Preâmbulo
Considerando que o País regista uma carência de quadros formados para fazer face aos desafios da procura turística e às necessidades e tendências do mercado global de modo a garantir a qualidade dos serviços prestados no Sector: Havendo a necessidade de se implementar medidas que visam a promoção da formação e capacitação profissionais na área da hospitalidade, alojamento, restauração e outros serviços para o acolhimento de turistas, compreendendo a importância da hospitalidade na construção da imagem de Angola como destino turístico de referência:
O Presidente da República decreta, nos termos da alínea d) do artigo 120.º e do n.º 1 do artigo 125.º, ambos da Constituição da República de Angola, o seguinte:
Artigo 1.º#
Aprovação
São aprovadas as Medidas para a Formação e Capacitação do Sector do Turismo - «Capacita Turismo 2025 - 2027», anexo ao presente Decreto Presidencial, de que é parte integrante.
Artigo 2.º#
Revogação
É revogada toda a legislação que contrarie o disposto no presente Decreto Presidencial.
Artigo 3.º#
Dúvidas e Omissões
As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e aplicação do presente Decreto Presencial são resolvidas pelo Presidente da República.
Artigo 4.º#
Entrada em Vigor
O presente Diploma entra em vigor na data da sua publicação. Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda, aos 30 de Julho de 2025.
Publique-se. Luanda, aos 29 de Setembro de 2025.
O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO.
AGT Administração Geral Tributária
ACH 22 - 35 Angola Capital Humano
MINTUR Ministério do Turismo
MINHOTUR Ministério da Hotelaria e Turismo (extinto)
MINCULTUR Ministério da Cultura e Turismo (extinto)
PDN 2023 - 2027 Plano de Desenvolvimento Nacional 2023 - 2027
PLANATUR Plano Nacional de Fomento ao Turismo
TAAG Linhas Aéreas de Angola
SGA Sociedade Gestora de Aeroportos
SME Serviços de Migração e Estrangeiros
GATFE Gabinete de Apoio ao Turista, Formação e Empreendedorismo
INEFOP Instituto Nacional de Emprego e formação Profissional
A formação de quadros é um instrumento de aumento da competitividade, por isso desempenha um papel preponderante no processo de desenvolvimento económico de uma sociedade, o sector do turismo em Angola carece de quadros capacitados para fazer face aos desafios do aumento da procura turística. As presentes medidas estão alinhadas com o Plano de Desenvolvimento Nacional - PDN 2023 - 2027, o Plano Nacional de Fomento ao Turismo - PLANATUR 2023 - 2027, a Estratégia de Desenvolvimento de Longo Prazo «Angola 2050» e o Plano de Desenvolvimento do Capital Humano de Angola 2022 - 2035 ACH 22-35.
Promover a formação preparando os profissionais do turismo aos actuais desafios, necessidades e tendências do mercado global, permitindo ao turista usufruir de forma mais plena de uma determinada experiência turística, e conceder aos empreendimentos turísticos e aos destinos um maior sucesso e vitalidade.
É nesse contexto que são elaboradas as Medidas para a Formação e Capacitação no Sector do Turismo - CAPACITA TURISMO, tendo em conta o seu importante papel a nível da qualidade dos serviços prestados nos empreendimentos turísticos e da imagem dos destinos.
A. Principais indicadores do Sector do Turismo
De 2016 a 2022 a contribuição do turismo para o PIB em Angola passou de 1.3% em 2016 para 0.01% em 2022(1). Porém é de destacar que o decréscimo registado no período em causa resulta em grande medida dos efeitos da pandemia COVID 19, e cujos impactos e fizeram sentir em todos os sectores da economia.
Nas próximas tabelas e gráficos apresentam-se os principais indicadores que caracterizam o Turismo entre 2016 a 2018, e 2023 e que se constituem como referencial de diagnóstico do sector.
Tabela 1 - Fluxo de turistas e receitas - 2016-2023
dados a Out 2023
Fonte: PLANATUR1
De acordo com a informação constante no Decreto Presidencial n.º 69/24, de 11 de Março, que aprova o PLANATUR.
Tabela 2 - Viajantes dos 10 Países que mais contribuíram para as entradas - de 2018 a 2023
dados a Out 2023
Fonte: PLANATUR
Gráfico 1 - Distribuição relativa das entradas por País de origem de 2018 a 2023 (%)
Fonte: PLANATUR
Tabela 3 - Entradas em Angola segundo o motivo de viagem - de 2018 a 2023*
dados a Out 2023
Fonte: PLANATUR a partir de dados fornecidos pelo MINTUR
Gráfico 2 - Distribuição relativa das entradas por motivo de viagem de 2018 a 2023 (%)
Fonte: PLANATUR
B. Síntese Diagnóstico do ensino técnico-profissional no Turismo
Neste contexto é importante destacar os principais momentos da evolução do ensino técnico-profissional no Turismo.
Em 1978, foram criadas as primeiras escolas de Hotelaria e Turismo, no âmbito de um contrato de assistência técnica celebrado entre o então Ministério do Comércio Interno de Angola e o antigo Instituto Nacional de Formação Turística de Portugal, que permitiu a Formação Técnica em Angola, foi celebrado também com o Ministério do Turismo do Reino de Marrocos protocolo de formação, acordos que permitiram o envio de bolseiros angolanos à Portugal e Marrocos, para a formação de quadros nos diferentes níveis.
As escolas criadas em Angola eram de âmbito regional situavam-se nas províncias de Luanda, Huambo, Cabinda e Huíla, tendo sido formados nessas escolas até o ano de 1994, altura de seu encerramento, cerca de 4.054 técnicos.
Posteriormente, o extinto Ministério da Hotelaria e Turismo - MINHOTUR, passou a contar apenas com o Centro de formação de Cabinda que deixou de ter condições necessárias que permitiam fazer as formações de forma adequada (por falta de obras de melhoria e apetrechamento).
A formação surgiu através de iniciativas público-privadas de escolas de formação técnica, nomeadamente as empresas GESTHEMOD e CEFHOTEL, onde foram formados cerca de 3.456 profissionais perfazendo um total de 7.510.
Entre 2005 a 2011, o extinto MINHOTUR criou «brigadas itinerantes» que capacitou ao longo do País vários profissionais nas áreas de restaurante/bar, cozinha/pastelaria, recepção/andares e gestão de unidades, num total de 4.445 formandos.
No período compreendido entre 2008 a 2011 o extinto MINHOTUR, tendo em conta os desafios do sector e a necessidade de mais quadros qualificados, lançou um concurso público para construção de 6 hotéis escolas nas Províncias de: Luanda, Huíla, Benguela, Huambo, Moxico e Uíge. Foram elaborados projectos, mas nenhum foi construído.
O extinto Ministério da Cultura e Turismo - MINCULTUR, tendo a formação como um mecanismo para o aumento dos níveis de satisfação dos turistas, propôs a conversão em hotel escola as duas unidades hoteleiras sob sua gestão, uma localizada em Cabinda e outra localizada em Luanda, denominados hotéis INFOTUR.
A síntese de diagnóstico e o percurso efectuado no domínio da formação no Sector do Turismo demonstram o trabalho desenvolvido ao longo dos tempos e as condições que foram sendo criadas para o efeito. Efectivamente, o incremento de competências neste domínio constitui-se um pilar fundamental em alinhamento com o desenvolvimento do sector, cujo potencial assume cada vez mais relevância económica e social. Neste contexto, a definição de uma estratégia focada no desenvolvimento do Capital Humano do ecossistema do Turismo é prioritária.
A. Metas de médio e longo prazo
A tabela seguinte apresenta as metas definidas no âmbito do PDN 2023 - 2027
Tabela 4 - Metas para o Sector do Turismo
ano de referência
Fonte: PDN 2023-2027
Os desafios actuais do sector têm impacto directo no domínio da formação técnico profissional e da qualidade dos serviços prestados no Sector do Turismo em prol da satisfação dos turistas e visitantes, evidenciando a necessidade de implementar uma estratégia vocacionada na qualificação do Capital Humano.
O CAPACITA TURISMO constitui-se um instrumento com um forte carácter operacional e integra o conjunto de instrumentos de política fundamentais para o desenvolvimento do Sector do Turismo.
Figura 1 - Instrumentos fundamentais de política para o Sector do Turismo
B. Visão
O Capacita Turismo, contempla uma visão pluridisciplinar e global da actividade turística, o conhecimento das diferentes formas e técnicas do turismo que irão facilitar um exercício profissional capaz de adaptar-se às exigências dos mercados e da inovação tecnológica. Conhecer as motivações dos turistas permitirá aos quadros do Sector do Turismo desenvolverem as suas competências técnicas de forma eficaz.
A estratégia visa formar e capacitar os quadros do Sector, munindo-os de conhecimentos técnicos que permitirá uma gestão eficiente baseada na responsabilidade e na qualidade da oferta turística.
C. Missão
O Capacita Turismo, tem como missão criar e disseminar conhecimento na área do turismo e dotar os profissionais com competências capazes de transformar o Sector do Turismo, combinando o ensino as actividades profissionais.
Apostar na qualidade passa pela acreditação dos cursos por entidades nacionais e internacionais de referência, na qualidade e metodologias de ensino e pelo reconhecimento dos formadores.
D. Objectivo Geral
O objectivo geral do CAPACITA TURISMO é o de proporcionar aos quadros um conhecimento global da actividade turística numa perspectiva pluridisciplinar integrada às diferentes áreas científicas que irão ser abordadas ao longo do período de vigência das medidas, e posterior.
E. Objectivos Específicos
O Capacita Turismo preconiza os seguintes objectivos específicos:
Figura 2 - Objectivos Específicos
F. Eixos Estratégicos
Para alcançar os objectivos e a visão do CAPACITA TURISMO definem-se 3 (três) eixos estratégicos:
Figura 3 - Eixos Estratégicos
As acções a desenvolver no âmbito do Capita Turismo são organizadas por Eixos Estratégicos.
As acções de formação técnico-profissional visam:
Capacitar os profissionais na área do acolhimento, alojamento e restauração, compreendendo a importância do acolhimento na construção da imagem dos destinos;
Capacitar os profissionais na área da comunicação com os turistas/visitantes, compreendendo a importância da animação turística no contexto da atractividade dos destinos;
a. FORMAÇÃO TÉCNICO PROFISSIONAL «hotéis-escolas do sector e escolas com parcerias com MINTUR»
Objectivos geral - Desenvolver acções para qualificação técnico-profissional no domínio do turismo e hotelaria de modo a garantir um elevado nível de competências, contribuindo para o aumento do fluxo turístico e projecção positiva da imagem de Angola como destino turístico de excelência.
Objectivos específicos
Estabelecer parcerias com as empresas nacionais e internacionais no âmbito da formação e sua certificação;
Capacitar e formar os profissionais do sector;
Apostar na qualidade da formação, bem como na acreditação de escolas angolanas internacionalmente;
Apostar na formação como mecanismo para aumentar os níveis de satisfação dos turistas no destino Angola;
b. ÂMBITO DA FORMAÇÃO E ABRANGÊNCIA TERRITORIAL
As formações terão abrangência nacional sendo que os cursos serão ministrados nos Hotéis- Escola de Cabinda e de Luanda, bem como nas escolas que estabelecerem parceria com o MINTUR. Todavia, algumas formações e acções de capacitação poderão ser realizadas no exterior do País a luz das parcerias estabelecidas ou a serem estabelecidas.
c. CURSOS DE FORMAÇÃO A SEREM MINISTRADOS NOS HOTÉIS-ESCOLA
O conhecimento das diferentes formas e técnicas do turismo irão facilitar um exercício profissional capaz de adaptar-se as exigências dos mercados e da inovação tecnológica, para capacitar os técnicos com habilidades e conhecimentos específicos relacionados, contendo as seguintes matrizes curriculares, em 7 cursos específicos, sem prejuízo a inclusão progressiva de mais cursos a fornecer como indicação:
d. FICHA TÉCNICA DA FORMAÇÃO
• Curso profissional de agências de viagens e transportes.
Carga horária total do curso: 530 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática, de planeamento, a promoção e a venda de produtos e serviços turísticos, de modo a garantir um serviço de qualidade e a satisfação dos clientes.
Matriz curricular
• Curso profissional de alojamento e recepção hoteleira.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática, nas áreas de alojamento e recepção hoteleira, assim como, uma nova abordagem de aprendizagem incorporando as melhores práticas e oportunidades internacionais e expectativas de mercado empresarial.
Matriz curricular
• Curso profissional de animação e organização de evento.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação pretende dotar os participantes dos conhecimentos, metodologias e práticas subjacentes ao planeamento, organização, avaliação e acompanhamento de diversos tipos de eventos e da prestação de serviços em animação turística e hoteleira.
• Curso profissional de cozinha/pastelaria.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática, nas áreas de cozinha e pastelaria, valorizando a profissão e a qualidade dos serviços prestados, respeitando as normas de higiene e segurança.
Matriz curricular
• Curso profissional de escanção/sommelier.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática na gestão, prova e serviço de vinhos e outras bebidas.
Matriz curricular
• Curso profissional de pastelaria e padaria.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática, nas áreas de pastelaria e padaria, valorizando a profissão e a qualidade dos serviços prestados, respeitando as normas de higiene e segurança.
Matriz curricular
• Curso profissional de restaurante/bar.
Carga horária total do curso: 510 horas.
Objectivos: Esta formação permite uma aquisição de conhecimentos e experiência prática, nas áreas de restaurante e bar, valorizando a profissão e a qualidade dos serviços prestados, respeitando as normas de higiene e segurança.
Matriz curricular
O modelo pedagógico a adoptar privilegia o tratamento da informação e a integração de saberes. Após a apresentação e discussão dos conteúdos teóricos de base, relacionados com as questões do turismo, recorrer-se-á a aulas teórico-práticas, visitas de estudo, estudo de casos específicos e trabalhos de campo, sempre que as especificidades dos conteúdos dos módulos o exijam.
As actividades de aprendizagem incluirão actividades de exploração individual que permitam aos quadros enriquecer os seus conhecimentos e desenvolver capacidades de análise e síntese.
Destinatários da Formação e Capacitação
Quadros do Órgão Central do Turismo;
Quadros dos Órgãos Provinciais;
Quadros das Administrações Municipais;
Comunidades Intermunicipais e Associações Municipais:
Entidades Regionais do Turismo;
Conselhos de Desenvolvimento Regional do Turismo;
Entes privados do sector do Turismo;
População em geral.
Certificação da formação
O MAPTSS/INEFOP em parceria com o MINTUR/GATFE serão as entidades competentes pelo reconhecimento dos cursos e acções de formação profissional nas áreas do turismo, bem como, pela certificação da aptidão profissional para o exercício das profissões turísticas. Sendo que, deverão ser criadas condições para sua certificação de acordo aos padrões internacionais.
É o instrumento de trabalho que deve ser utilizado para:
Definir e padronizar o conjunto de profissões inerentes ao exercício das actividades laborais nas empresas do Sector do Turismo;
Permitir a justa remuneração, para as respectivas profissões;
Propiciar um instrumento que permita uma gestão transparente e eficiente das solicitações de vistos de trabalho no Sector do Turismo.
O reconhecimento profissional consiste na atribuição de carteira profissional por uma entidade independente e supervisionada pelo MAPTSS/INEFOP e o MINTUR/GATFE, para o exercício da profissão ou actividade profissional no Sector do Turismo.
A Carteira Profissional no Turismo é um Certificado Profissional comprovativo e de reconhecimento de qualificações do profissional, que assegura que este cumpre com todos os requisitos necessários para prestar serviços no Sector do Turismo, a título temporário e ocasional, ou que o profissional reúne todas as condições para o efeito.
Deste modo, a Carteira Profissional do Turismo passará a ser obrigatória para quem pretenda exercer a actividade de Profissional de Turismo, e só poderá ser emitida por uma entidade independente vocacionada para o efeito. Sendo esta gerida através de um Sistema Nacional de Certificação e Acreditação Profissional no Turismo - SNCAPT.
Objectivo geral
Desenvolver acções para qualificação técnico-profissional no domínio do turismo e hotelaria aplicada aos estudantes que tenham terminado ou não sua formação nos diferentes níveis de ensino, quer na formação profissional, média ou superior, contribuindo para a elevação das competências técnicas do saber fazer e consolidar os conhecimentos teóricos e práticos.
Objectivos específicos
Dotar os estudantes de competências práticas e habilidades em contexto de trabalho;
Estimular a criatividade e a auto-confiança na consolidação dos conhecimentos teóricos adquiridos;
Criar uma cultura profissional voltada ao empreendedorismo.
Principais parceiros
Sob coordenação do Ministério do Turismo, esta acção contará com o apoio do Ministério das Finanças que garantirá as medidas de incentivos fiscais aos empreendimentos que aderirem ao projecto, tais como:
Empreendimentos turísticos;
Estabelecimentos de restauração e similares;
Agências de Viagens e Turismo;
Outros;
Os estágios profissionais serão feitos em empreendimentos turísticos previamente selecionados no âmbito do protocolo entre o Ministério do Turismo e o Ministério das Finanças, que compreende a redução de impostos na aceitação de estagiários nos referidos empreendimentos.
Abrangência territorial e público-alvo
A Bolsa de Estágios terá uma abrangência nacional e serão dirigidos para o seguinte público-alvo:
Grupo 1: Estudantes de escolas de Formação Profissional públicas e privadas, que tenham concluído a formação com mérito;
Grupo 2: Estudantes angolanos no exterior do País;
Profissionais do sector que queiram elevar os seus conhecimentos práticos.
Supervisão
A supervisão dos estagiários será exercida pelas respectivas escolas, que terão como responsabilidade fazer um acompanhamento contínuo dos estagiários e fornecer o devido reporte ao MINTUR quer em relação ao processo de seleção como na conclusão do estágio.
Ficha técnica do estágio
Perfil do estagiário
Competências Psicossociais:
Saber-estar em situação profissional no posto de trabalho, implicando nomeadamente:
• Assiduidade e pontualidade;
• Postura pessoal e profissional;
• Espírito de equipa.
Possuir capacidade de relacionamento com os outros, implicando nomeadamente:
• Estabilidade emocional e tolerância;
• Resistência à frustração e autocrítica;
• Capacidade de trabalhar num ambiente de pressão.
Acções do eixo 2 - capacitação dos principais entes públicos e privados intervenientes na cadeia de acolhimento
a. OBJECTIVO GERAL
O Desenvolver acções para qualificação técnico profissional no domínio do turismo e hotelaria aplicada aos agentes da cadeia de acolhimento aos visitantes de modo a garantir um elevado nível de competências, contribuindo para o aumento do fluxo turístico e projecção positiva da imagem de Angola como destino turístico de excelência.
b. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS
Formar os agentes intervenientes directos e indirectos da cadeia de acolhimento aos visitantes;
Formar formadores sobre a matéria de acolhimento aos visitantes;
Criar uma cultura profissional de «Bem Receber» envolvendo os agentes de acolhimento;
Aumentar os níveis de satisfação dos turistas no destino Angola.
c. PRINCIPAIS PARCEIROS
Sob coordenação do Ministério do Turismo, através do Gabinete de Apoio ao Turista, Formação e Empreendedorismo - GATFE, as acções de formação deverão contar com o apoio institucional dos seguintes organismos públicos e privados:
Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional - INEFOP (Parceiro estratégico);
Serviço de Migração e Estrangeiros - SME;
Administração Geral Tributária - AGT;
Polícia Nacional;
Companhia Aérea Nacional;
Gabinetes Provinciais da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos;
Sociedade Gestora de Aeroportos - SGA:
Empreendimentos Turísticos;
Agentes de Viagens e Turismo;
Responsáveis de Museus e Centros Interpretativo;
Empresas de Táxis Privados;
Universidades Públicas e Privadas;
Órgãos da Imprensa Pública.
d. ABRANGÊNCIA TERRITORIAL E PÚBLICO-ALVO
A formação terá abrangência nacional e será realizado em províncias previamente determinadas e será dirigida para o seguinte público-alvo:
Grupo 1: Profissionais do Front line ou linha de frente, relacionado com todas as actividades de contacto primário com os visitantes, ou seja, todos os profissionais que estão directamente ligados a cadeia de acolhimento, nomeadamente: Técnicos do SME, AGT, Policia Nacional, TAAG e SGA;
Grupo 2: Profissionais relacionado com todas as actividades de alto contacto secundário com os visitantes, nomeadamente: taxistas, guias de turismo, técnicos dos museus, agentes de viagens e turismo e profissionais dos empreendimentos turísticos.
e. TIPO DE FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO
A formação a ser ministrada será sobre «Boas Práticas de Acolhimento aos Visitantes».
Ficha técnica de capacitação.
f. PERFIL DO FORMADOR
• Competências Psicossociais:
Saber-estar em situação profissional no posto de trabalho, implicando nomeadamente:
o Assiduidade e pontualidade;
o Postura pessoal e profissional;
o Espírito de equipa.
Possuir capacidade de relacionamento com os outros e consigo próprio, implicando nomeadamente:
o Estabilidade emocional e tolerância;
o Resistência à frustração e autocrítica.
• Competências Técnicas
Ter formação de agregação pedagógica reconhecida pelo INEFOP;
Ser capaz de compreender e integrar-se no contexto técnico em que exerce a sua actividade;
Ser capaz de adaptar-se a diferentes contextos organizacionais e a diferentes grupos de formandos;
Ser capaz de planificar e preparar as sessões de formação;
Ser capaz de conduzir ou mediar o processo de aprendizagem no grupo de formação.
Formação itinerante (aquelas que podem ser ministradas fora das escolas).
A formação em brigadas itinerantes visa atender à necessidade de qualificação contínua, proporcionando aos profissionais uma formação dinâmica e adaptada às exigências do mercado.
a. CURSOS:
Na Área de Hospitalidade e Acolhimento (dirigido aos entes públicos);
Cursos de Guias de Turismo (capacitação dirigida a jovens conhecedores do potencial turístico local que queiram abraçar a profissão);
Outros conforme as condições específicas dos empreendimentos turísticos ou dos destinos.
Carga horária total do curso: 24 Horas (8 horas por dia).
Objectivos gerais: Capacitar os profissionais do sector, melhorando a qualidade dos serviços prestados, promovendo o desenvolvimento sustentável das empresas do sector.
b. RESULTADOS ESPERADOS
Melhorar a qualidade dos serviços prestados promovendo o desenvolvimento sustentável das empresas do sector;
Impulsionar o crescimento, promover o emprego e a modernização do sector do turismo;
Criar um sistema integrado de formação em turismo;
Criar um sistema de educação-formação para empreendedores.
Fonte:
O Capacita Turismo é um plano trienal que irá mobilizar investimentos públicos e privados, estando prevista, ao longo dos 3 anos (2025-2027), uma disponibilização financeira do Estado que ronda os Kz: 12 543 494 400,00 (doze mil, quinhentos e quarenta e três milhões, quatrocentos e noventa e quatro mil e quatrocentos kwanzas) dos quais Kz:
10 839 850 400,00 (dez mil, oitocentos e trinta e nove milhões, oitocentos e cinquenta mil, e quatrocentos kwanzas) dizem respeito às acções de capacitação e formação, Kz 1 703 644 000,00 (mil setecentos e três milhões, seiscentos e quarenta e quatro mil kwanzas) para acções de sensibilização «em acolhimento», Produção e distribuição de material informativo (vídeos, panfletos, brochuras, cartilhas e outros).
A estrutura de governança do CAPACITA TURISMO, está estruturada em 3 (três) níveis:
A nível estratégico o CAPACITA TURISMO é coordenado pelo Titular do Departamento Ministerial responsável pelo Sector do Turismo e fica sujeito ao acompanhamento regular da Equipa Económica da Comissão Económica do Conselho de Ministros.
A nível de coordenação executiva é levada a cabo pelo Gabinete de Apoio ao Turista, Formação e Empreendedorismo - GATFE, em parceria com o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional - INEFOP, alinhada às políticas públicas relacionadas à formação técnico-profissional ACH 22 - 35, PDN 2023 - 2027 e PLANATUR 2023 - 2027.
A nível de execução é envolvido os Gabinetes Provinciais do Turismo, o sector privado por intermédio das escolas privadas mediante protocolo de parcerias e os hotéis-escola do sector que se encontram em fase de conversão.
O sector público actuará como promotor que fomentará a actividade formativa no sector privado na vertente da formação técnico-profissional, garantindo um ambiente propício, através de políticas do turismo previsíveis e estáveis e marcos regulatórios e legislativos baseados em regras e deverá garantir:
Direcionamento das acções de formação e capacitação, reconhecendo as necessidades e ambições dos diferentes actores do Sector Turístico no País;
Subsidiariedade, permitindo que os órgãos da Administração Local do Estado liderem as acções de formação e capacitação a nível local e prestação de serviços de linha de frente, complementando e apoiando os planos de formação e capacitação;
O investimento é impulsionado pelo Executivo angolano, alinhadas às políticas do sector ACH 22-35, PDN 2023-2027 e PLANATUR 2023-2027 e, reconhecendo o papel central que o sector privado desempenha na transformação do Turismo, desde pequenos segmentos turísticos aos grandes segmentos turísticos.
Plano de execução
O CAPACITA TURISMO foi definido de forma a ajustar-se às constantes alterações da realidade, prevendo em fases posteriores a sua implementação, a necessária conformação à demanda, num mundo onde a temática da formação, se consubstancia dinâmica, desafiadora e actuante.
O CAPACITA TURISMO prevê ainda, em fases posteriores a implementação da Plataforma Digital denominada «E-Capacita Turismo», um instrumento que tem como finalidade fornecer Cursos online, biblioteca virtual, vídeos formativos, rede de formadores, ferramenta para diagnóstico de competências e monitoramento do progresso dos profissionais do Sector Turístico, entre outras funcionalidades do ecossistema do e-learning em matéria turística.
O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO.
Para descarregar o PDF do diploma oficial clique [aqui](https://files.lex.ao//2025/decreto-presidencial-n-o-187-25-de-13-de-outubro/download/decreto-presidencial-n-o-187-25-de-13-de-outubro__lex-ao.pdf).
