua reciclagem (por exemplo, ecodesign).
As entidades gestoras, que devem ser sem fins lucrativos, financiam as operações através de contrapartidas
financeiras, que são contratualizadas com os intervenientes
nos circuitos de gestão (entidades plurimunicipais, de logistica, de tratamento e valorização e eliminação), mas também
as acções de sensibilização (mobilização dos cidadãos) e de
investigação e desenvolvimento (envolvimento da comunidade científica).
Deste modo, a intervenção das entidades gestoras dos
sistemas integrados é essencial para a optimização da gestão dos fluxos específicos, contribuindo para a separação na
origem das fracções valorizáveis e para o seu processamento
ambiental e economicamente mais eficiente, o que previne,
substancialmente, a quantidade e a perigosidade dos resíduos indiferenciados a eliminar.
As entidades gestoras dos sistemas integrados estão
legalmente vinculadas ao cumprimento de metas exaustivas de recolha selectiva, tratamento e valorização, para
além das já referidas acções de sensibilização ambiental
(por exemplo, comunicação nos media) e de investigação
e desenvolvimento (optimização dos processos logísticos,
melhoria das tecnologias de reciclagem, entre outros).
A operacionalização da gestão dos sistemas integrados
de fluxos específicos suporta-se, essencialmente, na rede de
infra-estruturas (plurmunicipais, nos operadores privados
de gestão de resíduos e na distribuição, e varia de acordo
com o respectivo fluxo (por exemplo, ecopontos e ecocentros para as embalagens, ecocentros e centros de recepção
para os pneus e para os equipamentos eléctricos e electrónicos, pontos de recolha nas oficinas para os óleos minerais e
nas farmácias para as embalagens de medicamentos).
O modelo das entidades gestoras não é exclusivo, na
medida em que também existem sistemas individuais, onde
os produtores asseguram os meios financeiros, a organização e a logística da recolha, transporte e valorização, dos
seus bens em fim-de-vida.
A figura seguinte identifica o tipo de responsabilidade,
bem como os modelos de gestão preferencial e de recolha,
para além das infra-estruturas de recolha mais comuns e as
soluções de gestão consideradas mais adequadas.
Figura 37 — Responsabilidade, modelos e infra-estruturas de gestão prioritárias para os principais fluxos específicos e outros resíduos
|]
|
Enpalagens:e Selectiva a nível aos
resíduos de RAP SIG niacina) recolha poriaia- Reutilização/ reciclagem
embalagem Pp
porta
; ; Ecocentros/ Recauchutagem/
Selectiva a nível ; :
Pneus Usados RAP SIG nacional pontos de recolha reciclagem/ valorização
privados energética
Pilhas e Selectiva a nível Ecopontos/ Armazenamento
ÁBUAs RAP SIG ; Opontos temporário/ Movimento
umuladores nacional ecocentros by
transfronteiriço de resíduos
Veículos em Fim de Selectiva a nível Centros de
h RAP SIG À
Vida naciong! recepção Recolha/ desmantelamento
Resíduos de Cantos da
Equipamentos SIG Selectiva a nível recepção/ Reutilização/ reciclagem
Eléctricos nacional frias ro ç 9
Electrónicos
Óleos Minerais RAP Selectiva a nível Oficinas Auto/ t Misias: tie
Usados nacional OGR poa p
transfronteiriço de resíduos
Residuos de :
Selectiva a nível i
construção e M/P en ia Ecocentros/ OGR eae" sli de
demolição
Legenda: RAP — Responsabilidade Alargada do Produtor; M/P — Municipios/Produtores; SIG — Sistema Integrado de Gestão; OGR — Op eradores de Gestão de Residuos
(privados)
Fonte: Adaptado de APA, PNR, Projecto de Plano Nacional de Gestão de Resíduos (PNGR 2011-2020), 2011
No que toca à arquitectura do modelo de gestão para os Simplificar o processo de separação na origem, de forma
fluxos específicos de resíduos, deve igualmente considerar- — a garantir a selecção adequada das fracções para tratamento
-se a avaliação integrada da cadeia de recolha/ tratamento e € valorização, sem um esforço significativo do cidadão;
valorização/eliminação, em detrimento das soluções indíivi- = Disponibilizar meios de deposição adequados, em
. SA é " número e tipologia, para tornar razoável e simples a depodualizadas, para aferir as implicações da intervenção numa E FP d
dad ão. relat te às demai sição dos resíduos (por exemplo, mais de um ecoponto para
ada opção, relativamente às demais. : E SNS e
PF o i : cada 500 habitantes, definição de distâncias máximas entre
Também convém considerar que nem sempre as vanta- — 5; meios de deposição e as habitações);
gens ambientais e económicas derivadas do efeito de escala Selecção de locais estratégicos para a localização dos
compensam as desvantagens da distância entre a fonte de — meios de contentorização, de forma a facilitar o acesso dos
produção e o destino (por exemplo, aumento do consumo de — utilizadores e dos sistemas de recolha (proximidade de concombustíveis e das emissões). tentores para a deposição indiferenciada, estabelecimentos
A opção pela solução integrada é condição essencial para — Comerciais, entre outros). |
a definição de um modelo de gestão que permita, progressi- A frequência de recolha também deve ser consider ada
: o : como um factor crítico, pelo que deve evitar o enchimento
vamente, fazer recair o custo da gestão integral dos resíduos é - e . :
b t dut excessivo das soluções de deposição/recepção, que desin-
SOBre Os TEADECHVOS prONUÇorts, i " centive os utilizadores, bem como a recolha com enchimento
Outra vantagem desta abordagem consiste na mobiliza- — reduzido, pelos custos operacionais.
ção dos cidadãos/utilizadores para a prevenção da produção A manutenção e limpeza dos meios de deposição e dos
de resíduos, e adopção de boas práticas (separação na ori- — espaços envolventes também influência a mobilização dos
gem, redução da quantidade e da perigosidade dos resíduos — cidadãos/utentes.
indiferenciados, entre outras), com consequências positivas O sucesso da mobilização da população também está
para a optimização da cadeia de gestão dos resíduos. dependente da prossecução de . fria do) e
No entanto, importa encontrar uma solução de compro- comunicação que transmitam conteú os so Te Os materials a
; jóm NS io A separar e sobre os objectivos dos sistemas integrados de gesmisso entre o esforço do cidadão/utilizador e o equilibrio de — é
: tão de fluxos de resíduos.
custos, designadamente:
Deste modo, as opções de gestão devem ser gizadas de
modo a melhorar-se continuamente a “matéria-prima” que
vai alimentar a próxima fase da cadeia de gestão, isto é,
quanto melhor for o rendimento da recolha selectiva e da
triagem, maior será o potencial de tratamento e valorização
Figura 38 — Responsabilidades, constrangime
e Jo mea
Objectivos, metas e estratégias de recolha selectiva,
triagem, de reciclagem valorização.
Embalagens e re- : : "
síduos de embalagem Financiamento pelos produtores dos bens (prestação
financeira/ Ecovalor) das operações de gestão (contrapartida financeira).
Objectivos e metas de gestão (recolha, tratamento e
valorização).
Financiamento dos produtores dos bens (prestação financeira/Ecovalor) e das operações de gestão (contrapartida
financeira).
Sistema articulado de processos e responsabilidades que
visa o correcto encaminhamento dos pneus em fim de
vida, promovendo a recolha, separação, retoma e a sua
Pneus usados valorização.
Desvio progressivo de aterro.
Participação na resolução de passivos ambientais, através
da gestão dos residuos históricos.
Sensibilização e comunicação ao consumidor para a
melhoria na gestão destes resíduos.
Investigação e desenvolvimento de novos métodos e
ferramentas de processamento de resíduos e das fracções
resultantes do seu tratamento.
Objectivos e metas de gestão (recolha, tratamento e
valorização).
Financiamento dos produtores dos bens (prestação financeira/ Ecovalor) e das operações de gestão (contrapartida
financeira).
Logistica inversa: retoma de pilhas e acumuladores
Pilhas e acumuladores | usados no acto da compra de novas.
usados Participação na resolução de passivos ambientais, através
da gestão dos residuos históricos.
Sensibilização e comunicação ao consumidor para a
melhoria na gestão destes resíduos.
Investigação e o desenvolvimento de novos métodos e
ferramentas de processamento de resíduos e das fracções
resultantes do seu tratamento.
Objectivos e metas de gestão (recolha, tratamento e
valorização).
Financiamento dos produtores dos bens (prestação financeira/ Ecovalor) e das operações de gestão (contrapartida
financeira).
Organizar e manter uma rede nacional de centros de
recolha selectiva e tratamento de Veículos em Fim de
Vida (VFV).
Veículos em fim de ..
vida Controlar e monitorizar esta rede, nomeadamente no que
respeita às suas práticas e desempenho.
Participação na resolução de passivos ambientais, através
da gestão dos residuos históricos.
Sensibilização e comunicação ao consumidor para a
melhoria na gestão destes resíduos.
Investigação e o desenvolvimento de novos métodos e
ferramentas de processamento de resíduos e das fracções
resultantes do seu tratamento.
dos resíduos, com vantagens na minimização dos impactes
ambientais e dos custos do sistema de gestão.
A figura seguinte sistematiza os vários descritores que
devem ser contemplados ao nível da definição as bases
estratégicas para a gestão dos principais fluxos específicos
de resíduos.
nto e vantagens na gestão dos fluxos específicos
Conendmentadenio
Ausência de uma rede de recolha selectiva.
Mistura de residuos, que contamina as Criação de uma rede de recolha
fracções e inviabiliza a reciclagem. selectiva, que dinamize o desen-
Desafio volvimento de uma indústria da
Diminuir a quantidade de resíduos para de- reciclagem, ou de preparação para
posição final co-responsabilizar os operadores | reciclagem, no País.
económicos.
Os locais de recepção devem as-
A acumulação de pneus em locais segurar a retoma de quaisquer tipos
1 de pneus, livre de encargos, que
desadequados dá origem a problemas : :
: : , o sejam provenientes dos detentores
ambientais e de saúde pública (por exemplo, a : :
NS - . : (distribuidores, particulares, oficiincêndios, e ocupação de áreas dispersas).
nas, etc.).
Desafio Os pneus p odem ser destinados quer
" : à valorização material, através da
Estruturação de uma rede de locais de eo
" utilização do granulado de borracha
recepção, que promovam o armazenamento : -
o (por exemplo, pavimentação de
temporário de pneus usados, a montante : :
: 2 : estradas; pavimentos e recintos
dos valorizadores (valorização material e : : .
" desportivos e de recreio, etc.), quer à
energética). o "
valorização energética (por exemplo,
co-incineração).
Mistura com os resíduos indiferenciados.
sendade no tratamento dos lixiviados dos Reduzir a deposição descontrolada
" oo das pilhas e acumuladores usados, e
Contribuem para a emissão de poluentes : , oo ,
e : prevenir a possível poluição que daí
atmosféricos (por exemplo, metais pesados) pode advir
durant: í de incineração. Í o
rante o processo de iMemeração. Recapturar materiais (por exemplo,
Desafio Manganês, Zinco, Aço e Carbono),
" .: que voltam a ser usados em proces-
Estruturação de uma rede de locais de recep- :
- sos produtivos.
ção, que promovam o armazenamento temporário e o encaminhamento para valorização.
Desmantelamento sem condições de controlo
da poluição.
Implica a estruturação de uma rede de locais Gestão adequada das fracções
de recepção, que promovam o armazenamento :
temporário e a valorização. perigosas.
P Valorização das matérias-primas.
Desafio Reintrodução de peças e acessórios
" . . no mercado de sobressalentes.
Promoção de um programa de incentivo ao : : o
: " Para além dos benefícios ambientais
abate de VFV, mediante a dedução :
: : resultantes do destino adequado dos
de uma verba residual no regime fiscal ,
da SN ; VEV, também melhorava o parque
aplicável à comercialização de veículos , :
automóvel, na medida em que o
novos. Deste modo, aquando da entrega de : : : o
: ooo incentivo fiscal seria aplicável para
um comprovativo de que o VFV teria sido ; :
: : veículos com mais anos (por exemabatido de forma ambientalmente adequada, as :
: : : " plo, com mais de 10 anos).
autoridades fiscais promoveriam a dedução em
apreço, no montante legalmente estabelecido
(por exemplo, no OGE).
me Responsabilidades de gestão
Objectivos e metas de gestão (recolha, tratamento e
valorização).
Financiamento dos produtores dos bens (prestação financeira/ Ecovalor) e das operações de gestão (contrapartida
financeira).
Criação de circuitos de recolha selectiva de óleos usados,
. o seu correcto transporte, armazenamento temporário,
Óleos minerais tratamento e valorização, dando especial relevância à
usados valorização através da regeneração.
Participação na resolução de passivos ambientais, através
da gestão dos residuos históricos.
Sensibilização e comunicação ao consumidor para a
melhoria na gestão destes resíduos.
Investigação e o desenvolvimento de novos métodos e
ferramentas de processamento de resíduos e das fracções
resultantes do seu tratamento.
Objectivos e metas de gestão (recolha, tratamento e
valorização).
Financiamento dos produtores dos bens (prestação financeira/ Ecovalor) e das operações de gestão (contrapartida
financeira).
Rede de locais de recepção que abranjam o território, de
forma progressiva.
Residuos de equipa- Logistica inversa: retoma de REEE no acto da compra de
mentos eléctricos e EEE, da mesma categoria.
electrónicos Participação na resolução de passivos ambientais, através
da gestão dos residuos históricos.
Sensibilização e comunicação ao consumidor para a
melhoria na gestão destes resíduos.
Investigação e o desenvolvimento de novos métodos e
ferramentas de processamento de resíduos e das fracções
resultantes do seu tratamento.
Prevenção da produção e da perigosidade, triagem na
Residuos de construção | origem, reciclagem e a outras formas de valorização.
e demolição Triagem prévia à deposição em aterro. Incorporação de
RCD em obra.
Para concluir a descrição dos desafios que se colocam
ao país em matéria de fluxos específicos, importa destacar,
ainda que formalmente não se enquadrem no conjunto de
fluxos específicos, os resíduos hospitalares. Estes resíduos,
não sendo tipicamente muito volumosos, revestem-se de
uma natureza sensível e representam um elevado risco para
a saúde pública caso não sejam devidamente triados e tratados. Neste contexto, é fundamental um foco prioritário na
organização deste fluxo, criando as bases necessárias ao seu
alinhamento com melhores práticas.
Objectivos e metas
1. Criar as condições e promover o desenvolvimento
de Sistemas Integrados de Gestão de Fluxos Específicos
de Resíduos no quadro de uma Política de Resíduos
Composição, que integra substâncias perigo-
E Potencial de valorização material
Desafio "
o Ú A Ú (por exemplo, regeneração) e ener-
Criação de um mercado organizado para os ética (co-incineração)
operadores de gestão de óleos usados (recolha getica (Co-mincineração).
e valorização).
Desmantelamento desadequado, com libertação de substâncias perigosas (por exemplo,
CFC; metais pesados, entre outros). Valorização material das fracções
Desafio que constituem os EEE em fim-de-
Implica a estruturação de uma rede de locais vida (por exemplo, metais, plásticos,
de recepção, que promovam o armazena- etc).
mento temporário e o encaminhamento para
valorização.
Deposição incontrolada em locais desadequados.
Impactes para as soluções de gestão que
venham a ser gizadas, desde a recolha até ao
destino final.
Desafio
Alteração do regime de licenciamento de Redução da utilização de recursos
obras (públicas e privadas), instituindo a naturais.
obrigatoriedade de elaboração de um Plano de | Reutilização de RCD na construção
Prevenção e Gestão de Resíduos de Construção | de estradas, ou como materiais
e Demolição (PPG), com a identificação dos secundários na construção civil.
responsáveis pela obra, a caracterização do Redução da deposição destes
tipo de obra e dos RCD produzidos, reutiliza- | residuos em aterro.
dos e encaminhados para destino adequada.
O PPG deveria ser considerado durante o
processo de aceitação das obras públicas e
do licenciamento das obras particulares, por
forma a garantir-se que os RCD resultantes da
obra são objecto de uma gestão adequada.
assente no princípio do poluidor-pagador, na vertente da
Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP)
Este objectivo tem associado as seguintes metas:
Até 2015, estabelecer os regimes Jurídicos para a gestão
dos fluxos específicos das embalagens (RE) e resíduos de
construção e demolição (RCD);
Até 2016, estabelecer os regimes jurídicos para a gestão dos fluxos específicos para os resíduos de equipamentos
eléctricos e electrónicos (REEE) e da fileira do automóvel
(veículos em fim-de-vida, pneus usados; óleos minerais usados e acumuladores de veículos);
Até 2017, licenciar os sistemas integrados de gestão de
fluxos específicos para os RE e RCD;
Até 2022, licenciar os sistemas integrados de gestão de — gestão de resíduos, com a anuência do MINAMB, para vigofluxos específicos para os REEE e resíduos da fileira do — rarem durante o período imediatamente anterior à entrada em
automóvel; funcionamento das entidades gestoras de fluxos específicos;
Até 2025, cobertura de todas as Províncias pela activi- Campanha de comunicação junto dos produtores, distridade dos sistemas integrados de gestão de fluxos específicos. buidores, Municípios e cidadãos,
Está subjacente ao cumprimento das metas e objectivos, Criar mecanismos de controlo da aplicação da legislação.
um conjunto de iniciativas a desenvolver ao longo do espaço 4,2. Organizar o fluxo dos resíduos hospitalares.
temporal do PESGRU: Até 2014, deverá ser elaborado um plano estratégico
Aprovação de legislação específica (gestão dos fluxos " ; :
p ç e S15taÇ p " E para a gestão de resíduos hospitalares.
específicos no âmbito da responsabilidade alargada do pro- : | ' eo
. Í 4.3. Organizar o fluxo dos resíduos industriais.
dutor - RAP); ?
Celebração de acordos voluntários com os representan- Até 2015, deverá ser elaborado um plano estratégico
tes dos produtores, dos distribuidores e dos operadores de — para a gestão de resíduos industriais.
Figura 39 - Síntese dos objectivos, metas e iniciativas para o eixo de Fluxos específicos
SS RO
* —Até2015, estabelecer os regimes jurídicos para a
gestão dos fluxos específicos das embalagens (RE) e
resíduos de construção e demolição (RCD). Aprovação de legislação específica (gestão dos fluxos
1. Criar as condições e * —Até 2016, estabelecer os regimes jurídicos para — | específicos no âmbito da responsabilidade alargada
promover o desenvolvimento a gestão dos fluxos específicos para os resíduos de do produtor - RAP).
de Sistemas Integrados de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) e da — | Celebração de acordos voluntários com os representantes
Gestão de Fluxos Específicos | fileira do automóvel. dos produtores, dos distribuidores e dos operadores de
de Resíduos no quadro de uma — ' ' gestão de resíduos, com a anuência do MINAMB, para
" ; * —Até2017, licenciar os sistemas integrados de ; ; ; ; Se
Política de Residuos assente ão de fl " vigorarem durante o período imediatamente anterior à
no princípio do poluidor- paga- gestão de fluxos específicos para os RE e RCD. entrada em funcionamento das entidades gestoras de fluxos
dor, na vertente da Responsa- * —Até2022 licenciar os sistemas integrados de específicos.
bilidade Alargada do Produtor | gestão de fluxos específicos para os REEE e residuos | Campanha de comunicação junto dos produtores, distribui-
(RAP). da fileira do automóvel. dores, Municípios e cidadãos.
: Cri i d trolo da aplicação da legislação.
* —Até2025, cobertura de todas as Províncias pela nar mecanismos ce contro'o da ap'icação da Jegisiação
actividade dos sistemas integrados de gestão de
fluxos específicos.
2.Organizar o fluxo dos * Até 2014, elaborar um plano estratégico para a 4.2.1. Elaborar plano estratégico para a gestão de residuos
residuos hospitalares. gestão de resíduos hospitalares.. hospitalares.
3.Organizar o fluxo dos * Até2015, elaborar um plano estratégico para a 4.3.1. Elaborar plano estratégico para a gestão de residuos
residuos industriais. gestão de resíduos industriais. industriais.
5 Tratamento, valorização e deposição dicionantes do país e características dos resíduos, estando
Os desafios que se colocam no domínio do tratamento, — alinhadas com as melhores tecnologias disponíveis e melhovalorização e deposição dos resíduos urbanos passam por — res práticas ambientais, dentro de custos aceitáveis.
garantir uma gestão adequada em alinhamento com uma No que se refere ao modelo de tratamento e deposição de
estratégia assente em soluções ambientalmente adequadas e ; " : : ;
? : 1 : resíduos, a selecção das tecnologias a implementar deverá
com custos socialmente aceitáveis, no cumprimento de uma : . o
PN : so ser ajustada aos países consoante as suas características
legislação nacional aplicável. : & iais Na fi
; económicas, geográficas e sociais. Na ra seguinte aprea) Desafios 8º & : : su su .
Para a implementação de um plano sustentável no domí- senta-se uma visão internacional das soluções de tratamento
nio da gestão de RU é essencial a definição de uma estratégia — e deposição final de resíduos urbanos típicas, em função do
de tratamento, valorização e deposição que se adapteáscon- — contexto e dos exemplos conhecidos.
Figura 40 — Caracterização e contexto típico de cada tecnologia de tratamento e deposição
* Economicamente competitivo — + Necessidade de controlo após o EUA (2005)
em países com área disponível seu encerramento (30-100 anos) Países em E=
: : : : desenvolvimento === "94%
* Tecnologia menos dispendiosa —+ Riscode deslizamento em zonas é ou pala "e
* Hipótese de produzir de grande pluviosidade territórios ÁfricadoSul (201)
electricidade através do biogás —- Apenas 50% de eficiência na —
ç ; extensos 64%
!. Destino finalde cinzas = captaçãodobiogás
* Tratamento da componente see com — Austráliaççooson
Parado * Possivel dificuidade de Etna ta =. e
* Obtenção de fertilizantes escoamento. dos fertilizantes componente
benéficos para a agricultura * Necessidade de formação para — orgânicados RU — Egipto (2009)
* Operação mais simples e aire dos elou com zonas e — -9%
-.. xequível a várias escalas UU eoladas
* Desvio de RU dos aterros — Paisescom — Suéciaços
* Materiais com valor económico + Dificuldade de previsão do fluxo preocupação — EN ;,,,
e poupança de matérias primas de resíduos ambiental e = ==
* Existência de empresascom —. * Necessidade de sensibilização interessados na — Marrocos (2009)
interesse na reciclagem de para a importância da triagem valorização ES 10%
.. materiais para a sua actividade — pe
€ Redução de - 75% de massae - Necessidade de triagem da Países de elevada PAPA
de 90% de volume de RU componente arenosa que danifica * * radios Patti o -7%
* Evitaaemissãodemetanoea OS equipamentos e outros
Fa. ' : populacional
formação de lixiviantes * Elevado investimento urbana e/ ou Dinamarca (2009)
* Maioreficiêncianaprodução * Necessidadede mão-de-obra escassez de áreas e — - 54%
de electricidade (35 - 85%) qualificada
Fonte Veolia, From Waste to Resources; World Bank. Composting and its Applicability in Developing Countries 1999; Michigan Tecnological University, Urban Solid Waste
Management: Waste Reduction in Developing Countries
A par do tratamento, a valorização de resíduos urbanos — acções de valorização, sendo crucial a sua articulação com
ou de produtos provenientes do tratamento de RU constitui — essas iniciativas.
também uma importante actividade, na medida em que se De acordo com o benchmarking da Figura 47, verifica-se
constitui uma alternativa ao uso de matérias-primas virgens, — uma difusão da prática de valorização dos resíduos urbanos,
mais limpa e económica. nomeadamente, em países com maior nível de desenvolvi-
As infra-estruturas de tratamento previstas, bem como — mento. A visão dos RU como um recurso com potencial para
o desenvolvimento da recolha selectiva, constituem uma criar valor eriqueza de forma ambientalmente favorável tem
precedência com implicações directas no planeamento de — vindo a ser internacionalmente reconhecida.
Figura 41 - Benchmarking de tipos de valorização de RU
Valorização Países
loçambique Átricado :
Energia (electricidade, : : : :
energia térmica) O ARRANCA,
Metal, papel, vidro e ee : ; :
plástico LP O ESTA
Composto / Fertilizante vê oa dE ERES A
Escórias Ro a toe Tio cs
: - . Combustível Derivado de i : : . : 7
cânicc Resíduos (CDR) Bea E TR À :
Fonte: Análise da equipa de projecto do PESGRU
Objectivos, metas e iniciativas
1. Dotar o país de um modelo de tratamento, valorização e deposição adaptado às suas características específicas
Figura 42 — Estratégia de tr:
A estratégia proposta para o modelo de tratamento e depc
de resíduos urbanos...
Rede de destino final assente...
... maioritariamente em infra-estruturas de aterro sanitário.
... complementadas com unidades de incineração para gra
pólos de produção,...
| ... plataformas de triagem de recicláveis, e...
| ... tecnologias de compostagem em pequena escala
|
Para tal, está prevista a construção de infra-estruturas
sanitárias de 1.º Geração, assente numa rede de aterros sanitários e instalações complementares com Ecocentro, Centro
de triagem e de Compostagem (localizadas na mesma área
do aterro sanitário), bem como a integração pontual de
Estações de Transferência.
Sendo o objectivo garantir a consolidação de forma gradual de um sistema integrado de tratamento e valorização
dos resíduos urbanos e equiparados, propõe-se que as soluções e infra-estruturas a desenvolver fiquem localizadas
numa área comum para optimização de meios e recursos.
Sendo o aterro sanitário a primeira infra-estrutura que
deverá ser implementada propõe-se que para além da área
afecta ao aterro sanitário e instalações complementares, fique
desde logo reservado o espaço necessário para a implementação de Ecocentro, Centro de Triagem e de Compostagem,
e outras instalações e plataformas acessórias.
Tendo presente o objectivo de integração das diferentes
unidades na mesma área, propõe-se que este espaço global
passe a designar-se por “Centro de Tratamento e Valorização
— CTV de resíduos”.
Em função das quantidades de resíduos urbanos para tratamento e valorização, bem como da dimensão da região,
acessibilidades existentes, padrões de consumo e características demográficas, a área a afectar a cada CTV difere em
função da sua dimensão.
Propõe-se assim que em correlação com a dimensão do
respectivo aterro sanitário e as necessidades afectas em termos de recursos humanos, equipamentos móveis e volume
de obra, se diferencie a designação de acordo com a capacidade de tratamento a instalar, conforme se propõe no quadro
seguinte:
Figura 43 — Tipologia dos Centros de Tratamento e
Valorização
EEE, " Grande | CTV-G 280.000
Médio | cwvP | 240.000, <80.000
Pequeno | cTv-M 210.000, <40,000 |
" Valas sanitárias | Cs <10.000 |
Atendendo às condicionantes de cada tecnologia e às
características específicas do país, propõe-se a seguinte
estratégia:
tamento e deposição de RU
sição ... tem em consideração as
características específicas de Angola
|
* Ausência de limitações ao nível de
terrenos disponíveis
e. * Elevada componente arenosa dos
ndes resíduos
* Reduzida maturidade do modelo de
recolha selectiva
* Escassez de competências para gestão
de tecnologias de elevada complexidade
As características de cada tipologia variam em função da
dimensão adoptada e das exigências que lhes estão associadas, quer em termos das instalações e sistemas de protecção
ambiental a implementar, quer no desenvolvimento temporal das soluções de Triagem e de Compostagem de dimensão
ajustada (ver Anexo A.11).
Para optimização da rede de gestão de RU, foi previsto,
em alguns casos, recorrer a plataformas de transferência de
resíduos.
Aterro Sanitário e Valas sanitárias
No âmbito da estratégia a dinamizar pelo PESGRU,
os Aterros Sanitários de 1.º Geração são as infra-estruturas sanitárias prioritárias a serem implementadas dentro do
espaço do respectivo Centro de Tratamento e Valorização
(CTV). Esta infra-estrutura sanitária comporta de imediato
as seguintes mais-valias:
Apresenta custos de tratamento e de exploração, e custos
de primeiro investimento mais baixos;
Permite entrar em funcionamento num curto espaço de
tempo;
Permite absorver diferentes tipologias dos resíduos;
Possibilita a introdução de soluções complementares que
permitam corresponder à designada política dos “3R's—
Reduzir, Reciclar, Reutilizar;
Pode assumir diversas opções de tratamento para os
efluentes líquidos e gasosos;
Permite recuperar zonas degradadas;
É mais flexível aos desvios das quantidades, qualidade e
composição dos resíduos depositados;
Pode viabilizar o aproveitamento energético ou calórico
a partir do efluente gasoso;
Não exige grandes competências e quadros especializados, pois trata-se de uma tecnologia de baixo grau de
complexidade;
Solução sempre necessária, independentemente da
implementação de outras tecnologias tratamento (não
substituível).
Contudo, sendo os aterros sanitários uma obra de
engenharia multidisciplinar, estes têm de ser concebidos,
projectados e ponderados sobre os factores que condicionam
o seu dimensionamento.
Figura 44 — Factores a Considerar na Implementação de Aterros Sanitários
* Analisar a dimensão da região e população a servir
. . Li | ã
Seleccionar a melhor localização Colectar os dados de base e perspectiva de evolução
* Avaliara aptidão dos terrenos disponíveis
e Efectuar estudo de impacte ambiental
E. « —Ponderar a evolução das quantidades de resíduos urbanos
Flexibilizara capacidade da infraestrutura * Identificar a composição física dos resíduos urbanos
* Viabilizara valorização e recuperação de materiais recicláveis
Minimizar Riscos Ambientais * Na Água, Solo, Ar, Flora e Fauna
De acordo com as características e quantidade de resíduos:
* Emfunção da modelação a imprimir
Gestãoe operação adequados da Tend çã é " Y
infissstrutura * Tendo presente a futura utilização do local
e Viabilizar aproveitamento energético do biogás
* Promover a integração paisagística
Ao nível de:
: : * Saúde pública
Garantira segurança da infra- "
estrutura * Estabilidade e inserção no meio envolvente
* Agentes exógenos
* Composição física e química dos resíduos
Ao nível de:
Desenvolver programas de «e “População em geral e escolar
sensibilização e f ; ;
ço Antação e Funcionários
* Comissões de acompanhamento e da população
Assim, como primeira opção a dinamizar, pretende-se a Sistema de drenagem e captação das águas lixiviantes;
estruturação de uma rede de aterros sanitários correctamente Sistema de tratamento das águas lixiviantes — lagoas de
dimensionada, concebida, construída e explorada, tendo em — regularização, Estação de tratamento (ETAL) e sistema de
conta as normas e regras que a nível intemacional regem — recirculação para a massa de resíduos depositada;
estruturas sanitárias deste tipo. Sistema de drenagem, captação, queima e/ou aproveita-
Esta estruturação tem em linha de conta a concentração — mento energético do biogás.
populacional actual, as quantidades de resíduos a depositar Factores de índole ambiental e sanitário:
e as características de ordenamento de território, bem como Exigências relativas à eliminação de risco de contaas exigências e factores de compromissos de índole téc- — minação do solo, ar e níveis aquíferos, bem como outras
nica, estrutural, funcional, ambiental, sanitária, económica — condições ambientais existentes;
e social. Plano de monitorização e cumprimento dos valores limi-
Factores de índole técnica, estrutural e funcional: tes de emissão;
Acessibilidade, cortina arbórea, condições climatéricas, Monitorização de recursos naturais — visa o acomtopografia/morfologia, geologia, hidrogeologia, geotec- panhamento da evolução das condições naturais da área,
nia, proximidade de condicionalismos (casas, ribeiras, vias, — servindo para avaliar a eficiência das medidas mitigadoras;
zonas alagadas, outras situações); Monitorização do processo de operação — consiste na
Sistema de impermeabilização, artificial ou natural, da — avaliação constante dos padrões de eficiência do tratamento
zona basal do aterro; Sistema de impermeabilização na pro- — dos resíduos;
tecção de taludes; Sistema de drenagem pluvial e respectivo Plano de Segurança e Saúde — contemplando a avaliação
controlo; dos riscos inerentes à obra do aterro e ao seu funcionamento;
Plano de Encerramento do Aterro Sanitário — para
melhor optimização da área utilizada durante um período
de tempo, o projecto de encerramento processa-se por etapas, idêntico ao plano por etapas de construção das células
de deposição de resíduos urbanos e equiparados do aterro
sanitário.
Factores económicos — ter em consideração no dimensionamento não só as quantidades mas também as distâncias
relativas aos pólos de produção de resíduos; as áreas necessárias e as disponibilidades de terrenos.
Factor de índole social e de aceitação pública — informação aos cidadãos sobre os diferentes estudos técnicos e
ambientais, conduzido pelos promotores dos projectos.
No que respeita ao equipamento móvel de apoio à operação no aterro sanitário, quer na frente de trabalho quer
nas actividades acessórias, as respectivas necessidades e
tipologias diferem em função das quantidades de resíduos
urbanos e equiparados a movimentar e do respectivo grau
de exigência.
Em termos estruturais a dimensão do aterro sanitário define a dimensão atribuída ao respectivo Centro de
Tratamento e Valorização (CTV), ou seja, CTV-G, CTV-M
ou CT V-P.
Para as situações onde o ordenamento territorial é de
cariz rural ou disperso, propõe-se a construção de Valas
Sanitárias, CTV-Vs. Estas infra-estruturas comportam
regras ambientais semelhantes às dos aterros sanitários,
sendo a sua dimensão e exigências construtivas menores,
bem como será menor o número de equipamentos móveis de
apoio. Com esta infra-estrutura propõe-se um maior recurso
à mão-de-obra local, procurando-se garantir uma viabilidade
económica e custos sociais mais sustentáveis.
Todavia, cada situação deve ser objecto de estudo particular, pois outros parâmetros locais podem condicionar a
construção, como sejam as características climatéricas, as
condições geológicas locais, a condutividade hidráulica dos
solos, os níveis dos aquíferos subjacentes, ou a proximidade
a outras regiões com aterro.
Figura 45 — Tipologia dos Aterros e Valas Sanitárias
imipement ame feno
banas de elevada concentração | Grande >80.000 (CT V-G)
populacional
metgene fito os rmenao
urbanas de média concentração | Médio 740.000, <80.000 (CTV-M)
populacional
smmeercen fim [ecoo cocnirvo
urbanas de baixa concentração | Pequeno 10.000, <40.000 (CT V-P)
populacional
Propõe-se que seja desenvolvida a elaboração de um
“Manual de concepção, construção e operação de aterros
sanitários e valas sanitárias — regras e normas técnicas”,
tipificando os procedimentos e as acções a desenvolver, para
ser divulgado a nível nacional. Este documento serviria de
guião das condições técnicas de dimensionamento, construção e exploração para os concursos públicos a lançar pelas
autoridades competentes.
Neste documento devem estar definidas as exigências
ambientais em termos das barreiras geológicas, do sistema
de impermeabilização (artificial e/ou natural), de regras de
construção, operação, sistema de tratamento de lixiviados,
sistema de captação de biogás, valores limites de emissão de
efluentes líquidos e gasoso e respectivo plano de monitorização e riscos.
Paralelamente, deverá iniciar-se a promoção da introdução de práticas de desvio de resíduos dos aterros para o
incremento da sua vida útil.
Estações de Transferência/Plataforma de Transferência
Para se obter economia de escala e promover uma prestação de serviços sustentável, a formulação de modelos
técnicos de tratamento e valorização de resíduos deve ter
presente a possibilidade de se optimizarem as respectivas
soluções com a integração de vários Municípios na partilha de uma determinada instalação de deposição final,
permitindo minimizar custos na gestão dos resíduos urbanos e equiparados e ganhos ao nível dos investimentos e da
operação.
Nesta conformidade, a instalação de Estações de transferência ou Plataformas de transferência justifica-se
tecnicamente quando em presença das seguintes situações:
Zona afastada do local de deposição final, com
distância superior a 30 km;
Zona de grande concentração de produção de
resíduos urbanos ou equiparados que justificam
a sua transferência para unidades de valorização
energética, ou outra de co-incineração;
Zonas onde a produção de resíduos urbanos ou
equiparados, sendo baixa, justifica efectuar
transferência após acumular (por dois ou três
dias) a quantidade necessária para possibilitar o
enchimento dos contentores, garantindo assim a
optimização de transporte, sem recorrer a investimentos isolados em soluções de tratamento e
deposição final locais.
Todavia, a situação assinalada em a) não justifica por
si mesmo a obrigatoriedade da implementação destas instalações de transferência, pois o ordenamento do território,
as características geográficas e a demografia e acessibilidades são factores que introduzem condicionantes que importa
avaliar tendo presente a relação custo - benefício em função
de alternativas a equacionar.
No PESGRU e perante o universo territorial de Angola,
salienta-se que a existência de algumas das condicionantes
assinaladas atrás inviabilizaram, nalgumas situações, a possibilidade de adoptar o referido em a).
As operações necessárias ao adequado funcionamento
destas instalações de transferência são organizadas por tarefas distribuídas por:
Controlo administrativo e vigilância;
Controlo e operação do equipamento em funcionamento (se aplicável);
Apoio às operações de descarga;
Manutenção do equipamento (se aplicável);
Manutenção e limpeza da instalação e dos espaços
verdes;
Controlo dos efluentes líquidos provenientes das Após 2022, deverá ser implementado um centro de tria-
lavagens. gem nos restantes CTV e, no caso dos CTV Valas sanitárias
Em regra e em ambas as situações, a organização e (CTV-Vs), propõe-se a implementação de plataforma onde
execução das tarefas referidas são executadas por pessoal — se proceda à recuperação e triagem de materiais para valo-
polivalente, que supervisiona as operações bem como se rização, à qual estará associada uma plataforma de menor
encarrega também da manutenção do equipamento afecto e — escala para o respectivo armazenamento.
limpeza da instalação. | | | Ecocentros
A identificação da necessidade de implementação de uni- Com o objectivo de proporcionar aos cidadãos a depo-
qade de Lonsterência Ja a sido A no capítulo sição voluntária de resíduos urbanos, inertes, de construção
a Reco a Iinduerenciada”, encontran o-se a iniciativa civil, volumosos ou outros propõe-se, em cada Centro de
respectiva descrita nesse mesmo capítulo. . NO e : "
: Tratamento e Valorização de resíduos, a instalação de
Centro de triagem e plataforma de armazenamento : 2a :
oo oo : Ecocentros de dimensão diferenciada.
De forma a serem atingidos os objectivos referidos no as ;
: "” ' : Em cada Centro de Tratamento e Valorização de resíduos
emxo estratégico no que se refere à Recolha Selectiva epara : o A. :
: Doo o : : é instalado um Ecocentro ajustado à dimensão e quantidacumprimento dos objectivos de valorização multimaterial, des d teria d inhad
propõe-se que: es S materiais esperados para serem encaminhados para
Em cada Centro de Tratamento e Valorização de resi- — 11 ABM: . .: .
duos, de pelo menos 50% das capitais de Província, seja Nos CTV-G, propõe-se a instalação de um Ecocentro
implementado um centro de triagem com tecnologia e escala — Com seis posições, com os alvéolos devidamente identificaajustadas à dimensão e quantidades de materiais a valorizar — dos para a deposição dos respectivos resíduos;
e reciclar, até 2017; Nos CTV-M, propõe-se a instalação de um Ecocentro
Em cada Centro de Tratamento e Valorização de resí- — com quatro posições, com os alvéolos devidamente identifiduos, das restantes capitais de Província, seja implementado — cados para a deposição dos respectivos resíduos;
um centro de triagem com tecnologia e escala ajustadas à Nos CT V-P, propõe-se a instalação de um Ecocentro com
dimensão e quantidades de materiais a valorizar e reciclar, — quatro posições, com os alvéolos devidamente identificados
após 2017 e até 2022; para a deposição dos respectivos resíduos;
Nos restantes Centros de Tratamento e Valorização de No Centro de Tratamento e Valorização de resíduos —
resíduos dos respectivos Municípios, caso a quantidade — Valas sanitárias (CTV-Vs), é implementada apenas uma
de resíduos processado anualmente seja superior a 70.000 — plataforma simples para deposição faseada dos materiais e
toneladas, seja implementado um centro de triagem de tec- — respectivo armazenamento.
nologia simples e escala ajustada à dimensão e quantidades Na figura seguinte são descritos os materiais que devem
de materiais a valorizar e reciclar, até 2022; ser admitidos nos ecopontos.
Figura 46 — Materiais admissíveis nos ecopontos
A RA A
Embalagens e rolos de cartão, papel, jornais, folhetos e revistas Papel encerado, papel copiativo
..” Garrafas, garrafões, bidões, baldes, embalagens, sacos (sem conteúdo), filme (sem sujidade),
Plástico H ;
componentes de viaturas, pára-choques
Garrafas, frascos, garrafões (sem invólucro plástico), vidros planos, pára-brisas Lâmpadas, espelhos, cerâmicas
Metais feirosos e não ferrosos, bidões, latas, fogões não eléctricos, entre outros NEN
Resíduos Eléctricos e Electrónicos Electrodomésticos, televisões, rádios, computadores, faxes, telefones, telemóveis, lâmpadas NS
fluorescentes
Madeiras (paletes, divisórias, móveis em madeira, aglomerados) e resíduos verdes (ramos, folhas, =|
ra flores, ervas)
Diversos
z 2 En a: Outros
Restos de Construção e Demolição, betão, tijolos, telhas, cerâmicas
Óleos hidráulicos de lubrificação, óleo de motores
Pilhas e acumuladores Resíduos considerados perigosos
Valorização orgânica — Centro de Compostagem e plataforma de composto
Associada aos aterros sanitários (solução sempre necessária seja qual for a solução de tratamento), a estratégia para
os CTV que servem zonas urbanas de média a grande dimensão passa também por complementaridade com soluções de
valorização orgânica, ou seja, por compostagem tradicional
de tecnologia simples ou, por digestão anaeróbia de resíduos
biodegradáveis ou apenas compostagem de verdes.
O processo de valorização orgânica consiste na recuperação da fracção biodegradável dos resíduos urbanos não
perigosos que, após decomposição biológica por via aeróbia
ou anaeróbia, origina um produto final estabilizado inócuo,
num estado de total ou parcial humidificação, que permite a
sua introdução no solo de forma fitocompatível e designado
por composto.
A compostagem é uma prioridade que, em termos de uma
política integrada de gestão de resíduos, permite o desvio de
matéria biodegradável de aterros, a respectiva redução da
área de ocupação, o reaproveitamento agrícola da matéria
orgânica produzida e a reciclagem de nutrientes contidos no
solo. Pretende-se assim a implementação de instalações adequadas e acções que incrementem a produção de composto e
a sua utilização para melhoria das condições do solo, nomeadamente para:
Aumentar a porosidade e capacidade de arejamento do
solo;
Aligeirar os solos pesados melhorando as condições de
circulação de ar e água;
Aumentar a capacidade de retenção de humidade do
solo;
Ter um efeito tampão protector contra aplicações muito
intensas de fertilizantes minerais;
Melhorar a capacidade de utilização de micronutrientes.
Tendo em consideração as características habitacionais
e de povoamento do território de Angola, propõe-se como
estratégia para a implementação destas soluções o seguinte:
Nos Centros de Tratamento e Valorização de pelo menos
50% das cidades capital de Província que já possuam centro
de triagem, implementar centro de compostagem tradicional
(com tratamento mecânico e biológico), entre 2017 e 2022;
Para incrementar o ritmo de implementação, nos CTV
das restantes capitais de Província e das sedes de Município
cuja quantidade de resíduos processados anualmente seja
superior a 70.000 toneladas, deverá também iniciar-se o
processo de implementação de infra-estruturas de compostagem, entre 2022 e 2025.
No caso dos CTV Valas sanitárias (CT V-Vs), propõe-se
a implementação de plataformas de compostagem simples,
ou de verdes em complemento das Valas Sanitárias que o
justifiquem.
Deverá também ser dinamizada a compostagem caseira
com acções de sensibilização e apoio por parte de ONG e
das Administrações Locais.
A instituição de normas que permitam controlar e assegurar a qualidade da produção do composto é essencial para
fomentar a utilização segura do composto, produto originado
pelo processo de compostagem. Ainda, a comercialização de
composto deverá apenas ser permitida mediante a certifica-
ção dos produtores para garantir que o produto vendido se
encontra de acordo com as normas definidas.
A existência de standards e de certificação para a produção e comercialização de composto promove a confiança dos
compradores na qualidade do produto adquirido e permite a
preservação dos solos e da saúde humana. É de salientar que
um incorrecto processo de compostagem pode gerar impactes negativos, odores e atrair ratos, comprometendo a saúde
pública e em particular das populações locais.
Após a definição de normas e o estabelecimento da certificação dos produtores, é necessário desenvolver e fomentar
um mercado para a comercialização de composto.
Antes do desenvolvimento de iniciativas é importante
definir o tipo de indústrias e privados que poderão utilizar
este produto em seu benefício. A definição do âmbito de
actuação permite desenvolver estratégias focadas e direccionadas e, consequentemente, mais eficazes. Por exemplo,
no que concerne à localização de infra-estruturas deve prever-se o seu posicionamento na proximidade de zonas com
actividade agrícola.
Posteriormente, recomenda-se a organização de palestras
e conferências para a divulgação do processo de fabricação
e da aplicabilidade do composto, assim como para a apresentação das mais-valias associadas à sua utilização. À
organização de campanhas e iniciativas em parceria com o
Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das
Pescas é também recomendável. Outra estratégia para dinamizar o mercado e sensibilizar os potenciais consumidores
seria privilegiar a utilização de composto em projectos agrícolas em que o Estado participe, para além de ser importante
dinamizar a Compostagem doméstica onde cada um em sua
casa pode participar nesta actividade segundo uma metodologia a ser ensinada através de acções e pequenos cursos
locais.
Incineração e valorização energética associada
A Cidade de Luanda enfrenta um grave problema: o
volume de resíduos recolhidos tem incrementado de forma
significativa, situando-se actualmente em valores 3 vezes
acima dos estimados aquando da construção do aterro de
Mulenvos. Este facto terá reflexos na via útil do aterro e nos
custos de operação anuais previstos.
Neste contexto, é aconselhável, para o caso de Luanda e
para outras regiões cuja quantidade de RU processados anualmente seja superior a 200.000 toneladas, a avaliação da
viabilidade e atractividade da solução de incineração.
Para a situação particular da capital, a Cidade de Luanda,
face à elevada produção de resíduos urbanos coloca-se como
uma solução fundamental no âmbito do sistema integrado
de tratamento e deposição final de resíduos a viabilização de uma Central de Valorização Energética (CVE) que
se designa por Incineradora de Luanda. Esta não deve ter
uma dimensão inferior a 200.000 toneladas/ano, e tem de
incorporar as melhores tecnologias disponíveis ao nível dos
equipamentos e sistema de tratamento de gases.
Para protecção do ambiente e da saúde humana, caso
se conclua que a implementação de incineração é viável,
desde logo deverá ficar assegurada uma legislação visando
o estabelecimento e a manutenção rigorosa de condições de
exploração, requisitos técnicos, valores limites de emissão e
condições de monitorização para as instalações de valorização energética — incineração e co-incineração de resíduos.
Assim, o quadro legal a aplicar à incineração deve determinar, num horizonte temporal próximo, as exigências do
ponto de vista da salvaguarda dos valores ambientais e da
saúde humana, visando a aplicação de valores limites de
emissão à incineração ou co-incineração, admitindo contudo
diferentes técnicas e condições de incineração ou de co-incineração e diferentes medidas de avaliação para a recepção
dos resíduos, atenta à respectiva perigosidade.
Salienta-se a garantia de acesso do público à informação,
incluindo a intervenção no procedimento administrativo de
decisão e o acesso a relatórios sobre o funcionamento e
monitorização das instalações.
No que respeita à valorização energética em instalações
de incineração, a tecnologia permite a conversão da totalidade da energia primária fornecida em energia eléctrica. O
vapor produzido na câmara de combustão é admitido numa
turbina onde a energia térmica/cinética é convertida em
energia mecânica que acciona o grupo turbogerador para a
produção de energia eléctrica passível de ser utilizada. Esta
solução reduz em 90% o volume dos resíduos entrados,
tendo apenas como rejeitados 3% de cinzas e 15 % de escórias, estas ainda passíveis de valorização (construção civil,
sub-base de estradas, artefactos, entre outros).
No caso de Luanda, a análise de viabilidade deverá
incluir o estudo da viabilidade técnico-económica de uma
Central de Valorização Energética (CVE), incluindo as
necessárias infra-estruturas de ligação à rede de transporte
de energia.
Valorização energética nos aterros sanitários
Durante a decomposição da massa de resíduos depositada em aterro sanitário, surge a produção de um gás que se
designa por Biogás, maioritariamente composto por metano
(CH4), dióxido de carbono (C02) e por uma diversidade de
componentes em quantidades residuais.
Do ponto de vista técnico, económico e ambiental, arecolha e queima de biogás motivado por questões de controlo
de emissões, e o seu aproveitamento energético são intervenções essenciais a promover. Do ponto de vista global, o
aproveitamento energético do biogás implicará uma diminuição significativa de emissões nocivas para a atmosfera.
Este gás tem um elevado poder calorífico, equivalente
a 50-60% do valor do gás natural, constituindo assim um
importante potencial energético nas quantidades habitualmente presentes num aterro sanitário de resíduos urbanos e
equiparados.
Aliada ao aproveitamento energética do biogás, existe
ainda outra mais-valia ambiental, ou seja, a substituição de
produção de energia com base em combustíveis fósseis, por
esta forma de energia renovável e de produção.
Nesta conformidade importa desenvolver estudos de
análise técnico-económica para avaliar da viabilidade do
aproveitamento energético do biogás, complementado com
uma regulamentação e legislação aplicável.
Nos casos em que a conclusão do estudo considere viável o aproveitamento de biogás, deverá então ser realizado
um plano de construção das infra-estruturas necessárias à
sua concretização.
Avaliar o potencial de valorização das escórias do pro-
Jecto da incineradora de Luanda
Propõe-se que seja avaliado o potencial de valorização
das escórias da eventual CVE de Luanda, caso seja aprovada
a sua entrada em funcionamento. Recomenda-se, para tal, a
elaboração de um estudo de avaliação do potencial das escórias resultantes do tratamento térmico por incineração dos
resíduos urbanos e equiparados, no qual deverá ser incluída
a caracterização das escórias produzidas na incineradora, a
identificação de potenciais empresas utilizadoras das escórias como matéria-prima e a apreciação do seu interesse, a
localização e o tipo de infra-estruturas de tratamento das
escórias e um plano de investimentos e custos.
Tipicamente, este subproduto é utilizado na construção
civil, sector em grande desenvolvimento a nível nacional,
e na recuperação paisagística de pedreiras. Por vezes este
material é também aplicado na cobertura de aterros.
Avaliar o potencial de valorização de CDR
Propõe-se a avaliação do potencial de produção de
Combustível Derivado de Resíduos — CDR, a partir do tratamento mecânico das centrais de compostagem.
O CDR constitui uma altemativa a outros combustíveis,
como por exemplo o carvão, com preços mais elevados e
com um maior valor de emissões de gases com efeito de
estufa. Estas vantagens contribuem para uma maior sustentabilidade ambiental e económica dos sectores industriais
que o possam utilizar como fonte para produção de energia.
Para a prossecução deste objectivo, o Ministério do
Ambiente deverá garantir a elaboração de um estudo exaustivo que abarque os seguintes temas:
Avaliação das tecnologias disponíveis para a produção
de CDR;
Benchmarking e análise de casos de sucesso da produção
e utilização de CDR;
Caracterização da situação actual (por exemplo, a composição dos resíduos) e cenarização da situação futura com
a definição das necessidades (nomeadamente, a construção
de infra-estruturas de tratamento mecânico);
Identificação de potenciais utilizadores de CDR e apreciação do seu interesse no combustível alternativo;
Localização de infra-estruturas.
2. Implementar estratégia de deposição do passivo
Assegurar a deposição final adequada para o passivo
recolhido
Como referido no capítulo da “Recolha indiferenciada”,
são preconizadas metas exigentes para a recolha do passivo
actualmente existente. Neste contexto, será obrigatoriamente
necessário acautelar a necessidade de existência de espaço
nos aterros a construir para a deposição deste passivo.
Encerramento, selagem e requalificação ambiental das
lixeiras em utilização
No âmbito do PESGRU, para garantir a melhoria da
qualidade de vida das populações, importa encerrar, selar
e requalificar ambientalmente as lixeiras existentes, eliminando focos de poluição e graves riscos em termos de saúde
pública. As principais intervenções a considerar são:
Elaborar o “Mapa de Referência das Lixeiras a nível
municipal”, com a geo-referenciação da sua localização e
descrição dos problemas ambientais e de saúde pública exis- Análise e reconhecimento da lixeira e da zona onde se
tentes com base em fichas técnicas a conceber; insere;
Elaboração de “Manual de Regras e Normas técnicas Elaboração/Concepção do projecto de execução e planepara o encerramento, selagem e requalificação ambien- — amento de obras;
tal de lixeiras”, tipificando os procedimentos e as acções a Execução das obras e acompanhamento da sua
desenvolver; construção;
Em sede de Plano de Acção Provincial, prever a dinami- Monitorização da lixeira e da zona envolvente.
zação às intervenções necessárias ao encerramento, selagem As principais medidas técnicas e ambientais a desenvole requalificação ambiental das lixeiras, através de concursos — ver na intervenção a realizar, devem incidir sobre aspectos
públicos, suportados em projectos de execução ou no citado — fundamentais como sejam:
Manual de regras e normas técnicas em função da dimensão As exsurgências ocorrentes;
da lixeira em presença. As águas lixiviantes geradas;
O lançamento dos concursos públicos para O biogás produzido e a eliminação da auto-combustão
“Encerramento, selagem e requalificação ambiental da dosresíduos;
lixeira” municipais terá de levar em linha de conta a simulta- As águas subterrâneas, aquíferos ou águas confinadas
neidade da construção de solução alternativa detratamento e — sub-superficialmente;
deposição final a desenvolver pelo Município ou no âmbito As medidas de carácter sanitário relativas ao controlo e
de uma solução regional/ intermunicipal. combate de vectores de doença, nomeadamente, insectos e
Como etapas a desenvolver para a concretização dos — roedores que normalmente se alimentam e reproduzem nesobjectivos expostos, propõem-se as seguintes acções: tes locais.
Figura 47 — Síntese dos objetivos, metas e iniciativas para o eixo de Tratamento, valorização e deposição
EX
1.1. Elaboração do Manual de concepção, construção e operação
de aterros sanitários- regras e normas técnicas gerais
Emp lementar soluções de deposição : 5.1.2 Lançamento de concursos para a concepção/construção de
* Para todas as capitais de Província, até 2017 infra-estruturas de tratamento e deposição.
ú * Para todas as sedes de Município, até 2022 posição:
2 5.1.3 Promover a inclusão do planeamento e localização das infra-
" estruturas de tratamento e deposição na elaboração dos PDM.
a
8 Implementar ecocentros em todos os CTV:
o * Para todas as capitais de Província, até 2017 5.1.4. Implementar ecocentros nos CTV.
3 * Para todas as sedes de município, até 2022
VV
H Implementar centro de triagem
& * Em 50% das capitais de Província, até 2017
E * Nas restantes cap sois d ' Província, até 2022 Ú 5.1.5. Implementar centros de triagem nos CTV.
F * Nas sedes de Município com produção superior a
-) 70.000 ton. /ano, até 2020
Ê * Nas restantes cidades até 2022
Ss
k 5.1.6. Implementar infra-estrutura de compostagem nos CTV.
. . .
HF Implementar infra-estrutura de compostagem: 5.1.7. Dinamizar compostagem caseira.
& * Entre 2017 e 2022, nas capitais de Província que já possuem centro de triagem 5.1.8. Definição de normas de produção de composto e implemen-
* Até 2020, em sedes de Município com produção superior a 70.000 ton/ano. tação de certificação.
o
é 5.1.9. Fomentar mercado para comercialização do composto.
HE 5.1.10. Definir orientações para um futuro quadro legal para insta-
> lações de valorização energética - incineração e co-incineração de
Ê resíduos.
Hj
= oo " - oo - PN me : 5.1.11. Avaliar a viabilidade da implementação de infra-estrutura de
= Avaliar desde já solução de incineração e valorização energética associada, em ss. " . —.—. =
E : : . " incineração em Luanda e noutras cidades de maior dimensão.
Z Luanda e noutras cidades de maior dimensão.
e 5.1.12. Analisar a viabilidade técnico-económica de uma Central
- de Valorização Energética (CVE) em Luanda, com uma dimensão
=| superior a 200.000 ton. /ano, incluindo infra-estruturas de ligação à
g rede de transporte de energia.
o Até 2013, definir o modelo de aproveitamento e valorização enagética do biogás produzido no | 5.1.13. Dar contimidade ao estudo de aproveitamento e valorização energérd aterro sanitário de Muleivos. tica de biogás elaborado para o ateiro de Mulenwvos.
o
E Até 2020, elaborar estudos de viabilidade de aproveitamento a1ergético do biogás nas capitais =| 5.1.14. Elaborar estudos de viabilidade de aproveitamento energético do
 de Provincias e sedes de Municípios cam ateiros cam uma capacidade superior a 40.000 tonn/ — | biogás nas capitais de Provincias e sedes de Municípios cam ateiros can
- ano. uma capacidade superior a 40.000 ton /ano.
Le)
Dependendo da decisão sobre a construção da CVE en Luanda, avaliar o potencial de valori- | 5.1.15. Elaborar um estudo de viabilidade para o tratamento e comercialização das escárias. zação das escárias.
a o quão potencial de produção de CDR a partir do tratamento mecânico das centrais 5.116 Elaborar um estudo de viabilidade para a produção de CDR.
" Definir e assegurar deposição final para o passivo recolhido
be)
ã e * Até 2017, em todas as capitais de Provincia
& 7 * Até 2022, nas restantes cidades
[=
EB
o
E
Z Ê Garantir o encerramento, selagem e requalificação ambiental das
E
ã utilização, até 2022
|
6 Modelo institucional e organização do sector
Assegurar um sólido enquadramento institucional, que
dê suporte legislativo, estratégico e regulatório ao sector, é
fundamental para garantir a implementação do PESGRU
Desafios
A consolidação do desenvolvimento de uma adequada
gestão dos resíduos urbanos no país terá necessariamente de
Figura 48 - Dimensões
Legislação Estratégia
* Criar legislação e * Definir orientações
regulamentação sobre estratégicas para a
a gestão de resíduos gestão de resíduos
(por exemplo, * Estabelecer
atribuição de objectivos e definir
responsabilidades, metas para a gestão de
definição do modelo de residuos
govemo, definição do * Definir um plano
modelo tarifário e de acção e
esquema de monitorização para a
penalidades, definição gestão de resíduos
dos critérios de
qualidade de serviço)
* Definir o plano de investimentos
necessários para a prossecução dos
objectivos
O presente plano constitui já uma medida de dimensão estratégica. Será agora necessário definir iniciativas no
âmbito das restantes dimensões.
Objectivos, metas e iniciativas
1. Formalizar os princípios legais sobre os quais
assenta o funcionamento do sector
A garantia do correcto funcionamento de um sector
implica necessariamente a formalização de um conjunto de
regras e princípios. Neste sentido, foi essencial a aprovação
de um Regulamento Geral para o sector da gestão de resíduos em Julho de 2012 pelo Conselho de Ministros.
Esta legislação define os seguintes pontos, entre outros:
Competências e obrigações das entidades envolvidas;
2.1. Assegurar um deposição final adequado para o passivo
recolhido
2.2. Elaborar “Mapa de Referência das Lixeiras a nível
municipal”
lixeiras em 5.2.3. Elaborar “Manual de Regras e Normas técnicas para o
encerramento, selagem e requalificação ambiental de lixeiras”
2.4. Encerramento, selagem e requalificação ambiental das
lixeiras existentes
gozar de um forte suporte institucional, que reforce e formalize a criticidade e o carácter vinculativo deste processo.
Neste contexto, é essencial, tanto a nível nacional como
local, a definição do enquadramento legal, a elaboração do
planeamento estratégico, e a clarificação e reforço da regulação do sector.
do Modelo Institucional
Licenciamento”
Regulação º fiscalização
* Licenciar ou * Monitorizar a
atribuir concessões a implementação das
entidades (empresas estratégias nacionais
privadas, públicas ou para o sector
ONG) para que estas * Proceder à
se responsabilizem monitorização do
pela recolha, cumprimento legal e
transporte, tratamento, contratual das
valorização e entidades gestoras
deposição de residuos * Assegurar a
na área licenciada/ regulação da qualidade de
concessionada serviço
* Regular os preços
aplicados garantindo tarifas eficientes
e socialmente aceitáveis
* Elaborar e divulgar regularmente
informação rigorosa e acessível a
todos os intervenientes
Orientações no que refere às actividades de recolha, tratamento, valorização e deposição de resíduos;
Orientações sobre licenciamento de operações da gestão
de resíduos;
Sanções a aplicar por infracções à Lei.
O Regulamento Geral dos Resíduos deverá ser complementado pela elaboração de regulamentos locais e pela
definição de legislação específica para cada actividade do
sector (por exemplo, que especifique as regras e requisitos da implementação de infra-estruturas de tratamento,
valorização e deposição) e para cada fluxo específico (por
exemplo, regulação ao nível da deposição de resíduos de
construção/ demolição, óleos, pneus), de formas a completar
o quadro jJurídico-legal do sector dos resíduos.
2. Dotar o país de uma visão clara sobre o desenvolvimento da gestão de resíduos urbanos
Um dos objectivos deste eixo é a definição de um Plano
de Acção para o desenvolvimento da estratégia de gestão
dos resíduos urbanos no país, dando assim continuidade ao
trabalho iniciado com este plano. Este Plano de Acção designado por “Programa Angola Limpa” deverá ter a dimensão
nacional articulada com a dimensão regional, através de
Planos de Acção Provinciais.
Tendo em consideração a complexidade do objectivo e
as características do país, propõem-se as seguintes metas:
Nomeação da Comissão de Acompanhamento e da
Equipa de Coordenação do Programa Angola Limpa até ao
final do primeiro semestre de 2013;
Todas as Províncias devem elaborar o seu Plano de
Acção até ao final do primeiro semestre de 2014.
Programa Angola Limpa
O Programa Angola Limpa englobará o plano de implementação das iniciativas do PESGRU, o plano de custos e
estimativa de impactes positivos que advirão da implementação da estratégia proposta. Este Programa apresenta-se
como crítico para garantir a prossecução da estratégia preconizada no PESGRU.
Para a sua concretização, o Ministério do Ambiente definirá o Programa detalhado de trabalho, nomeará a Comissão
de Acompanhamento e uma Equipa de Coordenação. Este
Programa tem como horizonte temporal o período 2012-
2025, findo o qual deverá ser avaliada a necessidade de lhe
ser dada continuidade, e em que moldes.
Planos de Acção Provinciais
Para garantir a concretização da estratégia definida no
PESGRU, as orientações definidas neste Plano deverão ser
vertidas em Planos de Acção Provinciais. Neste sentido,
cada um dos Governos Provinciais ficará responsável por,
até ao final do ano de 2013, promover a elaboração e aprovar o seu Plano de Acção para a gestão dos resíduos urbanos.
A elaboração destes Planos de Acção Provinciais enquadra-se no Programa Angola Limpa, sendo definidas neste
programa linhas de orientação para a elaboração de planos
locais eficazes, sendo ainda aconselhável por razões de harmonização, a disponibilização de um documento orientador
para a elaboração destes planos.
Os planos propostos pelos Governos Provinciais deverão
depois ser sujeitos à aprovação do Ministério do Ambiente,
para garantir o alinhamento com as orientações do PESGRU,
e divulgados pelas entidades locais impactadas pelo plano
(por exemplo, operadoras, grandes produtores de resíduos).
Para reforçar o carácter obrigatório desta medida, a aprovação do Plano de Acção provincial será condição necessária
para o acesso a fundos do Orçamento de Estado ou a outros
fundos governamentais no âmbito do sector (aplicando
assim as normas do Regulamento Geral dos Resíduos).
3 Promover a iniciativa privada no sector
A definição de modelos adequados que considerem
a participação de entidades privadas no sector envolve as
seguintes metas:
Priorização da iniciativa privada nas actividades de
recolha;
Definição da adequação e modelo de participação de
operadores privados na implementação e operação de infra-
-estruturas de tratamento, deposição e valorização.
Privilegiar o estabelecimento de contratos com operadores privados para a recolha
A capacidade e a rapidez de extensão da rede de recolha dependerão, em grande parte, do incremento do peso da
iniciativa privada no sector. Para o efeito, deverá ser incentivada a entrada de empresas no sector, nomeadamente ao
nível da criação de micro-empresas e do estabelecimento de
parceiras público-privadas.
À semelhança do que já se encontra em implementação
em Luanda, deverá generalizar-se pelas restantes Províncias
a dinamização de projectos de micro-empresas locais para
a recolha, sobretudo, em zonas às quais os meios mecãânicos não conseguem aceder. Este estimulo poderá passar
por formação sobre os requisitos para criação de empresas e simplificação/ aceleração do processo de criação
das mesmas, apoio no estabelecimento de contratos entre
estas microempresas e os operadores de recolha de maior
dimensão, disponibilização de meios ou financiamento a
condições favoráveis para a aquisição dos mesmos, entre
outros factores.
Para assegurar o foco na qualidade, é também fundamental que nos contratos estabelecidos com operadoras derecolha
esse objectivo seja incorporado, por exemplo, ao nível de
obrigatoriedade de recolha porta-a-porta, cumprimento de
meta de taxa de recolha de 100%, ou obrigatoriedade de
participação em campanhas de recolha de passivo. Devem,
igualmente, ser definidas as penalizações em caso de quebra
de contrato, criando mecanismos adicionais para fomento do
cumprimento dos objectivos estabelecidos.
Adicionalmente, é importante que os contratos sejam
celebrados por períodos não inferiores a cinco anos, dando
margem às operadoras para recuperarem o investimento
efectuado nos meios de recolha. O que se verifica actualmente, em algumas zonas do país, é a contratação por
períodos de apenas um ano, levando as empresas a investir
apenas o mínimo necessário para garantir a operação, com
o consequente impacte na deterioração e não renovação dos
meios afectos.
Avaliar e definir eventual modelo de participação privada para implementação e operação de infra-estruturas de
tratamento, valorização e deposição
Numa primeira fase, é necessário definir a necessidade/
adequação da participação do sector privado na implementação, operação e gestão das infra-estruturas de tratamento,
valorização e deposição. Caso se pretenda o envolvimento
de agentes privados nestas actividades, deverá definir-se o
modelo de parceria, destacando-se, neste caso, as concessões como forma de parceria.
Os principais modelos de concessão que podem ser
adoptados na implementação e operação de infra-estruturas
de tratamento, valorização e deposição são os seguintes:
Build-Operate-Transfer (BOT), em que a concessionária
compromete-se com o investimento e opera a infra-estrutura
durante um determinado período de tempo após o qual a propriedade é transferida para o sector público;
Build-Own-Operate (BOO), em que o operador privado constrói e opera a infra-estrutura, assumindo a sua
propriedade e vendendo o produto/ serviço resultante ao
consumidor final;
Private Finance Initiative, semelhante ao anterior, no
entanto, é o sector público que adquire os produtos/ serviços ao sector privado através de um contrato de longo prazo.
Tipicamente, os períodos de concessão variam entre 5 e
50 anos.
Definir boas práticas/ procedimentos para atribuição de
contratos
O estabelecimento de contratos deverá estar sujeito a
um conjunto de boas práticas com o objectivo de tornar o
processo transparente e equitativo. Para tal, sugere-se a consideração dos seguintes elementos:
Método para decidir a pré-qualificação técnica e financeira das propostas, promovendo a concorrência leal;
Método transparente de convite de licitação/ propostas
através de divulgação;
Método para avaliar as licitações/ propostas com
transparência;
Método de atribuição de contratos;
Prever um quadro institucional e regulatório para promover as PPP.
Recomenda-se ainda a elaboração de contratos tipo para
cada modelo de concessão, para servir como referência a
nível local.
4 Dotar o país dos meios organizacionais, humanos,
processuais e tecnológicos necessários à operacionaliza-
ção e regulação do novo paradigma de gestão de resíduos
urbanos
Outro dos objectivos deste eixo é garantir os meios
necessários à operacionalização do PESGRU e regulação do
sector. Neste âmbito, dever-se-á garantir:
Constituição da Autoridade Nacional de Resíduos
até final de 2013, que poderá revestir a forma de Instituto
Público;
Constituição de um serviço de controlo e de fiscalização
na área dos resíduos até final de 2014;
Implementação de um Sistema de Gestão de Informação
sobre Resíduos até final de 2014.
Autoridade Nacional de Resíduos
O desenvolvimento do sector deverá ser potenciado através da criação de um organismo focado exclusivamente
neste propósito, a Autoridade Nacional de Resíduos (ANR).
Para tal, será necessário definir as suas competências e
responsabilidades, elaborar os estatutos, desenhar o modelo
organizacional e de relacionamento com outros organismos (por exemplo, DNA e Governos Provinciais), definir o
modelo e necessidades de financiamento, e desenhar os principais processos.
A nova instituição deve apoiar o Governo na execução da
política sectorial no domínio da gestão de resíduos, e deter
competências próprias de licenciamento, de emissão de normas técnicas aplicáveis às operações de gestão de resíduos,
de acompanhamento das actividades de gestão de resíduos,
de fiscalização e de regulação.
Será também necessário atribuir uma sede ao organismo,
nomear órgãos de gestão e recrutar recursos com as competências necessárias. Após a sua capacitação, esta entidade
deverá ficar também responsável pela coordenação e monitorização do Programa Angola Limpa.
Serviço de controlo e de fiscalização na área dos resíduos
Para que se verifique uma implementação efectiva do
PESGRU, terá de ser realizado um significativo investimento ao nível da fiscalização. Este Plano define metas
ambiciosas e, em muitos casos, bastante disruptivas face à
situação actual. Neste contexto, impõem-se alterações ao
nível de comportamentos, processos e práticas, às quais se
poderá assistir em certo grau de resistência por parte dos
intervenientes no sector.
Para mitigar esse risco e garantir uma rápida transição
para o novo paradigma, deverá ser assegurada a criação de
uma brigada policial, especializada na fiscalização no sector dos resíduos. Esta brigada deverá ter presença em todas
as Províncias do País, e deverá possuir os recursos necessários à identificação e penalização de infracções às normas
em vigor. Para o efeito, será essencial o desenho de um pro-
grama de formação específico para os elementos recrutados
para integrar a brigada.
Desta forma, o Ministério do Ambiente, em conjunto
com o Ministério do Interior e o Ministério da Defesa, deverá
definir em que força de segurança do país se enquadrará esta
brigada, as necessidades de formação aos seus elementos e
Os meios necessários à sua operacionalização.
5. Dotar o país dos meios de informação e tecnológicos
necessários à implementação do PESGRU
A informação fidedigna, abrangente (espacial e temporalmente) e actualizada constitui uma vertente fundamental
à operacionalização do PESGRU. Neste sentido, propõe-se
como meta a implementação de um Sistema de Gestão de
Informação sobre Resíduos até final de 2014.
Sistema de Gestão de Informação sobre Resíduos
A análise de informação relativa à gestão de resíduos
permite:
Planeamento e definição de estratégias de gestão dos
resíduos;
Regulação/ acompanhamento das actividades de gestão
de resíduos;
Definição de indicadores de desempenho para o sector;
Suporte ao mercado da gestão de resíduos: o conhecimento das oportunidades/ necessidades existentes (essencial
para os operadores económicos).
O modelo a adoptar deve considerar as séries históricas e utilizar instrumentos de benchmarking com outros
países, de forma a evitar a repetição de situações negativas
e a potenciar as melhores práticas de gestão. À prossecução destas medidas beneficia da criação de um Sistema de
Gestão de Informação sobre Resíduos (SGIR), consubstanciado em metodologias estatísticas que operacionalizem o
acesso a toda a informação relevante sobre o “ciclo-de-vida”
dos produtos.
Neste sentido, o SGIR preconiza a recolha de dados relativos à produção e à gestão de resíduos junto de produtores
dos bens, entidades gestoras de fluxos específicos, produtores/ detentores de resíduos e operadores de gestão (públicos
ou privados). Subsidiariamente, deve garantir a articulação
entre as entidades da administração que intervêm ao nível do
licenciamento, da fiscalização e da regulação.
O SGIR deve ser desenvolvido com recurso a modelos
operativos de registo de informação, preferencialmente através da internet, que sejam intuitivos, com uma interacção
rápida e segura de dados com várias proveniências, e com
articulação directa entre a alimentação e a utilização.
A vantagem de um sistema suportado em plataformas
que recorrem à internet consiste, nomeadamente, na opti-
mização dos meios disponíveis, mas também na qualidade e
disponibilidade da informação resultante, na medida em que
os modelos de registo são parametrizados de modo a redu-
Zir os erros que caracterizam o preenchimento de mapas em
papel.
Neste sentido, o SGIR deve permitir o registo e o armazenamento de dados relativos à produção e gestão de resíduos
e a produtos colocados no mercado, bem como à transmissão e à consulta de informação sobre a matéria.
Para além dos aspectos relativos à produção e à gestão
correntes dos resíduos, deve garantir o registo dos dados
disponíveis sobre a identificação das situações de passivo
ambiental, e da respectiva monitorização, de modo a suportar a definição e a prossecução dos objectivos de erradicação
de passivo e requalificação ambiental.
Levantamento de dados
Após implementação do sistema informático de suporte,
deverá ser iniciada a recolha e actualização de dados. Neste
sentido, os Governos Provinciais deverão ser responsabilizados pela disponibilização e actualização regular da
informação necessária (numa primeira fase, numa base
anual, sendo depois desejável o incremento da periocidade).
A implementação do SGIR pressupõe a intervenção em
dois domínios fundamentais: legislativo, que estabeleça a
obrigatoriedade de registo, o âmbito de aplicação e o respectivo regulamento; e a institucionalização, mediante a
atribuição da competência pela criação e operacionalização
do sistema à ANR.
Deve competir à ANR zelar pelo regular funcionamento
do SGIR, bem como pelo cumprimento das obrigações legais
aplicáveis, a observância de níveis de qualidade e segurança
adequados, a verificação e o tratamento da informação.
Após o tratamento dos dados registados, a ANR disponibiliza para consulta pública os elementos considerados de
interesse geral, com salvaguarda dos aspectos relativos à
protecção de dados pessoais.
Figura 49 - Proposta de âmbito de aplicação do SGIR
(não exaustivo)
Figura 49 - Proposta do âmbito de aplicação do SGIR (não exaustivo)
+ As entidades responsáveis pelos sistemas de gestão Le. Produção! colocação de bens e produtos no mercado
de resíduos urbanos; nacional:
+ As pessoas singulares ou colectivas responsáveis por le Produção de resíduos;
estabelecimentos que produzam residuos perigosos: . Recolhade residuos:
* As pessoas singulares ou colectivas responsáveis por | , Caracterização dos resíduos;
estabelecimentos que empreguem mais de 10 F
trabalhadores e que produzam residuos não urbanos; = Insaentalores Aegesiõo-de pena
je As pessoas singuiares ou colectivas que procedam ao = Opera ORA gaalRo a sida;
| tratamento de residuos à titulo profissional; Fracos rala Ter EANES FESTA E |
Y valorização dos residuos:
| * As pessoas singulares ou colectivas que procedam à
| recolha ou ao transporte de residuos à título + Cumprimento das metas de gestão de resíduos,
| profissional; » Monitorização das infra-estruturas;
+ Produtores! importadores de bens e produtos + Sistemas tarifários;
colocados no mercado, » Manutenção e monitorização de lixeiras encerradas;
* Informação financeira.
1. Formalizar os A
A à provação de um Regulamento Geral 6.1.1. Elaborar e aprovar Regulamento Geral
princípios legais do Á :
Seco para o sector, até ao final de 2012 do sector dos resíduos
Nomeação da Comissão de
Acompanhamento e da Equipa de 6.2.1 Nomear a Comissão de
Coordenação do Programa Angola Acompanhamento e a Equipa de
Limpa até ao final do primeiro semestre Coordenação e do Programa Angola Limpa
2. Dotar o país de de 2013
uma visão clara sobre o —= —E——E—
jatortaudiadivtes 6.2.2. Elaborar e divulgar documento
b: orientador para a elaboração dos Planos de
urbanos Todas as Províncias devem elaborar o Áccão Provincia
: ção Provinciais
seu Plano de Acção até ao final do
primeiro semestre de 2014 — lido -
2.3. Elaborar um Plano de Acção
específico para cada Província
3.1. Privilegiar o estabelecimento de
contratos com operadores privados para a
recolha
3. Promover a Definir modelo e regras de participação 6.3.2. Avaliar e definir eventual modelo de
iniciativa privada no privada na cadeia de valor da gestão de | participação privada para implementação e
sector resíduos até final de 2013 operação de infra-estruturas de tratamento,
valorização e deposição
3.3. Definir boas práticas/ procedimentos
para a atribuição de contratos
Constituição da Autoridade Nacional de 6.4.1. Constituir e operacionalizar a
4. Dotar o país dos Resíduos até final de 2013 Autoridade Nacional de Resíduos
meios organizacionais
e humanos necessários o DC —
à operacionalização e Constituição de um serviço de controlo e | 6.4.2. Constituir e operacionalizar um serviço
regulação do sector fiscalização na área dos resíduos até de controlo e fiscalização na área dos
final de 2014 resíduos
, 6.5.1. Implementar uma base de dados com
5. Dotar o país dos | informação sobre o sector
meios de informação e Implementação de um Sistema de
tecnológicos necessários | Gestão de Informação sobre Resíduos
à implementação do até final de 2014
PESGRU 6.5.2. Efectuar o levantamento de dados a
um nível provincial
7 Modelo de Financiamento
O executivo deverá aumentar a dotação orçamental para — é considerado insuficiente para uma gestão de RU eficaz.
a gestão de resíduos e, simultaneamente, capitalizar as várias — Este facto é, provavelmente, um reflexo da fase de desenferramentas de financiamento disponíveis para suportar os — volvimento em que o sector se encontra, sendo expectável
investimentos necessários e cobrir os custos de operação do — a necessidade de incremento dos fundos necessários para
sistema se obter um alinhamento com os padrões preconizados pelo
Desafios PESGRU.
Actualmente, o orçamento médio em Luanda e no Para dar resposta aos investimentos e custos decorren-
Huambo para a gestão de resíduos urbanos encontra-se en — tes da operacionalização das medidas propostas neste plano,
linha com o verificado noutras zonas no mundo. Não obs- importa analisar as diferentes alternativas típicas de finantante, em várias Províncias do País, o valor do orçamento — ciamento, as quais se sumarizam na tabela seguinte.
Figura 51 - Fontes de financiamento da gestão de resíduos
Fundos Públicos
* Componente do orçamento do Estado destinada ao financiamento do sistema de gestão de
Orçamento
resíduos
Fundos Externos
Fundos de * Entidades que reúnem fundos de países, instituições e/ ou empresas para financiamento de
organizações projectos de gestão de RU (por exemplo, World Bank, African Development Bank, entre outros)
Financiamento de * A implementação de projectos de tratamento e valorização de RU com redução de emissões
carbono de GEE pode ser objecto de financiamento
Empréstimos * Crédito obtido junto de instituições financeiras e outras entidades
Parcerias público-privadas
á : * Financiamento por privados através do seu envolvimento na implementação e operação de
Licenças/ Concessões : & é
infra-estruturas e serviços de gestão de RU
Receitas
Tarifa de serviço de * Tarifa cobrada aos produtores de resíduos que usufruem do serviço de recolha, tratamento e
recolha e tratamento deposição
Multas . Cobrança de multa em caso de transgressão da lei
* Receitas provenientes da comercialização de bens e serviços provenientes da valorização de
Valorização RU (por exemplo, fertilizantes, electricidade) que são tidas em conta no cálculo da tarifa de
acordo com as normas orientadoras
Actualmente, a nível nacional, a actividade de gestão — quais Angola poderá beneficiar. Para a concretização do prede resíduos é financiada, sobretudo, pelo OGE e por finan- *— sente objectivo, propõem-se as seguintes metas:
ciamento estrangeiro. Contudo, as iniciativas previstas Aprovação de candidaturas ao Programa Fast-Start até
no PESGRU exigirão um reforço e, previsivelmente, uma — ao final de 2012;
diversificação dos métodos de financiamento. Apresentação de candidaturas a outros fundos interna-
Objectivos, metas e iniciativas cionais durante o horizonte temporal do PESGRU.
1. Aumentar as dotações do Executivo para a gestão Candidaturas de projectos ao Programa Fast-Start
de resíduos No âmbito do acordo de Copenhaga, Portugal com-
Ao longo dos últimos anos, o Governo tem demonstrado — prometeu-se a contribuir com um valor de 36 milhões de
uma crescente preocupação com a gestão de resíduos aumen- — euros, entre 2010 e 2012, “com especial enfoque em paítando as suas dotações, tanto em termos absolutos como em — ses parceiros da cooperação portuguesa”. O financiamento
termos relativos. Não obstante, a componente do Orçamento — enquadra-se na Iniciativa Portuguesa de Implementação
Geral do Estado de 2012 para a actividade de gestão de resi- — Imediata (Fast Start) em Matéria de Alterações Climáticas
duos foi de 0,89%, valor que, de acordo com a análise de — ea sua atribuição é feita com base na avaliação dos projecbenchmarking realizada, deverá ser incrementado. tos submetidos.
Tendo em conta de que se trata de um serviço público As propostas a apoiar no âmbito do Fast Start devem ser
essencial, e face às metas ambiciosas definidas no PESGRU, — apresentadas, preferencialmente, pelas autoridades dos paío reforço do financiamento por parte do Executivo é funda- — ses onde o projecto for implementado. Contudo, poderão
mental. O aumento da componente do orçamento dedicada — também ser consideradas propostas submetidas por entidaà gestão de RU deverá ser distribuído pelas Províncias con- — des privadas.
soante as respectivas necessidades, e em articulação com os Para Angola, está previsto um pacote de 9 milhões de
Planos de Acção Provinciais. euros terminando o prazo para aprovação de projectos no
2. Capitalizar os fundos internacionais que se encon- — final de 2012. Tendo em conta este prazo, é crítico que se
tram ao dispor do País definam as áreas prioritárias de actuação, como por exemplo
Está disponível um conjunto de fundos internacionais, — a formação e sensibilização, o desenvolvimento dos Planos
a ser aplicados mediante a apresentação de projectos, dos — de Acção Provinciais que deverão verter a um nível local os
princípios orientadores do PESGRU e outros estudos da responsabilidade do MINAMB.
Candidaturas de projectos a outros Fundos Internacionais
Os projectos a implementar no âmbito do PESGRU
poderão beneficiar de apoios financeiros de várias instituições internacionais de renome, designadamente:
O Banco Mundial, que apoia projectos em países em
desenvolvimento alinhando a sua assistência com as prioridades do país e conciliando o seu programa de apoio com
outras entidades (por exemplo, a NATO) para capitalizar a
eficácia do apoio. Para tal, os países têm de desenvolver e
apresentar projectos com vista à melhoria da qualidade de
vida dos seus cidadãos.
O Banco Europeu de Investimento que, desde 2003,
apoia projectos na África Subsaariana para promover a iniciativa privada com vista ao desenvolvimento económico e
à beneficiação das comunidades, através da concessão de
créditos com taxas de juro reduzidas. O crédito concedido
integra fundos próprios e fundos dos Estados-Membro da
União Europeia. O Banco apoia ainda projectos no sector
público, nomeadamente ao nível de melhoria de infra-estruturas ou normas ambientais, com o objectivo de desenvolver
o sector privado.
O Banco de Desenvolvimento Africano constituiu o
Fundo de Desenvolvimento Africano com o objectivo de
contribuir para o desenvolvimento económico e social, através da atribuição de fundos para projectos e programas,
assistência técnica na realização de estudos e para capacitação de recursos. Este fundo apoia projectos em vários
sectores nomeadamente na área de abastecimento de água
e saneamento.
Com apoio financeiro do Global Environment Facility
(GEF), o United Nations Development Progranme (UNDP)
ajuda países em desenvolvimento a capitalizar o investimento em tecnologias ambientalmente favoráveis, práticas
e empresas, no sentido de tornar as iniciativas de redução de
emissões e de preservação do ambiente, não apenas sustentáveis, mas também economicamente atractivas.
O GEF tem ainda um programa de donativos de valor
mais reduzido o “GEF Small Grants Programme” que tem
trabalhado em conjunto com comunidades por todo o Mundo
para combater os problemas mais críticos a nível ambiental
e de condições de vida.
3. Capitalizar os mecanismos de financiamento de
carbono
Um dos objectivos deste eixo é a apresentação de candidaturas de projectos com potencial de redução de emissões
de gases com efeito de estufa, no âmbito do mercado de
carbono. O mercado de carbono consiste na negociação de
créditos de carbono (por convenção, uma tonelada de C02
equivale a um crédito de carbono) resultantes da redução das
emissões de GEE, que pode ser feita a nível internacional.
Para promover a concretização deste objectivo, propõe-se a apresentação de candidaturas para os projectos de
valorização de biogás e de compostagem, no âmbito dos
mercados de carbono:
Preparar e apresentar candidaturas de projectos de
valorização
O principal, de entre os diversos mecanismos de financiamento de carbono aplicáveis a Angola, é o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL).
O MDL consiste no financiamento, por parte de países
desenvolvidos, de projectos locais concebidos por países em
desenvolvimento, com vista à redução de emissões de GEE.
O diferencial de emissões, com e sem a implementação do
projecto, é convertido em créditos de carbono para o país
que financia o projecto. Através deste mecanismo, o país
anfitrião beneficia em termos financeiros e ambientais, e o
país financiador obtém créditos que contribuem para o cumprimento dos limites definidos pelo Protocolo de Quioto.
Deverão ser apresentadas candidaturas a estes mecanismos, coordenadas pela Autoridade Nacional Designada,
para aprovação e consequente obtenção de financiamento.
4 Dotar o país de um sistema tarifário que garanta a
sustentabilidade do sector
A sustentabilidade do sistema de gestão de resíduos não
poderá depender exclusivamente das dotações orçamentais
do Executivo, sendo inevitável evoluir para a aplicação de
tarifas aos produtores de RU.
Para a execução do presente objectivo, propõem-se as
seguintes metas:
Elaboração de um documento orientador para a definição
de tarifários pelas Províncias/ Municípios, até 2014;
Introdução faseada de tarifas pelo serviço de gestão de
resíduos, até 2017, dirigidas prioritariamente aos maiores
produtores e até 2022, para a população em geral salvaguardando as situações de fragilidade social.
Definir e implementar os pilares necessários do sistema
tarifário (por exemplo, implementar custos de referência e
contabilidade analítica)
Para garantir a implementação de tarifas justas e a
transparência do processo de aplicação das mesmas é fundamental assegurar o respeito por determinadas regras. Neste
contexto recomenda-se a prossecução das seguintes acções:
Definir custos de referência para efeitos de comparação
com as tarifas aplicadas;
Estabelecer, aos operadores públicos e privados, a obrigatoriedade de manter contabilidade analítica, ou seja,
estruturada por centros de custos;
Definir a obrigatoriedade de realização de auditorias
periódicas por parte de organismos externos.
Elaborar um documento orientador para a definição de
tarifários para as Províncias/ Municípios
A implementação de um sistema tarifário deverá seguir
um conjunto de orientações para o desenvolvimento de uma
metodologia de cálculo das tarifas.
A elaboração de um documento orientador de cálculo de
tarifas é uma boa prática que poderá garantir a uniformização da metodologia de cálculo das tarifas. O cálculo de
tarifas poderá considerar a diferenciação por segmento de
produtores de RU, nomeadamente:
Residenciais;
Estabelecimentos de comércio ou serviço;
Estabelecimentos públicos;
Unidades industriais e/ ou empresas;
Outros.
Para cada segmento, a tarifa poderá ser diferenciada com
base em vários critérios, como por exemplo:
O princípio do poluidor-pagador, que reflecte no valor a
cobrar a quantidade de resíduos produzidos;
O nível de serviço, que pode ser definido através da frequência da recolha, do tipo de veículo utilizado, entre outros
factores;
Aftipologia dos resíduos (por exemplo, os resíduos húmidos que exigem um processo adicional de secagem podem
ter uma tarifa associada superior);
O estabelecimento de tarifas diferenciadoras, designadamente, para famílias numerosas e para famílias com
fragilidade social.
Outra vertente a considerar é o ritmo de introdução das
tarifas, podendo considerar-se, numa fase inicial, um valor
Figura 52 - Benchmarking de
base que deverá ser actualizado periodicamente até se atingir a tarifa final pretendida. O período durante o qual serão
introduzidas as tarifas deverá ser previamente definido e
comunicado aos destinatários. A introdução progressiva de
tarifas é uma boa prática que favorece a adaptação e aceitação do sistema tarifário por parte da população e grandes
produtores.
Definir e implementar tarifário dirigido prioritariamente
aos maiores produtores
São considerados maiores produtores os produtores não
domiciliares, nomeadamente unidades industriais, estabelecimentos de comércio e/ ou serviços, como por exemplo
hotéis e restaurantes, estabelecimentos públicos e empresas.
Pelo facto de serem responsáveis por um maior nível de
produção e por apresentarem maior capacidade financeira,
deverá iniciar-se desde já a cobrança de tarifas a este tipo
de produtores, sendo expectável que esta tarifa seja superior
àquela a aplicar à população em geral.
Recomenda-se, ainda, a implementação de mecanismos
de controlo do pagamento das tarifas para assegurar a eficácia do sistema. Em caso de incumprimento, a aplicação de
multas poderá ser uma solução para mitigar esta ocorrência, podendo, nas situações mais extremas, ser considerados
outros mecanismos como por exemplo a confiscação temporária da licença de actividade.
Definir e implementar um tarifário para a população em
geral
A cobrança de tarifas à população em geral pode ser feita
através de 3 modalidades típicas, conforme apresentado na
figura seguinte.
tarifas aplicadas a Famílias
No primeiro caso, o financiamento é feito através deuma — recolha, entre outras variáveis. A distinção entre as duas
componente da taxa cobrada pela autoridade local para asse- = últimas modalidades é o método de cobrança: no primeiro
egurar os serviços públicos, incluindo a limpeza urbana, a — caso a tarifa é cobrada em conjunto com outro serviço (por
recolha e a deposição de resíduos. Esta taxa pode ser definida — exemplo, água, luz), no segundo é cobrada à população em
com base no valor da propriedade ou nível de rendimentos, e — separado.
com base nos custos anuais previstos em orçamento. No que diz respeito a mecanismos de controlo, estes são
A tarifa de prestação pelo serviço é especificamente — mais difíceis de implementar à população em geral. Neste
calculada para os serviços de gestão de RU e pode variar — caso, a sensibilização das populações é a estratégia mais
com a quantidade de resíduos gerados e a frequência da — adequada para garantir o sucesso da aplicação das tarifas.
Figura 53 - Síntese dos objectivos, metas e iniciativas para o eixo do Modelo de Financiamento
Opiectivos e mas
71 Aumentar as dotações do Aumento da componente do OGE para a actividade de gestão de oo
Executivo para a gestão de ; ; " " Dos 7.1.1. Aumentar o orçamento das Províncias
; resíduos em articulação com os Planos de Acção Provinciais
resíduos
Aprovação de candidaturas ao Programa Fast-Start até ao fim de ;
o 2012, para a realização de estudos da responsabilidade do MINAMB Eva DEaS EEE Ser de
7,2. Capitalizar os fundos necessários para a estruturação do sector, identificados no PESGRU | PT ST
internacionais que se encontram ao dispor do país 722. Pr t didaturas d
Apresentação de candidaturas a outros fundos internacionais 1 & +Teparar e apresentar candidairas de
projectos a Fundos Internacionais
3. Capitalizar os mecan- Apresentação de candidaturas para os projectos de valorização de 73.1 Preparar e apresentar candidaturas de
ismos de financiamento de e o projectos de valorização no âmbito dos mecanbiogás e de compostagem ; ;
carbono ismos de financiamento de carbono
4.1. Definir e implementar os pilares
necessários do sistema tarifário
4.2. Elaborar um documento orientador para
' ' ' a definição de tarifários para as Provincias/
4. Dotar o país de um sis- | Introdução de tarifas pelo serviço de gestão de resíduos urbanos: Municípios
tema tarifário que garanta a — | Até 2017, para os maiores produtores
sustentabilidade do sector Até 2022, para a população em geral 1 o
4.3. Definir e implementar tarifário dirigido
prioritariamente aos maiores produtores
4.4. Definir e implementar tarifário para a
população em geral
Programa de Implementação “Angola Limpa” É neste enquadramento que o presente PESGRU estabe-
III.1 Plano de acção lece, a diferentes níveis, os objectivos e metas a atingir por
A concretização dos objectivos e metas estabelecidos — Angola até 2025.A ambição colocada neste plano reflecte-se:
neste plano constitui um enorme desafio para Angola Na quantidade e diversidade de objectivos a atingir,
Contexto actual exige sentido de urgência e objectivos endereçando todas as dimensões relevantes da estratégia e
ambiciosos operacionalização da gestão de resíduos em Angola;
: o : : Na aspiração proposta para as várias metas, apontando,
O sentido de urgência que este plano visa criar na pras 'P . : Pp? p
: : " não para melhorias marginais, mas para saltos de desenvolsociedade angolana, nos decisores políticos e nos agentes : : : Í o "
o ' eo vimento disruptivos em linha com os princípios de gestão de
económicos resulta de dois factores essenciais: , o , :
: ' resíduos em aplicação nos países desenvolvidos;
Por um lado, o ritmo de acentuado desenvolvimento que o : : :
Nos ambiciosos horizontes temporais preconizados
Angola tem vindo a atravessar nos últimos anos, e que se para as metas estabelecidas, exigindo a rápida concretizaperspectiva que se mantenha no futuro; ção de melhorias com substancial impacte no bem-estar da
Por outro, as debilidades estruturais no sistema de gestão — população.
deresíduos do país, as quais, apesar do seu desenvolvimento Conforme apresentado na secção anterior, os objectivos
no passado recente, obstam ao crescimento sustentável de — e metas propostos para cada um dos 7 eixos do PESGRU são
Angola. os seguintes:
Figura 54 - Objectivos e metas pº
Eixo Objectivo
1. Garantir a formação e qualificação
profissional de quadros nacionais
2. Garantir a consciencialização da
população para a importância da
gestão de RU
1. Assegurar a abrangência do
serviço de recolha de resíduos
2. Assegurar a qualidade do serviço
de recolha de resíduos
3. Assegurar a eficiência do serviço
de recolha de resíduos
4. Assegurar a recolha do passivo
existente
1. Implementar progressivamente a
recolha selectiva multimaterial
2. Promover a reciclagem de
materiais e o desenvolvimento do
respectivo sector industrial
r eixo estratégico do PESGRU
Metas
+ Implementado Programa de Acções de Formação, até
+ Implementados cursos de nível superior sobre
matérias do sector, até 2020
* Municípios implementam, por ano, pelo menos uma
campanha local de sensibilização:
- 50% até 2017
- 100% até 2025
e Escolas implementam no seu currículo escolar
programas de sensibilização:
- 50% até 2015
- 100% até 2020
+ À taxa actual de recolha de resíduos de
aproximadamente 50% (média dos Municípios do
Huambo que disponibilizaram esta informação no
inquérito) deverá evoluir para:
- 100% nas zonas urbanas estruturadas, até 2015
- 100% nas zonas peri-urbanas, até 2020
- Pelo menos 80% nos aglomerados populacionais
das zonas rurais, até 2022
e O nível de serviço do sistema de recolha deverá
atingir, até 2020, níveis semelhantes a países
desenvolvidos para o que devem ser definidos
indicadores
e Os custos do serviço de recolha de resíduos deverão
atingir, até 2022, um nível de optimização elevado
+ Até final de 2015, deverá ser recolhido 100% do
passivo nas capitais de Província
e Até final de 2020, deverá ser recolhido 100% do
passivo das restantes cidades
+ Iniciar programas piloto de recolha selectiva:
- Na cidade de Luanda, até final de 2013
- Em 50% das capitais de Província, até 2017
- Em 100% dos Municípios, até 2022
e Até 2022, cumprir com um mínimo de:
- 10% de taxa de reciclagem do vidro
- 10% de taxa de reciclagem do papel/ cartão
- 5% de taxa de reciclagem do plástico
- 10% de taxa de reciclagem de metais
- 10% de taxa de reciclagem do total de materiais
recicláveis
IT SÉRIE — N.º 168 — DE 30 DE AGOSTO DE 2012
Eixo Objectivo
1. Criar as condições e promover o
desenvolvimento de Sistemas
Integrados de Gestão de fluxos
específicos de resíduos assente no
princípio do poluidor-pagador, na
vertente da Responsabilidade Alargada
do Produtor (RAP)
2. Organizar o fluxo dos resíduos
hospitalares
3. Organizar o fluxo dos resíduos
industriais
1. Dotar o país de um modelo de
tratamento, valorização e deposição
adaptado às suas características
específicas
Metas
e Até 2015, estabelecer os regimes jurídicos para a
gestão dos fluxos específicos das embalagens (RE) e
resíduos de construção e demolição (RCD)
e Até 2016, estabelecer os regimes jurídicos para a
gestão dos fluxos específicos para os resíduos de
equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) e da
fileira do automóvel
+ Até 2017, licenciar os sistemas integrados de gestão
de fluxos específicos para os RE e RCD
* Até 2022, licenciar os sistemas integrados de gestão
de fluxos específicos para os REEE e resíduos da
fileira automóvel
» Até 2025 cobertura de todas as Províncias pela
actividade dos sistemas integrados de gestão de fluxos
específicos
+ Até 2014, elaborar um plano estratégico para a gestão
de resíduos hospitalares
+ Até 2015, elaborar um plano estratégico para a gestão
de resíduos industriais
Implementação completa dos CTV até 2025:
* Implementar soluções de deposição ou estação de
transferência
- — Para todas as capitais de Província, até 2017
- — Para as todas as sedes de Município, até 2022
* Implementar ecocentros em todos os CTV
- — Para todas as capitais de Província, até 2017
- — Para todas as sedes de Município, até 2022
* Implementar centro de triagem
- —Em50% das capitais de Província, até 2017
- — Nas restantes capitais de Província e nas sedes
de Município com produção de RU superior a
000 ton/ano, até 2022
- — Nasrestantes cidades, após 2022
* Implementar infra-estrutura de compostagem
- —Entre 2017 e 2022, nas capitais de Província
que já possuem centro de triagem
- — Entre 2022 e 2025, nas restantes capitais de
Província e nas sedes de Município com
produção de RU superior a 70.000 ton/ano
+ Avaliar desde já solução de incineração e valorização
energética associada, em Luanda
« Até 2013, definir o modelo de aproveitamento e
valorização energética do biogás produzido no aterro
sanitário de Mulenvos
+ Até 2020, elaborar estudos de viabilidade de
aproveitamento energético do biogás nas capitais de
Províncias e até 2022 nas sedes de Municípios com
aterros com uma capacidade superior a 40.000 ton/ano
Tendo como objectivo concretizar o estabelecido no
PESGRU, deverá ser lançado um programa abrangente e de
âmbito nacional — “Programa Angola Limpa”, envolvendo
a sociedade e agentes políticos e económicos de Angola
Princípios e composição do Programa Angola Limpa.
O PESGRU, enquanto plano estratégico, constitui um
documento orientador que define um conjunto de princípios
alinhados com boas práticas e ajustados à realidade específica de Angola.
A operacionalização das propostas do PESGRU deverá
ser assegurada através da implementação de um programa
abrangente e de âmbito nacional, que vise criar as condições necessárias ao cumprimento dos objectivos e metas
estabelecidos.
Para o efeito, deverá ser lançado e implementado o
Programa Angola Limpa, dando continuidade ao trabalho
do PESGRU e garantindo a efectiva adopção em Angola de
uma nova filosofia para a gestão de resíduos.
Por forma a atingir os objectivos a que se propõe, o
Programa Angola Limpa tem subjacentes os seguintes
princípios:
Desígnio nacional: o Programa Angola Limpa pressupõe
o enquadramento da gestão de resíduos enquanto uma das
prioridades de desenvolvimento de Angola, dinamizando
um movimento de âmbito nacional que envolve entidades
públicas, agentes económicos e sociedade em geral.
Abrangência nacional: o Programa Angola Limpa deverá
promover a eliminação das assimetrias regionais, garantindo
que a nova filosofia de gestão de resíduos é uma realidade
em todo o território angolano.
Orientação para a acção: sem prejuízo dos necessários estudos que a complexidade do programa justifica, o
Angola Limpa é composto maioritariamente por iniciativas
de implementação com impacte tangível e substancial no
bem-estar da população e na saúde pública, sendo estes os
objectivos últimos que o programa visa atingir.
Ambição e sustentabilidade: este programa ambiciona
um salto qualitativo disruptivo no modelo de gestão de resíduos de Angola, acelerando substancialmente o ritmo de
desenvolvimento das práticas em vigor e, simultaneamente,
criando as condições necessárias à sustentabilidade das
melhorias implementadas.
Monitorização do sucesso do programa: com uma periodicidade de 2 anos, deverão ser compilados e divulgados à
população os resultados do programa, numa perspectiva de
transparência e prestação de contas à sociedade angolana.
O Programa Angola Limpa consolida em si todas as iniciativas a implementar, incluindo:
Iniciativas de âmbito nacional, delineadas no âmbito do
PESGRU;
Iniciativas de âmbito provincial e municipal, a estabelecer a um nível local em Planos de Acção Provinciais.
Figura 55- Programa Angola Limpa como continuidade
do PESGRU
sesetesestesstetededadinde:
É % Programa Angola Limpa
; : 2012-2025
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Programa Angola Limpa: iniciativas de âmbito
nacional
A concretização do PESGRU depende, em primeira instância, da efectiva implementação dos pilares estruturais que
constituem a base sobre a qual assentará todo o sistema de
gestão de resíduos. Estes factores estruturantes incluem elementos como o enquadramento legal, o modelo institucional
do sistema, e estudos de suporte à tomada de decisão sobre
matérias específicas.
A tabela seguinte sistematiza o cronograma proposto
para estas iniciativas.
IT SÉRIE — N.º 168 — DE 30 DE AGOSTO DE 2012 4843
Figura 56 - Cronograma alto-nível das iniciativas de âmbito nacional do Programa Angola Limpa
Eixo Iniciativa
1.1, Definir e implementar um Programa de Acções de Formação
1.2. Fomentar a criação de cursos de nível! superior sobre matérias do sector
2.1. Desenhar Programa Nacional de Sensibilização para uniformização de mensagens
2.2. Implementar campanhas municipais de sensibilização, em parceria com outras entidades
2.3, Incluir no currículo escolar na área do ambiente mensagens sobre gestão de resíduos e reciclagem
2.4, Implementar projectos-piloto em algumas escolas
1.1, Reforçar os meios de recolha
1.2. Desenhar a rede de estações de transferência/ triagem
1.3, Implementar comunicação sobre entrega de resíduos, com envolvimento da população
4. implementar projectos-piloto de práticas de recolha não convencionais
2.1. Elaborar regulamentos provinciais! municipais de gestão de resíduos
2.2. Implementar melhorias aos contratos com as empresas de recolha
3.1, Implementar estratégia de adequação do tipo de meios às características da zona de recolha
3.2. Promover à melhoria de infra-estruturas de base para uma recolha eficiente
4.1. Elaborar e implementar uma estratégia de recolha do passivo
1.1.Incluir nos regulamentos locais directrizes sobre a recolha selectiva
1.2.Dar conhecimento destas directrizes aos funcionários locais e à população em geral
1.3.Implementar comunicação específica de apelo à participação e instruções básicas de separação dos materiais
1.4. Implementar comunicação dirigida a grupos específicos
1.5. Realizar inquérito junto da população
1.6. Definir e implementar o modelo de recolha selectiva
1.7. Instalar centros de triagem e outras infra-estruturas necessárias
1.8. Definir indicadores de monitorização do programa de recolha selectiva
1.9. Difundir junto da população os resultados alcançados com o programa de recolha selectiva
2.1. Realizar uma estimativa de produção e caracterização dos RU mais detalhada
2.2. Avaliar o mercado de materiais recicláveis, identificar potenciais comerciantes/ recicladores e definir as rotas de
escoamento
1.1. Aprovação da legislação específica (gestão dos fluxos específicos no âmbito da responsabilidade alargada do produtor)
41,2. Celebração de acordos voluntários com os representantes dos produtores, dos distribuidores e dos operadores de gestão
de resíduos, com à anuência do MINAMB, para vigorarem durante o período imediatamente anterior à entrada em
funcionamento das entidades gestoras de fluxos específicos
1,3, Campanha de comunicação junto dos produtores, distribuidores, Municípios e cidadãos
1.4, Criar mecanismos de controlo da aplicação da legislação
2.1 Organizar o fluxo dos resíduos hospitalares
3.1 Organizar o fluxo dos resíduos industriais
Legenda:
MINAMB — Ministério do Ambiente; MED — Ministério da Educação; MINFIN — Ministério das Finanças; MINSA
— Ministério da Saúde; Organismos Locais — Governos Provinciais el ou Autoridades Municipais; MINGMI — Ministério
da Geologia e Minas e Indústria
2012 2013 2014 2015 2016 2017
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2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 — Responsável
MINAMB/ MED/ Org. Locais
E TSE) MINAMB/ MED Org. Locais
MINAMB
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MINAMB/ MED
Organismos Locais/ MED
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Organismos Locais, com
aprovação do MINAMB
MINAMB/ Org. Locais
MINAMB/ Org. Locais
Organismos Locais, com
aprovação do MINAMB
e Executivo
MINAMB
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Organ. Locais! Operadores
com aprovação do MINAMB
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MINAMB
MINAMB
MINAMB! MINSA
MINAMB/ MINGMI
IT SÉRIE — N.º 168 — DE 30 DE AGOSTO DE 2012 4845
Eixo Iniciativa
1.1. Elaborar o Manual de concepção, construção e operação de aterros sanitários" - regras e normas técnicas gerais”
1,2. Lançamento de concursos para a concepção/construção de infra-estruturas de tratamento e deposição final
1.3. Promover a inclusão do plan. e localização das infra-estruturas de tratamento e deposição final na elaboração dos PDM
1.4. Implementar ecocentros nos CTV
1.5.Implementar centros de triagem nos CTV
1.6.Implementar infra-estruturas de compostagem nos CTV
1.7. Dinamizar compostagem caseira
1.8 Definir normas de produção de composto e implementar certificação
1.9. Fomentar mercado para comercialização do composto
1.10., Def. orientações para futuro quadro legal para inst. de valorização energética - incineração e co-incineração de resíduos
1.11. Avaliar a viabilidade da implementação de infra-estrutura de incineração em Luanda
1.12. Analisar a viab. técnico-económica de CVE em Luanda, com uma dimensão superior a 200.000 ton/ano, incluindo infraestruturas de ligação à rede de transporte de energia
1.13. Dar continuidade ao estudo de aproveitamento e valorização energética de biogás elaborado para o aterro de Mulenvos
1.14 Elaborar estudos de viab. de aproveitamento energético do biogás nas capitais de Províncias e de Municípios com aterros
com uma capacidade superior a 40 000 ton/ano
1.15.Elaborar um estudo de viabilidade para o tratamento e comercialização das escórias
1.16.Elaborar um estudo de viabilidade para a produção de CDR
5,2.1.Assegurar a deposição adequada para o passivo recolhido
2.2 Elaborar “Mapa de Referência das Lixeiras a nível municipal”
2.3. Elaborar "Manual de Regras e Normas técnicas para o encerramento, selagem e requalificação ambiental de lixeiras”
2.4 Encerramento, Selagem e Requalificação ambiental das lixeiras existentes
1.1. Elaborar e aprovar Regulamento Geral do sector dos resíduos
2.1. Nomear a Comissão de Acompanhamento e a Equipa de Coordenação do Programa Angola Limpa
2.2. Elaborar e divulgar documento orientador para a elaboração dos Planos de Acção Provinciais
2.3. Elaborar um Plano de Acção específico para cada Província
3.1. Privilegiar o estabelecimento de contratos com operadores privados para a recolha
3.2. Avaliar e definir modelo de participação privada para implem. e op. de infra-estruturas de tratam., valorização e deposição
3.3. Definir boas práticas/ procedimentos para a atribuição de contratos
4.1, Constítuir e operacionalizar a Autoridade Nacional de Resíduos
4.2. Constituir e operacionalizar um serviço de controlo e fiscalização na área dos resíduos
5.1. Implementar uma base de dados com informação sobre o sector
5.2. Efectuar o levantamento de dados a um nível provincial
1.1. Aumentar o orçamento das Províncias
2.1. Preparar e apresentar candidaturas de projectos ao Programa Fast-Start
2.2. Preparar e apresentar candidaturas de projectos a Fundos Internacionais
3.1. Preparar e apresentar candidaturas de projectos de valorização no âmbito dos mecanismos de financiamento de carbono
4.1, Definir e implementar os pilares necessários do sistema tarifário (ex. implementar custos de referência e contab. analítica)
4.2, Elaborar de um documento orientador para a definição de tarifários para as Províncias/ Municípios, até 2014
4.3. Definir e implementar tarifário dirigido prioritariamente aos maiores produtores
4.4. Definir e implementar tarifário para a população em geral
Legenda:
MINAMB - Ministério do Ambiente; MED — Ministério da Educação; MINFIN — Ministério das Finanças; MINSA
— Ministério da Saúde; Organismos Locais — Governos Provinciais el ou Autoridades Municipais; MINGMI — Ministério
da Geologia e Minas e Indústria
12 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
iza:
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E
"um
— EN
À —
Programa Angola Limpa: iniciativas de âmbito provincial
A implementação no terreno das propostas preconizadas
no PESGRU requer necessariamente um processo mais fino
de caracterização da situação de referência e definição por-
2020 2021 2022 2023 2024 2025 Responsável
MINAMB
MINAMBY/ Org. Locais
Organismos Locais
| Organismos Locais
| | rganismos Locais
| E | rganismos Locais
| Ro) | | | rganismos Locais
| MINAMB/ Org. Locais
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MINAMB
MINAMB
MINAMB
Organismo Local
E] Organismos Locais
MINAMB
| SNS
E —— Organ. Locais/ Operadores,
com aprovação do MINAMB
Organismos Locais
MINAMB/ Org. Locais
ENA ue MINAMB/ Org. Locais
Executivo
MINAMB
Governos Provinciais
MINAMB
Fe MINAMB/ Org. Locais
MINAMB/ Org. Locais
MINAMB
MINAMB
Executivo
MINAMB
MINAMB/ Org. Locais
ET Executivo
MINAMB
Es | fe] | INAMB/ Org. Locais
| | | INAMB/ Org. Locais
MINAMB/ MINFIN/
Organismos Locais
MINAMB/ MINFIN
MINAMB (definição) e
Organ. Locais (impl.)
asa pci ca MINAMB (definição) e
Organ. Locais (impl.
menorizada das soluções a implementar, enquadrando estas
medidas na estratégia global das províncias e garantindo a
sua articulação com, entre outros elementos, os Orçamentos
Provinciais e os Planos Directores Municipais.
