Preâmbulo
Decreto Presidencial n.º 81/22
de 11 de Abril
O Rio Zambeze é a origem de água mais importante da
Região da Comunidade para o Desenvolvimento da África
Austral (SADC), tendo um papel central nas economias dos
oito países ribeirinhos, nomeadamente, Angola, Namíbia,
Bostswana, Zâmbia, Zimbabué, Moçambique, Tanzânia e
Malawi;
A política nacional em matéria de gestão dos recursos
hídricos visa a igualdade de tratamento e oportunidade para
os intervenientes no processo de uso da água, na preservação
do bem-estar e do ambiente, na promoção da prática do uso
eficiente da água, e na iniciativa particular relativa ao uso
racional dos recursos hídricos disponíveis;
A Lei n.º 6/02, de 21 de Junho — Lei de Águas, estabelece a necessidade de elaboração de Planos Gerais de
Desenvolvimento e Utilização dos Recursos Hídricos para as
Bacias Hidrográficas de Angola, com o objectivo da optimização dos recursos hídricos no tempo e no espaço, incluindo
a participação pública no processo de planeamento;
Neste sentido, o Plano Geral de Desenvolvimento e
Utilização dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do
Zambeze permite traçar as directivas para a gestão participativa, sustentável e equitativa dos recursos hídricos da bacia,
promovendo o combate à pobreza e o aumento dos benefícios sociais e económicos das populações da Região, em
particular, e do País, em geral;
Tendo em conta a necessidade imperiosa de se aprovar o
Plano Geral de Desenvolvimento e Utilização dos Recursos
Hídricos da Bacia Hidrográfica do Zambeze;
Atendendo ao disposto nos artigos 10.º e 15.º da Lei
n.º 6/02, de 21 de Junho — Lei de Águas;
O Presidente da República decreta, nos termos da alínea m) do artigo 120.º e do n.º 4 do artigo 125.º, ambos da
Constituição da República de Angola, o seguinte:
Artigo 1.º#
Aprovação
É aprovado o Plano Geral de Desenvolvimento e
Utilização dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do
Zambeze, abreviadamente designado por «PGDURHBH
Zambeze», anexo ao presente Decreto Presidencial, de que
é parte integrante.
Artigo 2.º#
Revogação
É revogada toda a legislação que contrarie o disposto no
presente Diploma.
Artigo 3.º#
Dúvidas e omissões
As dúvidas e omissões resultantes da interpretação e
aplicação do presente Decreto Presidencial são resolvidas
pelo Presidente da República.
Artigo 4.º#
Entrada em vigor
O presente Diploma entra em vigor na data da sua
publicação.
Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda,
aos 24 de Novembro de 2021.
Publique-se.
Luanda, aos 31 de Dezembro de 2021.
O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES
LOURENÇO.
PLANO GERAL
DE DESENVOLVIMENTO E UTILIZAÇÃO
DOS RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA
HIDROGRÁFICA DO ZAMBEZE
RESUMO EXECUTIVO
INTRODUÇÃO
1. Enquadramento
O presente Documento constitui o Plano Geral de
Desenvolvimento e Utilização dos Recursos Hídricos
da Bacia Hidrográfica do Zambeze, abreviadamente
«PGDURHBH Zambeze», que abrange a Bacia do Rio
Zambeze em território angolano, incluindo a totalidade da
parte angolana das sub-bacias dos seus afluentes, independentemente das respectivas confluências se situarem dentro
ou fora de Angola.
O Rio Zambeze é a origem de água mais importante da
região da Comunidade para o Desenvolvimento da África
Austral (SADO), tendo um papel central nas economias dos
oito países ribeirinhos, nomeadamente Angola, Namíbia,
Botswana, Zâmbia, Zimbabué, Moçambique, Tanzânia e
Malawi.
2. Objectivos do Plano
O PGDURHBH Zambeze tem como objectivo primordial constituir um instrumento decisivo para assegurar a
utilização dos recursos hídricos nacionais de forma adequada, garantindo o desenvolvimento económico e social
sustentado e a preservação do ambiente.
Em linha com os objectivos estabelecidos no Programa
de Desenvolvimento do Sector das Águas (Resolução
n.º 10/04, do Conselho de Ministros, de 11 de Junho), no
que respeita aos mecanismos de planeamento da utilização
dos recursos hídricos, o objectivo estratégico principal da
elaboração do PGDURHBH Zambeze consiste em dispor de
um instrumento que promova a gestão dos recursos hídricos, tendo em conta a profunda relação entre o recurso água,
o recurso terra e os outros recursos associados, bem como
a necessidade de coordenação das intervenções sectoriais.
Neste sentido, o PGDURHBH Zambeze deverá permitir
traçar as directivas para a gestão participativa, sustentável
e equitativa dos recursos hídricos da bacia, promovendo o
combate à pobreza e o aumento dos benefícios sociais e económicos das populações da região, em particular, e do País,
em geral.
O horizonte de referência do Plano é o ano 2035, embora
sejam considerados marcos temporais intermédios de curto
prazo (2017) e de médio prazo (2025).
A gestão equilibrada dos recursos hídricos deve, pois,
atender aos objectivos de valorização e de protecção e à
harmonização destes com o desenvolvimento dos vários sectores de actividades socioeconómicas.
Para assegurar a economia e a racionalização dos usos de
água há que avaliar a eficácia dos instrumentos financeiros,
política e socialmente aceitáveis, através, nomeadamente, de
um modelo de determinação do valor da água, como base
para poder repercutir nos utilizadores os custos dos serviços de água.
A protecção e conservação dos meios hídricos condicionam o seu uso, exigindo áreas de protecção das águas
superficiais e subterrâneas.
A ocorrência de valores extremos de precipitação intensa
associa-se a cheias ou a enxurradas que podem provocar
inundações em trechos críticos dos rios, nomeadamente
naqueles em que se encontram populações instaladas.
3. Estrutura e conteúdo do Plano
A Lei n.º 6/02, de 21 de Junho — que instrui a Política
Nacional de Recursos Hídricos, estabeleceu como objectivos básicos da gestão de recursos hídricos a sua utilização
integrada com vista ao desenvolvimento sustentável, de
modo a assegurar à actual e futuras gerações, a necessária
disponibilidade de água em quantidade e padrões de qualidade adequados aos múltiplos usos, além da prevenção e
defesa contra eventos hidrológicos críticos.
Além da compatibilização do uso, constituem directrizes gerais para o planeamento e gestão de recursos hídricos:
A sua adequação às diversidades físicas, bióticas,
demográficas, económicas, sociais e culturais
das diversas regiões do País;
A sua integração com a gestão ambiental;
A sua articulação com o planeamento dos sectores
utilizadores e com os planeamentos regional,
provincial e nacional, à luz dos compromissos
internacionais assumidos por Angola;
A sua articulação com a gestão do uso do solo.
Tendo em vista a grande extensão territorial da bacia e a
diversidade das carácterísticas sócio-ambientais, o Plano é
desenvolvido tendo como foco as áreas temáticas relevantes
para a gestão integrada dos recursos hídricos e/ou as que se
afiguram como estratégicas para a tomada de decisões.
Neste contexto, a estrutura geral do PGDURHBH
Zambeze é composta por seis partes distribuídas temporalmente, por quatro fases distintas, nomeadamente:
FASE I — Diagnóstico da Bacia:
Parte 1 — Introdução e Enquadramento;
Parte II — Caracterização e Análise da Situação de
Referência;
Parte II — Diagnóstico da Bacia.
FASE Il — Estudos Complementares de Temas
Relevantes.
FASE III — Avaliação de Cenários Alternativos:
Parte IV — Definição e Avaliação de Objectivos.
FASE IV — Consolidação do Plano Geral:
Parte V — Estratégias, Medidas e Programação;
Parte VI — Avaliação e Acompanhamento do Plano.
Na Fase I — Diagnóstico da Bacia é feito um enquadramento do planeamento dos recursos hídricos e
apresentado o quadro legal nacional e internacional e o quadro institucional (Parte 1 — Introdução e Enquadramento); é
carácterizada a bacia hidrográfica do ponto de vista da dinãmica económica inter-regional e na apropriação de recursos
naturais, incluindo a avaliação de disponibilidades hídricas e identificação de usos e utilizações da água (Parte TI
— Caracterização e Análise da Situação de Referência).
Tendo em conta a influência das carácterísticas da bacia no
âmbito do planeamento dos recursos hídricos, é igualmente
feita uma caracterização biofísica, ecológica e de biodiversidade; uma caracterização social, económica e de património
e etnografia, bem como uma abordagem ao contexto legal
e institucional de enquadramento do plano e da gestão de
recursos hídricos ao nível nacional e internacional; e por fim
é traçado o diagnóstico da Bacia Hidrográfica do Zambeze
com base numa metodologia adequada, onde são avaliados
os pontos fortes e fracos e as oportunidades e as ameaças,
com o objectivo final de serem levantadas as questões significativas da bacia (Parte III — Diagnóstico da Bacia).
Na Fase Il — Estudos Complementares de Temas
Relevantes desenvolveram-se aleumas temáticas com o
objectivo de complementar a Caracterização da situação
de referência e o diagnóstico realizados na Fase, e que ao
mesmo tempo tamb ém contribuíram para fundamentar a fase
de concepção, análise e avaliação de cenários alternativos
de desenvolvimento e de utilização dos recursos hídricos da
Bacia Hidrográfica do Zambeze.
Neste sentido, foram desenvolvidos cinco estudos complementares, nomeadamente:
Geomorfologia Regional — Evolução do Sistema de
Drenagem, com o qual se procurou aprofundar
a análise do sistema de drenagem como actualmente é conhecido e efectuar uma aproximação,
ainda que sucinta, da interpretação efectuada
sobre a evolução do mesmo durante o Quaternário (desde 2 Ma até ao presente);
Agricultura e Pecuária — em que se apresentou
uma Caracterização dos principais aspectos
agro-climáticos, dos sistemas de produção e
dos recursos agrícolas e pecuários, incluindo a
antecipação da próxima fase de Caracterização
da situação futura relativamente a consumos
para rega;
Caudais Ecológicos — que teve como objectivo a
avaliação e proposta de um regime de caudais
ecológicos nos locais onde foi possível aplicar as
metodologias de avaliação do caudal ecológico;
Avaliação dos Escoamentos — com vista a uma sistematização dos cálculos realizados na Fase 1, bem
como uma análise comparativa com estudos
existentes, tendo em conta os factores de escoamento obtidos;
Riscos de Poluição — que constou numa avaliação
preliminar e qualitativa com vista à obtenção
de áreas/emxos/zonas, na Bacia Hidrográfica do
Zambeze em território angolano, onde existe
risco de contaminação dos recursos hídricos
devido à ocorrência de eventuais acidentes de
poluição e respectiva classificação.
Na Fase III — Avaliação de Cenários Alternativos
faz-se uma análise prospectiva do desenvolvimento socioeconómico e definem-se os objectivos, à luz dos quais serão
estabelecidas as propostas de intervenção que consubstanciarão o Plano (Parte IV — Definição e Avaliação de
Objectivos).
Na Fase IV — Consolidação do Plano Geral são estabelecidas as estratégias e definidos os programas de medidas
e à respectiva programação física e financeira em horizontes de curto, médio e longo prazos (Parte V — Estratégias,
Medidas e Programação), e inclui também a identificação
dos indicadores de acompanhamento a considerar para a
monitorização e avaliação da implementação do Plano
(Parte VI — Avaliação e Acompanhamento do Plano).
ENQUADRAMENTO NORMATIVO E INSTI-
TUCIONAL
1. Considerações Iniciais
A elaboração do PGDURHBH Zambeze enquadra-se
num programa mais alargado de desenvolvimento do Sector
das Águas em Angola, que envolve a aplicação de investimentos nas várias componentes do Sector que estão sob a
responsabilidade do Ministério da Energia e Águas.
Encontram-se neste âmbito, o abastecimento de água
urbano e rural, a drenagem de águas residuais e pluviais, o
tratamento e descarga de efluentes, a irrigação, a pesca fluvial, a produção de energia, o controle de cheias e secas e
outras actividades relacionadas com o meio hídrico (aquicultura, navegação fluvial, extracção de inertes, ecoturismo),
além da implementação das estruturas regionais para a gestão dos recursos hídricos.
2. Quadro Institucional Actual
2.1. Nacional
O quadro institucional actual com mais relevância para a
gestão de bacias hidrográficas decorre da seguinte legislação
citada por ordem cronológica:
Lei n.º 6/02, de 21 de Junho — Lei de Águas;
Resolução n.º 10/04, de 11 de Junho — do
Conselho de Ministros, que aprovou o
Programa de Desenvolvimento e o Plano de
Acção de Curto Prazo do Sector das Águas;
Lei n.º 15/16, de 12 de Setembro — da
Administração Local do Estado;
iv Resolução n.º 22/09, de 16 de Março —
do Conselho de Ministros, que aprovou o
Programa Executivo do Sector das Águas
para 2009;
Constituição da República de Angola (2010);
Decreto Presidencial n.º 118/21, de 6 de Maio
— que aprova o Estatuto Orgânico do INRH;
Decreto Legislativo Presidencial n.º
2/20, de 19 de Fevereiro — que estabelece
as Regras de Organização, Estruturação e
Funcionamento dos Institutos Públicos;
Decreto Presidencial n.º 162/20, de 8 de
Junho — que aprova o Estatuto Orgânico do
MCTA;
Decreto Presidencial n.º 223/20, de 28 de
Agosto — que aprova o Estatuto Orgânico do
MINEA;
Decreto Presidencial n.º 59/16, de 15 de
Março — que aprova o Estatuto Orgânico
do Instituto Regulador dos Serviços de
Electricidade e de Águas;
Decreto Presidencial n.º 76/17, de 20 de Abril
— que cria o Conselho Nacional de Águas e
aprova o respectivo Regulamento.
2.2. Internacional
A nível internacional, e dado o carácter transfronteiriço
da Bacia do Rio Zambeze, no âmbito das orientações do
Protocolo Revisto da SADC, foi criada a Comissão do Curso
de Água do Zambeze (ZAMCOM), envolvendo os oito
países ribeirinhos (Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia,
Zimbabué, Moçambique, Tanzânia e Malawi).
O Acordo da ZAMCOM entrou em vigor a 19 de
Junho de 2011, e em Abril de 2008 foi criado o Sistema de
Informação da Bacia do Zambeze (ZAMWIS) e o Plano de
Acção da Bacia do Zambeze.
Em 2009, os representantes dos países ribeirinhos
adoptaram uma Estrutura de Govemança Provisória da
ZAMCOM com um Conselho de Ministros e uma Comissão
Técnica tendo sido acordado que cada País ribeirinho cria o
seu Comité de Coordenação Nacional das partes interessadas (NASC), sendo que Angola, como parte integrante da
ZAMCOM, procedeu já à constituição do NASC-Angola
em Setembro de 2013, com um total de dez membros representantes de sectores governamentais e não governamentais,
cujo objectivo consiste em tratar dos assuntos referentes
à Bacia do Zambeze do lado angolano e submetê-los ao
Secretariado da ZAMCOM.
3. Quadro Normativo Actual
3.1. Nacional
O quadro normativo nacional pertinente à gestão de
bacias hidrográficas decorre, em particular, de um conjunto
de diplomas, alguns dos quais já referidos no âmbito do quadro institucional, sendo de salientar, por ordem cronológica,
os seguintes:
Lei n.º 5/98, de 19 de Junho, aprovada com a designação de Lei de Bases do Ambiente (a partir
da qual foi promulgado o Decreto n.º 51/04,
de 23 de Julho, relativo à Avaliação de Impacte
Ambiental, e elaborados o Programa Nacional
de Gestão Ambiental (PNGA) e a Estratégia
Nacional Ambiental (ENA));
Lei n.º 6/02, de 21 de Junho, aprovada com a designação de Lei de Águas e que estabelece os
princípios fundamentais que deve pautar a gestão e utilização da água;
Resolução n.º 10/04, de 11 de Junho — do Conselho de Ministros, que aprovou o Programa de
Desenvolvimento do Sector das Á guas, o Plano
de Acção de Curto Prazo do Sector das Águas,
as linhas gerais de longo prazo do Programa de
Desenvolvimento do Sector das Águas e o Plano
de Desenvolvimento de Médio Prazo;
Lei n.º 3/04, de 25 de Junho, designada por Lei do
Ordenamento do Território e do Urbanismo;
Lei n.º 6-A/04, de 8 de Outubro, designada por Lei
dos Recursos Biológicos Aquáticos, alterada
pela Lei n.º 16/05, de 27 de Dezembro;
Lei n.º 9/04, de 9 de Novembro, aprovada com a
designação de Lei de Terras;
Decreto n.º 2/06, de 23 de Janeiro, que aprova o
Regulamento Geral dos Planos Territoriais,
Urbanísticos e Rurais;
Resolução n.º 22/09, de 16 de Março, do Conselho de
Ministros, que aprovou o Programa Executivo
do Sector de Águas para 2009;
Resolução n.º 1/10, de 14 de Janeiro, que aprovou a
Política Nacional de Florestas, Fauna Selvagem
e Áreas de Conservação;
Lei n.º 31/11, de 23 de Setembro, que aprovou o
Código Mineiro;
Decreto Presidencial n.º 261/11, de 6 de Outubro, que
aprovou o Regulamento sobre a Qualidade da
Água;
Decreto Presidencial n.º 141/12, de 21 de Junho,
que aprovou o Regulamento para a Prevenção e
Controlo da Poluição das Águas Nacionais;
Decreto Presidencial n.º 9/13, de 31 de Janeiro, que
aprova o Plano Nacional Estratégico para a
Água — PNEA 2013-2017;
Decreto Presidencial n.º 82/14, de 21 de Abril, que
instituiu o Regulamento Geral de Utilização dos
Recursos Hídricos;
Decreto Presidencial n.º 83/14, de 22 de Abril, que
instituiu o Regulamento de Abastecimento
Público de Água e Saneamento de Águas Residuais;
Decreto Executivo n.º 24/15, de 29 de Janeiro, que
aprova o Regulamento de Registo e Licenciamento de Empresas que exerçam actividades e
áreas de resíduos, tratamento de águas residuais;
Decreto Presidencial n.º 214/15, de 8 de Dezembro,
que aprova o Plano Nacional Estratégico da
Administração do Território (PLANEAT 2015-
-20025);
Lei n.º 6/17, de 24 de Janeiro, que aprova a Lei de
Bases de Florestas e Fauna Selvagem.
3.2. Internacional
A gestão dos recursos hídricos e a conservação da natureza e da biodiversidade num país integrado na comunidade
intemacional presumem a articulação das respectivas estratégias e instrumentos legais, tendo em conta as boas práticas
recomendadas ou acordadas internacionalmente, em particular, as medidas relacionadas com o uso sustentável da água
e com a protecção dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos.
Esta articulação pode reflectir-se na elaboração de legislação específica nacional ou na subscrição, por parte do
Estado de Angola, de convenções internacionais.
Neste sentido, destacam-se as seguintes convenções
intemacionais, das quais Angola é signatária:
Convenção sobre a Conservação das Espécies Migrató-
1ias Pertencentes à Fauna Selvagem, Bona, 1979;
Convenção para a Protecção da Camada de Ozono,
Viena, 1985;
Convenção sobre a Diversidade Biológica, Rio de
Janeiro, 1992;
Convenção sobre o Combate à Desertificação, Paris,
1994;
Convenção sobre Alterações Climáticas, Kyoto, 1997;
Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes,
Estocolmo, 2001.
Actualmente, Angola está a preparar a sua adesão à
Convenção sobre Zonas Húmidas (Ramsar, 1971).
Importa, ainda, referir as Regras de Helsínquia e a
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito de Utilização
dos Cursos de Água para Fins Outros além da Navegação.
Por último, refere-se que, a nível regional, Angola pertence a uma organização supranacional: a Comunidade para
o Desenvolvimento da África Austral ou Southern African
Development Community (SADC), sendo o seu principal
objectivo promover o crescimento e desenvolvimento económico, aliviar a pobreza, aumentar a qualidade de vida do
povo, e prover auxílio aos mais desfavorecidos.
Desde a sua criação que a organização tem promovido a
integração regional, incluindo a gestão da água, nomeadamente das bacias hidrográficas partilhadas, pelo que neste
sentido, foram elaborados diversos documentos sobre a gestão da água, dos quais se destaca o Protocolo (Original) sobre
os Cursos de Água Partilhados e a respectiva versão revista.
O Protocolo da SADC sobre Cursos de Água Partilhados
(Protocolo Original) foi desenvolvido em 1995 para ser
compatível com as Regras de Helsínquia, mas foi revisto
a fim de reflectir a Convenção das Nações Unidas sobre o
Direito dos Usos dos Cursos de Água Internacionais para
Fins Distintos da Navegação (Convenção sobre os Cursos de
Água). O Protocolo Revisto foi assinado em 2000 e entrou
em vigor em 2003.
CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE
REFERÊNCIA
1. Considerações Gerais
Tendo em conta a influência das características da bacia
hidrográfica no âmbito do planeamento dos recursos hídricos, nomeadamente sobre as principais potencialidades
ou constrangimentos da mesma, a caracterização geral da
Bacia Hidrográfica do Zambeze é fundamental, através da
caracterização biofísica, ecológica e de biodiversidade; da
caracterização social, económica e histórico-cultural; da
caracterização dos usos e necessidades de água e da caracterização e análise de vulnerabilidades da bacia.
Também do ponto de vista da dinâmica económica
inter-regional e na apropriação de recursos naturais, foram
analisadas as necessidades de água através da identificação
de usos e utilizações da água e avaliadas as disponibilidades de água na bacia, de forma a obter-se o balanço hídrico
na bacia.
Por fim, o conhecimento das pressões antropogénicas O Rio Zambeze é a origem de água mais importante da
existentes, o estado actual das redes de monitorização exis- Região da Comunidade para o Desenvolvimento da Africa
EE o Ee Austral (SADC), tendo um papel central nas economias
tentes e dos usos ambientais, bem como a análise económica : ' à ao
NA Í dos oito países ribeirinhos: Angola, Namíbia, Botswana,
das utilizações de água. Zâmbia, Zimbabué, Moçambique, Tanzânia e Malawi.
2. Caracterização Biofísica A nível nacional, a sua importância é devida sobretudo à
O Rio Zambeze, com um comprimento total de 2.750 km, — extensa bacia hidrográfica de cerca de 260.000 km? apenas
nasce na Zâmbia, nas Colinas de Kalene, aproximada- — EM território angolano. Todos os rios no quadrante Sudeste
mente à cota 1451 m, a 30 km da fronteira com Angola, desngela SãO afluentes do Zambeze. & o Zeambere ento
. : belece também a fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe e
entrando em território angolano no Fasaraha : saindo a atravessa Moçambique de Oeste para Leste, para desaguar
Sul de Lumbala-Caquengue, sempre no Município do Alto — no Oceano Índico, em Moçambique, gerando uma bacia de
Zambeze, Província do Moxico. drenagem de cerca de 1,37 milhões de km? (Figura 3.1).
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Figura 3.1 - Bacia Hidrográfica do Zambeze
A área da Bacia do Rio Zambeze em território angolano é de cerca de 260.000 km? (19% da área total da bacia
transfronteiriça), abrangendo cerca de 87% da Província do Moxico (incluindo Luena, capital da Província) e 41% da
Província do Cuando Cubango, embora Menongue, capital da Província, se encontre fora, e bastante afastada, da área da
bacia (Figura 3.2).
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Figura 3.2 - Enquadramento Político e Administrativo
Por forma a responder às diferentes escalas de análise — das em estudos anteriormente desenvolvidos (tanto a nível
necessárias nas diferentes vertentes foram definidas três nacional como internacional), nomeadamente:
| : i UHP Alto Zambeze — Zambeze (ZZ);
Unidades Hidrográficas de Planeamento (UHP) (Figura 3.3) UHP Alto Zambeze — Lungué-Bungo (ZL);
correspondentes a áreas geográficas que têm sido considera- UHP Cuando (C).
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Figura 3.3 - Unidades Hidrográficas de Planeamento (UHP)
Ao nível das três sub-bacias, a do Alto Zambeze-Zambeze — mente, todos os municípios da Província do Moxico e quatro
(ZZ) e do Alto Zambeze-Lungué-Bungo (ZL) abran- dosnovemunicípios da Província do Cuando Cubango.
gem, respectivamente, 42% e 33% da área da Província do Para o estudo dos escoamentos adoptou-se a definição
Moxico. Por sua vez, a sub-bacia do Cuando (C) ocupa 13º%6 — de secções hidrográficas (secções de análise de escoamenda Província do Moxico e 41% da Província do Cuando — tos), pelo que as UHP Principais foram subdivididas em
Cubango. Deste enquadramento, resulta que a área ocupada — 16 sub-bacias secundárias, de acordo com as secções de
pela Bacia Hidrográfica do Zambeze abrange, total ouparcial- — escoamento definidas (Figura 3.4 e Quadro 3.1).
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ato go “o Limite de sub-bacia hidrográfica
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Figura 3.4 - Bacias Hidrográficas Secundárias
Quadro 3.1 - Unidades Hidrográficas de Planeamento (UHP)
Unidades Hidrográficas de Planeamento (UHP)
UHP S. ári
UHP Principais eeungênias
ZZ1 | Toda a bacia da ZZ11.2 23 961,75
PA o - | ZZ2 | Todaabaciada ZZ11.2 Chifumage 20 535,29
ambeze : É
Toda a bacia das secções ZZ13.1, ZZ715.1,
TLIBbe7218a Lumbala 8 544,43
Bacia da ZZ18 SEM as contribuições das
ZZ4 | bacias das secções: ZZ11.1, ZZ12.1, Z213.1 e | Zambeze 25 084,00
£L15.1
Tod, baci õ
DAS acia das secções ZZ18c, ZZ18d e 69123,64
e Toram| e503910
Toda a bacia da ZL13 Lungué Bungo | — 32907,04
Tod : =
o o : bacia das secções ZL13a, ZL13b, ZL14 4 922,82
Alto Zambeze - Toda a bacia das secções ZL16, ZL17, ZL18, ;
Lungué Bongo ZL19 e ZL20 Luanguinga 17 781,53
(ZL) em a bacia das secções ZL21, ZL22, Z7L23 e [RN 8 271,92
Toda a bacia das secções ZL25 e ZL26 2 268,20
e TorAA| 661515
Bacia da secção C9
sem a contribuição da bacia da secção C9,1 CoD (013) 29TILTA
Toda a bacia das secções C10.1, C11.4, C12.1,
Clb [C131 e sub-bacia do Cuando entre às | Cuando (C1b) 17 623,86
secções C9 e C15 em território angolano
Toda a bacia da secção C16.1 e sub-bacia do M
Cuando (C) Clic | Cuando entre as secções Ct5 e Cl6 em É SRA 6 192,73
território angolano (Elo)
Toda a bacia da C9.1 Lomba — | 1394939
Toda a bacia da secção C15.1 36 003,37
Toda a bacia das secções C19.a e C19.b Nzava — | 442347
TOTAL C€ 107 964,54
TOTAL BH do rio Zambeze em Angola 259 155,15
A análise climática da bacia teve por base dados Na área do PGDURHBH Zambeze a temperatura média
recolhidos em diferentes postos udométricos e estações cll- — anual à superfície varia entre 18,0ºC e 23,8ºC, sendo a
matológicas do território angolano. temperatura média na área de 21 ,4ºC e relativamente à tem-
No que diz respeito à variação na precipitação anual — peratura média mensal, é máxima em Outubro (23,40ºC) e
média na área do PGDURHBH do Zambeze, os dados in situ — mínima em Julho (17,03ºC).
conduzem a valores entre 522 mm e 1.538 mm, enquanto a Na área do PGDURHBH Zambeze, a humidade relativa
variação tendo por base o projecto TRMM é de 611 mma média anual do ar às 9:00 h decresce de Norte para Sul e
568 mm. varia entre 43,5% e 73,3%, sendo que a humidade relativa
Relativamente às precipitações médias mensais na área — média anual na área é de 61,2%. Relativamente aos valodaBaciado Rio Zambeze, dereferir quena épocadocacimbo — res da humidade relativa mensal ponderada na região do
(Maio a Setembro) os valores da precipitação média mensal! Plano, a mesma é máxima em Fevereiro (75,5%) e mínima
variam entre um mínimo de 4,1 mm e um máximo de 40,5" em Agosto (45,8%).
mm e na época das chuvas (Outubro a Abril) os valores de Na área do PGDURHBH Zambeze, a evaporação de
precipitação oscilam entre um mínimo de 497,6 mm eum Pichemédia anual varia entre 1.461 mm na zona NE e 3.697
máximo de 1.453,0 mm. mm no limite Sul, sendo que a evaporação média anual na
A média da precipitação diária máxima anual na área — área é de 2.323,5 mm. Relativamente à evaporação mendo plano é de 68,5 mm, com valor máximo de 90,3 mm e sal ponderadas na região do Plano, a mesma é máxima em
mínimo de 41,6 mm. Setembro (325,8 mm) e mínima em Fevereiro (106,1 mm).
1 SÉRIE — N.º 63 — DE 11 DE ABRIL DE 2022 2607
De acordo com o sistema de classificação climática esta- — índices específicos, obteve-se a classificação apresentada no
belecido por Thomthwaite em 1948, o qual se baseia na — Quadro 3.2, referente a quatro bacias hidrográficas, nomeaanálise comparada da evap otranspiração potencial comapre- — damente Bacia ZZ18, Bacia ZL13, Bacia ZL16 e Bacia C19,
cipitação típica de uma determinada área, agrupada segundo — definidas no âmbito das secções de escoamento de base.
Quadro 3.2 - Classificação Climática e respectivos índices
ECT TAZE E CAS SEA
DESIGNAÇÃO 5 : ca
ZAMBEZE | LUNGUÉ-BUNGO | LUANGUINGA | CUANDO |
ETPanualThomenvate(mm) | 1088 | 9 | 953 f 1049 |
De acordo com a Carta Geológica de Angola, à Nos Sectores Oeste, Sul e Sudeste da bacia afloram
escala 1:1 000 000 (1988), a Geologia da Bacia do Rio — essencialmente formações de idade recente — Quaternário
Zambeze, no seu Sector Nordeste, corresponde a rochas do — Indifereneciado e Holocénico — e formações do Grupo do
: E . : : Kalahari pertencentes ao Cretácico Superior — Neogénico,
Arcaico Inferior, as quais são consideradas as mais antigas do : : : " :
46 de AsISO] dé ' détoil as quais no seu conjunto pertencem à Depressão Continental
ternitório de Angola, corresponden o aos compexos Cerocnaãs — do Okavango. Adicionalmente verifica-se nestes sectores a
metamórficas, ultrametamórficas e intrusivas desenvolvidas — presença, em retalhos de pequenas dimensões, das formana área dos escudos, designadas como Complexo de Base. — ções do soco de idade arcaica e jurássica superior-cretácica
Neste Sector Nordeste afloram ainda rochas do Proterozóico — inferior, e outros afloramentos de rochas magmáticas.
inferior e superior, pertencente à Zona do Alto Zambeze; — — Oterritóriode Angola, devido à sua extensão, localização
rochas do Triassico e do Jurássico inferior, pertencentes e influênc ” dos ros que o alravessaio, apresenta Uma 8eoà Plãca do C Z doAIO Zan 8 morfologia regional variada, que se divide essencialmente
à +iaca do VOonso ona Co AXO Zam ” : upersmpo em parte oriental e ocidental, onde a área do PGDURHBH
Karroo — Grupo Simba; e rochas do Jurássico SUperior — Zambeze se localiza na parte oriental de Angola sobre a plae do Cretácico inferior pertencentes à Depressão Continental — nície Leste, a depressão de Cameia-Lumbala e a elevação do
do Okavango. Alto Zambeze (Figura 3.5).
&. Pr NÃ 4 Pane Ocidemas
A : TN) Planalto Central
: E Cadeia da montanhas marginais de Angola
é HIM Pianicia de Maiomba com relevo pouco acidentado
Haste [E] Zona em Cordilheira do Zenza
À ee Er | EMI Pianicia ondulada do Cuanza-Longe
" Si, TRENS EN Plonicio fortemente dissecada de Cuango
da e Ro 1) Depressão de Cassanja
er mo ENRESOSS SN Depressão litorat
LEE UU RSS It. Parte Oriental
/ InPRENoS, = MENS Plateau de Lunda
É soe Cir EN Planície leste
fofa Sumo e Es: Planície protuvionar do Conene
6 tonta e AE 0 E) DD etfegies de Cameia-Lumbala
Crato Es PASS [NE Elevação do Afto Zambeze
<a AE Aa ll. Outras convenções
nd nes ; j “. Degraus formados por efaitos da tectónica à denudação
i É à ke Pre Limite entre as partes ocidental € oriemial
Pr: E + Po “ * Principais cidades
| 2 ND “Nu Limita da bacia hidrográfica do Zambeze
5 CABOS o 200 somo
Nota: adaptado de Notícia Explicativa, 1992
Figura 3.5 - Enquadramento da BH do Zambeze em território angolano nas
Grandes Unidades Geomorfológicas de Angola
Na área de estudo a planície Leste, apresenta uma pendente suave de Noroeste para Sudeste com cotas absolutas
de cerca de 1.600 m a Noroeste e de, aproximadamente,
000 ma Sul e a Este, com vales largos e de declives suaves
e interflúvios orientados, principalmente, segundo a direcção W-E e NNW-SSE (Notícia Explicativa, 1992).
A depressão de Cameia-Lumbala, situada na morfoestrutura da depressão do Okavango, ocupa o Sector Norte da BH
do Rio Zambeze em território angolano, correspondendo ao
interflúvio entre o Rio Zambeze e o Rio Cassai, tendo sido
originada por acções tectónicas e erosão. Esta depressão
apresenta um fundo achatado com cotas de 1.090 m a 1.140
m, estendendo-se para Sudeste por 200 km, com uma largura
de 180 km. Em toda a zona periférica a depressão é limitada por degraus com 50-60 m de altitude, sendo recortada
por uma densa rede hidrográfica (Notícia Explicativa, 1992).
A elevação do Alto Zambeze situadana margem esquerda
do Rio Zambeze apresenta formas suaves e arredondadas,
com uma extensão relativamente pequena. Esta elevação
formou-se sobre os depósitos pré-câmbricos e o seu relevo
resulta de fenómenos de erosão e acumulação. As cotas absolutas da elevação, aumentando para Nordeste, são de 1.100
a 1.600 m, sendo a profundidade de dissecação de várias
dezenas de metros. A orientação dos principais elementos do
relevo coincide com a direcção NE dos dobramentos, sendo
delimitada na sua extremidade Noroeste por uma escarpa
íngreme de 200 m de altitude (Notícia Explicativa, 1992).
No que respeita à evolução geomorfológica local, a
presença de solo frágil associada à sua exposição ou revolvimento através da acção humana e à existência de um
insuficiente e inadequado sistema de drenagem urbana, provoca sérios problemas de erosão no Luena (PDIPM, 2011).
A rede de drenagem em toda a BH do Zambeze em território angolano, excepto no Sector Este da UHP do Alto
Zambeze-Zambeze, apresenta uma orientação predominantemente NW-SE e W-E, possivelmente condicionada pelo
sistema de falhas secundárias existentes ou como reflexo de
uma condicionante estrutural imposta pela presença dos grés
do Jurássico superior-Cretácico inferior que, em geral, servem de base à rede de drenagem, configurando um padrão
de drenagem essencialmente paralelo e com entrada quase
perpendicular na linha de água principal em especial na
UHP do Cuando.
Em termos hipsométricos a BH do Rio Zambeze em território angolano é caracterizada por apresentar em toda a sua
extensão, excepto no Sector Este da UHP do Alto Zambeze
— Zambeze, um terreno com pendentes descendentes de
NW para SE. No Sector Este da UHP do Alto Zambeze
— Zambeze, as pendentes desenvolvem-se descendentemente de NE para SW desde o maciço da Calunda até ao
vale do Rio Zambeze. A altitude mínima (970 m) da Bacia
Hidrográfica do Zambeze em território angolano regista-se
no extremo SE da Bacia Junto à fronteira com a Zâmbia e
a Namíbia, a cerca de 54 km a SE de Luiana, registando-se
a altitude máxima (1.676 m) a cerca de 43 km a Norte de
Tempué, no Sector Noroeste da bacia.
Na parte NW da BH do Rio Zambeze em território angolano, a cerca de 1.550 m, nascem os rios mais importantes
(Lungué-Bungo, o Cuando e o Quembo) que sulcam o Sector
Oeste da bacia. Estes rios, de regime permanente, desenvolvem-se com uma orientação essencialmente NW-SE de
acordo com a inclinação da superfície planáltica.
O Rio Cuando e os seus afluentes recortam mais incisivamente a superfície planáltica, em contraste com os
restantes rios, sobretudo aqueles que como o Lungué-Bungo
drenam directamente para o Zambeze. Há a destacar, no
Sector Este da Bacia junto à fronteira, a planície de inundação do Barotse, que se desenvolve a partir da Zâmbia,
onde os rios seguem pouco encaixados, ou mesmo quase ao
nível da aplanação. O Rio Cuando após o seu troço inicial
em vale mais apertado alarga-se gradualmente até ter uma
expressão máxima onde se destacar a sua significativa planície de inundação. Referir apenas que durante a sua evolução
(à cerca de 10.000 anos) o Rio Cuando foi afluente do Delta
do Okavango.
No que respeita ao Sector Sul e Sudeste da UHP do
Cuando (C) o mesmo apresenta uma continuidade fisiográfica correspondente a uma planura ondulada larga e suave,
onde, à semelhança do Sector Norte, não ocorrem acidentes
orográficos. Nesta área a expressividade do relevo é marcada pelos rios que apresentam caudal permanente, através
dos seus vales abertos e bem definidos, que, todavia, não
chegam a marcar acentuados desníveis.
No que respeita ao contexto hidrogeológico da Bacia,
tendo presente os estudos disponíveis e a geologia e geomorfologia da Bacia Hidrográfica do Rio Zambeze, a
interpretação do desenvolvimento da rede hidrográfica, o
comportamento hidrogeológico expectável dos diferentes tipos de materiais geológicos e as hipóteses de prever
modelos conceptuais de funcionamento hidrogeológico e
ainda as observações efectuados no campo, considera-se
que a área da BH do Zambeze pode ser dividida em quatro
Unidades Hidrogeológicas (UM), nomeadamente: Cameia-
-Lumbala, Luena-Lumbala Nguimbo-Mavinga, Diangoma e
Cazombo-Macondo.
Refere-se ainda a presença de Sistemas Aquíferos
Aluvionares os quais representam um tipo de aquífero muito
específico e com funcionamento hidrogeológico dependente
das características das linhas de água a que estão associados.
Quanto à vulnerabilidade das unidades hidrogeológicas
presentes na BH do Zambeze, no Quadro 3.3, apresenta-
-se o grau de vulnerabilidade das mesmas, de acordo com
o Método EPPNA (INAG, 1999), associadas à tipologia de
aquífero associado a cada uma delas.
Quadro 3.3 - Vulnerabilidade das Unidades Hidrogeológicas
na BH do Zambeze
: Grau de
sro EAFA Vulnerabilidade
: Aquífero em sedimentos não consolidados com
Camelaambaia ligação hidráulica com a água de superfície
Aquífero em sedimentos não consolidados com Alta v3
Luena-Lumbala ligação hidráulica com a água de superfície
Nguimbo-Mavinga | Aquífero em sedimentos não consolidados sem Vv4
ligação hidráulica com a água de superfície
Aquífero em sedimentos consolidados
Cazombo-Macondo | Aquífero em rochas fissuradas
Sistemas Aquíferos | Aquífero em rochas carbonatadas de elevada
5 : e Alta vi
Aluvionares carsificação
Relativamente aos solos, e de acordo com a Carta Relativamente à ocupação do solo na área do
Generalizada dos Solos de Angola, na escala 1:3 000 000 PGDURHBH do Zambeze, e tendo em consideração que a
(1965), e a sua Notícia Explicativa (1968), a BH do Zambeze, BH do Zambeze é um dos recursos naturais mais importanem território angolano, pode ser subdividida em 16 secto- tes de Africa, como principal classe de OEUpaçao do solo
à TE : FENEA são naturalmente as áreas naturais, constituídas fundares principais, os quais se carácterizam por apresentar uma M
: " : mentalmente por florestas secas e densas (miombo denso),
homogeneidade pedológica generalizada das manchas que i Í
| florestas abertas, mosaicos de florestas com bosques e savaos constituem, apesar de cada uma das manchas apresentar nas (miombo esparso), mosaicos de savanas herbosas ou
variações individuais que as carácterizam. com arbustos ou bosques com pseudo-estepes (prado com
De acordo com a Notícia Explicativa da Carta miombo) e pseudo-estepes (prados).
Generalizada dos Solos de Angola e com Diniz A.C. (1973), As áreas naturais integram fundamentalmente os leitos
os solos na BH do Zambeze, em território angolano, carác- dos rios e as suas margens, com destaque para as margens
terizam-se, de uma forma geral, por uma predominância de do Rio Zambeze e seus afluentes da margem direita: Rio
" ão . ão Luena (Fotografia 3.1), Rio Lungué-Bungo, Rio Luanguinga
solos de textura grosseira (psamíticos), em correspondência : ' E
SO do Kalatas oe t e Rio Cuando. Destacam-se também pela sua importância
com os materiais arenosos do Kalahari, que a SR pra "* Gio Limeéle (Eotógafa 32), afluente do:Rio!Luena,
camente em quase todo o Sector Sul e Oeste da Bacia. Os e o Rio Lomba, afluente do Rio Cuando. Na BH do Rio
solos de textura fina (argiláceos) têm uma representação — 7 ambeze existem também alguns lagos, com destaque para
muito limitada, cingindo-se às formações assinaladas como — os Lagos Dilolo (Fotografia 3.3), Calundo (Fotografia 3.4)
Complexo de Base e às rochas eruptivas intrusivas. e Mulondola.
< Na 5 SS ”W . Se Fo
o.
Fotografia 3.1 - Rio Luena Fotografia 3.2 - Rio Lumeje
Fotografia 3.3 - Lago Dilolo Fotografia 3.4 - Lago Calundo
Os numerosos afluentes destes rios, lagos, lagoas e extensos prados alagados na época chuvosa potenciam a prática da
pesca fluvial e lagunar, sendo a pesca continental artesanal uma das principais ocupações e sustento da população da região,
a par da agricultura, que pela grande extensão de zonas aplanadas e abundância de caudal dos rios, apresenta a aquicultura
como um dos grandes recursos potenciais (Fotografia 3.5).
ERES So no ra
O” ds
esmas (fa
Fotografia 3.5 - Actividade piscatória
Nas margens dos rios destacam-se, pelas suas formações De referir que a Província do Moxico é a segunda maior
herbáceas, as «anharas» que correspondem a vastas planu- — reserva florestal de Angola (PDIPM, 2011).
ras de cobertura herbosa, onde são raras ou praticamente As áreas seminaturais integram as áreas agrícolas e
ausentes as formas arborescentes ou arbustivas, pelo que — outras onde já se faz sentir a intervenção humana, sendo
normalmente constituem zonas alagadas. As anharas, pelas — que as áreas agrícolas, quer na Província do Moxico quer
suas carácterísticas fisiográficas próprias, constituem um na Província do Cuando Cubando, constituem uma agriculmeio adverso à fixação de populações, determinando uma — tura de subsistência, essencialmente de sequeiro, sendo o
rarefacção demográfica acentuada nestas zonas. regadio apenas necessário no período seco e para produção
A ocupação florestal é também dominante na área da — hortícola.
BH do Zambeze devido essencialmente à reduzida capa- Destacam-se as culturas da mandioca, pelo seu uso na
cidade produtiva dos solos (Fotografia 3.6), sendo que as — alimentação de base (Fotografia 3.7), sendo o amendoim
florestas naturais são aproveitadas para o corte das espécies — também importante na dieta alimentar, sendo que o Alto
mais valiosas pela qualidade da sua madeira, («mussib», o — Zambeze, o Luau e Rivungo são os municípios com uma
«girassonde» e a «muvuca»), pelo aproveitamento das plan- — aptidão agrícola mais diversificada (PDIPM, 2011 e PDECC,
tas medicinais aliado ao seu conhecimento e ainda pelo mel — 2013). O arroz é presentemente cultivado em pequena escala
e pela cera. (PDIPM, 2011).
Fotografia 3.6 - Areas florestais
A agro-pecuária tem também destaque na região
(Fotografia 3.8), sendo que as actividades do sector se concentram quase que totalmente nas famílias camponesas,
dentro de políticas governamentais actuais na estratégia de
combate à fome e à pobreza.
Verifica-se um desenvolvimento gradual de várias
espécies animais, com destaque para as aves (PDIPM,
2011), sendo que na Província do Cuando Cubango existe
uma tradição de criação de gado, sobretudo no Sul da
Província (PDECC, 2013). Os animais selvagens têm, tradicionalmente, constituindo uma das fontes de alimentação
quotidiana.
Dentro das áreas artificializadas, refiram-se os aglomerados populacionais, as áreas industriais e as vias de
comunicação. Como principal aglomerado urbano, destaca-
Fotografia 3.8 - Actividade agropecuária
ESSES =
SEA <Q ETR
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SR d TO Er AD
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ASAS já Ds io A, ALI
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Fotografia 3.7 - Cultura de
mandioca
-se a capital de Província do Moxico, Luena, localizada no
Sector Norte da bacia hidrográfica. Os aglomerados populacionais secundários situam-se também no Sector Norte
da Bacia, nomeadamente Camanongue, Leua, Lumeje,
Luacano e Cazombo (Fotografia 3.9 e Fotografia 3.10).
O assentamento populacional na grande maioria dos
casos ocorre junto às margens das principais linhas de água,
de forma que a população possa utilizar as águas dos rios e
os recursos húmidos presentes na sua envolvente.
Relativamente a áreas industriais, existiam algumas
indústrias agro-transformadoras de produção local de licores, vinhos e bebidas espirituosas junto a Luena, que se
encontram presentemente em escombros. No Luena existe
também uma central eléctrica (Fotografia 3.11).
Fotografia 3.9 - Leua
co
Fotografia 3.10 - Lumeje Fotografia 3.11 - Central eléctrica
de Luena
As vias de comunicação são escassas, sendo o Caminho-de-Ferro de Benguela, a via de carácter mais estruturante na
região, que serve de ligação entre o litoral e o interior angolano, com posterior ligação ao interior africano (Fotografia 3.12).
A rede viária é na sua maioria precária, sendo a maior parte de terra batida que na época das chuvas se torna de difícil acesso
(Fotografia 3.13).
E
Fotografia 3.12 - Nova estação Fotografia 3.13 - Caminho
ferroviária em Luculo de terra batida entre Luena
e Leua
Em termos de áreas classificadas, destacam-se as áreas — representada em grande extensão pelas florestas de miombo
protegidas abrangidas pelo PGDURHBH Zambeze, nomea- (Brachystegia), tipo de vegetação que se estende por grande
damente: Parque Nacional da Cameia, Reserva Parcial de — parte do Leste e sul-africano.
Mavinga, Reserva Parcial de Luiana, Reserva Florestal Em termos de flora, de referir que a Lista Vermelha de
do Catupe/Moxico, Reserva Florestal do Luena/Moxico, Espécies Ameaçadas da IUCN (2004) identificou a ocor-
Reserva Florestal do Lucusse/Moxico, Reserva Florestal do — rência de 24 espécies florísticas ameaçadas para a área de
Macondo/Moxico, Reserva Florestal do Luisavo/Moxico, estudo, das 34 que se conhecem em Angola, embora se con-
Coutada Pública do Mucusso/Cuando Cubango, Coutada —sidere que este número esteja subdimensionado. Dombo et
Pública do Luiana/Cuando Cubango, Coutada Pública do — al. (2002) refere que as listas divulgadas são pouco significa-
Luengue/Cuando Cubango e Coutada Pública de Longa- tivas para os decisores angolanos, faltando um levantamento
-Mavinga/Cuando Cubango. completo das espécies angolanas em risco.
Em termos de enquadramento fitogeográfico, a área da Em termos de vegetação, e tendo por base a Carta de
BH do Rio Zambeze insere-se totalmente no bioma terres- — Vegetação elaborada para a totalidade da área da BH do
tre (divisão fitoecológica) zambezíaco, sendo esta classe — Zambeze em território angolano, a classificação parametri-
zada em função das seguintes classes de interesse: Agrícola,
Miombo Denso, Miombo Esparso, Prado com Miombo,
Prados e Vegetação Esparsa ou Nula, demonstrou que na
UHP Alto Zambeze — Zambeze a classe predominante é o
Prado e nas UHP Alto Zambeze — Lungúe-Bungo e Cuando
as classes mais representativas são constituídas por Miombo.
De sublinhar que as classes florestais (miombo) e de prados têm associação com as unidades definidas por Grandvaux
Barbosa (2009), quer pela predominância dos estratos presentes e quer pela distribuição geográfica.
Em termos de flora, e de uma forma geral, as espécies ou
grupos mais relevantes encontram-se com frequência associados às zonas de menor hipsometria, que funcionam em
muitos casos como corredores, para além de serem locais
de concentração de fauna durante os fenómenos de inundação. Assim, para além do Parque da Cameia, as áreas mais
importantes para a conservação da natureza localizam-se em
zonas fronteiriças, sendo as mais importantes as da UHP do
Cuando.
3. Caracterização Socioeconómica e Histórico
-Cultural
Em termos de demografia, a BH do Zambeze em 2014,
de acordo com os dados dos Censos, registava cerca de 660
mil de habitantes, o que corresponde a cerca de 2,7% da
população angolana, sendo de destacar o seguinte:
Cerca de 75% dos habitantes da bacia reside na UHP
do Alto Zambeze-Zambeze (ZZ), 14% na UHP
do Alto Zambeze-Lungué-Bungo (ZL) e 11% na
UHP do Cuando (C);
Com uma densidade populacional de apenas 2,6
hab./km?, em que existe uma clara distinção
entre a UHP do Alto Zambeze-Zambeze (ZZ),
onde existe a maior concentração populacional
da bacia, e as restantes UHP; Cerca de 85%
dos habitantes da bacia reside na Província do
Moxico;
A distribuição da população nos aglomerados populacionais mais relevantes demonstra que a
Cidade de Luena constitui o centro urbano mais
importante, concentrando 29% dos habitantes da
bacia. Os restantes aglomerados populacionais
mais relevantes (Camanongue, Leua, Luacano,
Lumeje, Cazombo, Lumbala Nguimbo, Cangamba, Mavinga e Rivungo) abrangem cerca
27% da população da bacia (Figura 3.6);
Nas áreas rurais, as pequenas povoações rurais
estabelecem-se sobretudo ao longo das vias de
circulação secundárias e das principais linhas de
água que traduz uma intensificação da ocupação
humana na parte Noroeste da bacia e uma baixa
densidade na Zona Sul da bacia.
ES :
FA à
: EAR RA MANTA: co É Zambi
nto População residente nos centros
ENS TS
O 5001-10000
O 10001-20000
O 20001 20000
( ED
| : &-
Densidade Poputacionaithat/km')
RE
um.
Namíbia Botawano
My Limite do Plano de Bacia Hidrográfica — <<, Limite de sub-becia hidrográfica —m——
Figura 3.6 - Distribuição da população na BH do Zambeze (2014)
No decurso do desenvolvimento do Plano foram realizados os Censos à população de 2014. Apesar dos prazos
não terem sido compatíveis com a realização do diagnóstico e cenarização, sendo posteriores, aquando o fecho do
plano realizou-se uma avaliação das alterações inventariadas por forma a avaliar a necessidade de reformulação de
algumas componentes, concluindo-se que, apesar das alterações verificadas ao nível dos Municípios de Alto Zambeze e
Bundas (com aumentos de população significativos, e substanciais para a análise, justificados pelo regresso dos nativos
que haviam fugido em tempo de guerra civil), o balanço
hídrico de não se vê afectado por estas alterações ao nível da
população, mantendo-se válidas as conclusões, bem como
cenarização e demais trabalho associado.
Ainda assim, os dados actualizados constam no relatório
de caracterização a bacia, juntamente com os dados referentes ao ano de base do Plano (2013).
A caracterização económica da BH do Zambeze permitiu, a nível provincial, e de acordo com os dados disponíveis,
apresentar apenas uma estimativa do PIB para a Província
do Moxico, em 2010, na ordem dos 135 a 175 milhões de
dólares. Pese embora a ausência de dados que reflicta a realidade da BH do Rio Zambeze, tendo em consideração as
estimativas populacionais apresentadas, o PIB per capita
calculado entre os 254 e os 330 de dólares contrasta com
o PIB per capita nacional de 4.478 de dólares, em 2010
(PDIPM, 2011), revelando uma assimetria regional bastante
acentuada da concentração de riqueza, onde a bacia configura um cenário bastante desfavorável.
De acordo o levantamento realizado pelo MINADER
(MINADER/FAO, 2006), entre Dezembro de 2004 e Maio
de 2006, em ambas as províncias abrangidas pela BH do
Zambeze, nomeadamente Moxico e Cuando Cubango, o
Sector Agrícola é o mais representativo com cerca de 66%
e 57% da população activa, respectivamente. Seguindo-se
a pecuária, a qual é mais representativa na Província do
Cuando Cubango do que em Moxico (18% e 12%, respectivamente) e a pesca que é mais representativa na Província
do Moxico do que na Província do Cuando Cubango (11% e
8%, respectivamente). Os recursos naturais têm uma importância similar nas duas províncias.
Também a economia apresenta diferentes graus de
desenvolvimento a nível dos sectores económicos e nas
províncias abrangidas pela BH do Zambeze, sendo de destacar alguns sectores pela sua importância a nível da bacia,
nomeadamente:
No Sector da Agricultura, as estimativas para a Campanha Agrícola de 2008/2009 apuraram uma
área total cultivada na Província do Moxico de
153 ha e na Província do Cuando Cubango
de 187.419 ha, correspondentes, respectivamente a uma produção de 1 283 929 e 416.331
toneladas. Em termos de culturas, na Província
do Moxico, destaca-se a mandioca (com 46% da
área cultivada), o milho (21%), e as leguminosas
(19%), que, no conjunto, abrangem 86% do total
da área cultivada da província, e na Província do
Cuando Cubango, destaca-se o milho, com 46%
da área cultivada, e a massambala com 24%;
No Sector da Pecuária, de acordo com as estimativas
apresentadas na Conferência Nacional sobre
Agricultura em 2009, os efectivos pecuários
existentes nas Províncias do Moxico e do
Cuando Cubango permitiram verificar que, no
contexto nacional, o efectivo animal das duas
províncias é pouco significativo, com excepção do gado bovino na Província do Cuando
Cubango que representa, naquele período, 11%
do total nacional;
O Sector da Pesca, nas duas províncias em estudo, a
par com a agricultura, é uma importante fonte
de rendimento e de subsistência alimentar local,
sobretudo na Província do Moxico, onde os
grupos de pescadores desenvolvem a sua actividade;
Sendo maioritariamente para o autoconsumo, a
comercialização do pescado é pouco expressiva,
sendo que o Relatório Anual do Governo da
Província (2010) refere uma produção e comercialização de cerca de 48,7 toneladas, sendo a
actividade assegurada por 59 grupos associados,
constituídos por 1.413 pescadores. A actividade
de piscicultura é desenvolvida em 197 tanques
piscícolas, distribuídos pelos principais municiípios (Luau — 117; Moxico — 75; Alto-Zambeze
— 5);
Existe um conjunto de outras actividades suplementares, nomeadamente a recolha de fiutos, sementes
silvestres e mel, a caça, a recolha de madeira e
a produção de carvão, maioritariamente para o
autoconsumo. Quando existentes, os excedentes
são comercializados ou utilizados como forma
de pagamento;
O Sector da Exploração Florestal, apesar do potencial existente, especialmente na floresta em
que predomina a densa Braclwstegia, onde as
madeiras nobres tropicais são muito valiosas,
esta actividade restringe-se, segundo a bibliografia consultada, às situações de subsistência
não existindo muita extracção comercial da
madeira, sendo contudo registado, na Provincia do Moxico, a exploração da madeira para
a construção civil (DP Agricultura e Pescas do
Moxico, Junho de 2013);
O Sector da Indústria não tem tradição nas Provincias do Moxico e do Cuando Cubango, apenas
se verificando o exercício de actividades em
pequena escala como sejam serrações, carpintarias, cerâmicas, britadeiras, moageiras e padarias
(Direcção Provincial de Geologia e Minas do
Moxico, Junho de 2013);
O Sector da Exploração de Inertes, apesar do seu
elevado potencial, as actividades resumem-se
a 5 empresas, na Província do Moxico, fundamentalmente direccionadas para a exploração de
inertes para a construção civil, e a 8 empresas
na Província do Cuando Cubango, que efectuam
prospecção de cobre e exploram brita e areia;
O Sector do Comércio é pouco desenvolvido, na
medida em que a rede comercial das Províncias
do Moxico e do Cuando Cubango contar com
apenas 1.014 estabelecimentos comerciais
licenciados em 2005 (correspondentes a 3% do
total nacional), pelo que os centros urbanos mais
importantes concentram a maior parte do comércio, ao passo que, as zonas rurais evidenciam
uma clara falta de infra-estruturas comerciais
(lojas), uma oferta de produtos muito limitada
e restrições ao nível do acesso das populações.
Não obstante, o desenvolvimento dos projectos
ferroviários existentes poderá fazer com que
Luena e Luau se transformem em importantes
entrepostos comerciais atacadistas, funcionando
como centros de influência e distribuição para
todas as Províncias do Leste do País, assim
como para a República Democrática do Congo
eZzâmbia;
O Sector Hoteleiro em funcionamento nas Províncias do Moxico e do Cuando Cubango não tem
praticamente expressão, no contexto nacional,
abrangendo, em 2009, 31 hotéis, pensões e
hospedarias e 61 restaurantes e duas agências
de viagens. Não obstante, as duas províncias
possuem potencialidades turísticas que actualmente não são exploradas, nomeadamente áreas
demarcadas de grande relevância para coutadas.
Sob a visão regional, o Norte da Namíbia, Botswana, Zimbabwe, Zâmbia e Leste de Angola
têm potencial para se tornarem «O Coração da
África Profunda».
A caracterização social da bacia apresenta, na generalidade das províncias:
Baixos níveis de acessibilidade a cuidados de saúde
— na Província do Cuando Cubando — são
superiores à Província do Moxico e à média
nacional;
Baixos níveis de educação — taxas de alfabetismo
de 44,9% e 46,0%, taxas líquidas de frequência
do ensino primário de 57,0% e 54,7% e taxas
líquidas de frequência do ensino secundário de
5,4% e 6,7% nas Províncias do Moxico e do
Cuando Cubango, respectivamente; níveis de
ensino atingido pela população adulta de 66,3%
a 54,1% que frequentou a escola, nas Províncias
do Moxico e do Cuando Cubango, respectivamente;
Ao nível da habitação, elevado número de habitações com material considerado não apropriado
(97,7% e 98,7%) e elevada percentagem de
habitações do tipo cubata ou cabana (28,5% e
45,8%), nas Províncias do Moxico e do Cuando
Cubango, respectivamente.
Em relação ao acesso à água potável:
A percentagem da população da bacia que utiliza uma
fonte apropriada de água para beber é reduzida
com uma taxa de 16,7% e 24,7%, nas Províncias
do Moxico e do Cuando Cubango, respectivamente, face aos 42% registados a nível nacional;
Apenas 0,8% e 2,0% dos agregados dispõem de
ligação a rede de abastecimento de água nas
Províncias do Moxico e do Cuando Cubango,
respectivamente;
Nas Províncias do Moxico e do Cuando Cubango,
pelo menos 40,7% e 60,4%, respectivamente, dos
agregados familiares reside a mais de 100 metros
da sua principal fonte de abastecimento da água
para beber.
Em termos de saneamento existe um elevado número
de habitações sem instalações sanitárias instaladas nas
Províncias do Moxico e do Cuando Cubango (50,5% e
76,1%, respectivamente), resultanlo numa baixa per-
centagem da população que usa simultaneamente fontes
apropriadas de água para beber e instalações sanitárias apropriadas (11,0 e 14,5%, respectivamente).
Em relação aos rendimentos da população, o nível das
receitas médias mensais por pessoa permite aferir a disparidade existente entre os rendimentos regionais e a média
de referência nacional, onde o montante das receitas médias
mensais por pessoa da Região Este (onde se inserem as
Províncias do Moxico e do Cuando Cubango) equivale a
apenas cerca de 55% da média nacional. Por outro lado, é
clara a dicotomia na tipologia das receitas das áreas de residência rurais e urbanas, com destaque para a importância
do auto-consumo/auto-abastecimento nas áreas rurais da
região.
Face ao exposto, a classificação das Províncias do
Moxico e do Cuando Cubango, segundo o Índice de
Desenvolvimento da População, posiciona-as no 14.º e 15.º
lugar, respectivamente, traduzindo um índice de desenvolvimento da população relativamente baixo.
Em termos de acessibilidades, a rede viária foi praticamente destruída no período dos conflitos e a sua reabilitação
tem sido lenta, destacando-se como principais eixos viários
asfaltados, a Estrada Dala — Camanongue — Luena e a
Estrada Luena — Lucusse — Lumbala Nguimbo — Ninda.
Quanto às vias urbanas, a maioria das sedes municipais possuem vias em «terra batida», com excepção da parte central
de Luena e uma via urbana de Luau que foram re-asfaltadas.
Em termos ferroviários, encontra-se em fase de reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela, que serve de ligação
entre o litoral e o interior angolano, que passará a estar integrado nas redes ferroviárias da África Austral, permitindo
a troca em larga escala de bens entre os vários países integrantes e o acesso a importantes portos marítimos do oceano
índico.
Ao nível da caracterização patrimonial, a Província do
Moxico conta com 92 (noventa e dois) monumentos e sítios
de carácter histórico e cultural que constituem um con-
Junto importante e que devem ser preservados, enquanto
na Província do Cuando Cubango, apesar de não existir
um inventário, existem diversos elementos pertencentes ao
património natural e edificado.
4. Caracterização dos Usos e Necessidades da Água
4.1. Utilizações Consumptivas
As utilizações consumptivas identificadas na Bacia
Hidrográfica do Zambeze são o abastecimento de água à
população, indústria, agricultura e pecuária, e as utilizações
não consumptivas dizem respeito à produção de energia
hidroeléctrica, pesca, aquicultura, navegação e outras utilizações como o turismo e os usos culturais.
4.1.1. Abastecimento Urbano
Ao nível do abastecimento urbano, destaca-se a capital da Província do Moxico — Luena, onde existe um
sistema de abastecimento de água composto por uma captação no Rio Lumeje e respectiva elevação para a Estação de
Tratamento de Água (ETA), a partir da qual se faz a elevação
para o depósito elevado da cidade, o qual, temporariamente
desactivada devido a uma ruptura, sendo o abastecimento
actualmente feito através de camiões cisterna. Na Província
do Cuando Cubango, não sendo a capital de província abrangida pelo Plano, destaca-se a sede do Município de Mavinga
— Mavinga onde, a título não oficial, foi possível apurar
que, desde Junho de 2012, existe um sistema de captação,
tratamento e distribuição de água potável, com uma rede de
tubagem de 9,5 quilómetros.
A população na BH do Rio Zambeze é servida por sistemas de abastecimento de água estruturados (captação,
tratamento, reserva e distribuição) ou sistemas simplificados
de abastecimento de água (captação e distribuição), sendo
que o acesso à água pode ser feito através de um ramal domiciliário que permite a ligação a uma rede de abastecimento
de água; de uma torneira de quintal instalada à porta da própria habitação ou da habitação do vizinho; de um fontanário
ou chafariz e outras origens informais como rios, ribeiras,
cacimbas.
Em termos globais, a taxa de cobertura de abastecimento
de água através de fontes apropriadas é de 100% em aglomerados urbanos e de 85% em meios rurais, pelo que 15%
da população rural ainda recorre a fontes não apropriadas
como, rios, ribeiras ou cacimbas.
O cálculo das necessidades de água para abastecimento
à população foi efectuado através da definição de uma capitação de consumo, que é função dos diferentes tipos de
abastecimento. Não existindo registo de consumos e consumidores, que permitam calcular as capitações reais,
são utilizados os valores de referência estabelecidos pela
Direcção Nacional de Águas (DNA).
A base utilizada para a estimativa das necessidades de
água para consumo humano focou-se em primeiro lugar na
avaliação da população residente nos centros/aglomerados
urbanos e áreas rurais.
Assim, resultou que as necessidades de água totais
para abastecimento na Bacia Hidrográfica do Zambeze são
de 7,7 hm/ano, para o ano de 2013, sendo de referir que
este valor é semelhante ao valor obtido no PNEA e do PNA
para a Bacia do Rio Zambeze.
Os maiores consumos registam-se na UHP Alto
Zambeze-Zambeze (ZZ) com cerca de 81% das necessidades totais da bacia. A razão entre as necessidades totais e a
população conduz à capitação média de abastecimento de
água de 43 1/hab.dia.
4.1.2. Indústria
O Sector Industrial, sob a tutela da Direcção Provincial
da Indústria, Geologia e Minas (DPIGM), nas Províncias
de Cuando Cubango e de Moxico, é um sector com pouca
expressão no território abrangido pela BH do Rio Zambeze,
sendo que as indústrias existentes estão ligadas às actividades de serração, carpintaria, cerâmica e moagem, todas de
cariz familiar, o que justifica a sua pouca expressão no contexto económico local.
De acordo com a DPIGM de Moxico, existe a intenção
de criar um «Parque de Desenvolvimento Industriab, com
cerca de 7.200 hectares, a Norte da Cidade do Luena, cujos
potenciais sectores a integrarem este Parque serão sobretudo
as indústrias de moagem e as panificadoras. O elevado e
diversificado potencial mineiro da província (cobre, diamantes, manganês, ouro, urânio, volfrâmio e inertes) potenciará
o surgimento de serviços/actividades associadas à indústria
extractiva.
Face ao exposto, concluiu-se que as necessidades de
água para o abastecimento industrial são pouco significativas, pelo que este facto associado à inexistência de dados,
optou-se por considerar a capitação industrial incluída no
consumo per capita admitido para o abastecimento urbano.
4.1.3. Abastecimento para a Agricultura
A metodologia geral para a avaliação das necessidades
de água tem por base os seguintes aspectos:
Avaliação das áreas submetidas a regadio;
Definição da ocupação cultural tipo;
Análise das necessidades úteis de rega;
Definição das eficiências globais de rega.
A estimativa das áreas de regadio na situação actual teve
por base os resultados do PLANIRRIGA com a respectiva
aferição local durante as visitas de campo realizadas no
âmbito do presente Plano, de onde se conclui que embora
a Bacia do Zambeze apresente fortes limitações ao regadio devido às carácterísticas dos solos, o PLANIRRIGA
identifica, na área do PGDURHBH Zambeze três aproveitamentos como existentes: Perímetro Irrigado do Luena,
Núcleo de Povoamento Agrário de Sacassange (sem irrigação) e Núcleo de Povoamento Agrário de Caminina (sem
irrigação), totalizando cerca de 600 hectares de área de regadio público.
Relativamente a outros regadios, teve-se em consideração as estimativas para a Campanha Agrícola de 2008/2009.
No sentido de se fazer uma estimativa o mais ajustada possível das necessidades actuais de água para a rega
na Bacia do Zambeze, seleccionaram-se sistemas culturais
(mandioca, amendoim, feijão e milho) que representam as
condições actuais, carácterizadas por uma agricultura de
subsistência com obtenção de excedentes comercializáveis.
A estimativa das necessidades de água para a agricultura teve por base os resultados do PLANIRRIGA, pelo
que foram estimadas as necessidades hídricas úteis das culturas através do modelo desenvolvido no Departamento
de Engenharia Rural do Instituto Superior de Agronomia,
segundo a metodologia preconizada pela FAO.
Na ausência de dados experimentais procedeu-se à estimativa da eficiência global de rega com base em dados
publicados e na sua relação com as condições nos regadios existentes. Neste sentido, considerou-se uma eficiência
global baixa de 50%, face ao estado de conservação e modernização dos aproveitamentos existentes, das tecnologias de
rega utilizadas e da influência da área das parcelas regadas.
As necessidades hídricas totais de uma cultura representam a quantidade de água requerida na origem e necessária
para compensar as suas perdas por evapotranspiração, na
hipótese de a humidade do solo ser suficiente para satisfazer toda a potencialidade da evaporação e da transpiração, e
considerando que ocorrem perdas reais deste recurso durante
os processos de adução, distribuição e aplicação.
Neste sentido, verifica-se que, actualmente, o volume de
água anual potencialmente necessário para a rega na BH do
Zambeze é de cerca de 7,4 hm? em ano médio e de cerca de
11,6 hm? em ano seco.
4.1.4. Pecuária
Em relação à pecuária, a análise das necessidades de
água teve em consideração os estudos «Avaliação Rápida
dos Recursos Hídricos e Uso da Água em Angola» (DNA,
2005) e o PNEA (2012). Tendo em consideração a estimativa dos efectivos pecuários nas Províncias de Moxico
e Cuando Cubango apresentada na Conferência Nacional
sobre Agricultura em 2009 e adoptados os consumos diários
de referência por cabeça para os bovinos, equinos e asininos
(50 litros), suínos (12 litros), ovinos e caprinos (6 litros) e
aves (0,2 litros), as necessidades actuais para a pecuária na
Bacia do Zambeze foram estimadas em cerca de 5,6 hm*/
ano.
4.2. Utilizações não Consumptivas
Assumindo que o direito de uso dos recursos hídricos não
consumptivo corresponde ao uso que não produz qualquer
tipo transformação do recurso água, sendo este devolvido ao
meio natural, de forma a ficar disponível para outros usos,
identificam-se como utilizações não consumptivas, na BH
do Zambeze, os aproveitamentos hidroeléctricos, a pesca e
aquicultura, a navegação, e outras utilizações e ocupações
como o turismo e os usos culturais.
4.2.1. Hidroelectricidade
A análise das carácterísticas topo-morfológicas dos cursos de água da Bacia do Zambeze em território angolano
não apontam para a instalação de grandes aproveitamentos
hidroeléctricos, em concordância com vários estudos anteriores disponíveis sobre a matéria.
Face ao exposto, o aproveitamento hidroeléctrico
na Bacia do Zambeze em território angolano poderá ter
lugar através da instalação de pequenos aproveitamentos
a fio de água (mini-hídricas), que, além de corresponderem a usos não consumptivos, assegurarão que os caudais
afluentes serão descarregados (e turbinados) sem que haja
regularização, pelo que o regime de caudais a jusante
não será afectado. Destacam-se as Quedas de Tchafinda,
no Rio Luena (Município de Leua), as Quedas do Rio
Luizavo (Município do Alto Zambeze) e as Quedas do Rio
Luanguinga (Município de Bundas).
Além destes locais, e atendendo às carácterísticas
topo-morfológicas das linhas de água na Região do Alto
Zambeze, foram ainda identificadas outras possibilidades
de aproveitamento hídrico para produção de energia eléctrica nos Rios Luitchiquinha, Luvua, Lumache, Lufuiígio e
Macondo.
4.2.2. Pesca e Aquicultura
A pesca fluvial é considerada a principal ocupação das
populações a par com a agricultura e é sobretudo direccionada para o auto-consumo, sendo os excedentes, quando
existentes, comercializados localmente. Destacam-se entre
outras espécies capturadas, o bagre, as choupas, a tilápia, a
toqueia e o pungo.
A pesca é exercida de forma tradicional, com recurso
a métodos e utensílios básicos, (rede e linha), sendo ainda
frequente práticas impróprias e destrutivas, como o uso de
raízes ou plantas venenosas. O tipo de embarcações são
pequenas canoas de madeira, geralmente desadequadas e
mal apetrechadas.
Embora a aquicultura esteja presente em alguns locais,
não tem actualmente especial impacto em termos económicos. No entanto, de referir que de acordo com o «Plano de
Desenvolvimento Estratégico 2013-2017», do Govemo da
Província do Cuando Cubango e o «PDI Moxico», esta actividade reúne as condições ideais para ser expandida e para
se tornar um sector economicamente importante.
4.2.3. Navegação
A maioria dos rios da bacia não apresenta condições
favoráveis à navegação, uma vez que a maioria detém um
volume insignificante na época de cacimbo e um regime torrencial na época das chuvas. No entanto, de acordo com a
bibliografia consultada e as observações directas in loco,
ocorre navegação fluvial em alguns rios, destacando-se,
neste contexto, os Rios Mussuma, Luanginga e Zambeze,
onde pequenas embarcações fazem ligação à Zâmbia.
Existe, ainda a potencialidade de promover a ligação fluvial
transfronteiriça com a Zâmbia, nomeadamente com a construção do canal fluvial, desassoreamento e drenagem do Rio
Cuando.
4.2.4. Turismo
Ao nível de outras utilizações não consumptivas, é de
destacar o Turismo, onde ser considera o turismo enquanto
utilização não consumptiva do recurso água, quando a tipologia em causa seja referente ao designado «turismo de
natureza» ou «ecoturismo».
A BH do Zambeze apresenta um elevado património
natural, identificando-se como lugares mais promissores
o Parque Nacional da Cameia, na Província do Moxico, e
as Reservas Parciais de Luiana e Mavinga, na Província do
Cuando Cubango.
De referir outras áreas com interesse conservacionista apontadas pelos actores locais como as Quedas de
Águas de Luizavo, de Luanguinda e Tchafinda, e o Parque
Internacional de Mussuma factualmente em viabilização), alinhado com o projecto da Área Transfronteiriça de
Conservação Okavango — Zambeze (KAZA ATFC).
De destacar o «Projecto turístico transfronteiriço e de
conservação natural Okavango — Zambeze» (KAZA) que
abrange as bacias hidrográficas onde convergem 5 países
pertencentes à SADC, nomeadamente Angola, Botswana,
Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. Este projecto constitui a
maior iniciativa transfronteiriça do Continente Africano,
sendo a sua área territorial de cerca de 444 000 km? de — UHP C (Cuando) e valores máximos de 309,2 mm, na UHP 727,
parque ecológico, com grande parte da sua área ainda selva- — (Alto Zambeze).
gem, onde estão incluídos 36 parques nacionais, reservas de As contribuições para as disponibilidades hídricas
coutada e de floresta, conservações comunitárias e áreas de — superficiais na Bacia Hidrográfica do Rio Zambeze, inde-
gestão de coutada e vida selvagem. pendentemente do ano de referência (húmido, médio ou
4.2.5. Usos Culturais seco), vão aumentando à medida que as bacias evoluem de
Na BH do Zambeze, o recurso água constitui um ele- = Sudoeste para Nordeste.
mento tão vital na vida das populações, que faz parte Em relação aos recursos hídricos subterrâneos, a
integrante não somente da Sua subsistência, como também avaliação de disponibilidades permitiu concluir que as dispoda sua cultura popular, influenciando a forma como estas cúptisto EE à & E.
so : nibilidades em recursos hídricos subterrâneos são superiores
populações interagem com este recurso, na medida em que o as
Y ã í : à aos escoamentos superficiais. Este aspecto é particularmente
as margens dos rios (Rio Tchonga, Rio Luculo, Rio Lumeje : e.
e Rio Ndala) são aproveitadas para necessidades básicas acentuado na UM do Cuando, na qual as disponibilidades
como as de lavar roupa e tomar banho, face à escassez de — EM recursos hídricos subterrâneos renováveis são cerca de
água presente. Por questões culturais, algumas populações — 14 vezes superiores às disponibilidades em recursos hídricontinuam a preferir ir buscar água ao rio, em detrimento — cos superficiais.
dos fontanários. O balanço hídrico foi efectuado para as sub-bacias de
5. Avaliação das Disponibilidades-Necessidades — — 2.º e3.º ordem, para o ano médio (50%) e o ano seco (20%),
Balanço Hídrico contemplando os recursos superficiais e subterrâneos.
Em relação aos recursos hídricos superficiais, a avaliação No que diz respeito às necessidades de água totais,
de disponibilidades permitiu concluir que o escoamento médio — no Quadro 3.4 apresentam-se os valores que englobam as
anual para a globalidade da área do PGDURHBH Zambeze é — parcelas das necessidades de água para as actividades conde 127,3 mm, apresentando valores mínimos de 2,9 mm,na sumptivas para ano médio e ano seco.
Quadro 3.4 - Necessidades Hídricas totais (hm? /ano)
URBANAS NECESSIDADES
AGRÍCOLAS S HÍDRICAS TOTAIS
SUB-BACIAS 2013 Ano PECUÁRIA
incluindo | Ano Médio E Ano Médio | Ano Seco
indústrias | (50%) 20% (50%) (20%)
mo axo amo apo combo 39| se
E A NC IO) IN INN EC MN
mo ao casos Bo aa ae
ECC A o NC CO INS MA
O semes|[ 6] ses| Sao os] nas] esa]
Cm [Oo | | oo a
EC Nr E O Ar Ir Ico a
a [Os [O o[ on on] on] Tozs| ess]
NC O O IST CO MC Mr A
as [| Tomb of os| — oml — oss[ one]
A Er Nr NC Nr NEC IAC
CC NS PAS No NC NC] DNC E] ON CS INN)
e s| oa] os] ae os aa
NC 7 E AC MN IN CA NCIA
ENC T rr oO a EI] Bal
TT O NE CC NE Nro NC NC
No Quadro 3.5 apresentam-se as disponibilidades hídricas superficiais para as UHP principais e secundárias consideradas no PGDURHBH Zambeze.
Quadro 3.5 - Disponibilidades Hídricas Superficiais (hm? /ano)
e ps To
(80%) (50%) (20%)
mo | selo soreo| 4105]
sn] 6520] 5191,60
aa [A] aa] sm
Cas [TO Gm] me
:
De acordo com quadro anterior, é possível concluir que as disponibilidades hídricas superficiais na Bacia Hidrográfica
do Zambeze, independentemente do ano de referência (húmido, médio ou seco), vão aumentando à medida que as bacias
evoluem de Sudoeste para Nordeste.
No Quadro 3.6 apresentam-se as disponibilidades hídricas subterrâneas para as UHP principais consideradas no
PGDURHBH Zambeze.
Quadro 3.6 - Disponibilidades hídricas subterrâneas
Área Ano E Ano
"5 EsFEeEeEE
30% (50%) (20%) B0% [50%) [20%)
> | e5039] 3632020] 264010 1916eo| ass] of 7a
| 66152 2728350] 156190] seso20| 182 78fa6
Nota: O valor das disponibilidades em recursos hídricos — cuidados especiais e deverão ser revistos logo que se dispo-
subterrâneos renováveis, na UHP Cuando, está seguramente — nha de dados completos.
à . No Quadro 3.7 apresentam-se os valores relativos ao
sobreavaliado, devido ao escoamento superficial apresentar E re, : : 1a
balanço hídrico superficial por bacia, para os anos médio e
um coeficiente muito baixo, como anteriormente referido, — seco, resultando da análise entre as disponibilidades superfipelo que os valores apresentados devem ser utilizados com — ciais e as necessidades de água totais.
Quadro 3.7 - Balanço Hídrico - Água de origem superficial (hm3/ano)
BALANÇO HÍDRICO
SUB-BACIAS
Ano Médio (50%) | Ano Seco (20%)
ECO RC AE oc]
4581 3920
1542 1264
6221 5487
NET 1453 1254
6657 5357
TRE ao = Te
nn ESCORES TT RAESETO
No ENETA O ARE)
Sub-totais 12253 9875
RATE inte: TOSA)
NE BR MENS O) DAS)
TOTAIS 32441 26777
Dos valores obtidos, verifica-se um superavit para as — podendo vir a revelar no futuro alguma escassez nas dis-
16 sub-bacias da análise, sobretudo na Zona Norte, dimi- — ponibilidades hídricas, principalmente em Ano Seco (20%).
nuindo à medida que se caminha para Sul. O balanço hídrico é acompanhado do cálculo de alguns
As sub-bacias que apresentam menores valores em ter- — indicadores (Quadro 3.9) que permitem analisar o desempemos de balanço hídrico são as que se encontram localizadas — nho das unidades hidrográficas ao nível das necessidades e
mais a Sul (Clc e C4), na Província do Cuando Cubango, — disponibilidades.
Quadro 3.8 - Indicadores de desempenho
| Designação Descrição : Classificação
j e : IUPs5 Situação excelente
1UP - fndice dê: o mediana dedos = PAES Situação confortável :
DOE e consumptivos e a 10 < IUP<20 Situação preocupante
(%) cão hídrica |n0lP<40O — | Situação crítica
; IUP > 49% Situação muito crítica &
EL fnditede Razão entre as IPs 500 A Situação de escassez
Potencialidade alo RES da Do 500 <1IP<s1700 | Situação de “stress
(m3/ano.hab.) em ano m dio e a : —
população pesidente, —/ | PRATO.
MEIO QMenobao
E tos de | disponibilidades da UHMP | 700 Sebo
tm fano hab) | emanosecoea ITOUSIDET / | e
o: população residente 500 E
Sr ; ID>7500 Alto
Ravánentenas Risco elevado de escassez =
IV - Índice de * disponibilidades da UHP | 15<]Y<s46 Risco médio de escassez
Variabilidade em ano seco e as 4 : : .
(%) disponibilidades Sigado D< Ws 60 Es ESA de Rs
média W>60 Risco muito baixo de
Y 2. ESCAssez
O Quadro 3.9 apresentam-se os indicadores de disponibilidade de água de origem superficial obtidos para as UHP
secundárias.
Quadro 3.9 - Indicadores da disponibilidade de água de origem superficial
meme e 6 oe [OW
zm | on8% | 50186 | 42956 | 086 |
mm on6m | s0503 | 33279 | 08 |
| z5 | 005% | 47265 | 20784 | 086
az Som [sa [assa | 08
[Ha [00% |áreses [381567 | 08
as | 005% | 376634 | 326653 [om |
[e 1366 | 266 ESA
es Tom [5207 | 10155 | 066 |
1 | 18% | 1286 ESA
Com base no resultado obtido do balanço entre as dis- — -bacias Clc e C4 são as que apresentam uma disponibilidade
ponibilidades superficiais e as necessidades de água nas — superficial menos confortável.
sub-bacias em estudo pode-se concluir que a obtenção dos Considerando a totalidade das disponibilidades hídricas
indicadores TUP e IP, respectivamente com valores inferio- .* superficiais e subterrâneas para as UHP, e, conclui-se que
res a 1% e superiores a 4.000 mº/hab.ano consubstanciam — em termos globais o desempenho hídrico da área em estudo
uma situação amplamente confortável no que diz respeito — não apresenta quaisquer problemas de escassez, tal como se
aos recursos de água. Como anteriormente referido as sub- — pode verificar no Quadro 3.10.
Quadro 3.10 - Balanço Hídrico e Indicadores de disponibilidade hídrica
'
50% 20%
im | assosal 160928] 0036 | 119772 | 9306 | 08 |
A área em estudo é assim uma unidade hidrográfica 3.6. Caracterização dos Recursos Hídricos
húmida. Tendo uma população reduzida e muito dispersa, 3.6.1. Identificação das Zonas Sensíveis
apresenta esta região condições propícias ao desenvolvi- Tendo em consideração que zonas sensíveis suportam
mento de actividades utilizadoras de água, como sejam a ecossistemas para a conservação da natureza, que sofrem
implementação de aproveitamentos hidroeléctricos e o esta- alterações DA qualidade da água em determinados períodos
j ” i & ' (fenómenos de cheias), ou ainda, que suportam utilizações
belecimento de actividades industriais consumidoras de : 2 Ú :
. io . exigentes (captações para abastecimento) e que as mesmas
grandes quantidades de água, difíceis de localizar noutras — qaverão ser protegidas, na BH do Zambeze identificaram-se
áreas do país, por deficiência de recursos hídricos dispo- — as seouintes zonas sensíveis:
níveis. Como anteriormente referido, a região em estudo Captações de Abastecimento Público
apresenta características propícias à agricultura de sequeiro. Na Bacia Hidrográfica do Zambeze foram identifica-
PERO das cerca de 8 captações principais, das quais apenas 6 têm
! Valor anómalo, devidamente justificado na Parte II da Fase 1 origem em águas superficiais ou sub-superficiais, cujo tipo
de abastecimento e infra-estruturas associadas encontra-
-se francamente desajustado e em más condições, sendo o
abastecimento para consumo principalmente feito através de
cacimbas, poços e furos, particulares e comunais.
Importa a este nível referir o programa «Água para
Todos» que tem como objectivo assegurar o acesso à água
potável da população rural, através da reabilitação e reforço
do sistema de abastecimento de água.
Lagos/lagoas
Na Província do Moxico destaca-se a Lagoa Calundo
(Município de Léua) e o Lago Dilolo (Município de
Luacano), pelas suas dimensões. Na zona envolvente ao
Parque Nacional da Cameia e a Este da província, ocorrem
outras lagoas, de menores dimensões e a Sul, na margem
esquerda do Rio Cuando, ocorrem pequenos lagos e lagoas,
na zona envolvente aos efluentes dos Rios Ninda, Calundulo,
Mulai, Capuí e Luegi. Não existem albufeiras nas linhas de
água da BH do Rio Zambeze em território angolano.
Zonas Inundáveis
A Província do Moxico é afectada anualmente na época
das chuvas por fenómenos de cheias, registando-se perdas
humanas, agrícolas e de infra-estruturas, sendo as zonas
mais vulneráveis os Municípios de Kamanongue, Bundas,
Luena e Alto Zambeze. Através do trabalho de campo foi
também possível de constatar que Cazombo e Chana são
zonas vulneráveis à ocorrência de cheias, inundando em
época de chuvas.
Zonas Húmidas
Referem-se as anharas ou chanas que são vastas planuras de cobertura herbácea onde são raros, ou praticamente
ausentes, os extractos arbóreos e arbustivos e as quais estão
sujeitas a inundações prolongadas. Localizam-sena UHP do
Alto Zambeze-Zambeze, a Sul das Localidades de Kameia e
Luacano. Referem-se também as planícies de inundação do
Barotse e do Cuando como zonas húmidas.
Zonas de Elevada Erosão
A zona que apresenta maiores riscos de erosão é o sector
Norte da BH do Rio Zambeze em território angolano (zonas
Norte e Noroeste da UHP do Alto Zambeze-Zambeze),
sendo de referir ainda que as áreas próximas a cidades
(Luena, Cazombo e Lumbala) têm apresentado elevada erosão do solo.
Sistemas Aquíferos Vulneráveis
A área abrangida pela BH do Zambeze compreende duas
unidades classificadas com um grau de vulnerabilidade alta,
correspondentes aos Sistemas Aquíferos Aluvionares e à
Unidade Hidrogeológica Cameia — Lumbala. As Unidades
Hidrogeológicas Diangoma e Cazombo — Macondo, apresentam uma vulnerabilidade à poluição baixa e baixa/variável.
Áreas de Conservação da Natureza
Existe um número significativo de áreas protegidas em
território angolano, abrangidas pela BH do Rio Zambeze,
entre as quais: o Parque Nacional da Cameia e cinco reservas florestais (Província do Moxico) e duas reservas parciais
e quatro coutadas públicas (Província do Cuando Cubango).
Importa ainda referir outras áreas de interesse natural,
não oficiais, consideradas importantes para a conservação da
natureza, nomeadamente as Quedas de Água de Tchafinda
(a Sul de Léua), as Quedas de Água do Luizavo (no Alto
Zambeze), as Quedas do Luanguinga e as Quedas do Lucula
(em Bundas).
6.2. Identificação das Fontes de Poluição
Os principais riscos de poluição pontual na Bacia
Hidrográfica do Zambeze foram agrupados de acordo com
a sua origem tópica (urbana, industrial e instalações de tratamento de resíduos sólidos) ou difusa (agrícola e pecuária).
Em relação à poluição de origem urbana não existem instalações de tratamento colectivo, como Estações de
Tratamento de Águas Residuais (ETAR) ou fossas sépticas,
na área de abrangência do PGDURHBH Zambeze.
Do levantamento de campo efectuado, constatou-se que
existem algumas latrinas comunitárias, cujo sistema de descarga de efluentes domésticos se baseia na infiltração no
solo.
Apesar da inexistência de redes de drenagem de águas
residuais domésticas, foi efectuada uma estimativa de cargas poluentes na Área do PGDURHBH Zambeze, utilizando
como base as capitações de alguns parâmetros presentes na
norma ATV-DVWK-A 198-E, de onde se concluiu que a
poluição urbana é mais significativa na UHP ZZ, seguida
da UHP C e por fim a UHP ZL, com cargas menos elevadas.
Em relação à poluição de origem industrial, o Sector
Industrial não tem expressão nas Províncias do Moxico e
do Cuando Cubango na medida em que se verifica apenas
o exercício de actividades em pequena escala, de exploração mineira ligada sobretudo à exploração de inertes para a
construção civil e ainda de instalações de criação de espécies pecuárias que, no seu conjunto, têm um impacto pouco
significativo ao nível da poluição.
Em relação a instalações de deposição de resíduos sólidos, nas Províncias do Moxico e do Cuando Cubango, apesar
de pontualmente se verificar a existência de lixeiras, o sistema de recolha de RSU é deficitário, pelo que comumente
se verifica a deposição de resíduos no solo e o seu enterramento junto às habitações e por vezes a queima, pelo que o
seu impacte é significativo a nível de poluição.
Relativamente à poluição difusa, de referir a agricultura
que embora constitua a principal fonte de recursos e de rendimentos para a maioria da população da bacia, a mesma
é desenvolvida à escala familiar, pelo que sendo uma agricultura tradicional sem recurso a fertilizantes químicos
e a pesticidas, não terá impactes significativos a nível de
poluição.
6.3. Redes e Programas de Monitorização
A nível internacional, é efectuado um programa de
monitorização ambiental da responsabilidade da Autoridade
da Bacia do Rio Zambeze (ZRA), o qual abrange a Bacia
Hidrográfica do Zambeze em território internacional.
A nível nacional, não existe uma rede de monitorização
da qualidade da água na Bacia Hidrográfica do Zambeze,
bem como em Angola.
6.4. Qualidade dos Recursos Hídricos
Atendendo à escassez de informação no que respeita à
qualidade dos meios hídricos, realizou-se uma campanha de
amostragem com o objectivo de carácterizar a qualidade das
águas superficiais e subterrâneas da Bacia Hidrográfica do
Zambeze, em território angolano.
6.4.1. Águas Superficiais
Tendo em consideração que a pior classificação obtida
para um parâmetro determina a classe de qualidade da água
numa linha de água, constatou-se que a maioria das linhas de
água, alvo de análise, obteve uma classificação de Excelente
ou Boa (Classe A e B, respectivamente).
De referir algumas linhas de água como o Rio Luculo,
o Rio Zambeze e o Rio Lunatche, de onde foram recolhidas
amostras de água com uma classificação inferior (Razoável
— Classe O). Ainda se verificaram situações onde, pontualmente, a qualidade da água foi inferior, como o Rio Lufuigi
(Má — Classe C) e o Rio Zambeze e o Rio Lumeje (Muito
Má — Classe C)
6.4.2. Águas Subterrâneas
Para além da análise da qualidade de água subterrânea
através de uma campanha de recolha e análise de água, foi
avaliado o potencial relacionado com as unidades hidrogeológicas presentes.
Neste sentido, e tendo por base o Decreto Presidencial
n.º 261/11, de 6 de Outubro, foram recolhidas amostras em
pontos de água localizados nos principais centros urbanos,
de carácter privado e público, sendo que os resultados permitiram verificar a existência de influência de contaminação
orgânica na qualidade das águas subterrâneas que pode
resultar da combinação de dois factores: a ocupação humana
na envolvente aos pontos de água e a pouca profundidade a
que circulam.
De acordo com os resultados obtidos, de carácter pontual,
no entanto representativos do período mais crítico (período
seco), apenas algumas das águas analisadas se podem cons1-
derar aptas para o consumo humano.
7. Conservação da Natureza
7.1. Áreas de Interesse Conservacionista
Na definição de áreas com interesse conservacionista
para toda a bacia angolana do Rio Zambeze, foram considerados os dados compilados na caracterização biofísica.
Assim, foram seleccionados locais atendendo aos seguintes
critérios:
Áreas Protegidas: Parque Nacional da Cameia,
Reserva Parcial da Luiana e Reserva Parcial da
Mavinga;
Coutadas Públicas: Longa-Mavinga, Luina, Luengue
e Mucusso;
Áreas Protegidas em Vias de Classificação: Área
Transfronteiriça de Mussuma (Angola-Zâmbia);
Locais de elevada diversidade de peixes: «hotspots
de ictiofaumoo>,
Locais de ocorrência de grandes mamíferos classificados com estatuto de conservação desfavorável:
elefante, hipopótamo, puku, rinoceronte, leão,
búfalo;
Locais de ocorrência de espécies de mamíferos com
estatuto de conservação desfavorável que ocorrem nos países limítrofes, podendo ocorrerem
em Angola: girafa e chita;
Áreas de vegetação com particular interesse (vegetação pouco comuns como Floresta seca densa,
sempervirente; «Miombo» mediano do Planalto
Continental e Bosque Seco, decíduo, e mosaico
de savana e «estepe».
7.2. Ecossistemas Aquáticos e Terrestres Associados
— Estado de Conservação
Tendo em consideração os dados de caracterização dos
recursos ecológicos e hídricos, avaliou-se o estado de conservação dos ecossistemas aquáticos presentes na Bacia do Rio
Zambeze através de determinados critérios como a estrutura
e distribuição de micrófitos, comunidades de invertebrados
aquáticos, comunidade de ictiofauna, outras espécies faunisticas e qualidade fisico-química da água, tendo-se concluído
o seguinte:
Na UHP do Alto Zambeze — Zambeze, os principais
cursos de água, onde se inclui o Rio Zambeze, apresentam
características distintas entre si, pelo que os principais valores ecológicos que caracterizam os ecossistemas aquáticos
ocorrentes nos mesmos são distintos, tendo originado resultados de análise distintos.
Destaca-se o Rio Zambeze que, em termos de vegetação
ripícola, constitui uma zona de transição, e como tal sobre
influência, entre os afluentes da margem direita, associados à Região da Kameia (áreas de prados), e os da margem
esquerda, associados à Região do Alto Zambeze (florestas
densas).
Em termos de fauna, estão assinalados mais de uma
centena de odonatos e 30 a 40 espécies de peixes, e em termos de espécies dependentes dos ecossistemas aquáticos,
destaca-se a lontra, o jacaré, o hipopótamo e uma elevada
diversidade de aves aquáticas, bem como populações de elefante e de búfalo.
Em termos de qualidade da água, o Rio Zambeze foi
avaliado em três locais, tendo-se verificado que a sua classificação varia entre Muito Má (em Lumbala Caquengue,
devido a valores muito elevados de fósforo) e excelente
(Cazombo). De onde se conclui que se encontra sobre forte
pressão das comunidades humanas que se instalam nas suas
margens, bem como das actividades de mineração (Alto
Zambeze). Também as zonas de elevada erosão (Cazombo
e de Lumbala Caquengue) podem determinar alterações
importantes na qualidade da água.
Na UHP do Alto Zambeze — Lungué-Bungo, os princi- — atravessa para território namibiano, não se considerando que
pais cursos de água são caracterizados por uma estrutura de — esteja suficientemente retratada toda a sub-bacia. Também
vegetação ripícola muito semelhante entre si, definindo un — o Rio Zambeze não foi contemplado, devido à limitação
zonamento marcado do coberto vegetal da margem da linha — imposta pelos dados hidrométricos disponíveis para este
de água para as zonas de cumeada: formações hidrófitas > — estudo.
savanas arbustivas ou herbosas > Bosques baixos ralos ou Na área da Bacia do Rio Zambeze, em território angolano,
floresta densa seca. encontram-se apenas 2 estações hidrométricas: Chafinda e
Na UHP do Cuando verifica-se um enquadramento — Canhangue, ambas localizadas na sub-bacia Alto Zambezesemelhante entre os tributários do Rio Cuando quanto à com- — -Zambeze e com limitações relativamente às séries tempoposição dos macrófitos, embora o próprio Cuando apresente — rais. Das restantes estações hidrométricas localizadas fora
uma estrutura distinta dos restantes cursos de água que ocor- — do País, mas relativamente próximas da fronteira, apenas foi
rem na UHP. possível obter dados para a EH de Kongola, localizada na
7.3. Conversação da Rede Hidrográfica — Caudais — Namíbia.
Ecológicos A avaliação da integridade ecológica permite ter em
O estudo de caudais ecológicos para a Bacia do Rio — consideração a sensibilidade do ecossistema, produzindo
Zambeze, em território angolano, teve como base detrabalho — uma abordagem mais ou menos conservadora relativaa metodologia modificada do método de Montana desenvol- — mente ao caudal ecológico a adoptar, verificando-se que a
vida por DWAF (1999), com recurso ao programa RESDSS, percentagem de caudal ecológico atribuído aumenta com a
através de dados hidrométricos e de avaliações periciais da — classificação ecológica do sistema.
integridade ecológica do sistema ripícola analisado, permi- Também foi possível verificar que o modelo atende a
tindo assim assegurar a sensibilidade da componente biótica — outros factores como o registo histórico de caudais, sendo
e abiótica fluvial através de uma estimativa de caudais eco- — exemplo disso, o caso de Kongola, que apresenta uma claslógicos adequada para fase de planeamento. sificação ecológica muito semelhante a Chafinda, mas a
De referir que o facto de não existirem estações hidro- — variação de caudal (expressa pelo seu desvio padrão) é
métricas na sub-bacia Alto Zambeze — Lungué-Bungo, — muito superior. Este dado induz no modelo uma maior adapdeterminou que os rios associados não fossem integrados — tabilidade histórica do ecossistema em análise à variação de
neste estudo e que na sub-bacia Cuando, considera-sepouco — caudal e, portanto, uma menor sensibilidade a regimes de
representativa a abordagem do Rio Cuando na zona onde — caudal reduzido.
Quadro 3.11 - Resultados obtidos ao nível do parâmetro Integridade
Ecológica
e os valores de Caudal Ecológico entre locais estudados
Hidrométrica (Pontuação) % (%EAM)
69,6%
19,5%
8. Situações Hidrológicas Extremas e de Risco Na área da Bacia Hidrográfica do Zambeze, de acordo
8.1. Alterações Climáticas com modelos elaborados a nível nacional, é possível con-
As alterações climáticas constituem um dos maiores — Cluir que, em resumo, será expectável o seguinte:
desafios colocados actualmente à humanidade. À maior Na Região Noite, " aumento de temperatura anual e
frequência e severidade dos desastres naturais como a alte- sazonal deverá ser significativo, podendo atingir
" . o o : um aumento até 4,6ºC até ao final do Século XXI
ração dos padrões climáticos, a diminuição dos glaciares, o é NDA SA
: e que poderá tomar-se mais significativo com
aumento do nível do mar e as secas, constituem algumas das o
o aumento da distância à costa e atenuado de
consequências que já se fazem sentir. Estas circunstâncias, Sul para Norte. É expectável que a precipitaassociadas aos registos de observações e fontes de projec- ção média anual possa aumentar, sendo que
ções climáticas, têm vindo a demonstrar que a água constitui esta região apresenta a maior possibilidade de
um recurso vulnerável às alterações climáticas e que sofrerá aumento de precipitação intensa no território
gravemente com as suas variações. angolano;
Na Região Planalto, existe uma tendência acentuada
(em relação À Região Norte) para o aumento
da precipitação, verificando-se também um
aumento significativo de ocorrência de dias e
noites quentes, principalmente nos meses de
Dezembro, Janeiro e Fevereiro;
Na Região Semiárida, o aumento de temperatura
anual e sazonal deverá ser o maior do território
angolano, sendo este aumento mais pronunciado
nos meses de Inverno. É esperada uma diminuição de precipitação, sendo previsto alterações
significativas na recarga dos aquíferos. O perfil
climático árido e semiárido manter-se-á, sendo
importante considerar a hipótese de extensão das
regiões áridas em direcção a Este e das regiões
semiáridas em direcção a Norte.
8.2. Fenómenos Hidrológicos Extremos
Os fenómenos hidrológicos extremos, como as secas e as
cheias, têm um peso muito significativo na gestão dos recursos hídricos.
Na análise realizada para as secas na Bacia do Zambeze
foram definidos os limiares de seca severa e de seca extrema
para a época das chuvas e época do cacimbo. Na área da
bacia, varia entre 743,0 mm (Extrema) e 769.9 mm (Severa),
na época das chuvas e 0,14 mm (Extrema) e 0,92 mm
(Severa), na época do Cacimbo.
Em relação às cheias, destaca-se a Província do Moxico
que, em geral, todos os anos, na época das chuvas sofre
consequências significativas com as cheias que ocorrem,
registando-se perdas humanas, agrícolas e de infra-estruturas. Um dos factores apontados para a gravidade das cheias
prende-se com o facto de, aquando da sua ocorrência, as
estradas se tornarem inacessíveis tornando difícil, ou impossível, o acesso a essas zonas pelos serviços de Bombeiros e
Protecção Civil.
De acordo com os Serviços Nacionais de Protecção Civil
os municípios mais afectados são Kamanongue, Luena,
Alto Zambeze e Bundas, sendo que neste último foi instalado, em 2007, em Lumbala Nguimbo, uma Comissão
Nacional de Protecção Civil, encontrando-se actualmente
em elaboração o estudo de «Estabelecimento de uma Rede
de Monitorização e Sistema de Aviso Prévio para a Bacia
Hidrográfica do Alto Zambeze».
8.3. Erosão
Tendo em consideração os efeitos que a erosão poderá
gerar em algumas áreas de abrangência da BH do Rio
Zambeze, foram identificadas as áreas mais susceptíveis à
erosão, pelo que dos vários agentes activos que contribuem
para a erosão, aborda-se a erosão hídrica provocada pela
chuva (erosão pluvial) por ser o fenómeno mais comum e
de maiores efeitos.
As limitações sentidas ao nível da ausência real de dados
de base, associadas às limitações temporais, não permitiram a aplicação rigorosa da Equação Universal de Perda
de Solo (USLE) à BH do Zambeze, pelo que foi aplicada
uma metodologia de índole qualitativa, baseada em referências bibliográficas. A pesquisa efectuada permitiu adquirir o
conhecimento do território numa dupla perspectiva: biofísica
e humana, tendo o cruzamento destes elementos possibilitado a identificação dos principais factores que propiciam a
erosão e sua a posterior comparação com a Carta de Risco de
Erosão de Angola (Angola Erosion Hazard Map), publicado
pela SADCC, tendo-se concluído o seguinte:
A área de abrangência da BH do Zambeze apresenta
um baixo a médio risco de erosão;
A erodibilidade dos solos, o declive e sobretudo a
erosividade das chuvas constituem os factores
que mais influência tem no risco de erosão;
O baixo risco de erosão é predominante na Bacia,
bem representado no seu Sector Sul, atribuído
sobretudo à erosividade das chuvas associada à
erodibilidade dos solos, e no Sector Noroeste,
maioritariamente, atribuído à conjugação do
declive com a erosividade das chuvas;
Orisco mais elevado da Bacia, embora médio na classificação atribuída no mapa citado, ocorre no seu
Sector Norte e Nordeste. Este risco é sobretudo
associado à erosividade da chuva.
8.4. Acidentes de Poluição
De forma a avaliar o risco de poluição presente na BH do
Zambeze foi realizado um estudo específico que permitisse a
avaliação das diversas componentes que contribuem para o
mesmo, nomeadamente:
Avaliação da perigosidade na área da BH do Zambeze.
Tendo em conta as características da Bacia, actuais e
futuras, consideram-se as áreas com maior probabilidade de
ocorrência de acidentes de poluição as seguintes:
Principais eixos viários (eixo Luena — Léua —
Lumeje — Luacano; eixo Luena — Lucusse;
eixo Lucusse — Lumbala Nguimbo — Ninda;
a ligação Marco 25 — Cazombo; a ligação
Lucusse — Lumbala Kaquengue; a ligação
Cazombo — Lumbala Kaquengue e a ligação
Menongue — Mavinga);
Eixo ferroviário (Caminho-de-Ferro de Benguela,
entre Luena, Lumeje, Luacano e Luau);
Linhas de água navegáveis (Rio Zambeze, Rio
Cuando, Rio Cuito, Rio Mussuma e Rio Luanguinga);
Zonas alvo de licença de prospecção de minério para
futuras actividades mineiras (Alto Zambeze).
Avaliação das consequências na área da BH do Zambeze
Tendo em conta as características da Bacia, foram identificadas as áreas que, pela sua exposição e vulnerabilidade
física e/ou valor ambiental, poderão contribuir para um
aumento significativo das consequências, aquando a ocorrência de um acidente de poluição, nomeadamente:
Zonas Urbanas (Luena, Camanongue, Léua, Lumeje,
Luacano, Cazombo, Cangamba, Lumbala-
-Nguimbo, Mavinga, Rivungo);
Unidades Hidrogeológicas com maior vulnerabilidade
à poluição (Sistemas Aquíferos Aluvionares e à
Unidade Hidrogeológica Cameia — Lumbala
com vulnerabilidade Alta);
Zonas de conservação da natureza (Parque Nacional
da Cameia e cinco reservas florestais (Província
do Moxico); duas reservas parciais e quatro coutadas públicas (Província do Cuando Cubango);
as Quedas de Água de Tchafinda (a Sul de Léua),
as Quedas de Água do Luizavo (no Alto Zambeze), as Quedas do Luanguinga e as quedas do
Lucula (em Bundas); Lagos e Lagoas (Lagoa
Calundo (Léua), Lago Dilolo (Luacano); pequenos lagos e lagoas a Sul, na margem esquerdado
Rio Cuando, envolvente dos efluentes dos Rios
Ninda, Calundulo, Mulai, Capuí e Luegi);
Zonas húmidas (zonas alagadiças da Cameia e planícies de inundação do Barotse e do Cuando).
Avaliação do Risco na Área da BH do Zambeze
Através do cruzamento da informação obtida nas componentes anteriores, com vista à obtenção de áreas, zonas ou
locais que potencialmente apresentam maior risco de ocorrência de acidentes de poluição, conclui-se o seguinte:
O risco é mais elevado na parte norte e nordeste da
bacia (UHP do Alto Zambeze — Zambeze),
tendo em conta que é nela que se localiza uma
maior densidade urbana, bem como o desenvolvimento mais marcado de infra-estruturas que
aumentam a probabilidade de ocorrência de ac1-
dentes (infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias
ou de indústria mineira);
A vulnerabilidade é também elevada na parte norte
e nordeste da bacia (UHP do Alto Zambeze —
Zambeze) devido à presença de zonas urbanas,
em que as populações recorrem directamente
aos recursos hídricos subterrâneos e/ou superficiais para abastecimento, dado os baixos níveis
de atendimento que caracterizam a região. De
destacar, ainda, a zona do Parque Nacional da
Cameia como uma zona de elevado interesse
conservacionista, a qual se associa a uma zona
caracterizada por uma unidade hidrogeológica
com Alta vulnerabilidade à poluição. Estes
factores, associados a um nível superior de perigosidade, permitiram obter resultados de risco
maioritariamente Médio a Elevado e Elevado;
Na parte Sul da bacia hidrográfica (UHP do Cuando),
o risco é maioritariamente Médio e Médio a
Elevado, associado ao transporte fluvial no Rio
Cuando. Ao nível de consequências esta é uma
área muito vulnerável dado que concentra diversas áreas de elevado valor conservacionista ao
nível da flora, vegetação e fauna.
À semelhança da parte Sul da Bacia, a parte central
(UHP do Alto Zambeze — Lungué-Bungo) é
uma zona pouco intervencionada e com baixa
densidade habitacional pelo que as pressões
nos meios hídricos são reduzidas, destacando-
-se apenas o eixo rodoviário Lucusse-Ninda.
A vulnerabilidade é pouco preocupante, com
excepção das zonas definidas como sistemas
aluvionares, que apresentam um comportamento
hidrogeológico que conduz a uma vulnerabilidade à poluição Alta, o que resulta em eixos
caracteristicamente com risco Médio e Médio
a Elevado nesta unidade, excepto em reduzidos
troços do eixo rodoviário em que o risco é elevado.
9. Análise Económica das Utilizações da Água
Tratando-se de um instrumento de apoio à decisão, a
Avaliação Económica das Utilizações da Água visou, numa
primeira fase inventariar os principais sectores utilizadores
e sua importância na económica na BH do Rio Zambeze,
atendendo à informação disponível. Neste sentido, foram
analisados, sob o ponto de vista económico, o Sector Urbano
e o Sector Agrícola.
Relativamente ao Sector Urbano, a Lei da Água (Lei
n.º 6/02, de 21 de Julho) define o «princípio da água como
bem social, renovável, limitado e com valor económico»,
onde é reconhecido o valor económico desse recurso.
No entanto, o levantamento de informação efectuado
Junto das entidades provinciais do Cuando Cubango e do
Moxico revelaram que a regulamentação não está a ser aplicada, ou seja, não existe um sistema de taxação (taxas ou
tarifas) pela água consumida pelos utilizadores, pelo que
o princípio do utilizador-pagador e poluidor-pagador não
tem vindo a ser aplicado, inviabilizando a recuperação dos
custos do respectivo serviço (custos de exploração e manutenção), bem como os custos ambientais e de escassez.
Importa distinguir os utilizadores ligados à rede (Padrão
A — População com ligações interiores de água, bem como
à rede de saneamento) dos restantes tipos de utilizadores,
servidos de forma informal.
Ao longo dos anos, a qualidade e a fiabilidade do serviço de abastecimento de água a partir do sistema (utilizador
Padrão A — População com ligações interiores de água e à
rede de saneamento) tem vindo a deteriorar-se e por conseguinte tem aumentado o número de consumidores que se
recusam a pagar pelos serviços prestados (representam apenas 2% do universo da população com acesso a uma fonte
apropriada de água para consumo).
No que refere aos outros tipos de utilizadores servidos
de forma informal, utilizadores sem ligação à rede, a inexistência de sistemas de controlo da quantidade da água
consumida dificulta por um lado a cobrança da mesma, e por
outro lado a imputação de custos tendo em conta os beneficios associados (representam 88% dos utilizadores).
Acresce ainda o facto de que, grande parte dos utilizadores recorre também ao abastecimento de água através de
camiões cisternas que são fornecedores privados com captações próprias que vendem ao consumidor final por um preço
de aproximadamente 1.000 Kz/mº (10 USD/m”), tratando-
-se, contudo, de uma utilização marginal não podendo este
preço ser assumido como padrão.
Foram estabelecidos contactos junto das entidades
provinciais do Cuando Cubango e do Moxico no sentido
efectuar o levantamento da informação relativa aos custos
incorridos na prestação de abastecimento de água e saneamento de águas residuais, tendo-se constatado que estas
entidades não dispõem de contabilidade organizada que
permita a separação dos custos dos serviços da água dos restantes custos, pelo que, mais uma vez, a falta de informação
não permite caracterizar de forma adequada o principal sector utilizador da água.
Também o cálculo do nível de recuperação dos custos
incorridos na prestação de serviços não foi possível de realizar face à inexistência de um sistema de taxação (taxas ou
tarifas) pela água consumida pelos utilizadores, bem como
o sistema contabilístico adoptado pelas províncias não permitir separar os custos de exploração, gestão e manutenção
dos serviços da água dos demais custos incorridos pelas
mesmas. No entanto, e uma vez que não há uma efectiva
cobrança dos serviços, por via de taxas e tarifas, poder-se-á
afirmar que o nível de recuperação de custos nas Províncias
do Cuando Cubango e do Moxico é quase nulo.
Relativamente ao Sector Industrial, de referir apenas que,
não sendo possível contabilizar o efeito da actividade industrial na economia local uma vez que se tratam de pequenas
instalações muitas das vezes localizadas nas habitações dos
proprietários e que constituem actividades desenvolvidas de
forma informal sem que haja qualquer registo ou autorização para a gestão e a exploração das mesmas, considerou-se
a captação industrial incluída no consumo doméstico admitido para o abastecimento urbano, não só pela sua pequena
contribuição mas também por não existirem dados disponíveis que possam ser utilizados para estimar as necessidades
industriais quanto ao abastecimento de água.
O Sector Agrícola constitui a principal fonte de recursos
e de rendimentos para a maioria da população que reside na
BH do Zambeze. A maior parte da actividade é desenvolvida
por pequenos produtores familiares tradicionais e pequenos
agricultores orientados para a sua auto-suficiência alimentar
embora gerando alguns excedentes comercializáveis.
Dado que os sistemas existentes não se encontram em
funcionamento (Perímetro Irrigado do Luena, Núcleo de
Povoamento Agrário de Sacassange e Núcleo de Povoamento
Agrário do Caminina), e que, não existem dados sobre os
respectivos projectos de reabilitação, não foi possível apurar
os custos associados à captação, armazenamento, e distribuição de água de rega.
Pelo que, foram analisados os níveis de rentabilidade
das culturas, a sensibilidade das culturas ao preço da água
e o preço máximo da água para uma margem bruta nula, de
forma a poder aferir possíveis níveis de recuperação de custos, ou seja, em que medida o eventual preço da água poderá
cobrir, ou não, os custos de investimento anuais, de manutenção e exploração dos sistemas de rega.
No contexto do preço da água, a disposição a pagar pela
água de rega (DAP) corresponde ao benefício que os utilizadores da água de rega esperam alcançar em resultado das
actividades de produção em que a água é utilizada, ou seja,
corresponde à margem sobre a venda com preço nulo da
água que o produtor espera obter em cada uma das culturas.
Em cinco culturas, as rentabilidades esperadas permitem
um preço «máximo» da água superior a 0,5 USD/ mi: arroz,
batata, café arábica, café robusta e feijão. As restantes 11 culturas apresentam níveis de rentabilidade positivos, mas que apenas
pamitem suportar um preço «máximo» da água inferior a 0,5
USD/m.
De referir que os resultados obtidos constituem um ponto
de partida para o estabelecimento de um quadro de análise
da DAP e deverão ser interpretados com alguma precaução.
Na realidade, o valor da DAP depende de um conjunto de
factores não estáticos, nomeadamente dos níveis e relações
de preços dos factores de produção e dos produtos agrícolas, e das características agro-ecológicas e sócio estruturais
das unidades de produção de regadio que irão utilizar a água
de rega.
Neste âmbito, no que refere aos preços, para uma variação de -50% a +50% do preço ao produtor, as margens das
principais culturas de regadio variaram entre 44% e 156%.
Relativamente à sensibilidade das principais culturas à
variação do custo da mão-de-obra, em termos de margem,
a adopção do intervalo de 1 a 5 USD para o custo médio de
homem/dia resulta num conjunto de amplitudes nas margens
de 0% a 11,6%.
Diagnóstico da Bacia
1. Considerações Gerais
O diagnóstico das questões mais relevantes, relativas
às principais temáticas a avaliar no planeamento e gestão
dos recursos hídricos na Área do PGDURHBH Zambeze,
detectadas nos estudos de caracterização permite, nas fases
posteriores, hierarquizar soluções e definir prioridades.
Identificam-se como principais temáticas/problemáticas
a avaliar;
Sectores específicos em termos de quantidade (disponibilidades de água) e qualidade da água;
Sectores específicos no que respeita à valorização dos
recursos hídricos, onde se encontram abordadas
as temáticas relativas às necessidades/usos da
água;
Sectores associados às situações de risco associadas
aos meios hídricos;
Sectores de análise geral: redes de monitorização e
aspectos institucionais e normativos da gestão dos
recursos hídricos a nível nacional e intermacional.
A metodologia de diagnóstico adoptada consistiu em
efectuar uma análise dos pontos fortes, pontos fracos,
oportunidades e ameaças (SIWOT — Strenghts, Weakness,
Opportimities amd Threats) e, por fim, identificar os diversos problemas a partir dos sintomas observados, procurando,
em cada caso, identificar as respectivas causas.
2. Síntese do Diagnóstico
Em seguida apresenta-se uma síntese da análise efectuada
para as principais temáticas/problemáticas, identificando-
-se assim os pontos-chave no âmbito da gestão dos recursos
Quadro 4.1 - Análise SW
DISPONIBILID
PONTOS FORTES
= Elevadas disponibilidades de água;
= Riscode escassez reduzido;
= Inexistência de situações de
sobreexploração;
=» Posicionamento preponderante
comoPaísde montante (com excepção
| do trecho inicial de cabeceira do rio
Zambeze).
OPORTUNIDADES
=" Desenvolvimento de estruturas
regionais melhor equipadas para a
gestão de recursos hídricos, recorrendo
a planeamento integrado;
= Potencial daregião parao
desenvolvimento e estabelecimento de
actividades consumptivas sem os
condicionamentos existentes noutras
regiões.
2.2. Qualidade da Água
A qualidade assume especial relevo na perspectiva
das acções a desenvolver na sequência do PGDURHBH
Zambeze, uma vez que, de forma a atingir os objectivos
da gestão dos recursos hídricos definidos na Lei de Águas
hídricos do PGDURHBH Zambeze. Esta análise serve como
um elemento de apoio à decisão e definição de estratégias,
bem como de prioridades de actuação, com abordagem dos
riscos e problemas a resolver.
2.1. Disponibilidades de Água
No âmbito desta problemática, efectuou-se um balanço
entre disponibilidades e necessidades de água, para cada
unidade de planeamento, com vista a identificar situações
com défices hídricos ou com recursos hídricos excedentes.
No Quadro 4.1 é apresentada a análise SWOT para as disponibilidades de água.
OT - Disponibilidades de água
ADES DE ÁGUA
PONTOS FRACOS
=" Dificuldade de acesso a extensas
regiões da bacia, a insuficiência da
rede hidrométrica e consequente
ausência de dados de base, não
permitindo um conhecimento real da
situação dos recursos hídricos na
região;
= Dispersãoda população que recorre à
soluções de abastecimento informais e
locais e diminuta existência de
actividades industriais ou outras
grandes consumidoras, o que não tem
fomentado o desenvolvimento de
estruturas de gestão específicas.
AMEAÇAS
= Dificuidade no controlo dos recursos
explorados, tendo em conta que não
existem estruturas definidas neste
sentido.
— Lei n.º 6/02, de 21 de Junho, importa manter e recuperar a qualidade das águas superficiais. No quadro seguinte
apresentam-se os resultados da análise SWOT realizada no
âmbito da qualidade da água.
Quadro 4.2 - Análise S'
QUALIDA
PONTOS FORTES
=" Reduzida ocupação humana da bacia;
= Fontes de poluição tópica ou difusa,
muito reduzidas na bacia;
= Nãose verifica potencial de afectação
dos ecossistemas associado à
qualidade dos meios hídricos.
OPORTUNIDADES
" Estabelecimento de uma rede de
monitorização de qualidade da água.
| Dotar a Administração de uma base de
dados actualizada relativamente à
qualidade dos meios hídricos na bacia
| hidrográfica rio Zambeze;
= Articulação com a ZRA (Autoridade do
| rio Zambeze) com vista ao controlo e
| gestão da qualidade da água da bacia
em território angolano;
| = Participação no estabelecimento de
| uma comissão permanente conjunta
| — paraagestãoe monitorização
| ambiental dos países ribeirinhos da
bacia hidrográfica do rio Zambeze.
2.3. Valorização dos Recursos Hídricos
No âmbito desta questão, analisaram-se os usos da água
para o abastecimento à população (Quadro 4.3), à indústria, à
WOT - Qualidade da água
DE DA ÁGUA
=" Ausênciade dados de base
relativamente ao estado da qualidade
da água para a bacia do Zambeze em
território angolano;
= Ausência de informação organizada
relativamente às fontes de poluição
existentes;
= Ausência de identificação
sistematizada acerca das zonas
hídricas potencialmente sensíveis;
= Verificação de problemas de qualidade
da água de origem pontual, ainda que
não representativos da situação geral.
= Ausênciade sensibilização da
população para a manutenção do
estado de conservação das linhas de
água;
= Alteração do regime hidrológico das
linhas de água e consequente alteração
da qualidade das linhas de água;
= Hábitosda população que potenciam o
aumento da pressão humana e
poluição na bacia (usos da água);
= Actividades desenvolvidas no trecho
de cabeceira do rio Zambeze, em
território zambiano.
agricultura e à pecuária e os usos da água não consumptivos,
nomeadamente a produção de hidroelectricidade, a pesca e
aquacultura, os recursos florestais e o turismo (Quadro 4.4).
Quadro 4.3 - Análise SWOT - Abaste:
ABASTECIMENTO DE
PONTOS FORTES
Le
Lo
LL)
=" Partedos centros urbanos já dispõe
infra-estruturas de abastecimento;
= Implementação do Programa Água
para Todos; =
= Implementação do Plano Saneamento
Total Liderado pela Comunidade.
E
L)
OPORTUNIDADES
= Planeamento integrado e ã
desenvolvimento de sistemas
adequados de infra-estruturas de água
e saneamento;
= Educação e sensibilização da
população, aproveitando os órgãos ã
influentes junto das comunidades,
nomeadamente os Soba; A
" Reforçoda capacidade de gestão dos
recursos hídricos e de
operação/manutenção das infraestruturas existentes.
cimento de água e saneamento
ÁGUA E SANEAMENTO
PONTOS FRACOS
Níveis baixos de cobertura e
atendimento a partir de fontes
apropriadas;
Abertura indiscriminada de origens de
água, nomeadamente subterrâneas, sem
devido licenciamento ou comunicação
aos órgãos provinciais;
Falta de informação sobre as vantagens
de utilização de água a partir de fontes
apropriadas e de sistemas públicos
estruturados;
Falta de criação de novas infraestruturas adequadas nas últimas
décadas e degradação das existentes
devido ao período de guerra;
Dispersão da população da região
exigindo investimentos avultados para a
satisfação da cobertura com infraestruturas adequadas;
Ausência de sistemas estruturados de
encaminhamento de águas residuais.
AMEAÇAS
Hábitos culturais das populações que
tradicionalmente satisfazem as suas
necessidades com base em soluções
informais e de localização próxima às
áreas de habitação;
Insuficiências na operação/manutenção
das infra-estruturas;
Ausência de acessos fáceis a certas áreas
da região, dificultando a comunicação e a
informação sobre a problemática em
causa.
Quadro 4.4 - Análise SWOT
USOS DA Á
PONTOS FORTES
" Riquezade recursos naturais alvo de potencial
exploração económica (parques naturais, quedas
naturais, pesca, recursos florestais, entre outros);
" Desenvolvimento de projectos, ainda que em
escala insuficiente face à área abrangida pelo
plano, com vista à melhoria das acessibilidades
com construção de novas pontes e estradas e/ou
melhoria das existentes;
=" Melhoriado Caminho de Ferro de Benguela que
ligará os principais aglomerados urbanos no norte
da bacia, a outras províncias, bem como à Zâmbia;
" Reduzida densidade de instalações consumidoras
de água existentes actualmente;
= Impacte dos usos actuais, consumptivos ou não
consumptivos, actualmente pouco significativo.
OPORTUNIDADES
" Potencial natural da zona, nomeadamente no que
respeita a áreas com carácter conservacionista ao
nível dos ecossistemas terrestres e aquáticos,
contribuindo para que a bacia do Zambeze
constitua além de uma potencial reserva natural
um importante atractivo turístico a explorar;
=" Potencial de desenvolvimento industrial
(construção, exploração mineira, madeira);
= Potencial de desenvolvimento agrícola
nomeadamente culturas de arroz, hortícolas, entre
outras;
=" Instalação de novos perímetros de rega e
recuperação de existentes (Polo de
desenvolvimento agrário da Cameia, perímetro
irrigado do Luena, núcleos de povoamento agrário
de Sacassange e Caminina);
=" Rentabilizaçãodos conhecimentos existentes na
| criação de gado;
| a Rentabilização da tradição piscatória existente na
bacia;
= Potencial hidroeléctrico por explorar;
=" Criaçãode uma estrutura de regulamentação e
base de dados actualizada relativamente aos usos
da água.
'—- Usos da água
GUA
= Elevadadistância aos principais
centros de decisão e muito
reduzida densidade populacional
e elevada dispersão da população;
= Ausência significativa de infraestruturas básicas de
comunicação e transportes;
= Escassez de infra-estruturas de
irrigação;
=" Necessidade de acorrer a outras
prioridades mais prementes a
nível nacional na sequência de um
período de guerra ainda
relativamente recente, o qual teve
bastante impacto na área em
estudo;
= Insuficiência de circuitos de
comercialização que incentivem a
produção agrícola e pecuária.
= Aumento exponencial da
população com o retorno da
Zâmbia;
= Sobreexploração de recursos;
=" Ausênciade manutenção das
infra-estruturas, podendo
conduzir a perdas significativas.
Situações de Risco Associadas aos Meios Hídricos não só a pressão humana a que a bacia se encontra sujeita
A gestão do risco é um dos temas prementes a ter em — como conduzem a alterações das condições naturais.
consideração numa gestão de recursos hídricos eficiente. As Associadas aos meios hídricos, são destacadas as seguinsituações de risco são dependentes de diversos factores como — tes situações de risco: alterações climáticas, os fenómenos
as características biofísicas da Bacia, bem como o estado de — hidrológicos extremos (secas e cheias), a erosão e os acidendesenvolvimento social e económico, dado que influenciam — tes de poluição (Quadro 4.5).
Quadro 4.5 - Análise SWOT - Situações de risco associadas aos meios
hídricos
SITUAÇÕES DE RISCO ASSOCIADAS AOS MEIOS HÍDRICOS
PONTOS FORTES PONTOS FRACOS
= —Regimehidrológicodas linhas de água;
=“ —Existênciadezonas susceptíveis a cheias, secas ou erosão
que não estão suficientemente caracterizadas;
=“ —Existênciadezonas urbanas sujeitas a um risco de erosão
hídrica;
= —Inexistênciade instrumentos de gestão do território,
designadamente cartas de risco de cheias e secas;
= — Reduzida ocupação da bacia, que permite =" Limitaçõesnoconhecimento, traduzidas pela ausência de
precaver ocupação de áreas potencialmente dados exaustivos e de conhecimento científicos
sujeitas a risco; associados à imprevisibilidade do grau de erosão;
“ —Baixoriscode erosão predominante na bacia. =" — Ocupação não controlada do território;
=" —Ausênciadelegislação nacional associada ao combate a
riscos;
= —Insuficiênciade meios para reforçar a capacidade de
intervenção dos sistemas de protecção civil;
“ —Vulnerabilidadeàs alterações climáticas, na medida em
que pequenas alterações na precipitação podem produzir
mudanças significativas no escoamento.
OPORTUNIDADES AMEAÇAS
7 P = —Hábitosculturaisnomeadamente no que respeita à
Implementação de instrumentos de gestão do gestão dos solos, como por exemplo as queimadas,
: risco na bacia hidrográfica do rio Zambeze; desflorestação, visando ganhar novas áreas para o
Implementação de meios de prevenção ou pastoreio, agricultura e assentamentos;
sistemas de aviso e alerta de cheias e secas; = —Faltaderecursos financeiros para fazer face às situações
" —Estabelecimentode uma base de apoio de risco:
(protecção civil, bombeiros ou outros), = — Recursos humanos insuficientes;
dotados de equipamento que permita actuar “= Dificuldade de integração da “variável alterações
O RAE, em caso de situações de climáticas” no processo de tomadas de decisão;
ão ps e causadas pelos fenómenos = — Incertezas associadas aos possíveis impactes das
anansados. alterações climáticas nos recursos hídricos.
IL SÉRIE — N.º 63 — DE 11 DE ABRIL DE 2022
2.4. Redes de Monitorização
No Quadro 4.6 é apresentada a análise SWOT desenvolv
Quadro 4.6 - Análise SWO'
REDES DE
PONTOS FORTES
= Consciencialização dos responsáveis
aos diferentes níveis quanto à
necessidade de reabilitação e
instalação de estações
climatológicas/postos udométricos e
estações hidrométricas;
= Processo de reabilitação/instalação da
rede hidrométrica já em curso.
OPORTUNIDADES
=" Reabilitação de redes de
monitorização;
= Construção de novas redes de
monitorização;
=" Dotaros órgãos nacionais e regionais
de bases de dados actualizadas, ao
nível das diferentes problemáticas, que
permitam a obtenção de dados
completos e representativos de toda a
bacia hidrográfica como ferramenta de
apoio à decisão.
No âmbito da análise efectuada apresentou-se uma sugestão
concreta para um conjunto de estações udométricas/climatológicas e de estações hidrométricas na Bacia do Zambeze. As
propostas sugeridas correspondem a um compromisso entre
o interesse em dispor de um número razoável de estações e o
reconhecimento das dificuldades decorrentes da limitação dos
recursos disponíveis e da acessibilidade aos diferentes locais.
Propõe-se a instalação de 40 (quarenta) postos udométricos os quais, sempre que possível, deverão corresponder
a estações climatológicas, isto é, além de medirem preci-
ida considerando a actual estrutura da rede de monitorização.
[ — Redes de monitorização
MONITORIZAÇÃO
PONTOS FRACOS
=" Registode dados inexistentes dado
que grande parte das redes existentes
não se encontram em funcionamento
desde a época colonial.
AMEAÇAS
= Ausência de manutenção das redes de
monitorização;
= Escassez de meios técnicos e
humanos para a recolha e análise de
dados;
=" Gestãoineficiente dos dados obtidos.
pitação deverão medir outras grandezas climáticas como
a temperatura, a humidade do ar, velocidade do vento,
evaporação e insolação. Para além do mais, sugere-se o restabelecimento de duas estações hidrométricas e a instalação
de mais 9 (nove) estações hidrométricas novas.
Na Figura 4.1 apresenta-se a localização proposta para
as estações climatológicas/postos udométricos a instalar
e na Figura 4.2 a localização das estações hidrométricas
propostas.
NA
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Comba ”
PS Alto Zambeze — gltiema
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Figura 4.1 - Estações climatológicas/postos
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Lutado
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O Estações em funcionamento
O Estações/Postos novos
O Estações/Postos a activar
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Rede hidrográfica
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udométricos a instalar
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Figura 4.2 - Estações hidrométricas propostas
2.5. Aspectos Institucionais e Normativos
No Quadro 4.7 é apresentada a análise SWOT referente aos
Quadro 4.7 - Análise SWOT - Asp
ASPECTOS INTITI
PONTOS FORTES
” Existênciadeenquadramento legislativo geral de
base no âmbito da gestão da água e normas de
qualidade ambiental.
OPORTUNIDADES
" —Possibilidadede alterar procedimentos e regras,
adaptando-os aos requisitos nacionais mais
recentes;
=» internalizaçãodos custos e benefícios associados à
utilização da água;
=" —Criaçãodeum quadro institucional e lega! que
integre as diversas áreas relacionadas com a gestão
dos recursos hídricos;
“ Gestiotransfronteiriça partilhada dos recursos
hídricos na bacia hidrográfica do rio Zambeze.
2.6. Questões Significativas
No âmbito da análise realizada, identificam-se as principais questões significativas do PGDURHBH Zambeze
(Quadro 4.8).
aspectos institucionais e normativos da Bacia do Rio Zambeze.
ectos Institucionais e normativos
ICIONAIS E NORMATIVOS
PONTOS FRACOS
=" —Faltaderegulamentaçãocompiementar da
legislação existente;
“ Faltaderecursoshumanos, técnicos, financeiros;
* BDefiniçãodecompetências pouco clara e
descentralizadas por vários níveis (nacional,
regional e local).
AMEAÇAS
= —Dificuldadesnaimplementação do regime
econórico e financeiro da água;
=» —Recursosfinanceiros insuficientes;
=“ —Recursoshumanos insuficientes.
As questões consideradas significativas, sem prejuízo
de outros objectivos a considerar, constituem a base de
referência para o desenvolvimento das fases seguintes do
PGDURHBH Zambeze.
1 SÉRIE — N.º 63 — DE 11 DE ABRIL DE 2022 2637
2.7. Quadro 4.8 — Questões Significativas identificadas na Bacia Hidrográfica do Zambeze
RE IEEE LEE EEE
Conhed "“ —Insuficiênciadas redes de monitorização de estações climatológicas e
som SANS hidrométricas dos recursos hídricos
fc — SS TEGHISOS " —Desconhecimento relativamente às extracções de água subterrânea
MDS “ —Insuficiênciade sistemas de informação coerentes e integrados
AtCao lidad "“ Origensdeágua não controladas
Ao a uanvane * —Escassezdemeios técnicos e humanos para a realização de análises de água
Bai id d "* Nível deatendimento reduzido
aus quon ade dos “ —Escassezde operação e manutenção adequadas
serviços da água = —Faltademeiostécnicose humanos
Perdas de água nos =" —Precaridade do estado dos sistemas de abastecimento de água
sistemas =“ — Ausênciade operação e manutenção adequadas dos sistemas existentes
Ausência de " —Condiçõestopo-morfológicas das linhas de água pouco adequadas à
aproveitamento do instalação de grandes barragens
potencial hidroeléctrico “ —Faltadeenquadramento legal relativa ao estatuto de produtor independente
Baixa prodialvidaas "» — Agricultura de subsistência, com falta de experiência no sector agro-
: industrial
agrícola e pecuária "“ —Ausênciaderedes de comercialização
" —Ausênciade infra-estruturas de protecção contra cheias
Prejuízos decorrentes de “= — Ocupação indevida de leitos de cheia
inundações " —Inexistênciade serviços de aviso e alerta em operação
= —Ausênciade campanhas de sensibilização das populações ribeirinhas
Prejuízos decorrentes de “ —Faltadeplanosde emergência para fazer face a situações de seca (tipos,
secas níveis e prioridades de utilização da água)
Alterações climáticas " —Emissãode gases com efeito de estufa
=" Insuficiência de ordenamento da ocupação e do uso do solo
Erosão hídrica " —Ausênciade medidas de protecção e controlo de águas pluviais
“= Faltadefiscalizaçãode extracção indevida de inertes
“ —Deposiçãoinadequada dos resíduos sólidos
=“ Inexistência de sistemas de tratamento de resíduos sólidos (aterros
controlados) ou águas residuais urbanas
Riscos de poluição = —Usodaslinhas de água para diversas actividades humanas (lavagens, banhos,
entre outros) em resultado da ausência de sistemas de abastecimento
adequados.
" — Escorrências decorrentes da realização de queimadas
, R =“ —Ausênciade clarificação do quadro de responsabilidades das diversas
Insuficiente coordenação instituições com intervenção no sector da água, a nível nacional, regional e
institucional jócal
=“ —Faltadesensibilidade dos stakeholders e da população em geral
Falta de sustentabilidade relativamente à importância da recuperação de custos, no âmbito do regime
económico-financeira do económico e financeiro do sector da água
sector da água " —Nãoaplicação, ainda que progressiva, do princípio do utilizador- pagador
Cenários Identificação de eventuais desproporcionalidades de
1. Considerações Gerais custos das medidas que seriam necessárias para
O estabelecimento de cenários prospectivos desempenha alcançar objectivos de quantidade e qualidade.
um papel determinante no processo de planeamento dos recur- A formulação dos cenários prospectivos teve como
sos hídricos, fornecendo elementos de apoio à decisão para a: ponto de partida a análise de tendências do PIB, demografia,
Previsão da evolução das pressões sobre a quantidade — emprego, agricultura e turismo. Porém, salienta-se a relee a qualidade dos recursos hídricos; vância das diversas lacunas de informação encontradas em
Identificação de medidas passíveis de minimizar — especial no que refere ao défice de dados demográficos e
pressões sobre a quantidade e a qualidade dos — económicos, e à falta de dados ao nível do município ou até
recursos hídricos; mesmo da província. Esta condicionante tem como resul-
tado que qualquer análise efectuada seja tendencialmente
genérica e que as séries temporais utilizadas nem sempre
possam ser uniformes entre as diversas variáveis analisadas.
Por último, ressalta-se que a análise de tendências ao
nível da bacia deve ser efectuada à luz das restrições impostas pelos factores explicativos dos enormes desequilíbrios
regionais do território angolano, nomeadamente a organização político-administrativa centralizada, a estrutura
territorial desequilibrada, a tendência centralizadora na
localização das actividades económicas e produtivas empresariais privadas e a especialização sectorial de determinados
espaços face à sua dotação em recursos naturais. Deste modo,
deve-se ter em mente que as dinâmicas de transformação
do território da bacia estão de acordo com as características
sócio-económicas da região onde se insere e que são pautadas por indicadores económicos e sociais situados abaixo da
média nacional.
A importância deste enquadramento é acentuada pela
necessidade de colmatar lacunas de informação, recorrendo
à relação existente entre as tendências verificadas ao nível
nacional e as tendências verificadas ao nível provincial e da
bacia. Apesar da perda de qualidade dos dados, a adopção
desta metodologia permitiu aumentar as séries utilizadas e,
deste modo, construir uma análise, ainda que genérica, das
principais tendências de evolução.
De referir ainda que as políticas que abrangem a Bacia
Hidrográfica do Zambeze, incluindo a nível internacional,
foram consideradas no âmbito da elaboração dos cenários
prospectivos do PGDURHBH do Zambeze.
Neste sentido, foram desenvolvidos dois tipos de cenários prospectivos:
Cenário de Desenvolvimento Sócio-Ec onómico: considera a variação da demografia, a indústria, a
energia e o turismo;
Cenários de Desenvolvimento Agrícola: considera
como variáveis à agricultura de regadio e a
pecuária.
Estes irão subdividir-se em outros cenários, mediante a
metodologia aplicada. Para cada cenário considerado foram
estimadas as necessidades hídricas e as cargas poluentes
associadas, possibilitando a análise das pressões nos recursos hídricos.
2. Políticas Públicas e o «Futuro Desejado»
As políticas que abrangem a Bacia Hidrográfica do
Zambeze, incluindo a nível internacional, resultan em
objectivos claros ao nível da gestão dos recursos hídricos a
ter em conta no âmbito da elaboração dos cenários prospectivos do PGDURHBH Zambeze.
Apresentam-se em seguida as principais políticas com
influência ao nível do abastecimento (Quadro 5.1) e saneamento básico (Quadro 5.2) consideradas ao nível do Plano e
da avaliação da pressão nos recursos hídricos.
Ao nível da Agricultura, as metas delineadas estão vertidas ao nível do PLANIRRIGA, estando ainda delineadas
outras acções ao nível dos restantes Planos, nomeadamente
no que respeita ao desenvolvimento agro-industrial e agro-
-pecuário, com destaque para a Província do Moxico (Plano
Nacional de Desenvolvimento e Plano de Desenvolvimento
Integrado para a Província do Moxico).
Quadro 5.1 - Síntese dos objecti
planos para o A
ROSA, ENTIDADE | DATADE
PLANO PROMOTORA |REALIZAÇÃO
Declaração do
:
Estratégia de
Desenvolvimento Ministério do
a Longo Prazo Planeamento
"Angola 2025"
Estratégia de
Combate à Ministério do 2005
Pobreza Planeamento
(ECP)
Plano de Acção do
Sector da Energia Ministério de 2013
e Águas Energia e Água
(2013/2017)
vos e metas pr evistos para os diversos
bastecimento de Água
ÁREAS ÁREAS | pata | OBSERVAÇÕES
URBANAS RURAIS | PREVISTA
eOs sistemas
adequados de
fornecimento de
água promovem a
criação de riqueza;
Reduzir para metade a sAs doenças
proporção de pessoas sem endémicas são
acesso sustentável à água controladas com o
potável acesso à água e ao
saneamento;
*Os serviços de
água e saneamento
são essenciais para
a saúde pública.
Água potável para Atribui ao
>=80% abastecimento de
água às populações
para consumo
humano e
Reduzir a metade a satisfação de
população sem acesso a água 2015 necessidades
potável sanitárias,
prioridade sobre os
usos privativos
ELES CD
Garantir um area em
CODRÉOIMO aumento de
médio diário | 15% para | 2015
de 151 per 30% do
capita nas No
rãs consumo de
água
+ Prevê-se que, em
2017, todas as
Sedes Municipais
do Território
Nacional
disponham de
novos sistemas de
100 80 2017 abastecimento de
água e saneamento,
comportando os
tradicionais |
segmentos dos |
sistemas,
designadamente
captação,
tratamento e
a ENTIDADE DATA DE
PLANO PROMOTORA | REALIZAÇÃO
Plano Nacional de Min,
Besenvolvimento | Planeamento ce do 2012
(PND) Desenvolvimento
(2013/2017) Territorial
Programa Água Ministério da 20097
para Todos Energia e Águas
! Programa de
' Desenvolvimento
; —doSectordas REIS A
Águas e Plano de RIA * 2004
Acção de Curto BIA SRD
Prazo
(2004/2016)
Programa
Nacional SIA
Estratégico para a E e. 2013
Água - PNEA Energia e Águas
(2013/2017)
Plano de
Desenvolvimento CÓOVEXHO US
pio e Província do 2013
Cuando Cubango Cuando Cubango
[2013/2017)
Plano de
Desenvolvimento ANN
Estratégico da EEIDOCA
lira incia-do Província do 2011
Músico Moxico
(2012/2015)
ÁREAS ÁREAS DATA | OBSERVAÇÕES
URBANAS RURAIS PREVISTA
distribuição de
água por via de
ligações
domiciliárias e
chafarizes;
Completar a
100 2017 implementação do
Programa Água
para Todos
OBJECTIVO NÃO
67 (c/100 :
lídia.hab nas
áreas
urbanas e 30 3 bis b 20t6
i/dia.hab nas | 301/dia.hab)
áreas
periurbanas)
População | Uso de água Até
com água imprópria
tratada para para
beber consumo
so | ao | 20%
Quadro 5.2 - Síntese dos objectivos e metas previstos
para os diversos planos para o Saneamento
ENTIDADE DATA DE
PANO | PROMOTORA | REALIZAÇÃO | ÁREAS | ÁREAS | DATA OBSERVAÇÕES
URBANAS | RURAIS | PREVISTA
« O saneamento é
Dec ão d essencial para a
eclaração do Não dignidade da
Milénio Não estabelece estabelece população;
+ Às doenças endémicas
são controladas com o
acesso à água e ao
saneamento;
+ Os serviços de água e
saneamento são
essenciais para à saúde
pública.
Atribui ao
abastecimento de água
Estratégia de : às populações para
Desenvolvimento a | Ministério do 72008 Garantir " adequado 2025 consumo humano e
Longo Prazo "Angola | Planeamento 5 ea, 295 ABUas satisfação de
2025 SIÊUAIs necessidades sanitárias,
prioridade sobre os
usos privativos
Estratégia de Ini
Combate à Pobreza Ministério do 2005 79 32
Planeamento
(ECP)
+ Prevê-se que, em
2017, todas as Sedes
Início da reabilitação e ana)
Plano de Acção do | Ministério de .. " ção de SESEemos disponham de novos
Sector da Energia e Energia e 2013 Á € O esa e sistemas de
Águas (2013/2017) Água BUAS Residuais nos abastecimento de água
principais centros e saneamento
urbanos comportando os
tradicionais segmentos
dos sistemas
Programa de
Desenvolvimento do Min. d
Sector das Águas e E "n. a
Plano de Acção de oras :
Curto Prazo Buas
| (2004/2016)
3. Cenários Prospectivos Horizonte de curto prazo: ano 2017, coincidindo com
Para o estudo de cenários de evolução foram iden- o prazo de alguns dos programas em execução
tificadas cinco variáveis chave (sectores) suscitáveis de no âmbito da gestão da água;
influenciar de forma significativa o desenvolvimento da Horizonte de médio prazo: ano 2025, correspondente
Bacia Hidrográfica do Zambeze: a demografia, a agricultura, a um ponto intermédio e coincidente com o
a indústria, a energia e o turismo. prazo de implementação do Plano de Desenvol-
A cenarização da evolução da demografia, indústria, a vimento Integrado para a Província do Moxico;
energia e o turismo foram analisados no âmbito do cenário Horizonte de longo prazo: ano 2035, ano de vigência
desenvolvimento sócio-económico e a agricultura foi ana- do plano.
lisada no âmbito do cenário de desenvolvimento agrícola, A aplicação da metodologia conduziu à formulação de
considerando as variáveis: agricultura de regadio e pecuária. três cenários de desenvolvimento socioeconómico:
3.1. Cenários de Desenvolvimento Socioeconómico Cenário Central de Evolução Socioeconómica —
A cenarização do desenvolvimento socioeconómico c on- decorre directamente da análise de tendências;
sidera com quatro variáveis chave (sectores): a demografia, Cenário Superior de Evolução Socioeconómica —
a indústria, a energia e o turismo. decorre da plena concretização dos objectivos
A metodologia de cenarização consistiu em identificar desejados pelos principais instrumentos de
cenários de evolução possíveis para as variáveis chaves, políticas públicas de desenvolvimento nacional
tendo em conta, por um lado, o grau de eficácia de imple- e regional;
mentação do futuro «desejado» (espelhado nos documentos Cenário Inferior de Evolução Socioeconómica
estratégicos nacionais e regionais), e, por outro lado, a efi- — decorre de uma menor eficiência na con-
ciência no cumprimento dos prazos estabelecidos. cretização do «futuro desejado» pelas políticas
Três horizontes temporais foram estabelecidos para a públicas resultante de factores de incerteza estruanálise da prospectiva do desenvolvimento socioeconómico: turais, quer nacionais quer internacionais.
Quadro 5.3 - Pressuposto cenário central de evolução socioeconómica
O Es
dinâmicas verificadas na última década
2013-2025
Taxa de crescimento médio anual: 3,3% (3,7% em Moxico e de 4,2% em
Demografia Cuando Cubango)
E assumido que o aumento do nível de desenvolvimento socioeconómico
levará a um abrandamento do ritmo de crescimento da população das
2025-2035 províncias
ESA
PIB da província*
[oe ie
sector no PIB da província*
sector no PIB da província*
EE 55 CORE é DADA E
SONO = =
TO PIB das províncias foi projectado com base nas taxas médias de crescimento do PIB per capita estimadas
para o período 2003-2012 ponderadas por um decréscimo graduai entre 2013 e 2035 e pela projecção central
da demografia,
Quadro 5.4 - Pressuposto cenário superior de evolução socioeconómica
Cenário Superior
O crescimento populacional irá ser pautado por uma continuidade das
dinâmicas verificadas na última década
2013-2025
Taxa de crescimento médio anual: 3,3% (3,7% em Moxico e de 4,2% em
Batnografia Cuando Cubango)
É assumido que o aumento do nível de desenvolvimento sociaeconómico
levará a um abrandamento do ritmo de crescimento da população das
2025-2035 províncias
Taxa de crescimento médio anual: 1,9%
2013-2025 Aumento gradual, entre 2013 e 2025, de 0,5%/ano do peso do sector no
PIB da província*
infúsiia 2025 À contribuição do sector industria! crescerá até aos 6,5% do peso do
sector no PIB da província*
2035 À contribuição do sector industrial crescerá até aos 7,0% do peso do
sector no PIB da província*
2013-2025 Execução a 100% de todos 05 projectos em carteira
Energia 2025-2035 Execução de novos projectos de dimensão equivalente aos do período
2013-2025
n.º máximo de turistas, a cada momento, não deverá ser superior a 6,5%
Turismo 2013-2035 da população residente de Moxico e de 8,5% na província do Cuando
Cubango
*O PIB das províncias foi projectado com base nas taxas médias de crescimento do PIB per capita estimadas
para o período 2603-2012 ponderadas por um decréscimo gradual entre 2013 e 2035 e pela projecção
superior da demografia.
Quadro 5.5 - Pressuposto cenário inferior de evolução socioeconómica
Cenário Inferior
Período temporal Pressupostos
Quebra das dinâmicas verificadas na última década
2013-2025
Taxa de crescimento médio anual: 2,6%
Demografia É assumido que o aumento do nível de desenvolvimento socioeconómico levará a
2025-2035 um abrandamento do ritmo de crescimento da população das províncias
Taxa de crescimento médio anuai: 1,3%, em ambas as províncias
2013-2025 Aumento gradual, entre 2013 e 2025, de 0,5%/ano do peso do sector no PIB da
província*
5 ÀA contribuição do sector industrial crescerá até aos 6,5% do peso do sector no
Indústria FA
PIB da província
À contribuição do sector industrial crescerá até aos 7,0% do peso do sector no
PIB da província*
2013-2035 Execução a 100% de todos os projectos em carteira
; n.º máximo de turistas, a cada momento, não deverá ser superior à 3,5% da
PO19-2035 população residente de Moxico e de 5,5% na província do Cuando Cubango =
*O PIB das províncias foi projectado com base nas taxas médias de crescimento do PIB per capita estimadas para o
período 2003-2012 ponderadas por um decréscimo gradual entre 2013 e 2035 e pela projecção inferior da
demografia.
3.2. Cenários de Desenvolvimento Agrícola
A cenarização do desenvolvimento agrícola considera
como variáveis a agricultura de regadio e a pecuária.
3.2.1 Agricultura de Regadio
A evolução da agricultura de regadio nos sistemas de
produção, nas áreas regadas e culturas, e em resultado estimar as necessidades e consumos associados, teve por base
três pressupostos:
Pressuposto Temporal — consideraram-se, para além
da situação actual em 2015, mais dois horizontes
temporais de análise: 2025 e2035;
Pressuposto Tecnológico — consideraram-se diferentes políticas de desenvolvimento, de intensidade
de produção e tecnologia;
Pressuposto Evolutivo — consideraram-se diferentes
níveis de evolução através da formulação de três
cenários: central, superior e inferior.
Com base nestes pressupostos foram definidos três cenários principais: A, Be C.
Cenário A — representa a situação actual.
Cenário B — representa uma evolução apoiada em
pressupostos de uma política de desenvolvimento assente nos Pequenos Regadios. Este
cenário deverá ser acompanhado por experimentação sobre as tecnologias da rega.
Cenário C— representa uma evolução apoiada em políticas dirigidas para os Grandes Regadios, porém
não deixa de considerar os pequenos regadios.
Salienta-se que o seu sucesso económico-social
está directamente dependente de políticas de
transporte, energia e telecomunicações.
Para além do mais, os pressupostos evolutivos foram
desenvolvidos considerando o grau de eficácia de implementação do futuro «desejado», espelhado nos documentos
estratégicos nacionais e regionais, e por outro lado, a eficiência no cumprimento dos prazos estabelecidos resultando
desta forma em três cenários evolutivos:
Cenário Central de Evolução — decorre da concretização dos objectivos desejados pelos principais
instrumentos de políticas públicas de desenvolvimento nacional e regional;
Cenário de Evolução Superior — decorre da superação da concretização dos objectivos desejados
pelos principais instrumentos de políticas públicas de desenvolvimento nacional e regional;
Cenário de Evolução Inferior — decorre de uma
menor eficiência na concretização do «futuro
desejado» pelas políticas públicas resultante de
factores de incerteza estruturais, quer nacionais
quer internacionais.
Com base na metodologia mencionada, definiran-se
treze cenários prospectivos (Quadro 5.6).
Quadro 5.6 - Matriz de Cer
== TECNOLÓGICO EVOLUTIVO
A - Cenário A - Situação Actual (2013)
Inferior
Central
Cenário | Pequenos
B | Regadios
Superior
Inferior
Es Aproveitamentos
as Hidroagrícolas
(AH)
ários Prospectivos - Agricultura de Regadio
B11 - Cenário B B21 - Cenário B
- Sem investimento em AH; | - Reabilitação de AH existentes
- 1/3 das famílias pratica | (2 000ha);
agricultura de regadio; - Sem investimento em novos AH;
- Área de regadio 0,2 |- Lançamento do Programa de
ha/família; Pequenos Regadios;
- Agricultura de |- 1/3 das famílias pratica
subsistência; agricultura de regadio;
- Ocupação cultural: | -Áreaderegadio0,3ha/família
mandioca, amendoim, feijão | . Agricultura de subsistência
e milho :
- Ocupação cultural: mandioca,
trigo, feijão e milho
B1C - Cenário B B2C - Cenário B
- “Reabilitação de AH|- Execução do Programa de
existentes (2 000ha); Pequenos Regadios;
- Sem investimento em | - Investimento em novos AH
novos AH; (2 000 ha);
- Lançamento do Programa | - 1/3 das famílias pratica
de Pequenos Regadios; agricultura de regadio;
- 1/3 das famílias pratica | - Área de regadio 0,3 ha/família
agricultura de regadio - Agricultura parcialmente de
- Área de regadio 0,2 | mercado
ha/família - Ocupação cultural: mandioca,
- Agricultura de | arroz, hortícolas e milho
subsistência
- Ocupação cultural:
mandioca, trigo, feijão e
milho
B1S - Cenário B B2S - Cenário B
- —Reabilitição de AH |- Continuação da Execução do
existentes Programa de Pequenos Regadios;
(2 000ha); - Continuação de Investimento em
- Execução do Programa de | novos AH (5 000ha);
Pequenos Regadios; - 1/3 das famílias pratica
- Investimento em novos | agricultura de regadio;
AH (2000 ha); - Área de regadio 0,5 ha/família
- 1/3 das famílias pratica | . Agricultura parcialmente de
agricultura de regadio; mercado
- Área de regadio 0,3 |. Ocupação cultural: mandioca,
ha/família arroz, hortícolas e milho
- Agricultura parcialmente
de mercado
- Ocupação cultural:
mandioca, arroz, hortícolas
e milho
C11 - Cenário C C21 - Cenário C
- Reabilitição de AH | -Investimentoem novos AH, taxa
existentes de realização de 30% (46 950 ha);
(2 000ha); - 1/3 das famílias pratica
- 1/3 das famílias pratica | agricultura de regadio;
agricultura de regadio; - Área de regadio 0,2 ha/família
- Área de regadio 02 |. agricultura parcialmente de
ha/família; mercado;
: Agricultura de |. Ocupação cultural: mandioca,
CENÁRIO PRESSUPOSTO PRESSUPOSTO PRESSUPOSTO TEMPORAL
o as a E ms na
subsistência; arroz, hortícolas e milho
- Ocupação cultural:
mandioca, amendoim, feijão
e milho
Central C1C - Cenário C C2C - Cenário C
- “Reabilitação de AH | -Continuaçãode Investimento em
existentes ( 2000 há); novos AH, taxa de realização de
- Investimento em novos | 60%
AH, taxa de realização de | (93 900ha);
30% (46 950 ha); - 1/5 das famílias pratica
- 1/3 das famílias pratica agricultura de regadio;
agricultura de regadio; - Área de regadio 0,2 ha/família
- Área de regadio 0,2|- Agricultura parcialmente de
ha/família mercado;
- Agricultura parcialmente | - Ocupação cultural: fruteiras,
de mercado arroz, hortícolas e milho
- Ocupação cultural:
mandioca, arroz, hortícolas
e milho
Superior C1S - Cenário C C2S - Cenário C
- "Reabilitação de AH | -Continuaçãode Investimento em
existentes ( 2000 ha); novos AH, taxa de realização de
- Investimento em novos | 100% (156 500ha);
AH, taxa de realização de | - 1/5 das famílias pratica
50% ( 78 250ha); agricultura de regadio;
- 1/3 das famílias pratica | - Área de regadio 0,2 ha/família
agricultura de regadio; - Agricultura parcialmente de
- Área de regadio 0,2 | mercado;
ha/família - Ocupação cultural: fruteiras,
- Agricultura parcialmente | arroz, hortícolas e milho
de mercado;
- Ocupação cultural:
mandioca, arroz, hortícolas
e milho
3.2.2. Pecuária Pressuposto Temporal — consideraram-se para além
No âmbito da Pecuária são propostos cenários de da situação actual em 2013 mais dois horizontes
; temporais de análise: 2025 e 2035;
rocuram descrever a sua evolu- : : '
pesenvoluimento qe P . é Pressuposto Evolutivo — Consideram-se diferentes
ção nos sistemas de produção e na procura/consumo, e níveis de evolução através da formulação de três
em resultado estimar as necessidades e consumos de água cenários: Central, Superior e Inferior.
associados. Neste âmbito, definiram-se sete cenários prospectivos
A definição dos cenários teve por base dois pressupostos: — (Quadro 5.7).
Quadro 5.7 - Matriz de Cenários P1
PRESSUPOSTO PRESSUPOST(
FEDLOTAO 2015-2025
inferior P11 - Cenário C
- Levantamento da situação existente;
- Criação de condições jurídicas e técnicofinanceiras favoráveis à emergência de um
Programa de Relançamento da Fileira de
Carne;
- Consumos per capita: leite 10,0
kg/habitante ano; carne bovina de 2,0
kg/habitante/ano; carne de pequenos
ruminantes de 3,0 g/habitante/ano; carne
suína de 5,0 Kg/habitante/ano; aves de
5,0 kg/habitante/ano: e ovos de
33 ovos/habitante/ano;
- Agricultura de subsistência;
- 50% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
Central PIC - Cenário C
- Concretizadas/continuadas medidas de
levantamento da situação existente e
implementação — do Programa de
Relançamento da Fileira de Carne;
- Leite 126 Kg/habitante ano; carne
bovina de 3,0 kg/habitante/ano; carne de
pequenos ruminantes de 3,0
kg/habitante/ano; carne suína de
5,0 Kg/habitante/ano; aves de
7,6 kg/habitante/ano; e ovos de
70 ovos /habitante/ano;
- Agricultura de subsistência;
- 60% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
Superior PIS - Cenário C
- Concretizadas/continuadas medidas de
levantamento da situação existente e
implementação — do Programa de
Relançamento da Fileira de Carne;
- Leite 16,0 Kg/habitante ano; carne
bovina de 4,0 ke/habitante/ano; carne de
pequenos ruminantes de 3,0
kg/habitante/ano; carne suína de 10,0
Kg/habitante/ano; aves de 150
kg/habitante/anoy e ovos de 180
ovos/habitante/arno;
- Agricultura parcialmente de mercado;
- 75% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
ospectivos - Pecuária
) TEMPORAL
P21 - Cenário C
- Continuação do levantamento da
situação existente;
- Continuação da criação de condições
jurídicas e técnico-financeiras
favoráveis à emergência de um
Programa de Relançamento da Fileira
de Carne;
- Consumos per capita: leite
10,0 kg/habitante ano; carne bovina
de 2,0 kg/habitante/ano; carne de
pequenos — ruminantes de 3,0
kg/habitante/ano; carne suína de 5,0
ke/habitante/ano; aves de
5,0 kg/habitante/ano; e ovos de
33 ovos /habitante/ano;
- Agricultura de subsistência;
- 50% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
P2C - Cenário C
- Continuação de implementação do
Programa de Relançamento da Fileira
de Carne;
- Leite 12,0 Kg/habitante ano; carne
bovina de 3,0 kg/habitante/ano; carne
de pequenos ruminantes de 3,0
kg/habitante/ano; carne suína de 5,0
Kg/habitante/ano; aves de
10,0 kg/habitante/ano; e ovos de
70 ovos /habitante/ano;
- Agricultaora parcialmente de
mercado;
- 75% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
P2S - Cenário C
- Continuação de implementação do
Programa de Relançamento da Fileira
de Carne;
- Leite 16,0 Kg/habitante ano; carne
bovina de 4,0 kg/habitante/ano; carne
de pequenos ruminantes de 3,0
kg/hkabitante/ano; carne suína de 10,0
Kg/habitante/ano; aves de 15,0
kg/habitante/ano; e ovos de 180
ovos/habitante/ano;
- Agricultaira parcialmente de
mercado;
- 100% dos consumos é produzida
internamente na área da bacia
4. Pressões nos Recursos Hídricos Associadas aos
Cenários
As pressões nos recursos hídricos poderão ter diferentes origens, bem como diferentes impactos e escalas, sendo
o mais relevante para o objecto de avaliação o seu efeito ao
nível da quantidade e qualidade dos recursos hídricos.
Do ponto de vista quantitativo o balanço entre as necessidades e as disponibilidades de água permite identificar
potenciais problemas ou conflitos, em termos da utilização
dos recursos hídricos superficiais. Ao nível da qualidade dos
recursos hídricos a avaliação das cargas poluentes potencialmente afluentes ao meio hídrico permite identificar as
pressões na qualidade dos recursos hídricos.
Neste sentido, para aos cenários prospectivos apresentados, analisou-se:
Necessidades hídricas para os sectores suscitáveis de
influenciar de forma significativa o desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Zambeze;
Balanço hídrico da bacia, com base nas disponibilidades de água estimadas na Fase I do presente
Plano;
Cargas poluentes afluentes ao meio hídrico (CBOS,
CQO, SST, NTotal e PTotal).
4.1. Necessidades e Disponibilidades de Água
4.1.1. Necessidades de Água para a Agricultura de
Regadio
As necessidades hídricas totais de uma cultura representam a quantidade de água requerida na origem e necessária
para compensar as suas perdas por evap otranspiração (necessidades hídricas úteis de uma cultura), na hipótese de a
humidade do solo ser suficiente para satisfazer toda a potencialidade da evaporação e da transpiração, e considerando
que ocorrem perdas reais deste recurso durante os processos
de adução, distribuição e aplicação.
O cálculo das necessidades hídricas totais considerou
as necessidades hídricas úteis, em ano médio e ano seco
— apresentadas no PLANIRRIGA — e a eficiência global
de utilização da água — dada em função da eficiência de
transporte global das redes de adução, da eficiência de distribuição das redes de rega e da eficiência de aplicação na
parcela —, estimada com base em dados publicados e à sua
relação com as condições nos regadios existentes.
Nos quadros seguintes apresentam-se os volumes de
água consumidos na Bacia e Sub-Bacia do Zambeze para
a rega, por cenário prospectivo, em ano médio e ano seco,
considerando as percentagens de pequenos regadios e aproveitamentos hidroagrícolas em cada bacia e sub-bacia.
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4.1.2. Necessidades de Água para a Pecuária
As necessidades hídricas do Sector da Pecuária foram
obtidas com base nos consumos diários necessários para
cada espécie animal, considerando o número de efectivos
pecuários.
Os efectivos pecuários foram estimados partindo dos
vários pressupostos de consumo definidos por cenário
(Quadro 5.7 — Matriz de Cenários Prosp ectivos — Pecuária)
e tendo em consideração que:
No efectivo bovino, o peso da carcaça é de 150 kg/
bovino e a taxa de extracção de 8%;
No efectivo bovino para a produção de leite, a produção média é de 6 litro/vaca/dia;
No efectivo suíno, o peso da carcaça é de 50 kg/
bovino e a taxa de extracção de 40%;
No efectivo de pequenos ruminantes, o peso da carcaça
é de 25 kg/bovino e a taxa de extracção de 25%;
No efectivo de aves, o peso da carcaça é de 0,8 kg/
bovino e a taxa de extracção de 90%;
No efectivo de aves para a produção de ovos, a taxa
de postura é de 60%.
Os consumos diários de referência adoptados resultam
dos estudos «Avaliação Rápida dos Recursos Hídricos e Uso
da Água em Angola» (DNA), em 2005, e o PNEA (2012),
adoptando-se os seguintes valores:
Bovinos, equinos e asininos — 50 litros/dia.cabeça
Suínos — 12 litros/dia.cabeça
Ovinos e caprinos — 6 litros/dia.cabeça;
Aves — 0,2 litros/dia.cabeça
No quadro seguinte apresentam-se os Consumos
na Pecuária, calculados com base na metodologia
supramencionada.
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4.1.3. Necessidades de Água para a Indústria
De uma forma geral, o Sector Industrial é um consumidor
de água importante, tendo este consumo um peso com algum
significado no total das necessidades de abastecimento.
Como maiores indústrias consumidoras de água consideram-se as indústrias siderúrgicas e de mineração, as de
produção de químicos, papel, têxtil, alimentar, petróleo e
derivados químicos, entre outros.
Na área abrangida pela Bacia Hidrográfica do Zambeze
é expectável que a exploração de inertes, principalmente
cobre, venha a ter um potencial desenvolvimento da indústria
extractiva. Enquanto tal não acontece, actualmente é apenas
efectuado o controlo dos projectos de exploração de inertes.
Deste modo, não se prevê a existência de indústrias
potencialmente consumidoras de grandes volumes de água
nem projectos futuros para novas indústrias. No entanto,
e em face das indústrias existentes — microempresas —,
maioritariamente de cariz familiar, considerou-se que estas
necessidades estão contempladas nas necessidades de água
para o Sector Residencial.
4.1.4. Necessidades de Água para o Sector
Residencial
As necessidades de água para o Sector Residencial foram
determinadas com base nos seguintes parâmetros:
População — estabelecida tendo como base os valores da evolução demográfica para os diferentes
cenários;
Nível de Atendimento:
O estabelecimento das percentagens de atendimento
adoptadas teve por base a análise aprofundada de
vários documentos disp oníveis sobre o tema, sintetizados no Quadro 5.2 — Síntese dos objectivos
e metas previstos para os diversos planos para o
Saneamento;
As principais metas consideradas nos refer1-
dos programas indicam uma percentagem de
atendimento de abastecimento de água entre
80 a 100% para áreas urbanas e menores para
as áreas rurais, a atingir entre 2012 e 2025;
Deste modo, prevê-se que até 2017 o nível de
atendimento tenha um crescimento mais acelerado nos centros urbanos, com tendência a
abrandar até atingir uma cobertura total de
100% em 2035;
Nas áreas rurais é de prever que a evolução no
atendimento seja menos acelerada e mais
constante ao longo dos anos, atingindo um
valor de cerca de 80% também em 2035;
A distribuição de população atendida por cada
tipo de fonte de abastecimento (ramais, fontanários, torneiras de quintal e outras origens
informais) teve em atenção os hábitos de consumo verificados aquando do levantamento de
campo, descrito na Fase I do presente Plano;
O nível de atendimento varia por cenário, de
acordo com a área rural ou centro urbano.
Distribuição da população por tipo de ocupação do
solo e por fontes de abastecimento — a distribuição da população pelos centros urbanos foi
efectuada através da afectação dos principais
centros urbanos da bacia a cada sub-bacia,
enquanto que a distribuição da população pelas
áreas rurais é realizada considerando que à
população total é retirado o valor da população
afecta aos centros urbanos e distribuída em função da área ocupada por cada sub-bacia.
Capitação de Abastecimento — estabelecida tendo
por base a informação relevante contida em
documentos sobre a área de estudo, nomeadamente:
Plano de Desenvolvimento Estratégico da
Província do Moxico (2012/2025);
Programa Nacional Estratégico Imediato para a
Água (PNEIA);
Valores de referência estabelecidos pela
Direcção Nacional de Á guas (DNA), para as
zonas similares.
Considerou-se que a capitação de abastecimento de água
é independente dos cenários apresentados, ou seja, mantém-se igual para todos os cenários estabelecidos (Central,
Superior e Inferior).
Perdas:
A componente «perdas» inclui todos os consumos de
água não medidos, isto é, todas as fugas de água e
todos os consumos satisfeitos a partir do sistema,
mas que não são devidamente contabilizados;
Os sistemas de abastecimento de água existentes na
Bacia Hidrográfica do Zambeze apresentam
actualmente um estado maioritariamente deficitário. Dado o cariz rudimentar dos sistemas,
estes não contemplam um sistema de gestão e/ou
de monitorização de caudais e como tal não se
considera a inclusão da componente «consumos
de água não medidos» no âmbito das perdas de
água, para o ano de 2013;
Com vista à futura monitorização dos sistemas de abastecimento de água em execução &/ou previstos, e
em função da experiência em projectos semelhantes, foi adoptada para a estimativa das necessidades
para abastecimento urbano uma percentagem para
as perdas de 20% do valor do consumo per capita
considerado, para o ano inicial;
Para os anos futuros é expectável uma redução progressiva das perdas de água nos sistemas. Os
valores de perdas de água são idênticos para os
três cenários considerados neste Plano.
A determinação das necessidades para o abastecimento
às populações foi efectuada através da multiplicação da
população, por fonte de abastecimento, pela respectiva capitação, afectando ao resultado desta multiplicação a perda de
água admitida.
Nos quadros seguintes apresentam-se as necessidades
para abastecimento urbano nos diferentes cenários.
Quadro 5.11 - Necessidades
PROVÍNCIA UHPs
Alto Zambeze- Zambeze
(27)
Alto Zambeze-Lungué-
Bungo (ZL)
Cuando-Cubango Cuando (C)
de água para abastecimento urbano (hm3/ano) -
Cenário Central
NECESSIDADES DE ABASTECIMENTO (hm3/ano)
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0:17
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IL SÉRIE — N.º 63 — DE 11 DE ABRIL DE
Quadro 5.12 - Necessidade
PROVÍNCIA UHPs
Alto Zambeze- Zambez
(ZZ)
Moxico
Alto Zambeze-Lungué-
Bungo (ZL)
õ
T
12022 2655
2s de água para abastecimento urbano (hm3/ano) -
Cenário Superior
NECESSIDADES DE ABASTECIMENTO (hm3/ano)
SUB-BACIA
ZZ1
0,52 0,73 1,39 2,10
ZZ2
0,11 0,24 0,39
e 723
Total
0,28 0,29 0,33 0,77
ZL1
ZL2
Rm 0,08 084) 101) 172) 277
ZL3
El 002) 007) 007 oo o13
ZL4
0,02
ZL5
Total
ATT is id
Cla
0,41 0,50 0,80 1,43
C1lb
Es! 003| 002 003] 005) 007
Clc
0,07 0,10 0,14
Cc2
c3
0,01 0,02
Ca
0,86 1,13 1,34
Total
1013) 11,99] 2037) 3271
OTAL da BACIA
