Preâmbulo
Lei n.º 4/98
de 29 de Maio
Considerando que o Programa de Estabilização e Recuperação Económica de Médio Prazo 1998-2000 pretende
aprofundar o combate à inflação, o crescimento do produto
interno bruto e a defesa da produção interna. visando, entre
Qutros aspectos, melhorar as condições de vída da popução;
Considerando que só à aplicação continuada e sem vaci-
Ia-es do programa, assim como a correcta integração dos
-«Seramas provinciais e dos planos sectoriais no conjunto
das medidas preconizadas poderá conduzir à desejada estabilidade cconómica e consequente melhoria do bem-estar das
Populações;
Nestes termos, ao abrigo da alínea b) do artigo 88.º da
Lei Constitucional, a Assembleia Nacional aprova'a se-
Buiate:
Lei que aprova o Programa de Estabilização
e Recuperação Económica de Médio Prazo
1998-2000
Artigo 1.º#
Aprovação
É aprovado o Programa de Estabilização e Recuperação
Económica de Médio Prazo 1998-2000.
io de 1998 I Série — N.º 24
Á
AL DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Preço deste ntimero — KzR: 1 627 500.00
FURAS O peeço de cado linha publicada nos Diários
Ano É da República (1.º e 2º séries é de KzR: 465 000.00
KzR; 650 000 DCN-00 | € para a 3" série KzR: 665 DOO.00, acrescido do
KzR: 315 5SCO O0G.O0 É respectivo imposto do selo, dependendo &
KzR: 232 000 006.00 | publicação do 3.º série, de depósito prévio a efectuar
KzR: 145 506 00000 | na Tesouraria da Imprensa Nocional —— U, E, E,
Artigo 2.º#
Acompanhamento
O Governo deve, com periodicidade semestral, submeter
à Assembieia Nacional relatórios de execução do Programa
de Estabilização e Recuperação Económica de Médio Prazo
1998-2000,
Artigo 3.º#
Entrada em vigor
À presente lei entra em vigor após a sua publicação.
Vista e aprovada pela Assembleia Nacional, em Luanda,
aos 12 de Fevereiro de 1998.
O Presidente da Assembleia Nacional, Roberto António
Victor Francisco de Almeida,
Publiquê-se.
O Presidente da República, José EnuaARDO DOS SANTOS.
INTRODUÇÃO
As perspectivas advindas com a implementação do processo de paz colocam ao País uma nova oportunidade e um
novo desafio para a transformação económica e o
crescimento sustentável. De facto, a instauração no País de
um processo de desenvolvimento tem vindo a ser obstado
por dificuldades de ordem crónica, sendo os principais
responsáveis, por um lado, a guerra destruidora que conduziu
a uma delapidação dos recursos quer físicos, quer humanos e
que tomou uma dimensão eloquêntemente devastadora após a
realização do pleito eleitoral em Setembro de 1992 &, por
outro lado, a gestão económica bascada no modelo centralmente planificado que foi incapaz de alocar eficazmente
os recursos disponíveis, Deste modo, o desenvolvimento
económico é social duradouro dependerá do sucesso com que
gerida a dupla transição da guerra para à paz e de uma
Sevnomia centralmente dirigida para uma economia de
mercado.
À transição da guerra para à puz pressupõe um grande
esforço político centrado na desmobilização e ntintegração
social dos combatentes 2 na minoração do sofrimento das
vílimas da guerra c reassentamente das popolações deslocadas. Por seu tumo, à transição de um sistema económico
cenralizado para uma economia de mercado sequer um
empenhamento total na transformação do sistema. a3ravés de
ICÇÕES NOFMIAtVAS Vigorosas visando a efectiva alteraçõo do
sistema anterior e à implementação de uma nova € moderna
estrutura orientada segundo os princípios de funcionamento
do mercado. À opção por uma cconomia gerida pelos
mecanismos de mercado implica a afirmação do Estado
como entidade facititadora e fomentadora das actividades
económicas, responsável pela reconstrução c modernização
das infraestraturos económicas e sociais e pela manutenção
la estabilidade macro-económica, atento às distorções do
cado que induzam desigualdades e injustiças é garante da
resolução dos problemas sociais da população,
Em termos globais, a intervenção do Estado num sistema económico de mercado processa-se fundamentalmente
por via indirecta asravés de medidas de política econtímica,
formuladas segundo os principios de eficiência, estabilidade
€ equidade. Em termos de eficiência, o Estado intervém
corrigindo às «falhas» de mercado e às exiemalidades
Hcgativas é produzindo bens & serviços públicos de
qualidade. Visando 2a estabilidade o Estado actua sobre as
flutuações do ciclo económico. promovendo o enescimento
económico e tentando reduzir 2 inflação, o desemprego € os
desequilíbrios do sector extemo. No que concerne à equidkuke,
à acção do Estado procura comigir e suavizar às disparidades
na distribuição dos rendimentos,
Será assim materializado. na prática. 6 objectivo da
construção de tma economia social de mercado.
Assim, de acordo com à situação em que País se
aconira e tendo em vista à criação de condições para a
wiração de um processo de desenvolvimento económico
sustentável, a formulação de políticas económicas na presente fase deverá ter como eixo prioritário de ericntação à
estabilização macro-económica entendida como a redução
dos principais desequilíbrios macro-económicos: défice
público, défice externo e inflação. A estabilidade terá que ser
entendida em duas vertentes. semlo 2 primeira de eardeter
político relacionada com à consolidação da estabilidade
política que a implementação do processo de pas permitirá
obter e a segunda, de índole económica, ligada ao combate à
inflação e à correcção das distorções macro-económicas.
Neste domínio, o Provrama de Estabilização e Recuperação
Económica 1998-2000, deverá ser visto como uma segocrcia lógica do Programa de Política Económica e Social do
Governo de 1997. De faco, o funcionamento eficaz dos
merçados de bens e factores depende da estabilidade dos
preços, de modo a que possam servir de referencial credível
para 2 tomada de decisões por parte dos agentes económiea, À estabilização macro-económica define-se assim como
factor essencial para sustentar a iransformação do
sistema. O mesmo significa dizer que se uent que proceder à
uma efectiva e rigorosa gestão das finaoças públicas c da
balança Je pagamentos. pois apesar da implementação de
algumas medidas correctivas em 997. mantêm-se amplamente válidos o diagnóstico e com algumas comeoções as
medidas de política económica preconizadas no Programa de
Política Ecunómica + Social de Geverno de 1997,
As condições de partida em que Angola se encontra em
termos do seu estádio de desenvolvimento, bem como às
necessidades Je reconstrução do País após o termo do
conflito armado impõe ao Estado um papel decisivo enquanto agente de regulação é de promotor doe desen
volvimento,
Nestes termos, as funções tradicionais de regulação que
são habitulmente atribuídas 26 Estado numa cconomiz de
mercado, devem no caso particular de Angola, e no presente
momento histórico, ser complementadas com uma função de
promoção e fomento do desenvolvimento; esta função lem
um duplo alcance: por um lado, preenche o espaço que o
sector privado não está ainda em condições de preencher, por
mzões que se prendem com à escassez de capital e de recursos
humanos qualificados. num momento em que à cultura
empresurial está ainda em processo de formação: por out
lado. assume o papel dinumizador da reconstrução, à qual só
pode ser feita com base numa estratégia zobal e nacional de
mobilização de recursos que por razões de rentabilidade não
Menem o secior privado,
Para esse efeito, o Estado dispõe de Programa de Investimentos Públicos como um instrumento privilegiado de
afectação dos recursos públicos em consonúíncia com à
estratégia de desenvolvimento definida, Comptementarmente
e de modo consistente com esse programa, cabe 2o Estado o
papel de captar. orgunizar e ernicutar « aplicação dos recursos
da ajuda externo so desenvolvimento. Neste contexto. à
reconstrução nacional deverá ser entendida como um pro
cesso que deverá conduzir à reabilitação das infraestroturas
econónticos fundamentais para o exercício da actividade
económica € ainda e principalmente à valorização do facior
humano cono condição essencial para a recomposição do
tecido social ditacerado por muitos anos de guerra.
A função de regulação na economia triectuz-se igualmenv
na criação de condições que proporcionem o desenvolvimento de mercados competitivos e que passa pela
liberalização dos preços e das actividades comerciais quer
internas quer externas, pela promoção da concorrência
eliminando às situações de monopólio, enfim, pela criação
de um ambiente propício ao desenvolvimento do sector
empresarial privado. Eliminar os factores de ineficiência
significa igualmente proceder à uma ampla revisão de
regulamentos ç procedin«entos administrativos inguequados
que não contribuem pura o fortalecimento das regras de
mercado. Outrossim. os princípios da economia de mercado
referenies à propriedade, contratação, organização empresartal e dos diferentes mercados (do trabalho. financeiro, do
comércio externo. do investimento e dos recursos naturais,
entre omteis) terão ue ser claramente negulamentados pela lei.
Finalmente, para que à produção nacional reaja aos sinais de
preços de mercado é preciso que os faciores produtivos
ganhem mobilidade, Por essa razão, promover a eficiência
económica significa criar condições que visem desenvolver
x Viifios Mercados que constituem uma moderna ceoromia
Ue meccaádo: mercado de bens e sen kços. mercado de trabalho
e mercado de capitais.
Finalmente, abordando o domínio redistributivo, estorvos prioritários serão emprecndidos com vista a obicr +
alívio da pobreza das populações mais desfavorecidas e
directamente afectos pela situação de guerra, Desde Agosto
de 1996 que à tendência revisuda em anos anteriores de
degradação das condições de vida da população tem vindo à
ser comrigida. Naturalmente que os esforços que o Governo
fez nesta matéria vão ser aprofundados e alargados no
contexto das políticas de combate à pobreza e de
rendimentos e preços contidos neste programa, de modo à
que a inelhoria das comlições de vidi da população possa ser
sustentável a médio prazo. À este propósito importa realçar
que os mecanismos de mercado podem ser igualmente geradores de disparidades excessivas na repartição de rendimentos, pelo que os objectivos de eltciência e estabilidade
anómicas deverão ser convenientemente conjugados com
os da função redistributiva que o Estado deve desempentar.
O programa de estabilização e recuperação económica
para o triénio 1998/2000 contém objectivos que. uma vez
alcançados, contribuirão para a criação das condições para as
alterações estruturais que devem ocorrer na economia e
sociedade nacionais durante os próximos anos, As políticas
aqui contempladas são, por um lado, de contenção da procura global, nomendamente as referentes ao consumo
público corrente, uma vez que se devem aumentar as afcelações orçamentais para o investimento público e os
seciores sociais e, por outro, de foniento do desenvolvimeto, particularmente pela via das reformas económicas de
mercado e- de medidas de apoio indirecio à produção
nacional. Deve sublinhar-se que a disciplina orçamental é
um aspecto absolutamente nuclear para o sucesso de todo o
programa, uma vcz que o défice fiscal do Estudo tem
interferências negativas em praticamente todas as políticas
das para à estabilização e para a recuperação económica.
Exaciamente por isso é imprescindível o maior consenso «
hprometimento político em torno dos objectivos e das
políticas definidas.
Quadro Económico, Sucial, Institucional
e Político de Partida
1. Agregados Macro-Económicos,
4.1. Produto Interno Bruto por Raios de Actividade.
De acordo com à informação estatística contida no
quadro seguinte constata-se que 1993, por razões relativas à
violência é extensão do conitito militar, foi marcado por
uma queda abrupta do nível geral da actividade económica, a
qual tem vindo a recuperar de fonma sistemática, embora
apenas em 1996 tenha sido restabelecido o nível de 1992,
Os sectores mais atingidos foram a agricultura e à
construção, com uma quebra de praticamente 50% e cuja
recuperação tem sido bem mais lenta do que à dos restantes
res. Sublinha-se, também, que à redução do nível de
1998 227
actividade de Estado freilectido nos serviços não mercantis)
que se cifrou em 30 pontos percentuais em 1993, não foi
ainda recuperada,
Evoleção do Produto Interno Bruto
Ane Bate 1993 = [865
mESrEINrNIDOt
Agricultura. sevicubera c pesca ooo si al as. 7] 74.2] 8SA] o5%
Indústrias extractivas 100. S6,.8] véolio7sSH21L5] 115.3
Petro truta é gds LH o a o [EI DESA] 126.7
Quero. LO Tu] dot] 4x9] 66.8] 105.0
Indústrias teusloncdorao LOG os a| es 93.2] 1015
Encrgia celócinica teniduios| esa us s1167] 129,
Consirnção UNE RS o n708 Ta 7 78.9] 89
Seniços Bicrcamh LO TU R$] Bus] 932] 109
Serviçõs náo mercantes UNI TOA 90] Sea] 67,6] 713
Drncitos de inipertaçõe HAL STS 423] ag] 34] 339
FIR a preços de mercodo SIGO 753] 77,2 | 85.8) 96.2) 101.9,
Vos, JA Ni
À recuperação atrás denunciada foi acompanhada por uma
alteração sienificativa na estruzera do Produto Interno Bruto.
Com efeito, 2 participação da indúsiria cxiractiva do petróleo no PIB passou de 40,2% em 1993 para 56,1 em 1996,
ou seja, uma subida de 16 pontos percentuais em apenas
4 anos. Caso se considerasse o sector petrolífero na sua
slobalidade, isto é. à extracção de petróleo bruto, refinação e
à de prestação de serviços de emprexas do rumo petrolífero,
essa percentagem seria ainda mais elevada. Consequentemente. quase todos 05 Testantes sectores viram a sua
participação no PIB substancialmente reduzida, com particular destaque pora 2 aericuttura. silvicultura € pesca é os
Serviços não mercantis.
Estrutura percentual do PFlB
A Freços Uorrentes
(Agricultura. sevieuliura e pescoé 14.3] ti] 6.65 77) 736 22
Isdústrias cxurcaihas BBALAILO] SROE SEA] 6135 SO
Perrileo ro € sis IR] 202] Se 6 SSH] 58.15 SO]
Ouiras 26) US8i 208 327) 33 38
Endsirias transformadora: 1 5.7) 457 40) 34) 42
Energia eléctrica vt al oul ou n6/ ol
Començão SA 45] 34] 34) 31) 39
Serviços necciaiis 164] 303] 18 036] 148] 63
Dinis dejeponação — — [az] os] 1a] coro] a
IrcMos E E a .
TB « preços de mercado B.G1O0,0 NOR.O LO O] 1900.0] [060
Tae: DNAboro
À economia nacional é assim cada vez mais dependente
de uma única actividade € com à agruvante de ser aquela que
nem sequer representa 17 do emprego assatariado nacional.
A descoberta recente de novos poços de petróleo irá
seguramente dar origem à um auntento significativo da sua
produção. Se assim for é de se admitir que nos próximos
anos o peso da actividade petrolífera venha a aumentar,
mesmo considerando que à evolução atrás referida se deveu,
cem boa medida, 20 sumento dos peeços do crude nos
mercados intermacionais.
É cento que as receitas que o sector da extracção proporciona são fumilamentais para o financimento da economia, deve no entanto, sublinhar-se a necessidade
fundamenta! dos restantes sectores de actividade ganharera
um maior peso relativo na estrutura produtiva.
Aquela alteraçõo estrutura! proporcionará maior criação de
emprego, aumento e diversificação da oferta interna e das
portações. Em conclusão, a implementação de políticas
equadas ao desenvolvimento dos ramos da indústria
transformadora, agricultura, construção e serviços vai criar
as condições necessárias para que a actual estrutura do P1B,
a médio prazo, se caracterize por uma maior diversificação e
densidade da malha produtiva nacional.
O aumento da actividade da agricultura está fortemente
condicionado pela consolidação do processo de paz, pela
desminagem dos campos € das vias de comunicação, assim
como pela adequada apticação de medidas de política
económica,
O ramo da pesca, embora com pouca expressão no PIB,
apresenta-se com fortes possibilidades de crescimento, desde
que sejam realizados investimentos para a melhoria da
operacionalidade das embarcações da frota nacional e das
estruturas de apoio em terra. O volume de capturas em 1996
cresceu cerca de 13% e a previsão para 1997 aponta para um
Scimento na ordem dos 10%.
O crescimento da construção, fortemente dependente do
investimento, está condicionado pelo volume das dotações
orçamentais para a construção e recuperação de obras
públicas e pelas medidas de política que propiciem o
investimento privado interno e a atracção do capital
estrangeiro.
O sector dos serviços, tal como o da agricultura,
beneficiará das vantagens decomrentes da consolidação do
processo de paz e concomitantemente da livre circulação de
pessoas e bens.
À estrutura é o crescimento do PIB na Óptica da Despesa.
Os quadros seguintes reflectem a composição e o crescimento dos diferentes agregados do Produto Interno Bruto
* 1993 e 1997.
Co [me [es esteio)
Comuno privado tos.o [109.0] 83.6] 9771107,4
Coníumo público 206,0 | 969] 134.1/136,61146,8
FBCF to0.0 [108,6] 119,2/831.21 447,0
Pública 100.0 [| 41.5] 101.90117.3/ 148.3
Privada Í 100.0 [120,1 | 173,9)134.5) 146,7
Exportações 196:9 [108,2] 122,2/130.6/ 134,6
Importações 100.0 | 980] 103.00/107.3] 113.5
Produto inter. brató (pre.do mercado) 100.0 [107.8] 121.24113,9] 139.5
Impostos indirectos Hguiãos 100,0 | 46,7] 15.00717,3/ 124.0
Produto intemo trato (custo de facroses)| 160,0 [114,4] 125,71132,6] 140,
Froduto interno bruto a pm (USD) 100,0 | 74,71 94,9 1714,8[ 116,7
Da análise do quadro pode concluir-se que o Consumo
Final apresenta uma tendência de crescimento permanente
durante aquele período. Entretanto essa tendência deve-se,
sobretudo,-ao comportamento tendencialmente crescente do
consumo das administrações públicas que denotou uma
variação média anual de 9,9%, enquanto que 6 consumo das
Tias se mostrou bastante errático, com uma variação
menia anual de apenas 1,8% no referido período. Este
comportamento decorre em grande parte da quebra do
consumo de subsistência das famflias rurais provocada pela
perda das colheitas, quer por abandono do campo devido à
BUEITA, Quer por consequência da estiagem na região centro e
sul do País.
Quanto aos investimentos (FBCF) no período em análise apresentaram uma tendência de crescimento constante
registando uma variação média anual de 10,1%. O investimento público, embora com uma tendência de crescimento
de carca de 16% em média anual, foi profundamente afeciado
pela paralização do Projecto Kapanda, que absorvia uma
considerável parte dos montantes globais. Por seu tado, o
comporamento do investimento privado, cuja taxa de
Variação média anual situou-se em cerca de t0%, resultou
principalmente dos investimentos ligados à actividade
petrolífera.
Quanto às variáveis do comércio externo, sublinha-se o
crescimento muito significativo das exportações, que no
período em referência aumentaram 34,6%, enquanto que as
importações apenas aumentaram 13,5%. À evolução das.
cxportações explica-se pelo aumento das exportações
petróleo bruto, que representam cerca de 96% do total.
Estrutura do PIB na óptica da defesa
e Nim [nm | 1d ms | em |
Consumo Bdblico F53| 320] 394] sre| o
FBCF 147 149] 145E Tas | 55
PábHca 29 6 24 26 EX
Privada 18| 132] 121 01213] 225
"Variação de existências 09| 09/ doal ao8i 098
Procura imersa 796| 764) 42) 7401] 753
E SERENA:
Produto iqier. bruto (pre. do mercado) À106,0 | 180,0 | 160,0 | 100,0 | 102.0
Da análise do quadro anterior ressaltam os aspectos
seguintes:
o peso dominante da despesa pública no consumo
final reflecte o predomínio excessivo do Estado na
economia;
a baixa taxa de investimento, traduzida pela relação
entre a FBCF e o PIB;
€) 0 peso excessivo das exportações, principalmente de
petróleo, na actividade económica geral.
1,2. Ponpança e Investimento,
A evolução comparada entre o investimento e a poupança mostra uma insuficiência crónica desta para financiar as
novas aplicações de capital. o que contribui para o agravamento da dívida extema do País. Em particular, a comparação-entre a poupança nacional e a poupança interna
revela o enorme peso das tránsferências de factores para o
exterior do sector petrolífeco, não surpreendendo que após
1989 o País se tenha tomado num exportador de capitais.
Para a exiguidade da poupança nacional contribui, sobremaneira, à actividade do Estado, cujos défices primários (sem
Serviço da dívida) apresentam cifras em tomo dos 18,0% do
PIB.
O comportamento do investimento apresenta tima regujade notável desde 1990, muito embora os seus valores,
quando comparados com o PIB, sejam extraordinariamente
baixos. não se podendo pensar numa verdadeira arrançada
para a desenvolvimento económico com taxas de investimento da entem dos 14%, Mas mais preocupante é o
comportamento do investimento público, com uma nítida
Iendência de desaceleração e concerteza já na zona perigosa de
desinvestimento. cireunsiância que se pretende ultrapassar
COM o prosenle programa,
A consideração da poupança nacional como fonte de
Tinanciamento do investimento interno leva a colocar uma
VU Questão neleionada com o crédito. Como se sabe esta
variável mactro-cconámica integra à programação moneária glob4l, devendo. por essa razão, respeítar os limites aí
estabelecides. Uma eventual sheração destes limites, no
Pespeito Jos (eles para à criação de moeda, só é possível se o
Estado resdtuzer as suas necessidades de financiamento ban-
“viário implícito vu seja, através da conformação do seu défice
al em bandas estreitas, Mas as dificuldades com o
credito são. Gmbén, explicades pela insuficiência de pou-
Nça, poits é conteaproducente Tinanciaren-se os projectos
ui Investimento com emissão de movda,
Para além de medidas de correcção do défice das contas
CXternas que procurem canalizar para investimento interno
uma parte substancial dos capitais que actualmente escapam
Para 0 exterior, o aumento da poupança nacional é tributária
da rapidez com que se conseguirem atingir os equilíbrios
Macro-cennómicos, se repuserem índices razoáveis de
confiança na política económica e no Estado e se organizar
o sistema de intermediação financeira, com destaque para
os bancos.
O quadro seguinte mostra à evolução do investimento e
da poupança desde 1990.
Investimento e poupança em função do PIR
a preços do mercado em
Yates 1996 Tiga [im | 1995 | esa | pos [19% |
investimento bruto 1290 154) 146] 185] 1410 140] 148
Investimento público 97 38 407 55) 30) 4,0] 40
Invesnnesto gavado 32) 103) 1001 sol 1611) 169] 108
Var. Hoc. noj (3 del ol ocloo| oO
Poupança inter 730 282 f 2817 300) 323/3338] 199)
F 25.0
Tone, UML Sulf Ropor
1.3. Balança de Pagamentos e Dívida Externa.
A Balança de Pazamentos que constitui o conjunto global de transacções entre residentes no País € os residentes
no resto do mundo, encerrou 6 exercício de 1996 com um
saldo negativo de USD 974 milhões, enquanto que para
1997 prevê-se um saldo negaúvo de USD 1108 milhões.
Para o resultado em 1996 contribuiram positivamente a Balituça Comercial com um saldo de USD 3094 milhões, a Balança de Serviços e Transferências Unilaterais com um saldo
tivo de USD 311 milhões € a Balança de Capitais de
12 Prazo com um saldo negativo de USD 148 milhões.
1998 229
A Balança de Transacções Correntes encerrou 9 exercício
de 1996 com um saldo negativo de USD 532 milhões,
constituindo assim um agravamento de cerca de BD,9%
relativamente ao ano anterior. Por seu lado, para 1997 está
prevista um saldo negativo de USD 732 milhões representando um agravamento na ordem dos 37% . O salto desta
balança tem sido estruturalmente influenciado pelo comportamento dos preços do petróleo bruto.
O saldo negativo apresentado por esta balança revela a
insuficiência do País em financiar às suas importações de
bens e serviços com recursos formados na economia, tendo
pois necessidade de capitais externos para cobrir as importações.
Em 1996 as receitas de exportação totalizaram
USD 507? milhões, significando um acréscimo de 36,9%
relativamente a 1995 devido ao incremento das quantidades de
petróleo exportado que passaram de 206,4 milhões de barris
em 1995 para 231.69 em 1996, as de refinados que cresceram
em 57 mil toneladas métricas e o volume exportado de
diamantes de 68 mil passou para 917,3 mil quitates. Prevêse para 1997 que as exportações correspondam em
USD 5205 milhões. Por outro lado, as importações F.O.B,
tiveram um acrescimento de 35% relativamente ao ano
transacto perfazendo USD 1983 milhões, contirmando o-seu
comportamento em função das receitas da exportação. À
balança comercial acabou assim por apresentar um saldo
positivo de 3094 milhões, que apresenta um aumento de
37% relativamente à 1995, enquanto que para 1997 prevê-se
um saldo de USD 2960 milhões, representando um decréscimo de cerca de 5%.
A subida das receitas de exportação ficou-se a dever
igualmente no aumento dos preços do petróleo que passaram
de 16,6 em 1995 para 19,22 USD/bbl em 1996 (preços
médios anuais) provocando uma subida das receitas do crude
de USD 1218 milhões e ao aumento das exportações dos
diamantes que passaram de USD 168 milhões para
USD 266,8 milhões, ocasionando um crescimento da receita
de USD 99 milhões.
A Balança de Serviços e Rendimentos é a principal
responsável pelo agravamento dos pagamentos correntes
do País ao exterior, tendo atingido em 1996 um saldo
negativo de USD 3626 milhões, confirmando a tendência
acelerada para o agravamento do saldo desta conta. Para
1997 prevê-se que esta balança atinja um saldo negativo de
USD 3692? milhões.
À comparação, nã Balança de Serviços e Rendimentos,
entre as rubricas de Crédito e Débito de Serviços e Rendimentos, põe em evidência uma situação demasiado preocupante traduzida no facto de em 1996 se registarem apenas
USD 139,2 milhões de receitas contra USD 3145,6 milhões
de despesas. Destas, USD 784 milhões correspondem a juros
da dívida externa, USD 514,9 milhões a repatriamento de
lucros e dividendos, USD 505,7 milhões a transportes e
gens e USD 2125,0 milhões à outros invisíveis, nomeamente assistência técnica, contratos de obras, embaixadas,
etc.
Relativamente à previsão para 1997 a situação é serisivelmente pior, porquanto prevê-se que as receitas cresçâm
na ordem dos 3% e às despesas em 16%, embora os juros da
dívida externa decresçam em cerca de 56%. À situação em
1997 decorre dum crescimento bastante considerável da
iubrica outros invisíveis (assistência técnica, contratos de
obras, embaixadas) em cerca de 18%, enquanto que os
transportes e viagens crescem em 13% e lucros e dividendos em $,5%,
Relativamente à balança de transferência unilateral, os
valores a crédito reflectem as doações concedidas ao País
totalizando USD 345 milhões e os valores a débito representam maioritariamente as remessas de trabalhadores estrangeiros, perfazendo USD 181 milhões, O saldo desta conta
de USD 164 milhões, que comparado com o ano ante-
”, corresponde a um aumento de 5,1%. Para 1997 é previsível um decréscimo em cerca de 10%, resultante da
diminuição que se prevê em termos de doações em cerca
de 5%.
ÀA nível] das transacções correntes, temos a registar uma
grande rigidez dos gastos com a rubrica dê serviços €
rendimentos devido a natureza estrutural dos mesmos. Estão
neste caso os gastos relativos aos juros da dívida externa,
transportes e viagens, assitência técnica, lucros e dividendos
€ os contratos de obras.
Às importações de mercadorias acabam por ser mais
vulneráveis às crises cambiais que a dos serviços, oscilando
com o comportamento do volume das receitas de exportação.
Como resultado, o sector industrial, muito dependente em
bens de consumo intermédios e de matérias-primas do
exterior, acaba por ficar num estado de permanente recessão
nómica, com sub-aproveitamento das suas capacidades
uais, sendo por este motivo a capacidade ociosa
excessivamente elevada. Na mesma linha de raciocínio as
importações de mercadorias têm sido também pariicularmente vulneráveis ao comportamento da balança de capitais,
decaindo quando à oferta de capitais se reduz, com efeitos
nefastos à nível da capacidade económica e aumentando
quando a oferta de capitais cresce.
À Balança de Capitais atinsiu em 1996 USD 163 milIhões, sendo à sua origem a seguinte:
Investimento directo estrangeiro — USD-477 milhões.
Capitais de médio e longo prazo (liq) USD-166 milhões.
Capitais de curto prazo (liq) USD-148 milhões,
Estes resultados espelham bem à confiança que os investidores do sector petrolífero têm vindo a manter na economia
angolana, prosseguindo os seus longos programas de pesquisa e desenvolvimento.
4 nível dos créditos externos verificou-se um aumento
bferia de capitais de médio e longo prazo, devido funda-
mentalmente à obtenção de financiamentos à balança de
pagamentos amparados por garantias de petróleo bruto, Outra
oferta de capitais limitou-se também aos fornecedores de
crédito que mantêm o serviço da dívida assegurado por
garantias reais de petróleo.
Entretanto, para 1997 prevê-se que 1º bulança de capitais encerre com um saldo negativo de cerca de
USD 376 milhões, face à diminuição em 33% do investimento directo estrangeiro. bem como à diminuição
considerável de entradas de capital que se siluou na ordem dos
35% e às armmorlizações que absorvem um valor considerável.
O saldo da conta global da balança de pagamentos reflecte
o movimento de exportação e importação de bens e serviços,
transferências unilaterais e capitais, acabando por reflectir o
saldo final das transacções com o resto do mundo. Em 1996
este saldo atingiu USD 974 milhões e em 1997 prevê-se que
atinja USD 1108 milhões o que deixa transparecer tum
agravamento de 15% e 14% respectivamente, reflectindo à
grave situação de pagamentos externos do País.
em USD milhões
1996 1997
Balança Global -974 1108
Variação de reservas (-aumento) —-178 -186
Acumulação líquida de atrasados 3173 pH
Rescalonamentos -1286 6
Cancelamento da dívida -3039
Gap Financeiro - 1288
O resultado obtido em 1996 espelha a concentração do
serviço da dívida externa de médio e longo prazos e a
incapacidade do País cumprir com as suas obrigações
internacionais por insuficiências de resrvas externas, pelo que
a Balança de Pagamentos tem vindo a ser financiada pelos
atrasados do serviço da dívida.
1.4. Finanças Públicas e Orçamento Geral do Estado.
Às informações que permitem efectuar uma análise sobre o comportamento das finanças públicas constam do
quadro seguinte e reportam-se à actividade do Estado —
medida arravés do respectivo Orçamento Geral — entre 1992
e 1997,
No entanto, convém referir que estes dados, por não
abarcarem à universalidade das receitas e despesas efectuadas
em nome do Estado, devem ser tomadas com as devidas
reservas, ficando, portanto, coartada a sua valia como base
consistente para ser utilizada em exercícios de projecções,
Porém, não sendo totalmente nulo o seu significado,
ficam os' mesmos aqui reproduzidos em percentagens do
PIlBpm a preços correntes, a par dos valores estimados
para 1997.
oceumem — [99 [955 [95 [058 1955 1955 |
[& de PIS |S do PES |> do PIBÉT do PIB [7 de PIN [9 do Pr;
Revela 26,97] 35,36] 31,37 23,48 | 24,13] 33,23
Heceitas coremes 26.79 asi] a092f 2145 af 22.60
Recenas de capo) NIE N36| a 003| 000 062
Revcenas de Tin do défice [1385] 1789] sb nuvl 1077 rogo
Despesa +o,62| Sss,65 | 317,05) 29,68 | 41,90] 43,65
Despesas correntes IS93] dese [27 aYf 2549 [ vi [ 1894
Despesis tom pessoal 15,08] 1253] Seof 6536| 835 BS
Maternal e terviço 13.99] 2050] (507 mnas| sf axa
Vncareos 130 792] 318|/ 203] 486] 4a
"Transterências comentes Sal SS 266] 470] 275) 67
Despesa coments Umvertas| 524 0327] 061 0%] 0u4| 0733
Despesas de cameal +89] 941] o67 ue] 219] 2408
TIovestumentos 4,69] 6449] 322 GO) 7%| 9%
Inmestusento público D.79f 062] 08] 249] 235|/ 297
Depesas de financiamentos | 0.03] 277] 6438 0017 13.64] 14.85
Transíde copital e extras | 6,11 | 609,35] GDI| &07] O,36| 608
Com base nestes elementos, foi possível construir
alguns gráficos através dos quais, pela síntese que os
taracteriza, melhor nos apercebemos da evolução destas
grandezas orçamentais oficialmente contabilizadas de 1992 à
esta parte. O primeiro gráfico ilustra perfeitamente as
oscilações à que as variáveis da receita e do défice-fiscal têm
estado sujeitas, principalmente no período que vai de 1992
a 3997, No caso da exccução do OGE/98 atingir os níveis
esperados e a confirmarem-se as projecções para 1999-2000,
a receita verá o seu peso aumentar de Forma lenta, mas
progressiva, enquanto que o do funcionamento do défice
fiscal decrescerá muito significativamente.
me meo |
EM PERCENTAGEM DO 7HR | TFRNICINMENTO DO DÉFICE
“.. É M————CS.DPAÊÂONÇÉÇOEE, ls E
-
-| " "os
| Le
o”
1; 153 mem "se "mm mes "me mo ame
Da mesma forma, confornte os dois gráficos seguintes
nos demonstram, quer em termos dos investimentos do
domínio público, quer no que concerne às despesas com
pessoal, material e serviços a execução orçamental de 1992
a 1996 decorreu de forma errática e em níveis muito baixos em termos percentuais do PIB. Por isso e como se
nala no capítulo respectivo, os valores considerados quer
OGE/98, quer nos OGE's Previsionais para 1999 e
2009, denotam uma clara inversão desta tendência, devido à
998 231
reorientação & que este tipo de despesas deverão passar
a estar sujeitas.
OGE 1992-1997 MOESFPESAS COM
DESPESAS COM! PESSOAL ESIATERAL E SERVIÇOS. | MATERIAL E SERVIÇOS
ao
CNNCNNNNNN
NE mm
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19892. 4997
RVESTIENTO DO DOMÍNIO PÚBLICO
EN PERCENTAGEM DO PR
1" "
he
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E.)
E
“e
MA 166 194 166 1960 (6957 099 tie sc)
1.5, Agregados Monétários.
O quadro seguinte mostra o comportamento dos agregados monetários entre Dezembro de 1996 a Agosto de 1997.
Evolução da base monetária e dos meios
de pagamento
Base monetária 14789 | 159 | 1957 2172 209.2
Taxa de crescimento (9%) 21.6 68.8 no AT
Multiplicador mosetário 1 127 | 143 [| 123 135 E
Preferência pela liquidez 23% 1.58 3 291 29
Eocaiae esecdvo 041 | 037 [| 06] 03%] 093%
Aleios Bo pagamento 187.6 | 1661 241.2 | 2930 RTO
Taxa de crescimento (%) 15 az 21.5 20
"o Nota: — * símbolo (+) indica expansão e o símbolo (-) coatacção mose-
Às contas monetárias mostram que a base monetária do
Banco Central se incrementou de KzR: 147,8 triliões em
Dezembro de 1996 a KzR; 209,2 triliões em Agosto de 1997
Ou seja um crescimento global de 41,5%, sobretudo devido à
forte expansão registada entre Abril e Agosto,
Durante o mesmo período o multiplicador monetário
aumentou consideravelmente, de um valor de 1.26 para 1,41.
À variação resulta da expansão da preferência pela liquidez e a
redução simultânea do encaixe efectivo. No mesmo período,
enquanto que o público preferiu manter mais dinheiro consigo, os bancos preferiram fazer o mesmo em relação aos
seus depósitos no Banco Nacional de Angola (BNA), o que
pode ser explicado pela evolução da inflacção,
Como consequência do comportamento do multiplicador — vutorgados pelos bancos aumentaram fortemente, res-
da hose monctária, os meios de pagamento tivéram omes- — pectivamente 73,4 ariliões de KzR: (88,38) e 366.1 tritiões
mo comportamento que à base, aumentando por cons de KzR: (140,98),
seguinte em 38,1%. Durante o primeiro trimestre reduziram-
-se em 10.2%. O quadro seguinte mostra à evolução dos depósitos €
Entre Dezembro de 1966 à Agosto de 1997. os depósitos — eráditos por banco. Apresenta também ox depósitos +
do público no sistema bancário e os créditos à economiz — créditos por prazos vc por mocdas,.
Evolução dos Depósitos e dos Créditos à Economia
(em trilões de KR e percentagens)
o jperss| Je | renas] macros] n6eos | nu se | que me | guiar 96 | anosr se
Depósitos no BPA 7.64 7.16 7H 7.46 759 R+º 997 11.08 13m
BC! PMO0| 37.63 29.62 27,69 33,99) 38.31 +47 42.39 11.63
BE 1599 | 1528 13.88 15.23 l6.] 1648 | 2183 26.03 2788
BPC 1567 | 18.22 1731 19.1t 1.84 20.53 26.74 IFAR 2%
Totta 9.H8 9.64 99% 84 FO. 76 HH 13.47 16.06 VIBÃ
CAP 2t8 16.74 173 17.14 20.21 20,79 2.3 30.96 2231
Depósitos à ordem BO.24 | 95.33 34.88 79.10 ses a774 É 11840 | 14026 HIS6
pósitos à prazo 277 9.35 toa 15,94 1672] jo7o | 22,37 19,53 14,74
epósitos em MN 55.36 | 7787 68,09 15 817 sost | 114.03 115.2 ms
Depósitos em ME 27.65 26,81 27.13 26.89 367) 267| 26.55 14,78 sa12
Total 82.01 | 104.68 952 G04t —aoRSal ro7.53 | 14078 | 1590 1563
Créditos do BPA 031 0.14 1.0 006 o08) oo 0.05 uu o
BC] 985 10.42 10.15 FT.86 9.91 12.38 12.92 12,95 UE)
BFE 1.89 2.12 1.89 207 21 1213 1,36 os oo
BPC 8.67 8.55 7292 8.28 98H 1238 | 12,38 14.28 9,68
Totta 101 0.84 os! 072 U73M OSS o? 6) 075
CAP E) 6.3 118 7.89 19.35) 15,21 18.56 3TAIS 8a
Crédito de curto prazo || 19.63 | 2172 21,38 21.96 2507 3207 | 35.36 | 5629 6L2
Crédito médio prazo 6 1.89 6.65 692 867 10164 | 10.97 9,5 0.54
Crédito ME 0.01 047 DALI 053 049 o4 0.49 42 os!
Credito MN 2562 | 28H ns 28.35 3325] 4222 | 4584 [| 6530 11,23
Total 2563 | 2861 28.03 28.88 374 ARTE | 46.33 65.88 o.
Considerando que a inflação acumulada até Agosto/97 foi — Da ordem de KzR: 8.4 trilioes. equivalentes à
de 20,1%, as taxas de crescimento dos depósitos e dos — US$ 117.8 milhões.
“Sfitos indicam um crescimento em termos reais, na ordem ;
6,6% para os depósitos e de 100,4% para oscrédic — À perdade reservas líquidas durante o período por parte do
tos. À evolução dos depósitos e créditos confirma a CAP Banco Cenural significou uma relação monetária de
como o segundo banco em termos de captação dos depósitos — KzR: 8,4 tríliões que foi superada pela expansão dos seus
(sendo o primeiro o BCI) e o primeiro em termos dos activos internos líquidos em KzR: 69,8 triliões, consubscréditos. O montante dos depósitos da CAP continua a ser — tanciada por um lado pelo aumento tanto do crédito líquido
inferior ao montante dos créditos, correspondendo os —ao Governo em KzR: 128,4 tríiliões como às instituições
primeiros respectivamente em Julho?97 e Agosto/97 83,5% e financeiras em KzR: 36 16liões. Por outro laxfo, coma ue
77,4% do valor dos créditos concedidos, Outros activos e passivos do BNA experimento unia contra-
À necessidade de restringir o crescimento dos meios de tação de KzR: 47.3 triliões
pagamento à fim de evitar uma diferença elevada entre à taxa O resultado do comportamento dos activos do BNA foi
de câmbio oficial e a do mercado paralelo e reduzir à mn 1 mento da base monetária de KeR: 61,4 triliões durante
inflacção, exige que se efectue um controle rígido sobre a o período. O aumento dos depósitos do sistema bancário no
défice orçamental. Só por esta via o financiamento bancário Banco Centrai de KzR: 21,9 iriliõdes, mais o aumento de
a Estado pode ser reduzido. aumentando-se por conseguinte — rp. 154 rriliões do montante dos depósitos em dólares no
as disponibilidades para o sector privado. BNA, deu como resultado um aumento das notas e moedas
Considerando a recuperação de Agosto e Julho e a perda — em circulação de KzR: 24,7 triliões que, considerando à
do primeiro semestre de 1977 (USS 367 milhões). os activos — redução da quantidadena caixa du Banco Central. deu uma
*=mnos líquidos do Banco Central tiveram uma queda — emissão onetária duranrie os 3 primeiros Meses do ano de
ulada durante os primeiros 8 meses de 1977, KzR: 35.6 1riliões.
O quadro seguinte mostra à evolução da base monetária
E seu efeito sobre a emissão.
Composição da Base Monetária e Fontes
da Missão Monetária
Em trilivesde Kwanzas Reajustados
e
Ácivos Extemos Líquidos 42,5 3a 5
Em milhões de USD 209,4 128,3 10
Activos Internos Léquidos 105,3 185 69.8
Crédito ao Govemo 108 139,2 128,4
Crédito à Instluições Financeiras o 36 %
Crédito a Economia L5 42 27
Outros Activos Internos 93 43 7,3
Total=Base monetária 147,8 29,2 613
Menos pn")
Depósitos das ent. Financeiras 366 586 22
Ouros Depósitos 59,9 753 154
| Depósitos dos Governos Locais o7 o 7
Toral notas € moedas em circulação] sos 752 246
Menos Caixa no BNA 139 247 108
Moedas e notas emitidas pelo BNA | 64,5 59,9 354
Fome BNA/Conues Moncunas
Nou: * O úaesto (+) ludica expansão e o dimbole (-) contracção monetária
É conclude..we que a situação fiscal continua a ser
problensática na medida em que as contas monetárias
mostram um incremento do crédito líquido ao Estado e por
conseguinte uma situação fiscal deficitária. É preciso encarar essa situação com bastante seriedade, pois os gastos
estatais financiados pelo Banco Central significam injecção
de liquidez na economia, o que provoca pressões sobre à
procura quer de divisas, elevando a taxa de câmbio no
mercado paralelo, quer de bens, elevando os seus preços e
gerando inflação.
1.6. Inflação e câmbios:
O início do ano de 1996 foi marcado por uma execução
tescoordenada da política fiscal e uma tímida actuação da
política monetária, o que se viria a reflectir-se num descontrolo monetário, na existência de uma dualidade cambial
marcante, com elevado <spread+> entre às taxas de câmbio
oficial e paralela e num aceleramento dos níveis de inflação.
No segundo semestre de 1996 o Governo reconfigurou o
PES-95/96 e conformou-o à novas linhas de força que
vigoraram até ao final do ano e nas quais se visavam, em
primeiro lugar, travar o estado de degradação económica e
socia! que o País atravessava e em segundo, criar condições
pára a implementação de um programa de estabilização
económica que começou à ser executado em 1997 — o
Programa Económico e Social — PES/97.
Com a aplicação das medidas estabelecidas no âmbito
das linhas de força e do PES/97, a degradação da situação
económica ficou controlada e observaram-se resultados
nositivos nos níveis de inflação (ver quadro abaixo), nos
eijos de pagamento da economia e no «spread»> existente
entre as taxas de câmbio oficial e paralela de divisas.
998 233
U
E [ET Ee
Janeiro — [36,00% | 136.00% | faneiro TO0% |1,889656%
Fevereiro [22,50% | 165.60% | Fevereiro | 224% | 1.931.09%
Março —[3493% | 22479% | Março 3.52% | 1.86398%
Abril — |[5L86% ] 34137% | ADA! 310% [1.921.178
Maio 84.09% | 62843% | Moio 0.92% |[1.93945%
Junho 1.81% ]1,016.86% 1 Junho DOSO% |1,949.14€%
Julho F8.10% |1,404/29% 1 Julho 135% 1975468
Agosto 9.50% |1,537,70% | Agosto 6.47% [2.t03.27%
Setembro | 5.04% | £,515.20% | Setembro | 6,50% [2233.67%
Qurubro 210% |1,649.11%
Novembre| 0.67% | /,660.16%
Dezembro | 5.49% 11,751.31%
Em Dezembro/96 a taxa mensal registou uma subida,
fixando-se em cerca de 5,5% devido à uma expansão monetária derivada do aumento dos gastos do Estado com satátios e a 13.º mês,
À taxa de inflação de Setembro de 1997, da mesa forma
que a de Agosto, está relacionada com a desvalorização da
taxa de câmbio oficial de 30,5% ocorrida a 21 de Julho
passado. À taxa de inflação esperada era maior, mas a
restrição monetária vigente permitiu que o efeito monetário
da desvalorização fosse compensado parcialmente com a
redução em ambos meses dos activos internos líquidos do
Banco Central.
Ao analisarmos a tendência inflacionista, através da
comparação dos índices relativos a0s meses homólogos dos
anos 1996 e 1997, fica claramente evidenciada uma profunda
desaceleração da inflação ao longo do ano de 1997 (com
excepção da verificada durante o mês de Setembro).
Tendência inflacionista pela variação
homóloga 1997/1996
1997 Tendência de desar.
= ta nm [és
EM RES RA os |
laneiro IB022484.11 [250,414,383.24] 1289455425 -18%
Fevereiro] — 22,077.543.04 | 256,023,665.43| 1059.6555] 3%
Março 29,789,278.621247 011.632,40] — 729197808 37%
Adil 45,237,977.89 | 254,658,993.01 | 462,9546556 55%
Maio 83,278,492.75 | 257,011,947.75] 208.6174363
-56%
Jusho 1 134,752.928,32|258,297,007.48] 91.68192536
nho | 186,093,794.00] 261.784.017.08] 4067715812 [55%
Agosto | 203,772,704.43]278,721,442,99] 36.7805554 -10%
Setembro | 214.042,848.74 | 296,002.172.46] /39.28108246 4%
No início do ano de 1996, a moeda nacional sofreu
sucessivas desvalorizações até Junho/96.
Em Janeiro/296 & taxa de câmbio/venda oficial situava-se
em NKz: 5 635.00, enquanto que a taxa de câmbio/venda
paralela se fixava em NKz: 34 106,45 e o «spread» atingiu
493,3%.
O quadro que a seguir se insere demonstra o comportamento das taxas de câmbio oficial e paralela.
Evolução das taras de câmbio em 1997
Janeiro 201.994,00 266.451,61 19081
Fevereiro 201.994,00 739.062 530 11835
mero | Grsseoo | Gis | 1oçã
á : Si. 99 65
Maio 201:994,00 241.975 8% 119.79
Junho 201.904,00 255.353,50 198.42
Julho 214.956,13 278.911,29 198 75
Agosto 262.376.00 360.806.45 137.52
Setembro 262,376.00 4110-666 67 156,32
Ouiubro 262,376.00 391 653.23 12957
Novembro
Dezerubro
Por sua vez, a partir da desvalorização de 11 de Junho
de 1996 e durante mais de um ano, a taxa de câmbiofvenda oficial manteve-se no valorde KzR: 203,00 por dólar e
o «spread» neste mês (1.º Mês do Novo Programa Económico) se reduzia para 64,9%, chegando à reduzir-se em
apenas até 4,3% em Setembro/96., No entanto no EY trimestre/96 e até os dois primeiros meses de 1997, a quase
onvergência cambial entre as taxas de câmbio do mercado
oficial e paralelo foi abalada em consequência da expansão monetária decorrente dos incrementos salariais desse
período.
À 21 de Julho de 1997 e com vista à reduzir as pressões
sobre o orçamento cambial, bem como reduzir o «spread»
entre as taxas do ofícial e paralelo que em finais de Junho/97
chegou a ser de 28%, a taxa de câmbio oficial foi
desvatorizada em 30,5%, atingindo um valor de 265000 por
dólar,
À inflação, quando apreciada do ponto de vista dos
elementos que a compõem, apresenta aspectos interessantes
para a definição das políticas económicas e institucionais
que visam combatê-la. Um estudo feito sobre este fenómeno e baseado nas taxas de inflação verificadas emre Janeiro
de 1991 e Dezembro de 1995 identificou e quantificau os
seus principais comporentes;
a inflação pelos custos de produção pode representar, em média, cerca de 23,7% da taxa global
de inflação; neste valor assume destaque a distorção das taxas de câmbio, que conjuntamente
com a inflção importada via matérias-primas pode
cifrar-se em 20,2%;
a inflação por excesso de despesa pesou, em média
naquele período, 18,3% relativamente à taxa globai de inflação, a elevada propensão ao gasto por
parte do Estado foi o factor preponderante na
obtenção desta cifra e cuja expressão máxima
ocormeu durante 1995 em que por sua conta foram
gastos em despesas correntes 60% do Produto
Interno Bruto desse ano;
a inflação por expectativas e causas aleatórias situase na casa dos 30%, a comprovar que enquanto à
actividade do Estado se não conformar em limites
estreitos, disciplinados e racionais à credibilidade
da política económica, será sempre posta em
causa por comportamentos especulativos, traduzidos numa antecipação da subida dos preços,
numa preferência por activos reais e por moedas
externas fortes e numa fuga de capitais.
Estes resultados, quando devidamente analisados, consentem conclusões importantes para uma modificação profunda do comportamento do Estado enquanto actor económico e garante da estabilidade económica e social:
desde logo, despesas correntes acima dum determinado montante significam uma pressão anormal
Sobre a procura final interna (cuja tradução prática
é a inflação) e externa (com reflexos nos défices
da balança de pagamentos e no aumento da dívida
externa), uma limitação na expressão da procura
interna privada de bens de consumo final, uma
penalização do crescimento do investimento
público e privado e, finalmente, uma pressão
sobre um volume de divisas normalmente rígido;
depois, os aspectos relacionados com as taxas de
câmbio, a apontarem para a necessidade duma
política cambial transparente e de mercado, uma
vez que o diferencial entre os valores oficiais e do
Paralelo são um elemento de perturbação no com-
Portamento dos preços;
€) depois ainda, a infiação pelos custos, à mostrar,
através dos seus valores, a necessidade de se
fazerem investimentos no sector produtivo e de se
diminvirem os custos administrativos do exercício da actividade económica, traduzidos pela burocraçia do Estado e pela corrupção;
finalmente, como o Estado detém uma posição preponderante na economia, o Orçamento Geral do
Estado é, neste momenio, à peça mais importante de toda à manobra da política económica do
Governo, pelo que o rigor e à disciplina na sua
execução, a todos os níveis, é não só um aspecto
crucial para e controlo da inflação e para a
redução dos principais desequilíbrios macro-
“económicos, como um elemento determinante da
credibilidade do Estado.
2. População é Emprego;
A população angolana é estimada actualmente em torno
de 11,55 milhões de habitantes. Comparando com a dimensão territorial do País (1 246,7 mil Km2?), esse volume
corresponde à uma densidade da ordem de apenas
9,26 hab/km 2, considerada baixa mesmo se comparada à
média do continente africano (21 habvkm2), e à média da
África Austral (17 hab/km2) da qual faz parte Angola.
Segundo as projecções demográficas disponíveis, a
população do País deverá situar-se em torno de 12,6 milhões
de habitantes por ocasião da próxima virada de século
(densidade de 10,1 habykm?).
O vasto território angolano apresenta uma ocupação
bastante desigual, com densidades que variam entre
0,6 hab/km? na Província do Cuando Cubango €
640 hab/km? na Província de Luanda. Fodas às demais
províncias apresentam densidades próximas eu inferiores a
20 habikm?.
A observação histórica dos dados disponíveis revela que
nos últimos anos intensificou-se a tendência da desigualdade
na distribuição territorial] da população angolana: apenas 5
das 18 Províncias do País — Malanje, Uíge, Huíla, Benguela e principalmente Luanda — foram responsáveis por
mais de 3/5 de todo o crescimento demográfico ocorrido em
Angola ao longo das duas últimas décadas.
2.1, Comportamento da população e pressão urbana:
Os efeitos da guerra no País tiveram repercussões sobre
a estrutura demográfica em Angola. Uma grande parte desta
população foi forçada a abandonar as suas áreas de origem
provocando um grande êxodo das populações das zonas
rurais para a cidade, Este movimento da população teve duas
elapas: à primeira em que à migração dos camponeses para
a cidade era feita de forma gradual e uma vnutra etapa, de
forma mais acelerada, motivada pelo reacender da guerra em
finais de 1992, que veio assim interromper um ligeiro
movimento de regresso das populações às áreas de origem,
ue já se fazia sentir após o cessar fogo que se seguiu à
assinatura do acordo de paz de Bicesse.
Em toda a extensão do território, a pressão do crescimento urbano sobrecarregou a capacidade das infraestruturas
e dos serviços básicos. O quadro habitacional existente, sem
manutenção adequada tem sofrido um processo de dete-
Tioração e de decadência, so mesmo tempo que tem sido
mínima à construção das habitações nas áreas que deveriam
abrigar os novos migrantes.
À taxa de crescimento da população urbana estaria estimada à volta de 6% e da população rural à volta de 0,8%.
Podemos com segurança concluir que temos um País
povoado de forma desigual, mas com uma população em
crescimento contínuo, com forte tendência para concentração urbana. Estes fluxos foram motivados pela procura de
uma situação social mais estável ou seja procura de emprego
e segurança física. Estima-se que cerca de 3,5 de milhões de
pessoas estejam nestas condições e mais de 300 mil estejam
como refugiados nos países vizinhos.
As cidades experimentaram, assim, os efeitos adversos
do rápido crescimento e das mudanças urbanas, Conges-
ionamento, inadequação dos serviços sociais, poluição,
desemprego, delinquência e crescimento de assentamentos
habitacionais sem condições de salubridade nas áreas perlurbanas.
À estrutura etária da população angolana caracteriza-se
por ser bastante jovem, correspondendo à uma estrutura do
tipo piramidal com base bastante ampia e topa estreito, que
reflecte um elevado número de crianças no grupo etário
0-5 anos, Em relação à faixa etária de população com idades
de (15 a 59 anos) representa 45% da população total
mostrando assim a diferença significativa em termos das
razões entre os sexos como da própria participação relativa
que esse seguimento etário representa em cada um dos totais
considerados. Nas áreas rurais existe um grande défice de
população masculina em idade acliva.
À estrutura etária que caracteriza a população angolana
resulta de um desequilíbrio quanto ao índice de dependência
essa população, ou seja, à razão entre o volume da mesma
em idades inactivas é o da população em idades activas.
998 235
Agravou-se desta forma o índice da dependência como
resultado combinado do impacto da guerra sobre à população
economicamente activa, migração e afectação das actividades
não produtivas.
No fundo, as taxas de crescimento da população angolana decorrem de uma elevada fecundidade, existindo assim
uma população jovem que acaba por significar um peso para
a população activa e Luanda ilustra bem essa situação.
Com base nos dados disponíveis dos censos provinciais e
à partir do número de mortes & nascimentos ocorridos durante
os 12 meses anteriores ao censo, são estimadas em Angola
as seguintes taxas durante o perfodo (1985-90);
uma taxa bruta de natalidade (TBN) de 59 por mil
habitantes;
uma taxa bruta de mortalidade (TBM) de 20,2 por mil
habitantes;
uma esperança de vida ao nascer de 44 anos (1992) e
um índice sintético de fecundidade de 6,8 crianças
por mulher;
uma taxa de mortalidade infantil] (TM) de 150 por mil;
uma taxa de mortatidade materna de 1010 por 100GCG
nascimentos vivos.
2.2, Emprego e Desemprego, O mercado informal:
O desemprego urbano, particularmente entre jovens e
mulheres, passou a atingir níveis acima'dos 45%, arrastando
sub-empregados e desempregados para um sector informal
em crescimento acentuado. À exclusão e marginalização
Sociais são evidentes pelo facto de cerca de 67% da população
urbana viver abaixo da linha da pobreza e 11% em pobreza
extrema.
À situação actual do País tem vindo à agravar o desemprego. À taxa total de desemprego urbano é estimada em
45% (população de 7 anos e mais), e em 33% (para uma
população de 10 anos e mais na capital). Como resultado, o
sector informal tornou-se numa importante fonte de
emprego, engajando numa vasta proporção a força de
trabalho urbana e tornando-se cada vez mais no sector de
último recurso para a procura de emprego,
3. Condições é nível de vida.
3.1. Evolução do Produto Nacional Bruto por habi-
tante:
À avaliação das condições de vida da população em
Angola não deve ser feita do ponte de vista do Produto
Interno Bruto, dado o peso dos rendimentos repatriados pelo
sector petrolífero, que em média se situam nos 45% do valor
global das exportações do sector. Daí a necessidade de se
subtrairem os valores transferidos para o exterior e que por
essa circunstância não entrarão no circuito de distribuição
interna. É por isso que o Produto Nacional Bruto por
habitante é o mais usado para se analisar, dum modo
sintético, as condições de vida da população,
Duma forma simples é imediata pode-se constatar a
degradação das condições de vida da população através da
comparação entre as taxas de crescimento do PIB e da
População nos últimos 29 anos. O diferencial registado entre
ambos é negativo, assumindo, em média, o valor de 1,8%, o
mue em termos práticos significa que os rendimentos da
pulação se degradaram 1,89% ao ano nos últimos 20 anos.
No entanto, esta erosão deve ter sido um pouco maior
atendendo justamente às diferenças sublinhadas atrás entre o
Produto Interno e o Produto Nacional e o peso do sector
petrolífero na economia nacional. Por outro lado, a destruição generalizada das infraestruturas económicas e a
contracção do investimento público para as áreas sociais por
imperativos de defesa contribuiram para reduzie à níveis
muito baixos as condições de vida da grande maioria da
População.
De acordo com o Relatório sobre o Desenvolvimento
Humano em Angola, o rendimento «per capita» terá declinado de 7120 USD em 1985 para 360 USD em 1995, ou seja
em 10 anos o rendimento médio de cada cidadão passou para
menos de 1 USD por dia, sem se atender às desigualdades na
distribuição do rendimento. Esta última cifra coloca o País
no grupo dos países mais atrasados do mundo, apesar dos
Seus vastos e reconhecidos recursos,
Os valores abaixo não denunciam uma certa ««melhoria»>
nificativa nomeadamente quando comparada & 1985, Com
efeito é utilizando-se o conceito de Produto Nacional Bruto,
uma taxa de crescimento demográfico em tomo dos 2,9% ao
ano e a estrutura actual em termos de transferências de
rendimentos para o exterior, chegaram-se aos valores
seguintes:
1996 1997
População (milhões) 11,55 11,89
PNBpc (USD) 310,5 381,6
PIBpc (USD) 572,7 6014
3.2. Desenvolvimento humano, pobreza e privação
humana. A incidência regional:
O indice de desenvolvimento humano para o País situa-
-se nos níveis mais baixos do Mundo, não se posicionando
depois de Angota senão 14 países entre os 147 considerados
no último Relatório sobre o Desenvolvimento Humano do
PNUD. O comportamento do IDH desde 1990 (primeiro ano
que este novo indicador de desenvolvimento dos países
yareceu) tem sido muito irregular, com uma clara tendência
de deterioração até 1993 (neste ano e por razões revertíveis à
guerra e à forte crise económica o IDH do País atingiu 0 seu
valor mais baixo). À partir deste ano o IDH apresentou-se
com um comportamento mais dinâmico, muito embora os
seus valores absolutos continuem a ser a tradução prática de
grandes constrangimentos e dificuldades no quotidiano da
maior parte da população angolana. Os valores seguintes
expressam o comportamento do IDH para Angola desde
1990:
1990 199] 1992 1993 1994 1995 199%
IDH .304 150 .169 143 271) 29 .335
No contexto da África Austral a situação de Angola é
tremendamente desfavorável, ocupando o antepenúltimo
lugar entre os 12 países da região, apenas ligeiramente
arima do Malawi e de Moçambique.
Os estudos recentemente efectuados pelo Ministério do
neamento através do Instituto Nacional de Estatística
ntam para um índice geral de pobreza nacional de 67%,
com 11% na faixa da pobreza absoluta, Estes valore:
sugerem que 2/3 da população total vive com um rendimente
médio mensal de cerca de 49 USD e que mais de 1/10 nã
consegue mais do que 14 USD mensais para sobreviver.
Duas das razões que podem estar na origem destes índices
preocupantes são a do baixo rendimento médio por habitante
referido no parágrafo anterior e a muito deficiente distribuição do rendimento nacional. Às taxas de câmbio oficiais
têm sobrevalorizado a moeda nacional e promovido uma
desigualdade na repartição dos recuesos, sendo, portanto, esta.
também, uma das razões para a prática duma política cambia!
activa de mercado que elimine todos os subsídios implícitos
nas Suas taxas.
O índice de pobreza calculado para o País, para além dos
critérios de rendimento, integrou igualmente outros, como o
acesso à água potável, a alfabetização dos adultos e à
escolarização geral, a esperança de vida à nascença e o acesso
aos cuidados primários de saúde. As conclusões mostram que
as camadas sociais mais pobres têm sido afectadas de
diferentes maneiras: por um lado, pelo desvio de recursos
governamentais para a guerra e que poderiam ser afectados
aos sectores económicos e sociais geradores de emprego,
produção, riqueza e segurança social e, por outro, pelas
transferências de recursos permitidas pelo diferencial entre as
taxas de câmbio oficial e paralela.
Análises empíricas efectuadas em outros países que
igualmente sofrem o flagelo da pobreza mostram uma
correlação fortemente positiva entre o rendimento médio por
habitante e a franja dos 20% mais pobres da sociedade
(população em situação de pobreza absoluta). Per outras
palavras estas constacações pretendem significar que o crescimento económico, simbolizado pelo rendimento médio, é
dominante não só na explicação da pobreza, como na sua
ultrapassagem. Ou ainda de outro modo, sem estabilização
macro-económica e recuperação da produção a pobreza não
será ultrapassada
Com efeito, para se diminvuirem, drástica e sustentadamente as enormes taxas de desemprego urbano, haverá
absoluta necessidade de se consolidar a estabilização macroeconómica e de se promover a recuperação e a expansão da
produção interna, o que reclama por uma política de contenção de gastos, de disciplina financeira e monetária e de
correcta aplicação dos recursos financeiros externos.
À incidência regional do fenómeno da pobreza no País
apresenta o panorama seguinte:
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à nescença (anos) humana
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EEE NC RCC
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EXT TN CS ECOS
Zaeve Mabe CmeNos [az | — 633 |
NET ANS NAN SS
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me Comene Namibe — fo dE SE
sc [os ei
Fonte: Relatório sobre o Desenvolvimento Humano em Angola,
PNUD, 1997.
Pelos valores anteriores se retira que o índice de privação
nan é muito elevado e que são as províncias do teste do
País às mais afectadas.
3.3. Evolução do poder de compra dos satários:
À análise do comportamento do poder de compra dos
salários da função pública tem por base de análise a situação
existente em Maio de 1996 c, naturalmente, a evolução,
entretanto registada, na taxa de inflação € os aumentos
salariais ocorridos em Outubro de 1996, Janeiro e Agosto
de 1997.
Em Outubro de 1996 houve um aumento salarial e
como se tinham, entretanto, conseguido reduções assinaláveis no ritmo de crescimento dos preços, o poder de
compra dos satários da função pública melhorou, na generalidade, com particular incidência na classe dos dirigentes e
responsáveis, com uma recuperação de 17 pontos per-
tuais entre Julho e Outubro do ano transacto. Às
antes classes de pessoal também recuperaram algum do
poder de compra perdido, embora em proporções menos
significativas: cerca de 10 pontos percentuais para os
técnicos e pessoal administrativo e apenas um ponto
percentual para os operários.
A nova subida dos salários em Janeiro de 1997 e à
manutenção da tendência de controlo da inflação acabaram
por confirmar a recuperação do poder de compra dos salários
dos funcionários do Estado: a classe dos dirigentes «
responsáveis melhorou em mais 14 pontos percentuais o
poder de compra dos seus salários; classe dos técnicos em
cerca de 11 pontos; a classe dos funcionários administrativos
em 12 pontos e a classe dos operários em apenas 9 pontos.
Finalmente, o aumento dos salários em Agosto de 1997 e a
consolidação de controlo da inflação foram decisivos para
a melhoria definitiva do poder de compra dos salários no
período em análise, porquanto permitiram, pela primeira
situar 08 índices de salários bem acima dos índices de
ção, Assim, constatou-se que o índice de salários da
classe dos dirigentes e responsáveis aumentou mais de
4 vezes que o Índice de preços, Nesie período o salário real
das classes dos funcionários administrativos e operários
aumentou 63,86% e 95,47% respectivamente. Menos
beneficiada ficou a classe dos técnicos, que viu o poder de
compra dos seus sálários aumentarem em apenas 28% em
relação a Maio de 1996.
Indubitavelmente que o controlo sustentado da inflação é
o melhor instrumento para se obterem ganhos relevantes no
poder de compra dos rendimentos em geral. Na verdade, os
ganhos do poder de compra dos salários dos servidores civis
do Estado ir-se-ão manter até ao final do presente ano.
mesmo que à taxa de inflação se situe acima da meta
estabelecida no programa de 1997. As projecções efectuadas
no Ministério do Plancamento apontam para uma taxa anual
arumulada de inflação em tomo dos 60% em Dezembro. Se
ocorrer a evolução provável do poder de compra dos
salarios da função pública ainda continuará à ser positiva.
1998 237
14, Administrução do Estado e Reforma Institceional:
É consabido que à legislação e propostas tendentes a resstruturar 05 serviços públicos existem em qualidade e quantidade suficientes. A fragilidade do Estado deriva, pelo
contrário, da insuficiência dos meios Je trabalho « da falta de
motivação dos funcionários, em particular dos quadros
técnicos e que é irudutível Juma forma tirecia nos níveis
salariais.
Mas a fragilidade é 1a2mbém expressão duma cesta incapacidade do Estado de inverier os desequilíbrios macroeconómicos « promever o desenvolvimento. Enquanto à
inflação não for sustentadamente mantida em fimites
estreitos de variação. a recuperação da eredibifidade do Estado
será difícil. Daí a insislência sobre a disciplina orçamental e
o controlo monciário.
Se durante o período 1998-2000 se consesuirem atingir
os objectivos quanto à inflação « se houverem razões para
considerar objectivamente que às variações des preços
passaram à estar sujeiiaa, ne essencial, os Mecanismos
normais do mercado, então à credibilidade do Estado será em
grande medida recuperada, criando novas condições para se
levar à prática outras políticas,
1. Efectivos da função pública € reconversão de
Carteiras:
O zxpuramento numérico do electivo que integra a administração decorre de um processo de contagem individual, por
serviços. que à par da reconversão de carreiras asseguram o
conhecimento real do efectivo.
No que tange ao processo de reconversão de carreiras, à
informação disponível, até Setembro. aponta para um
electivo já reconvertido de 12H35 funcionários, cuja ca
Mclerização genérica é 2 seguinte:
Luanda é a província com o maior número de trahalhadores no funcionatismo público. com 33,58%
do efectivo total, seguindo-se-lhe por ordem
decrescente as Províncias de Benguela. Huambo.
Cuanza-Sul, Cabinda, Huíla, Malanje e Namibe.
As restantes províncias absorvem apenas 20% dee
efectivo global.
Na distribuição por carreiras, à carreira administrativa
comesponde 33% do efectivo global. enquanto que
a carreira técnica superior representa apenas 3,4%,
o que sienifica uma proporção de 1 técnico
superior para 10 administrativos. À relação entre
vs indivíduos enquadrados nas cameiras Wcnicas e
Os restantes é de aproximadamente | para 3.
Por níveis de escolaridade e idades, maioritariamente 05
trabalhadores da função pública situam-se na faixa
etária compreendida entre os 30 e 39 anos de idade
142%). O nível de ensino preparatório é predominante (29% ).
Do efeclivo total cerca de 60% é do sexo masculino.
Por tempo 45 mulheres são as que permanecem
menos tempo na função pública. Assim, se nº
faixa etária dos 20 a 29 anos de idade temos uma
relação de 4 homens para 5 mulheres. esta relação é
de 1 para 3 na faixa de funcionários com 56 ou
mais anos de idade,
4.2, Reforço da capacidade de gestão macro-económica:
Informações disponíveis no Ministério do Planeamento e
relativas ao inventário realizado junto dos sectores permitem
identificar a existência de 34 projectos de cooperação e
assistência técnica para o reforço da capacidade da
administração pública, avaliados em cerca de 164 milhões de
dólares americanos.
Os referidos projectos têm como objectivo melhorar 2
eficiência das instituições públicas no desempenho das suas
funções e são dirigidos para às áreas do reforço institucional
para gestão económica, coordenação institucional, reforma
institucional e modernização administrativa c a formação de
quadros.
Do ponto de vista sectorial, os projectos de cooperação
€ assistência técnica estão assim concentrados:
EEFEI NET
mese iate — [3
NNE
RN E
NS ENC
DOS ENE
NC
NS ENE A
ANTI NNE AA
NS E
NS EE
TO: EN
HER NEC
Pode-se observar que e Ministério do Planeamento
detém 22% do valor destinado aos projectos de cooperação
técnica, salientando os projectos de teforço institucional para
a pestão económica, o Ministério de Educação com 20%
destacando-se o projecto de educação financiado pelo Banco
ndial e o Ministério da Saúde com 17%.
Do ponto de vista regional a distribuição é a seguinte:
Luanda 6.4
Lusoda?C SulíHulla 22.2
Bonguelá 7
Huambo os
Namibe —
Litoral so
Nacioas] 56
Outros 23
Toul 1564
À Província de Luanda absorve assim em termos de
números de projectos, cerca de 59% dos projectos de coopeacão técnica, seguindo os projectos de âmbito nacional com
de 12%.
Par doadores .o- Banco Mundial, a ASDI, o PNUD e à
União Europeia financiam 408, 118, TOS e 5% respectiramente do valor global dos projectos de cooperação técnica
nus áreas referidas.
5. Situução Regional:
Como se sabe. são praticamente inexistentes informações estatisticas sobre à situação económica e social
prevalecente nas diferentes províncias. No parágrafo anterior
(1.3.2.3, algumas observações foram feitas sobre as
diferenças que, do ponto de vista social, caracterizam
algunas províncias. Na verdade. estudos elaborados pelo
Ministério do Planeamento fem particular pelo INE)
permitem concluir pela existência de «<regiões de risco» no
País e que se confinam justamente na parte leste dê Angola
(Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico), São estas províncias
que apresentam o índice de privação humana mais elevado
(em média quase 70X da sua população está privada de
condições mínimas de vida). À situação caótica que se vive
no sector de extracção de diamantes tem sido um factor de
grande desestabilização social e económica nesta região e à
instabilidade militar que ainda a caracteriza certamente que
deverão responder por uma parte considerável! do valor do
indice de degradação da condição humana.
Às desigualdades entre os mundos rural e urbano são
muito grandes e podem-se traduzir, em termos sociais, pelos
seguintes indicadores (referentes a 1996):
EBural Urbano
Taxa de analfabetismo (RX) 58,1 40,4
Cond. de habitabil, (%) 24,5 15,7
Não acesso água potável (5) — 61,5 41,1
Índice de privação humana (%) 642 532
(as condições de habitabilidade são definidas por habitarem
um quarto de dormir quatro ou mais pessoas)
Às províncias pior servidas relativamente às condições
anteriores são as do leste do País, uma vez mais, do Cunene
e do Zaire, Uige e Malanje.
As regiões norte e leste, embora com destruições menos
maciças das suas infraestruturas do que, por exempló, as
províncias do centro-sul (Huambo, Big e Cuando Cubango),
foram no entanto asfixiadas é tiveram pouco contacto com o
restante território nacional, o que impediu, nomeadamente o
desenvolvimento da educação e a circulação de pessoas e
bens.
À privação hrmana em termos de saúde começa com a
Falta de acesso aos serviços sanitários básicos € torna-se mais
evidente nas áreas rurais, onde, justamente, os equipamentos
sociais foram os mais desiruídos. À esperança de vida à
nascença é o indicador mais apropriado para se avaliar da
situação sanitária dum país, sendo os valores registados para
Angola dos mais baixos do mundo, com uma diferença
assinável entre o mundo rural é o mundo urbano: 42 anos
em termos globais, 44 anos para as áreas urbanas e apenas
41 anos para as zonas rucais,
À conclusão mais relevante do citado estudo é a de que as
províncias mais afectadas em termos de condições sociais de
da são as que ainda vivem o espectro da guerra e da insta-
'Tidade militar. Com efeito, ds Províncias de Mualianje, Ufge
e Zaire são as que se posicionam logo à seguir às do leste,
com um índice de privação huniana que afecta mais de 63%
da sua população, Estas constatações sugerem, claramente,
que sem um entendimento deftilivo e imeversível sobre +
processo de paz as políticas tendentes à diminuir estes
desequilíbrios regionais não terão condições de afirmação.
Linhas orientadoras e programáticas. Às
grandes finalidades políticas do programa
de médio prazo.
À circunstância de se poder trabalhar num horizonte
temporal mais largo toma possível programar e implementar um conjunto de políticas. programas e acções integrados e consistentes, visando à ultrapassagem dos principais desequilíbrios macroeconómicos, à atenuação das
injustiças sociais, a reforrea do sistema económico e a
modernização da estrutura produtiva interna. Poderá e pela
meira vez integrar-se a componente militar da defesa
vional nos grandes objectivos económicos e sociais do
Estado, nomeadamente aproveitando-se à estratégia de
posicionamento das unidades de engenharia das Forças
Armadas Angolanas para se aumentar à oferta de
infraestruturas em zonas remotas de elevado potencial para o
assentamento das populações deslocadas e para à circulação
de pessoas e mercadorias, priorizando-se as aquisições no
mercado interno (o alívio da pressão da guerra tornará
possível conciliar as necessidades militares de consumo com
os prazos de entrega da indústria nacional) e cavolvendo-se
as suas estruturas específicas no aumente da eferia de
serviços de educação e saúde nas zonas mais afastadas. Este
envolvimento das FA A contribuirá para à sarantia e consolidação da defesa nacional, tornando-as num instrumento de
coesão social e de reconciliação patriótica, De mesmo
modo, este posicionamento das FAA contribuirá para o
controlo e diminuição das acções de banditismo, aumentando-se, em conformidade, às condições de segurança para «
ulação de pessoas e bens.
Quitras acções de igual grau de importância poderão ser
tomadas duma forma mais programada e consciente, tais
como à moralização da administração pública (elaboração,
discussão, aprovação e aplicação de novos regulamentos para
as compras do Estado e para à actividade dos funcionários
Públicos), a conclusão do processo de privatizações e de
reestruturação do sector empresarial do Estado (as empresas
públicas que após a conclusão do processo de redimen-
Ssionamento empresarial continuarem a pertencer ao Estado
terão de ser, na sua maioria, lucrativas, contribuir para os
objectivos económicos — combate à inflação, aumento da
produção e das exportações, redução das importações — e
sociais — criação de emprego, satisfação da procura social
— do Governo), a formulação dum novo quadro de relacionamento entre as empresas públicas e o Estado (contratos-
Programa), à revisão da legislação económica e o modelo de
descentralização administrativa. Assume particular destaque
n nacote de reformas económicas e institucionais à adoptar e
plementar durante o período de execução deste programa
Trmómico e social
1998 239
Nas áreas que sucessivamente forem sendo abrangidas
pela extensão da Administração do Estado serão delineados
mMiero-progrimas de forte intensidade de mão-de-obra, geridos e Xdministrados directunente pelas comunidades rurais e
governos provinciais. Neste contexto, uma nova dinâmica
terá de ser dada ao Programa de Reabilitação Comunitária e
de Reconciliação Nacional. procurando-se que us cerca de
USD 850 milhões que à comunidade internacional subsereveu na Mesa Redonda de Bruxelas em finais de Setembro
uUe 1995 sejam efectivamento encaminhados para os pro-
Jjectos e províncias que correspondam às prioridades económicas é sociais do Governo em matéria de desenvolvimento.
Ao nível da economia global 6 Governo trabalhará no
estudo e na elaboração duma perspectiva estratégica para a
entrada do País no próximo século, priorizando-se o aumento
1a capacidade produtiva nacional, o fomento dos sectores
prixlutivos, a diversificação das exportações, à modernização
das empresas é do aparelho produtivo, à erradicação da
pobreza, a redução do endividamente externa ea melhoria na
distribuição do rendimento.
Tal como no passado a restrição externa assume-se como
determinante do financiamento deste programa, condicionando os resultados que se esperam obter por intermédio das
suas políticas. O volume de meios de pagamento sobre o
exterior a envolver no programa deve ser objecto duma
aplicação segundo princípios de racionalidade económica e
social « obedecendo a critérios de efectiva capacidade de
execução em tempo e com qualidade. Em particular, o
Programa de Investimentos Públicos deve reger-se rigorosamente por prioridades retacionadas com os principais
objectivos económicos e sociais do Estado, com as disponibilidades financeiras e com a real capacidade de execução.
Por outro lado e como forma de diversificar as fontes de
linanciamento externo da economia nacional, deve ser
considerada a participação das transferências públicas
unilaterais (ajuda pública ao desenvolvimento) e do próprio
investimento estrangeiro directo na recuperação de algumas
infraestruturas de interesse social e económico em modalidades que deverão posteriormente ser estudadas.
O contexto externo mundial e regional vai exercer uma
determinada influência nos resultados esperados. À evolução
dos preços mundiais do petróleo e dos diamantes, o
comportamento das taxas de juro nos mercados. financeiros
internacionais, a dinâmica económica dos* principais
parceiros de Angola, o futuro quadro de relacionamento entre
a União Europeia (da moeda única) e os países ACP, as
tendências para à constituição de espaços económicos
regionais de livre circulação de pessoas, bens e capitais, 06
modelos de resolução do problema do desernprego na Europa
que poderão facilitar uma maior abertura aos produtos
africanos, etc., são aspectos 2 seguir com atenção, de modo a
avaliar o seu impacto sobre os principais propósitos deste
programa de médio prazo. Naturalmente que a integração do
País na SADC assume uma prioridade própria, devendo-se
acompanhar muito mais de perto esta problemática, de modo
a que Angola assuma o papel que dela se espera.
Neste contexto e tendo como pano de fundo a estabifização macro-económica e a recuperação da produção,
perfilam-se como grandes finalidades políticas do Estado
Ira o período 1998-2000 as seguintes:
Garantia da defesa nacional, da segurança e da esta-
bilidade social.
Extensão, normatização, racionalização e capacitação da
Administração do Estado.
Atenuação do flagelo da pobreza.
Reiorço da assistência secial.
Estubilização dos preços, disciplina orçamental e rigor
monetário.
Moralização da administração pública, eficiência e
eficácia do seu funcionamento.
Reforma judicial.
Alfirmação do País como uma das economias mais
influentes da SADC.
Contribuição para a estabilidade política na região
central e austral do continente.
Valorização e desenvolvimento dos recursos humanos.
O programa de médio prazo tem como núcleo central de
ções as reformas económicas e institucionais no sentido
at Economia de mercado, da iransparência económica e da
correcção dos desequilíbrios macro-económicos e como
actuações dominantes a política monetária, a política
orçamental, a política cambial, a política de rendimentos e
preços, a política social e à política de incentivo à produção
interna. Como vectores complementares, embora determinantes, sobressaem a moralização da administração pública,
a reforma institucional € o redimensionamento empresarial.
1, A estabitidade política:
À promoção do crescimento económico sustentável é
nomualimente referenciada como o principal objectivo para o
alcance do desenvolvimento é portanto da estabilidade
económica no longo prazo. De facto, é promovendo o
aumento da produção de bens e serviços económicos, quer
em quantidade, quer em qualidade, que se obtém o aumento
do emprego e a melhoria do bem-estar da população e assim
v= consegue a estabilidade social. Contudo, o aumento da
dução de forma sólida e sustentável só poderá acontecer
caso o investimento se opere à um nível compatível com os
objectivos de crescimento. Ora, se por um lado o inveslimento público normalmente impulsionador de eficiência é
determinado por vontade do Governo de acordo com à sua
capacidade financeira e com base num programa de investimentos públicos coerente, por outro lado, o investimento
pnvado só acontecerá de forma significativa, crescente e
direcesonado para actividades de retomo à mois longo prazo,
caso o ambiente económico for incitativo + demonstrativo
de segurança ao empresariado,
Em primeiro lugar ter confiança nà economia do País
significa apostar no futuro sem temer à destruição. Por esse
facto. só uma eficaz implementação do processo de paz
poderá contribuir sustentavelmente para a pacificação dos
espíritos criando uma imagem de tranquilidade propícia à
reafização do investimento, Contudo, o investimento privado, gerador de emprego. não acontecerá de forma sólida
"o prevaleçam na economia os custos inerentes à inflação
penulizam investidores e consumidores é geram um
ambiente de instabilidade latente, Sem prévia estabilidade dos
preços, que proporcione ao investidor confiança na moeda,
no sistema financeiro em suma no próprio ambiente econó-
Mico-sacial, não existirá progresso económico, Por esse
facrtó, à criação de um ambiente propício ao desenvolvimento da actividade produtiva passa necessariamente pela
obtenção da estabilidade dos indicadores macro-económicos
no curto prazo, em particular dos preços, assente no combate
à inflação.
2. A estabilidade econômica:
Conseguir a estabilidade dos preços é provaveimente o
desafio mais importante que se coloca ao Governo em termos de gestão macro-económica, A estabilidade dos preços,
tal como referido, é condição necessária ao início de um
processo de crescimento sólido é sustentável. Mas para
alcançar tal objectivo existe ainda um caminho difícil a
percorrer, pois é necessário conseguir o correcto alinhamento de várias variáveis macro-económicas, tais como o
défice do orçamento, à taxa de câmbio, o crédito à ecomonia,
06 preços dos bens e serviços em regime de preço fixado e
obter ao mesmo tempo um nível real de concorrência que
passa por uma substancial eliminação da interferência administativa no circuito económico,
Por esse facto, o combate à inflação e a criação de condições de estabilídade que permita o relançamento da economia terá que ser visto através da implementação de um
conjunto de políticas abrangente e integrado assente nos
instrumentos de política económica sob alçada directa do
Estado, tais como à política orçamental, a política monetária
e a política cambial. Esta será a única via capaz de eliminar
as causas da inflação por choques na procura, Simultaneamente e como parte fundamental do pacote das políticas
económicas, serão implementadas acções de carácter institucional e legislativo no domínio da política de preços e rendimentos, visando essencialmente eliminar as causas da
inflação pelos custos.
À Articulação entre a estabilização, a recuperação da produção € o crescimento económilceo.
À transição para um sistema de mercado depende muito
particularmente da forma como a economia for reestruturada. Por seu turmo, à reestruturação económica exige o
estabelecimento durma capacidade administrativa muito específica e concreta de condições legais para o exercício das
liberdades económicas, de infraestraturas institucionais,
humanas e materiais suficientes e de uma determinada vontade política (mudança do papel do Estado), Estas condições
foram retardadas pela guerra e pela natureza do sistema
económico anterior.
Por outro lado, a natureza e a intensidade dos processos
de reforma dependem da amplitude dos desequilíbrios macro-
-económicos (défice interno entre poupança € investimento,
défice fiscal entre receitas e despesas do Estado e défice das
contas externas medido pelo saldo da balança de transacções
correntes), do grau de descentralização da administração
económica, da dimensão dos mercados internos e das características do sector privado empresarial nacional
À recuperação económica tem de estar. numa primeira
te, centruda na recuperação da produção nacional numa
lógica que a seguir é explicitada.
Os dois pilares básicos para 6 relançamento da actividade
produtiva interna são a reabilitação da mecda nacional e à
Teconstituição dos circuitos « mecanismos de articulação
entre as economias urbana e rural.
1. Reubilitação da moeda nacional enquanto meio de
troca € instrunento de poigança:
Pura se reabilitar o valor e às funções económicas da
moda nacional, três domínios de iniervenção são destacados;
à estabilidade monetária no sentido não apenas do
controle da inflação e na sua remissão definitiva
Para intervalos de variação socialmente comportáveis, mas, também, no do risor monetário, fuzendo-
-se depender a emissão monetária exclusivamente
as necessidades neais da expansão da economia. Por
quiso tado, a estabilidade monetária deve assentar
num funcionamento liheralizado do mercado cambial, muito embora numa primeira fase se reconheça à necessidade de intervenções correctoras face às
efectivas disponibilidades cambiais e no desajuste
entre as taxas oficial e do paralelo;
à redução do défice fiscal deve depender tanto de
reduções das despesas públicas, quanto do aumento
das receitas fiscais por via duma melhoria no
sistema de administração e fiscalização fiscais. O
ajustamento estrutural das despesas orçamentais do
Estado é a pedra de toque da redução do défice, de
modo à que se não transfira integralmente para 2
economia o ónus do controlo da inflação. À
tecuperoação da produção interna airavés da estabilização macro-económica. um combate sério à
evasão e fraude fiscais é uma política aduaneira
consequente permitirão o aumento e a diversificação
das receitas fiscais, até agora assentes exuageradamente nas de proveniência petrolífera;
aumento do crédito interno, no respeito pelos equilíbrios estabelecidos pela programação monetária e
como meio de facilitar à recuperação do sector
produtivo interno. O aumento do crédito interno à
economia deve ter três suportes principais, a saber:
o desenvolvimento do sistema de intermediação
financeira, o incremento da poupança e 4 redução do
défice orçamental. Pelo primeiro consegue-se uma
determinada multiplicação do crédito sem recurso à
emissão monetária, enquanto através do segundo se
aumenta a base nacional de financiamento do investimento. À redução do défice fiscal diminui a necessidade de financiamento ao Estado e proporciona
mais crédito ao resto da economia.
Os aspectos referenciados anteriormente constituem o
núcleo central dz política de estabilização macro-económica
a ser desenvolvida em capítulos posteriores, sendo um dos
asteios imprescindíveis do processo de recuperação econó-
». Naturalmente que o rigor subjacente é muito tributario da vontade política, do envolvimento dos agentes
1998 241
económicos e da capacidade técnica da administração de
controlar a aplicação das correspondentes medidas.
2, Reconstituição das relações económicas entre os
sistenas rural e urbana:
A reconstituição dos circuitos e mecanismos entre as
economias rural e urbana têm várias componentes que
importa caracterizar sumariamente.
Peso e papel das infraestruturas:
É conhecida a importância das infraestruturas económicas e dos equipamentos colectivos e em particular a sua
qualidade, para os processos de reconstrução económica e
social. Face à situação actual do País neste domínio um
elevado sentido de rigor e prioridak é exigido na escolha dos
diferentes projectos de investimento público, dadas a
exiguidade dos recursos financeiros e a imperatividade de os
usar da melhor maneira, Esta atitude deve começar nos
Sectores e províncias e ser completada nos órgãos transvêrsais como os Ministérios das Finanças e do Planeamento.
Tomo o objectivo imediato é a facilitação de processo
de recuperação da produção interna, às prioridades a
estabelecer vão no sentido de reconstrução € reabilitação das
infraestruturas rodoviárias e de algumas ferroviárias, muito
em particular das que potenciem as articulações entre à
economia rural! e a economia urbana. O investimento
estrangeiro directo pode ter um papel de relevo a desempenhar na reabilitação de algumas destas infraestruturas,
havendo que, durante a implementação do presente programa, estudar as formas adequadas para tal.
Os equipamentos colectivos de pequena e média
dimensão, por serem os de maior impacto em termos
populaciongis, desempenham um papel muito particular na
reabilitação da economia agrícola rural, contribuindo para o
aumenio do bem-estar das respectivas comunidades,
As infraesiruturas do século XXI são constituídas pelas
telecomunicações internas € internacionais, As primeiras são
cruciais para a integração económica do País, facilitando as
1rocas comerciais, às decisões empresariais e a extensificação
do sector bancário. Às segundas determinam a forma e à
rapidez de relacionamento com os mercados mundiais e são
um factor de mobilização dos capitais externos.
Duda à relevância das infraestruturas para o processo de
recuperação económica o Governo, através do Ministério do
Planeamento, elaborará no decurso de 1998um Frograma
consistente e integrado de reconstrução, reabilitação é modernização das infraestruturas físicas e
que possa ser esteio da recuperação da produção interna,
conhecidos os importantes efeitos de arrastamento que o
sector das obras públicas tem, Este programa será
devidamente sectorializado e especializado, com um eacandeamento lógico de prioridades estabelecidas de acordo com o
modelo de recuperação da produção e de modernização da
economia nacional, Por outro lado, todos os projectos
existentes no domínio das infraestruturas e financiados pela
comunidade internacional serão integrados neste programa
nacional de obras públicas com a finalidade de os rentabilizar. Participarão na elaboração deste trabalho os sectores
lizadores das infraestruturas físicas (Agricultura, indústria
cxtraciiva e Transformadora, Pescas, Comércio e
Transportes do lado económico e Educação e Saúde do lado
social) e os sectores fornecedores (Obras Públicas, Energia e
Águas e Telecomunicações).
(&) Peso e papel da agricultura:
Os aumentos de produção dos pequenos agricultores
têm os efeitos combinados de contribuir para 0 alcance dos
objectivos da produção nacional, aliviando à pobreza e a
insepurança alimentar da familia rural e estimular uma base
ampla de desenvolvimento económico.
À medida que um número elevado de pequenos produtores começa a produzir e a vender, mesmo que quantidades relativamente pequenas de excedentes, eles adquirem a
capacidade de comprar bens de consumo, contribuindo assim
para o crescimento dos sistemas de comércio e das indústrias
Racionais.
Os aumentos de produção nas pequenas explorações
iltam quase exclusivamente da mobilização de recursos
Internos, mais do que externos, sendo os principais inpufs à
terra, a mão-de-obra familiar, os animais de tracção e fontes
de fertilidade da própria exploração, principalmente estrumes
e compostos. À medida que se intensifica a produção, estas
explorações aumentam à sua procura em serviços de
vulgarização e extensão e em fertilizantes, esperando que os
aumentos iniciais de produção advenham do aumento
expontâneo das áreas cultivadas (no pressuposto de estarerr
disponíveis quantidades suficientes de sementes e
instrumentos de trabalho) à medida que a livre circulação de
pessoas e bens seja restabelecida. Os antecedentes conhecidos levam-nos à crer que as políticas que concentram os
esforços do Governo no desenvolvimento da agricultura
principalmente com base nos pequenos produtores, tem
grandes probabilidades de sucesso, Evidentemente que essas
políticas têm de enfatizar o financiamento pelo Governo das
competentes acções de fomento para que estes desenvolvam
capacidades necessárias, com vista a responder às suas
2ações.
Essa política não impedirá nem desencorajará, de modo
algum, o surgimento de grandes empresas agrícolas em
Angola, apenas será desejável que se evitem situações de
conflito e que o desenvolvimento dessas grandes parcelas
seja levado a cabo com recurso a práticas agrícolas
ambientalmente sãs. De facto existe um considerável potencial por explorar no âmbito da complementaridade de
funções das pequenas e grandes empresas que poderá atumentar à competitividade internacional da agriculivra angolana.
Por exemplo, os grandes empresários tendem n especializar-
-se em produtos agrícolas destinados a nichos de mercado
utilizando sistemas de produção capítal intensivos usando
níveis elevados de inpuís, enquanto os pequenos produtores
tendem a diversificar a sua produção, concentrando-se em
produtos alimentares básicos ou sisternas de produção com
baixo nível de inpurs mais trabalho intensivo, dando-lhes
uma margem competitiva superior à dos latifundiários em
“tividades com a produção do café, por exemplo. As
ibuições-chave que a Governo pode dar para o desenvolvimento de grandes empresas eficientes são: melhora-
mento do sistema de gestão de terras: autorizar que os investimentos beneficiem parcialmente de dedução de impostos e
encorajar o desenvolvimento da técnica, o fomecimento de
inputs, equipamentos e serviços comerciais no sector
privado.
(c) Papel e peso da indústria;
À indústria transformadora representa a via segura para à
modernização da estrutura económica interna, num mundo
completamente dominado pela competitividade das relações
económicas internacionais. Sector monetário controlado,
comportamentos económicos corrigidos da especulação e
reposição da verdade dos preços relativos são três condições
necessárias para a recuperação da produção industrial e para a
privatização do sector público empresarial neste domínio.
Uma privatização à ser feita em condições normais de
mercado, ou seja a preços reais.
O parque industrial existente deve ser objecto de tês
tipos de investimento, a saber, de substituíção na tentativa
de se reporem determinados níveis de capacidade produtiva, de
expansão com o intuito deliberado de se aumentar à oferta
interaa nos sectores de maior procura imediata (bens de
consumo não duradouros) e em capital circulante (aquisição
de matérias-primas) com o propósito de se dar utilização
imediata às capacidades instaladas tal como se encontram
actualmente. Esta tripla actuação consentirá, à curto prazo, a
manutenção dos actuais níveis de emprego e a médio prazo
um possível incremento nesta variável. Ao mesmo tempo
caminhar-se-á para à estabilidade do mercado interno de
Consumo.
Os investimentos de expansão referidos atrás deverão,
em parte, ser orientados para a criação de nichos de modernidade do sector industrial nacional e de centros de competência tecnológica virados para o incremento substancial da
produtividade e da competitividade. À outra parte deverá
encaminhar-se para a constituição de núcleos empresariais
em actividades actualmente com grande dinâmica de formação
e desenvolvimento, como sejam as indúsirias de construção
civil, de reparação de imóveis privados e públicos e de
materiais de construção, o que ajudará à baixar os preços € a
criar emprego,
A orientaçõo predominante neste domínio é a da criação
de pólos de desenvolvimento industrial localizados nos
principais centros urbanos € destinados a atrair o investimento privado. No período de execução deste programa serão
tomadas as respectivas medidas de fomento.
Quanio à indústria extraciiva à orieniação predominante
vai no sentido da sua diversificação e valorização interna dos
recursos naturais. Durante a implementação: do presente
programa vestes sectores deverão ser vbjecto duma avaliação
estratégica e integrada. Esiratégico no sentido das respectívas receitas de exptoração serem utuizadas com à principal fonte de financiamento da estabilização, recuperação €
crescimento da economia. Integrado na perspectiva da
transformação interna de partes crescentes desses produtos de
base para à satisfação das necessidades do tecido produtivo
Racional e para à exportação com maior valor acrescentado,
Enquadramento do sector do comércio:
Do secior do comércio o grande destaque vai para o
comércio rural, valendo essa importância um paçoõte
específico de medidas voltadas para à sua reconstituição
enquanto instrumento destacado para 0 fomento da economia
rural, Nawuralmente que uma das condições indispensáveis
para que o comércio rural se restabeleça e desempenhe à
importante função social que dele se espera é a da circutação
em liberdade e segurança das pessoas « bens e em 10do é
wrritório nacional. Justamente porque este aspecto político é
umnipresente em todo este processo de implementação da
estratégia económica para o período 1998-2000 é que e
mesmo é considerado como um dos principais constransimentos ao sucesso da estabilização é recuperação da
produção.
Quanto às importações terá de se atentar ao seu carácter
de complemento da oferta interna e neste contexto ser
objecto dum processo de reestruturação do seu pertil.
passando as aquisições de bens interméódios e de equipamento
cupar ema posição de grande relevo no seu volume tou.
sector das importações é uma peça essencia das reformas
económicas para à tiberálização da economia e sua abertura
uo exterior, sendo, por essa razão, um factor importante de
competitividade da produção nacional. Daí que à sua
substituição deva obedecer mais à justificativas de natureza
económica do que à imperativos protecetonistas geradores de
desperdícios de recursos e de deseconomias de escala ou de
gama. No entanto, este assunto, dada 2 sua delicadeza — que
lhe advém justamente de uma outra condicionante de ordem
global que é a extrema fragilidade da actividade privada
interna — é tratado com alguma deterência nos capítulos
correspondentes às reformas económicas e institucionais e
as incentivos à actividade produtiva interna. Deve ainda
uacrescentar-se que às importações são, também, um
elemento da política de diversificação das fontes fiscais do
Estixlo pela via das taxas e impostos alfandegários.
3. Papel dos sectores de enclave:
À situação dos dois principais sectores de enclave é, à
Puntida, diferente. Enquanto que o sector de exiracção de
petróleo funciona normalmente é de acordo com padrões de
produtividade e competitividade internacionalmente compa
ráveis. O sector dos diamantes não conhece o mesmo
desempenho por razões sobejamente conhecidas. Assim
sendo, o papel de cada um destes sectores no fortalecimento
da economia nacional é inicialmente diferente. O sector dos
diamantes necessita de medidas enérgicas para se debelarem
as distorções existentes no seu funcionamento e retira-
Têm-se então todas as potencialidades que encerra como
factor importante para o crescimento económico do País.
O sector dos peiróleos, que está estabilizado e em funcionamento normal, é determinante para facilitar o processo de
estabilização macro-económica e de fortalecimento da economia nacional. Existem, no entanto, opções de base quanto à
correcia forma de se utilizar à actividade do sector de
extracção do petróleo em benefício do País e da sua
nopulação, sendo uma delas a estratégia de aplicação dos
so5 financeiros provenientes da exportação do petróleo,
1998 243
O desenvolvimento em bases sustentáveis exige que sejam
cada vez mais 05 sectores utilizadores de recursos renováveis
es prioritários no financiamento do seu crescimento, o que
equivale por dizer que será levada à prática uma política
concertada para a afectação dos recursos do petróleo para
cobrir compromissos comerciais de curto prazo e para o
financiamento das políticas e estratégias de recuperação e
reconversão da nnúoção interna a médjo e longo prazos, de
modo à exitarenm-se consequências irreparáveis sobre o futuro
da economia nacional.
A participação destes dois sectores, através das enormes
receitas em divisas que proporcionam. na estabilização e
Tecuperação económicas, traduz-se nas áreas seguintes:
Para à estabilização macro-económica;
Fonte de divisas para a estabitidade cambial e controlo
da inflação.
Fonte de seceiias fiscais do Estado para a redução do
détice fiscal, aumento de crédito à economia por
redução do crédito 40 Estado e redução da inflação.
Fonte de recursos para aumento da oferta global de bens
4 curio prazo através das importações, combatendo-
-se algumas causas estruturais do fenómeno inflacionista.
Factor de diminuição da dívida externa, porque fonte de
Fecursos financeiros para à sua amortização anual.
Para a recuperação e desenvolvimento económico:
Fonte de financiamento do investimento em sectores
utilizadores de recursos não renováveis, com destaque para a constituição do capital humano nacional.
Factor de densificação das relações.inter-sectoriais internas, através do aumento dos respectivos valores
acrescentados nacionais (maior transformação interna dos produtos de basc).
Fonte de aumento do emprego pelo desenvolvimento de
actividades complementares (estratégias integradas
de desenvolvimento sectorial),
Fonte de aumento da poupança nacional, quer pela
valorização interna das matérias-primas, quer pela
diminuição do montante de rendimentos expatriados.
Mas a participação destes sectores pode ainda, estender-se
à terciarização de muitas actividades complementares do
petróleo e diamantes, como são os casos da segurança,
manutenção, «catering», etc. Esta pode ser uma das formas
para começar a «desencravanm> à extracção de petróleo e
diamantes é inserí-las na economia nacional.
À retoma do crescimento económico do País inscreve-se,
portanto num quadro balizado, por um lado, na reabilitação
da moeda nacional como meio de troca e instrumento de
cálculo económico e por outro pela imperiosidade de se
reconstituirem rapidamente os circuitos entre as economias
rural e urbana, factor este, aliás, indispensável de coesão
social e de umidade nacional. Face às limitações e restrições
impostas pela insuficiência da poupança nacional — que
diminui as opções de investimento — e pela escassez de
divisas — que reduz a capacidade de importar e consequentemente do próprio investimento produtivo — a estratégia de
“cuperação deve enfatizar projectos onde a relação cuseficácia seja máxima. Deve ainda acrescentar-se como
elemento complementar a orientação do programa de
investimentos públicos para projectos de reabilitação e de
reconstrução de infraestruturas económicas, que propiciem
reduções nos custos operativos do sector produtivo e o
alargamento do mercado interno.
4, — Os contextos envolventes
1. O contexto externo:
1.1. O contexto externo mundial:
As características actuais da economia mundial são de
uma interligação económica e financeira crescente entre as
várias economias nacionais, assistindo-se a processos de
deslocalização produtiva das economias europeias e americanas pare as economias asiáticas, onde os factores de
atracção do investimento privado continuam a prevalecer
"obre os de outras regiões, como a Europa Central e de
teca África. Aliás e relativamente ao continente africano os fluxos de investimento estrangeiro têm, no geral,
apresentado uma tendência decrescente, a despeito de aígumas excepções à nível de países.
Apesar dos enormes progressos realizados pelas economias do sudeste asiático, parece no entanto, que o principal
póio da economias mundial permanecerá nas grandes economias industrializadas do ocidente duraote os próximos
3 anos. Aliás, os povos países industrializados do sudeste
asiático começam a apresentar sintomas duma certa saturação económica, Na verdade, há cerca de dois anos a esta parte
estas economias deixaram de ser sinónimo de crescimento
económico em flecha, de prosperidade e de investimento
seguro, Parecem confirmar-se os receios dos que questionavam a sustentabilidade dum tão Fulgurante crescimento
económico. Às estratégias de crescimento adoptadas durante
cerca de duas décadas elegeram a intensidade de móo-de-obra,
* cepnstinrição do capital humano (educação básica uni versa-
ja e reciclagem profissional) é o investimento (a quota
do investimento no PIB triplicou durante o período de
intenso crescimento, com uma repartição de cerca de 40%
para o Estado e 60% para o sector privado) como os seus
elementos preponderantes. No entanto, estas mudanças
estruturais de grunde envergiulura apenas podem acontecer
uma vez nos sistemas económicos, donde e se não houver
uma certa capacidade endógena de regeneração e diversificação dos factores de crescimento, 0 surgimento dos sintomas de abrandamento e por vezes mesmo de recessão.
Muito embora estes sinais de atenuação do crescimento
económico as previsões ainda apontam para a obtenção de
laxas de crescimento do PIB assinaláveis em 1998 (e de
haixas taxas anuais de inflação):
China — 9,4% — 4,0%
Índia — 10% — H,1%
Indonésia — 7,8% — 5,2%
Mulásia — 8,1% -— 3,2%
Singapura — 5,8% — 1,6%
Coreia do Sul — 7,9% — 4,5%
Taiwan — 6,6% — 1,15%
Tailândia — 8,6% — 4,5%
Começaram, no entanto e há pouco mais de 4 anos, a
emergir novas economias extremamente dinâmicas e que
escolheram estratégias um pouco diferentes. Em vez de
alicerçarem a mobilização do investimento em mão-de-obra
baraia e em abundante dinheiro (reservas externas de divisas).
estes novos países oferecem aos investidores um forte
crescimento bascudo em fundações económicas sólidas e
governos muito estáveis e credíveis. São países virados para
a exportação e com sólidos € modernos sistemas e serviços
financeiros. Estes novos países são o Chile, o Paquistão, a
Irlanda e o Zimbabwe, cujas taxas de crescimento do PIB
para a próxima década se situam em média acima dos 10%
anuais.
Restam às economias industrializadas ocidentais, com
as quais, alids, Angola mantém o essencial do seu comércio
externo. Às respectivas dinâmicas de crescimento são bem
menores do que as assinaladas para as economias emergentes
e os países da Europa Ocidental vão estar dominados, em
termos de estratégias de crescimento e modernização, pela
constituição da União Monetária, pela adopção do euro como
moeda única do espaço regional « pelo crescente desemprego.
Muito embora as taxas de inflação esperada se situem em
limiares muito baixos — no final de 1998 é por imperativos
de convergência nominal as taxas de inflação não poderão
exceder em média os 2,5% anuais — não são de esperar taxas
de crescimento do PIB elevadas:
e
Reino Unido 27 33
França 2:71 1
Alenmeba 2,7 22
tia 31 2?
Espanha 25 25
Suécia 28 17
Portugal 33 25
Quanto aos Estados Unidos é Japão os valores previstos para 1998 são os seguíntes respectivamente para o
crescimento económico, a inflação e o desemprego:
Estados Unidos 20% 32% S35%
Japão 28% 1IF 33%
É interessante referir, também, as expectativas quanto
no comportamento das taxas de juro nos principais praças
financeiras das economias indusirializadas:
de curto prazo RF de longo prozot
Alemanha 344 57
França 348 563
Reino Unido 6,78 17
Espánha S,16 b4l
hália 683 75
EUA 5,86 6,55
Japão 0.69 252
Portugal 590 415
Finalmente como parte do contexto externo mundial
que pode condicionar a evolução da economia nacional
citam-se as evoluções esperadas nos preços internacionais do
petróleo, do café e dos diamantes:
Produto | rom [O rogo dane Jon [sao | on
ATOS TA ELAS AE REA SINCARE IRA AÇO ELA LINDAS
gr ara Ho 1433 us — —
nene | am [os [os 1
Fonte: Hunco Mandisl. FMI
1.2. O contexto externo regional e a SADC:
Verifica-se desde há muito tempo que à importância
política de Ángala insere-se nos interesses geo-estratégicos e
económicos das potências europeias. Angola, aliás, estava
inserida na África Central para os belgas e franceses, na
África Austral para os ingleses e alemães € na África
Ocidental para os portugueses.
Os acontecimentos ocorridos nos últimos anos na leste
europeu mudaram o ««modus operandi» das relações internacionais. Consequentemente alierau-se a correlação de forças
no mundo e os fundamentos geo-estratégicos. Este facto
conduzia à África a um novo posicionamento em relação às
nrincipais potências mundiais e obviamente Angola. Por
atro lado as alterações político-económicas operadas em
Angola, nomeadamente a implementação da democracia
multipartidária é a opção de uma economia de mercado conduziram a necessidade de uma reorientação da política externa
que teve que se enquadrar nas regras de jogo da mundialização e giobalização económica,
Deste modo como não é possível qualquer dicotomia
entre a superesirutura e a infraestrutura, isto é, entre os
ditames políticos e as realidades económicas, Angola deverá
aliar os seus interesses geo-políticos às relevantes exigências da integração económica regional e mundial,
Nesta lógica e na qualidade de Estado membro da OUA,
Angola deverá cada vez mais estreitar os seus laços de
solidariedade e cooperação com os demais países africanos e
desempenhar um papel preponderante no panorama político
e económico do continente africano, tendo em consideração
as suas potencialidades e sua posição geo-política,
Considerando o facto de que toda e qualquer estratégia de
ntuação geo-política de Angola passa por uma avaliação
inada do reordenamento geo-político internacional e das
opções subsequentes de blocos regionais ou potências
1998 245
individualizadas, Angola deverá na sua estratégia de actuação
externa priorizar a cooperação « 6 reforço da sua capacidade de
defesa e segurança e consolidar a sua estatura de país de peso
nas relações internacionais.
No que concerne à África Austral dever-se-£ habilmente
obter uma integração económica de facto no âmbito da
SADC, contornando eventuais obstáculos decorrentes da
superioridade económica e tecnológica da África do Sul, de
modo à que esta sub-região seja um modelo percursor da
integração regional africana conducente à Comunidade
Económica Africana e numa zona de estabilidade e de
equilítirio política.
Por outro tado, tendo em conta o peso é a importância
de Angola na solução dos diferendos políticos na África
Austral e Central, julgamos ser necessário consolidar o grau
de decisão de Angola no órgão de Defesa e Segurança da
SADC e criar no País uma comissão conjunta
MIREX/Ministério da Defesa para avaliação de todas as
questões ligadas à criação de Forças de Prevenção, Gestão e
Resolução de Conflitos na SADC em particular e na África
em geral.
Relativamente à África Central, Angola deve prosseguir
a estratégia de aumentar a sua capacidade de relacionamento
intênso com os países vizinhos no sentido de contribuir para
a constituição duma zona de estabilidade política e militar.
1.3. À Ajuda Pública ao Desenvolvimento:
Informações disponíveis no Ministério do Planeamento
estima-se que a ajuda externa ao desenvolvimento dos
potenciais doadores de Angola, nomeadamente o PNUD,
UNICEF, Banco Mundial, União Europeia, Embaixadas da
Ttália, Suécia e França para o período 1998-2000 está
avaliada em 554,7 milhões de dólares americanos.
O Banco Mundial com nove projectos em execução
avaliados em 276 milhões de USD dispendêu até ao
momento cerca de metade desse orçamento prevendo-se assim
que os restantes 138 milhões venham a ser utilizados durante
o período de execução do programa. À União Europeia no
quadro do 8.º FED prevê a implementação de projectos nos
domínios do desenvolvimento rural, estradas e pontes, saúde,
desenvolvimento urbano e apoio ao sector privado avaliados
em cerça de 183 milhões de USD.
O PNUD financiará programas nos domínios da
governação (reforma institucional e modernização da administração pública, apoio iástitucional para gestão económica), erradicação da potireza (reabilitação comunitária,
micro-crédito e desenvolvimento de oportunidades) e assis-
1ência após conflito (apoio à desminagem, reintegração €
desmobilização) para um período de 3 anos, avaliados em
45,5 milhões de USD enquanto que o UNICEF espera
durante o período abandonar os programas de emergência e
implementar programas integrados de reabilitação nos
sectores da saúde, educação e águas avaliados em cerca de
46 milhões de USD.
O quadro do PRC (Programa de Reabilitação Comunitária) foi presente em Setembro de 1995 na Conferência de
Mesa Redonda de Doadores de Bruxelas, receberá durante o
período fundos provenientes de fontes bilaterais, Bélgica,
França, ltátia, Noruega, Suécia e Espanha, avaliados em
47,9 milhões de USD,
No quadro da ajuda bilateral obteve-se informação da
operação italiana, avaliada em 58,5 milhões de USD, para
implementar projectos na área social (saúde) e produção
(agricultura) da cooperação francesa, avaliada em 9 milhões
de USD, para a área social e da cooperação sueca, avaliada
em 32,8 milhões de USD, para projectos de desenvolvimento nas áreas da saúde, telecomunicações e pescas.
Por sectores, a ajuda para o período 1998-2000, está
assim repartida;
” -
” EEE
Institucional nal e modernização administ. €
assistência np Sector das Aguos
Saúde, 1» poi
EM
usbana e assi in após conflito.
infraestrutusos (cola, e reabiliitação do sector eléctrico.
EE RES RS
De salientar que reabilitação de infraestruturas absorverá
mais de 41% do montante da ajuda prevista receber no
período sendo importante destacar aquelas que serão canatizadas através do Banco Mundial.
O montante da ajuda por deadores tem a seguinte repartição:
EM
Banco Mundial institucional, reabilitação de
infroestrotoras e sectores
Sociais.
Desenvolvimento rural, resbilitação de infracstruçenos, deom Pope =. eee
sector privado.
Govemo, cradicação da
= = es
fito.
e qo ape:
águas
e [ss
Saúde, telecomunicações,
ss [so
rena Egueação soldec pescas — |
EN NETTO
(SJ Incha es coniribasções Miaxerals.
1.4. O Investimento Directo Estrangeiro:
O capital privado estrangeiro é, por regra, bastante
exigente em condições necessárias para a sua entrada nos
ses africanos. Às estatísticas comprovam que o volume
de fluxos privados de capital internacional dirigidos para a
África subsariana tem vindo a diminuir desde à segunda
metade dos anos 80 e que a parcela do capital privado de
longo prazo (soma dos empréstimos privados, fluxos de
acções em carteira e investimento directo estrangeiro) em
relação ao PIB é a mais baixa de todas as regiões do mundo
que entre 1990 e 1995 receberam capitais externos.
Estão identificados os factores internos que contribuem
para retrair à entrada do investimento privado estrangeiro.
Sabe-se que o mesmo procura economias de elevadas e
sustentadas taxas de crescimento económico — os recentemente descobertos novos «tigres»: económicos como a
República da Irlanda, o Zimbabwe, a Índia e o Paquistão têm
recebido fluxos crescentes de capitais privados externos — de
baixo coeficiente de risco político, económico e financeiro e
onde a identificação de oportunidades rentáveis seja fácil e
isenta de obstáculos. Naturalmente que estas precisas
condições não se encontraram de momento reunidas em
Angola.
Apesar destas desvantagens Angola, durante esta década,
ainda tem conseguido atrair algum capital estrangeiro,
nomeadamente para os sectores da mineração e do petróleo.
Esta exagerada concentração é prejudicial à indústria transformadora e à agricultura, às actividades de maior valor
acrescentado interno e de matores potencialidades de criação
de emprego. Nestes sectores a atitude do investimento privado extemo tem sido, sobretudo, de compreensível expectativa.
ÀA experiência de outros países tem demonstrado que os
investidores estrangeiros escolhem países com ambientes
políticos e econámicos estáveis, com mercados abertos e
regulação mínima, boas instalações de infraestruturas e
baixos custos de produção. O País, neste momento, não tem
estas condições para dar, porque ainda se enfrentam sérios
problemas, tais como:
Instabilidade político-militar. Apesar de se reconhecerem
progressos no processo de paz a situação que
prevalece ainda consente desconfianças, hesitações. À
vontade é a de se debeiarem os obstáculos e
reconstruir a unidade e &« reconciliação nacional.
Instabilidade macro-económica, O Governo, a partir de
Junho do ano transacto, tem conseguido conter à
infração, de tal modo que e pela primeira vez no país
se passaram 14 meses consecutivos com uma taxa
média mensal de inflação abaixo dos 6%. As previsões apontam para uma taxa de inflação anual em
Dezembro da ordem dos 38% (recorda-se que as taxas
de inflação foram de 3783% em 1995, 917% até
Junho de 1996 e 723% de Julho a Dezembro de
1996). Mas é evidente que prevalecem importantes
desequilíbrios macro-económicos, tais como um
elevado défice fiscal, um serviço da dívida externa
pesado para as possibilidades económicas actuais,
um mercado cambial desequilibrado, um sistema
financeiro interno bastante fraco, taxas de juro
demasiadamente elevadas, eto. É evidente que todos
estes factores deterioram o clima geral de inv.stimento,
Crescimento económico lento e mercado interno
pequeno. À guerra foi um grande consumidor de
recursos humanos e financeiros, que fizeram falta
para reconstruir as infraestruturas, promover a
actividade económica dos empresários angolanos e
saldar os nossos compromissos externos. Não
admira o crescimento lento da nossa economia, em
particular da economia não petrolífera. Por outro
lado, se já de si o mercado interno é de dimensão
pequena — por isso um dos grandes objectivos
estratégicos deste programa de médio prazo é
justamente o da construção do mercado interno — à
Buerra ainda o atormizou mais e hoje o que temos no
País são uma série de pequenos mercados sem
expressão económica e desarticulados entre si. O
crescimento anual do PNB per capita da economia
não petrolífera não tem ido além dos | a 1,5% em
média.
Orientação para o mercado interno e regulamentações
diversas. Com excepção do sector petrolífero e no
geral da mineração, Angola permaneceu totalmente
voltada para o seu próprio mercado e até alguns anos
atrás submeteu o investimento a regulações excessivas e até mesmo descriminatórias. As alterações
institucionais em curso, a criação da economia de
mercado, 2 diminuição do peso económico do Estado
6 o reforço da capacidade de gestão macro-económica
significarão uma alteração definitiva das mentalidades próprias duma economia administrativa que
estamos à deixar de ser.
Progresso lento nas privatizações. Reconhecemos que é
um domínio politicamente sensível e que os progressos, apesar de tudo, poderiam ser bem maiores.
Mas subsistem algumas dúvidas. Por exemplo,
como e em benefício de quem se devem aproveitar
as privatizações? É consabido que por duas razões
essenciais Angola não dispõe duma classe empresarial nacional: os poderes coloniais não a criaram
por razões doutrinárias e o modelo socialista castrou
todas as iniciativas privadas por imperativos ideológicos, Não existe acumulação financeira privada e a
capacidade de gestão permanece em limites baixos.
Então parece que as opções são relativamente claras:
as privatizações do património empresarial do
Estado devem ser aproveitadas para se alcançarem
objectivos claramente estratégicos para o País.
Neste contexto, o Ministério do Planeamento vai
iniciar a preparação de dois trabalhos fundamentais,
um que culminará na preparação duma proposta de
estratégia de internacionalização das empresas
angolanas e outro que tentará definir estratégias de
alianças e parcerias com empresas estrangeiras.
Uma infraestrutura precária. As infraestrutuas económicas sofreram fortemente com a situação de guerra e
falta de manutenção e ta! como se encontram não
são um factor mobilizador do investimento.
Finalmente uma infraestrutura humana e institucional
fraca e que se tem vindo a deteriorar nos últimos
anos. Acrescer à excessiva burocracia no relacionamento entre a administração e es cidadãos.
1998 247
Assim, o esforço de promoção e captação do investimento estrangeiro deve assentar em objectivas de criação e
recuperação, em bases estáveis e duradouras, de actividades
económicas capazes de subsistirem em espaços altamente
competitivos, sem prejuízo da criação de emprego, de formação e aperfeiçoamento técnico-profissional e de endogeneização tecnológica. Em consequência, a captação de investimento estrangeiro directo prende-se com vários aspectos,
desde o sistema financeiro interno que facilite o fluxo e a
circulação de capitais externos, a estabilidade cambial e ao
aproveitamento e diversificação na utilização de recursos e
capacidades nacionais e a regeneração do tecido empresarial
angolano e a sua adaptação às condicionantes competitivas
Mundiais e regionais.
Programa de estabilização e recuperação
económica.
1. Objectivos:
1.1. Objectivos Gerais:
O programa de médio prazo vai concentrar o essencial
dos seus esforços e propósitos na estabilização da economia
nacional, iniciada em Junho de 1996 e na inversão da crítica
situação que afecta a grande maioria da população, em
particular os deslocados, refugiados e mutilados de guerra,
sujeitos à condições de vida indignas. Embora a situação
militar actual seja de «nem guerra, nem paz», o programa de
médio prazo assenta à sua estratégia global de articulação das
políticas económicas na hipótese de irreversibilidade do
actual processa de paz, pretendendo-se, neste contexto, criar
as condições necessárias para o lançamento definitivo das
bases duma economia de merçado, moderna, social e eficiente. Assim sendo, espera-se que à medida que a paz se vã
consolidando se libertem e reorientem os recursos financeiros para à recuperação e reabilitação das infraestruturas e
para a melhoria dos sectores sociais. A melhoria possível de
determinadas carências nos domínios da saúde, do abastecimento de água e do saneamento urbano aliviará, sensivelmente, as necessidades actuais, contribuindo para tornar
sustentáveis os esforços económicos para o vencimento do
flagelo da pobreza.
À inflação, o desemprego e a recuperação da produção são
os grandes desafios a enfrentar no período 1998-2000, para
os quais serão postas em execução princípios rígidos, uma
política de estabilização firme é decidida, assente na redução
progressiva do défice orçamental e na institucionalização
dum regime cambial de taxa única e flutuante, Para evitar
maior degradação nas condições de vida de importantes faixas
da população o Governo preparará, no decurso de 1998, um
programa específico e integrado de combate à pobreza,
envolvendo à comunidade internacional e as ONG's.
Em termos gerais o Governo propõe-se com à programa
de médio prazo:
Garantir a defesa nacional, a segurança e à livre circulação
de pessoas, bens e capitais por todo o território
nacional,
Garantir a estabilidade economica, corrigir o défice das
contas internas e externas pela via dum controlo
rigoroso na execução do Orçamento Gera! do Estado
e do estabelecimento dum regime cambial com taxas
de câmbio formadas na base dos mecanismos de
mercado,
Combater as situações de desequilíbrio e de injustiças
sociais, através de programas, acções é medidas
abrangentes, integradas e consequentes,
Recuperar prioritariamente as infraestruturas económicas
é os equipamentos sociais das zonas de reassentamento das populações deslocadas e refugiadas, com a
finalidade de apressar e Facilitar a circulação de
pessoas e bens e recuperar o sector agrícola camponês.
Melhorar à imagem do Estado, através de práticas menos
burocráticas e mais transparentes e aumentar à sua
eficácia pela reforma e modernização administrativas
e pela valorização dos recursos humanos.
Restabelecer níveis mínicos de consumos alimentares e
de outros bens de primeira necessidade.
1.1.1. Objectivos económicos:
Durante o perfodo 1998-200 o Governo vai prosseguir
três objectivos económicos fundamentais:
estabilização macro-econórmica, nas seguintes vertentes:
Actuação sobre o défice fiscal. Uma actuação específica
sobre o Orçamento Géral do Estado com à firme
intenção de o ajustar à política de reconstrução
económica e social dos próximos três anos e à constituição progressiva duma poupança pública positiva, libertando deste modo recursos para o resto da
economia;
Combate contra a inflação. Da manutenção da inflação
em níveis baixos depende à melhoria das condições
de vida dos cidadãos, à moralização da administração
pública, à recuperação da produção interna, a
competitividade da economia nacional, a captação de
poupanças privadas e a concessão de crédito com
juros baixos;
Controlo da massa monetária em circulação. Só por esta
via se pode restabelecer a confiança no sistema bancário e proteger a moeda nacional, O sucesso da
estabilização monetária depende dos resultados que
se conseguirem em matéria de controlo do défice
fiscal do Estado, de combate à inflação e dum novo
regime cambial;
Instauração dum regime cambial de taxa única e Flutuante. Esperam-se repercussões directas sobre as
receitas fiscais do Estado, a reposição dos preços
relativos dos bens, a reversão do processo de substituição da produção interna pelas importações e a
abolição do subsídio implícito na taxa de câmbio
oficial (uam dos principais responsáveis pela transferência ilegítima de recursos da Nação para uma
reduzida faixa populacional).
crescimento e diversificação da produção, com destaque para a não petrolífera e mineira, assente nos
eixos seguintes:
Fortalecimento do sector privado;
Garantia de livre circulação de pessoas, bens e capitais no
País, do que se esperam resultados sensíveis na
recuperação da actividade agrícola e comercial. À
política nacional de defesa e segurança tem aqui um
importante e insubstituível papel a desenvolver;
Abertura da actividade económica. O programa de médio
prazo define um pacote coerente de reformas económicas e institucionais à aplicar durante os próximos
três anos, absolutamente fundamental para fomentar
o investimento privado. À criação dum gabinete
único de empresa pode-se constituir na medida mais
relevante para a eliminação da burocracia desnecessária e para a mobilização do empresariado nacional e estrangeiro;
Redimensionamento do sector empresarial do Estado. Às
empresas que continuarem propriedade do Estado
serão objecto duma reestruturação económica e
financeira profunda, de modo a actuarem de acordo
com os mecanismos de mercado. O seu relacionamento com o Estado far-se-á segundo regras novas,
das quais os contratos-programa serão os mais
importantes;
Finalização do programa de privatizações. O redimensionamente e as privatizações são factores de modernização da economia, de incitação à concorrência, de
desinftação, de transparência económica e de melhoria do emprego;
Reabilitação, construção e modernização das infraestruturas. Para além das infracstrutuças económicas
(vias rodoviárias e ferroviárias, portos e aeródromos)
destaca-se o domínio das telecomunicações, factor de
integração interna da economia e de competitividade
extema.
Melhoria na atocação dos recursos do País, cujos eixos
essenciais são:
Clarificação do regime de comprometimento do peiróleo
futuro. Os recursos provenientes das novas descobertas e explorações devem ser consignados à constituição do capital humano nacional, ao funcionamento da recuperação produtiva € ao desenvolvimento das actividades baseadas na utilização de recursos
renováveis;
Consideração do Orçamento Geral do Estado como
documento universal das receitas e despesas do
Estado, devendo nele ser integradas todas as despesas realizadas à margem do orçamento;
Elaboração do PIP com base em princípio de racionalidade económica e de prioridade social, eliminando-
-se todas as despesas correntes associadas aos investimentos;
Enquadramento da ajuda pública ao desenvolvimento nos
objectivos da política de desenvolvimento do País.
1.1.2. Objectivos sociais:
À guerra gerou o aparecimento dum processo de degra-
dação das condições de vida dos cidadãos e que foi ampliado
pela crise económica registada durante 1995, em que a taxa
e inflação atingiu o valor mais alto jamais verificado no
País. À situação de pobreza apresentada no parágrafo 1.3, é
suficientemente esclarecedora do actual estado de sobrevivência da população. Por essa razão este programa consideru
alguns objectivos de natureza social tais como:
redução do desemprego, Às taxas de desenprego são
muito altas e para além de traduzirem uma nesa-ção
dum direito fundamental dos cidadãos consagrado ná
constituição da República — o direilo ao trabalho
— reflectem, também, à subtracção de importantes
recursos para 0 crescimento económico. O desemprego aliado à inflação agrava a pobreza. Espera-se
que a estabilização da ceonomia favoreça à retoma da
população € que esta proporcione o aumento do
emprego. É evidente que o programa de reabilitação
das infraestruturas irá ser um factor importante de
geração de empregos « rendimentos, nuito embora à
criação sustentada de postos de trabalho esteja
correlacionada com à reestruturação dos sectores
produtivos (agricultura, indústria, pescas, comércio,
transportes e serviços em geral);
combate à pobreza. As elevadas taxas de pobreza
absoluta e relativa justificam a tomada de algumas
medidas tendentes a aliviar esta situação. Inscrevem-
-se nesta preocupação à efectiva implementação do
Programa de Reabilitação Comunitária é de Reçonciliação Nacional, o aprofundamento das acções
viradas para as micro-realizações e para a constituição de actividades geradoras de rendimento e a prossecução dos objectivos do Fundo de Apoio Social
(FAS). No entanto, soluções mais definidas e sustentadas para este Magelo devem ser encontradas na
estabilização da educação;
melhoria do abastecimento da População, Os baixos
índices de nutrição da população aconselham a que a
prioridade seja a do aumento da produção agrícola e
industrial, particularmente dos bens básicos. À
ajuda alimentar e de emergência fornecida pela
contunidade internacional tem de ser melhor utilizada, nomeadamente coordenando-se os dife-rentes
programas existentes € integrando-os nas opções
estratégicas do Estado;
melhoria do estado geral de prestação de serviços de
saúde pública e de cuidados primários de saúde,
Pretende-se que durante os próximos três anos dar
um forte impulso à univer-salização dos cuidados
primários de saúde, reforçando as estruturas tegionais de prestação de cuidados primários;
melhoria do estado geral de prestação de serviços de
educação e de formação profis-sional, subtraindo-se
as actividades marginais as crescentes camadas de
crianças e jovens que a elas se dedicam;
f melhoria do estudo geral das estruturas de saneamento
básico e de abastecimento de Água às populações
rurais e urbanas.
5A1.3, Objectivos institucionais:
As reformas institucionais são das mais importantes a
levar à efeito, aproveitando-se um programa de três anos
1998 249
para melhor as enquadrar, articular e realizar, As reformas
ceonómicas sem reformas institucionais não produzem os
efeitos esperados, porquanto o Estado tem de continuar a
desempenhar um papel importante na condução da política de
estabilização, nº criação das condições para afirmação da
economia de mercado e na programação do desenvolvimento
económico.
No domínio institucional assumem relevância os
ubjectivos seguintes:
desburocratização geral da administração público, Fundamenta! « sem o que não haverá economia de
mercado. Refira-se, muito em, particular, a importância da constituição do Gabinete Único de Registo
e Licenciamento de Empresa como um meio seguro
de incentivar o investimento privado, retomar a
produção e aumentar o emprego. Por outro lado, ao
Ppossibilitar-se que os potenciais investidores consi-
Ram responder a todas as exigências legais para a
constitução duma empresa num único local, combate-se à corrupção e diminuem-se os custos do
exercício da actividade económica:
racionalização e capacitação do aparelho da Adnministração do Estado, aos níveis central e regional. Têm
sido feitos esforços tendentes a melhorar os índices
de prestação dos órgãos do Estado. À maior motivação tem sido procurada através da reconversão de
carreiras, dos aumentos salariais e de acções diversas
de formação. Porém, o hiato entre o que o Estado
afirma querer fazer e o que efectivamente consegue
realizar não se tem atenuado. À falta de verdadeiros
consensos políticos sobre a natureza da poiítica
económica a seguir e 05 mecanismos a utitlizar
também tem contribuído para uma desmotivação dos
quadros, técnicos e responsáveis, Convém, portanto,
equacionar a questão da capacitação e modernização
das instituições centrais e locais do Estado numa
óptica integrada e essencialmente voltada para o
apoio aos cidadãos e aos agentes económicos.
reestruturação e racionalização do sistema financeiro, É
pacífica a afirmação de que o sector financeiro é o
verdadeiro esteio da economia de mercado, porquanto
é por seu intermédio que toda a actividade económica
privada é dinamizada, É neste quadro que o Governo
vai proceder ao estabelecimento de regras de funcionamento entre o Ministério das Finanças e o Banco
Nacional de Angola com vista à garantir que este
exerça cada vez mais as suas funções de Banco
Central, execurar e regulador da política monetária e
cambial € supervisor do sistema financeiro, Entre as
medidas a implementar destacam-se:
Preparação de legislação para a regulamentação das
sociedades financeiras, de investimentos, de capítal de
risco, etc;
Aumento do capital social dos bancos privados;
Aumento e realização do capital social dos bancos
comerciais do Estado;
Realização do capital social do Banco Nacional de
Angola;
Discussão da viabilidade da Caixa de Crédito
Agro-Pecuária;
Preparação de legislação sobre operações cambiais de
capitais, mercadorias e invisíveis;
Preparação de legislação sobre seguros, incluindo a lei
de base e 2 iesislação complementar;
Elaboração dum programa executivo sobre à criação e
desenvolvimento dum mercado de títulos;
Inqplementação dum programa de modernização do sistema bancário, mormente através da informatização
e montagem duma rede de comunicações via satélite
que interligue tndo o sistema bancário a nível nacionu;
Definição duma estratégia de privatização gradua! e
parcial do Banco de Poupança e Crédito e do Banco
de Comércio e Indústria.
di alargamento do recido empresarial nacional. À criação
vuuma rede de empresas nacionais competitivas é uma
condição fundamental para à instauráção duma nova
ordem económica interna. Será preparado um sistema integrado de incentivos ao investimento, à
Produção e à exportação;
renovação é modernização da administração fiscal e
racionalização do sistema fiscal, por forma a comhater 2 evasão e [raude fiscais ce melhorar a arrecadação de receitas, uma das condições para que o
Estado melhore à sua prestação de serviços nos
domínios sociais; panicular atenção vai ser dada às
empresas consideradas «não residentes fiscais», provurando-se limitar drasticamente o seu número a
casos verdadeiramente de interesse nacional;
Ji reforço do sistema estatístico nacional. A informação é
hoje a base fumdamental para a formuiação de políticas cconómicas, para a tomada de devisões, para à
gestão macro-económica e empresarial e para o
acompanhamento da excceução de programas « pro-
Jjecios. Em termos de cronograma destes objectivos a
Tespectiva programação pode ser apreciada pelo
quadro seguinte:
EXCEBEX
REESS O O O
Garantis à defesa nacional. .
= ET
ESC
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EO
externas
ee
ESSES
Ppue Wi
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Restubelecuonento de ane mínimas
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eeimo
2. Cenários de crescimento económico, de evolução da
bulança de pagamento e de ajustamento orçamental,
2.1, À evolução macro-ecunómica.
Pressupostos e hipóteses
O crescimento da economia angolana será marcado, no
médio prazo, por factores de inércia, que decorrem quer das
características da actual estrutura produtiva quer dos cfeitos
acumulados das polfiicas económicas seguidas anteriormente. Considera-se, todavia, que estão reunidas condições,
quer no plano da estabilidade político-militar, quer no plano
de um novo enquadramento da política económica, para se
perspectivarem vias de crescimento é de desenvolvimento
que rompam com + actual quadro sócio-económico.
É nessa perspectiva que se configura um cenário de
crescimento para à economia angolana no período de 1998 à
2000. Este cenário pressupõe à implementação de uma
olítica de estabilização macro-econéómica, sem todavia
excluir uma orientação no sentido do ajustamento estrutural
da economia. Considera-se, a este propósito, que o esforço
da estabilização será concentrado em 1998, isto é, no
primeiro ano de execução do programa, com base na concepção da aplicação concentrada no tempo das necessárias
medidas de política.
Os pressupostos que à seguir se descrevem estão consequentemente enquadrados naquele contexto, Assim, o
cenário proposto assenta;
Numa política de ajustamento e consolidação orçamental, visando a redução gradual do défice público, quer
por via de um crescimento da despesa inferior ao
crescimento do PIB (elasticidades despesa pública/PIB entre 0,3 e 0,4), quer por via do aumento das
receitas fiscais não petrolíferas (aumento gradual e
sustentado da taxa média de imposição indirecia
líquida de 5% em 1997 para 7% em 2009 como
consequência da melhoria da cobrança fiscal, acompanhada da redacção dos subsídios),
Na redução gradual da dívida externa, na base de um
programa de amortização da dívida que concílie os
compromissos assumidos com a necessidade de
mobilizar os recursos externos necessários ao relancamento da economia; com esta finalidade elaborou-
-se um plano de pagamento da dívida, para o horizonte de 2000, no qual! se estima uma liquidação
progressiva do actual stock da dívida, ao mesmo
tempo que a dívida contratada adicionalmente resulta
directamente das necessidades de financiamento
associadas à trajectória de crescimento considerada,
Na desaceleração progressiva da taxa de inflação, que
assegure a estabilidade do sistema de preço
necessária para as decisões dos agentes económicos
e para o restabelecimento da confiança no sistema
financeiro; nestas condições assumem-se metas para
a taxa de inflação, segundo uma tendência decrescente de cerca de 32% em 1998 para 20% em 1999 e
15% em 2000.
Numa palítica cambial que traduza de forma realista os
diferenciais entre os preços internos e os preços
externos e acompanhe dinamicamente a evolução
desses diferenciais, considera-se assim uma desvalorização tendencial de 30% em 1998, de 25% em
1999 e de 20% em 2000,
Tendências de crescimento dos agregados
do PIB
Com base naqueles pressupostos e na base de uma
inequivoca assumpção das políticas atrás apresentadas, pode
antecipar-se um cenário de crescimento para a economia
angolana, caracterizado por um elevado dinamismo ao longo
do período do programa (taxa média de crescimento no
reríodo de 10%). Este crescimento decorre da verificação de
duas tendências diferentes.
Por um lado, das perspectivas de crescimento dos
sectores petrolifero e diamantífero, sectores que têm uma
gica própria de funcionamento baseada sro recurso à fontes
de capital própria e a mercados determinados, no caso do
1998 251
sector petrolífero prevê-se que o crescimento em volume da
produção atinja 43% no período de 1997 a 2000 (alcançando-se | milhão de burris em 2000), admitindo-se ainda
que 0 preço do barril se mantenha na vizinhança de
US$ 18,30.
Por outro lado, de um ponto de partida extremamente
baixo dos restantes sectores de actividade, cujo relaçamento
assumirá um significado estatístico sensível em alguns
sectores (agricultura, comércio, transportes), a produção pode
aumentar de imediato com base na utilização da capacidade
instalada, noutros (indústria e construção) são necessários
investimentos adicionais mas com efeitos visíveis ainda
antes do final do século,
Na óptica da procura o crescimento será sobretudo dinamizado pelas exportações, quer de petróleo (cuja taxa média
de crescimento atingirá previsivelmente [1,85% ao ano), quer
dos restantes sectores (incluindo os diamantes) que poderão
duplicar no período de execução deste programa.
O investimento total dará também um importante contrtbuto para o crescimento do produto na óptica da procura.
Com efeito, com crescimento médio previsto de 7%, a
formação bruta de capital fixo constitui-se como uma
variável chave do processo de crescimento, Admite-se que 4o
longo do período de execução do programa o investimento
público retome um peso significativo, recuperando assim
dos níveis extremamente baixos que atingiu nos primeiros
anos da década de 90. O crescimento do investimento
público (média anual de 13,2%) estará direciamente
associado ao esforço de recuperação das infraestruturas
económicas destruídas pela guerra e pela falta de manutenção. O investimento privado deverá ter também um crescimento substancial (cerca de 6% ao ano), todavia será
sobretudo a indústria petrolífera a contribuir para esse crescimento, dado que não é previsível um crescimento acentuado
do investimento privado nos restantes sectores, antes de
estarem criadas suficientes condições quer institucionais,
quer económicas, quer físicas (infraestruturas) para a sua
aplicação,
O consumo privado apresenta níveis extremamente baixos em Angola (cerca de 114 US$ por habitante) como
consequência de um conjunto de factores que são explicados
atrás, Neste contexto. analítico, importa sobretudo evidenciar que o crescimento previsto para o consumo privado, da
ordem dos 4,8% ao ano, permitirá corrigir progressivamente
à actual estrutura do consumo total no qual o Estado tem à
parte mais significativa (cerca de 66%). Frata-se de uma
situação reconhecidamente anórmula, que põe em evidência e
actual padrão de utilização dos recursos, ainda orientados para
à economia de guerra e para o funcionamento da máquina
administrativa.
A tendência de evolução do consumo público deverá
Permitir a materialização dos objectivos de política definidos
no presente programa. Esse crescimento é assim condicionado por dois objectivos contraditórios: o objectivo da
redução do défice e os objectivos relacionados com à&
extensão da administração a todo o território nacional e com
as Intervenções nas áreas sociais. Todavia, o elevado ritmo
de crescimento do produto permite aumentar signilicativa-
Inente a margem de nunobra no que se refere ao ajustamento
la despesa pública, permitindo designadamente manter um
ritmo de crescimento moderado em relação ao PIB (média de
3,5% ao ano), sem comprometer o objectivo do ajustamento orçamental.
Finalmente, estima-se que as importações cresçam à um
rumo inferior ao do produto interno bruto (na base de uma
elasticidade importações/PIB variando no intervalo 0,3-0,5).
Em dólares, prevê-se que as importações atinjam cerca de
3200 milhões de US$ em 1998 e cerca de 3800 em 2000.
Na óptica da oferta, a estrutura produtiva angolana é.
como atrás se caracterizou, foriemente marcada pelo peso
excessivo do sector petrolífero. O sector constiti a principal fonte de recurso de que o País dispõe o que constitui um
importante factor de inércia quando se procuram configurar
estratégias de diversificição da estrutura produtiva. Na
verdade, os escassos recursos disponíveis (de capital e
humanos) são absorvidos pelo sector, agravando a escassez
relativa no resto da economia.
À previsão de crescimento do produto na óptica da oferta
assenta numa hipótese de crescimento acentuado deste sector
como consequência da entrada em exploração de novos
jazigos de petróleo, Admite-se assim um crescimento médio
do valor acrescentado do sector da ordem dos 8,5% ao ano,
enquanto que nos restantes sectores, tomados em conjunto,
O crescimento será da ordem dos 5% ao ano. Todavia este
crescimento só poderá ser concretizado se se verificarem os
pressupostos atrás enunciados quanto às políticas cambial e
de preços, na medida em que tal crescimento só é viável se
se garantirem condições de competitividade da oferta interna
em relação à oferta externa.
Factores condicionantes do crescintento
Importa avaliar quais as restrições de natureza Macro-económica susceptíveis de se imporen: à trajectória de crescimento atrás apresentada. Neste caso, interessa sobretudo
avaliar as possibilidades de financiamento da economia
compatíveis com o cenário de crescimento considerado, Tal
avaliação remete para à análise da poupança interna e para
consideração da balança de pagamentos prevísional referente
ao perfodo de 1998 à 2000.
Admite-se que os faciores que têm caracterizado à
formação da poupança interna evoluam no sentido da correcção das actuais distorções, O essencial destas distorções
tem-se centrado nos elevados défices do sector público, cuja
necessidade de financiamento tem sido compensadas exclusivamente com poupança externa, atendendo à limitação da
poupança interna. Assim, o défice público tem estado, em
boa medida, na origem do elevado défice externo e o seu
carácter estrutural gerou uma pesada dívida externa. cujo
serviço, ao longo dos últimos 10 unos absorveu sistemativcamente cerca de 50% das receitas resultantes das exportações,
Nestas condições, a estraégia de redução do défice
Público tem efeitos positivos directos sobre a redução do
défice externo. Assim, o cenário proposto incorpora uma
estratégia de ajustamento orçamental que deverá conduzir:
À uma progressiva redução do défice público em relação
ao PIB (estima-se que em 1998 se alcance uma meta
de -14,0 em 1999 de -7,5 c em 2000 de -2.8) estas
imelus traduzem-se na redução progressiva das necessidades de financiamento do sector público:
ÀA uma progressiva redução do défice externo, medido
pelo saldo da balança de transacções correntes em
relação no PIB.
Consequentemente e tendo em conta a estratégia eleita
para à amortização da dívida extema, prevê-se uma tendência
acentuadamente decrescente nas necessidades de financia
mento da economia (cerca de 1159 milhões de US$ em
1998),
À estimativa destas necessidades de financiamento assenta
num conjunto de pressupostos que importa explicitar:
Uma redução tendencia! das transferências públicas
corrente, us quais deverão ser reorientadas da nujuda de
emergência para o apoio ao investimento; nestas condições espera-se uma entrada Wquida de 116 milhões
de US$ em 1998 e de 94 US$ em 2000;
Em relação com a tendência anterior antecipa-se um crescimento gradual das doações oficiais e dos créditos
concessionais, sem considerar as aeções do PRC que
evoluirio de US$ 130 milhões em 1998 para
US$ 195 em 2000;
O investimento directo estrangeiro poscncherá uma quota
muito importante no total dos recursos de capita!
EXleTOS, Com cerca de 530 milhões de US$ em 1998,
crescendo progressivamente para 636 milhões de US$
em 2000.
Produto Interao Brute
(Preços constantes de 87, Íncdicr 1997 = 100)
o press [iss | 200 | tva
omemmnão — f ms|en fis [a |
[Comeneico — ima] 1055 [ 1102
OFBERO A soso | na | EX
ECT ETTA
privada OO es fana iss | 60
mst os Lis | 100
| Procon imema = + ro29f 1077 (26 | 46
E Exportações asi azo7 | 1493 | 14 |
oPersieo | naslinmo jiaã3 Joia
[ous — mo [ias (22 [15
mens o fes [so
memimaem | map os [1523 Too
o
| 357] ps7 [2953 (oro |
EEE E ER ha xa
de factores)
NO E O O
ada E EA E EM
(USD)
VAB do sector petrolífero 114.6] 1284 | 1433 11.8
VAB das restantes sectores 104.9) 1102 | 116.0 6.8
Produto Interno Bruto
(Preços correntes 1089 KR)
e 1998 | 19%
Consumo privado 4602926 | 53401 | 663932
Consumo público 1028929 É 1324607 | tó527495
FBCF 409833 S48/52 E TOIBDT
Pública 55439 I8áT9 106531
Privada IH394 9572 | 597296
Variação de existências 2062 29776 39783
Procura interna 1853350 | H436945 | 3059786
Exportações 1920477 | 2799666 | 3821353
Petróleo IT7T326E | 2555990 | 3383090
Outros 7916 | 243176 | 436302
importações II83IHO | pI6s09A É EosoaTR
Produto intereo bruto tem) 2BASSIA E 374018 | 529176]
Produto Inferno Bruto
to 6 USS
sos fross (amo |
Consumo privado 116 UE 126
Consumo público 2850 235 3052
FBCF 1135 1215 1300
Pública [82 74 187
Privada 982 104) Ho
Variação de existências o ss 7
Procum interna 55H62 00 5651
Exportações 5320 6203 70857
Petríteo 412 | 556 8
Dutras 408 539 809
Importações 2999 | 2707 3064
Prodwio interno beuto (pm) TêkI 8807 HR
Indicadores Macro-Económicas
REHHHHEEE | 1999 É 2000 |
Tuxa de crescimento da PIB pm
Consunio privado os [3 35
Contumo páblico 2º 30 o
— FBCE so | 70 | 70
Privado 51 66 60
Público sa 134 | 30
Exportações 18 | 139 | 143
Petróleo 145 125 [18]
Importações 29 50 70
Produto interno brito (pm) 96 | 100 | 5º
Estrutura do FID
Consumo privado 144 | 139 | 131
Consumo público 766 | 343 | 324
FBCF 147 [143 | 65
Privado 127 1122 | na
Público 20 20 21
Exportações 592 | 63 | 67
Exportações de peiróleo 545 55.8 ses
Importações 250 239 22
Exportações/Irpertações 24 [26 |»
(imp. + Exp yYPIR 84.2 85.2 86.9
Importações/PIB 250 2359 232
PIB per capita 625.5 679.1 TRI
1998 253
2.2. Programa de ajustamento orçamental:
A melhoria substancial e sustentada das finanças públicas
é um dos compromissos fundamentais assumidos pelo
Governo com o objectivo essencial de contribuir decisivamente para a instauração de um clima macro-económico
estável, como condição essencial que é para o desenvolvimento e expansão da economia numa base sólida e duradoura, tomando-se vital entroncar aqual, à integração orçamental numa estratégia de médio prazo, como garante e
suporte do processo de arranque e consolidação da economia
angolana.
É neste contexto que se deve compreender a necessidade
da coordenação das políticas macro-económicas e a particular
Enfase colocada nas políticas orçamentais.
Como tai, aquele objectivo tem subjacente uma estratégia de política orçamental alicerçada em três pilares fundamentais:
5 implementação de reformas estruturais que potenciem
uma trajectória temporal das receitas e despesas
públicas de acordo com o objectivo de consolidação
das finanças públicas;
concretização de medidas político-administrativas e
institucionais destinadas ao saneamento e reformulação da gestão pública por forma a permitir o
efectivo consolo das receitas e despesas públicas;
iii) reorientação da wWespesa pública por forma a reduzir o
défice público em sintonia com o reforço dos gastos
com as funções sociais dos gastos do Estado, com
realce para a educação, o combate à pobreza e à
implementação de um programa de investimentos
do domínio público, num quadro tendencial de
equilíbrio e consolidação orçamental.
Na vertente das reformas estruturais, as áreas-chave de
intervenção da política orçamental consubstanciam-se na
reforma do sistema tributário visando o alargamento da base
fiscal com maior justiça na repartição da carga fiscal para
melhorar a equidade entre os contribuintes e a eficiência e 2
eficácia económica e social dos impostos,
No campo das medidas politico-administrativas e institucionais assume particular realce a modernização da administração financeira do Estado, conducente à generalização da
autonomia administrativa nos serviços do Estado e à centra-
Tização da iesouraria e dos fluxos de informação da receita e
despesa públicas, como condição essencial à melhoria do
controlo orçamental,
Assume particular importância a introdução de regras e
procedimentos orçamentais mais exigentes visando uma
nova dinâmica na preparação participada € consensualizada do
Orçamento Geral do Estado assim como à adopção de regulamentos mais rigorosos de gestão e disciplina orçamental,
factor indispensável à consolidação da confiança dos agentes
económicos e condição essencial ao crescimento da economia
em clima não inflacionista,
Como importante, destaca-se o estabelecimento de regras
eficazes de controlo e transparência dos actos contabilísticos
das entidades envolvidas na liquidação e cobrança das receitas
assim como o reforço das medidas legais de responsabili-
ão dos diversos agentes intervenientes no processo de
uecisão e execução orçamental.
Nao tocante à reorientação da despesa pública, este processo decorrerá dentro dos limites globais definidos para a
despesa, conforme à programação macro-económica estabelecida para o triénio 1998-2000. De acordo com esta política
e em ordem a permitir o ajustamento orçamental preconizado neste documento, os principais agregados da despesa
serão orientados de forma a enquadrarem-se nos seguintes
parimelros, definidos em termos percentuais do PIB nominal. Finanças Públicas
(10 9 KR)
ERRO | 1599: | 2000 |
Receitas totais BR6656 | 1459186 | 2068595
Correntes 586666 | 1459186 | 2068508
imposto sobre o sector do peiríteo | 5/1274 | p182508 | 1633305
Impostos indineçõos 122798 216984 | 330854
Ermpostos directos 36992 | so6to | 102035
optuat o o o
Despesas totais 284205 | 756654 | 2215564
Correntes Ú S34608 | 760210 É 1001029
Despesas em bens « serviços 34257 440966 | 550200
Transferências correntes HWá7]5 j559] | 26108
Juros da dívida pública externa 44049 tóxico | 120060
Juros da divida pública interna 23320 | sic | som
Capliai 49507 | oonsas Í 1214934
Amortização da divida pública 425258 451950 | 541500
Investimento | 295106 | 364028 | 480035
Transferências de capital 128933 | 16166 | tono
Necessidades de finunçiamento
(1Ô 6 USDj
j sos jo 1999 |
Receitas totais 27 3234 3820
Correntes 2733 3234 3820
Impostos sobre o sector do pesrólca 22363 2621 3016
Impostos indirectos 28 481 411
Impostos directos 102 [Ex 153
Capital o ) o
Derpesas fotais 3834 3893 4092
Correntes 1481 1685 1849
Despesas em bens e serviços 949 7 1016
Transferências correntes. 20 352 482
Juros da dívida pública extema 122 240 240
Juros da dívida póblica interes 120 ns no
Capital 2352 | 206 ; 224
Amortização da dívida pública 178 1000 1600
Investimento 818 85t 386
Transferências de capital é outros 357 357 357
tcessidades de flaanciamento
do Estado (em USD) 1101 659 27R
Indicadores des Finanças Públicos
RSA CAEIET:
Saldo Giobal/PIB -146 7.5 8
Eeceitas Petroliferes/PIB 7 28 31.3
Juros da dívida pública/PIB 49 as 28
Extratura da despesa pública
Despesas com bens € serviços [2 S&o 550
Transferências comentes 16 205 26
Juros da dívida pública 82 142 BU
Peirúleo Es) IO no
Ouras 17.2 19.0 219
Taxa de imposição indirecia 147 5.5 EX)
Trata-se, assim, de um esforço sustentado de consolidação orçamental que corresponde à reduções graduais da
componente estrutural do défice num hurizonte temporal de
médio prazo, escorado na racionalização das despesas orçamentais, reforçando o investimente público por contrapartida
das poupanças obtidas através da contenção das despesas
correntes, segundo o compromisso político de conduzir este
processo dentro de limites globais para a despesa corrente
Primária e contenção do défice orçamental.
O método de consolidação orçamental deverá centrar-se na
monitorização constante da trajectória da despesa comente
primária ao longo dos próximos anos — contenção do consumo público (austeridade nas de&pesas de hens e serviços,
controlo firme do volume do emprego no sector público e
miximo rigor ao nível das transferências correntes),
O esforço de cóntenção dos gastos públicos repousa
essencialmente sobre as despesas correntes, reafectindo
OSrecursos orçamentais assim disponibilizados para os projectos de investimentos do domínio público, sem agravamento do défice.
O domínio do saldo primário permite controlar as
necessidades de financiamento do sector público pela via
directa, por ser ele próprio uma das parcelas daquele agregado
e também indirectamente, uma vez que à sta evolução pode
ser tomada com um: barómetro dos esforços de consolidação
orçamental.
A diminuição sustentada do défice global, se associada
aos recursos financeiros provenientes das privatizações e
destinados à amortização da dívida pública, terão sem
dúvida efeitos benéficos significativos no rácio da dívida,
pública relativamente ao PIB.
Objectivos e prioriedades de actuação:
O objectivo de estabilidade macro-económica constitui 2
matriz fundamental de referência da política económica e
monetária do Governo, Assim, a política de privatizações
será desenvolvida no sentido de assegurar os objectivos de
redução do peso do Estado na economia e o aumento da
eficiência económica, através do reforço da concorrência e da
estrutura empresarial, visando uma evolução da economia
nacional no sentido da convergência com as economias do
resto do mundo.
O Sistema Fiscal e Aduaneiro:
A luta contra à evasão e fraude Riscais e aduaneiras é
cundiçõão essencial para a diminuição das injustiças do
sistema e alívio da carga fiscal dos contribuintes compridores. No capítulo relativo às reformas económicas e instilucionais prevêm-se acções de profunda reestrowração e
melhoria de eficácia no sistema fiscal tanto na estrutura dos
impostos como na organização e funcionumeno da administração fiscal.
A melhoria e sustentabilidade dis, finanças públicas.
como condição necessária para o crescimento sustentado e
não inflacionista, com expansão do emprego, representa
também um dos grandes objectivos da política do Governo,
sendo necessário definir uma lei geral tributária que condense
us princípios orientadores do sistema fiscal cem definição
clara dos poderes da administração fiscal e às garantias dos
contribuintes,
Os objectivos e prioridades de estratégia política do
“sema fiscal devem ter em consideração;
£) a finalidade reditícia. isto é, o sistema fiscal deve
proporcionar receitas suficientes para a satisfação
das necessidades satisfeitas através da despesa
pública, À trajectória temporal das despesas e
receitas públicas deverá traduzir o objectivo da
consolidação gradual das finanças públicas, medida
essencial ao processo de desenvolvimento econáó-
Tico sustentado da economia angolana, assim
como;
à equidade e solidariedade, uma vez que à estrutum
fiscal constitui um dos principais instrumentos de
intervenção do Estado na redução das desigualdades e
na luta contra a pobreza e a exclusão social. À este
propósito um programa consistente de descentralização fiscal irá ser elaborado durante os dois primertos anos do período deste programa, aproveitando-se
os resultados de algumas experiências actualmente
curso, nomeadamente na Província de Benguela.
Tribunal de Contas e Auditoria:
Com a regulamentação da lei que crioe o Tribunal de
Contas fica finalmente preenchido o vazio institucional até
aqui existente no cantpo do controto e fiscalização dos actos
de gestão dos serviços públicos eliminando-se, assim, uma
lacuna susceptível de favorecer um clima de impunidade
propício ao aproveitamento ilícito das oportunidades que tal
facto poderia motivar, Por outro tado, dado que no que
conceme ao controlo dos actos de gestão financeira e administrativa, tanto a nível da administração como do sector
empresarial do Estado, à eficiência de actuação das entidades
responsáveis por esta área tem ficado muito aquém dos
padrões minimamente aceitáveis, podendo mesmo afimar-se
que, quanto ao controlo esperádo, fica bastante abaixo da
eficácia desejada. Por outro lado, o controlo, na verdadeira
acepção do termo, não é efectivamente exercido, como
resultado da reduzida capacidade dos serviços responsáveis
DOr esta sensível área do aparelho do Estado, devendo
23eeder-se de imediato a uma profunda reestruturação, com
visia à sua operacionalidade e reforço de prestígio.
998 255
5,3, Políticas Económicas:
3.1 Política de Estabilização « de Combate à Inflação:
3.1.1. Política Orçamental e Fiscal:
A política orçamental para 1998 centra-se na redução do
défice fiscal, por acção conjugada do aumento das receitas e
da racionalização das despesas do Estilo, quer pelo aumento
da base tributária e maior eficiência da administração fiscal,
quer por adopção de principios mais rigorosos na dotação e
controlo dos gastos da adminisiração pública,
O orçamento foi elaborado de forma à permitir uma intervenção directa e decisiva na orientação dos recursos públicos
no sentido da redução dos desequilíbrios existentes entre as
receitas e us despesus, assim como na alocação dos recursos
em moldes consistentes com as metas Taacro-económicas
definidas neste programa, com o objectivo fundamental de se
atingir o equilíbrio das contas públicas sem aféctar 0 crescimento económico.
Assim sendo, às linhas de força da política orçamental e
fiscal para 1998 serão orientadas tendo em vista os seguintes
VECEORES:
Aumento das receitas fiscais e patrimoniais:
Implementar as medidas legais no sentido do aumento
dos níveis de arrecadação e da eficiência da tributação não
petrolífera, para acompanhar à melhoria tendencial que
sofrerá este tipo de tributação, o que passará igualmente pelo
reforço da capacidáde operacional. Rever a legislação tributária sobre os sectores petrolífero e diamantfífero, por forma à
que OS recursos gerados nestes sectores contribuam mais
Úccisiva e eficientemente para o fomento de outras actividades sustentáveis, sendo o Orçamento Geral do Estado a via
redistribuitiva por excelência,
Aumentar a base tributária estendendo a sua acção à
Sectores de actividade actualmente fora do sistema fiscal.
Concomitantemente aumentar a eficiência na arrecadação €
controlo das receitas fiscais. .
Equacionar a oportunidade da criação de novos produtos
tributários, designadamente um imposto do tipo IVÁ-
Imposto sobre o Valor Acrescentado,
Reforçar o processo de reestruturação dos serviços alfandegários € reforço da capacidade operacional das administrações fiscal e aduaneira.
Rever o actual Código do Imposto Industrial, de forma a
que o mesmo reflicta as actuais opções de política económica
Acelerar o processo das privatizações.
Proceder ao registo exaustivo sistemático e controlo das
doações e financiamentos externos, de forma à optimizar a
utilização destes recursos.
Contenção das Despesas Públicas:
Generalização da obrigatoriedade da realização de concursos públicos e consulias à praça para aquisição de bens e
serviços a efectuar pelos serviços públicos.
Não autorizar a realização de despesas de capital para às
quais não se tenha assegurado a correspondente receita, não
sendo às despesas de investimento em caso algum, suporta
das por créditos do Banco Nacional de Angola ao Estado.
Assegurar o controlo financeiro dos investimentos
e uDlicos, quer no que se refere a gastos de capital um moeda
nacional, quer ao paramento da dívida externo, quando a
mesma seja Kquidada como contrapartida financeira de
investimentos públicos.
Proibir à liquidação de despesas em divisas por parte do
Banco Nacional de Angola penencentes a unidades públicas
Oorçamentadas, sem a apresentação da correspondente Ordem
de Saque.
Impor o cumprimento das regras respeitantes 20 cabimento das despesas em todas as suas modalidades, eliminando a emissão de ordens de pagamento à descoberto,
Garantir a execução dos mecanismos e procedimentos
previstos nas medidas legais aprovadas, respeitantes à
«Conta Petróleo» de forma abrangente.
Revisão dos montantes e regras de atribuição de boisus
de estudo no exterior.
Sujeição dos serviços € fundos autónomos às regras de
austeridade, racionalidade e eficiência previstas no Orça-
to Geral do Estado pira 1998, assim como condicionar a
niização das verbas à aprovação dos respectivos orçamentos
privativos.
Aumentar o ritmo das inspecções & auditorias efectuadas
pela INF, complementando à sua capacidade com recurso a
Alteração de perfil das despesas:
Disciplinar com rigor a gestão orçamental, mediante à
Fedtição ou eliminação das despesas correntes do Estado que
sejam supéríluas ou sem efeitos práticos visíveis na recuperação económica.
Diminuir progressivamente, até a sua completa eliminação, 05 subsídios a preços no que se refere aos serviços
públicos, por forma a aumentar-se o valor líquido da
diferença entre a tributação indirecta e os subsídios e
subvenções a empresas públicas.
Reequacionar as formas de [inanciamento de défice
público, nomeadamente no que diz respeito às linhas de
Nito inter-sovernamentais suportadas por petróleo,
Controlar o défice orçamental é€ criar as condições que
viabilizem à sua redução e não monetarização.
Metodologia e procedimentos:
Normalizar € rocionalizar às compras do Estado aplicando com rigor a legislaçõo existente e gorantir, através da
utilização de concursos públicos entre o empresariado estabelecido no País, à transparência c isenção do referido processo.
Implementar o5 mecanismos e rotinas necessárias à
gestão e controlo dos dívidas públicas, externa e interna
criando os produtos financeiros apropriados à sua titularizáção,
Elaborar Planos Mensais de Caixa do Tesouro, com a
priorização de despesas de encargos de natureza fixa e
estabelecer limites de saque sobre a Conta Única do Tesouro
Nacional, definidos pela programação financeira do
Orçamento Geral do Estado. À programação financeira vai
decer à programação dos agregados monetários e às
niecessidades reais da economia, permitindo à compatibiliza-
ção entre as políticas fiscais e monetárias é a econornia real
tendo em atenção as metas de crescimento do Produto Interno
Bruto,
Continuar à aperfeiçoar os sistemas de pagamentos de
salírios à função pública, designadamente pela uniformização e informatização das respectivas folhas, tendo em atenção
a posstbilidade de se proceder ao pagartento dos funcionários
e agentes da administração pública através do sistema
bancário,
Continuar us esforços de aperfeiçoamento do SIGFE-
Sistema de Gestito Financeira do Estado, visando a sua total
ização.
3.1.2. Política Monetária:
Às contas monetárias mostram que durante o primeiro
trimestre de 1997, a base monetária do Banco Central
reduziu-se de forma significativa, enquanto que, durante o
scgundo, se expandiu consideravelmente, Por sua vez, a
quantidade de dinheiro na economia teve o mesmo comporlamento, mas de Máneira menos acentuada.
Às contas mostram também que durante o primeiro e
segundo trimestre de 1997 os activos externos líquidos do
Banco Central tiveram uma redução acumulada importante.
Essa perda de reservas significou uma contracção monetária
que, porém, não compensou totalmente a expansão dos
activos internos Híquidos do Banco Nacional de Angola. Os
faciores que explicam a quase totalidade desse comportamento são nomeadamente o crédito an Governo e ao sistema
financeiro que se espandiram significativamente.
À expansão monetária, 0 preço barato do dólar oficial
num contexto de escassez relativa de dólares por parte do
Banco Central e 2 escassez de alternativos de investimento de
curto prazo, originou uma pressão crescente sobre a procura
de dólares no mercado paralelo. À consequência evidente foi a
pressão sobre a taxa de câmbio, dando origem à uma depreciação acelerada do dólar paralelo a partir de Junho.
Nesse contexo, o Governo não tinha outra alternativa que
não fosse desvalorizar a taxa de câmbio. Um atraso maior na
desvalorização teria significado uma maior perda de reservas.
O atruso tinha também ocasionado efeitos negativos sobre a
produção nacional e sobre o sector extemo e as contas
fiscais.
À existência de um regime de correcção monetária sobre
os depósitos e créditos em moeda nacional perante a fixação
da taxa de câmbio oficial e a depreciação acelerada da taxa de
câmbio paralela, tornou-o inoperante. Assim, à sua eliminação em Março de 1997, foi imprescindível, dando lugar ao
estabelecimento de um regime administrado de taxas de juros
para os depósitos e créditos que mantivesse valores reais
positivos a fim de incentivar o crescimento do sistema
bancário.
Az razões da expansão monetária sugerem que um dos
principais problemas da economia angolana é o'défice fiscal,
tanto no que se refere às despesas e receitas directas, como
aos subsídios implícitos concedidos ao sistema bancário
através do Banço Central. Grande parte desse défice global
continua 8 ser financiado pelo Banco Central, colocando uma
forte pressão sobre a expansão monetária. Essa expansão já
originou uma perda crescente de reservas e depois, ante as
limitações no fornecimento de divisas, um aumento da raxa
de câmbio paralelo. O efeito final é sobre os preços,
originando a reaceleração da inflação.
À política monetária que vigora em 1997 sugere a necessidade de estabelecer uma que seja estrita no seu controlo e
restritiva em relação à expansão da quantidade de dinheiro na
economia. Essa expansão deve acompanhar o crescimento
real da economia mas, simultaneamente, deve servir para
travar a inflação, o que implica que a taxa de crescimento
dos meios de pagamentos deverá ser igual à taxa de crescimento real do PIB mais a taxa de inflação definida como
meta no programa económico.
Essa regra será o eixo da formulação do programa imonetário que será o guia fundamental do manejo dos agregados
monetários por parte do Banco Nacional de Angola,
Requere-se, em segundo lugar que a política monetária
seja concordante com a política cambial, porquanto esta
considera que a raxa câmbio flutuará de acordo com a
variação dos meios de pagamento. Neste contexto, o sistema
económico e financeiro, em particular, operará legalmente
em moeda nacional e estrangeira de acordo as necessidades do
mercado e as regras específicas que o Banco Nacional de
Angola estabeleça sobre os particulares,
Para viabilizar essa política monetária, a política fiscal
deverá ser igualmente restritiva que em poucas palavras
significa: em primeiro lugar, ajustar o controlo sobre as
contas fiscais, aliás, reduzir as despesas aos níveis reais das
receitas fiscais mais o financiamento externo disponível,
depois evitar o financiamento do défice por parte do Banco
Central e finalmente, controlar as outras formas de défice
fiscal implícito, como pode ser o financiamento do sector
finançeiro estatal por partie do Banco Central que é outra
fonte de emissão monetária.
Em matéria de instrumentos da política monetária e para
os próximos três anos do presente programa de estabilização
€ Tecuperação económica,
O Banco Nacional de Angola continuará a fazer uso de
instrumentos de controlo monetário directo e indi-
Tecto, Nesse contexto, continuará a fazer uso das
reservas legais obrigatórias dos bancos comerciais
no Banco Nacional de Angola e dos limites de
crédito à economia, ao sector fiscal e ao sector
financeiro.
O Banco Nacional de Angola usará também a venda e
compra de divisas na economia como mecanismo
eventual para enxugar os excessos ou superar as
insuficiências na quantidade de dinheiro, quando
esta se distancie das projecções estabelecidas no
programa monetário. A variação dos activos externos líquidos do Banço Nacional de Angola não será
usada para uma eventual defesa da taxa de câmbio,
mesmo que esta e de acordo com a política cambial
varie semanalmente em consonância com a
expansão dos meios de pagamento.
À política de crédito é parte da política monetária e
financeira e portanto, deve inserir-se nesta. À definição da
“olítica de crédito exige identificar os diferentes tipos de
créditos: à economia, ao tesouro e ao sistema bancário.
Cada tipo deve responder à sua respectiva regra.
1998 257
A expansão do crédito à economia deve estar em consonância com a expansão dos meios de pagamento e particularmente, com a expansão da produção nacional. Nesse
sentido, o Banco Nacional de Angola considerará dentro do
seu programa monetário uma taxa de expansão do crédito
igual à taxa de expansão nominal da produção nacionai.
No contexto da política de crédito serão usados os instrumentos à seguir descritos, sublinhando que o controlo do
défice fiscal das contas do Estado é a variável-chave para o
aumento do crédito so sector privado, no respeito dos limites
da programação monetária € das taxas de crescimento
económico previstas para os próximos três anos.
O Banco Nacional de Angola continuará mantendo uma
política de limites de crédito às instituições bancárias que controlará mensalmente de maneira estrita.
Os limites serão estabelecidos de acordo com os
depósitos do público na respectiva instituição (ou
seja, com a sua capacidade de captação de poupanças)
e as fundos próprios da mesma.
À expansão do crédito líquido ao sector fiscal durante o
ano será igual a zero, porém, o Banco Nacional de
Angola poderá outorgar um crédito líquido de muito
curto prazo ao sector fiscal, até um máximo de 12%
das receitas fiscais correspondentes a impostos
efectivamente arrecadados no ano anterior.
O Banco Nacional de Angola só outorgará crédito ao
sistema financeiro nemodalidade de redesconto é como credor
de última instância. Esses créditos serão outorgados às
instituições bancárias que tenham problemas de liquidez, mas
no contexto de programas específicos acordados com o Banco
Naciona! de Angola que permitam superar os problemas
financeiros dessas mesmas instituições.
Às taxas de juro continuarão à ser administradas pelo
Banco Nacional de Angola, até que o sisterna bancário se
tome competitivo e exista uma concorrência adequada entre
as instituições financeiras.
À regra fundamental de administração das taxas de juros
será a manutenção em termos reais, acima da taxa de inflação
do período. Taxas de juro reais para os depósitos no sistema
bancário permitirão um crescimento sustentado do sistema
financeiro. Por outro lado, taxas de juro reais para os créditos, assegurarão que os mesmos sejam atribuídos a
projectos que possam reembolsá-los £ portanto, viáveis
económica e financeiramente, À manutenção da inflação em
níveis baixos e sustentados permitirá a prática de taxas de
juro activa e atractivas para os empresários privados. Neste
sentido:
O Banco Nacional de Angola continuará exercendo uma
atitude vigilante perante o desenvolvimento do sistema
finançeiro. Por sua parte, espera-se que os bancos do
sistema acompanhem os esforços de desenvolvimento
da economia nacional no quadro da economia de
mercado.
Com vista a dotar os bancos do Estado de uma irova dinâmica, imposta pelas exigências do mercado, melhorar-
-se-áa sua gestão administrativa e financeira, dotando-
-os do capital necessário. Em particular, o Banco
Nacional de Angola exigirá a essas instituições uma
maior prudência no seu comportamento e crescimento, monmente nas suas operações de crédito e de
endividamento de seus clientes.
3.1.3. Política cambial:
O comportamento dos preços é da taxa de câmbio do
mercado paralelo pode ser explicado, em grande parte, pelo
comportamento dos meios de pagamento. à análise econométrica indica que os meios de pagamento do período
anterior determinam, numa percentagem muito elevada e de
forma estatisticamente significativa, o comportamento da
taxa de câmbio livre do perfodo seguinte, Uma menor parte
desse comportamento seria explicado pelos movimentos
especulativos dos agentes económicos, relacionados com
Suas expectativas de possíveis desvalorizações da taxa de
câmbio oficial.
À comprovação estatística anterior sugere que à aproximação do valor da taxa de câmbio paralela à taxa de câmbio
icial e o controlo da inflação, exigem meios de pagamento
num montante compatível com a taxa de câmbio oficial. O
mecanismo mais imediato para enxugar o excesso de
liquidez na economia é a venda de divisas no mercado por
parte do Banco Central, Qualquer venda de divisas peto
Banco Nacional de Angola implica retirar dinheiro da
economia enquanto que à compra de dólares implica entregar
Kwanzas.
Porém mais importante que o exugamento inicial do
excesso de kwanzas no mercado a manutenção do montante
atingido com o enxugamento resulta vital para o controlo da
taxa de câmbio paralela e da inflação. Se não existir um
controlo adequado da expansão monetária, todo o esforço de
enxugamento se perderá é o Banco Nacional de Angola terá
dispensado reservas internacionais de forma inútil.
Uma vez garantida a compatibilidade entre os meios de
pagamento e a taxa de câmbio, a seguinte etapa deveria ser a
eliminação da segrnentação do mercado cambial e a liberalização do mesmo. Essa política cambial poderia ser uma
arantia para que o preço da divisa responda, livremente à
Sua escassez e às próprias condições do mercado.
Também, num contexto onde os meios de pagamento
devem crescer para acompanhar o crescimento da economia e
à meta de inflação, a taxa de câmbio não pode ficar fixa.
Nesse contexto, a fixação da taxa de câmbio gera uma perda
do seu valor real que prejudica os exportadores e beneficia os
importadores gerando, por sua vez, problemas no sector
externo da economia.
O mecanismo para atingir a unificação e liberalização do
mercado cambial e assegurar a variação da taxa de câmbio de
acordo com à mesmo, pode ser a instauração de um regime
de compra e venda livre de divisas realizadas semanalmente
entre o Banço Nacional de Angola e as diversas instituições
do sistema bancário. À taxa de câmbio seria a resultante da
actuação das forças do mercado, sem prejuízo da intervenção
eventual do Banco Nacional de Angola na compra e venda
para assegurar uma variação controlada.
Porém, o limitado número de instituições financeiras
ristentes, pode conduzir à uma falta de concorrência e
uma situação de cartelização na compra e venda de divisas
nesse rmercado livre, Essa situação geraria uma distorção na
taxa de câmbio em relação à verdadeira taxa de equilíbrio do
mercado,
Nesse contexto, à alternativa optada pelo Governo, que
permilirá uma maior liberalização do mercado e ao mesmo
tempo, a existência de uma taxa de câmbio mais realista,
adequada às condições do mercado, será fazer vigorar um
sistema de taxa de câmbio administrada pelo Banco Nacional de Angola.
À nova política cambial é consistente com a continvação natural da política de tliberalizar os mercados da
economia angojana a fim de que esta actue num contexto de
mercado em situação de plena concorrência.
3,1,4, Política de poupança e crédito:
É absolutamente fundamental o entendimento de que, em
termos de política económica a articulação entre a poupança
e o crédito é básica para que os limites da programação
monetária não sejam violados. Ou seja, o papel fundamental
que o Estado tem de desempenhar nesta matéria é o de ser
um criador de poupança € não um <«consumidorn> das poupanças privadas que é a actual situação (a poupança nacional
é muito reduzida porquanto a poupança do Estado tem sido
expressivamente negativa e os montantes das poupanças
privadas, apesar de positivos não são suficientes para
contrariar a expressão negativa da poupança pública). Este é
indubitavelmente, não só o primeiro passo, mas o passo
decisivo. Para isso faz-se necessário:
Efectiva disciplina orçamental. O Ministério das
Finanças tem de ser, no contexto da Administração
do Estado, o fiel depositário da disciplina orçamental
e financeira, desempenhando cabalmente o seu poder
de controlo, fiscalização e imposição das regras que
estão estabelecidas quanto à utilização dos dinheiros
da Nação. Esta função deverá ser inequivocamente
Tespeitada por todos os órgãos do Estado.
Uma verdadeira gestão da dívida pública. Relativa
mente à dívida externa, a sua renegociação (ainda que
sejam os financiamentos comerciais de curto prazo)
em modalidades menos opressivas é imprescindível,
de modo à conseguir-se, a partir de 1999, diminuir
significativamente o seu peso nas despesas orçamentais. Quanto à dívida interna impõe-se uma auditoria
para se conhecerem os seus reais valores e as
condições efectivas em que foi contraída e por seu
intermédio tentar-se mobilizar alguma da poupança
que parte dessa dívida pode encerrar, nomeadamente
pelo lançamento de títulos de tesouro, logo que
estejam criadas condições de confiança e de estabilidade económica.
Reforma fiscal. É verdade que algumas das despesas
orçamentais se apresentam rígidas no perfodo do
programa (muito embora um ajustamento osçamental que as trate de maneira diferente, consoante a sua
função social e económica seja apresentado mais
adiante) o aumento das receitas por melhoria da
administração fiscal e do sistema de cobranças pode
ajudar mais rapidamente se conseguirem poupanças
do domínio da actividade do Estado.
Na verdade o Estado tem de dar esta imagem de si para,
então se partir para a aplicação de reformas económicas e
institucionais profundas, como é o caso do sistema bancário. À sua maior dinâmica na procura e mobilização de
poupanças depende da aceitação pela população do sistema
de intermediação financeira. Apresentando-se o Estado mais
eredível nas suas intenções e sobretudo, acções, o sisterna
bancário poderá beneficiar grandemente dessa maior
confiança. E esta confiança passa também pela estabilidade
monetária, em particular da inflação. Reduzindo-se o espaço
das aplicações especulativas (que privilegiam os activos
reais e moedas externas fortes) a procura dos bancos para
aplicação das poupanças será mais natural e crescente. Mas
não só, Com estabilidade monetária os bancos poderão
apoiar mais e melhor a expansão do sector produtivo,
porque reduzidas as oportunidades de aplicações especulaivas ou do comércio «tout court», Este aspecto é importante. Com outras perspectivas de concessão de crédito ao
investimento os bancos melhorarão es mecanismos de
captação das poupanças existentes. E pode mesmo acontecer
que as poupanças que actualmente são aplicadas no exterior
Passem à procurar o sector bancário interno.
Num clima de estabilidade e de maior confiança a
adequação entre poupança e crédito pode ser facilmente conseguida. Na verdade, os limites de crédito que a programação
ttonetária estabelece para o cumprimento dos objectivos de
controlo da inflação, poderão ser aiterados se a captação de
poupanças for conseguida, Ou seja, com mais poupança
pode-se conceder mais crédito sem se emitir moeda. E os
bancos, eliminando-se o espaço para especulação, encontrarão oportunidades de aplicação dessas poupanças em
investimento produtivo, não ficando com meios financeiros
imobilizados. Há, no entanto, uma condicionante básica,
qual seja a do Estado, de facto, cumprir com os limites de
crédito interno e externo que lhe estão estabelecidos na
arogramação monetária. Se estes limites forem quebrados
por deficiente gestão orçamental e por derrapagens de dêspesas então nem as metas de inflação são cumpridas, nem se
libertam outras fontes para aumento do crédito interno ao
sector produtivo,
Por outro lado, com à pacificação é à circulação de
pessoas e bens, o5 próprios agentes económicos começam a
ter de encontrar alternativas de investimento fora do sector
comercial, o que dinamiza ainda mais as poupanças e os
créditos.
YVolta-se a sublinhar que os pontos fundamentais para
um possível reforço do crédito ao sector privado para a
expansão da produção interna são dois: disciplina orçamental
do Estado (todos os ganhos na redução do défice fiscal
significarão maiares possibilidades de afectar, em devidas
proporções, meios financeiros internos e externos ao sector
privado) e a credibilidade da política económica do Governo.
O fomento do crédito interno para a expansão da produção sem serem violados os princípios e os limites da
Togramação monetária, só pode ocorrer se se verificarem as
condições seguintes:
1998 259
aumento da poupança nacional:
O aumento da poupança racional passa por:
Implantação/disseminação da actividade bancária pelo
maior espaço territorial possível (captação de poupança
oculta/ociosa e do entesouramento).
Implantação de esquemas práticos e expeditos de canalização da poupança gerada pelo sector informal da economia
(uma forma de captação itinerante de depósitos ou seja a
Banca deve ir ao encontro das poupanças).
Credibilização do sistema bancário existente, liberalização dos levantamentos, criação de novos produtos bancários
(pagamento de água, luz, telefone, etc.).
Apgilização do funcionamento do sistema bancário (eftciência e eficácia),
Liberalização da utilização das contas em divisas (o que
equivale à mobilizar poupanças em divisas existentes no
exterior é à dar oportunidades ao desenvolvimento do auto-
-financiamento).
Prática de taxas de juro passivas reais.
— aumento da poupança interna através da renegociação dos volumes de transferências de rendimentos para o
exterior;
— diminuição do défice fiscal do Estado (possibilidade
de se desviarem quantitativos crescentes de financiamento
externo para o crédito interno ao sector privado);
— a médio prazo, melhorias dos salários e dos
rendimentos através da recuperação da produção e do
crescimento económico;
— desenvolvimento do mercado de capitais (Bolsa de
Valores de Luanda, mercado de títulos (do Tesouro, por
exemplo) e mercado segurador), logo que estejam criadas às
condições mínimas de confiança e de estabilidade económica;
—— pagamento dos vencimentos dos funcionários públicos por conta bancária. Esta prática, que pressupõe a
aceitação generalizada do cheque enquanto utilizada para
crédito de curto prazo ao sector produtivo, Para isso os
bancos existentes, nomeadamente os bancos comerciais
estatais, terão de adptar as suas estruturas de modo a que esta
prática se possa estender a todo o território nacional;
— criação de títulos do Tesouro à serem subscritos por
empresas nacionais e estrangeiras. O volume da carteira de
títulos do Tesouro que estas empresas passará a ser utilizado
como critério de acesso aos concursos públicos para
fornecimento de bens, serviços « execução do programa de
investimentos públicos;
— desenvolvimento do mercado habitacional. O sector
da construção de habitações é um excelente veículo para a
captação de poupanças internas (que actualmente se
encaminham para o exterior) e de fomento da actividade
económica em geral. À concessão de crédito bonificado para
este sector vai ser uma tarefa a desenvolver no decurso de
1998 porque se entende que é uma das melhores apostas para
o aumento da poupança e dinamização do crédito interno;
—- prática de preços livres. À constituição duma poupança empresarial deve ser regida pelos mecanismos de
acumulação próprios duma economia de mercado. Naturalmente que preços livres podem significar custos sociais para
determinados estratos familiares. Porém, é preferível admitir
licileamente a prática de certos subsídios a preços de bens
basicos (o que está explicitamente considerado do Orçamento para 1998) do que praticar um sistema de preços
administrados, muito mais difícil de controlar e fiscalizar,
procura de linhas de crédito extemo Banco-a-Banco ou
Banco-a-Estado para o sector privado:
Este tipo de fonte para lastrear o aumento do crédito
interno é a única alternativa a curto/médio prazo, ou seja, é
à que dentro do período do presente programa pode ser
explorada com efeitos mais imediatos e menos nefastos
sobre a estabilidade monetária interna. O Governo, porém,
vai ser bastante selectivo em matéria de selecção destas
linhas de crédito de modo a acautelar aspector como os
prazos de reembolso, as taxas de juro e condições de
reembolso. Importa, sobretudo, assegurar fontes de financiamento do investimento, portanto numa perspectiva de médio
prazo (três ou mais anos).
As instituições que podem ser contactadas para se
ciarem as reais possibilidades de se conseguirem novas
mas de crédito são:
Banco Mundial, através da Sociedade Financeira
Internacional;
Banco Europeu de Investimentos e Fundo Europeu de
Desenvolvimento;
Fundo Monetário Internacional, através de financiamentos às importações de matérias primas e bens de
equipamento (ajudas à Balança de Pagamentos) e no quadro
dum acordo que possa vir a ser assinado com esta irátituição
financeira internacional, o qual poderá permitir um maior e
menor acesso aos mercados financeiros internacionais;
Banco Africano de Desenvolvimento;
Bancos e Fundos Árabes para o Desenvolvimento do
Sector Privado.
novas modalidades de utilização e acesso às linhas de
crédito Estado-a-Estado
Neste domínio o Governo vai negociar novas formas de
jestas linhas de crédito com os países que as outorgam,
no seguinte sentido:
Negociação duma percentagem até 15% de reserva
dessas linhas para crédito às empresas nacionais.
Negociação duma outra percentagem até 20% de reserva
para a constituição de parcertas.
constituição dunt mercado de capitais:
O Governo nesta matéria, vai prosseguir com os
estudos actualmente em curso sobre as possibilidades, vantagens e desvantagens da criação duma Bolsa de Valores em
Luanda. Estes estudos vão ser estendidos à possibilidade de
se lançar um mercado de títulos no qual algumas empresas e
particularmente, o Estado se poderiam financiar. O Governo
está consiente de que enquanto não existir uma estrutura
empresarial interna com uma lógica de acurmuiação endógena
(o que passa pelo esforço da tecido empresarial e pela maior
canfiança no sistema económico e financeiro interno), as
* gens que são reconhecidas a uma Bolsa de Valores
poderão não correr, de imediato, na economia nacional.
fomento e patrocínio de parcerias internacionais:
Podem vir a ser uma via para se colmatar parte das
necessidades de financiamento do investimento privado
nacional, Nomeadamente se se conseguirem parcerias com
empresas-líderes no merçado mundial. À questão do
investimento estrangeiro volta a estar no centro da
problemática do financiamento da recuperação económica É
preferível aceitar o investimento estrangeiro em condições
que interessem so país, do que, por exemplo, contraírem-se
financiamentos externos para serem utifizados principalmente pelo comércio de importação. O investimento estrangeiro e resta modalidade de parcerias com empresas-líderes,
pode abrir mercadorias internacionais e serem um precioso
instrumento para a diversificação das exportações e meihoria
das contas externas e de capacitação e revitalização de
pequenas e médias empresas.
transformação dos fundos existentes num verdadeiro
Fundo de Desenvolvimento Nacional:
À actual disseminação dos fundos pressioga o Orçamento Geral de Estado, agrava a falta de transparência na
prestação das contas públicas e não facitita o financiamento
do investimento privado nacional. À reestruturação de todos
os fundos existentes deverá passar pela criação dum fundo
único e com as seguintes finalidades:
— Racionalização da gestão em ligação com afectação
dos recursos públicos.
— Melhoria da gestão dos recursos em consonância
com os objectivos de apoio e formento do sector privado
nacional.
— Constituição duma instituição vocacionada para à
captação da ajuda externa ao desenvolvimento e que daria
maior credibilidade à política de utilização desses fundos.
£) no domínio de acções de apoio directo ão crédito o
Governo irá tontar medidas que facilitem a aplicação
de crédito bonificado durante um determinado período
de tempo.
3.1.5. Política de Rendimentos e Preços:
Sabe-se que a implementação dum qualquer programa de
estabitização e recuperação económicas em qualquer país
confronta-se com as mais diversas reacções. No caso do
nosso país, face à situação, tanto de natureza política, como
a decorrente das inúmeras distorções macro-económicas e
suas consequências, à um objectivo a atingir no quadro do
actual Programã de Estabilização e Recuperação Económica
de Médio Prazo.
Os resultados alcançados no domínio de controlo dos
preços durante a vigência do Programa de Política Económica e Social! do Governo para (997, são profundamente
encorajadores e por conseguinte a estabilização económica
pode ser encarada como um objectivo a atingir no quadro do
actual Programa de Estabilização e Recuperação Económica
de Médio Prazo.
Entretanto, a consecução dos objectivos estabelecidos
pelo presente Programa nas actuais condições será de longe
bastante mais facilitada desde que um ambiente de concentração entre + Estado, o Empresariado e os Sindicatos seja
alcançado sob a forma de Contrato Social. Portanto, será
Úada à necessária relevância ao funcionamento do Conselho
de Concentração Social, porquanto as medidas no domínio
da política de rendimentos e preços devem traduzir uma clara
convergência de posições quanto aos valores de determinados
parâmetros de política económica, nomeadamente salários,
produtividade e lucros para evitar que transfira integralmente
para alguns dos agentes económicos os respectivos custos.
A política de rendimentos e preços vai ser aplicada na
presunção de que os mecanismos de repartição desigtal do
rendimento nacional serão alterados, nomeadamente pela via
duma política cambia! realista e pela implementação dum
programa de ajustamento orçamental que privilegie os
investimentos públicos em infraestruturas económicas e
equipamentos sociais € alargue ds esquemas de protecção
social das franjas populacionais mais desfavorecidas. Assim
sendo, os vectores a serem considerados são os seguintes:
salário mínimo;
No que concerne à política salarial, o salário mínimo,
enquanto matéria de intervenção tripartida, deverá ser definido por forma a suprir as necessidades sociais essenciais,
tendo em conta as capacidades financeiras do sector empresarial e os efectivos ganhos de produtividade, enquanto que
para a função pública os ajustamentos salariais deverão
assentar na programação orçamental, tendo em atenção à
gestão das carreiras administrativas.
Com efeito, durante a vigência deste programa de médio
prazo vai estabelecer-se um salário mínimo nacional que
tenha como ponto de partida o salário actualmente definido e
que será actualizado em função de dois parâmetros essenciais, um dependente da política económica geral e que se
traduz, em termos práticos, no controlo sustentado da
inflação nos próximos três anos e outro que deve ser gerido
pelos empresários e trabalhadores, devendo o Estado criar às
condições necessárias para o seu aumento e que é a produtividade. Assim sendo, as actualizações do salário mínimo, à
serem estabelecidas em sede de Concertação Social, deverão
levar em linha de conta as taxas de inflação projectadas, os
ganhos de produtivídades previstos e a sua repartição entre
empregadores é empregados, ponderados pelas dificuldades
financeiras das empresas.
safário da função pública:
Os esforços Jevados a cabo pelo Governo durante o ane
de 1997 em termos de combate à inflação produziram
resultados bastante positivos, que se expressaram em ganhos
consideráveis do poder de compra dos salários da função
pública, iniciando-se, assim, um processo, que se espera
sustentado, de restituição ao salário do seu papel de remuneração adequada do trabalho prestado. Todavia, atendendo à
dimensão das actuais distorções macro-económicas, tal
propósito só poderá tornar-se realmente factível a médio
prazo, porquanto, o reganhar do poder de compra dos
salários, porque intrinsecamente retacionado com o combate
à inflação, permitirá o ambiente propício ao aumento dos
níveis de emprego.
998 261
Mantendo-se os níveis salariais introduzidas pela tabela
indiciária da função pública o Governo, através das medidas
que propõe levar a cabo com vísta a observar as metas
estabelecidas para a inflação acumulada para os anos de
vigência do programa, se propõe manter e mesmo melhorar
o poder de compra dos salários.
Assim, duranie o período de execução do presente
Programa, o grande objectivo centrar-se-á4 na atenuação dos
conflitos sócio.laborais e dignificação permanente do salário
real.
Por Conseguinte dever-se-á:
Aperfeiçoar os mecanismos de concentração social em
matéria laboral.
Valorizar o salário real, designadamente através do
estabelecimento de instrumentos de protecção apropriados;
Definir o salário mínimo nacional, assegurando-se deste
modo uma remuneração mínima garuntida que satisfaça as
necessidades básicas dos empregados; e,
Cunsolidar e aperfeiçoar o sistema salarial indiciário e
estabelecer tabelas próprias para os regimes de carreiras
especiais.
Preços:
Uma economia de mercado caracteriza-se por um
elaborado mecanismo de coordenação entre consumidores,
produtores e investidores que agem em função de um sistema
de preços. Com efeito, ps preços constituem os principais
sinais que guiam os diferentes económicos nas suas decisões
sendo, por isso, necessário garantir maior liberdade na sua
firmação de modo a que essas indicações sejam as melhores
possíveis. O controlo da inflação deve preferencialmente ser
praticado por intermédio de uma transparência seja fomentada
num clima de abertura da economia.
Alcançar a estabilização nos próximos três anos
pressupõe primeiramente censcguir o alinhamento correcto
dos preços relativos, isto é, o estabelecimento de um sistema
de preços em que cada preço tenha uma adequada relação para
com todos os outros preços, de tal modo que à escassez
relatíva dos distintos bens, as condições reais da procura e as
vantagens comparativas da produção dos distintos sectores
estejam convenientemente reflectidas, reduzindo desta forma
substancialmente os subsídios concedidos pelo Orçamento
Geral do Estado,
Estarão neste caso os preços dos combustíveis (com
excepção para o sector produtivo, mormente a agricultura),
do fornecimento de energia eléctrica e de água potável, dos
transportes públicos e aéreos domésticos, que deverão
reflectir os custos de produção e as condições da procura.
A necessidade de ajustamento dos preços da Água
potável, decorre do facto, entre outros, da população das áreas
peri e suburbanas aprovisionarem-se deste bem à preços
livres, beneficiando-se da subvenção sómente à população
urbana (Luanda). À manutenção dos subsídios põe em causa
os objectivos de equidade na redistribuição dos rendimentos.
Serão mantidos os subsídios a preços de bens hásicos,
tais como e pão e o petróleo iluminante.
— Programa de Investimentos de Médio
Prazo.
6,1. A programação global:
O investimento público para o período 1998-2000 deve
ser equacionado ne âmbito do Programa de Estabilização e
Recuperação Económica que visa à ultrapassagem dos principais desequilíbrios macro-econórmicos, à atenuação das
injustiças sociais, a reforma do sistema económico e a
madermização da estrutura produtiva interna,
À concepção do PIP esteve sujeita a uma série de constrangimentos que determinaram a sua devida adequação às
condições do momento actual, dos quais se enfatizam os
seguintes:
Limitação dos recursos disponíveis;
Combate à inflação que limita drasticamente o recurso
ao défice orçamental para financiamento do Programa de Investimentos Públicos; e
Fraco nível na execução dos PIP's dos anos unteriores,
em decorrência do sobre redimensionamento dos
mesmos, da debitidade das estruturas de formulação, avaliação, gestão e acompashamento da
deficiente preparação e fundamentação dos investimentos, associada à indefinições nos últimos anos
relativas no órgão responsável e ao papel deste na
coordenação do PIP, introduzindo insuficiências no
controto de ifiptementação e da debilidade dos
mecanismos de coordenação da assistência externa
ao desenvolvimento.
É dentro destes limites que o Programa de Investimentos
Públicos de Médio Prazo (1998-2000) constitui, no quadro
do Programa de Estabilização e Recuperação, o instrumento
por excelência na coordenação e veiculação das políticas de
investimento público, variável tanto mais relévante quanto
se reconhece a ainda reduzida dimensão do investimento
vrivado em Angola,
Desta forma o seu papel como instrumento de gestão na
prossecução dos objectivos de Política Económica para o
período em consideração é essencial, tanto na perspeciiva
global quanto nas ópticas sectorial e provincial.
No intuito de assegurar à concretização destas opções os
meios afectos ao Programa de Investimentos Públicos
foram substancialmente reforçados relativamente 20 passado
recente, registando a dotação global referente à 1998 um
crescimento superior a 125% face a 1997 (considerando
todas as fontes de financiamento),
À dotação total disponível para aplicar no âmbito do
PIPmp relativa ao ano de 1998 ascende à KzR: 228,1 tiliões (USD 632 milhões) correspondendo as dotações do
O.G.E. — Receitas Gerais KzZR: 99,6 1riliões equivalentes a
USD 276 milhões e Fontes Externas (FAD/CESCE, L. C.
Portugal e L. C. Brasil), respectivamente KzR; 128,5 trijiães equivalentes a USD 356 milhões. Em relação à linha
rédito FAD incluimos as dotações afectas aos sectores e
mo utilizadas durante o ano de 1997 e que totalizam
K7R: 54,| triliões à (USD 150 milhões). Ainda em termos
de fontes externas foram considerados os financiamentos
multifaterais. nomeadamente do Banco Mundial e União
Europeia (FED) é outros de âmbito bilateral afectos
fundamentalmente 2 projectos em curso,
À programação apresentada no âmbito do PlPmp priorizôu, em (unção dos grandes objectivos de política econó-
Mica e social à prosseguir no período de 1998-2000 as
iniciativas de investimento relezentes aos sectores que reveslem maior contributo potencial para à recuperação e
neconstrução nacionais. .é., o sector das infraestruturas
hásicas « sociais com grande relevância para os projectos
relativos dos sectores sociais e à distribuição € abastecimento de encreja e água que têm maior impacto no
descnvolvimento económico «e na melhoria das condições de
vida da população, dadas as enormes carências vigentes
nesies domínios.
À atribuição de verbas por sectores foi confrontada por
um factor limitativo bem identificado que se circunscreve no
facto das Hnhas de crédito com o Brasil e Portugal estarem
essencialmente alecios a grandes projectos. nomeadamente
Capanda, abastecimento de água ao sudeste de Luanda e
Centro Político Administrativo e terem sido reservados
paru o fomento da actividade privada, USD 10 milhões e
USD 30 milhões das linhas de Portuga! e Espanha, respectivamente,
Assim e apesar da sua relevância, foram afgo subalternizados os chamados Sectores Produtivos da economia o que
muito contribui a escassez <de verbas disponíveis associada à
nutureza das próprias actividades aqui engiobadas, mais
susceptíveis de enquadramento na iniciativa privada quer
nacional como estrangeira.
Os investimentos foram seleccionados tendo como crité-
Tios os-que se seguem:
DD À sua exequibilidade nes ópticas económicas e
material. aspeclo tanto mais relevante quanto se
reconhece à deficiente preparação de muitas das
iniciativas de investimento públicos, 0 que permite
apoiar, em simultâneo, à manutenção de projectos
já em curso e ainda não concluídos, cujo abandono
corresponderia à completa perda do custo de
oportunidade dos fundes já canalizados para esses
fins.
O acesso dos projectos à fontes de financiamento
externas, o yue deriva da profunda escassez de
fundos vígentes na economia angolana, o que
inclusivé se repercute na própria dimensão diferenciada dos projectos em tunção da respectiva fonte
financiadora, sendo que às iniciativas suportadas
apenas pelo Orçamento Geral da Estado — Recéitas Gerais envolvem geralmente reduzida expressão,
em especial quando correspendem a novos projectos.
Ao seu enquadramento stas políticas económicas privileginndo designadamente os projectos que potenciem maiores impactos económico-financeiros ou
Maiores eleitos multiplicadores na economia. con-
SOANte OS respectivos sectores de inserção,
No que concerms às regras de exceução e de acordo com o
Decreio n.º 11/95, de 5 de Maio. que regulamenta o
processo de investimento público, os projectos do domínio
do Secior Público a intevear no PIPmp terão que dispor de
cobertura financeira assegurada e assentar em parâmetros de
rentabilidade cconómica c social positivos.
Estes projectos encontram-se ainda subordinados à 1ra-
Tnitação institiciona! enunciada naqueke diploma. que obriga
à respectiva apreciação pelos órgãos competentes. estando
tâmbém sujeitos u um controlo de execução que envolve as
dimensões material e financeira, cuja responsabilidade cabe
no Ministério do Plancamento.
Por ôuiro lado e no sentido de agilizar os procedimentos
e tramitações inerentes ao investimento público, o Governo
tomará, no curto prazo, as medidas adequadas nos planos
rídico-laboral e administrativo, com vista a adequar à
lual situação institucional ag Decreto n,º 11/95, sobre as
bases gerais do processo de investimento,
2. A prograniação sectorial:
Procurando reter apénas os aspectos mais significativos
relativos à óptica acima enunciada importa referir:
2.1. No domínio dos sectores sociais:
Os esforços relativos à implementação de infraestruturas
escolares e no âmbito da formação de professores. o que
conjuntamente com-os investimentos remanescentes a efec-
Luar nesta esfera (educação), permite alcançar KzR: 14,4 1ritiões (USD 40 milhões), o que procura consubstanciar o
alargamento da base populacional abrangida € a melhoria
qualitativa do ensino ministrado.
A ênfase na recuperação do Sistema de Saúde Pública,
compreendendo à reabilitação e reequipamento de diversas estruturas situadas nos seus distintos níveis, o que
implica um dispêndio programado em KzR: 15,2 triliões
(USD 42 milhões), tendo como preocupação central melhorar. num contexto de profundas carências, os índices de
cobertura sanitária das populações.
2.2, No domínio das infraestruturas:
Os investimentos relativos a Obras Públicas incluindo
habitação), merecendo destaque especial à reabilitação das
vias de comunicação, pré-condição para a reactivação
económica e para a efectiva administração do território
nacional, que ascendem a cerca de KzR: 23,5 triliões
(USD 65 milhões).
O início da reabilitação das infraestruturas e dos sistemas de abastecimentos de energia eléctrica € água, profundamente degradadas e que em muito contribuirão para 2
malização da vida quotidiana e para o restabelecimento
9uiras actividades económicas, iniciativas que absorverão KzR: 37,2 trilives (USD (03 milhões), incluíndo as
1998 263
dintações correspondentes a Copanda e ao novo projecto de
ahastecimento de água ao sudeste de Luanda.
À recuperação de infraestruturas portuárias, rodoviárias e
acroportuárias, incluindo verbas para os respectivos meios
de transportes (Sector Transportes), igualmente de grande
relevância estratégica por constituir pré-requisito para o
restabelecimento das actividades económicas, cuja dotação se
deverá cifrar em cerca de KzR: 15.2 triliões (USD 42 milhões).
Mensão especial merecem ainda neste âmbito os pro-
Jectos referentes ao sector (Correios e Telecomunicações),
cujo alcance encontra na lógica mencionada para os sectores
Temanescentes englobados na esfera das (/nfraestruturas) e
que orçam em KzR: 5,8 iliões (USD 16 milhões).
2.3. No domínio dos sectores produtivos:
Neste domínio será, sobretudo, de mencionar o esforço
de investimento relativo à (Agricultura), que envolve
K7R: 5,1 tiliões (USD 14 milhões) e que corresponde à
diversas iniciativas onde pontificam o apoio ao fomento da
actividade e a reabilitação de infraestruturas relevantes para o
desenvolvimento deste sector que, entre as suas elevadas
potencialidades intrínsecas, tem fortes capacidades de
absorção de mão-de-obra, incluindo populações deslocatias e
desmobilizados.
Relativamente às actividades produtivas remanescentes
(Pescas, Indústrias Extractiva e Transformadora ) é óbvia a
sua importância no contexto da recuperação económica
angolana. Dada, porém, à escassez do volume de fundos
públicos disponíveis, aliada à existência de alguma margem
de auto-financiamento por parte das entidades englobadas por
estes sectores, apenas foi possível disponibilizar neste
âmbito verbas reduzidas.
6,3. Programação Provincial:
Independentemente das disponibilidades limitadas de
recursos apontadas e tendo em atenção a importância dos
investimentos de natureza local de impacto social, foram
descentralizadas verbas reforçadas a nível provincial para
intervenção nos domínios da saúde, educação, saneamento
básico, recuperação de estradas secundárias e terceárias e
outras no âmbito da administração local, que deverão ser
complementadas por intervenções respalidadas financeiramente pelas receitas a obter no âmbito do Decreto n.º 66/95
e pelos projecios do Fundo de Apoio Social, do Programa
de Reabilitação Comunitária e Micro-Realizações.
Complementarmente as acções à serem desenvolvidas
pelos correspondentes Governos Provinciais, há a realçar os
investimentos que incidirão nas províncias, cuja execução
será da responsabilidade dos órgãos da administração central
do Estado, mormente nos domínos das infraestruturas
(estradas, pontes e edifícios públicos), saúde, educação,
energia e águas com o propósito de providenciar o mínimo
de condições indispensáveis para o seu normal funcionamento.
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Quadro global de financiumento da economia.
1. O Finunciamento da economia:
O cenário de financiamento global <a econvaiia é consSissente com à trajectória de crescimento prevista « rellecio
naturalmente & política de ajustamento macro-econáúmico
subjacente ao presente programa de médio prazo. Por outro
Judo. lenssse em conta a necessidade de amorntizaççõe dad ki
externa de Anvola. a qual constítui, à partida, uma
importante restrição em termos das necesxidades de finanesneno da cerunonvia,
Uma breve avaliação da situação de partida permite
destacar 14 esguintes pontos:
A divida exteroa deverá cifraese no lim de 1997
em US$ 8 865 milhares (no pressuposto de que
se cumpriu no comente ano o plane de antorligação Iintcialmente assumido pelo Gos emo
As perspectivas de crescimento das exportações Je
petróleo são muito favoráveis, o que permite dar
Tesposta ao objectivo de redução gradual do Uóélioe
extero (ateavés da redução sustentada de saldo
nesativo da balança de transacções correntes) av
Mesmo lempo que permite manter um nível de
importações suficientes para sustentar v crescimemo do investimento global bem como +
início do restabelecimento da produção dos
sectores não petrofiferos,
As hipóteses que. por vutro tado, estão na base dás projecções feitas, são as seguintes:
As exporíoções de petróleo aumentam signiflicçativamente, na base de um crescimento em volume de
13,7% (no período 1997/2000) e de uma estabikti-
£ição dos preços na vizinhança de 18,3 dólares por
Darril:
9 crescimento das importações é relarivamente contido
em 1998 (com uma elasticidade de 0,3 em relação 2o
PIB), em conformidade com às necessidades impostas pela estabilização económica; admite-se uma
aceleração progressiva do crescimento das importações nos anos seguintes, de modo à acomodar as
pressões da procura de bens de investimento e de
bens intermédios;
As componentes 1a balanço de serviços teluçionadas com
a indústria petrolífera, com à assistência técnica e
Com as representações diplomáticas no exterior
crescem de forma moderada (a que pressupõe medidas
de contenção e contrelo rigorosos dessas despesas):
A repatriação de tucros do secter petrolífero é estimada
na base da mesma propenção observada vm relação às
exportações de petróleo de períodos anteriores;
As transferências públicas correntes e de vapital vêem à
sua estrutura interna progressivamente alterada, na
base de uma diminuição progressiva do valor da
ajuda de emergência acompanhada pelo aumento
tendencial das ajudas 40 investimento:
O investimento directo estrangeiro continuará à alluir. ao
longo do período do nregrama. à niver acinia dos
US$ SOU milhõefano. embora à sua composição
interna tenda também à modilicar-se: numa primeira
fase serão sobretudo a» empresas petrolíferas à
explicar a evolução do investimento, enquante que
Nunaa segunda fine o decuiscimo deste investimento.
após à montagem das estruturas de exploração dev
BOLOS jázsigos. sera compensado pelo: aumento d.>
investimento noutros sectvres de aços tiade
Nestas condições será possível sarantir uma exelução
das contas externas, em coerência com es ebjectivos de
estabilização econdmica, confenue es idenciam es seguintos
indicadores:
Em termos absolutos. o saldo da Balança de Serviços
evolui de um valor nesutívo ne início do periado
Para valores crescentemente positivos mo anos
wguintes: o saldo nezatrve da Balança de Tranocvôes Comentes Tende à dectescer progress amente
ao longo do período:
Tonsando esmo indicador. + ráíciv BTC/PIB observa-se
uma tembência claramente decrescente ao Inngo do
período t-1 17% em 1998 para - 0,96% en 20003;
À divida externa é progressivamente Fesulyvida, na base
de um rácio de serviço em relação às exportações
que deca: de EROS em 1998 para 11.134 em 2000.
À comcretiação deste venário implica necessidades brutas
Je financiamento decrescentes. para e conjunto da economia,
embora com um ponto de partida relativamente elevado
(USS 1/48 milhões cem 19981,
Balança de Pagamentos Frevisional
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2. Estratégia de Amortização da Dívida Externa:
Considera-se que, ao tono do perfodo de exectção do
programa de médio prazo será possível implementar um
plano de redução progressiva da dívida externa de Angola,
numa base que não comprometa a necessidade de garantir à
recuperação da economia pós-guerra,
Pura o efeito, importa garantir 2 disponibilidade de ema
base mínima de recursos financeiros que poderão ser omtidos
a partir de duas fontes:
À primeira, do esforço de estabilização macro-económica que, só por si, se traduzirá numa rápida redução
da Balança de Transacções Correntes (de - 15,5% do
PIB em 1998 para -1. 1 em 2000), reduzindo assim
substancialmente às necessidades de financiamento
líquidas da economia;
A segunda, da renegociação da dívida externa que será
certamente viabilizada como consequência da aplicação rigorosa do presente programa económico,
À situação verificada no momento em que 5º inicia o
programa é a de uma dívida externa total de US$ 8 865 mithões (na hipótese de ter sido cumprido o programado em
1997 que implicava o pagamento de US$ 1149 milhões de
amortização e de US$ 374 milhões de juros e de ter sido
financiado 6 montante de US$ 295 milhões estimado como
necessidades de financiamento efectivas nesse ano). Note-se,
a título informativo, que o montante da dívida externa no
1 de [1996 era de US$ 10 093 milhões, na sua quase
lidade de médio e longo prazos e referente em cerca de
62% a credores bilaterais.
No período coberto peto cenário macro-económico
1 1998/2000) consideram-se as seguintes hipóteses para à
liquidação da dívida:
À amortização no primeiro ano é de 10% do stock
registado no ano anterior; nos anos seguintes à
taxa de amortização diminui de 1 ponto percentual
por ano;
A taxa de juro média implícita considerada é de 6% e
uniforme ao tongo do período considerado;
O crédio adicional é estimado como sendo igual às
necessiades de financiamento decorrentes do ce-
Trio MXLro-econômico relativo à evolução da eco-
nomiaçeal,
Nestas condi ões. é possível antecipar que, a partir do
2000, no fimdo pesíodo de ajustamento, Angola estará
em condições depgrar poupança nacional posiliva e iniciar
998 277
UM processo de reconsiizuição de neservas de activos sobre o
exterior. À este propósito saliente-se que se considerou
como hipótese à manuténção do mesmo nível de reservas
verificado em 1997, porque uma política de reconstituição
imediata de tescervas aos níveis normalmente recomendados
14 meses de importações) acarretaria um volume significalivo de meios de pagamento sobre 6 exterior,
PLANO DE AMORTIZAÇÃO DA DÍVIDA
EXTERNA
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|. — Políticas Sectoriais:
As políticas sectoriais. para além. evidentemente, de servirem de instrumentos para 2 obtenção dos objectivos dos
diferentes sectores de actividade, terão de estar conformadas
aos objectivos macro-sconómicos « às reformas de mercado
enunciadas em capítuto próprio.
De salientar que os programas sectoriais/regionais foram
elaburados em conformidade com as políticas sectoriais €
regionais e em consonância com o travejamento global e
programação à nível macro-económico.
Para efeitos de apresentação das políticas sectoriais
optou-se por uma sistematização que traduz o papel dos
diferentes sectores na realização dos grandes objectivos da
estabilização e recuperação económicas. Assim, o primeiro
pacote de políticas sectoriais respeita aos sectores aos quais
se atribuiram funções determinantes na articulação estabili-
Zação-recupernção-crescimento, tais como a agricultura, a
indústria transfórmadora, o petróleo, ns minas, o comércio,
as obras públicas € à energia € águas, O segundo pacote
conformará os sectores mais importantes para a atenuação
dis difíceis condições de vida da população (saúde, educação,
: —assistênciae reinserção social) e um último para os sectores
institucionais, tais como a Justiça, a Administração
Pública, Emprego ce Segurança Social e a Administração do
Território.
1. Sectores-chave para a estabilizaçõão-recuperação-
desenvolvimento:
& 1,1. Agricultura:
O défice alimentar no ano agrícola 296/97, particularmente em cereais estimou-se em 530 690 toneladas, o que
Teva à concluir que a população se encontra numa situação
de penúria.
A redução da capacidade interna de produção de alimentos
deveu-se ao fraco abastecimento em factores de produção, à
ruição de infraestruturas; à desanticutação de 10d0 e
'ma de comunicações e ao êxodo rural como consegoênva da guerra.
À relação entre os preços internos e externos e que não
tem sido ajustada através duma taxa de câmbio realista
contribuiu para um certo desincentivo da produção interna
(preços mais baixos dos produtos importados). À fai de
incentivos para os investidores privados. o baixo fínanclamento da agricultura, dentre outros constrangimentos
macro-económicos, contribuiram ieualmente para desencorajar os produtores. Mas os estrangulamentos ao desenvol
vimento do sector estendem-se à falta de uma política de
erédito ao deficiente sistema de comercialização ne meio
rural. à falta de infraestruturas rurais 2 à já referida deficiência no fornecimento de <«inpuls» agrícolas. os quais
vomribuiram para a descapitalizaçõo dos camponeses e
empresários agrícolas, Obviamente que o fenómeno teve
GOMA Fepercussão a redução considerável das áreas de cultivo
circulação mercantil dos produtos agro-pecuários nas
ões com relativa segurança o que impedia à monetarização da economia rural.
Partindo destas constatações torna-se possível definir um
programa de acções cujós objectivos visam essencialmente e
aumento da produção agrícola alimentar, a promoção do
comércio rural, o alívio da pobreza e da insegerança
alimentar e à minimização das causas gersdoras de conflitos
sobre o uso e posse da terra e de outros Tecursos no contexto
de uma gestão sustentável dos recursos naturais. Assim
deverão ser desenvolvidas as seguíntes acções:
Garantir à livre circulação de pessous e bens,
Promover a segurança alimentar através das seguintes
medidas:
Aunento da produção do sevtor camponês (produtos
agrícolas básicos. suinicultura, avicultura, pequenos ruminantes, pesca contiãental « apicultura).
(it) Dinamização do armazenamento de produtos do
comércio rural.
(ifi) Criação dos sistemas de informação e alerta rápido,
Apoiar medidas que visam à reactivação da economia
rural através das seguintes àcções:
Definição de um sisiema de financiamento e de uma
política de crédito agro-pecuária para o meio tural,
(ii) Redinamizar a comercialização rural, através do
fornecimento de «inputs» básicos, recolha de excedentes e reabilitação de infraestruturas de comercialização.
(iii) Reabilitação das infraestruturas rurais, nomeadamente as vias terceárias e os caminhos rurais, os
sistemas de regadio (prioridade para vs pequenos
sistemas de rezadio) sistemas de abastecimento de
Água e sancamento.
Tendo em vista o aumento da produção aero-pecuária,
Uesenvolver as seguintes acções:
Melhorar us serviços de investigação, vuigarização e
desenvotyimento tecnológico.
tir) Desenvolver estrotégias sectoriais específicas para s
culturas alimentares, produção pecuária e culturas
industriais c de cxportação.
1.2. Indústria transformadora;
O Sector da Indúsiria Transformadora: prosseguiu em
[996 a inversão na tendência de desindustrialização galopunte que vinha semlo registada nos últimos anos, tendo
Mantido essa recuperação 20 longo de 1997, parlicularmente
ao nível da tadúsiria alimentar onde se registaram incrementos de 96% no 1.º semestre em relação ap semestre
anterior. No entanto, a situação do sector industrial continua
a ser crítica, devido às seguintes razões:
(1) Políticas económicas ainda não sustentadamente
estimuladoras do desenvolvimento industrial.
(ih) Escassez de infraestruturas € insuficiência de solo
industrial equipado.
(ii) Ambiente desfavorável ao desenvolvimento.
tiv) Escassez de recursos cambiais e insuficiência de
crédito hancário.
[) Parque de máquinas obsoleto e degradado com mais
de 25 anos de antiguidade,
(ri) Escassez de investimento estrangeiro,
(vii) Excessivas barreiras burocráticas.
(viii) Carência de legislação e renulamentação adequada.
(ix) Política comercial vírada para à importação, ao
invés da promoção das trocas da produção interna,
(x) Dispersão da tutela das actividades industriais,
(xi) Insuficiente qualificação dos recursos humanos.
(xii) Falta de implementação dao quadro de incentivos já
aprovado.
A estratégia do sector para o triénio 1998-2000 visa à
rennimação « o aumento da oferta interna de bens é serviços
industriais, à criação de emprego, a integração intersectorial
é o incremento de valor acrescentado de origem nacional,
Esta estratégia impõe à tomada das seguintes medidas:
adopção de um programa de fomento do secior
privado e em especial das micro é PME's;
bj criação e promoção de um meio envolvente económico e de um quadro operativo e jurídico propício
40 crescimento económico;
priorização de sectores de grande impacto económico
e social, intensivos em mão-de-obra, integrados
com os demais sectores produtivos e que poupen
divisas:
implementação de um pacote de incentivos fiscais c
financeiros que fomentem o investimento:
implementação dos seguintes programas: criação de
condições dinamizadoras para a Reindustrialização,
programa de reforço instivucional do MIND, programa de substituição de importações e pronioção
de exorações, programa de fonento da indústria
alimentar e programa de apoio à agricúltara;
apoio à implementação de projectos industriais de
forte eleito multiplicador.
Tendo em vista a execução com êxito do programa.
deverão ser implementadas, entre ouiras, às seguintes
acções:
priorização da reabititação das infraestruturas essen-
ciais ao funcionamento das empresas industriais;
criação dos pólos de desenvolvimento industrial:
c€) criação e desenvolvimento das Sociedades de Desenvolvimento Industrial (SODI"s);
) aprovação do quadro kegaj de sector: *
estabelecimento de tinhas especiais de crédito bonificado para as pequenas e médias indústrias;
df adequação do quadro legal e normativo e simplificação dos circuitos administrativos e burocráticos
para a criação de empresas;
£) implementar um sistema de fomento e de incentivo
às empresas, especialmente 25 de micro, pequena
€ média dimensões;
reforço institucional do Ministério da indústria,
modernização do seu funcionamento e desenvolvimento dos órgãos de apoio ào empresariado
(DIA, IAPIL e IANORO
desenvolvimento de acções de formação profissional
para a indústria;
)) promoção da actualização tecnológica da indústria
anzolana;
atracção do investimento estrangeiro;
criação do Fundo de Apoio ão Desenvolvimento
Industrial:
privrizar a implementação dos programas de fomento da indúsiria alimentar, de substituição de
importações e promoção de exportações, o programa de apoio à agricultura;
prosseguir com 0.-processo de reestruturação e privatização de empresas industriais.
1.3. Indústria dos Petróleos:
No triénio 1998-2000 a produção de petróleo continuará
a determinar a evolução da produção interna. Nestes termos,
o petróleo vai continuar à ser o principal produto de
exportação e a principal fonte de receitas do Orçamento do
Estado. À produção de petróleo assume assim na presente
fase um carácter estratégico, devendo garantir a geração de
Tecunsos financeiros necessários à recuperação econóniica e
ao desenvolvimento numa base económica sustentável.
O Estado deverá continuar à desempenhar um papel
activo nomeadamente na regulamentação da actividade e na
melhoria da fiscalização sobre as actividades de exploração.
O Estado deverá igualmente desenvolver acções visando à
melhoria dos níveis de produção, mas com a preocupação de
er um equilíbrio entre os níveis de produção e de
Peservas,
1998 279
Como dificuldades e factores de estrangulamentos ressaltanm-se os seguintes:
Falta de clarificação nas relações entre o Tesouro, Banco
Central é Sonangol.
Dificuldades de uvesso rápido às divisos e so crédito ao
investimento.
Níveis huixos de competitividade dos produtos refinados.
Alruso no reembolso dos subsídios «05 preços dos comhustíveis,
O desenvolvimento e à prossecução da política para o
triénio 1998-2000 vísará e desenvolvimento da indústria
Petrolífera nos domínios da pesquisa. exploração e produção
de hidro-carbonetos por um tado e por outro à completa
cobertura das necessidades de consumo impostas pelo mercado interno em produtos relinados.
As metas que se pretende atingir são as seguinics:
Conhecimento das renis potencialidades do País de jazidas petrolíferas,
Domínio da indústria petrolífera nas seas principais
vertentes (prospecção, produção, refinação e comercislização externa e interna),
Satisfação total do mercado interno.
Geração de recursos cambiais no País por forma a servir
de pólo de desenvolvimento aos outros seciores da
vida económica.
Para que os objectivos acima apontados sejam atingidos
Serão levadas à cabo as seguintes acções:
Estabelecimento da lei-quadro (revisão da Lei
n.º 13/78) das actividades petrolíferas;
Revisão do Decreto n.º 20/82 de mode à adaptá-lo
à situação actual;
Regulamentação do sistema de abastecimento de
ramas à Refinaria de Luanda:
Revisão dos decretos normativos da actividade de
exploração estendendo-a à actividade de distri-
- buição e actividades afins;
Libertação do Estado da actividade Heada à fabricacão/montagem de candeciros, fogões « geleiras a
petróleo e à gás, estimulando e interessando os
empresários na realização deste Gpo de tarefas.
8,1.4, Sector Mineiro:
À acrnal situação do sector é caracterizada por:
Insuliciência de conhecimento geológico e metalosvónico do território, o que impossibitiza informação
sobre às reservas « es condições para 2 sua exploração
veonómica.
Exploração caótica da actividade dos diamantes, o que
tem diko origem à fuga anual de cerca de 700 milhões
de dólares de receitas de exploração, ao não pagamento dos réspectivos impostos ao Estado, à insegurança gencralizada não só direciamente na região,
como indirectumente em todo o País, à periurbação
no sistema de regulação do mercado mundial de
diamantes, bem como constituindo um factor deter-
minanle de geração de instabilidade ceonómica. fíinanceira e social no País.
Ausência de planeamento da actividade de extracção
mineira.
Faita de regulamentação das leis fundamentais do
sector. '
Incumprimento de algumas disposições da lei fundamental do sector (Lei n.º 1/92), tal como folia de
transparência e uso de arbitrariedade no licenciamenço, emissão de licença de prospecção e títulos
de exploração que à lei não prevê, concessões à
entidades não idóneas, etc.
Garimpo generalizado em actividades como à extracção
de ouro, rochas omamentais e minerais industriais.
Falta de quadros capacitados e experientes para o exercícia da actividade de concessão e de fiscalização e
controlo.
A estratégia geral a seguir para o triênio 1998/2000
nasca-se numa aposta dupla no mercado externo e no
cado interno. Ou seja, depois de devidamente organizado
e disciplinado o sector mineiro pode, numa primeint ctapa,
contribuir decisivamente para a diversificação das expor-
1ações nacionais, quer duma forma directa (só 0s diamantes
Padem vir a gerar uma receita de exportação em torno de
| bitião de dólares anuais), quer, sobretudo, auravés da venda
nos mercados mundiais de transformados mineiros. Para isso
é fundamental a aplicação dum modelo coerente de
internacionalização e abertura do sector. À aposta no
mercado interno. por enquanto de reduzida dimensão,
justifica-se no quadro dum modeto de criação do mercado
interno, O mesmo é dizer, de maior intensidade das relações
inter-sectoriais, à via mais eficaz para criar empregos e
aumentar os nepdimentos da população.
Relativamente uos objectivos à alcançar no triénio do
programa o mais fundamental é o referente à reorganização
do sector, à sua discilinação e à um total controlo por parte
doe Estado da actividade das concessivriírias. Ou seja, uma
“efítica racional e clara para + sector mineiro, de modo a
meniar a sua contribuição para o desenvolvimento ceonómico e social do País. Este objetivo fundamental é
alcançado através do exercício dum pluwamento selecuvo é
sistemático da utilização dos recursos miuierais, do ficenviamento dos direitos mineiros exclusãt amente à enippresits que
reúnam os requisitos exigidos pela let e o exercicio pleno da
actividade de fiscalização v controlo. À postura do Estado
neste sector deve ser fundamentalmente à de criar o melhor
ambiente possível para a exploração, em benefícro da
população, dos recursos do País, aomedauente pelo
aumento do conhecimento geo-míneiro do território. pelo
Planeamento das actividades de prospecção, exploração «
pelo licenciamento e fiscalização do exercício da actividade
mineira,
Para que esta situação possa ser atingida, o Ministério
da Geologia e Minas aplicará às seguintes medidas:
Efectivação, no decurso de 1998, duma auditoria ao
sector dos diamantes que permita um conhecimento
detalhado da sua actual situação e preparar legislação
e medidas adequadas à sun disciptinação e organização.
Meihoria do sistema de controlo e fiscalização dos
recursos minciros,; através do aperfeiçoamento dos
serviços de licenciamento e cadastro mineiro e dos
serviços de fiscalização e da formação de pessoal
espectalizado.
Alacgar. de mudo: controlado e planeado + de acordo com
us perspectivas de evolução do comércio internaçional e das necessidades internas da indústria e agricultura nacionais, às actividades de prospecção e
pesquisa mineira, de mancira 3 garantir à entrada em
exploração faseada. de mais recursos mineiros. Para
isso o Ministério da Geologia e Minas irá lunçar um
Programa plurianual de pesquisa e inventaríiaçõo dos
recursos minerais nacionais.
No domínio jurídicu-legal far-se-lo às seguintes acções:
1998: — ajustamento e actualização da Lei Fundamental da Indúsinia Mineira.
Regulamentação da Lei Fundamental da Indúsicia
Mineira e elaboração dum Código Mineiro,
Revisão e actualização das tels específicas sobre os
diamantes, y
Revisão e enquadramento legal dos instrumentos de
concessão de direitos minciros,
Revisão do regime fiscal do sector.
1999: — organização do cadastro das concessões de
direitos mineiros.
Resulução do problema do garimpo.
Reesiruiuração das instituições do Estado, redefinindo-se
as suas funções.
Reestruturação ou privatização das empresas estatais, de
acordo com a nova postura do Estado na econontia.
Reestruturação profunda da ENDIAMA.
Finalmente, execução dum programa intenso de formaão lécnica e profissional para se reforçar à capacitúnde de fiscalização e controlo das actividades do
secior.
&L5. Comércio:
Pura execução dos objectivos de política económica e
weial do Governo e estabilização na gestão da oferta, o
Dbicetivo da política comercial assentará na substituição das
umportações e na promoção dás exportações.
No que respeita ao Comércio Externo (regime das importações e das exportações) o Ministério do Comércio
Orientará às suas atenções no cumprimento do estabelecido
nos acordos rubricados por Angola junto das organizações
mundiais (OMC) e regionais (SADC e COMESA) captando
assim a confiança dos parceiros comerciais externos,
O sector pretende durante o período realizar as seguintes
toçÕEes:
criação efectiva do Secretariado Permanente da OMC
em Angola para melhor levar a cabo à reforma da
política comercial;
criação do ««Trade Points»» para promoção do comércio externo;
definição do papel e a reorganização das representações comerciais no exterior;
introdução dos conceitos de licenças de importação
automáticas (para importações não sujeitas a protecção) e licenças de importação não automáticas (para
as importações sujeitas à protecção)
estabelecimento de listas de produtos sujeitos ao
regime de licenças de importação não automáticas;
utilização dos direitos aduaneiros, como política
preferencial para protecção da produção interna;
£) implementação do novo conceito de «comércio de
Estado»> como política de protecção dos grupos
sociais mais vulneráveis, bem como para o funcionamento de certas faixas específicas de mercado de
consumo;
estabelecimento de medidas sanitárias e fito-sanitárias
como outra maneira de desencorajar certo tipo de
importações;
revitalização e modernização da Escola Nacional de
Comércio:
eliminar a carga burocrática para facilitar a constítuião de novas empresas;
eliminação da exigência de licenciamento dos operadores internos para a realização de operações comerciais extermas;
criação de um sistema de informação comercial;
privatização das empresas comerciais estatais.
1.6. Obras Públicas:
O Sector das Obras Públicas é dos mais importantes para
à recuperação da produção e para o crescimento económico
por se situar a montante de um conjunto de actividades
económicas e sociais fundamentais para o País, É reconhecida a capacidade de mobilização e de arrastamenta inter-
-sectorial do sector da construção e obras públicas, bem
assim como & sua tradicional vocação para criação de
rregos directos, ainda que temporários, Dado este seu
Posicionamento estratégico no tecido produtivo é absolutamente fundamental coordenar a sua actividade com a dos
demais sectores produtivos e sociais, traçando-se um
programa integrado entre a construção € obras públicas e a
agricultura, indústria e transportes e, do lado social com a
educação e saúde. Este programa integrado potencia os
resultados da reconstrução das infraestruturas — porque as
integra nos eixos e prioridades de desenvolvimento dos
sectores produtivos e nas componentes mais dinâmicas da
procura social por educação e saúde — ao mesmo tempo que
maximiza meios e minimiza custos.
A actual situação do sector é caracterizada sinteticamente
como segue:
Às redes de estradas, fundamental e secundária; estão na
sua maior extensão impraticáveis por razões diversas.
À infraestrutura portuária apresenta-se, em grande
Tredida, inoperante por razões de obsolência dos
seus equipamentos.
1998 281
Os principais aeroportos necessitam de grandes intervenções.
Os sistemas urbanos de abastecimento de água estão na
sua maioria degradados.
O meio rural apresenta-se com uma ausência confrangedora de infraestruturas de apoio à produção € ao seu
escoamento.
À infraestrutura social foi fortemente afectada pelas
acções de guerra.
Os estrangulamentos que têm limítado as acções de
reconversão institucional do sector e uma maior celeridade
na reabilitação das infraestruturas do País são bastantes,
destacando-se os seguintes:
Exiguidade de meios financeiros perante as enormes
necessidades de reconstrução existentes; para que
passe a haver maior racionalidade torna-se necessário, por um lado, estabelecer claras prioridades
para à reabilitação das infraestruturas (e que sejam
politicamente assumidas), por outro integrár o pro-
Brama de reabilitação infraestrutural nas estratégias
de recuperação da produção e dos equipamentos
sociais e, ainda, estudar formas concretas de envolvimento do investimento privado, nacional e
estrangeiro e da ajuda ao desenvolvimento na
reabilitação das infraestruturas e eventualmente na
sua exploração posterior.
Inexistência dum programa integrado de reabilitação e
desenvolvimento de infraestruturas.
TInsutficiente fiscalização e controlo de qualidade por
escassez de meios humanos e materiais e por falta
de tradição e sensibilidade.
Falta de coordenação das actividades no domínio das
obras públicas entre as diferentes instituições do
Estado.
Deficiente preparação, avaliação e selecção dos projectos de investimento público, o que tem levado a
uma concentração exagerada em certas obras de
interesse económico ou social discutível.
Fraca capacidade nacional de execução, traduzida no
fraco desenvolvimento qualificado dos empreiteiros
nacionais e deficiente desenvolvimento do sector
produtivo nacional.
Face a este quadro, a estratégia a ser implementada no
triénio 1998/2000 tem dois eixos determinantes: reconversão, reesinuturação e desenvolvimento acentuado do sector
dos materiais de construção, com o intuito de reduzir drasticamente as importações, aumentar o emprego e os rendimentos € valorizar os recursos naturais do País e as
empresas nacionais existentes; assentar as principais opções
quanto à reabilitação das infraestruturas em domínios de
claras sinergias com os sectores produtivos é sociais,
destacando-se neste contexto a rede básica de infraestruturas
de transportes e de saneamento básico, às infraestruturas de
apoio ào meio rural é os equipamentos sociais (escolas,
hospitais, etc.). Como opções complementares e dependentes dos recursos financeiros a disponibilizar ou à
mobilizar através da comunidade internacional, a protecção
contra às erosões e construção de infraestruturas de combate
seca. À montante, terá de ser criada uma capacidade
mstitucional e técnica de licenciamento, regulamentação e
fiscalização que assegure que os dinheiros públicos tenham
as melhores aplicações possíveis.
Em conjunto com diferentes Ministérios utilizadores e
fornecedores de infraestruturas, será elaborado no decurso
de 1998 um Programa Consistente e Integrado de Reconstrução, Reabilitação e Modernização das Infraestruturas
Físicas, sob a coordenação do Ministério do Planeamento.
Relativamente às metas à atingir durante o período de
execução deste programa de médio prazo os valores são os
seguintes:
(a) Materiais de Construção.
As metas propostas são as seguintes:
1998 1999 2000
cimento (mil ton.) 370 460 800
cerâmica (mil uni.) 142 481 1006
chapas de fibroci. (mil m2) 980 980 1000
vigotas (met, lineares). 292000 12000 30600
carpintaria (m2) 92618 2032840 000
f(b) Estradas e Pontes.
Neste domínio o Ministério das Obras Búblicas procurará recuperar durante os próximos 3 anos & 646 Km de
estradas dos grandes eixos da rede fundamental e 3 700 m de
pontes e a reconversão de três jangadas em pontes definitivas,
(c) Sectores Sociais.
Nos sectores sociais as principais obras de reconstrução
€ construção serão as seguintes:
Implementação de um programa nacional de construção
e apetrechamento de 400 salas de aulas para atender
cerça de 32 000 alunos.
Reconstrução de três institutos médios e de alguns cen-
tros de formação profissional,
Recuperação dos hospitais provinciais, priorizando-se os
mais atingidos pelas acções de guerra.
Construção de vários centros de saúde em todo o terri-
tório nacional.
Em termos institucionais prevê-se;
À efectivação do fundo rodoviário, para permitir à recolha de fundos suficientes para assegurar à manutenção e conservação de estradas e pontes.
À criação de brigadas para a manutenção da rede fundamental de estradas e respectivas pontes.
A responsabilização da manutenção das redes viárias
Turais e urbanas às comunidades locais é municipalidades.
À actualização do cadastro das unidades industriais a
redimensiotar e acelaração do respectivo processo
de privatizações,
À elaboração de legislação urbanística de suporte aos
projectos a implementar.
Q apetrechamento do Laboratório de Engenharia de
Angola de condições para exercer as suas funções de
apoio ao sector da construção civil.
O Ministério pretende ainda promover a aplicação dum
programa de construção de casas económicas e apartamentos.
8 1.7. Pescas;
O sector regista uma diminuição das capturas que, como
resultados das investigações realizadas, apontam para um
decréscimo da biomassa total, provaveimente devido à uma
excessiva actividade de pesca, situação que a partir de 1993
começou a dar mostras de recuperação.
À estratégia delineada visa assim garantir a sustentabilidade biológica dos recursos marinhos e aumentar a oferta
de produtos de pesca às populações.
O desenvolvimento e crescimento do sector será essencialmente assegurado por agentes privados, dirigidos para as
áreas de produção, transformação e comercialização dos produtos, cabendo ao Estado a função de gestão dos recursos, de
promoção do desenvolvimento e de criação de infraestruturas é formação.
Às acções a desenvolver pelo sector no período 1998-
-2000 consubstanciam-se no seguinte:
desenvolver mecanismos para gertr racionalmente os
recursos marinhos dentro dos limites de sustentabilidade biológica;
melhorar o abastecimento de produtos de pesca à
população;
assêgurar o estabelecimento de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento do sector;
dj fortalecer o sistema de licenciamento, monitorização,
controlo e fiscalização da actividade pesqueira;
&) criar um sisterna de base de dados de gestão de infor-
Thação de apoio à actividade do sector;
promover à criação de centros de apoio e a implementação de acções para o desenvolvimento da pesca
artesanal;
£) melhorar as condições de vida das comunidades piscatórias;
formar quadros especializados para o reforço do sector.
81,8. Sector do Café:
A promoção da política cafeícola do País tem como
objecto principal acompanhar e controlar as actividades
retacionadas com a produção, comercialização interna, benefício, processamento, rebenefício e exportação, assim como
pugnar por uma política internacional no domínio do café,
que seja mais consentânea com os interesses do País.
À situação actual caracteriza-se pelo paupérrimo estado
das plantações, fábricas, terreiros, residências e outros, como
resultado do abandono destes durante vários anos, que
desincentivam os produtores de café, Assim, durante o
período 1998-2000 o sector propõe realizar os seguintes
objectivos:
Aumentar a capacidade produtiva.
Aumentar as receitas em divisas para o País,
Aumentar 6 nível de emprego e inserção social dos
deslocados, desmobitizados e jovens recém-formados.
Proteger o meio ambiente.
2. Sectores fundamentais para à agenda social.
2.1. Educação:
O maior peso da população jovem e a concentração
urbana da população repercutiv-se no sector educativo, alargando a base potencial de procura social de educação e
agudizando os desequilíbrios entre a precura e a oferta
educativas, particularmente nos principais centros urbanos.
O relatório de desenvolvimento humano publicado muito
recentemente aponta para cerca de 22% as crianças que em
idade escolar no meio urbano estão fora da escola contra
144% no meio rural. Os dados do Ministério da Educação
stimam que em 1996 dum universo de 2 811 000 crianças
em idade escolar, apenas 30% entraram para o Ensino de
Base Regular (I Nível). Para os II e HI Níveis são estimadas
taxas de escolaridade de 6,5% e 3,5% respectivamente o que
reflecte uma pirâmide educacional desajustada, com uma
incidência na ordem dos 80% de alunos que permanecem
demasiado tempo (média 9 anos) no 1 Nível.
Estes indicadores traduzem naturatmente os esforços
desenvolvidos na reabilitação e construção de escolas que
aliados à redução dos tempos lectivos, 4 turnos diários ao
invés de 3, contribuiram para o aumento da oferta educativa
por um lado, mas por outro provocaram uma diminuição na
qualidade,
À repartição dos alunos por sexo evidencia um grande
desiquilíbrio entre as meninas e os rapazes matriculados
sendo o rácio de sexo estimado em 111 rapazes para
160 meninas. Esta situação agrava-se à medida que os
efectivos escolares evoluem no sistema de educação,
“minuindo e número de meninas, fenómeno que se atribui
eraimente a questões de ordem cultural, económica e social.
O insucesso escolar medido pelo somatótio das taxas de
reprovação e abandono são extremamente elevadas atingindo cifras na ordem dos 50% para o E e 11 Níveis e 42%
para o II] Nível do Ensino Regular. Em relação às taxas de
abandono, as estatísticas apresentadas no relatório acima
referido apontam para 12,5% as crianças que abandonam a
escola no meio urbano e 25% no meio rural. Esta situação é
naturalmente extensiva ao Ensino Médio e Pré-Universitário.
Concorrem para este quadro de insucesso escolar e bloqueio da expansão e desenvolvimento do sistema de educação entre outros, os seguintes;
Más condições de aprendizagem,
Insuficiências de materiais didácticos.
Programas dernasiado exigentes.
Fraca qualidade duma grande parte dos professores,
Desmotivação do corpo docente devido aos escassos
rendimentos percebidos.
Dificuldades de ordem social dos pais.
Insuficiência e.degradação das escolas.
1998 283
À taxa de analfabetismo, extremamente elevada, está
cifrada em ceica de 55%, desta, a maior incidência vai para
às mulheres com 75% contra 24% dos homens.
Considerando os aspectos caracterizadores da situação do
sector educativo, com vista a colmatá-los, o Ministério da
Educação implementará no triénio 1998/2000 medidas e
acções equacionadas em três vertentes fundamentais, nomeadamente da reforma educativa, da reforma institucional e da
recuperação e reabilitação das infraestruturas escolares e
assistenciais com particular destaque para os circuitos de
distribuição dos equipamentos e materiais escolares.
Mais especificamente, visar-se-á no horizonte do Plano
de Médio Prazo (1958-2000) implementar às seguintes
acções:
Formar 10 320 professores para os três Níveis do Ensino Básico, aumentando a percentagem dos professores com habilitações próprias e reciclando e seminariando outros.
Iniciar o processo de reordenamento e extensão da rede
Escolar do Ensino Geral, primário e secundário; de
Escolas Técnicas e Profissionais (correspondente ao
UI Nível), às províncias mais carentes de Escolas de
Ensina Médio-Profissional.
Formar pelo menos 20 quadros para a elaboração de ma-
nuais e materiais didácticos.
Com a implementação destas acções propõe-se alcançar
os seguintes objectivos;
Alargar o acesso e elevar o nível de escolarização da
população em idade escolar, elevando à taxa no grupo
etário dos 6-14 anos de 30% nara 60% no final do
século,
Eievar o nível educativo da população adulta (mais de
15 anos) e particularmente das meninas e mulheres,
Melhorar a qualidade do rendimento do Ensino de Base
aumentando à pertinência social dos conteúdos e
reduzindo o insucesso escolar.
Reformular o quadro institucional e técnico regulador do
ensino e incentivador de iniciativas não estatais de
criação em gestão de Unidades de Ensino e Formação.
Descentratizar, desconcentrar e modernizar à admínistração da educação,
Neste sentido à educação e após a aprovação da Lei de
Base do Sistema Educativo e sua regulação deverá adoptar a
seguinte estratégia:
Regulamentar às carreiras docentes.
Regulamentar a organização e gestão dos estabelecimen-
tos de Ensino e Formação.
Definir as novas tipologias de escolas e critérios de
planeamento da rede escolar.
Regulamentar vs incentivos das iniciativas descentralizadas públicas ou privadas de criação e gestão de
Unidades Educativas.
Promover à participação comurnitária na reconstrução!
reabilitação de escolas.
Regulamentar os custos do ensino e da formação a
suportar pelos alunos e formandos.
2.2. Saúde:
O Sector da Saúde de Angola vive uma situação extrentamente difícil, caracterizada essencialmente pelos seguintes
aspectos:
Insegurança generalizada da população relativamente às
atenções médicas que podem beneficiar em situação
de necessidades.
Cobertura sanitária insuficiente do País.
Recurso desmesurado às medivinas paralelas pela fatência generalizada do Serviço Nacional de Saúde.
Disponibilização insuficiente dos recursos humanos de
qualidade necessárias ao bom funcionamento dos
Serviços de Saúde,
Desmotivação generalizada dos quadros da Saúde, perante
os baixos salários e as difíceis condições de trabalho.
Elevada taxa de desvios de medicamentos e outros meios
hospitalares das unidades sanitárias estatais.
Generalização das cobranças ilegais nos hospitais pelos
serviços prestados à população.
Falta de rigor na gestão das unidades sanitárias.
Existência de milhares de quadros da Saúde que se encontravam (e se-encontram) nas áreas sob controlo
da UNITA, por reincorporar no Serviço Nacional de
Saúde.
Pressão crescente da população sobre a comercializada e
burocratizada Junta Nacional de Saúde, constituindo-se numa fonte de fuga de capitais para & exterior.
Existência de indicadores sanitários nacionais bastante
pejorativos:
Taxa de mortalidade infantil] de cerca de 1906/1000,
Taxa de mortalidadê materna da ordem de 1500/1096 000
Esperança de vída ao nascer de cerca de 45 anos de idade.
Para o período de 1998-2000, o Governo entende atingir
no sector da Saúde os seguintes objectivos:
Melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados à
população angolana.
Aumentar a equidade na prestação de serviços de saúde,
pela redução das assimetrias existentes entre às províncias, as regiões e os grupos sociais da população.
Melhorar o controlo da situação epidemiológica do País.
Melhorar a qualidade do pessoal de saúde.
Rentabilizar a presença dos diversos parceiros internacCionais.
Para conseguir os objectivos anteriormente apresentados,
o Governo Angolano deverá empregar as seguintes estratégias:
Promover de um programa sustentado de reformas do
sector da saúde.
Fortnutar uma política nacional de saúde.
Elaborar e implementar o Plano Director do Desenvolvimento Sanitário.
Priorizas à prestação dos cuidados primários de saúde,
Aumentar o envolvimento da comunidade na planificação, gestão e avaliação dos programas de saúde.
Adequação € regulamentação da legislação sanitária.
Reforço da integração dos subsistemas de saúde no Sistema Nacional de Saúde.
Priorizar à construção e a reabilitação das pequenas
unidades sanitárias (Hospitais Municipais, Centros
de Saúde e Postos de Saúde).
Melhorar a gestão das unidades sanitárias.
Adequar a estrutura orgânica do Ministério da Saúde.
Revitalizar os órgãos inter-sectoriais do Estado na coordenação de acções de desenvolvimento sanitário
(Comissão Nacional de Saúde, Comissões Provinciais de Saúde e Comissões Municipais de Saúde),
Reforçar da coordenação da intervenção dos parceiros da
comunidade internacional.
Descentralizar os serviços de saúde, implicando o reforço da autoridade e da responsabilidade dos Delegados
Provinciais de Saúde.
Reforçar o Programa Nacional de Vacinações.
Aumentar a produção nacional de medicamentos essenciais.
Reforçar os Sistemas Municipais de Saúde.
Reformuiar os currículos de formação do pessoal técnico
da saúde.
Entre outras, é de realçar a execução das seguintes acções:
Recenseamento do pessoal da saúde.
Levantamento das unidades sanitárias existentes em cada
província, classificando-as de acordo com o seu grau
de conservação física.
Reforço das acções de combate à tripanosomfíase, tuberculose, lepra, DTS/SIDA e matária.
Definição e aplicação de um pacote mínimo de saúde ao
nível municipal,
Reforço do sistema de informação e de comunicação
sanitárias.
Reforço das acções de inspecção sanitária,
2.3. Assistência e Reinserção Social:
O quadro social do País apresenta-se grave com Índices
de pobreza alarmantes, onde mais de 100 000 crianças estão
separadas dos seus familiares e destes cerca de 50 600 são
órfãs e abandonadas, vivendo em instituições de infância,
centros de acolhimento, na rua, PIC's, ou na própria
comunidade com pessoas que as ampararam,
À acrescer a este número há à considerar cerca de
3,5 milhões de cidadãos que pelos os efeitos devastadores da
guerra se deslocaram das suas áreas de origem e tornaram-se
exclusivamente dependentes da Ajuda Humanitária, Apesar
dos esforços no domínio do retorno dos mesmos às suas
áreas de origem, os atrasos verificados na implementação do
processo de paz aliados à insipiente segurança que se vem
