Artigo 1.º#
Criação
É criado o Observatório de Género de Angola e a sua Unidade de Gestão.
Artigo 2.º#
Aprovação
É aprovado o Regulamento do Observatório de Género de Angola.
Artigo 3.º#
Objecto
O presente Regulamento estabelece o suporte de operacionalização e funcionamento do Observatório de Género de Angola, abreviadamente designado por «OGA».
Artigo 4.º#
Definição e natureza
O OGA é uma plataforma digital, concebida como um instrumento estratégico para congregar e disponibilizar informações quantitativas e qualitativas que permitem subsidiar a formulação e implementação das políticas públicas para as mulheres em Angola, efectuar o acompanhamento dos indicadores de desigualdade de género e dos direitos das mulheres, visando dar resposta aos compromissos nacionais e internacionais assumidos.
Esta plataforma digital é baseada na gestão de dados, dependente de uma Unidade de Gestão, que garante a sua instalação, operacionalização e funcionamento.
O OGA é coordenado pelo Titular do Departamento Ministerial responsável pelo Sector da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, em cooperação com o Departamento Ministerial responsável pelo Sector do Planeamento, através do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Artigo 5.º#
Finalidade
O OGA tem as seguintes finalidades:
Monitorar o grau de implementação das políticas públicas no País, para a promoção da equidade e igualdade de género em alinhamento com os instrumentos nacionais, regionais e internacionais, com especial destaque para a Política Nacional para a Igualdade e Equidade de Género, o Protocolo da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, a Agenda Africana 2063, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), as Convenções da OIT, os ODS 2030, a Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Mulher, Paz e Segurança;
Dar visibilidade às desigualdades de género e facilitar a concepção de políticas, programas e projectos de integração da igualdade de género;
Mostrar o impacto dos resultados das acções desenvolvidas pelo Estado e medir as mudanças nas diferentes dimensões da autonomia das mulheres;
Disponibilizar aos diferentes actores governamentais, e a sociedade em geral, indicadores e informações que mostrem a situação dos homens e mulheres, meninos e meninas em Angola e a quem fundamentadamente os solicite;
Fornecer informações e instrumentos que permitam a avaliação das políticas públicas de promoção da igualdade de género e a produção de artigos científicos e informativos;
Gerar e fornecer evidências para o desenvolvimento de planos, políticas, programas e legislação que respondam às necessidades dos homens e mulheres, meninos e meninas em Angola.
Artigo 6.º#
Estrutura
O OGA está estruturado por uma componente qualitativa, quantitativa e um pilar, correspondente à produção de informações e introdução de dados produzidos pelas instituições estatais e não estatais, nacionais e internacionais validados pelo INE e pelo MASFAMU, divididos por domínios de autonomia, nomeadamente, autonomia económica, autonomia física, autonomia para a tomada de decisões, bem como os indicadores demográficos.
Artigo 7.º#
Composição
O OGA é composto pelos Órgãos de Gestão e Parceiros.
Os Órgãos de Gestão são aqueles que intervêm directamente na criação, operacionalização e funcionamento do OGA, nomeadamente:
Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher;
Instituto Nacional de Estatística - INE.
Os Parceiros são aqueles que apoiam na produção e fornecimento de conteúdos relacionados à igualdade e equidade de género e empoderamento das mulheres no País, para a alimentação e actualização do OGA, nomeadamente:
Instituições Públicas - facilitação de dados administrativos relativos à autonomia das mulheres, entre eles no âmbito da saúde sexual e reprodutiva, oportunidades económicas e participação política;
Instituições Privadas - produção de informações relativas à participação das mulheres no sector privado e o papel das mesmas;
Academias - produção de artigos académicos, estudos e relatórios relativamente a todas as dimensões de autonomia das mulheres que estão descritas no OGA;
Organizações Não-Governamentais e Organizações da Sociedade Civil - alimentação do OGA com estudos, relatórios e informações de interesse no âmbito da promoção da igualdade e de género;
Observadores e Conselheiros - organizações que representam a cooperação bilateral, países da Região Africana e da CPLP e das Organizações Multilaterais com representação no País.
Artigo 8.º#
Tarefas
Compete ao Ministro responsável pelo MASFAMU, enquanto entidade que concebe, propõe e executa a política de igualdade e equidade de género no País, o seguinte:
Coordenar o OGA;
Garantir a instalação e operacionalização do OGA;
Assegurar a criação da plataforma digital do OGA associada à página do MASFAMU, gerida pelo MASFAMU e coadjuvada pelo INE;
Proceder à indicação do responsável e dos técnicos da Unidade de Gestão do Observatório de Género de Angola (UGOGA);
Proceder ao reforço das competências técnicas do responsável e técnicos de gestão da implementação do OGA;
Orientar a prestação de assistência técnica aos diferentes sectores e parceiros sempre que a situação o exija.
Compete ao INE, enquanto entidade responsável pela produção e divulgação de dados estatísticos do País, o seguinte:
Garantir o suporte técnico ao MASFAMU como instituição-chave para a montagem, funcionamento e manutenção do OGA;
Garantir o suporte técnico ao MASFAMU como responsável do grupo dos órgãos delegados do INE, Órgãos Delegados do Instituto Nacional de Estatística (ODINE'S) e os Órgãos Produtores de Estatísticas Oficiais (OPES);
Garantir a actualização dos dados quantitativos desagregados por sexo e faixa etária;
Produzir o relatório sobre as disparidades de género a cada 2 (dois) anos;
Fornecer os dados que alimentam os indicadores quantitativos básicos e secundários e garantir a sua actualização sistemática.
Para a dinamização e funcionamento do OGA, os parceiros são responsáveis pelas seguintes tarefas:
Alimentar o OGA com estudos, relatórios e outros documentos de interesse sobre a igualdade e equidade de género em Angola, depois de validados pelo MASFAMU e pelo INE;
Realizar a análise dos indicadores e a produção de conhecimento sob forma de artigos, estudos e relatórios sobre igualdade e equidade de género em Angola;
Indicar um ponto focal para a gestão das relações institucionais com a UGOGA;
Actualizar os indicadores de género, sempre que necessário e medir quaisquer outras variáveis de impacto social.
Para impulsionar a actividade do OGA os observadores e conselheiros podem apoiar na realização de tarefas afectas aos parceiros.
Artigo 9.º#
Metodologia de trabalho
Na sua operacionalização, o OGA procede da seguinte forma:
Recolha de informação;
Análise e tratamento de dados;
Validação e inserção de informação.
O processo referido no número anterior deve ser feito de acordo com a natureza da matéria, por via de um portal, cujo acesso é limitado a Unidade de Gestão do OGA.
Artigo 10.º#
Fontes de informação
Os dados e informações objecto de tratamento pelo OGA têm como fonte de informação:
Departamentos Ministeriais;
Instituições da Administração Local do Estado;
Organizações da sociedade civil;
Igrejas;
Sector Privado;
Comunidade académica e científica;
Meios de comunicação social;
Comunidades e famílias;
Outras fontes de informação sobre género e empoderamento das mulheres.
Artigo 11.º#
Tratamento da informação
As informações são actualizadas em articulação com o INE, sempre que existirem dados disponíveis nos quadros de indicadores-chave quantitativos primários e secundários, em todas as dimensões de autonomia económica, física, tomada de decisão, demografia e interligação entre as autonomias.
Artigo 12.º#
Acesso à informação
Os dados gerados pela plataforma do OGA são publicados pelo portal e pelo arquivo nacional de dados estatísticos, no âmbito da política de disseminação de dados em uso no INE e no Sistema Nacional Estatístico (SNE).
O acesso à informação constante na plataforma do OGA é feito pela via administrativa e pelo portal do utente:
A via administrativa é de acesso limitado à UGOGA;
A via do portal do utente é de acesso público.
Artigo 13.º#
Coordenação
A Unidade de Gestão do Observatório de Género de Angola (UGOGA) é dirigida pelo Director Nacional responsável pela Direcção Nacional para a Equidade e Igualdade de Género.
A Unidade de Gestão do OGA é integrada por 6 (seis) técnicos, dos quais, 4 (quatro) são indicados pelo MASFAMU e 2 (dois) pelo INE.
Estão afectos à UGOGA, técnicos integrantes do INE, da Direcção Nacional para Equidade e Igualdade de Género e do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do MASFAMU, vinculados ao quadro de pessoal da função pública, com as seguintes tarefas:
Actualização de dados quantitativos;
Actualização de dados qualitativos;
Actualização, estudos, documentos legais e documentos de planificação de estratégia nacional.
Os técnicos do INE integrantes da UGOGA são indicados pelo Director Geral do Instituto Nacional de Estatística.
Artigo 14.º#
Responsabilidades gerais da UGOGA
Para a preparação e execução das acções necessárias ao processo de montagem, lançamento e funcionamento do OGA, constituem responsabilidades gerais da UGOGA, as seguintes:
Realizar a gestão operacional do OGA em coordenação com o INE;
Assegurar a articulação institucional do OGA com o INE e os parceiros estratégicos para alimentação e divulgação de dados;
Coordenar com academias e outros parceiros a publicação de artigos e informações científicas;
Actualizar anualmente a tabela de indicadores qualitativos, documentos estratégicos, estudos, entre outros;
Proceder à actualização anual da leitura e análise sucinta dos indicadores-chave;
Coordenar o processo de selecção de novos indicadores do OGA, sempre que se manifeste necessário;
Elaborar relatórios semestrais sobre demanda dos dados e informações, bem como a monitorização das visualizações e consultas à plataforma digital do OGA;
Gerir os conteúdos relativos às estratégias de comunicação na rede, introdução de notícias, artigos, entre outros no OGA.
Artigo 15.º#
Responsabilidades específicas da UGOGA
A Direcção Nacional para a Equidade e Igualdade de Género (DNEIG) e o Instituto Nacional de Estatística (INE) são responsáveis pelo asseguramento das tarefas específicas do UGOGA.
A DNEIG tem as seguintes responsabilidades:
Assegurar a análise e divulgação dos respectivos dados estatísticos, incluindo publicações anuais a partir da UGOGA;
Colaborar na identificação de domínios prioritários para a produção de estatísticas de género e na elaboração de uma agenda para a sua obtenção;
Facilitar o acesso à assessoria técnica para a produção de novas informações estatísticas de género, com prioridade para o uso do tempo;
Definir as estratégias de comunicação a serem utilizadas ao nível da transversalidade da abordagem de género;
Facilitar o acesso à assessoria técnica para a produção de novas informações estatísticas de género, com prioridade para os indicadores que emanam da Agenda 2030 - Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e Indicadores sobre Economia Reprodutiva e Uso do Tempo;
Contribuir tecnicamente para promover acções de formação nas áreas referentes à materialização dos objectivos do OGA.
O INE tem as seguintes responsabilidades:
Compilar os dados gerais resultantes da recolha de informação pela UGOGA;
Elaborar uma agenda bianual de trabalho para a obtenção de informações estatísticas prioritárias que ainda não são produzidas em Angola, com prioridade para os indicadores que emanam da Agenda 2030 - Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e indicadores sobre a Economia Reprodutiva e Uso do Tempo;
Elaborar publicações anuais sobre os progressos nos indicadores e áreas temáticas definidas conjuntamente com a UGOGA;
Contribuir tecnicamente para a elaboração de estudos em coordenação com a UGOGA;
Realizar a gestão dos conteúdos do OGA, envidando esforços ao nível de recursos humanos que participam nas tarefas de gestão de acordo com as competências do MASFAMU e do INE estipulados no presente Diploma;
Promover a divulgação do OGA;
Promover o desenvolvimento de estatísticas e indicadores de género;
Realizar estudos e inquéritos específicos para produzir informação relativa à igualdade e equidade de género;
Fornecer os dados que alimentam os indicadores quantitativos básicos e secundários desagregados por sexo e por faixas etárias e, garantir a sua actualização sistemática.
Artigo 16.º#
Tarefas do responsável da UGOGA
São tarefas do responsável da UGOGA, as seguintes:
Gerir e supervisionar a UGOGA;
Mobilizar os parceiros, observadores e conselheiros do OGA;
Mobilizar os recursos técnicos e financeiros para o OGA;
Garantir a actualização dos dados através da equipa técnica da UGOGA;
Garantir a produção de estudos e artigos junto dos parceiros, tendo como recurso primário o OGA;
Garantir a actualização e divulgação das notícias de promoção da igualdade e equidade de género.
Artigo 17.º#
Perfil e tarefas da equipa técnica da UGOGA
O perfil e as tarefas dos técnicos da UGOGA devem ser definidos em normas internas de funcionamento da unidade.
Artigo 18.º#
Supervisão e avaliação
A supervisão e avaliação do OGA são realizadas pelo Ministro responsável pela Acção Social, Família e Promoção da Mulher.
Artigo 19.º#
Dúvidas e omissões
As dúvidas e omissões suscitadas da interpretação e aplicação do presente Diploma são resolvidas pelo Presidente da República.
Artigo 20.º#
Entrada em vigor
O presente Decreto Presidencial entra em vigor no dia seguinte à data da sua publicação.
Apreciado em Conselho de Ministros, em Luanda, aos 3 de Outubro de 2024.
Publique-se.
Luanda, a 1 de Novembro de 2024.
O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO.
