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Decreto Presidencial n.º 59/25

Aprova as Medidas Imediatas para a Operacionalização e Dinamização da Aquicultura no período de 2025-2027

Instituição
Presidente da República
Publicação
Diário da República n.º 42, I Série
Data
06/03/2025
Área
Comercial e Societário
Vigência
Em vigor
Fonte
Publicação oficial verificada
Artigos
0
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Em vigor: nenhum diploma da base o revoga.

Última conferência registada

21/10/2026 · Diário da República n.º 42, I Série

Efeitos registados: início por confirmar.

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Índice

  1. Texto integral

Texto integral

Abreviaturas, Acrónimos e Siglas

AFAP - Projecto de Apoio à Pesca Artesanal e Aquicultura

ANAQUI - Associação Nacional dos Aquicultores

BAD - Banco Africano de Desenvolvimento

CDL - Centro de Distribuição e Logística

ELP Angola 2050 - Estratégia de Longo Prazo Angola 2050

FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura

FIDA - Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

MINDCOM - Ministério da Indústria e Comércio

MINJUSDH - Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos

MINFIN - Ministério das Finanças

MINPERMAR - Ministério das Pescas e Recursos Marinhos

MINPLAN - Ministério do Planeamento

MIODA - Medidas Imediatas para Operacionalização e Dinamização da Aquicultura

ONG - Organização Não Governamental

PDN 2023-2027 - Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027

PDS Pescas - Plano de Desenvolvimento Sectorial das Pescas 2023-2027

PLANAPESCAS - Plano Nacional de Pescas

PPP - Parceria Público-Privada

1.

INTRODUÇÃO

1.

O Sector das Pescas desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das zonas costeiras e fluviais, especificamente no garante da segurança alimentar, na geração de emprego, no aumento de rendimentos das populações e, consequentemente, na redução da pobreza.

2.

Angola reúne condições naturais necessárias para que o Sector das Pescas e Recursos Aquáticos contribua significativamente para a estratégia de diversificação da economia angolana em curso. O País apresenta um grande potencial natural, um conjunto de vantagens competitivas por explorar no Sector das Pescas e Recursos Aquáticos; disponibilidade de solos, orografia e temperaturas propícias, uma zona costeira com alta produtividade biológica, espécies nativas, assim como uma das maiores redes hidrográficas de África.

3.

A potencialização da produção de ração, o aumento da produção de alevinos por meio de parcerias público-privadas, a estruturação de Centros de Distribuição e Logística (CDL’s) e a criação de Aquagrovilas afiguram-se aqui como medidas imediatas para a dinamização do Subsector da Aquicultura, visando garantir a constante disponibilidade de insumos essenciais para a produção aquícola no mercado nacional. A médio e longo prazos, o foco está na redução da dependência de importações, através da produção local desses insumos e equipamentos, além da formalização dos aquicultores informais, proporcionando uma base sólida para o crescimento contínuo do Sector.

4.

Com enfoque na expansão da capacidade produtiva, melhoria das infra-estruturas, capacitação dos produtores e formalização dos aquicultores informais, as medidas propostas buscam superar desafios estruturais e maximizar as oportunidades de desenvolvimento. A implementação das acções previstas neste instrumento fortalecerá a base produtiva nacional, promoverá práticas sustentáveis e integrará comunidades rurais à cadeia produtiva, criando um Sector Aquícola robusto, competitivo e economicamente sustentável.

5.

Para além da Introdução, as Medidas Imediatas para a Operacionalização e Dinamização da Aquicultura (MIODA) apresenta uma estrutura que comporta 7 (sete) Capítulos, designadamente:

Capítulo 2 - Enquadramento, que apresenta a articulação do MIODA com os principais instrumentos de planeamento, de domínio nacional e sectorial;

Capítulo 3 - Diagnóstico síntese do Subsector Aquícola, que descreve a caracterização do Subsector da Aquicultura, identificando as Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças e definindo a Linha Base do MIODA;

Capítulo 4 - Objectivos, onde se apresentam os Objectivos (gerais e específicos) que se pretendem alcançar com a implementação do MIODA;

Capítulo 5 - que apresenta as Medidas Imediatas de Curto e Médio Prazos para a Dinamização do Subsector da Aquicultura, respectivas acções e metas a alcançar;

Capítulo 6 - Recursos Financeiros, que apresenta o orçamento previsional para a implementação do MIODA;

Capítulo 7 - onde se identificam os Factores Críticos de Sucesso para a implementação do MIODA;

Capítulo 8 - o qual apresenta o Roteiro Metodológico de implementação do MIODA e respectivas acções distribuídas ao longo do período de implementação.

2.

ENQUADRAMENTO

6.

O MIODA constitui um instrumento de dinamização do Subsector da Aquicultura para o período 2025-2027, com metas e acções específicas devidamente fundamentadas e programadas, alinhadas com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, através do Programa de Exploração Sustentável dos Recursos Aquáticos Vivos e do Sal e Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura, enquanto instrumento que operacionaliza a Estratégia de Longo Prazo (ELP) 2050, onde se perspectiva «tornar o Sector das Pescas sustentável e alavancado no desenvolvimento da aquicultura».

7.

No domínio sectorial, esta medida encontra enquadramento com o Plano Nacional de Pescas (PLANAPESCAS), aprovado ao abrigo do Despacho Presidencial n.º 276/22, de 5 de Dezembro, orientado para os propósitos que se seguem: (i) fomentar, preferencialmente, a actividade pesqueira empresarial, (ii) aumentar a produção e transformação do pescado e do sal e (iii) contribuir para o desenvolvimento do comércio e o aumento das receitas fiscais.

3.

DIAGNÓSTICO SÍNTESE DO SUBSECTOR AQUÍCOLA

8.

Para entender os desafios e oportunidades do Subsector Aquícola em Angola, foi realizado um diagnóstico abrangente que identificou as condições actuais da produção, das infra-estruturas e da cadeia de suprimentos.

9.

Este diagnóstico inicial do Subsector da Aquicultura em Angola revela um cenário de grande potencial, mas com desafios significativos que precisam ser enfrentados para garantir o desenvolvimento sustentável e a competitividade do subsector.

10.

As infra-estruturas de suporte, como rede viária e fornecimento de energia, Centros de Distribuição e Logística (CDL’s), Unidades de Processamento e Centros de Capacitação, são insuficientes e, em alguns casos, inexistentes, dificultando o acesso a mercados e a eficiência das operações produtivas.

11.

Além disso, o País não dispõe de um mercado interno estruturado para fornecer equipamentos, estruturas, peças sobressalentes, sais e minerais, vacinas e medicamentos, sistemas de monitoramento e controle da qualidade da água, redes e outros insumos necessários para a prática aquícola. Isso obriga os produtores a enfrentarem complexos e demorados processos de importação sempre que precisam substituir equipamentos avariados, expandir operações ou iniciar novas actividades. Em muitos casos, os produtores são forçados a arcar com custos elevados para criar estoques de equipamentos para responder a situações de emergência, visto que não há opções de reposição imediata no mercado interno. Essa dependência aos mercados externos não apenas eleva os custos de produção e operação, mas também aumenta a vulnerabilidade do sector às flutuações do mercado externo, afectando directamente a competitividade, a capacidade de planeamento dos produtores locais e criando barreiras ao crescimento e à inovação.

12.

Adicionalmente, a elevada informalidade entre os aquicultores faz com que muitos produtores operem fora da cadeia produtiva formal, sem acesso à suporte técnico, crédito e mercados estruturados, o que dificulta a arrecadação de impostos pelo Estado e a obtenção de dados precisos sobre a real capacidade de produção interna. A falta de regulamentação e integração desses produtores impede a adopção de boas práticas de produção e certificação, limitando o acesso a mercados mais exigentes e a oportunidades de financiamento, comprometendo assim a sustentabilidade financeira do subsector e a capacidade de planeamento e monitorização das autoridades competentes.

13.

Superar esses desafios requer uma abordagem integrada, que promova o fortalecimento das infra-estruturas, a organização do mercado de insumos e a formalização dos produtores, criando um ambiente mais propício ao crescimento sustentável e à competitividade do Subsector Aquícola em Angola.

14.

Apresenta-se em seguida a síntese da análise de diagnóstico, sob a forma de matriz, identificando os principais pontos fortes e pontos fracos do Subsector da Aquicultura, bem como as oportunidades e as ameaças que se colocam ao desenvolvimento da cadeia de valor do Subsector Aquícola.

3.

1. Análise das Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças

15.

Na tabela a seguir, podemos observar as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças associados ao aquícola.

Tabela 1 - Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças

Pontos Fortes

Pontos Fracos

▪ Condições naturais (clima, hidrografia e orografia) excelentes para a prática da actividade aquícola;

▪ Tradição na prática aquícola continental;

▪ Hábitos de consumo de peixe;

▪ Apetência das comunidades para o desenvolvimento da actividade aquícola continental;

▪ Implementação de projectos promotores do desenvolvimento da cadeia de valor do Subsector Aquícola;

▪ Bons níveis de produção do subsector face às metas preconizadas;

▪ Existência de Associações representativas dos produtores aquícolas.

▪ Capacidade limitada de produção de alevinos e ração;

▪ Insuficiência das estruturas de suporte ao desenvolvimento da cadeia de valor do subsector aquícola (Cdl, insipiência e insuficiência de Unidades de Processamento e Centros de Capacitação);

▪ Escassez de mão-de-obra qualificada;

▪ Ausência de mercado interno estruturado de fornecimento de insumos para a prática aquícola;

▪ Baixo grau de inovação com impacte na capacidade produtiva;

▪ Número elevado de aquicultores informais; e

▪ Falta de regulamentação.

Oportunidades

Ameaças

▪ Disponibilidade de fontes de financiamento direccionadas para o Subsector Aquícola (exemplo – FIDA); e

▪ Potencial interesse de investidores privados para o desenvolvimento da actividade aquícola e demais domínios da cadeia de valor.

▪ Acessibilidades rodoviárias deficitárias;

▪ Abastecimento de energia deficitário e irregular;

▪ Dependência dos mercados externos para aquisição de insumos; e

▪ Vulnerabilidade dos produtores às oscilações dos preços dos insumos importados.

3.

2. Linha Base

16.

A Linha Base representa o ponto de partida para a definição das Medidas Imediatas, oferecendo uma visão clara do estado actual do Subsector da Aquicultura em Angola.

17.

Este ponto inicial é fundamental para medir o progresso e avaliar o impacto das acções propostas ao longo do tempo.

18.

O diagnóstico realizado identificou as principais limitações e potencialidades do subsector, nomeadamente: i) capacidade limitada de produção de alevinos e ração; (ii) deficientes infra-estruturas de produção e de apoio; e (iii) dependência de importações para insumos essenciais.

19.

Por outro lado, destacou potencialidades significativas para o desenvolvimento sustentável: (i) extensa costa ao longo do oceano atlântico proporcionando acesso a ricos recursos marinhos; (ii) abundantes recursos de água doce; clima tropical e subtropical adequados para operações de aquicultura durante todo o ano; (iii) diversos ecossistemas aquáticos, sustentando várias espécies de peixes e organismos aquáticos, (iv) elevado consumo de peixe pela população, tanto por questões culturais quanto nutricionais.

20.

Compreender esta Linha Base permite direccionar as estratégias de forma mais eficaz, garantindo que os objectivos das Medidas de Curto Prazo sejam alcançados com sucesso e que o Subsector Aquícola possa se desenvolver de maneira robusta e integrada.

21.

Assim, são elementos da Linha-Base os seguintes:

i.

Unidades de Produção de Alevinos: 5 unidades (2 públicas, 3 privadas);

ii.

Fábricas de Ração: 3 fábricas privadas, com necessidade de potencialização e expansão;

iii.

Produção de Grãos: insuficiente para atender a demanda interna das fábricas de ração;

iv.

Infra-estruturas: condições limitadas de serviço da rede viária e da rede de fornecimento de energia;

v.

Dependência de Importações: a maioria dos insumos necessários é importada;

vi.

Aquicultores Informais: elevada taxa de informalidade e baixa integração com a cadeia formal;

vii.

Estudo de Potencial Aquícola: existe o projecto para o mapeamento das áreas com potencial para produção aquícola, que precisa ser implementado.

4.

OBJECTIVOS

22.

O objectivo geral do MIODA é promover o desenvolvimento sustentável do Subsector da Aquicultura em Angola, assegurando meios, equipamentos, ração, alevinos, treinamento e monitorização, além de criar condições adequadas para produção e comercialização de produtos.

23.

Como objectivos específicos apresentam-se os seguintes:

i.

Aumentar a capacidade produtiva do Subsector Aquícola;

ii.

Desenvolver infra-estruturas críticas para suporte à aquicultura;

iii.

Promover a capacitação e a monitorização contínua dos produtores;

iv.

Facilitar a comercialização e acesso ao mercado;

v.

Estruturar a cadeia de suprimento e incentivar a produção local de insumos; e

vi.

Formalizar os aquicultores informais e melhorar a gestão de dados.

5.

MEDIDAS IMEDIATAS DE CURTO E MÉDIO PRAZOS PARA A DINAMIZAÇÃO DO SUBSECTOR DA AQUICULTURA

24.

As Medidas para a dinamização do Subsector da Aquicultura em Angola constituem uma iniciativa de âmbito nacional destinada a beneficiar quer os aquicultores comunais como os aquicultores comerciais em todo o País.

25.

Assim, encontra-se previsto um conjunto de medidas, devidamente agrupadas em 7 (sete) domínios, nomeadamente: (i) Expansão e Potencialização da Capacidade Produtiva; (ii) Melhoria das Infra-Estruturas; (iii) Capacitação e Monitorização; (iv) Facilitação da Comercialização; (v) Estruturação da Cadeia de Suprimento, Logística e Produção Local; (vi) Importação e Produção Local de Componentes para Fabricação de Ração; e (vii) Formalização de Aquicultores e Melhoria da Gestão de Dados.

26.

Para cada um destes domínios, estão previstas medidas que são implementadas através de tarefas com pendor operacional.

5.

1. Medidas

5.

1.1. Expansão e Potencialização da Capacidade Produtiva

27.

Este domínio visa a criação de condições que promovam o aumento, a optimização e o desenvolvimento da produção aquícola através de acções de dinamização e incentivo nos sectores público e privado. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 1 - Potencializar as fábricas de ração existentes, potencializar os centros de produção de alevinos e incentivar a construção de novas fábricas através de iniciativas do subsector privado ou por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP’s).

28.

Para a materialização da medida 1 foram definidas 5 (cinco) tarefas, nomeadamente:

i.

Incentivos Fiscais e Financeiros: aproveitar a legislação vigente relativa aos incentivos fiscais aplicado às Micro, Pequenas e Médias Empresas (Lei n.º 10/17, de 30 de Junho) e advogar pela criação de outras medidas que incentivem as cooperativas aquícolas ao longo dos primeiros anos de actividade formalizada;

ii.

Parcerias Público-Privadas (PPP’s): facilitar investimentos em novas fábricas e expansão da capacidade produtiva através de PPP’s, promovendo sinergias entre o Estado e o Sector Privado;

iii.

Expansão da Produção de Alevinos: criar parcerias com os produtores de alevinos existentes, fornecendo suporte técnico e financeiro para ampliar as suas capacidades e atender à demanda de fomento. Além disso, os centros de alevinagem públicos serão entregues à gestão privada através de contratos de parceria, optimizando a eficiência operacional e a qualidade dos alevinos;

iv.

Contratos de Parceria Rural para Piscicultura: implementar contratos de parceria rural que podem ser firmados entre empresas privadas e comunidades de produtores rurais, e entre o Estado e comunidades de produtores rurais, com a mediação de uma empresa âncora privada; e

v.

Criação de Microprojectos Comunitários: criar brigadas técnicas equipadas com máquinas e equipamentos essenciais como retroescavadoras, geradores, tractores de pequeno porte, bombas de água e equipamentos de escavação, para apoiar as actividades aquícolas comunitárias.

5.

1.2. Melhoria das Infra-Estruturas

29.

Este domínio visa a criação de condições de infra-estruturas de base para o fomento da produção aquícola. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 2 - Melhorar a rede viária e a rede fornecimento de energia, com base no mapeamento actualizado das áreas com potencial para produção aquícola.

30.

Para a materialização desta medida foram definidas 3 (três) tarefas, nomeadamente:

i.

Revisão e Divulgação do Estudo de Potencial Aquícola: actualizar o mapeamento das áreas com potencial aquícola e identificar zonas específicas para a implementação de contratos de parcerias sociais e Aquagrovilas. Divulgar amplamente esses estudos para orientar os investimentos em infra-estruturas;

ii.

Integração no Programa de Construção, Conservação e Manutenção de Infra-Estruturas Rodoviárias: trabalhar em colaboração com as Tutelas do Planeamento e das Obras Públicas para incluir as necessidades específicas, relativamente às infra-estruturas rodoviárias, para o apoio ao Subsector Aquícola; e

iii.

Criação de Cooperativas de Aquicultores: estabelecer cooperativas que compartilhem equipamentos e recursos para actividades essenciais, como desassoreamento de tanques, construção de viveiros, manutenção de sistemas de irrigação e transporte de produtos.

5.

1.3. Capacitação e Monitorização

31.

Este domínio visa desenvolver um capital humano que proporcione eficácia e eficiência na produtividade aquícola e garanta a criação de condições para a prestação regular e permanente de informações úteis à tomada das melhores decisões no âmbito do MIODA. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 3 - Desenvolver programas de capacitação contínua e monitorização para os produtores aquícolas, com o apoio de empresas do subsector.

32.

Para a materialização desta medida foi definida a seguinte tarefa:

i.

Parcerias com Instituições de Ensino, ONG’s e Empresas Privadas: criar centros de formação que ofereçam cursos técnicos especializados e suporte directo aos aquicultores, capacitando-os para operar de maneira eficiente e sustentável.

5.

1.4. Facilitação da Comercialização

33.

Este domínio visa expandir as redes de mercado, bem como as plataformas logísticas de forma que os produtos estejam orientados para os consumidores finais no mínimo prazo possível. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 4 - Melhorar a Comercialização dos Produtos Aquícolas: pressupõe criar cooperativas de produtores e centros de comercialização para optimizar a logística e reduzir custos.

34.

Para a materialização desta medida foram definidas 2 (duas) tarefas, nomeadamente:

i.

Criação de Cooperativas de Produtores: organização territorial dos produtores para formar cooperativas que optimizem a logística de colecta e transporte da produção até aos centros de comercialização, garantindo que os produtos cheguem ao mercado em condições ideais;

ii.

Estabelecimento de Centros de Comercialização: construir infra-estruturas adequadas para o armazenamento, conservação, processamento, transformação e venda dos produtos aquícolas, facilitando o acesso dos produtores aos mercados e melhorando a competitividade dos produtos nacionais.

5.

1.5. Estruturação da Cadeia de Suprimento, Logística e Produção Local

35.

Este domínio visa garantir o melhor aproveitamento da cadeia de valor dos produtos aquícolas de forma a potenciar o surgimento de pequenas indústrias transformadoras. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 5 - Desenvolver Centros de Distribuição e Logística (CDL’s): pretende-se com a medida apoiar a produção local de insumos e fabricação de equipamentos essenciais para aquicultura.

36.

Para a materialização desta medida foram definidas 3 tarefas, nomeadamente:

i.

Parcerias com o Sector Privado e PPP’s : incentivar investimentos para a criação de CDL’s que possam evoluir para centros de produção local de insumos essenciais (como ração) e equipamentos específicos para a aquicultura (como tanques, redes e bombas);

ii.

Coordenação com a tutela da Agricultura e Florestas: definir as necessidades específicas de grãos para a produção de ração aquícola e coordenar esforços para produzir localmente esses grãos, diferenciando-os daqueles destinados ao consumo humano ou outras finalidades;

iii.

Importação de Matéria-Prima para Ração em Sacos a Granel: importar insumos na forma de sacos a granel para a etapa de extrusão nas fábricas locais e reduzir gradualmente a dependência de importações à medida que a produção local de ingredientes de alta qualidade se torne viável.

5.

1.6. Importação e Produção Local de Componentes para Fabricação de Ração

37.

Este domínio visa fomentar a produção local de insumos com qualidade compatível com os padrões internacionais, bem como a transição gradual para a auto-suficiência, reduzindo a dependência de importações a médio e longo prazos. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 6 - Importar, inicialmente, componentes essenciais para fabricação de ração, como pré-misturas formuladas com farinha de soja, farelo de trigo, farelo de arroz, óleo de peixe, óleo vegetal, farinha de milho, grãos e outros aditivos, na forma de sacos a granel para extrusão local. Simultaneamente, iniciar a importação de equipamentos essenciais para actividades aquícolas, como areadores, sopradores, tanques-rede, redes, puças, e medidores de parâmetros de água, com o objectivo de substituir progressivamente as importações pela produção local.

38.

Para a materialização desta medida, foram definidas 3 (três) tarefas, nomeadamente:

i.

Importação Inicial de Insumos e Equipamentos Críticos: garantir a continuidade da produção através da importação de insumos-chave para ração e equipamentos essenciais para a aquicultura. Isso inclui proteínas à base de farinha de peixe, premixes vitamínico-minerais, areadores, sopradores, tanques-rede, redes, puças, e medidores de parâmetros de água. Esses equipamentos são fundamentais para garantir a eficiência das operações aquícolas e a qualidade da produção;

ii.

Processo Local de Extrusão e Produção de Equipamentos: realizar o processo final de extrusão das pré-misturas nas fábricas locais, agregando valor e desenvolvendo competências locais na fabricação de ração. Paralelamente, incentivar a produção local de equipamentos essenciais, através de parcerias com o sector privado e apoio governamental, para reduzir a dependência de importações;

iii.

Desenvolvimento da Produção Local de Insumos e Equipamentos: apoiar a instalação de unidades de produção locais para os componentes de ração e equipamentos aquícolas através de incentivos, subsídios e parcerias estratégicas. Este esforço visa criar uma base industrial local capaz de suprir as necessidades do Subsector Aquícola, promovendo a auto-suficiência e fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

5.

1.7. Formalização de Aquicultores e Melhoria da Gestão de Dados

39.

Este domínio visa incentivar a formalização dos produtores aquícolas, removendo as barreiras que os incentivam a permanecer na informalidade e promover incentivos que motivem a sua integração na economia formal. Para o efeito, foi adoptada a medida que se segue:

Medida 7 - Registar e licenciar todos os aquicultores, principalmente os que operam de forma informal, e criar uma plataforma de interacção com a Associação Nacional dos Aquicultores.

Para a materialização desta medida foram definidas 3 tarefas, nomeadamente:

i.

Registo e Formalização: implementar campanhas de registo para integrar aquicultores informais na cadeia formal, oferecendo vantagens como acesso a crédito, assistência técnica e mercados formais;

ii.

Criação de Plataforma Digital: desenvolver uma plataforma digital para facilitar a comunicação e a interacção contínua entre aquicultores e a Associação Nacional dos Aquicultores, promovendo a troca de informações e o suporte técnico;

iii.

Melhoria dos Sistemas de Dados: implementar um sistema eficiente de colecta e transmissão de dados para reflectir com precisão o estado real da produção nacional, apoiando assim na tomada de decisões estratégicas.

5.

2. Acções a desenvolver

Tabela 2- Acções a Desenvolver

Objectivo

Domínios

Medidas

Acção

Responsável

Intervenientes

i.

Aumentar a Capacidade Produtiva do Subsector Aquícola

Expansão e Potencialização da Capacidade Produtiva

Potencializar as fábricas de ração existentes, potencializar os centros de produção de alevinos e incentivar a construção de novas fábricas através de iniciativas do subsector privado ou por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP’s).

Potencialização das fábricas de ração existentes e estabelecimento de novas unidades produtivas

MINPERMAR

MINPERMAR, MINAGRIF e MINDCOM

Aumento da produção de alevinos através de parcerias com produtores existentes e da privatização de centros públicos

ii.

Desenvolver Infra-estruturas Críticas para Suporte à Aquicultura

Melhoria das Infra-estruturas

Melhorar a rede viária e a rede fornecimento de energia, com base no mapeamento actualizado das áreas com potencial para produção aquícola.

Melhoraria das infra-estruturas de transporte e fornecimento de energia nas áreas com potencial aquícola, garantindo acessos viários adequados e o fornecimento estável e regular de energia para as operações produtivas

MINPERMAR

MINPERMAR, MINOPUH E MINEA

Revisão e divulgação do mapeamento das regiões com maior potencial para a aquicultura, orientando os investimentos em infra-estruturas e o estabelecimento de parcerias sociais e a constituição de Aquagrovilas

iii.

Promover a Capacitação e a Monitorização Contínua dos Produtores

Capacitação e Monitorização

Desenvolver programas de capacitação contínua e monitorização para os produtores aquícolas, com o apoio de empresas do subsector.

Implementação de programas de capacitação técnica para aquicultores, em parceria com instituições de ensino, ONG’s e empresas privadas, visando a adopção de melhores práticas produtivas e a profissionalização do subsector.

MINPERMAR

MINPERMAR, MINDCOM, MED, MESCTI, MAPTESS, ONG´s e Sector Privado

Estabelecimento de um sistema de monitorização contínua para acompanhamento a performance das unidades de produção, utilizando suportes tecnológicos para colectar e analisar dados em tempo real.

iv.

Facilitar a Comercialização e Acesso ao Mercado

Facilitação da Comercialização

Melhorar a comercialização dos produtos aquícolas: Pressupõe criar cooperativas de produtores e centros de comercialização para optimizar a logística e reduzir custos.

Criação de centros de comercialização e cooperativas de produtores para optimização da logística de colecta e distribuição dos produtos aquícolas, reduzindo custos e aumentando a competitividade no mercado.

MINPERMAR

MINPERMAR e MINDCOM

Desenvolvimento de campanhas de marketing para promoção de produtos aquícolas nacionais, aumentando a sua aceitação e valorização no mercado interno e externo

v.

Estruturar a Cadeia de Suprimento e Incentivar a Produção Local de Insumos

Estruturação da Cadeia de Suprimento, Logística e Produção Local

Desenvolver Centros de Distribuição e Logística (CDL’s): Pretende-se com a medida apoiar a produção local de insumos e fabricação de equipamentos essenciais para aquicultura.

Desenvolvimento de Centros de Distribuição e Logística (CDL’s) de apoio à produção local de insumos essenciais, como ração e equipamentos para aquicultura

MINPERMAR

MINPERMAR, MINAGRIF e MINDCOM

Redução da dependência de importações através da produção local de componentes para fabricação de ração, como premixes e fármacos, e promover o uso eficiente de recursos locais.

vi.

Formalizar os Aquicultores Informais e Melhorar a Gestão de Dados

Formalização de Aquicultores e Melhoria da Gestão de Dados

Desenvolver Centros de Distribuição e Logística (CDL’s): Pretende-se com a medida apoiar a produção local de insumos e fabricação de equipamentos essenciais para aquicultura.

Implementação de campanhas de registo para formalização de aquicultores, proporcionando o acesso ao crédito, à assistência técnica e a mercados estruturados.

MINPERMAR

MINPERMAR, MINDCOM, MINJUSDH, MINFIN e MINPLAN

Desenvolvimento de uma plataforma digital para interacção contínua entre o MINPERMAR, a Associação Nacional dos Aquicultores (ANAQUI) e os aquicultores, melhorando a comunicação, suporte técnico e gestão de dados para um planeamento estratégico mais eficaz.

5.

3. Metas

40.

O alcance das metas definidas depende, não apenas do investimento a ser feito para que os aquicultores tenham uma produção cada vez maior, mas também garantir que a produção possa ser escoada para os diferentes mercados, quer internos como externos. Para o efeito, há necessidade de maior envolvimento dos Órgãos da Administração Central e Local do Estado, organizações representativas dos produtores, bem como da Banca, de forma a dirimir os maiores obstáculos que actualmente se colocam ao desenvolvimento do Subsector Aquícola em Angola, e simultaneamente assegurar o alinhamento com os pressupostos da segurança alimentar nacional e da melhoria da dieta alimentar das populações.

Tabela 3 — Indicadores

N.º

Indicador

U.M

Natureza

2023

2024

2025

2026

2027

Frequência de Recolha

Fonte de Verificação

1

Capacidade de produção de ração (ton/ano)

Ton/ano

Anual

15.

807

19.

500

27.

820

30.

940

37.

128

Mensal

MINPERMAR

2

Nº de fábricas de ração

Nº

Acumulado

2

3

5

6

7

Anual

MINPERMAR

3

Capacidade de Produção de alevinos

Milhões de unidades/ano

Acumulado

31.

6

52

74.

2

82.

507

99

Mensal

MINPERMAR

4

Nº de contratos de parceria com comunidades

Nº

Acumulado

0

-

5

10

20

Anual

MINPERMAR

5

Nº de Aquagrovilas

Nº

Acumulado

0

-

1

-

3

Anual

MINPERMAR

6

% de produtores capacitados

%

Anual

0

10

40

70

100

Semestral

MINPERMAR

7

% de unidades monitorizadas

%

Anual

0

0

10

30

Anual

MINPERMAR

8

Nº de brigadas técnicas e cooperativas criadas

Nº

Acumulado

0

0

2

3

7

Anual

MINPERMAR

9

Nº de centros de comercialização criados

Nº

Acumulado

0

-

1

3

4

Anual

MINPERMAR

10

Nº de cooperativas criadas

Nº

Acumulado

0

0

1

3

Anual

MINPERMAR

11

Nº de campanhas de Marketing criadas

Nº

Acumulado

0

0

2

4

6

Semestral

MINPERMAR

12

Nº de CDLs/lojas agropecuárias criadas

Nº

Acumulado

0

0

1

2

4

Anual

MINPERMAR

13

% de insumos produzidos localmente

%

Anual

0

0

40

60

70

Anual

MINPERMAR

14

% de insumos importados

%

Anual

0

0

40

60

70

Anual

MINPERMAR

15

Plataforma digital de interacção implementada

&

Anual

0

X

Anual

MINPERMAR

6.

RECURSOS FINANCEIROS

41.

O orçamento previsional da implementação do MIODA 2025-2027, foi definido considerando um conjunto de pressupostos e critérios, que tem como base a situação actual do subsector e os desafios de política definidos nos instrumentos de política nacional, de médio e longo prazos.

42.

A definição do investimento tem também em consideração:

A distribuição temporal da execução às acções definidas para o período 2025-2027.

A origem do investimento, em função do promotor público, privado e misto (público e privado).

43.

Identificam-se ainda as possíveis fontes de financiamento, assim como as entidades envolvidas no processo, quer sejam as entidades responsáveis, quer sejam as entidades participantes na implementação das Medidas e respectivas acções.

44.

Assim, o orçamento previsional para a implementação da MIODA 2025-2027 é de Kz: 33 209 304 400,001 (trinta e três mil, duzentos e nove milhões, trezentos e quatro mil e quatrocentos Kwanzas), a ser realizado pelo Estado, pelo Sector Privado e em parceria entre o Sector Público e o Sector Privado.

45.

Neste contexto, foram identificadas 16 componentes conforme abaixo descritas:

6 (seis) serão financiados com Recursos Ordinários do Tesouro (ROT), o que em termos globais corresponde a cerca de 6,30% do total do investimento a realizar no período 2025-2027;

10 (dez) são componentes de investimento privado e financiamento garantido pelo FIDA, avaliados em cerca de 93,70% do total do investimento a realizar no período 2025-2027.

46.

Para determinar a demanda financeira necessária para implementar as medidas estratégicas no quadro fornecido, é importante considerar vários critérios e itens-chave baseados nas projecções de produção e nas metas do Governo:

Produção da pesca extractiva em 2023: 500.000 toneladas;

Consumo per capita de peixe: 20 kg/habitante;

População estimada em 2023: 34 095 077 habitantes;

Meta de produção de Aquicultura: 200.000 toneladas/ano;

Peso médio de cada peixe: 0,4 kg;

Factor de conversão ração/peixe: 1,50 (1,50 toneladas de ração/toneladas de peixe);

Demanda anual de peixe do País: 681.901,54 toneladas;

Quantidade de peixe para atender à demanda: 181.901,54 toneladas;

Metas definidas pelo Governo até 2027: 200 mil toneladas de peixe;

Ração necessária para atender a meta de produção: 300.000 toneladas;

N.º de fábricas existentes: 3;

Produção de ração por fábrica (hipotética): 90.000 toneladas; e

Quantidade de alevinos necessários: 625 000 000 alevinos.

Tabela 4 — Recursos financeiros

Designação

Componente

Domínio de Intervenção

Anos

Custo Total

2025

2026

2027

Projecto de Investimento Público (PIP)

Implementar contratos de parceria rural

Expansão da Capacidade Produtiva

42 820 020,00

71 366 700,00

28 546 680,00

142 733 400,00

Sub Total

42 820 020,00

71 366 700,00

28 546 680,00

142 733 400,00

Despesas de Apoio ao Desenvolvimento (DAD)

Campanhas de Marketing

Facilitação da Comercialização

85 640 040,00

99 913 380,00

99 913 380,00

285 466 800,00

Mapeamento e divulgação de regiões aquícolas

Melhoria das Infra-estruturas

237 889 000,00

142 733 400,00

95 155 600,00

475 778 000,00

Registar e licenciar aquicultores

Formalização de Aquicultores e Melhoria da Gestão de Dados

209 342 320,00

157 006 740,00

157 006 740,00

523 355 800,00

Criar plataforma de interacção

152 248 960,00

114 186 720,00

114 186 720,00

380 622 400,00

Melhorar sistema de colecta de dados

114 186 720,00

85 640 040,00

85 640 040,00

285 466 800,00

Sub Total

799 307 040,00

599 480 280,00

551 902 480,00

1 950 689 800,00

Sector Privado e Parceiros de Cooperação para o Desenvolvimento

Treinamento de produtores

Capacitação e Monitorização

116 565 610,00

116 565 610,00

99 913 380,00

333 044 600,00

Implementar monitorização contínua

133 217 840,00

133 217 840,00

114 186 720,00

380 622 400,00

Criação de brigadas técnicas e cooperativas (microprojectos comunitários)

149 870 070,00

149 870 070,00

128 460 060,00

428 200 200,00

Construir centros de comercialização

Facilitação da Comercialização

428 200 200,00

570 933 600,00

428 200 200,00

1 427 334 000,00

Criar CDLs ou lojas agro-pecuárias

Estruturação da Cadeia de Suprimento, Logística e Produção Local

499 566 900,00

499 566 900,00

428 200 200,00

1 427 334 000,00

Produção local de insumos(Fábrica de redes, fábrica de tanques-rede)

832 611 500,00

832 611 500,00

713 667 000,00

2 378 890 000,00

Importação de premisturas e insumos para ração

Importação e Produção Local de Componentes para Fabricação de Ração

1 427 334 000,00

2 283 734 400,00

1 998 267 600,00

5 709 336 000,00

Potencializar fábricas de ração existentes

Expansão da Capacidade Produtiva

1 141 867 200,00

1 141 867 200,00

570 933 600,00

2 854 668 000,00

Estabelecer novas fábricas de ração

5 709 336 000,00

5 709 336 000,00

2 854 668 000,00

14 273 340 000,00

Ampliar a produção de alevinos

761 244 800,00

761 244 800,00

380 622 400,00

1 903 112 000,00

Sub Total

11 999 121 160,00

12 798 428 200,00

8 269 021 640,00

31 115 881 200,00

Total

12 841 248 220,00

13 469 275 180,00

8 849 470 800,00

33 209 304 400,00

7.

FACTORES CRÍTICOS DE SUCESSO

47.

A execução das Medidas de Curto Prazo para a Dinamização do Subsector da Aquicultura 2025-2027 assiste um conjunto de pressupostos e condições necessárias (os quais se enunciam em seguida), e cuja verificação é determinante para a concretização dos objectivos que o consubstanciam:

i.

A efectiva execução das acções propostas depende em grande medida da disponibilidade de recursos técnicos e financeiros para o efeito;

ii.

O estabelecimento de parcerias estratégicas de âmbito público, público-privado e com agências internacionais é um factor determinante para o sucesso das Medidas de Curto Prazo;

iii.

A articulação institucional e técnica entre o MINPERMAR e as demais tutelas identificadas como partes interessadas na execução do conjunto de Medidas de curto e médio prazos, deve merecer especial atenção desde o primeiro momento de execução;

iv.

É igualmente determinante para o sucesso do conjunto de Medidas de curto e médios prazos a definição do respectivo modelo de governação e consequente definição do sistema de monitorização e acompanhamento da implementação das acções e respectivos resultados.

8.

ROTEIRO DE IMPLEMENTAÇÃO

48.

O roteiro de implementação foi estruturado para permitir o desenvolvimento simultâneo de várias acções, distribuídas ao do período de implementação do conjunto de Medidas de curto e médios prazos, garantindo que:

i.

As acções inter-relacionadas sejam implementadas de forma coordenada;

ii.

Todas as acções sejam iniciadas rapidamente e desenvolvidas progressivamente ao longo dos anos;

iii.

A implementação das acções necessárias seja integrada e coordenada para o fortalecimento do Subsector da Aquicultura em Angola.

49.

Cada actividade foi projectada para potenciar os efeitos de escala decorrentes das demais acções, assegurando a complementaridade de recursos afectos e que simultaneamente contribuam para o objectivo geral de sustentabilidade e crescimento do Subsector Aquícola no País.

Tabela 5 - Roteiro de Implementação

ANOS

Domínios

Acções

2025

2026

2027

anos seguintes

Entidades Responsáveis e envolvidas

Expansão da Capacidade Produtiva

Potencializar fábricas de ração existentes

Início da modernização e aumento da capacidade

Continuidade da expansão das fábricas

Consolidação e optimização das capacidades

Maximização da capacidade produtiva

MINPERMAR, Empresas Privadas

Estabelecer novas fábricas de ração

Construção e início da operação da 1ª fábrica

Construção e início da operação da 2ª fábrica

Operacionalização plena de ambas as fábricas

Consolidação das novas fábricas

MINPERMAR, Sector Privado, PPPs

Ampliar a produção de alevinos

Estabelecimento formal de parcerias e início do processo de ampliação da produção de alevinos

Expansão da produção de alevinos nas unidades

Consolidação da produção ampliada

Máximo aproveitamento da capacidade de produção

MINPERMAR, Empresas Privadas, PPPs

Implementar contratos de parceria rural

Início dos contratos com comunidades rurais

Expansão para novas comunidades

Monitorização e avaliação de parcerias

Expansão para 20 comunidades

MINPERMAR, Empresas Privadas, Comunidades

Criar Aquagrovilas, – em articulação técnica e institucional com o MINAGRIF

Construção e operacionalização da 1ª Aquagrovila – após articulação técnica e institucional com o MINAGRIF

Consolidação da operacionalização da 1ª Aquagrovila e início da construção da 2ª Aquagrovila – após articulação técnica e institucional com o MINAGRIF

Consolidação da operacionalização da 2ª Aquagrovila e avaliação de resultados do processo – após articulação técnica e institucional com o MINAGRIF

Consolidação das Aquagrovilas construídas e continuação da expansão de criação – após articulação técnica e institucional com o MINAGRIF

MINPERMAR, Ministério da Agricultura e Florestas

Melhoria das Infra-estruturas

Mapeamento e divulgação de regiões aquícolas

Mapeamento actualizado das regiões aquícolas

Divulgação e integração no Plano Nacional

Continuidade do processo de divulgação

Manutenção e expansão das melhorias

Ministério do Planeamento, MINPERMAR

Melhorar estradas e acessos

Início das melhorias das vias em áreas prioritárias

Expansão das melhorias de acessos

Conclusão das melhorias das vias nas áreas principais

Manutenção contínua das vias e acessos

Ministério de Obras Públicas, MINPERMAR

Melhorar fornecimento de energia

Início da expansão da cobertura de rede Eléctrica para as áreas identificadas

Continuidade da cobertura de rede Eléctrica para as áreas identificadas

Expansão da cobertura de rede Eléctrica para áreas mais remotas de produção aquícola

Cobertura total das áreas de produção aquícola

Ministério da Energia e Águas, MINPERMAR

Capacitação e Monitorização

Treinamento de produtores

Implementação de Programas de capacitação inicial

Expansão e continuidade do treinamento

Treinamento completo dos produtores

Sessões de reciclagem de conhecimentos monitorização contínua

MINPERMAR, Instituições de Ensino, ONGs

Implementar monitorização contínua

Desenvolvimento de Plataforma e início de monitorização

Expansão da monitorização para mais unidades de produção

Cobertura da monitorização a 50% das unidades de produção

Monitorização continua de 70% das unidades de produção

MINPERMAR, Associações de Aquicultores

Criação de brigadas técnicas e cooperativas (microprojectos comunitários)

Criação das primeiras brigadas e cooperativas

Expansão e capacitação das cooperativas

Consolidação das cooperativas

Manutenção e suporte técnico contínuo

MINPERMAR, Associações de Aquicultores

Facilitação da Comercialização

Construir centros de comercialização

Construção e operacionalização 1º Centro de comercialização

Construção e operacionalização de 2 novos centros de comercialização

Construção e operacionalização do 4º centro de comercialização

Construção e operacionalização do 5º centro de comercialização

MINPERMAR, Sector Privado, PPPs

Campanhas de Marketing

Lançamento de campanhas iniciais

Expansão das campanhas de marketing

Consolidação das campanhas

Manutenção e ajustes de acordo com a procura

MINPERMAR, Associações de Aquicultores

Estruturação da Cadeia de Suprimento, Logística e Produção Local

Criar CDLs ou lojas agro-pecuárias

Estabelecimento do 1º CDL

Estabelecimento do 2º CDL

Estabelecimento do 3º CDL

Estabelecimento do 4º CDL

Sector Privado, PPPs, MINPERMAR

Produção local de insumos

Início da produção de insumos locais

Expansão da produção de insumos locais

Consolidação da produção local de insumos

MINPERMAR, Ministério da Agricultura e Florestas

Importação e Produção Local de Componentes para Fabricação de Ração

Importação de premisturas e insumos para ração

Início da importação e ajustes nas fábricas locais

Continuação da importação e início da substituição por produção local

Expansão da produção local de insumos para ração

MINPERMAR, Sector Privado, PPPs

Formalização de Aquicultores e Melhoria da Gestão de Dados

Registar e licenciar aquicultores

Campanhas de registo e formalização dos aquicultores

Expansão e monitorização dos registos

Consolidação do processo de formalização dos aquicultores

Manutenção e actualização de registos

MINPERMAR, Associações de Aquicultores

Criar plataforma de interacção

Desenvolvimento e lançamento da plataforma digital

Actualização continua e expansão das funcionalidades

Melhoria continua com base no feedback dos utilizadores

Manutenção e suporte técnico contínuo

MINPERMAR, Associações de Aquicultores

Melhorar sistema de colecta de dados

Implementação do sistema

Expansão e optimização do sistema

Manutenção e análise contínua dos dados

Manutenção e análise contínua dos dados

MINPERMAR, Instituições de TI

O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.

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